INTRODUÇÃO À TÉCNICAS EM OBRAS
As fundações são elementos
fundamentais na construção civil, responsáveis por transmitir as cargas da
edificação ao solo de forma segura e estável. A escolha adequada do tipo de
fundação influencia diretamente a durabilidade, a segurança estrutural e o custo
da obra. As fundações podem ser classificadas, de maneira geral, em dois
grandes grupos: rasas (ou superficiais)
e profundas. A seleção entre esses
tipos depende de diversos fatores, como características do solo, carga da
estrutura, nível do lençol freático, tipo de obra e condições ambientais.
1.
Conceito Geral de Fundação
A fundação é a parte da estrutura
responsável por distribuir as cargas da construção ao solo, garantindo a
estabilidade da edificação e evitando deslocamentos ou rupturas. De acordo com
a NBR 6122:2019 da Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que trata do projeto e execução de
fundações, os elementos de fundação devem ser dimensionados considerando a
resistência do solo, os esforços estruturais e os deslocamentos admissíveis.
As
fundações podem ser classificadas segundo sua profundidade de assentamento:
• Fundações rasas, quando a base da
fundação está próxima à superfície do terreno (geralmente até 3 metros);
• Fundações profundas, quando a carga da
estrutura precisa ser transferida a camadas mais profundas, com melhor
capacidade de suporte.
2. Fundações Rasas
As fundações rasas, também
chamadas de superficiais ou diretas, são utilizadas quando o solo superficial
apresenta boa capacidade de carga e baixa deformabilidade. Essas fundações são
economicamente vantajosas em terrenos firmes e secos, sendo indicadas para
edificações de pequeno e médio porte.
Tipos
comuns de fundações rasas:
• Sapatas isoladas: Usadas para apoiar
pilares isoladamente. Têm formato geralmente quadrado ou retangular. São comuns
em obras residenciais.
• Sapatas associadas: Ligam dois ou mais
pilares próximos com uma mesma base de fundação, quando há interferência entre
as sapatas isoladas.
• Sapatas corridas: Utilizadas sob
paredes contínuas, distribuindo a carga de forma linear. Indicadas para
construções com paredes portantes.
• Radier (ou laje de fundação): Laje contínua de concreto armado que cobre toda a área da construção, distribuindo uniformemente as cargas. É usada quando o solo é pouco resistente na superfície ou quando se deseja evitar
escavações profundas.
Vantagens
das fundações rasas:
• Menor
custo de execução;
• Menor
consumo de materiais;
• Execução
mais rápida;
• Menor
interferência com o lençol freático.
Limitações:
• Inadequadas
para solos muito deformáveis ou com baixa resistência superficial;
• Não
indicadas quando há grandes cargas ou estruturas altas;
• Vulneráveis
a recalques diferenciais se o solo for heterogêneo.
Segundo Aoki e Velloso (2000), a
fundação rasa é a solução preferencial em projetos de pequeno porte devido à
simplicidade construtiva e à boa relação custo-benefício.
3. Fundações Profundas
As fundações profundas são
utilizadas quando as camadas superficiais do solo não possuem resistência
adequada para suportar as cargas da edificação. Nestes casos, a fundação deve
alcançar camadas mais profundas, com melhor capacidade de carga, através de
elementos estruturais verticais, como estacas ou tubulões.
Tipos
principais de fundações profundas:
• Estacas pré-moldadas: Produzidas fora
do canteiro e cravadas por percussão ou vibração. Podem ser de concreto, aço ou
madeira.
• Estacas moldadas in loco: Concretadas
no próprio local após perfuração do solo. Podem ser escavadas com ou sem
revestimento.
• Tubulões: Fundações cilíndricas
escavadas manualmente ou mecanicamente, com ou sem uso de ar comprimido, que
permitem a inspeção da base. Indicados para grandes cargas.
• Estacas hélice contínua: Moldadas in
loco com a introdução simultânea de concreto durante a retirada da hélice.
Possuem baixa vibração e são ideais para áreas urbanas.
Vantagens
das fundações profundas:
• Aplicáveis
em solos fracos ou instáveis na superfície;
• Permitem
a construção de edificações altas ou com grandes cargas;
• Podem
atravessar camadas compressíveis até atingir o solo firme;
• Menor
risco de recalque diferencial.
Desvantagens:
• Maior
custo e complexidade de execução;
• Necessidade
de equipamentos específicos e mão de obra especializada;
• Riscos
associados à execução inadequada (ex: segregação do concreto, colapsos de
perfuração);
• Impacto
sonoro e de vibração, especialmente em áreas urbanas.
A escolha do tipo de estaca depende de fatores como profundidade desejada, tipo de solo, carga aplicada, acessibilidade e limitações ambientais. Conforme Teixeira (2014), a sondagem do solo (SPT – Standard Penetration Test) é
indispensável para o dimensionamento
seguro de qualquer fundação profunda.
4.
Critérios para Escolha do Tipo de Fundação
A decisão entre fundação rasa e
profunda deve considerar os seguintes critérios técnicos e econômicos:
• Capacidade de suporte do solo: Solos
resistentes em camadas superficiais favorecem fundações rasas; solos moles ou
orgânicos exigem fundações profundas.
• Magnitude das cargas: Edifícios altos
ou estruturas com cargas concentradas requerem elementos de fundação que
atinjam camadas mais profundas e estáveis.
• Profundidade do lençol freático: Fundos
de escavação atingidos por água podem inviabilizar fundações rasas e exigir
soluções profundas.
• Condições de acesso e espaço: Ambientes
com restrições de espaço podem limitar o uso de estacas pré-moldadas, por
exemplo.
• Custo-benefício: Embora fundações
profundas sejam mais caras, podem representar melhor desempenho estrutural em
determinadas situações.
De acordo com a NBR 6122:2019, o dimensionamento de
fundações deve sempre levar em conta a segurança estrutural, os limites de
recalque admissível e o comportamento a longo prazo da estrutura.
Considerações
Finais
As fundações são os elementos que garantem a estabilidade e a segurança de qualquer edificação. A escolha entre fundações rasas e profundas deve ser feita com base em critérios técnicos, ambientais e econômicos, precedida de uma investigação geotécnica precisa e de um projeto estruturado conforme as normas técnicas vigentes.
Fundações rasas são indicadas para
terrenos firmes e construções leves, com vantagens em termos de custo e
execução. Já as fundações profundas são indispensáveis em solos fracos, para
edificações de grande porte ou em situações onde a fundação precisa transpor
camadas de baixa resistência até alcançar o solo firme.
A correta escolha e execução das
fundações assegura a durabilidade da obra, minimiza os riscos de colapso ou
recalques e proporciona tranquilidade a todos os envolvidos no processo
construtivo.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR 6122: Projeto e Execução de Fundações.
Rio de Janeiro, 2019.
• AOKI,
N. M.; VELLOSO, D. A. Fundações: Teoria e
Prática. São Paulo: Edgard Blücher, 2000.
• TEIXEIRA,
M. C. M. Fundações e Obras de Terra.
São Paulo: Oficina de Textos, 2014.
• GOMES,
L. M. Mecânica dos Solos Aplicada às
Fundações. Rio de Janeiro: LTC, 2013.
•
BRITO,
J. L.; MILANEZ, L. F. Fundações: Guia
Prático de Dimensionamento. Belo Horizonte: UFMG, 2017.
As fundações são os elementos
estruturais responsáveis por transferir as cargas da edificação ao solo de
forma segura, garantindo a estabilidade da construção. O processo de execução
das fundações compreende várias etapas que devem ser cuidadosamente planejadas
e executadas para evitar falhas estruturais e patologias ao longo da vida útil
da obra. Entre essas etapas, destacam-se a escavação,
a concretagem e a impermeabilização, fundamentais para
assegurar a integridade e o desempenho das fundações.
1.
Escavação
A escavação é a etapa inicial da
execução da fundação. Consiste na remoção do solo até a profundidade prevista
em projeto, criando o espaço necessário para a implantação da fundação. A forma
e a profundidade da escavação dependem do tipo de fundação adotada (sapata,
estaca, radier, tubulão, etc.) e das características geotécnicas do terreno.
Procedimentos:
• Leitura e marcação do projeto: Antes do
início da escavação, é feita a locação da fundação, com base nos desenhos
técnicos e nas estacas topográficas.
• Remoção de solo: Pode ser feita
manualmente (com enxadas e pás) ou mecanicamente (com retroescavadeiras,
escavadeiras hidráulicas, perfuratrizes), dependendo da profundidade, do volume
e do tipo de solo.
• Controle de escoramento: Em escavações
profundas ou em solos instáveis, é necessário o uso de escoramentos para evitar
deslizamentos ou desmoronamentos.
• Verificação de cota e nível de base: A
base da escavação deve estar na cota exata definida em projeto e com o nível
adequado para o assentamento da fundação.
De acordo com Aoki e Velloso
(2000), erros na escavação podem comprometer o posicionamento e a estabilidade
da fundação, sendo essencial que essa etapa seja acompanhada por profissional
habilitado.
2.
Concretagem
A concretagem é o processo de
lançamento, adensamento e cura do concreto nas formas previamente montadas ou
diretamente no solo escavado, no caso de fundações moldadas in loco. A
qualidade do concreto e sua correta aplicação são determinantes para a resistência
e durabilidade da fundação.
Etapas
da concretagem:
• Preparação do local: Antes da concretagem, a escavação deve estar limpa, livre de água acumulada, detritos ou materiais soltos. O terreno de apoio deve estar estável e
compactado, se
necessário.
• Armadura: Nos casos em que a fundação
exige concreto armado, as ferragens devem ser posicionadas conforme o projeto
estrutural, com espaçamento adequado, cobrimento mínimo e fixação estável.
• Forma: Em sapatas e blocos, utiliza-se
forma de madeira ou metálica. Já em estacas escavadas, o concreto é lançado
diretamente no fuste perfurado.
• Lançamento do concreto: Deve ser feito
de forma contínua, evitando interrupções que possam causar juntas frias. Em
estacas, pode ser usado tubo tremie para evitar segregação do concreto.
• Adensamento: O uso de vibradores
mecânicos garante a eliminação de bolhas de ar, melhora a compactação e aumenta
a resistência do concreto.
• Cura: Após o lançamento, o concreto
deve ser mantido úmido por no mínimo sete dias, protegendo-o contra perda
excessiva de água e exposição direta ao sol ou vento.
A NBR 14931:2004 da ABNT estabelece os procedimentos mínimos para a execução de estruturas de concreto, incluindo aspectos específicos da concretagem em fundações. Helene e Terzian (1992) enfatizam que o controle da temperatura, do tempo de pega e da relação água/cimento é fundamental para o desempenho estrutural do concreto.
3.
Impermeabilização
A impermeabilização é a etapa que
visa proteger a fundação contra a ação da umidade e da água do solo, evitando a
penetração de água na estrutura e o surgimento de patologias como infiltrações,
eflorescências e corrosão das armaduras. É uma prática essencial, especialmente
em regiões com lençol freático elevado ou solo úmido.
Métodos
de impermeabilização:
• Membranas impermeabilizantes: São
películas flexíveis aplicadas sobre a superfície da fundação. Podem ser
moldadas in loco com emulsões asfálticas ou sintéticas (como poliuretano ou
EPDM).
• Mantas pré-fabricadas: Mantas
asfálticas ou de PVC aplicadas por colagem ou fusão térmica sobre a superfície
da fundação.
• Aditivos impermeabilizantes no concreto:
Misturados à argamassa ou ao concreto no momento do preparo, conferem
propriedades hidrofóbicas à massa.
• Revestimentos cimentícios: Argamassas
modificadas com polímeros, aplicadas como pintura sobre o concreto,
especialmente em blocos de fundação e paredes de subsolo.
Cuidados
na execução:
• A
base de aplicação deve estar limpa, regular e seca (ou conforme a orientação do
fabricante);
• A sobreposição entre faixas ou demãos deve seguir rigorosamente as
especificações
técnicas;
• Em
pontos críticos (encontros, cantos vivos, passagens de tubulações), devem ser
aplicados reforços especiais para evitar falhas na vedação.
Segundo Coutinho (2012), a impermeabilização é muitas vezes negligenciada nas fundações, mas sua ausência ou má execução pode comprometer severamente a vida útil da estrutura e aumentar os custos com manutenção corretiva.
Considerações
Finais
As etapas de escavação, concretagem e impermeabilização constituem o núcleo operacional da execução das fundações. Cada uma dessas fases demanda atenção especial, respeito às normas técnicas, utilização de materiais adequados e acompanhamento de profissionais capacitados. A negligência em qualquer dessas etapas pode resultar em recalques diferenciais, trincas, infiltrações e falhas estruturais de difícil correção.
A correta execução das fundações,
desde a escavação até o acabamento com impermeabilização, representa um
investimento em durabilidade, segurança e qualidade. Cabe ao engenheiro
responsável zelar por esse processo, adotando medidas preventivas, boas práticas
de canteiro e rigoroso controle tecnológico.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR 6122: Projeto e Execução de Fundações.
Rio de Janeiro, 2019.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
14931: Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro,
2004.
• AOKI,
N. M.; VELLOSO, D. A. Fundações: Teoria e
Prática. São Paulo: Edgard Blücher, 2000.
• HELENE,
Paulo; TERZIAN, Paulo. Manual de Dosagem
e Controle do Concreto. São Paulo: PINI, 1992.
• COUTINHO,
R. Q. Patologia das Fundações: Causas e
Soluções. São Paulo: Blucher, 2012.
• TEIXEIRA,
M. C. M. Fundações e Obras de Terra.
São Paulo: Oficina de Textos, 2014.
Na engenharia civil, a estrutura
de uma edificação é o sistema responsável por suportar, distribuir e transmitir
as cargas atuantes sobre o edifício até o solo por meio das fundações. As vigas, pilares e lajes são
considerados os elementos estruturais principais de uma construção, compondo a
espinha dorsal de edifícios em concreto armado, aço ou madeira. A correta
concepção e execução desses elementos garante a estabilidade, a segurança e a
durabilidade da edificação, conforme preconizado pelas normas técnicas
vigentes.
1. Pilares
Os pilares são elementos estruturais verticais,
normalmente em
concreto armado ou aço, cuja principal função é suportar cargas verticais oriundas das lajes e vigas, transferindo-as
às fundações. São também conhecidos como colunas e podem assumir diversas
formas geométricas, como quadrada, retangular, circular ou em “L”, de acordo
com as exigências do projeto arquitetônico e estrutural.
Características
principais:
• Resistência à compressão: Os pilares
são dimensionados para resistir à compressão axial, podendo também estar
sujeitos a flexões e esforços compostos.
• Posição estratégica: Devem ser
dispostos de forma a otimizar a transferência de cargas e permitir a integração
com paredes e divisórias.
• Cobrimento do concreto: É essencial
garantir o cobrimento adequado das armaduras, conforme estabelecido na NBR 6118:2014, para evitar a corrosão
das ferragens.
Cuidados na execução:
• Alinhamento
rigoroso com os eixos do projeto;
• Fixação
correta das armaduras longitudinais e estribos;
• Utilização
de formas bem vedadas para evitar perda de nata de cimento;
• Cura
do concreto para garantir o ganho de resistência.
Segundo Melhado (2006), os pilares
são elementos críticos para a estabilidade global da estrutura e qualquer
deslocamento excessivo ou colapso desses componentes compromete todo o sistema
estrutural.
2. Vigas
As vigas são elementos estruturais horizontais ou inclinados que têm
como função principal receber as cargas
das lajes e distribuí-las até os pilares. Além disso, contribuem para a
rigidez da estrutura, ajudando a evitar deformações excessivas e redistribuir
esforços.
Tipos
comuns de vigas:
• Vigas baldrame: Localizadas sobre a
fundação e abaixo das paredes. Transferem as cargas das alvenarias para as
sapatas.
• Vigas de transição: Projetadas para
distribuir as cargas em casos de mudança de posição dos apoios em pavimentos
superiores.
• Vigas invertidas: Posicionadas acima da
laje para evitar interferência com a arquitetura ou instalações.
Características
principais:
• Estão
sujeitas à flexão, cisalhamento e torção;
• Precisam
de armaduras longitudinais (superior e inferior) e transversais (estribos);
• A
altura da viga influencia
diretamente na sua capacidade de vencer grandes vãos.
Boas
práticas de execução:
• Respeitar
a posição e o diâmetro das armaduras conforme projeto;
• Garantir o cobrimento mínimo do concreto para proteção das
ferragens;
• Realizar
adensamento eficiente para evitar falhas internas;
• Evitar
emendas mal posicionadas ou dobragens fora dos padrões.
De acordo com Neville (1997), as
vigas representam um dos elementos mais analisados nas estruturas de concreto
armado, pois estão diretamente associadas aos deslocamentos e à estabilidade
local da edificação.
3. Lajes
As lajes são elementos estruturais planos e horizontais responsáveis
por suportar as cargas de uso
(móveis, permanentes e acidentais) e transmitilas para as vigas e/ou pilares.
Elas também têm função de compartimentação dos pavimentos e podem ser
utilizadas como pisos, forros ou coberturas.
Tipos
de lajes:
• Laje maciça: De concreto armado moldada
in loco. Utilizada em edifícios de pequeno e médio porte, pela sua simplicidade
de execução.
• Laje pré-moldada: Produzida em fábrica
e montada no canteiro. Pode ser composta por vigotas e elementos de
preenchimento (tavelas ou EPS).
• Laje nervurada: Apresenta nervuras em
uma ou duas direções, sendo indicada para grandes vãos com redução de peso
próprio.
• Laje protendida: Utiliza cabos de aço
tensionados para vencer grandes vãos com menor espessura e deformações
controladas.
Considerações técnicas:
• Devem
ser projetadas para suportar ações
verticais distribuídas (cargas permanentes e acidentais);
• Estão
sujeitas principalmente à flexão e,
em menor grau, a cisalhamento;
• Devem
garantir o isolamento acústico e térmico
entre os pavimentos;
• É
necessário prever aberturas para
instalações hidráulicas, elétricas e sistemas de climatização.
Durante a execução, a montagem correta das armaduras e a verificação do escoramento são essenciais para evitar deformações excessivas e fissuras.
Segundo Souza e Cincotto (2005), a
escolha do tipo de laje deve considerar fatores como o vão livre, as cargas
atuantes, a economia de materiais e a compatibilidade com o sistema construtivo
adotado.
4. Interação entre Vigas, Pilares e Lajes
Os elementos estruturais de uma
edificação não funcionam isoladamente. As vigas, pilares e lajes formam um sistema estrutural interdependente, no
qual a carga é transferida sequencialmente: das lajes para as vigas, destas
para os pilares e, finalmente, para as fundações. A concepção integrada desse
sistema é essencial para garantir a estabilidade global da construção.
Essa
integração deve considerar:
• Compatibilidade de
deformações;
• Continuidade das ligações entre os
elementos;
• Distribuição equilibrada de cargas nos
apoios;
• Evitação de pontos de concentração de
tensões.
A norma NBR 6118:2014, que regulamenta o projeto de estruturas de concreto
armado, orienta os engenheiros a considerar os efeitos de segunda ordem, os
esforços compostos e as combinações de ações que incidem sobre os elementos
estruturais.
Considerações
Finais
As vigas, pilares e lajes constituem os componentes essenciais de qualquer sistema estrutural. O seu desempenho está diretamente relacionado ao correto dimensionamento, detalhamento e execução, conforme as exigências técnicas e normativas. A negligência em qualquer uma dessas etapas pode resultar em deformações indesejadas, fissuras, recalques ou mesmo colapso da edificação.
É indispensável que o projeto estrutural seja elaborado por profissional habilitado e que sua execução seja acompanhada por fiscalização técnica rigorosa. A qualidade dos materiais, a precisão das formas e o respeito aos tempos de cura do concreto também são fatores determinantes para a integridade e durabilidade da estrutura.
Projetar e construir com
responsabilidade significa compreender a importância desses elementos, suas
funções específicas e sua atuação conjunta, contribuindo para obras seguras,
eficientes e duradouras.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
6118: Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro,
2014.
• MELHADO,
Silvio Burrattino. Coordenação de
Projetos de
Edificações. São
Paulo: Oficina de Textos, 2006.
• NEVILLE,
Adam M. Propriedades do Concreto. São
Paulo: Bookman, 1997.
• SOUZA,
R. A. de; CINCOTTO, M. A. Tecnologia das
Construções. São Paulo: Blucher, 2005.
• HELENE, Paulo; TERZIAN, Paulo. Manual de Dosagem e Controle do Concreto. São Paulo: PINI, 1992.
As estruturas de concreto armado representam uma das soluções mais utilizadas na engenharia civil, devido à combinação vantajosa entre a resistência à compressão do concreto e a resistência à tração do aço. Além da durabilidade, o concreto armado oferece flexibilidade de formas, economia de materiais e facilidade de execução. Contudo, o desempenho adequado dessas estruturas depende diretamente da correta aplicação das técnicas de execução, que devem obedecer a critérios normativos, projetuais e
estruturas de concreto armado
representam uma das soluções mais utilizadas na engenharia civil, devido à
combinação vantajosa entre a resistência à compressão do concreto e a
resistência à tração do aço. Além da durabilidade, o concreto armado oferece
flexibilidade de formas, economia de materiais e facilidade de execução.
Contudo, o desempenho adequado dessas estruturas depende diretamente da correta
aplicação das técnicas de execução, que devem obedecer a critérios normativos,
projetuais e construtivos específicos.
1. Preparação do Canteiro e Planejamento da
Execução
Antes do início da concretagem, é
fundamental organizar o canteiro de obras e planejar adequadamente todas as
etapas construtivas. Um planejamento eficiente reduz desperdícios, evita
retrabalhos e garante a qualidade do resultado final.
Entre
os aspectos iniciais, destacam-se:
• Análise
do projeto estrutural conforme a NBR
6118:2014, que regula o dimensionamento e a execução de estruturas de
concreto;
• Definição
da sequência de execução (pilares, vigas, lajes);
• Estocagem
adequada de materiais (cimento, aço, brita, areia) e insumos;
• Disponibilização
de equipamentos necessários (formas, vibradores, betoneiras, escoramentos,
etc.).
Segundo Souza e Cincotto (2005), a logística bem elaborada na fase de preparação é um dos fatores-chave para a durabilidade e segurança das estruturas.
2. Montagem das Formas
As formas são moldes temporários utilizados para conformar o concreto
fresco até que este atinja resistência suficiente para se sustentar. Devem
possuir rigidez, estanqueidade, resistência e precisão dimensional para evitar
deformações e vazamentos.
Técnicas
e cuidados:
• Utilização
de madeira, compensado plastificado, aço ou formas plásticas, conforme o tipo
de elemento a ser executado;
• Revestimento
interno com desmoldantes para facilitar a remoção sem danificar o concreto;
• Verificação
de prumo, nível e alinhamento;
• Fixação
firme com escoras para resistir à pressão do concreto fresco;
• Vistoria
das juntas de forma para garantir estanqueidade.
A norma NBR 14931:2004, que trata da execução de estruturas de concreto,
orienta que as formas devem ser inspecionadas antes da concretagem, garantindo
que não apresentem folgas, fissuras ou falhas de montagem.
3.
Montagem das Armaduras
As armaduras de aço são responsáveis por resistir aos esforços de tração e auxiliar o concreto na
absorção de tensões complexas. Devem ser
posicionadas de forma exata, conforme detalhamento do projeto estrutural.
Procedimentos
técnicos:
• Corte,
dobra e montagem do aço com base nos projetos estruturais;
• Agrupamento
e identificação das armaduras por elemento (pilar, viga, laje);
• Utilização
de espaçadores para garantir o cobrimento mínimo do concreto;
• Fixação
com arame recozido para evitar deslocamento durante a concretagem;
• Proteção
contra intempéries (especialmente corrosão) antes do lançamento do concreto.
A NBR 7480:2007 estabelece os requisitos técnicos para o aço destinado a armaduras para concreto armado, incluindo características mecânicas, marcação e tolerâncias dimensionais.
A qualidade da montagem da
armadura influencia diretamente o desempenho estrutural. A falta de cobrimento,
a má fixação e a violação do detalhamento podem gerar patologias graves, como
corrosão das barras e fissuras no concreto.
4.
Concretagem
A concretagem consiste no lançamento, adensamento e cura do concreto
dentro das formas, envolvendo diversas etapas críticas que exigem atenção e
controle.
Etapas
e cuidados:
• Preparo
do concreto (em central dosadora ou in loco) com dosagem precisa;
• Transporte
rápido para evitar perda do abatimento (slump);
• Lançamento
contínuo do concreto nas formas, por camadas, para evitar juntas frias;
• Adensamento mecânico com vibrador de
imersão para eliminar bolhas de ar e aumentar a densidade do concreto;
• Evitar
segregação dos agregados e perda de material;
• Acompanhar
o tempo de pega e o abatimento do concreto para garantir a trabalhabilidade
ideal.
De acordo com Helene e Terzian
(1992), uma concretagem bem-sucedida depende da fluidez do concreto, da
sequência lógica de lançamento e da homogeneidade da mistura. A segregação ou
adensamento insuficiente resulta em falhas estruturais e diminuição da resistência
final.
5.
Cura do Concreto
A cura é o processo de controle da perda de água do concreto durante
o período inicial de endurecimento, sendo essencial para o desenvolvimento da
resistência e da durabilidade da estrutura.
Métodos
comuns de cura:
• Cura úmida: Manutenção da superfície
molhada com aspersão de água, coberturas com tecidos ou lonas úmidas.
• Cura química: Aplicação de produtos
formadores de película que impedem a evaporação da água.
• Cura térmica: Utilizada em
pré-moldados, com aquecimento controlado para acelerar o ganho de resistência.
O tempo mínimo de cura recomendado é de 7 dias para cimento comum e 3 dias para cimento de alta resistência inicial, conforme a NBR 14931:2004.
A cura deficiente pode levar à
retração excessiva, fissuras e comprometimento da durabilidade do concreto,
especialmente em ambientes agressivos.
6.
Desforma e Remoção do Escoramento
A desforma é o processo de retirada das formas após o endurecimento
do concreto. Já o escoramento deve
ser mantido por um tempo mínimo até que o concreto atinja resistência
suficiente para suportar suas cargas.
• Os
prazos variam de acordo com o tipo de cimento, condições ambientais e tipo
estrutural (vigas, lajes, pilares).
• A
desforma precoce pode causar fissuras, deslocamentos e colapsos locais.
• A
NBR 14931:2004 orienta que a
desforma de elementos horizontais (lajes e vigas) deve ser feita com base em
ensaios de resistência à compressão, realizados com corpos de prova do concreto
utilizado na obra.
Considerações
Finais
A execução de estruturas de concreto armado exige o domínio técnico das etapas construtivas e o respeito rigoroso às especificações do projeto estrutural. As técnicas de montagem das formas, posicionamento das armaduras, lançamento e cura do concreto devem ser aplicadas com precisão para garantir a integridade, durabilidade e segurança da edificação.
Além disso, o controle tecnológico, a qualificação da mão de obra e a supervisão técnica contínua são indispensáveis para o sucesso da obra. As falhas na execução, muitas vezes causadas por negligência ou improvisações, são responsáveis pela maior parte das patologias observadas em estruturas de concreto.
O engenheiro civil tem o papel
essencial de planejar, coordenar e fiscalizar cada etapa do processo,
assegurando que o sistema estrutural atenda aos requisitos normativos,
funcionais e de segurança, conforme preconizado pela legislação vigente.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
6118: Projeto de Estruturas de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro,
2014.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
14931: Execução de Estruturas de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro,
2004.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
7480: Aço Destinado a Armaduras para Estruturas de Concreto Armado –
Especificação. Rio de Janeiro, 2007.
• HELENE,
Paulo; TERZIAN, Paulo. Manual de Dosagem
e Controle do Concreto. São Paulo: PINI, 1992.
• SOUZA,
R. A. de; CINCOTTO, M. A. Tecnologia das
Construções. São Paulo: Blucher, 2005.
A alvenaria é um dos sistemas construtivos mais antigos e amplamente utilizados na construção civil. Trata-se de um processo de edificação que utiliza elementos modulares — como tijolos ou blocos — unidos por argamassa, formando paredes, muros, vedos ou até mesmo estruturas de sustentação. A escolha dos materiais utilizados na alvenaria influencia diretamente na durabilidade, resistência, conforto térmico, desempenho acústico e estética da construção.
Compreender os fundamentos da
alvenaria e os tipos de tijolos e blocos disponíveis no mercado é essencial
para o bom desempenho da obra e a racionalização dos recursos. Este texto
apresenta as principais características, aplicações e diferenças entre os elementos
mais comuns empregados em alvenaria, com base em normas técnicas e literatura
especializada.
1.
Conceito de Alvenaria
A alvenaria pode ser classificada
conforme sua função estrutural em:
• Alvenaria de vedação: utilizada apenas
para fechar vãos, sem função estrutural;
• Alvenaria estrutural: os próprios
elementos da alvenaria suportam as cargas da edificação, dispensando estruturas
de concreto armado em determinadas situações.
Ela também pode ser classificada conforme o material dos elementos de alvenaria, sendo os principais: tijolos cerâmicos, blocos de concreto, blocos sílico-calcários, entre outros. A argamassa, por sua vez, desempenha papel fundamental na aderência entre os blocos e no comportamento mecânico do conjunto.
Segundo Souza e Cincotto (2005), a
eficiência da alvenaria está diretamente ligada à qualidade dos materiais
empregados, à regularidade das juntas, ao controle dimensional e à boa
execução.
2.
Tijolos Cerâmicos
Os tijolos cerâmicos são produzidos a partir da argila cozida em
fornos, apresentando resistência suficiente para aplicações em vedação ou,
quando projetados para isso, em alvenaria estrutural. São amplamente utilizados
na construção civil brasileira, especialmente em habitações de pequeno e médio
porte.
Tipos
principais:
• Tijolo maciço: Sem furos, com
resistência maior à compressão. É tradicionalmente utilizado em alvenarias
aparentes ou em obras de restauro. Seu uso estrutural exige argamassas
específicas e juntas contínuas.
•
Tijolo furado (ou baiano): Possui furos
verticais que reduzem o peso e melhoram o isolamento térmico. Pode ser usado em
vedação, mas geralmente não é indicado para funções estruturais, exceto quando
há projeto específico para isso.
Vantagens:
• Boa
resistência térmica e acústica;
• Facilidade
de corte e manuseio;
• Estética
rústica em alvenarias aparentes.
Desvantagens:
• Maior
absorção de água, o que pode exigir cuidados na execução e no revestimento;
• Fragilidade
a impactos, principalmente em peças finas e com muitos furos.
A NBR 15270:2017 especifica os requisitos para tijolos cerâmicos,
considerando aspectos como resistência mecânica, absorção de água e
regularidade dimensional.
3.
Blocos de Concreto
Os blocos de concreto são elementos moldados com cimento, agregados e
água, podendo ser estruturais ou de vedação. São recomendados para alvenaria
racionalizada e industrializada, sendo muito utilizados em obras de médio e
grande porte.
Tipos
principais:
• Bloco de vedação: Não suporta cargas
estruturais, sendo usado apenas para fechar vãos.
• Bloco estrutural: Dimensionado para
suportar cargas verticais e horizontais, sendo utilizado em sistemas de
alvenaria estrutural.
Características:
• Maior
resistência à compressão;
• Menor
absorção de água em relação aos tijolos cerâmicos;
• Precisão
dimensional que facilita o assentamento e reduz o consumo de argamassa;
• Presença
de furos horizontais e verticais que permitem passagem de instalações e
concretagem de graute.
Vantagens:
• Rapidez
na execução;
• Redução
de desperdícios;
• Menor
necessidade de revestimentos espessos.
Desvantagens:
• Peso
superior aos blocos cerâmicos;
• Menor
desempenho térmico e acústico, salvo com uso de blocos especiais.
A norma NBR 6136:2016 regulamenta os blocos de concreto, estabelecendo
parâmetros de resistência, dimensões e tolerâncias de fabricação.
4.
Outros Tipos de Blocos
Blocos
sílico-calcários
Produzidos com cal, areia e água,
apresentam boa resistência e acabamento liso. Têm baixa absorção de água e boa
estabilidade dimensional, sendo comuns em países de clima temperado.
Blocos
de solo-cimento
Feitos a partir de solo argiloso e cimento prensado, com ou sem queima. São ecologicamente mais sustentáveis e empregados em construções de baixo custo e em obras rurais. Exigem cuidados com
impermeabilização e dimensionamento adequado.
Blocos
de concreto celular autoclavado (AAC)
Leves, com ótimo isolamento
térmico e acústico, são indicados para construções sustentáveis. Sua aplicação
exige argamassa colante e ferramentas específicas.
5.
Critérios para Escolha de Tijolos e Blocos
A escolha do tipo de tijolo ou
bloco a ser utilizado em um projeto deve considerar:
• Tipo de edificação: casas térreas,
prédios, muros, galpões;
• Função da alvenaria: vedação ou
estrutural;
• Características do material:
resistência mecânica, peso, absorção de água;
• Condições climáticas: regiões muito
úmidas ou secas exigem materiais mais resistentes à variação de umidade;
• Aspectos econômicos: custo do material,
da mão de obra e dos revestimentos necessários;
• Sustentabilidade e disponibilidade regional:
o uso de materiais locais pode reduzir o impacto ambiental e os custos
logísticos.
Coutinho (2012) ressalta que a
compatibilidade entre os materiais de alvenaria e os demais sistemas da
edificação (instalações, estrutura, revestimentos) é essencial para o
desempenho técnico e estético da construção.
Considerações
Finais
A alvenaria é um sistema construtivo amplamente versátil e consolidado, cuja eficiência depende do conhecimento técnico sobre os materiais utilizados. Os tijolos cerâmicos e os blocos de concreto são os elementos mais comuns, cada qual com suas vantagens, limitações e indicações de uso.
A correta especificação dos
elementos de alvenaria, aliada a uma execução cuidadosa e conforme as normas
técnicas, resulta em construções mais duráveis, seguras, econômicas e
confortáveis. Engenheiros, arquitetos e profissionais da construção civil devem
estar atentos às características dos tijolos e blocos, aos critérios de
desempenho e às boas práticas construtivas para garantir a qualidade final das
obras.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR
15270: Componentes cerâmicos – Blocos e tijolos para alvenaria. Rio de
Janeiro, 2017.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
6136: Blocos vazados de concreto simples para alvenaria. Rio de Janeiro,
2016.
• COUTINHO,
R. Q. Materiais de Construção. São
Paulo: Blucher, 2012.
• SOUZA,
R. A. de; CINCOTTO, M. A. Tecnologia das
Construções. São Paulo: Blucher, 2005.
• MELHADO, Silvio B. Coordenação de Projetos de Edificações. São Paulo: Oficina de
Textos, 2006.
O assentamento de tijolos e blocos
é uma das atividades mais importantes no processo construtivo, sendo
determinante para a qualidade, a durabilidade e o desempenho das alvenarias.
Essa etapa consiste na colocação ordenada e nivelada dos elementos de alvenaria
(tijolos cerâmicos ou blocos de concreto) com o uso de argamassa, que atua como
agente de ligação e vedação. Para que a alvenaria cumpra suas funções
estruturais e/ou de vedação de maneira eficaz, é essencial que o assentamento
seja executado com precisão, observando critérios técnicos e normativos.
1. Preparação para o Assentamento
Antes do início do assentamento, é
necessário realizar uma série de preparações fundamentais:
• Verificação do projeto: Análise dos
desenhos técnicos para garantir o posicionamento correto das paredes, aberturas
e pontos de instalação.
• Locação da alvenaria: Traçado das
paredes no piso, com uso de linhas, níveis e prumos, garantindo precisão no
posicionamento.
• Organização do canteiro: Os materiais
devem estar armazenados próximos à área de trabalho, com acesso fácil, e a
argamassa deve ser preparada com traço uniforme e uso controlado da água.
• Umidificação dos tijolos/blocos: No
caso dos elementos cerâmicos, recomenda-se molhar levemente os tijolos antes do
assentamento, a fim de evitar absorção excessiva da água da argamassa.
Segundo Coutinho (2012), o
controle da absorção é essencial para garantir a aderência e evitar fissuras
por retração.
2. Argamassa de Assentamento
A argamassa tem papel fundamental no processo de assentamento,
proporcionando aderência, acomodação de irregularidades e uniformização da
distribuição de cargas. Ela é composta, em geral, por cimento, cal (ou
aditivos) e areia, na proporção adequada para garantir trabalhabilidade e
resistência.
Requisitos
da argamassa:
• Trabalhabilidade
adequada (fácil aplicação e espalhamento);
• Boa
aderência aos elementos;
• Resistência
suficiente após o endurecimento (geralmente de 2 a 5 MPa);
• Retenção
de água para evitar secagem rápida.
A norma NBR 13281:2005 estabelece os requisitos para argamassas de assentamento e revestimento, determinando critérios como consistência, tempo de uso e resistência à compressão.
É fundamental que a argamassa seja utilizada dentro de seu tempo de validade (geralmente até 2 horas após o preparo) e que não seja
reaproveitada após o início do endurecimento.
3.
Técnicas de Assentamento
O assentamento de tijolos e blocos
deve seguir padrões técnicos rigorosos, garantindo nivelamento, prumo e
alinhamento das fiadas. A técnica pode variar conforme o tipo de alvenaria
(vedação ou estrutural) e o tipo de elemento (tijolo cerâmico ou bloco de
concreto).
Passo
a passo básico:
1. Assentamento da fiada base: A primeira
fiada deve ser assentada com extrema precisão, pois serve de referência para
todas as demais. É nivelada com régua e mangueira de nível ou laser.
2. Aplicação da argamassa: A argamassa é
colocada com colher de pedreiro, em quantidade suficiente para cobrir toda a
base do elemento. A espessura usual da junta horizontal é de 10 a 15 mm.
3. Assentamento do tijolo ou bloco: O
elemento é pressionado sobre a argamassa e ajustado com o auxílio de nível,
esquadro e linha de pedreiro.
4. Verificação de prumo e nível: A cada
fiada, utiliza-se o prumo e o nível de bolha para assegurar o alinhamento
vertical e horizontal da parede.
5. Execução de juntas verticais: Para
garantir estabilidade e vedação, as juntas verticais também devem receber
argamassa, especialmente em alvenarias de vedação. Em alvenaria estrutural,
algumas juntas verticais podem ser secas, conforme especificado em projeto.
6. Execução de amarrações: Os blocos ou
tijolos devem ser assentados de forma alternada (tipo amarração ou trabamento),
evitando juntas contínuas que comprometam a integridade da parede.
Conforme Souza e Cincotto (2005),
o alinhamento das fiadas e a regularidade das juntas são fatores críticos para
a estabilidade, o desempenho térmico e a resistência da alvenaria.
4.
Considerações Específicas para Diferentes Materiais Tijolos Cerâmicos:
• Devem
ser umedecidos antes do uso, pois possuem alta absorção de água.
• Devem
ser aplicados com junta cheia (horizontal e vertical) para evitar vazamentos e
infiltrações.
• Exigem
cuidado redobrado no nivelamento, por serem mais frágeis e irregulares
dimensionalmente.
Blocos
de Concreto:
• Não
necessitam de umedecimento prévio, devido à baixa absorção.
• Devem
ser assentados com junta horizontal cheia e vertical preenchida conforme o tipo
de bloco e função da parede.
• Em
alvenaria estrutural, é comum a execução de grauteamento em canais verticais e
horizontais previamente dimensionados.
A NBR 15961:2011 regula a execução de alvenaria
estrutural com blocos
de concreto, detalhando os requisitos para assentamento, grauteamento e
controle dimensional.
5.
Cuidados e Boas Práticas
• Limpeza constante: Manter o canteiro
limpo e livre de resíduos evita contaminações na argamassa e melhora a
aderência.
• Controle de umidade: Evitar exposição
prolongada à chuva durante o processo de assentamento e proteger as paredes
recém-construídas.
• Correção de erros: Pequenos ajustes
devem ser feitos imediatamente após o assentamento. Uma vez endurecida a
argamassa, os elementos não devem ser reposicionados.
• Execução de vergas e contravergas:
Acima e abaixo de vãos (como portas e janelas), devem ser instaladas vergas e
contravergas para distribuir as cargas e evitar fissuras.
De acordo com Helene e Terzian
(1992), a adoção de boas práticas no assentamento reduz patologias como
trincas, deslocamentos, umidade ascendente e falhas de vedação.
Considerações
Finais
As técnicas de assentamento de
tijolos e blocos exigem precisão, conhecimento técnico e atenção aos detalhes.
A execução correta garante não apenas a estabilidade das paredes, mas também
influencia o conforto, a durabilidade e a estética da edificação. O respeito às
normas técnicas, a
escolha adequada da argamassa, o controle de alinhamento e o uso de ferramentas apropriadas são elementos fundamentais para alcançar um resultado de excelência.
Engenheiros, arquitetos e mestres
de obras devem supervisionar cuidadosamente essa etapa, promovendo treinamentos
e inspeções periódicas para assegurar a qualidade construtiva. A racionalização
e a padronização do assentamento são, cada vez mais, fatores determinantes para
o sucesso técnico e econômico das obras contemporâneas.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR
13281: Argamassa para assentamento e revestimento –
Requisitos. Rio
de Janeiro, 2005.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
15961: Alvenaria estrutural – Blocos de concreto. Rio de Janeiro, 2011.
• COUTINHO,
R. Q. Materiais de Construção. São
Paulo: Blucher, 2012.
• HELENE,
Paulo; TERZIAN, Paulo. Manual de Dosagem
e Controle do Concreto. São Paulo: PINI, 1992.
• SOUZA,
R. A. de; CINCOTTO, M. A. Tecnologia das
Construções. São Paulo: Blucher, 2005.
A execução de paredes e divisórias é uma etapa central no processo de edificação,
sendo responsável pela compartimentação dos ambientes, pela sustentação (quando estrutural) e pelo desempenho térmico, acústico e estético do edifício. Essas estruturas são formadas predominantemente por elementos de alvenaria ou por sistemas leves, como drywall e painéis de gesso, variando de acordo com o tipo de construção, o orçamento disponível, as exigências do projeto arquitetônico e os requisitos de desempenho.
A qualidade da execução dessas
partes influencia diretamente o conforto dos usuários e a durabilidade da obra.
Este texto apresenta os principais conceitos, métodos e cuidados técnicos na
construção de paredes e divisórias, considerando tanto sistemas convencionais
de alvenaria quanto alternativas industrializadas.
1.
Funções e Classificações
As paredes e divisórias podem
cumprir diferentes funções na edificação, o que determina os materiais e
técnicas mais adequados para sua execução. As principais classificações são:
• Paredes estruturais: Suportam cargas da
edificação, integrando o sistema resistente da estrutura (como na alvenaria
estrutural).
• Paredes de vedação: Servem apenas para
compartimentar os ambientes, sem função estrutural. São comuns em construções
com estruturas independentes (como pilares e vigas).
• Divisórias internas: Elementos leves e
removíveis, utilizados para reorganizar ambientes internos. Frequentemente
aplicadas em escritórios, lojas e reformas.
A NBR 15961-1:2011 regulamenta os requisitos para a execução de
alvenaria estrutural com blocos de concreto, enquanto a NBR 16869:2020 trata das divisórias de gesso acartonado, garantindo
padronização e desempenho mínimo.
2.
Execução de Paredes em Alvenaria
A alvenaria de vedação ou estrutural é o método mais tradicional na
construção civil brasileira, feita com tijolos cerâmicos, blocos de concreto,
blocos sílico-calcários ou solo-cimento.
Etapas
da execução:
1. Locação das paredes: As linhas de
referência são traçadas no contrapiso com auxílio de trena, nível e esquadro.
2. Assentamento da fiada base: Executada
com precisão no nivelamento, pois influencia todo o alinhamento das fiadas
superiores.
3. Assentamento das fiadas seguintes: Cada
nova fiada é verificada com prumo e nível. Os blocos devem ser amarrados com
sobreposição das juntas (trabalho).
4. Execução de vergas e contravergas:
Instalação de reforços sobre e sob vãos (portas e janelas) para redistribuir
cargas e evitar trincas.
5. Passagens
para instalações: As
aberturas para eletrodutos, caixas elétricas e tubulações hidráulicas devem ser
previstas no projeto e realizadas com precisão, evitando quebras posteriores.
Cuidados
fundamentais:
• Utilizar
argamassa adequada, conforme a NBR
13281:2005;
• Garantir
juntas verticais e horizontais bem preenchidas;
• Proteger
as alvenarias recém-construídas da chuva e da insolação direta;
• Respeitar
os prazos de cura antes de aplicar revestimentos.
Segundo Helene e Terzian (1992), o controle da execução da alvenaria é decisivo para evitar patologias como trincas, destacamentos de revestimento e infiltrações.
3. Sistemas Leves: Divisórias Internas
As divisórias internas podem ser executadas com painéis de gesso
acartonado (drywall), chapas cimentícias, divisórias de madeira, PVC ou vidro.
Tais sistemas oferecem rapidez na montagem, flexibilidade no layout e bom
desempenho em ambientes secos.
Sistema
Drywall:
É o mais difundido entre os
sistemas leves. Composto por uma estrutura metálica leve (guias e montantes de
aço galvanizado) preenchida com chapas de gesso acartonado e, frequentemente,
com material isolante interno (lã de vidro ou de rocha).
Etapas
da execução:
1. Marcação do layout: Guias de piso e
teto são fixadas com buchas e parafusos;
2. Montagem da estrutura metálica:
Montantes verticais são encaixados nas guias com espaçamento padrão (geralmente
60 cm);
3. Fixação das chapas: As placas de gesso
são aparafusadas nas estruturas com parafusos específicos;
4. Tratamento das juntas: Aplicação de
massa e fita entre as placas para acabamento;
5. Instalações internas: Passagem de
eletrodutos e dutos no interior das paredes antes do fechamento completo.
Vantagens:
• Rapidez
de montagem e desmontagem;
• Menor
peso por metro quadrado, reduzindo cargas na estrutura;
• Facilidade
de manutenção e modificações futuras.
De acordo com a NBR 16869:2020, essas divisórias devem
atender critérios mínimos de resistência mecânica, isolamento acústico e
resistência ao fogo, sendo especialmente indicadas em obras corporativas e
residenciais contemporâneas.
4. Considerações sobre Revestimentos e
Acabamentos
Independentemente do tipo de
parede ou divisória, a etapa de revestimento
é fundamental para garantir estética, impermeabilidade e proteção mecânica. Em
paredes de alvenaria, utiliza-se geralmente:
• Chapisco: Camada aderente inicial;
Camada aderente inicial;
• Emboço: Regularização da superfície; • Massa
fina ou reboco: Acabamento final antes da pintura ou aplicação de
revestimentos cerâmicos.
No caso do drywall, o acabamento pode ser feito com massa específica e pintura direta ou aplicação de papéis de parede e cerâmicas especiais.
A compatibilidade entre os
materiais de parede e os acabamentos deve ser cuidadosamente observada para
evitar descolamentos, manchas ou fissuras.
5.
Patologias e Prevenção
Erros na execução de paredes e
divisórias podem gerar diversas patologias
construtivas, como:
• Fissuras
e trincas por retração ou assentamento incorreto;
• Infiltrações
em pontos mal vedados;
• Descolamento
de revestimentos;
• Ruído
excessivo entre ambientes por falhas no isolamento acústico.
As
principais medidas preventivas incluem:
• Observar
as boas práticas de assentamento e montagem;
• Utilizar
materiais com certificação e qualidade comprovada;
• Executar
juntas de movimentação onde necessário;
• Realizar
inspeções periódicas durante a obra.
Souza e Cincotto (2005) afirmam
que a integração entre projeto, execução e fiscalização técnica é a chave para
minimizar ocorrências patológicas e maximizar o desempenho das paredes e
divisórias.
Considerações
Finais
A execução de paredes e divisórias requer precisão, conhecimento técnico e respeito às normas construtivas. Tanto os sistemas convencionais de alvenaria quanto as divisórias leves podem oferecer excelente desempenho, desde que corretamente especificados e executados. A escolha entre um sistema ou outro deve considerar os requisitos funcionais, econômicos, estéticos e logísticos da obra.
A formação e o treinamento da
equipe executora, bem como a supervisão constante por parte de engenheiros e
arquitetos, são determinantes para alcançar um resultado final seguro, durável
e satisfatório.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
15961-1: Alvenaria estrutural – Blocos de concreto – Parte 1: Projeto. Rio
de Janeiro, 2011.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR
13281: Argamassa para assentamento e revestimento –
Requisitos. Rio
de Janeiro, 2005.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
16869: Sistemas construtivos em chapas de gesso para drywall – Requisitos e
procedimentos. Rio de Janeiro, 2020.
• COUTINHO, R. Q. Materiais de
Construção. São
Paulo: Blucher, 2012.
• HELENE,
Paulo; TERZIAN, Paulo. Manual de Dosagem
e Controle do Concreto. São Paulo: PINI, 1992.
• SOUZA,
R. A. de; CINCOTTO, M. A. Tecnologia das
Construções. São Paulo: Blucher, 2005.
Os revestimentos desempenham um
papel essencial na construção civil, atuando tanto na proteção quanto na
estética das superfícies. Aplicados em paredes, tetos e pisos, interna e
externamente, os revestimentos têm por objetivo conferir impermeabilidade, durabilidade, regularidade e acabamento visual às
edificações. Os materiais mais utilizados envolvem argamassas (como o reboco),
tintas, cerâmicas (azulejos) e diferentes tipos de pisos. A escolha e a
aplicação corretas desses materiais influenciam diretamente no desempenho
técnico, funcional e decorativo dos ambientes.
1.
Reboco: Regularização e Base para Acabamento
O reboco é um revestimento contínuo constituído por argamassa
aplicado sobre alvenarias ou estruturas de concreto, com a função de
proporcionar uma superfície uniforme e protegida para o recebimento de
acabamentos finais como pintura ou revestimentos cerâmicos.
Etapas
do revestimento argamassado:
1. Chapisco: Primeira camada de argamassa
com alto teor de cimento e baixa fluidez. Promove aderência entre a base e as
camadas subsequentes.
2. Emboço: Camada intermediária que
corrige irregularidades da alvenaria e nivela a superfície.
3. Reboco (massa fina): Camada final de
acabamento, com textura fina, que serve de base para pinturas ou papéis de
parede.
A norma ABNT NBR 13749:2017 estabelece requisitos para revestimentos de
paredes e tetos com argamassa inorgânica, tratando de critérios de espessura,
aderência, resistência e retração. Deve-se evitar a aplicação sob insolação
intensa ou em substratos úmidos, pois isso compromete a aderência e causa
fissuras.
2.
Pintura: Proteção e Estética
A pintura é um dos métodos mais comuns e versáteis de acabamento.
Além de conferir identidade visual, a pintura atua na proteção das superfícies
contra agentes externos, como umidade, fungos e poeira.
Tipos
de tinta mais utilizados:
• Tinta látex PVA: Indicada para
ambientes internos secos. Apresenta boa cobertura, secagem rápida e baixo odor.
• Tinta acrílica: Recomendável para áreas
internas e externas, por sua maior resistência à umidade e à abrasão.
• Tinta esmalte sintético:
Utilizada em
metais e madeiras. Possui acabamento brilhante ou acetinado.
• Tinta epóxi: Alta resistência mecânica
e química, adequada para áreas molhadas, cozinhas industriais e garagens.
Processo
de aplicação:
• Preparação
da superfície (lixamento, limpeza, correções);
• Aplicação
de selador ou fundo preparador, se necessário;
• Aplicação
de demãos com rolo, pincel ou pistola, respeitando os tempos de secagem entre
cada uma.
A NBR 15079:2011 regula a execução de pinturas em edificações,
recomendando que a temperatura ambiente esteja entre 10 °C e 35 °C e que a
umidade relativa não ultrapasse 85% no momento da aplicação. A qualidade do
resultado depende da homogeneidade da aplicação e da escolha da tinta adequada
para o ambiente.
3.
Azulejos e Revestimentos Cerâmicos
Os azulejos e as cerâmicas de
revestimento são amplamente utilizados em cozinhas, banheiros, áreas de
serviço e fachadas, graças à sua resistência à umidade, facilidade de limpeza e
durabilidade. Os azulejos possuem acabamento esmaltado e geralmente são
aplicados em paredes internas.
Classificação:
• Revestimentos de parede (tipo BIII):
Azulejos com baixa resistência mecânica, mas boa impermeabilidade.
• Porcelanatos: Maior resistência e
absorção quase nula; usados em paredes e pisos de alto tráfego.
• Pastilhas cerâmicas ou de vidro: Usadas
para decoração ou em superfícies curvas.
Técnicas
de aplicação:
• Nivelamento
da base com argamassa colante;
• Utilização
de espaçadores plásticos para juntas regulares;
• Preenchimento
das juntas com rejunte específico, resistente à umidade e à proliferação de
fungos.
A norma NBR 13753:2017 trata da aplicação de placas cerâmicas com argamassa
colante, indicando requisitos de planicidade da base, tempo de cura e
resistência à tração na aderência. A escolha da argamassa colante deve
considerar o tipo de cerâmica, o ambiente (interno ou externo) e a base de
aplicação (reboco, concreto, drywall, etc.).
4.
Pisos: Função Estrutural e Conforto
O piso é o revestimento aplicado sobre o contrapiso, com a função de
suportar o tráfego, facilitar a limpeza e contribuir para o conforto e
segurança dos usuários. A escolha do piso deve considerar o ambiente de uso, a
resistência necessária e os requisitos estéticos.
Tipos
mais comuns:
• Pisos cerâmicos: Resistentes à umidade, indicados para áreas molhadas. Classificados quanto ao grau de
resistência ao
desgaste (PEI).
• Porcelanatos: Apresentam baixa
porosidade e alta resistência. Usados em áreas internas e externas, com versões
antiderrapantes.
• Pisos vinílicos (PVC): Flexíveis, de
rápida instalação, indicados para ambientes internos. Oferecem conforto térmico
e acústico.
• Laminados: Compostos por HDF com
laminação, simulam madeira. Não são recomendados para áreas úmidas.
• Pedras naturais (granito, mármore):
Alta resistência e estética sofisticada. Exigem manutenção e impermeabilização.
Aplicação:
• Regularização
e cura do contrapiso; • Colagem com argamassa colante adequada;
• Rejuntamento
e limpeza final.
A NBR 13755:1996 estabelece diretrizes para revestimentos de pisos
com placas cerâmicas. O nivelamento, o espaçamento entre placas e o tipo de
rejunte são fundamentais para a durabilidade e o desempenho funcional do piso.
5.
Critérios para Escolha e Compatibilidade
A seleção dos revestimentos deve
considerar os seguintes critérios técnicos e funcionais:
• Ambiente de aplicação: Ambientes
internos, externos, secos ou úmidos exigem diferentes tipos de materiais e
técnicas.
• Compatibilidade com o substrato: A
aderência entre revestimento e base depende da preparação correta e da escolha
de produtos compatíveis.
• Tráfego previsto: Ambientes com alto
tráfego exigem materiais de maior resistência e menor porosidade.
• Facilidade de manutenção: Ambientes
como cozinhas e banheiros requerem superfícies de fácil limpeza.
• Condições climáticas: A exposição solar
e à umidade influencia a durabilidade dos revestimentos.
Segundo Souza e Cincotto (2005), a
durabilidade de um revestimento depende não apenas do material escolhido, mas
também da qualidade da execução e da manutenção ao longo do tempo.
Considerações
Finais
A correta aplicação dos revestimentos em uma edificação não se resume à estética: trata-se de uma etapa crítica para garantir conforto, funcionalidade e vida útil à obra. Seja um simples reboco ou um sofisticado revestimento cerâmico, cada acabamento exige conhecimento técnico e observância rigorosa às normas e boas práticas da construção civil.
A escolha dos materiais, a preparação adequada das superfícies, o respeito às condições de aplicação e a execução por mão de obra qualificada são elementos determinantes para o sucesso do acabamento final. O profissional responsável deve sempre avaliar os fatores ambientais,
funcionais e econômicos antes de definir os tipos de revestimento a
serem empregados em um projeto.
Referências
Bibliográficas
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
13749: Revestimento de paredes e tetos de argamassa inorgânica – Especificação.
Rio de Janeiro, 2017.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
15079: Execução de pintura em edificações – Procedimento. Rio de Janeiro,
2011.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT.
NBR
13753: Revestimento de paredes com placas cerâmicas e com utilização de
argamassa colante – Procedimento. Rio de Janeiro, 2017.
• ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR
13755: Revestimento de piso com placas cerâmicas e com utilização de argamassa
colante – Procedimento. Rio de Janeiro, 1996.
• COUTINHO,
R. Q. Materiais de Construção. São
Paulo: Blucher, 2012.
• SOUZA, R. A. de; CINCOTTO, M. A. Tecnologia das Construções. São Paulo: Blucher, 2005.
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