INTRODUÇÃO A INSPEÇÃO SANITÁRIA DE CARNES DE AVES
A compreensão dos sistemas digestivo, respiratório e
circulatório das aves é fundamental para profissionais envolvidos na produção,
inspeção sanitária e manejo zootécnico. Esses sistemas possuem características
anatômicas e
fisiológicas únicas que influenciam tanto a saúde dos
animais quanto a qualidade da carne produzida. Conhecer suas particularidades é
essencial para o desenvolvimento de boas práticas de criação, nutrição,
transporte e abate.
O sistema digestivo das aves é adaptado para processar
rapidamente grandes quantidades de alimento, favorecendo a alta taxa de
crescimento necessária em sistemas comerciais. Diferentemente dos mamíferos, as
aves possuem um sistema digestivo mais curto e extremamente eficiente.
A ingestão de alimento começa no bico, passa pela cavidade
oral e segue para o esôfago, que
se expande para formar o papo. O
papo atua como um reservatório temporário de alimentos, onde ocorre um
amolecimento inicial (Moran, 2007).
O alimento então passa para o proventrículo, considerado o estômago glandular, onde há secreção
de ácido clorídrico e enzimas digestivas. Em seguida, chega à moela (ou ventrículo), órgão muscular
que tritura mecanicamente o alimento, auxiliado pela ingestão de partículas
duras, como areia ou pequenas pedras.
A digestão química ocorre principalmente no intestino delgado (duodeno, jejuno e
íleo), com absorção de nutrientes. O ceco
das aves é duplo e desempenha função na fermentação de resíduos alimentares,
especialmente fibras. O material não digerido é eliminado pela cloaca, que também recebe secreções dos
sistemas urinário e reprodutor (Sakomura & Rostagno, 2016).
A alta eficiência digestiva das aves é fundamental para
garantir bom desempenho zootécnico, mas também torna os animais vulneráveis a
contaminações alimentares, com impactos diretos na saúde pública.
O sistema respiratório das aves é singular e muito mais
eficiente do que o dos mamíferos em termos de troca gasosa, devido à sua
estrutura anatômica especializada.
As aves possuem narinas
localizadas na base do bico, levando o ar para a traqueia e depois para os pulmões.
Diferentemente dos mamíferos, os pulmões das aves são pequenos, compactos e
quase imóveis, sendo interconectados com um sistema de sacos aéreos que se estendem por várias regiões do corpo (King,
2006).
Esses
sacos aéreos permitem um fluxo de ar unidirecional
pelos pulmões durante a inspiração e a expiração, garantindo que o ar rico em
oxigênio esteja sempre disponível para as trocas gasosas. Esse mecanismo é
altamente eficiente e necessário para sustentar o metabolismo acelerado
característico das aves, especialmente nas espécies de crescimento rápido, como
os frangos de corte.
Porém, essa alta eficiência também torna o sistema
respiratório avícola extremamente vulnerável à entrada de patógenos e
partículas contaminantes. Doenças respiratórias, como a bronquite infecciosa
aviária e a micoplasmose, têm grande impacto sobre a produtividade e a
qualidade da carne (Swayne et al., 2013).
O sistema circulatório das aves é igualmente adaptado para
sustentar sua elevada taxa metabólica. Ele é composto por um coração relativamente maior em
proporção ao peso corporal do que em mamíferos, garantindo alta eficiência na
circulação sanguínea.
O coração das aves possui quatro câmaras (dois átrios e
dois ventrículos), funcionando de maneira semelhante ao dos mamíferos.
Entretanto, o batimento cardíaco é mais rápido, o que assegura uma distribuição
rápida de oxigênio e nutrientes pelos tecidos (Scanes, 2015).
O sangue das
aves carrega nutrientes, hormônios e gases respiratórios, e também possui papel
fundamental na regulação térmica. O sistema vascular eficiente permite às aves
manter a homeostase mesmo sob condições ambientais desafiadoras.
Problemas circulatórios são relevantes na inspeção
sanitária, uma vez que doenças como ascite (hipertensão pulmonar) e problemas
cardíacos podem ser causas de condenação de carcaças no abate, além de
impactarem o bemestar animal e a produtividade (Wideman, 2001).
O entendimento dos sistemas digestivo, respiratório e
circulatório das aves é crucial para o manejo sanitário e produtivo eficiente.
Alterações em qualquer um desses sistemas podem comprometer a saúde dos
animais, reduzir o desempenho produtivo e afetar diretamente a segurança e a
qualidade da carne destinada ao consumo humano.
Por isso, práticas de manejo que respeitem as necessidades
fisiológicas das aves, aliadas a programas de prevenção sanitária, são
indispensáveis para a sustentabilidade da produção avícola moderna.
• KING,
A. S. Respiratory Function in Birds.
Cambridge: Cambridge University Press, 2006.
• MORAN, E. T. Nutrition of the Developing Embryo
and Hatchling. Poultry Science,
v. 86, n. 5, p. 1043–1049, 2007.
• SAKOMURA,
N. K.; ROSTAGNO, H. S. Métodos de
Pesquisa em Nutrição de Monogástricos. 2. ed. Jaboticabal: FUNEP, 2016.
• SCANES,
C. G. Sturkie’s Avian Physiology. 6.
ed. Amsterdam: Academic Press, 2015.
• SWAYNE,
D. E.; GLISSON, J. R.; McDOUGALD, L. R.; NOLAN, L. K.; SUAREZ, D. L. Diseases of Poultry. 13. ed. Ames:
WileyBlackwell, 2013.
• WIDEMAN, R. F. Pathophysiology of heart/lung disorders: pulmonary hypertension syndrome in broiler chickens. World's Poultry Science Journal, v. 57, n. 3, p. 289–307, 2001.
A inspeção sanitária de aves envolve a avaliação criteriosa
de características anatômicas normais e patológicas para assegurar a qualidade
e a segurança da carne destinada ao consumo humano. Para isso, é essencial o
conhecimento detalhado das particularidades anatômicas das aves, que diferem em
vários aspectos dos mamíferos. Essas diferenças têm implicações diretas na
detecção de alterações patológicas durante a inspeção ante-mortem e
post-mortem.
A pele das aves é relativamente fina, pouco vascularizada e
desprovida de glândulas sudoríparas, exceto pela presença da glândula
uropigiana na base da cauda, que secreta óleo utilizado na impermeabilização
das penas (King & McLelland, 1984).
Durante a inspeção, alterações na cor da pele, como
cianose, icterícia ou hemorragias, podem indicar problemas circulatórios,
infecções sistêmicas ou traumatismos ocorridos no manejo ou transporte. A
presença de lesões traumáticas é critério de condenação parcial ou total da
carcaça, dependendo da extensão e da gravidade.
As aves possuem musculatura altamente desenvolvida no
peito, com os músculos peitoral maior
e peitoral menor sendo as principais
massas musculares envolvidas na locomoção das asas (Dyce et al., 2017).
Esses músculos são especialmente relevantes na inspeção, pois são locais comuns para a ocorrência de miopatias, como o "Wooden Breast" (peito amadeirado) e o "White Striping" (estrias brancas), que comprometem a qualidade sensorial e a aceitação comercial da carne. A inspeção visual e tátil dessas estruturas é fundamental para identificação precoce dessas alterações.
Os pulmões das aves são pequenos, rígidos e não expansíveis, estando firmemente aderidos às costelas dorsais. Eles são
interligados a um sistema de sacos aéreos que permeiam o corpo e até mesmo os
ossos pneumáticos (Scanes, 2015).
Durante a inspeção post-mortem, é necessário avaliar a
integridade dos pulmões e sacos aéreos, pois são locais preferenciais de
infecções respiratórias crônicas, como a aerossaculite, frequentemente causada
por Escherichia coli ou Mycoplasma gallisepticum. Sacos aéreos
opacos, espessados ou contendo exsudato indicam a necessidade de condenação da
carcaça.
O sistema digestivo das aves apresenta órgãos
especializados como o papo, o proventrículo (estômago glandular) e a moela (estômago muscular). Essas
estruturas são inspecionadas para detectar a presença de lesões, corpos
estranhos ou sinais de infecção (Sakomura & Rostagno, 2016).
Durante a evisceração, o exame do fígado, dos intestinos e
do proventrículo é fundamental para identificar sinais de doenças como
hepatites, enterites ou infecções sistêmicas que podem tornar a carne imprópria
para o consumo.
As aves possuem um sistema circulatório altamente
eficiente, com coração grande proporcionalmente ao peso corporal e elevada taxa
metabólica (Schmidt-Nielsen, 1997). Lesões cardíacas, como hipertrofia ou
sinais de insuficiência cardíaca, podem ser evidenciadas durante a inspeção por
alterações anatômicas no coração e nos grandes vasos.
Além disso, é comum observar sinais de ascite (síndrome do
abdômen distendido), caracterizada pela presença de líquido livre na cavidade
celômica, associada a hipertensão pulmonar crônica. Essa condição implica
condenação da carcaça, total ou parcial, dependendo da gravidade.
O sistema linfático das aves inclui órgãos como o baço, os nódulos linfáticos e, em aves jovens, a Bursa de Fabricius. Essas estruturas são inspecionadas para
detecção de infecções bacterianas, virais ou parasitárias.
Alterações como esplenomegalia (baço aumentado) ou a
presença de lesões granulomatosas podem indicar doenças sistêmicas como
tuberculose aviária, levando à condenação do lote ou carcaça afetada (Swayne et
al., 2013).
Uma característica única das aves é a presença de ossos pneumáticos, que se comunicam com
os sacos aéreos e são preenchidos por ar. Ossos como o úmero, fêmur e esterno
são pneumáticos em muitas espécies avícolas (King & McLelland, 1984).
Esses ossos podem ser locais de infecções respiratórias secundárias ou osteomielite. Durante a inspeção,
alterações na consistência ou
na cor dos ossos podem indicar processos infecciosos ou traumáticos que
comprometem a carcaça.
O conhecimento das particularidades anatômicas das aves é
indispensável para a realização de uma inspeção sanitária eficiente. A
identificação de alterações anatômicas e patológicas permite decisões rápidas e
corretas sobre a destinação das carcaças e vísceras, garantindo a segurança
alimentar e protegendo a saúde pública.
O treinamento constante dos inspetores, aliado ao domínio
da anatomia avícola, é essencial para manter a qualidade dos produtos de origem
animal ofertados ao mercado.
• DYCE,
K. M.; SACK, W. O.; WENSING, C. J. G. Tratado
de
Anatomia Veterinária.
4. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.
• KING,
A. S.; McLELLAND, J. Outlines of Avian
Anatomy. London: Baillière Tindall, 1984.
• SAKOMURA,
N. K.; ROSTAGNO, H. S. Métodos de
Pesquisa em Nutrição de Monogástricos. 2. ed. Jaboticabal: FUNEP, 2016.
• SCHMIDT-NIELSEN,
K. Animal Physiology: Adaptation and
Environment. 5.
ed. Cambridge: Cambridge University Press, 1997.
• SWAYNE,
D. E.; GLISSON, J. R.; McDOUGALD, L. R.; NOLAN, L. K.; SUAREZ, D. L. Diseases of Poultry. 13. ed. Ames:
WileyBlackwell, 2013.
A fisiologia do crescimento e do metabolismo das aves de
produção, especialmente frangos de corte, é fundamental para entender os
fatores que determinam o desempenho produtivo, a qualidade da carne e a
eficiência alimentar. O crescimento rápido e o metabolismo acelerado são
características selecionadas geneticamente para atender às demandas de produção
intensiva, mas exigem condições de manejo, nutrição e ambiente rigorosos para
que se expressem plenamente sem prejuízos à saúde das aves.
O crescimento das aves é um processo biológico dinâmico que
envolve a hiperplasia (aumento no número de células) e, principalmente após o
nascimento, a hipertrofia (aumento no tamanho das células). Durante as
primeiras semanas de vida, ocorre o maior incremento de massa muscular,
especialmente na região do peito, onde estão localizados os músculos peitorais
maiores e menores (Scanes, 2015).
Esse rápido crescimento muscular é suportado por um esqueleto ósseo que precisa se desenvolver proporcionalmente para evitar problemas locomotores, comuns em linhagens modernas. Alterações no equilíbrio entre
crescimento muscular é suportado por um
esqueleto ósseo que precisa se desenvolver proporcionalmente para evitar
problemas locomotores, comuns em linhagens modernas. Alterações no equilíbrio
entre crescimento muscular e ósseo podem resultar em desordens como
discondroplasia tibial e síndrome da morte súbita (Julian, 2005).
O crescimento é regulado por uma complexa interação entre
hormônios, incluindo:
• Hormônio do crescimento (GH): estimula a síntese proteica e a
multiplicação celular;
• Hormônios tireoidianos (T3 e T4): modulam o metabolismo basal e a
diferenciação celular.
O controle endócrino do crescimento é sensível a fatores
nutricionais, ambientais e genéticos, e sua disfunção pode comprometer a
eficiência produtiva.
O metabolismo das aves é extremamente rápido, refletido
pela elevada taxa de consumo de oxigênio e produção de calor. Essa
característica é necessária para sustentar o rápido crescimento, mas também
torna as aves vulneráveis a distúrbios metabólicos sob condições de estresse
térmico, nutricional ou sanitário (Sakomura & Rostagno, 2016).
A principal fonte de energia para as aves é a glicose,
obtida principalmente da digestão dos carboidratos dietéticos. O metabolismo
energético inclui:
• Glicólise: quebra da glicose para
produção de ATP, a principal moeda energética celular;
• Ciclo de Krebs e cadeia respiratória:
etapas oxidativas no interior das mitocôndrias que fornecem grande parte da
energia sob condições aeróbicas;
• Lipogênese: síntese de gordura,
realizada predominantemente no fígado das aves, diferentemente dos mamíferos,
que a realizam no tecido adiposo.
Aves
possuem limitada capacidade de armazenar glicogênio; portanto, desequilíbrios
no fornecimento energético rapidamente impactam o desempenho, a imunidade e a
qualidade da carne (Moran, 2007).
O metabolismo proteico é particularmente importante nas
aves de corte, cuja produção visa a formação rápida de tecido muscular. A
síntese proteica é intensificada nas primeiras semanas de vida e requer
fornecimento adequado de aminoácidos essenciais, como lisina e metionina.
Deficiências ou desequilíbrios na dieta proteica resultam em retardo de crescimento, menor ganho de peso e comprometimento da qualidade da carcaça. Além disso, excesso de proteína não
utilizada é catabolizado,
aumentando a excreção de nitrogênio e o impacto ambiental da produção avícola
(Sakomura et al., 2014).
A elevada taxa metabólica gera grande produção de calor
interno, tornando as aves altamente sensíveis ao estresse térmico. Em ambientes
quentes, o metabolismo é ajustado para reduzir a produção de calor, mas isso
frequentemente resulta em diminuição da ingestão de alimentos e no
comprometimento do ganho de peso (Lara & Rostagno, 2013).
A manutenção da homeotermia é crucial, e estratégias como
ventilação adequada, resfriamento evaporativo e ajustes nutricionais são
essenciais para mitigar os efeitos do estresse térmico sobre o metabolismo e o
desempenho produtivo.
Disfunções metabólicas podem resultar em condições
patológicas detectadas na inspeção sanitária de carcaças, como:
• Ascite: acúmulo de líquido abdominal
associado à hipertensão pulmonar;
• Síndrome da morte súbita: morte
inesperada em aves de crescimento rápido, frequentemente relacionada a
distúrbios cardíacos;
• Miopatias musculares: como peito
amadeirado (Wooden Breast) e estrias brancas (White Striping), associadas a
alterações metabólicas do tecido muscular.
Essas condições não apenas afetam a produtividade e o
bem-estar animal, mas também a qualidade final da carne e sua aceitação no
mercado.
A fisiologia do crescimento e do metabolismo das aves reflete uma adaptação ao ambiente produtivo intensivo, mas exige uma gestão cuidadosa da nutrição, do manejo e das condições ambientais. Compreender esses processos é essencial para otimizar a produção, preservar o bem-estar animal e garantir a qualidade e a segurança da carne de aves destinada ao consumo humano.
• JULIAN,
R. J. Production and growth related disorders and other metabolic diseases of
poultry – A review. Veterinary Journal,
v. 169, n. 3, p. 350-369, 2005.
• LARA,
L. J.; ROSTAGNO, M. H. Impact of Heat Stress on Poultry Production. Animals, v. 3, n. 2, p. 356-369, 2013.
• MORAN,
E. T. Nutrition of the Developing Embryo
and Hatchling. Poultry Science,
v. 86, n. 5, p. 1043-1049, 2007.
• SAKOMURA,
N. K.; ROSTAGNO, H. S. Métodos de
Pesquisa em Nutrição de Monogástricos. 2. ed. Jaboticabal: FUNEP, 2016.
• SAKOMURA,
N. K.; FURLAN, R. L.; FREITAS, E. R.;
GONÇALVES, H. C. Nutrição de frangos de
corte. Jaboticabal: FUNEP, 2014.
• SCANES,
C. G. Sturkie’s Avian Physiology. 6.
ed. Amsterdam: Academic Press, 2015.
A avaliação do estado de saúde das aves vivas é fundamental
para assegurar a produção de alimentos seguros, o bem-estar animal e a
eficiência produtiva. Durante o manejo diário nas granjas, o transporte e,
especialmente, na inspeção ante-mortem em abatedouros, a identificação precoce
de sinais de alterações fisiológicas permite a tomada de decisões corretas,
como a segregação de lotes, o descarte de indivíduos comprometidos ou a
implementação de medidas corretivas. Os indicadores
de saúde na ave viva são baseados na observação clínica, no comportamento e
em parâmetros fisiológicos específicos.
A observação do comportamento é uma das ferramentas mais
rápidas e eficazes para a avaliação da saúde das aves. Aves saudáveis
demonstram:
• Nível
de atividade normal, movimentando-se livremente pelo aviário ou área de espera;
• Reações
de fuga adequadas quando aproximadas por seres humanos;
• Comportamento
de alimentação e hidratação regulares.
Aves apáticas, imóveis, com asas caídas, penas eriçadas ou
separadas do grupo indicam possíveis problemas sanitários (Mench, 2008). O
isolamento voluntário do grupo é frequentemente um sinal precoce de doença.
O estado das penas reflete diretamente o bem-estar e a
saúde da ave. Penas brilhantes, alinhadas e limpas são sinais de boa saúde,
enquanto penas sujas, quebradas, eriçadas ou a presença de áreas sem penas
podem indicar:
• Deficiências
nutricionais;
• Infestações
parasitárias (piolhos, ácaros);
• Estresse
ambiental ou social;
• Doenças
infecciosas sistêmicas (Scanes, 2015).
A inspeção da pele também pode revelar hematomas, cianose
(coloração azulada indicando deficiência de oxigênio), icterícia (amarelamento
sugerindo disfunção hepática) ou outras alterações de coloração e integridade.
Olhos claros, brilhantes e livres de secreções são
indicativos de boa saúde. Alterações como olhos opacos, lacrimejamento
excessivo ou edema palpebral sugerem infecções respiratórias ou sistêmicas,
como a micoplasmose e a coriza infecciosa (Swayne et al., 2013).
Secreções nas narinas, ruídos respiratórios (roncos, estertores) e dificuldade respiratória são sinais clínicos importantes de
problemas no sistema respiratório.
A cavidade oral deve apresentar mucosas rosadas e úmidas. A
presença de lesões, placas esbranquiçadas ou sangramentos pode indicar
infecções virais, bacterianas ou carências nutricionais, como deficiência de
vitamina A (Oliveira & Silva, 2010).
A postura corporal e a capacidade de locomoção são
indicadores essenciais de saúde musculoesquelética e neurológica. Aves que
mancam, permanecem sentadas por períodos prolongados ou apresentam movimentos
descoordenados devem ser avaliadas cuidadosamente.
Problemas locomotores podem ser decorrentes de:
• Discondroplasia
tibial (anormalidade do crescimento ósseo); • Deficiências nutricionais (ex.: carência de manganês ou
vitamina D);
• Lesões
traumáticas associadas ao manejo inadequado.
A eficiência do sistema respiratório é fundamental para a
manutenção do metabolismo acelerado das aves. Sinais de distúrbios
respiratórios incluem:
• Respiração
ofegante ou bucal (especialmente em ambientes quentes);
• Emissão
de sons respiratórios anormais (sibilos, roncos);
• Movimentos
excessivos de abertura de bico e extensão do pescoço.
Esses sinais podem indicar a presença de doenças
infecciosas, estresse térmico ou alta concentração de gases nocivos, como
amônia, no ambiente de criação (Lara & Rostagno, 2013).
A cloaca de uma ave saudável é limpa, sem acúmulo de fezes
ou sinais de inflamação. Cloacas sujas, inchadas ou com exsudato indicam
distúrbios entéricos, como coccidiose, enterites bacterianas ou disbiose da
microbiota intestinal (Moura et al., 2020).
O exame da cloaca é particularmente importante para a
identificação de doenças infecciosas de alta transmissibilidade.
Além da avaliação clínica, parâmetros fisiológicos como
peso corporal, ganho de peso diário, consumo de alimento e conversão alimentar
são indicadores indiretos de saúde. Quedas abruptas no desempenho produtivo
geralmente precedem a manifestação clínica evidente de doenças.
Em situações de monitoramento mais detalhado, exames
laboratoriais podem incluir a avaliação de hematócrito, contagem de leucócitos
e dosagem de metabólitos séricos, auxiliando na identificação de enfermidades
subclínicas (Scanes, 2015).
A avaliação dos indicadores de saúde na ave viva é uma prática indispensável para o manejo sanitário
eficaz, a inspeção ante-mortem e
a preservação da qualidade dos produtos avícolas. A observação cuidadosa e
sistemática desses sinais permite intervenções precoces, reduzindo perdas
econômicas, melhorando o bem-estar animal e garantindo alimentos seguros para
os consumidores.
A formação contínua de profissionais e trabalhadores
avícolas é essencial para o fortalecimento da vigilância sanitária e para a
promoção de cadeias produtivas mais sustentáveis e responsáveis.
• LARA,
L. J.; ROSTAGNO, M. H. Impact of Heat Stress on Poultry Production. Animals, v. 3, n. 2, p. 356-369, 2013.
• MENCH,
J. A. Farm animal welfare in the USA: Farming practices, research, education,
regulation, and assurance programs. Applied
Animal Behaviour Science, v. 113, n. 4, p. 298-312, 2008.
• MOURA,
B. S.; GARCIA, J.; CANOZZI, M. E. A.; SILVA, V. S. Coccidiose em frangos de
corte: uma abordagem integrada. Revista
Brasileira de Ciência Avícola, v. 22, n. 2, p. 1-10, 2020.
• OLIVEIRA,
J. E.; SILVA, M. A. Manejo na avicultura de corte: boas práticas de criação. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 39,
p. 305–311, 2010.
• SCANES,
C. G. Sturkie’s Avian Physiology. 6.
ed. Amsterdam: Academic Press, 2015.
• SWAYNE,
D. E.; GLISSON, J. R.; McDOUGALD, L. R.; NOLAN, L. K.; SUAREZ, D. L. Diseases of Poultry. 13. ed. Ames:
WileyBlackwell, 2013.
As doenças infecciosas representam um dos principais
desafios sanitários na produção avícola moderna. Entre essas enfermidades, a salmonelose e a micoplasmose se destacam tanto pela sua alta prevalência quanto
pelo impacto econômico e de saúde pública que provocam. Compreender a
etiologia, a transmissão, as manifestações clínicas e o controle dessas doenças
é fundamental para garantir a segurança alimentar, a qualidade da carne e o
bem-estar animal.
A salmonelose é
uma infecção causada por bactérias do gênero Salmonella, que inclui centenas de sorotipos patogênicos para
humanos e animais. Em aves, a infecção pode ocorrer de forma clínica ou
subclínica, e representa importante risco zoonótico, pois os produtos avícolas
são veículos comuns para a transmissão da bactéria ao homem (Barrow et al.,
2012).
Os principais sorotipos de importância avícola são Salmonella enterica serovar Gallinarum, Pullorum (mais associados a doenças específicas em aves) e serovares
como
Enteritidis e Typhimurium (de maior impacto zoonótico).
A transmissão pode ser:
• Vertical: da matriz infectada para os
ovos e, consequentemente, para os pintinhos;
• Horizontal: por contato direto com
fezes contaminadas, água, alimentos, cama, equipamentos ou pessoal de manejo
(Barrow & Freitas Neto, 2011).
Ambientes de criação inadequadamente higienizados favorecem a disseminação da bactéria.
As manifestações clínicas variam de acordo com a idade e o
sorotipo envolvido:
• Em
aves jovens, podem ocorrer mortalidade elevada, anorexia, diarreia branca
("pullorum disease") e desidratação;
• Em
aves adultas, a infecção frequentemente é assintomática, mas as aves tornam-se
portadoras e disseminadoras do agente.
Durante a inspeção ante-mortem, sinais inespecíficos como
prostração, penas arrepiadas e diarreia podem ser observados. Na inspeção
post-mortem, pode haver fígado e baço aumentados e congestos.
As estratégias de controle incluem:
• Programas
de biosseguridade rigorosos;
• Vacinação
de reprodutoras;
• Controle
da qualidade da água e da ração;
• Monitoramento
sorológico e bacteriológico periódico (Cox et al., 2010).
A micoplasmose aviária é causada
principalmente por Mycoplasma
gallisepticum (MG) e Mycoplasma
synoviae (MS), bactérias pertencentes à classe Mollicutes, que se
caracterizam pela ausência de parede celular e pela alta capacidade de
adaptação aos hospedeiros (Kleven, 2008).
• Mycoplasma gallisepticum é responsável
por causar a doença respiratória crônica
em frangos e a coriza infecciosa em
galinhas reprodutoras e poedeiras.
• Mycoplasma synoviae está associado a
infecções articulares (sinovite) e a quadros respiratórios subclínicos.
A transmissão ocorre de forma:
• Vertical: pela ovulação de ovos
contaminados;
• Horizontal: por contato direto entre
aves infectadas, aerossóis e fomites (Kleven, 2008).
Os sinais clínicos típicos da micoplasmose incluem:
• Espirros,
tosse, dificuldade respiratória;
• Secreção
nasal e ocular;
• Edema
facial;
• Redução
no consumo de ração e água;
• Em
casos de sinovite, claudicação e inchaço nas articulações.
A infecção por micoplasmas predispõe as aves a infecções secundárias por bactérias como Escherichia coli, agravando os
quadros respiratórios.
Na inspeção ante-mortem, aves com sinais respiratórios
evidentes ou com edema facial devem ser avaliadas cuidadosamente. Na inspeção
postmortem, a presença de aerossaculite, traqueíte e pneumonia são achados
comuns.
O controle da micoplasmose baseia-se em:
• Programas
de erradicação em núcleos de reprodução;
• Uso
de vacinas vivas ou inativadas, principalmente em reprodutoras e poedeiras;
• Rigorosos
protocolos de biosseguridade e desinfecção das instalações (Nakamura et al.,
2019).
O diagnóstico pode ser confirmado por sorologia, isolamento
do agente ou PCR.
Tanto a salmonelose quanto a micoplasmose têm importância
crítica para a avicultura:
• Na saúde pública, a salmonelose é uma
das principais causas de doenças transmitidas por alimentos no mundo;
• Na produção avícola, ambas as doenças
reduzem o ganho de peso, elevam a conversão alimentar, aumentam os custos de
produção e acarretam perdas por condenação de carcaças.
Portanto, sua prevenção e controle são essenciais para a
sustentabilidade do setor avícola, a segurança alimentar e a competitividade
nos mercados internos e externos.
• BARROW,
P. A.; FREITAS NETO, O. C. Pullorum disease and fowl typhoid—new thoughts on
old diseases: A review. Avian Pathology,
v. 40, n. 1, p. 1–13, 2011.
• BARROW,
P. A.; JONES, M. A.; SMITH, A. L.; WIGLEY, P. The long view: Salmonella—the
last forty years. Avian Pathology, v.
41, n. 5, p. 413–420, 2012.
• COX,
N. A.; BAILEY, J. S.; BERRANG, M. E. The significance of the presence of
Salmonellae in the environment of poultry houses. Poultry Science, v. 89, n. 1, p. 34–38, 2010.
• KLEVEN,
S. H. Control of avian mycoplasma infections in commercial poultry. Avian Diseases, v. 52, n. 3, p. 367–374,
2008.
• NAKAMURA,
K.; UEDA, S.; TSUKAMOTO, K. Control of
Mycoplasma infections in poultry: a review. Japanese Journal of Veterinary Research,
v. 67, p. 33–45, 2019.
• SWAYNE, D. E.; GLISSON, J. R.; McDOUGALD, L. R.; NOLAN, L. K.; SUAREZ, D. L. Diseases of Poultry. 13. ed. Ames: WileyBlackwell, 2013.
O rápido crescimento das aves de corte modernas, fruto de intensas seleções genéticas e avanços na nutrição, trouxe consigo novos desafios sanitários. Entre eles, destacam-se as condições
metabólicas como a ascite
e a síndrome do peito amadeirado (Wooden Breast Syndrome), que impactam
diretamente a produtividade, o bem-estar animal e a qualidade da carne. Essas
disfunções metabólicas são de grande interesse na produção avícola e nas
inspeções sanitárias, tanto pelo prejuízo econômico que causam quanto pelos
riscos à qualidade do produto final.
Ascite
A ascite em aves
é caracterizada pelo acúmulo anormal de fluido na cavidade abdominal,
decorrente principalmente de hipertensão
pulmonar e insuficiência cardíaca
direita. É uma manifestação da chamada síndrome
de ascite, relacionada ao descompasso entre a demanda metabólica elevada e
a capacidade do sistema cardiovascular de atender ao fornecimento de oxigênio
(Wideman, 2001).
A ascite é mais comum em frangos de crescimento rápido,
especialmente em condições de baixa pressão de oxigênio, temperaturas frias,
alta densidade de alojamento ou ventilação deficiente.
O rápido crescimento corporal aumenta o consumo de oxigênio, levando a um aumento da pressão arterial pulmonar. Isso provoca sobrecarga do ventrículo direito do coração, que não consegue bombear o sangue adequadamente, resultando em congestão venosa sistêmica e extravasamento de líquidos para a cavidade abdominal (Julian, 2005).
Sinais Clínicos e Achados de Inspeção As
aves afetadas podem apresentar:
• Dificuldade
respiratória;
• Abdômen
distendido;
• Letargia;
• Redução
no ganho de peso.
Na inspeção post-mortem, observa-se a presença de líquido
serossanguinolento na cavidade abdominal, hepatomegalia e hidropericárdio.
Carcaças severamente afetadas são condenadas devido a alterações orgânicas e
riscos à qualidade da carne (Swayne et al., 2013).
Medidas preventivas incluem:
• Melhorias
na ventilação e manejo térmico;
• Controle
do crescimento excessivo nos primeiros dias de vida
(programas de restrição alimentar controlada);
• Seleção
genética para resistência à síndrome de ascite.
Síndrome do Peito Amadeirado (Wooden Breast
Syndrome)
A síndrome do peito
amadeirado é uma miopatia degenerativa caracterizada pelo endurecimento e
rigidez anormal dos músculos peitorais maiores dos frangos de corte. Essa
condição tem sido associada à seleção genética para ganho rápido de massa
muscular e alta taxa de crescimento (Sihvo et al., 2014).
Embora as causas exatas ainda estejam
sendo investigadas, acredita-se que alterações metabólicas locais, hipóxia muscular e distúrbios no metabolismo de lipídios e proteínas contribuam para o desenvolvimento da lesão (Petracci et al., 2015).
Características Clínicas e Achados de
Inspeção A carne afetada apresenta:
• Endurecimento
perceptível à palpação do peito;
• Áreas
pálidas ou esbranquiçadas;
• Presença
de estrias hemorrágicas ou fibrosas;
• Textura
firme e elástica, com perda da suculência natural.
Apesar de geralmente não representar risco à saúde pública,
a síndrome do peito amadeirado compromete a qualidade sensorial da carne,
diminuindo a aceitação do produto pelo consumidor e seu valor comercial.
Durante a inspeção em abatedouros, as carcaças com
alterações severas podem ser destinadas para aproveitamento industrial ou até
mesmo condenadas, dependendo da intensidade da lesão.
Ainda não existem estratégias completamente eficazes para
prevenir a síndrome, mas práticas recomendadas incluem:
• Manejo
nutricional adequado para modular a taxa de crescimento;
• Controle
ambiental rigoroso para minimizar estresse térmico e hipóxia;
• Seleção
genética orientada para equilíbrio entre crescimento e saúde muscular.
A ascite e a síndrome do peito amadeirado refletem as
limitações fisiológicas impostas pelo crescimento intensivo das aves de corte
modernas. Enquanto a ascite está associada a falhas no sistema cardiovascular
frente a demandas metabólicas extremas, o peito amadeirado é consequência de
distúrbios musculares locais relacionados ao rápido ganho de massa.
A identificação precoce e o manejo adequado dessas
condições são fundamentais para minimizar perdas econômicas, preservar o
bem-estar animal e garantir a produção de carne de qualidade. Além disso, sua
detecção durante a inspeção sanitária assegura a entrega de produtos seguros e
adequados ao consumo humano.
• JULIAN,
R. J. Production and growth related disorders and other metabolic diseases of
poultry – A review. Veterinary Journal,
v. 169, n. 3, p. 350-369, 2005.
• PETRACCI,
M.; SOGNOLI, M.; BALDASSO, S.; CAVANI, C. Muscle abnormalities and meat quality
consequences in modern turkey and broiler meat. World’s Poultry Science Journal, v. 71, p. 1– 10, 2015.
• SIHVO, H. K.; IMMONEN, K.; PUOLANNE, E. Myodegeneration with fibrosis and regeneration in the
pectoralis major muscle of broilers. Veterinary
Pathology, v. 51, n. 3, p. 619–623, 2014.
• SWAYNE,
D. E.; GLISSON, J. R.; McDOUGALD, L. R.; NOLAN, L. K.; SUAREZ, D. L. Diseases of Poultry. 13. ed. Ames:
WileyBlackwell, 2013.
• WIDEMAN,
R. F. Pathophysiology of heart/lung disorders: pulmonary hypertension syndrome
in broiler chickens. World’s Poultry
Science Journal, v. 57, n. 3, p. 289-307, 2001.
As zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre
animais e seres humanos, representando um importante desafio para a saúde
pública, especialmente no contexto da produção intensiva de aves. O contato
direto com aves infectadas, o consumo de produtos avícolas contaminados ou a
exposição a ambientes de criação inadequadamente manejados constituem as
principais vias de transmissão de agentes zoonóticos. A correta compreensão
dessas doenças é essencial para a implementação de medidas de biosseguridade, controle
sanitário e inspeção eficaz.
Principais Zoonoses Relacionadas às Aves
A salmonelose é uma das mais importantes zoonoses de origem
avícola. Causada por bactérias do gênero Salmonella,
particularmente Salmonella enterica
sorotipos Enteritidis e Typhimurium, é frequentemente transmitida ao ser humano
através da ingestão de carne de frango ou ovos contaminados (Barrow et al.,
2012).
No ser humano, a infecção pode provocar gastroenterite,
febre, vômitos e, em casos graves, septicemia. A prevenção da salmonelose
envolve rigorosos programas de controle na produção avícola, incluindo a
vacinação de matrizes, controle de higiene nas granjas e rastreamento
sistemático de lotes.
A infecção por Campylobacter
jejuni e Campylobacter coli é uma
das causas mais comuns de gastroenterite bacteriana em humanos, com as aves
sendo o principal reservatório (Silva et al., 2011).
As bactérias colonizam o trato intestinal das aves sem
causar sinais clínicos aparentes. No entanto, durante o processamento, a carne
pode ser contaminada, levando à infecção humana através da ingestão de carne
crua ou malcozida, ou por contaminação cruzada.
A campilobacteriose pode causar diarreia severa, dor
abdominal, febre e, em casos raros, complicações como a Síndrome de
Guillain-Barré.
Embora Clostridium perfringens seja mais conhecido pela enterite necrótica em aves, a bactéria também é associada à intoxicação alimentar em humanos. A
seja mais conhecido pela enterite necrótica em aves, a bactéria
também é associada à intoxicação alimentar em humanos. A ingestão de carnes
contaminadas e inadequadamente refrigeradas pode causar um quadro de diarreia e
dor abdominal leve a moderada (Brynestad & Granum, 2002).
O controle do C.
perfringens envolve boas práticas de manejo da temperatura dos alimentos e
a higiene no processamento da carne.
A influenza aviária, causada por subtipos do vírus
Influenza A, como H5N1 e H7N9, representa uma zoonose de alta relevância devido
ao seu potencial pandêmico (Swayne, 2013).
Embora a transmissão de aves para humanos seja rara, ela
pode ocorrer, especialmente entre pessoas que manipulam aves doentes ou
carcaças contaminadas. A infecção em humanos pode variar de formas leves, como
conjuntivite, até doenças respiratórias graves e fatais.
Programas de vigilância ativa, o abate sanitário de aves
infectadas e medidas de biosseguridade são essenciais para prevenir surtos.
A psitacose, ou ornitose, é causada pela bactéria Chlamydia psittaci, e pode ser
transmitida de aves para humanos através da inalação de aerossóis contaminados
com excreções respiratórias ou fezes secas (Andersen & Vanrompay, 2000).
Embora mais comum em aves ornamentais, surtos também podem
ocorrer em granjas comerciais. Em humanos, a doença pode se manifestar como
pneumonia atípica, febre, cefaleia e mal-estar geral.
Durante a inspeção ante-mortem e post-mortem, a
identificação de sinais clínicos ou lesões compatíveis com zoonoses é crítica.
Carcaças de aves com infecções sistêmicas, sinais de septicemia ou pneumonia
grave são frequentemente condenadas para prevenir o risco de transmissão aos
consumidores (Brasil, 2017).
A rastreabilidade de lotes e a manutenção de registros
sanitários adequados são ferramentas fundamentais para a contenção de zoonoses
associadas à cadeia produtiva avícola.
As principais medidas para o controle de zoonoses
associadas à produção de aves incluem:
• Programas
rigorosos de biosseguridade em granjas;
• Controle
microbiológico na alimentação e na água;
• Inspeção
sanitária eficaz durante o abate e o processamento;
• Treinamento
de trabalhadores para reduzir o risco de exposição;
• Educação
do consumidor sobre práticas seguras de manuseio e cocção de carnes de aves.
As zoonoses associadas às aves representam um elo direto
entre a produção animal e a saúde humana. Seu controle exige uma abordagem
integrada, baseada no conceito de "Uma Só Saúde" (One Health), que
reconhece a interdependência entre a saúde animal, humana e ambiental. A
vigilância contínua, a educação sanitária e a fiscalização rigorosa são
indispensáveis para minimizar os riscos e garantir alimentos seguros à
população.
• ANDERSEN,
A. A.; VANROMPAY, D. Avian Chlamydiosis
(Psittacosis, Ornithosis). In: Saif, Y. M. (ed.) Diseases of Poultry. 11. ed. Ames: Iowa
State Press, 2000. p. 863–879.
• BARROW,
P. A.; FREITAS NETO, O. C. Pullorum disease and fowl typhoid—new thoughts on
old diseases: A review. Avian Pathology,
v. 40, n. 1, p. 1–13, 2011.
• BRASIL.
Decreto nº 9.013, de 29 de março de 2017. Regulamenta a inspeção industrial e
sanitária de produtos de origem animal (RIISPOA). Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 30 mar. 2017.
• BRYNESTAD,
S.; GRANUM, P. E. Clostridium perfringens and foodborne infections. International Journal of Food Microbiology,
v. 74, n. 3, p. 195–202, 2002.
• SILVA,
J.; LEITE, D.; FERNANDES, M.; MENÃO, M. J.; RAMALHO, P.; CARRIÇO, J. A.
Campylobacter spp. as a Foodborne Pathogen: A Review. Frontiers in Microbiology, v. 2, p. 200, 2011.
• SWAYNE, D. E. Impact of vaccines and vaccination on global control of avian influenza. Avian Diseases, v. 57, p. 387–393, 2013.
Acesse materiais, apostilas e vídeos em mais de 3000 cursos, tudo isso gratuitamente!
Matricule-se AgoraAcesse materiais, apostilas e vídeos em mais de 3000 cursos, tudo isso gratuitamente!
Matricule-se Agora