ARTES
GRÁFICAS
Fundamentos
das Artes Gráficas
O que são Artes Gráficas?
Introdução
As artes gráficas fazem parte de um campo fundamental da comunicação visual, responsável pela materialização de ideias em suportes físicos ou digitais, com o objetivo de informar, persuadir ou encantar. Embora intimamente relacionadas ao design gráfico, as artes gráficas possuem uma identidade própria, historicamente vinculada aos processos de impressão e reprodução gráfica. Neste texto, serão explorados o conceito de artes gráficas, sua abrangência e as diferenças conceituais em relação ao design gráfico, com base em fontes acadêmicas e técnicas.
Conceito
de Artes Gráficas
Artes gráficas podem ser definidas como o conjunto de técnicas, processos e procedimentos utilizados para a produção de materiais impressos ou visuais, como livros, cartazes, embalagens, jornais, revistas, entre outros. Segundo Souza e Queiroz (2014), trata-se de uma disciplina que se relaciona com o uso de textos e imagens organizados visualmente para a comunicação por meio de meios gráficos, sejam eles físicos (papel, tecido, embalagem) ou digitais.
Historicamente,
o termo “artes gráficas” está associado à indústria tipográfica e à impressão
em geral. Com o advento da prensa de tipos móveis de Gutenberg no século XV, a
atividade passou a integrar o campo da produção industrial de conteúdo visual,
ganhando status técnico e profissional. Desde então, evoluiu para abranger
diversos processos como serigrafia, offset, rotogravura, flexografia e, mais
recentemente, impressão digital.
Conforme aponta Meggs (2009), as artes gráficas não envolvem apenas a criação visual, mas também a preparação e execução dos processos técnicos que garantem a reprodução do material com qualidade e consistência. Assim, incluem tanto atividades criativas quanto operacionais, da concepção à finalização.
Abrangência
das Artes Gráficas
A
abrangência das artes gráficas é ampla e multidisciplinar. Ela inclui áreas
como:
Além disso, com o avanço tecnológico, as artes gráficas passaram a integrar também a comunicação digital, através de
infográficos, e-books e arte para redes
sociais. No entanto, sua base continua atrelada à lógica da reprodutibilidade
técnica, como definido por Benjamin (1985), isto é, a capacidade de multiplicar
imagens e textos de maneira fiel e massiva.
As artes gráficas dialogam com diversas profissões, como designers, ilustradores, diagramadores, operadores de pré-impressão, técnicos gráficos e revisores. Cada um atua em uma etapa do fluxo de trabalho, o que reforça o caráter técnico e colaborativo da área.
Diferença
entre Artes Gráficas e Design Gráfico
Embora
muitas vezes usados como sinônimos, os termos “artes gráficas” e “design
gráfico” possuem significados distintos. As artes gráficas dizem respeito aos
meios e processos de reprodução visual. Já o design gráfico está mais ligado à
concepção estética e funcional da comunicação visual.
Segundo
Frascara (2000), o design gráfico é uma disciplina do design que se ocupa da
organização visual de informações com fins comunicacionais. Ele envolve
planejamento, pesquisa, hierarquia da informação, escolha tipográfica e
aplicação de princípios da percepção visual. É, portanto, uma atividade
essencialmente projetual.
Enquanto o design gráfico foca no "projeto" e na "mensagem", as artes gráficas concentram-se na "execução" e no "meio". Por exemplo, um designer gráfico pode criar o layout de uma embalagem, enquanto um profissional de artes gráficas ajustará o arquivo para impressão, escolherá o tipo de papel, a tinta, e cuidará da produção gráfica.
Apesar disso, as duas áreas são interdependentes. O design gráfico não se realiza plenamente sem o suporte técnico das artes gráficas, e as artes gráficas, por sua vez, se enriquecem com os conceitos e soluções criativas do design gráfico. Com a popularização dos softwares de editoração e ferramentas digitais, os limites entre ambos os campos tornaram-se mais fluidos, embora suas naturezas ainda possam ser conceitualmente diferenciadas.
Considerações
Finais
As
artes gráficas são um campo essencial na história da comunicação visual, tendo
evoluído dos processos tipográficos clássicos para as modernas tecnologias
digitais. Elas abrangem uma diversidade de técnicas e aplicações voltadas à
produção de materiais visuais reprodutíveis, seja no impresso ou no digital.
Embora se aproximem do design gráfico em muitos aspectos, é importante
compreender que cada área possui seu foco: o design gráfico no projeto
comunicacional e as artes gráficas na produção técnica e reprodutiva.
No
contexto contemporâneo, onde a comunicação visual se tornou ainda mais central para a cultura e os negócios, conhecer os fundamentos das artes gráficas é fundamental para qualquer profissional que atue com imagem, mídia e informação.
Referências
Bibliográficas
BENJAMIN,
Walter. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. São
Paulo: Brasiliense, 1985.
FRASCARA,
Jorge. Design gráfico para a televisão: uma abordagem comunicacional.
São Paulo: Rosari, 2000.
MEGGS,
Philip B. História do design gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
SOUZA,
Sandro; QUEIROZ, Fábio. Artes gráficas: fundamentos e aplicações. Rio de
Janeiro: Senac, 2014.
Campos de Aplicação das Artes Gráficas:
Editorial, Publicitário, Digital e Outros Contextos
Introdução
As artes gráficas, enquanto campo técnico e criativo da comunicação visual, possuem uma vasta gama de aplicações práticas em diferentes setores da sociedade. Seu desenvolvimento acompanha o avanço da tecnologia e da cultura midiática, sendo fundamental para a produção de conteúdos informativos, persuasivos e estéticos em diversos suportes. Este texto tem como objetivo apresentar e analisar os principais campos de aplicação das artes gráficas: editorial, publicitário, digital, entre outros, com base em autores especializados e em exemplos do cotidiano.
Artes
Gráficas no Campo Editorial
O
setor editorial é, historicamente, um dos mais importantes e tradicionais
campos de aplicação das artes gráficas. Desde a invenção da prensa por
Gutenberg, no século XV, as técnicas gráficas foram fundamentais para a
reprodução de livros, jornais, revistas e demais impressos. Segundo Meggs
(2009), o surgimento das artes gráficas modernas está diretamente ligado à
necessidade de organizar visualmente o conteúdo textual para leitura pública.
No
contexto contemporâneo, a aplicação editorial envolve desde o projeto gráfico
de uma publicação até os detalhes técnicos de sua impressão. Diagramação,
escolha tipográfica, composição de páginas, definição de margens e colunas,
hierarquia de títulos e uso de imagens são elementos essenciais no design
editorial, que une funcionalidade e estética.
Além da produção de livros e periódicos impressos, o campo editorial também inclui e-books, revistas digitais e materiais educativos online. Neste contexto, a preocupação gráfica se adapta às plataformas digitais, incorporando princípios de legibilidade em telas, navegabilidade e responsividade.
Aplicações
na Publicidade e Propaganda
As
artes gráficas têm papel central na publicidade, sendo utilizadas para criar
materiais que visam promover produtos, serviços e ideias. De acordo com
Frascara (2000), a comunicação visual publicitária depende fortemente da
capacidade de sintetizar mensagens de forma impactante, o que exige domínio de
recursos gráficos.
Entre
os produtos gráficos mais comuns nesse campo, destacam-se:
A
eficácia desses materiais está diretamente ligada à qualidade gráfica: uso
adequado de cores, tipografia persuasiva, imagens de impacto e equilíbrio
compositivo. Os profissionais de artes gráficas colaboram com publicitários e
diretores de arte para garantir que a execução técnica corresponda à proposta
criativa da campanha.
Na
publicidade digital, a atuação se expande para peças de redes sociais, banners
animados, e-mails marketing e vídeos publicitários. Ferramentas como Adobe
Illustrator, Photoshop, After Effects e Canva são frequentemente utilizadas
nesse contexto.
Artes
Gráficas no Contexto Digital
O
campo digital ampliou consideravelmente o escopo das artes gráficas, exigindo
novas habilidades e formatos. As criações gráficas migraram dos suportes
físicos para interfaces digitais interativas, o que trouxe desafios técnicos e
criativos.
As
aplicações digitais incluem:
Segundo Lupton (2011), o design gráfico digital exige atenção à fluidez da navegação, consistência visual em múltiplas telas e adaptação para dispositivos móveis. O profissional das artes gráficas, nesse cenário, precisa dominar questões como resolução de tela, compressão de arquivos, formatos otimizados (SVG, PNG, JPEG) e princípios de acessibilidade visual.
Outras
Áreas de Atuação das Artes Gráficas
Além dos campos editorial, publicitário e digital, as artes gráficas estão presentes em muitos outros contextos profissionais, como:
Identidade
Visual Corporativa
Empresas de todos os portes demandam projetos de identidade visual: logotipos,
papelaria,
uniformes, fachadas, materiais institucionais. Essa aplicação
envolve a padronização visual e o fortalecimento da marca.
Embalagens
e Rótulos
O design gráfico aplicado a embalagens combina estética e funcionalidade,
considerando aspectos como legibilidade, apelo visual e adequação às normas
técnicas. A atuação gráfica vai desde o layout até a escolha do tipo de
impressão (offset, flexografia, serigrafia).
Sinalização
e Comunicação Visual Ambiental
Ambientes físicos como hospitais, shoppings, escolas e empresas requerem
sistemas de sinalização eficazes, nos quais se aplicam princípios gráficos para
orientação do usuário (wayfinding).
Moda
e Estamparia
O setor têxtil também se beneficia das artes gráficas, com a criação de
estampas, padrões e etiquetas. Softwares vetoriais são amplamente utilizados
nesse processo.
Eventos
e Exposições
A criação de materiais gráficos para feiras, exposições e eventos exige
projetos de painéis, folders, credenciais, backdrops e sinalização visual
temporária.
Considerações
Finais
As artes gráficas constituem um campo multifacetado e em constante transformação, sendo aplicadas em inúmeros contextos que demandam comunicação visual eficiente e estética apurada. Seja no impresso tradicional ou no meio digital, sua importância permanece essencial para empresas, instituições culturais, editoras, agências de publicidade e ambientes virtuais. Dominar suas aplicações práticas significa estar preparado para atuar de forma estratégica na sociedade da informação e da imagem.
Referências
Bibliográficas
FRASCARA,
Jorge. Design gráfico para a televisão: uma abordagem comunicacional.
São Paulo: Rosari, 2000.
LUPTON,
Ellen. Design Gráfico: Fundamentos. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
MEGGS,
Philip B. História do Design Gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
SOUZA,
Sandro; QUEIROZ, Fábio. Artes Gráficas: Fundamentos e Aplicações. Rio de
Janeiro: Senac Nacional, 2014.
História das Artes Gráficas: Do Surgimento
da Imprensa aos Softwares Modernos
Introdução
A história das artes gráficas está intimamente ligada à evolução da comunicação humana. Desde os primeiros registros visuais até as tecnologias digitais contemporâneas, as artes gráficas acompanharam as transformações culturais, sociais e tecnológicas das sociedades. Este texto busca apresentar um panorama histórico da evolução das artes gráficas, abordando desde o surgimento da imprensa, os principais meios de reprodução gráfica e os impactos que essa trajetória gerou na
culturais, sociais e tecnológicas das sociedades. Este texto busca apresentar um panorama histórico da evolução das artes gráficas, abordando desde o surgimento da imprensa, os principais meios de reprodução gráfica e os impactos que essa trajetória gerou na cultura e na sociedade.
Das
Origens Visuais à Imprensa de Gutenberg
As
artes gráficas, entendidas como o conjunto de técnicas de representação e
reprodução visual, remontam às manifestações pictóricas pré-históricas.
Pinturas rupestres, inscrições em pedra e papiros são exemplos primitivos da
tentativa humana de registrar e disseminar informações visuais.
Contudo,
o marco mais significativo para o nascimento das artes gráficas modernas foi a
invenção da imprensa com tipos móveis por Johannes Gutenberg, em meados do
século XV. Segundo Meggs (2009), a impressão da Bíblia de Gutenberg em 1455
representa o início da era gráfica como um processo industrial. A inovação
permitiu a produção em massa de textos com padronização e rapidez inéditas até
então, contribuindo para a difusão do conhecimento e para a ampliação da
alfabetização.
A imprensa mecânica substituiu os manuscritos copiados manualmente pelos monges e transformou profundamente a estrutura de produção e circulação do saber. Livros, panfletos e cartazes passaram a ser impressos em grande escala, impactando diretamente a Reforma Protestante, o Renascimento e, posteriormente, o Iluminismo.
Evolução
dos Meios de Reprodução Gráfica
Após
a imprensa de tipos móveis, novas técnicas e meios de reprodução gráfica foram
desenvolvidos ao longo dos séculos. A litografia, inventada por Alois
Senefelder em 1796, representou um avanço significativo por permitir a
impressão de imagens com maior qualidade e riqueza de detalhes. Esse processo
foi bastante utilizado em ilustrações artísticas e cartazes publicitários no
século XIX.
Com
a Revolução Industrial, o setor gráfico passou por uma intensa mecanização. A
prensa rotativa, introduzida em meados do século XIX, aumentou drasticamente a
capacidade de impressão. Em paralelo, surgiram os primeiros processos
fotográficos, como a fotogravura e a zincografia, que facilitaram a reprodução
de imagens com precisão.
No
século XX, a offset tornou-se a técnica dominante na impressão comercial.
Conforme Souza e Queiroz (2014), a impressão offset consiste na transferência
indireta da imagem para o papel, garantindo qualidade e velocidade, sendo
amplamente empregada até os dias atuais.
A serigrafia, técnica baseada na
impressão por meio de telas, ganhou destaque nas
décadas de 1960 e 1970, tanto na indústria quanto na arte, sendo popularizada
por artistas como Andy Warhol. Paralelamente, a rotogravura e a flexografia
ocuparam espaços importantes na produção de embalagens e rótulos.
Na virada para o século XXI, a impressão digital revolucionou novamente o campo gráfico, ao permitir tiragens menores e personalização de conteúdos. Com a eliminação das etapas tradicionais de fotolito e chapa, os arquivos digitais passaram a ser enviados diretamente às impressoras de alta performance.
Do
Analógico ao Digital: Softwares Gráficos
A
revolução digital foi um dos marcos mais recentes e profundos na história das
artes gráficas. A partir da década de 1980, com o avanço da computação pessoal
e o surgimento de softwares específicos para criação gráfica, o processo passou
a ser cada vez mais digitalizado.
Softwares
como o Adobe Illustrator (lançado em 1987), CorelDRAW (1989) e Adobe
Photoshop (1990) permitiram que designers e artistas gráficos
desenvolvessem projetos complexos com mais liberdade, precisão e eficiência.
Essas ferramentas substituíram grande parte dos processos manuais de
composição, colagem, retícula e ilustração.
Com
a internet, surgiram ainda os editores online e ferramentas de uso
simplificado, como o Canva, que democratizaram o acesso ao design
gráfico, permitindo que usuários com pouca formação técnica produzissem
materiais visuais de qualidade razoável.
Segundo Lupton (2011), a transição para o digital não eliminou os fundamentos do design gráfico e das artes gráficas, mas transformou profundamente os meios de produção e distribuição, tornando a comunicação visual ainda mais presente no cotidiano das pessoas, através de telas, redes sociais e plataformas digitais.
Impactos
Culturais e Sociais das Artes Gráficas
As
artes gráficas desempenharam e continuam desempenhando um papel essencial na
construção da cultura visual e na disseminação de ideias. O acesso ampliado à
informação, promovido pela impressão em massa, foi um dos pilares da
modernidade ocidental. A comunicação gráfica tornou-se ferramenta central em
movimentos sociais, religiosos, políticos e comerciais.
Durante
o século XX, cartazes de propaganda política, campanhas de saúde pública e
publicidade de consumo moldaram a opinião pública e os hábitos sociais. Os
jornais e revistas impressos, por sua vez, definiram padrões estéticos e
influenciaram o comportamento coletivo por décadas.
No mundo
contemporâneo, o domínio das linguagens visuais tornou-se fundamental. A
alfabetização visual passou a ser tão importante quanto a textual,
especialmente em uma sociedade marcada pela saturação de imagens. As artes
gráficas, nesse cenário, não apenas acompanham as transformações sociais como
também as influenciam ativamente, ao criar narrativas visuais, símbolos e
identidades culturais.
Além disso, a popularização de ferramentas gráficas digitais provocou uma mudança no perfil do produtor gráfico. O que antes era restrito a profissionais técnicos, hoje está ao alcance de amadores, estudantes e pequenos empreendedores, contribuindo para a descentralização da produção visual.
Considerações
Finais
A história das artes gráficas é marcada por constantes transformações tecnológicas e culturais. Da prensa de Gutenberg aos softwares modernos, cada etapa contribuiu para expandir o alcance da comunicação visual e fortalecer o papel das imagens na vida social. Ao compreender essa trajetória, é possível valorizar não apenas os processos técnicos envolvidos, mas também os impactos sociais e simbólicos das artes gráficas na construção da cultura contemporânea.
Referências
Bibliográficas
LUPTON,
Ellen. Design Gráfico: Fundamentos. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
MEGGS,
Philip B. História do Design Gráfico. São Paulo: Cosac Naify, 2009.
SOUZA,
Sandro; QUEIROZ, Fábio. Artes Gráficas: Fundamentos e Aplicações. Rio de
Janeiro: Senac Nacional, 2014.
BURKE,
Peter. Uma História Social do Conhecimento. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
Elementos Visuais e Linguagem Gráfica:
Fundamentos da Comunicação Visual
Introdução
A linguagem gráfica é um sistema de comunicação visual que utiliza elementos como tipografia, cor, imagem, forma e composição para transmitir mensagens de maneira eficaz e imediata. Esses elementos são a base do design visual e das artes gráficas, permitindo que ideias, sentimentos e informações sejam comunicados sem, necessariamente, o uso de palavras. Dominar esses fundamentos é essencial para qualquer profissional que atue nas áreas de design gráfico, publicidade, editoração, comunicação digital ou produção visual. Este texto apresenta os principais elementos visuais e discute como eles se articulam na linguagem gráfica, com exemplos de aplicação e suporte teórico.
Tipografia:
a voz visual do texto
A tipografia refere-se ao uso e à organização de letras e caracteres na comunicação visual. Mais do que apenas um meio de apresentar o conteúdo textual, a
tipografia refere-se ao uso e à organização de letras e caracteres na comunicação visual. Mais do que apenas um meio de apresentar o conteúdo textual, a tipografia carrega significados simbólicos e estéticos. Conforme Lupton (2011), "a tipografia expressa a linguagem visualmente", o que significa que a escolha da fonte, o espaçamento entre letras (kerning), linhas (leading) e o alinhamento podem alterar significativamente a leitura e a interpretação da mensagem.
As
fontes tipográficas se dividem em famílias como serifadas (ex.: Times New
Roman), sem serifa (ex.: Arial), manuscritas e decorativas. Cada uma transmite
sensações específicas: serifa evoca tradição e formalidade; sem serifa remete à
modernidade e simplicidade. A tipografia também é fundamental na hierarquia da
informação, ajudando o leitor a identificar títulos, subtítulos e corpo de
texto.
Exemplo prático: em um cartaz de evento cultural, pode-se usar uma fonte serifada para o nome do evento (dando sofisticação) e uma fonte sem serifa para informações práticas, como data e local (dando clareza e objetividade).
Cor:
emoção e simbolismo
A
cor é um dos elementos mais poderosos da linguagem gráfica, pois comunica
emoções, valores e significados instantaneamente. Segundo Itten (1970), o uso
das cores afeta a percepção do público e pode tanto atrair quanto repelir a
atenção.
Cada
cor possui simbolismos culturais: vermelho pode indicar paixão ou perigo; azul,
confiança ou frieza; verde, natureza ou saúde. Além disso, cores quentes
(vermelho, laranja, amarelo) tendem a dinamizar a composição, enquanto cores
frias (azul, roxo, verde) transmitem calma e serenidade.
A
teoria das cores, que envolve aspectos como contraste, harmonia e
complementaridade, é uma ferramenta importante para construir composições
eficazes. O uso adequado da cor também se relaciona com a acessibilidade — por
exemplo, garantindo legibilidade em fundos coloridos.
Exemplo
prático: em um logotipo para uma marca de alimentos naturais,
o uso do verde pode evocar saúde e sustentabilidade, enquanto tons terrosos
sugerem autenticidade e origem artesanal.
Imagem:
representação e impacto visual
As
imagens são componentes visuais que facilitam a compreensão rápida de uma
mensagem. Podem ser fotografias, ilustrações, ícones ou gráficos. Elas
funcionam como âncoras visuais que atraem o olhar e sintetizam ideias
complexas.
De acordo com Donis A. Dondis (2007), a imagem carrega forte apelo simbólico e afetivo, sendo decisiva na
construção de significados. No design gráfico,
imagens são usadas para apoiar o texto, reforçar a identidade visual e criar
conexões emocionais com o público.
A
escolha de imagens deve considerar qualidade, contexto, coerência estilística e
direitos autorais. A manipulação de imagens, feita por softwares como
Photoshop, também faz parte da linguagem gráfica contemporânea.
Exemplo prático: em um folder de turismo, o uso de uma fotografia de alta qualidade de uma paisagem local pode convencer o público a visitar o destino mais do que um texto descritivo.
Forma:
estrutura e identidade visual
Forma
refere-se aos contornos, estruturas e silhuetas visuais utilizadas para compor
a imagem gráfica. Pode ser geométrica (círculo, quadrado, triângulo) ou
orgânica (linhas livres e formas irregulares), e atua tanto como elemento
isolado quanto como parte de uma composição maior.
As
formas ajudam a criar identidade, ritmo e equilíbrio visual. Segundo Dondis
(2007), a forma tem poder simbólico: o círculo representa continuidade, o
quadrado estabilidade, o triângulo ação e movimento.
A
repetição de formas e o uso estratégico de espaços negativos (ou vazios) também
são recursos importantes. Eles conduzem o olhar do espectador e ajudam a criar
hierarquia e organização visual.
Exemplo prático: um layout de aplicativo com botões circulares pode parecer mais amigável e acessível do que um com formas pontiagudas, que podem transmitir rigidez ou agressividade.
Composição:
organização dos elementos visuais
Composição
é o modo como os elementos visuais são organizados em um espaço, buscando
equilíbrio, harmonia e comunicação eficaz. Ela envolve o posicionamento de
textos, imagens, cores e formas, considerando fatores como alinhamento,
proporção, contraste e ritmo visual.
A
boa composição orienta a leitura visual, cria hierarquia e direciona a atenção
para os elementos mais importantes. Princípios clássicos como a regra dos
terços, o uso de grids e o espaço em branco (ou "respiro visual") são
amplamente aplicados em design gráfico e artes gráficas.
Segundo
Frascara (2000), a composição deve priorizar a clareza da mensagem e a
experiência do leitor. Um layout confuso, por mais artisticamente elaborado que
seja, tende a perder sua função comunicacional.
Exemplo prático: em uma capa de revista, a composição deve destacar o título, a imagem principal e os subtítulos, organizados de modo que o leitor identifique rapidamente os temas centrais.
Leitura Visual e Comunicação
Gráfica
A
leitura visual é o processo cognitivo pelo qual o ser humano interpreta e
compreende os estímulos visuais. A comunicação gráfica depende da combinação
eficaz dos elementos visuais para produzir significados compreensíveis e
coerentes.
Em
uma sociedade saturada de imagens, saber “ler” e “escrever” visualmente é uma
competência essencial. A leitura visual ocorre em segundos, antes mesmo que o
conteúdo textual seja processado. Isso reforça a importância de escolhas
conscientes na construção gráfica.
Segundo Kress e van Leeuwen (1996), a gramática visual funciona como uma linguagem com sintaxe, regras e estruturas, e os elementos gráficos são seus signos. A construção da mensagem visual deve considerar contexto, público-alvo, função comunicativa e suporte de veiculação.
Considerações
Finais
A
linguagem gráfica é composta por elementos visuais que, quando bem combinados,
têm o poder de informar, persuadir e emocionar. Tipografia, cor, imagem, forma
e composição não são apenas escolhas estéticas, mas decisões estratégicas de
comunicação. A leitura visual, por sua vez, revela a complexidade do olhar
contemporâneo e a necessidade de letramento visual.
Entender e aplicar esses fundamentos é essencial para criar projetos gráficos eficazes em qualquer meio — do impresso ao digital — contribuindo para uma comunicação mais clara, acessível e expressiva.
Referências
Bibliográficas
DONDIS,
Donis A. A sintaxe da linguagem visual. São Paulo: Martins Fontes, 2007.
FRASCARA,
Jorge. Comunicação visual: da teoria à prática. São Paulo: Edgard
Blücher, 2000.
ITTEN,
Johannes. A Arte da Cor. São Paulo: Martins Fontes, 1970.
KRESS,
Gunther; VAN LEEUWEN, Theo. Reading Images: The Grammar of Visual Design.
London: Routledge, 1996.
LUPTON, Ellen. Pensar com Tipos: Um Guia para Designers, Escritores, Editores e Estudantes. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
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