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Criação de Codornas Coturnicultura

CRIAÇÃO DE CODORNAS

COTURNICULTURA

 

MÓDULO 2 — Implantação e manejo: do pintinho à postura (rotina que funciona) 

Aula 1 — Estrutura mínima: gaiolas, água, ração, limpeza e rotina

  

A primeira coisa que você precisa entender nesta aula é bem simples: a estrutura do criatório não existe para “ficar bonita” — ela existe para tornar o manejo fácil, higiênico e repetível. Se você monta um espaço que dá trabalho para alimentar, dá trabalho para limpar e dá trabalho para colher ovos, você não montou um criatório; você montou um problema diário. E codorna, justamente por ser rápida e produzir todo dia, cobra essa conta sem piedade.

O ponto de partida é o lugar. Codornas vão melhor em um ambiente coberto, ventilado e seco, protegido de excesso de vento e chuva. Essa combinação parece óbvia, mas é onde muita gente erra: coloca a gaiola em um canto úmido, sem circulação, ou pega sol e vento direto. Resultado: sujeira acumulando, cheiro, estresse e queda de desempenho. Um material técnico da Emater-MG reforça essa lógica ao recomendar que as baterias/gaiolas fiquem “ao abrigo”, em cômodo vedado e ventilado.

Agora vem a decisão prática que define o seu dia a dia: criar em gaiolas/baterias ou no piso. Para iniciante focado em ovos, a criação em baterias de gaiolas costuma ser a escolha mais funcional porque ocupa menos espaço e facilita o manejo — alimentação, água, coleta e limpeza ficam mais controláveis. A Emater-MG descreve exatamente isso: preferir baterias/gaiolas por ocupar menor espaço e facilitar manejo, podendo ser caseiras (tábua e tela) ou compradas prontas.

Quando falamos em “gaiola”, não pense em algo sofisticado. Pense em um conjunto que te permita quatro coisas: (1) as fezes caírem e não ficarem em contato com a ave, (2) o ovo sair para fora (ou pelo menos ficar acessível), (3) água sempre disponível sem encharcar tudo, e (4) ração fácil de abastecer sem desperdício. Se você acerta essas quatro, a criação começa a ficar leve. E é aqui que um modelo de rotina ajuda muito. Um exemplo bem direto de organização (para pequena escala) descreve duas gaiolas lado a lado, local coberto/ventilado/seco e uma rotina simples: alimentar e colher ovos diariamente, e fazer uma limpeza semanal com destinação do esterco.

Só que “ter gaiola” não resolve nada se você negligenciar os dois pilares que mais derrubam plantel: água e higiene. Codorna não “compensa” falta de água. Falta água, cai postura,

aumenta estresse e você abre porta para doença. A recomendação é objetiva: a água deve ser potável e sempre à vontade. Se você usa bebedouro ruim (que vaza, suja ou vira lama), você cria o ambiente perfeito para contaminação e piora do cheiro. Para pintinhos, por exemplo, a orientação técnica menciona bebedouros que evitem afogamento e reforça limpeza e troca frequente de água. Mesmo no plantel adulto, a lógica não muda: água limpa é manejo básico, não “capricho”.

Em seguida vem a ração — e aqui a regra é: ração boa sem armazenamento decente vira ração ruim. Não adianta comprar certo e guardar errado. Há recomendação explícita de armazenar ração em local seco e fresco, sem contato direto da embalagem com o piso, evitando ataque de roedores, e não guardar por período superior a 30 dias. Para iniciante, isso resolve um problema real: mofo, perda de qualidade e desperdício silencioso (que depois você “paga” em queda de postura e pior conversão).

A limpeza é o outro eixo que separa criatório “cheiroso e viável” de criatório “insustentável”. E limpeza aqui não é passar vassoura para “parecer limpo”; é interromper o ciclo de sujeira que vira mosca, mau cheiro e doença. Um documento técnico destaca como práticas de saúde: limpeza e higienização do ambiente, limpeza frequente de bebedouros e comedouros e retirada periódica das fezes nas bandejas coletoras, além de lavar e desinfetar as gaiolas quando um lote é retirado. Se você não planejar a estrutura pensando nisso, você vai sofrer: vai acumular fezes em lugar ruim, não vai conseguir limpar rápido, e sua criação vai virar foco de inseto e reclamação de vizinho.

Por isso, o jeito mais inteligente de pensar a “estrutura mínima” é como um fluxo simples: entrar com ração e água com facilidade; sair com ovos e dejetos com facilidade. Se qualquer uma dessas etapas é difícil, você vai procrastinar, vai fazer “mais tarde”, e a rotina quebra. E quando a rotina quebra, a criação cai. Um modelo de rotina enxuta ajuda a visualizar: alimentar e colher ovos todo dia, e reservar um momento fixo na semana para limpeza geral e destinação correta do esterco.

E, antes de encerrar, vale uma observação importante para quem pretende crescer e vender de forma mais formal: quando você entra no mundo de “estabelecimento” (produção com procedimentos e estrutura padronizada), a conversa sobre instalações e procedimentos deixa de ser “opinião” e passa a ter referência normativa. A Portaria SDA/MAPA nº 1.179/2024 (com alterações

posteriores publicadas no DOU) trata de requisitos de instalações, equipamentos e procedimentos para granjas e unidades de beneficiamento de ovos registradas no MAPA, inclusive definindo classificação e condições básicas. Para iniciante, isso não significa “sair correndo para se burocratizar”, mas serve como bússola: o que é exigido no formal costuma ser um bom norte do que é “mínimo bem-feito” no pequeno.

Fechando a aula com o que realmente importa: estrutura mínima boa é a que você consegue manter todos os dias. Melhor uma gaiola simples, bem instalada, com água limpa, ração bem guardada e limpeza feita no horário, do que um “galpão dos sonhos” que vira bagunça porque dá trabalho demais. Se você quiser acertar rápido, faça uma pergunta honesta antes de montar: “Eu consigo alimentar, dar água, colher ovos e limpar isso aqui sem sofrimento?” Se a resposta for “não”, ajuste agora — porque depois que as aves chegam, o improviso vira rotina, e rotina ruim vira prejuízo.

Referências bibliográficas

  • EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS (EMATER-MG). Criação de codornas. Documento técnico com orientações sobre instalações, tipos de baterias/gaiolas, água, armazenamento de ração e higiene.
  • SERVIÇO BRASILEIRO DE RESPOSTAS TÉCNICAS (SBRT) / SEBRAE. Criação de codorna. Resposta técnica (atualizada em 31/03/2020) com recomendações de instalações, manejo, água, ração, limpeza e desinfecção.
  • MINISTÉRIO DA AGRICULTURA E PECUÁRIA (MAPA). Portaria SDA/MAPA nº 1.179, de 5 de setembro de 2024, e alterações posteriores publicadas no Diário Oficial da União. Requisitos de instalações, equipamentos e procedimentos de funcionamento de granjas avícolas e unidades de beneficiamento de ovos e derivados.
  • SISTEMINHA (iniciativa de divulgação). Criação de codornas – rotinas e dimensionamento para pequeno criatório. Conteúdo com proposta de rotina diária e semanal e exemplo de instalação simples.


Aula 2 — Manejo do pintinho e recria (onde iniciante mais perde ave)

 

A fase de cria e recria é onde a maioria dos iniciantes “perde o jogo” sem perceber. Não porque codorninha seja frágil demais, mas porque ela é implacável com erro básico: frio, calor, água suja, cama úmida, corrente de ar, ração mal oferecida. E o pior: quase sempre o problema não aparece como “um grande desastre” no primeiro dia. Ele aparece como um conjunto de pequenas falhas que viram

mortalidade, atraso de crescimento e um plantel que nunca “embala” de verdade. Nesta aula, a ideia é te dar um caminho prático: como conduzir as codorninhas do nascimento até a fase de recria com o mínimo de perda e o máximo de estabilidade.

Vamos começar pelo começo: as primeiras 24 horas. Existe uma orientação técnica bastante usada em manejo de codornas: após a eclosão, o pintinho pode ficar em jejum por 24 horas e, passado esse período, deve receber aquecimento, ração e água à vontade. Isso não é licença para “esquecer” o animal; é uma forma de dizer que, nas primeiras horas, ele ainda está usando reservas e se adaptando, mas que logo depois disso a assistência precisa ser total. O mesmo material define um parâmetro central: temperatura inicial de 38 °C na cria. E mais importante ainda: a partir do 3º dia, recomenda-se reduzir 1 °C por dia até chegar à temperatura ambiente. Também orienta forrar o piso com papel nos três primeiros dias, oferecer ração sobre esse papel no início e trocar/limpar bebedouros, com troca de água no mínimo duas vezes ao dia. (Esses pontos parecem detalhistas, mas são exatamente o tipo de detalhe que salva lote.)

Agora, vamos traduzir isso para a vida real. Temperatura é o “botão de liga/desliga” da cria. Codorninha não regula bem o próprio calor no começo, então você precisa criar um microclima estável. Quando está frio, elas se amontoam, piando, e deixam de comer e beber com frequência. Quando está quente demais, elas se espalham, ficam ofegantes, bebem demais e comem menos. O ponto não é decorar número: é olhar o comportamento e ajustar a fonte de calor (altura da lâmpada/campânula, ventilação, proteção contra vento). A temperatura de referência (38 °C no início e redução gradual) é um ótimo norte, mas quem confirma se você acertou é o lote.

A estrutura da cria também importa muito. Um material técnico de extensão rural descreve as gaiolas criadeiras com aquecimento elétrico como usadas desde a eclosão até, no mínimo, 15 dias, com criação em piso forrado de maravalha e aquecido com campânula ou lâmpada. Ele ainda chama atenção para bebedouros adequados ao tamanho do pintinho, com soluções para evitar afogamento. Ou seja: nos primeiros dias, você não está “criando codorna” — você está criando ambiente. Se o ambiente é bom, as codorninhas fazem o resto.

Só que a cama (a forração) pode ser sua aliada ou sua sabotadora. Um texto técnico da UFV alerta que alguns materiais podem trazer riscos: casca de arroz rica em sílica

pode ser sua aliada ou sua sabotadora. Um texto técnico da UFV alerta que alguns materiais podem trazer riscos: casca de arroz rica em sílica pode prejudicar sistema respiratório; casca de amendoim pode conter micotoxinas; e cepilho de madeira pode ter poeira que irrita vias respiratórias. E reforça que a cama deve ser substituída sempre que necessário. Traduzindo: cama ruim e cama úmida são convite para problema respiratório, mau cheiro e contaminação. Se você percebe cheiro forte, umidade ou “bolo” de sujeira, não negocie: ajuste ventilação, vazamentos de bebedouro e faça troca parcial ou total.

Falando em água: codorninha morre de bobagem com bebedouro errado. A UFV descreve, para a fase inicial, o uso de bebedouros tipo copo de pressão e faz uma recomendação que muita gente descobre tarde: usar suportes sob o bebedouro para reduzir o umedecimento da cama e colocar objetos como tiras de mangueira ou bolas de gude para diminuir a lâmina d’água e evitar mortes por afogamento. Isso é o tipo de “truque simples” que não tem glamour, mas evita perda idiota. E, junto disso, volta o básico: água limpa com troca frequente. Se você está criando bem, o seu bebedouro não fica esverdeado, nem com ração boiando, nem com cheiro — e a cama em volta dele não vira lama.

A alimentação no início tem outra armadilha: pintinho come pouco, mas precisa comer sempre. Por isso aquela orientação do papel no piso e ração espalhada nos primeiros dias faz sentido: é para aumentar a chance de cada codorninha “descobrir” o alimento rápido e começar a bicar com confiança. Depois, você migra para comedouros bandeja e, conforme crescem, para sistemas mais adequados. Só que aqui entra um cuidado pouco comentado: comedouro na cria suja fácil. A UFV lembra que comedouros bandeja exigem atenção, incluindo peneirar a ração para remover excretas e maravalha. Pode parecer exagero, mas ração suja é um atalho para problema intestinal e crescimento irregular.

Outro ponto que “mata lote” silenciosamente é o vento. Corrente de ar em pintinho é um golpe rápido: esfria o corpo, aumenta estresse, derruba imunidade e abre porta para doença. Então, mesmo com ventilação, o espaço precisa estar vedado contra vento direto na altura das aves. Você quer ar renovado, não “vento batendo”. A diferença entre uma coisa e outra é o que separa um lote uniforme de um lote que fica “desigual” (metade cresce bem, metade fica para trás).

Até aqui, estamos falando de cria (0 a ~15 dias, em termos práticos). Quando

você entra na recria, o jogo muda um pouco. A própria resposta técnica do SBRT define recria como o período entre 16 e 45 dias, com ração e água à vontade nessa fase. O que isso quer dizer na prática? Que você sai do modo “sobrevivência térmica” e entra no modo “crescimento e uniformidade”. Aqui, o objetivo é fazer as aves ganharem estrutura corporal, ficarem homogêneas e prontas para entrar em postura (ou engorda/abate, dependendo do seu sistema). E uniformidade é a palavra-chave: lote muito desigual normalmente aponta erro lá atrás (temperatura e acesso desigual à água/ração) ou erro agora (espaço, competição em comedouro/bebedouro, estresse).

Na recria, o manejo que mais resolve problema é simples: espaço suficiente, acesso fácil a água e ração, e higiene consistente. O que não resolve é inventar “mil suplementos” para compensar ambiente ruim. Se o lote está com atraso, a primeira pergunta nunca deveria ser “qual vitamina eu dou?”, e sim: “tem água limpa sempre?”, “tem gente ficando sem comer?”, “tem cama úmida?”, “tem corrente de ar?”, “o bebedouro está contaminando?”. A maioria das perdas em criação de codornas não é “mistério veterinário”; é erro de manejo repetido.

Para fechar esta aula, eu quero te dar um jeito prático de pensar: cria é uma fase de controle fino; recria é uma fase de rotina firme. Na cria, você olha o lote várias vezes por dia e ajusta micro detalhes (calor, umidade, água, acesso). Na recria, você foca em manter padrão (higiene, oferta constante, evitar estresse, evitar disputa). Se você fizer isso, você reduz mortalidade e ganha um plantel que chega na fase seguinte com vigor — e isso aparece na sua produção lá na frente.

Se você quiser transformar tudo em uma regra simples, aqui está: codorninha não perdoa instabilidade. Estável é melhor do que sofisticado. Um aquecimento básico bem ajustado, água limpa de verdade, cama seca e rotina de limpeza fazem mais pela sua criação do que qualquer “atalho” de internet.

 Referências bibliográficas

  • SERVIÇO BRASILEIRO DE RESPOSTAS TÉCNICAS (SBRT) / SEBRAE. Criação de codorna (documento técnico com orientações de manejo do pintinho e recria: jejum inicial, temperatura de 38 °C, redução de 1 °C/dia a partir do 3º dia, papel no piso nos 3 primeiros dias, troca de água e limpeza de bebedouros).
  • UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA (UFV). Criação de Codornas para Produção de Carne e Ovos (texto técnico com recomendações sobre cama, bebedouros na fase
  • inicial, prevenção de umedecimento, uso de bolas de gude para reduzir afogamento, e orientações de equipamentos).
  • EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DE MINAS GERAIS (EMATER-MG). Criação de codornas (orientações de instalações e manejo inicial: gaiolas criadeiras com aquecimento, uso de maravalha e campânula/lâmpada, e cuidados com bebedouros para pintinhos).
  • BIBLIOTECA AGPTEA. Como iniciar sua criação de codornas de forma prática (material prático com fatores indispensáveis e cuidados de instalação, higiene, água e manejo).


Aula 3 — Postura e desempenho: luz, ração, coleta e alojamento

 

Entrar na fase de postura é aquele momento em que a criação “vira de verdade”: todo dia tem ovo, todo dia tem rotina, todo dia você vê no resultado se está fazendo certo. E aqui vai uma verdade bem útil (e um pouco chata): codorna não produz bem no improviso. Ela até aguenta muita coisa, mas postura alta e constante depende de quatro pilares que se conversam o tempo todo: alojamento, luz, ração/água e coleta. Se um desses falha, os outros também sofrem.

Alojamento: a casa precisa facilitar sua vida (e não complicar)

Na postura, a ave precisa de um ambiente estável, seco e fácil de manejar. Em sistemas pequenos e médios, a criação em baterias de produção de ovos é muito comum porque permite controle de higiene, acesso à água e ração e coleta mais rápida. A Emater-MG descreve baterias voltadas para fêmeas em postura, formadas por pequenas jaulas agrupadas.
O detalhe importante não é “ter gaiola”, e sim ter um arranjo que evite estresse e sujeira acumulada. Se a sua estrutura te obriga a agachar, contorcer e derramar água/ração toda vez que maneja, você vai cansar e começar a “pular etapas”. E quando você começa a pular etapas, a criação desanda.

Pense no alojamento como um fluxo simples: comida entra fácil, água entra limpa, dejeto sai, ovo sai intacto. Se isso acontece sem drama, você consegue manter rotina por meses. Se não acontece, você vai ter postura irregular e, pior, vai desistir.

Luz: postura alta precisa de estímulo luminoso coerente

Codorna em produção responde muito ao fotoperíodo. Você não precisa transformar o galpão num laboratório, mas precisa entender o princípio: dias mais “longos” (mais horas de luz) estimulam e sustentam a postura. Trabalhos acadêmicos reforçam que fotoperíodos longos são usados rotineiramente em aves de postura e estimulam produção.

Na prática de campo, a

recomendação mais direta é: manter o ambiente bem iluminado e prolongar o dia com luz artificial. A Emater-MG orienta iluminação do ambiente na base de uma lâmpada incandescente de 15 W para cada 5 m² e recomenda prolongar o dia para 17 horas, combinando luz natural e artificial, com exemplo de horários de liga/desliga.
Isso tem duas implicações que iniciante costuma ignorar:

1.     Não é só “ter lâmpada”. É ter um programa consistente. Se hoje liga, amanhã esquece, depois liga em outro horário… você cria instabilidade. E instabilidade gera queda de postura.

2.     Luz é ferramenta, não milagre. Se falta ração, água ou conforto, aumentar luz só estressa e não resolve. A luz funciona quando o resto está minimamente certo.

Ração e água: postura boa não nasce de “qualquer ração”

Quando a codorna entra em produção, o custo mais pesado vira ração — e é aí que você precisa ser objetivo: postura alta pede ração de postura e consumo diário adequado. A Emater-MG recomenda ração de postura com cerca de 23% de proteína bruta e sugere oferta diária de 30 a 35 gramas por ave, com água sempre à vontade.
Essa faixa é um ótimo norte porque te protege de dois erros clássicos:

  • Erro 1: subalimentar sem perceber. O produtor acha que “está economizando” e, na verdade, está comprando queda de postura e piora de saúde.
  • Erro 2: superalimentar e desperdiçar. Ração demais, mal oferecida, vira sujeira, fermenta, atrai praga e você paga por quilo jogado fora.

E tem um detalhe que parece pequeno, mas muda o jogo: a água. A mesma fonte é direta: água potável e sempre disponível.
Sem água, a codorna reduz consumo, estressa e derruba postura — às vezes em questão de horas. Por isso, a regra prática é: bebedouro limpo, funcionando, e checado todos os dias como se fosse “equipamento crítico” (porque é).

Se você quiser um olhar mais “científico” para embasar suas decisões nutricionais, há estudos brasileiros publicados que avaliam exigências de proteína e energia para codornas japonesas em postura, mostrando como a dieta afeta desempenho e produção em períodos experimentais controlados.
Tradução para o iniciante: não invente dieta “no feeling”. Use ração adequada e consistência. O improviso sai caro.

Coleta: ovo bom é o ovo que você tira na hora certa

Coleta não é só “pegar ovo”. É preservar qualidade, reduzir quebra, reduzir sujeira e evitar desperdício. A Emater-MG recomenda duas coletas por dia (manhã e tarde) e orienta acondicionar em

pentes próprios e manter sob refrigeração para conservar qualidades nutritivas.
Aqui entra o tipo de erro que parece bobo, mas sangra lucro:

  • Coletar só uma vez e tarde demais aumenta a chance de ovo sujo e quebrado.
  • Acumular ovos em local quente reduz qualidade mais rápido.
  • Não padronizar manejo de armazenamento (principalmente em épocas quentes) piora a experiência do cliente e te faz perder recompra.

E tem outra vantagem escondida na coleta bem feita: ela é o seu “termômetro” diário. Se você coleta e percebe queda, ovos menores, mais trincados ou sujos, isso é sinal de que algum pilar está falhando: luz, água, ração, higiene, estresse ou densidade.

Fechando a aula: a postura é uma rotina — não um evento

O iniciante costuma pensar “quando começar a botar, está resolvido”. Não está. Quando começa a botar, você entra na fase em que disciplina vence entusiasmo. O segredo não é um truque; é consistência:

  • Alojamento que facilita manejo e higiene.
  • Luz com programa estável e suficiente (sem bagunça de horários).
  • Ração e água no padrão correto, todo dia.
  • Coleta pelo menos 2× ao dia, com armazenamento correto.

Se você fizer isso, a criação “anda”. Se você não fizer, a codorna continua botando… só que abaixo do potencial, com mais perda, mais sujeira e mais estresse. E aí você trabalha mais para ganhar menos — o pior tipo de negócio.

Referências bibliográficas

  • EMATER-MG (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais). Criação de codornas. Documento técnico com recomendações de ração na postura (30–35 g/ave/dia), água, programa de iluminação (15 W/5 m² e prolongamento do dia para 17 horas) e manejo/colheita de ovos (duas coletas diárias).
  • PINTO, R.; FERREIRA, A. S.; ALBINO, L. F. T.; GOMES, P. C.; VARGAS JÚNIOR, J. G. Níveis de proteína e energia para codornas japonesas em postura. Revista Brasileira de Zootecnia (SciELO). Estudo experimental sobre exigências nutricionais e desempenho em postura.
  • MOLINO, A. B. Iluminação para codornas japonesas na fase de produção. Tese de Doutorado. Universidade Estadual Paulista (UNESP), Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia. Trabalho sobre fotoperíodo e uso de iluminação artificial na produção.
  • EMBRAPA (Sisteminha Embrapa). Criação de codornas. Material de orientação para pequenos criatórios, com exemplos de arranjo e rotina de manejo.

 

Estudo de

caso do Módulo 2: “O criatório do Tiago — quando ‘pequenos detalhes’ viram prejuízo (e como ele virou o jogo)”

 

Tiago decidiu começar “do jeito certo”: nada de 500 aves, nada de investimento grande. Ele montou um cantinho coberto no fundo do quintal e começou com uma escala pequena, parecida com o modelo mais simples que muita gente usa para aprender (duas gaiolas, local coberto, ventilado e seco, rotina diária e limpeza semanal).

Só que, mesmo começando pequeno, ele cometeu três erros bem comuns — e cada um deles quase sabotou a criação em uma fase diferente: instalação, cria/recria e postura.

1) ERRO DE INSTALAÇÃO: “Eu montei onde dava”

O primeiro lugar que Tiago escolheu era coberto… mas tinha vento batendo direto e uma umidade que ele subestimou. Resultado: sujeira grudando, cheiro aumentando e trabalho dobrado para limpar. Em pouco tempo, a rotina começou a ficar pesada — e quando a rotina fica pesada, o manejo começa a falhar.

O que ele não entendeu no início: estrutura não é estética; é ergonomia e higiene. A recomendação técnica é simples e objetiva: manter as gaiolas/baterias ao abrigo, em local vedado e ventilado, e preferir o sistema em baterias porque facilita manejo e ocupa menos espaço.

Como ele corrigiu (e você deveria fazer desde o começo)

  • Mudou as gaiolas para um ponto coberto, seco e ventilado, mas protegido de vento direto.
  • Organizou o espaço para o manejo ser “em linha”: ração → água → coleta → limpeza.
  • Travou uma rotina fixa de limpeza semanal (sem “quando der”), como no modelo simplificado de pequena escala.

Como evitar
Se você precisa se contorcer para abastecer água/ração ou se a limpeza é um inferno, você não tem estrutura: você tem uma âncora.

2) ERRO NA CRIA: “Está quentinho, então está bom”

Quando chegaram as codorninhas, Tiago colocou uma lâmpada e achou que resolveu. No segundo dia, elas começaram a se amontoar, algumas ficaram fracas e ele perdeu mais do que esperava. Não foi “doença misteriosa”. Foi ambiência mal controlada.

Um guia técnico descreve um protocolo bem direto para iniciantes: temperatura inicial em torno de 38 °C, e a partir do 3º dia, reduzir 1 °C por dia até chegar à temperatura ambiente, além de cuidados práticos como forração e água limpa com troca frequente.

E ainda teve um erro clássico: bebedouro inadequado. Algumas codorninhas se molhavam, a cama ficava úmida, e ele começou a perceber mortes “sem explicação”. A UFV cita algo que parece detalhe, mas salva

lote: usar objetos como bolas de gude (ou tiras de mangueira) dentro do bebedouro para reduzir a lâmina d’água e evitar mortes por afogamento.

Como ele corrigiu

  • Passou a controlar temperatura e ajuste pela observação do lote (amontoou = frio; afastou e ofegou = calor).
  • Ajustou bebedouro para evitar afogamento e parou de encharcar a cama.
  • Implantou “rotina chata” de água limpa e checagem várias vezes ao dia (é chato até virar automático; depois vira tranquilidade).

Como evitar
Na cria, você não está criando codorna. Você está criando ambiente estável. E ambiente instável cobra caro.

3) ERRO NA RECRIA E NA POSTURA: “Vou economizar na ração e compenso depois”

Quando as aves cresceram, Tiago fez o que muita gente faz: comprou ração “parecida”, armazenou como deu (saco no chão, pegando umidade) e tentou economizar na quantidade diária. A postura veio… mas fraca e irregular.

O problema tem duas pontas:

Ponta 1: alimentação de fase
Um material do SBRT/Sebrae descreve um manejo básico por idade: ração mais proteica até cerca de 45 dias e, a partir daí, ração de postura (na casa de 23% de proteína bruta), com oferta diária na faixa de 30 a 35 g/ave/dia, água sempre disponível.

Ponta 2: armazenamento
Quando ração pega umidade, mofa, perde qualidade e vira desperdício invisível. E aí o produtor acha que está economizando, mas está pagando queda de desempenho.

A Emater-MG reforça que a criação deve manter água e ração adequadas e descreve práticas e parâmetros de manejo em baterias (inclusive com recomendações de iluminação e rotina de produção).

Como ele corrigiu

  • Separou a alimentação por fase e parou de “misturar tudo”.
  • Padronizou oferta diária e garantiu água potável sempre disponível (sem falha).
  • Ajustou a luz para não depender do acaso (postura gosta de consistência, não de improviso). (A Emater-MG discute uso de iluminação no manejo de postura.)
  • Começou a coletar ovos com rotina rígida, porque coleta irregular aumenta quebra/sujeira e piora padrão.

Como evitar
Economia burra na ração e na água é o caminho mais rápido para “trabalhar mais e ganhar menos”.

O que Tiago aprendeu (e você deve copiar)

No fim do Módulo 2, Tiago entendeu a regra que define coturnicultura iniciante:

“O que mais derruba desempenho não é falta de tecnologia — é falta de rotina.”

E ele fechou o sistema com três decisões simples:

1.     Estrutura fácil de manejar (para você não desistir no cansaço)

(para você não desistir no cansaço) — local coberto, ventilado, seco e protegido.

2.     Cria sem improviso — temperatura e água como prioridade absoluta, prevenindo afogamento e instabilidade.

3.     Postura com constância — ração de fase, água sempre, luz e coleta com rotina.

Mini checklist “anti erro” do Módulo 2

  • Se o manejo dá trabalho demais → sua estrutura está errada.
  • Se pintinho está morrendo “do nada” → primeiro olhe temperatura/água, não “vitamina”.
  • Se postura caiu → cheque água, ração de fase, rotina de luz e estresse antes de inventar solução milagrosa.

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