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Português Básico

 PORTUGUÊS BÁSICO

 

Gramática Essencial e Construção de Frases

Classes Gramaticais

 

Introdução

As classes gramaticais, também chamadas de classes de palavras ou categorias morfológicas, são agrupamentos que classificam as palavras de uma língua conforme suas características morfológicas (forma) e sintáticas (função na frase). Dominar essas classes é essencial para compreender e produzir textos com correção e clareza. A gramática tradicional da língua portuguesa reconhece dez classes gramaticais, sendo cinco variáveis e cinco invariáveis. Neste texto, abordaremos de forma introdutória as mais fundamentais: substantivos, adjetivos, artigos, pronomes, verbos, preposições e conjunções.

1. Substantivos e Adjetivos

Substantivo

O substantivo é a palavra que dá nome a seres, objetos, sentimentos, lugares, qualidades, ideias ou fenômenos da natureza. Ele pode ser comum ou próprio, concreto ou abstrato, simples ou composto.

Exemplos:

  • Comuns: casa, gente, livro
  • Próprios: Maria, Brasil, Amazônia
  • Concretos: pedra, cachorro
  • Abstratos: amor, alegria, medo

Os substantivos variam em gênero (masculino/feminino), número (singular/plural) e grau (diminutivo/aumentativo).

Adjetivo

O adjetivo é a palavra que acompanha o substantivo, caracterizando-o ou qualificando-o. Ele atribui qualidade, estado, condição ou origem ao ser nomeado.

Exemplos:

  • menino esperto, casa grande, roupa vermelha, voz suave

Os adjetivos também variam em gênero, número e grau. Podem ser simples (uma só palavra) ou compostos (duas ou mais), e podem ser usados para intensificar ou comparar qualidades.

2. Artigos, Pronomes e Verbos

Artigo

O artigo é a palavra que antecede o substantivo para determiná-lo ou indeterminá-lo. Existem dois tipos de artigos:

  • Definidos: o, a, os, as – indicam algo conhecido ou específico (ex: a escola, os livros)
  • Indefinidos: um, uma, uns, umas – indicam algo não específico (ex: uma ideia, uns amigos)

O uso correto dos artigos contribui para a clareza na comunicação e para a coesão textual.

Pronome

Os pronomes substituem ou acompanham o substantivo, evitando repetições e permitindo melhor fluência textual. Eles são classificados conforme a função que desempenham:

  • Pessoais: eu, tu, ele, nós, vós, eles (sujeito); me, te, se, nos, vos (objeto)
  • Possessivos: meu, tua, nossa, seus – indicam posse
  • Demonstrativos: este, esse, aquele –
  • situam algo no espaço ou no tempo
  • Indefinidos: alguém, ninguém, tudo, qualquer – referem-se a um ser de forma vaga
  • Relativos: que, quem, cujo – ligam orações e retomam um termo anterior
  • Interrogativos: que, qual, quanto – utilizados em perguntas

Exemplo: Ela comprou seu vestido naquela loja. (Ela = pronome pessoal; seu = pronome possessivo)

Verbo

O verbo é a palavra que expressa ação, estado, mudança ou fenômeno da natureza. É uma das classes mais complexas da língua, pois apresenta grande variedade de tempos verbais, modos, pessoas, números e formas nominais (infinitivo, gerúndio, particípio).

Exemplos:

  • Ação: correr, estudar, falar
  • Estado: ser, estar, permanecer
  • Fenômeno: chover, nevar, ventar

O verbo é o núcleo do predicado e sua correta conjugação é essencial para a coesão e coerência textual.

Exemplos de conjugação:

  • Presente: eu falo
  • Pretérito: ele falou
  • Futuro: nós falaremos

3. Preposições e Conjunções

Preposição

A preposição é uma palavra invariável que liga dois termos da oração, estabelecendo entre eles uma relação de sentido. Ela não tem significado pleno isoladamente, mas adquire sentido no contexto.

Preposições mais comuns: de, em, com, por, para, a, entre, até, sem, sobre

Exemplos:

  • Gosto de música
  • Fui com minha irmã
  • Está em casa

As preposições indicam relações de tempo, lugar, modo, causa, finalidade, entre outras.

Conjunção

A conjunção também é invariável e tem a função de conectar orações ou termos semelhantes de uma mesma oração. Elas se dividem em dois grupos principais:

  • Coordenativas – ligam orações independentes: e, mas, ou, portanto, porém
  • Subordinativas – ligam orações dependentes: porque, embora, que, como, quando

Exemplos:

  • Estudei, mas não fui bem na prova
  • Ele disse que viria cedo
  • Embora cansado, continuou trabalhando

As conjunções são fundamentais para dar fluidez, lógica e coesão às frases e aos parágrafos.

Considerações Finais

As classes gramaticais estruturam a linguagem e permitem que os falantes organizem seus pensamentos de forma precisa. Compreender o funcionamento dos substantivos, adjetivos, artigos, pronomes, verbos, preposições e conjunções é um passo essencial para desenvolver habilidades linguísticas como leitura, interpretação e escrita. Esse conhecimento não apenas melhora a comunicação em contextos formais e informais, mas também amplia a capacidade crítica e reflexiva do usuário da língua portuguesa.

Referências Bibliográficas

  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2003.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • FARACO, Carlos Alberto. Gramática de uso do português. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
  • ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.


Concordância e Formação de Frases na Língua Portuguesa

 

Introdução

A clareza e a correção da comunicação escrita e oral dependem, em grande medida, do uso adequado da gramática. Dentre os aspectos mais fundamentais da construção linguística estão a formação correta das frases, a concordância verbal e nominal, e o domínio da estrutura sujeito-predicado nas orações. Estes elementos formam a base da expressão linguística e permitem que o falante se comunique de maneira eficaz, coerente e coesa. Este texto apresenta os conceitos básicos desses tópicos, indispensáveis a qualquer estudante da língua portuguesa.

1. Concordância Verbal e Nominal Básica

Concordância Verbal

A concordância verbal é a regra gramatical que determina a relação entre o verbo e o sujeito da oração. O verbo deve concordar com o sujeito em número (singular ou plural) e pessoa (1ª, 2ª ou 3ª).

Exemplos:

  • Eu estudo todos os dias. (1ª pessoa do singular)
  • Eles viajam com frequência. (3ª pessoa do plural)
  • Maria e João trabalham juntos. (sujeito composto – verbo no plural)

Casos especiais:

  • Sujeito com núcleo no plural: verbo no plural.
    Ex: As crianças brincam no pátio.
  • Sujeito com núcleos ligados por “ou”:
    • Se houver exclusão: verbo no singular. Ex: Pedro ou Ana virá.
    • Se houver inclusão: verbo no plural. Ex: Pedro ou Ana e João virão.

Concordância Nominal

A concordância nominal é a relação de acordo entre os nomes da frase: o adjetivo, o artigo, o pronome ou o numeral deve concordar com o substantivo ao qual se refere, em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural).

Exemplos:

  • A menina bonita. (“menina” é substantivo; “a” e “bonita” concordam com ele)
  • Os livros interessantes. (adjetivo e artigo no plural masculino)

Casos especiais:

  • Quando o adjetivo se refere a dois ou mais substantivos, a concordância pode ser:
    • No plural: Homens e mulheres
    • inteligentes.
    • Com o mais próximo (caso facultativo): Mulher e homem inteligente.

 2. Estrutura da Oração Simples

A oração é uma unidade de sentido que se organiza em torno de um verbo ou locução verbal. A oração simples é aquela que possui apenas um verbo ou locução verbal, ou seja, expressa uma única ação ou estado.

Exemplo:

  • O aluno chegou cedo.
    (Oração simples, com um único verbo: “chegou”)

A estrutura básica da oração simples envolve os seguintes elementos:

  • Sujeito: quem pratica ou sofre a ação (ou de quem se fala)
  • Predicado: o que se diz do sujeito; contém o verbo
  • Complementos e adjuntos: informações adicionais que enriquecem a oração

Estrutura comum:

Sujeito + Verbo + Complemento + Adjuntos

  • Ex: A professora explicou a lição com clareza.

A análise da oração simples é fundamental para a construção de frases corretas e coerentes, servindo de base para estruturas mais complexas nas orações compostas.

3. Sujeito e Predicado

Sujeito

O sujeito é o termo da oração com o qual o verbo concorda. Ele pode ser expresso ou oculto, simples ou composto.

Tipos de sujeito:

  • Simples: possui um único núcleo.
    Ex: O carro parou.
  • Composto: possui mais de um núcleo.
    Ex: João e Maria chegaram cedo.
  • Oculto (elíptico): não está explicitamente expresso, mas é identificado pelo contexto.
    Ex: Fui ao mercado. (sujeito: “eu”)
  • Indeterminado: quando não se sabe ou não se quer indicar o agente da ação.
    Ex: Vive-se bem aqui.
  • Inexistente (oração sem sujeito): ocorre com verbos impessoais, como os que indicam fenômenos naturais.
    Ex: Choveu muito ontem.

Predicado

O predicado é tudo aquilo que se diz sobre o sujeito. Ele contém o verbo, que é seu núcleo, e os termos que completam ou modificam o sentido do verbo.

Tipos de predicado:

  • Verbal: núcleo é um verbo de ação.
    Ex: Os meninos jogaram futebol.
  • Nominal: núcleo é um nome (geralmente um adjetivo), com verbo de ligação.
    Ex: A menina está feliz.
  • Verbo-nominal: contém ação e estado simultaneamente.
    Ex: O estudante chegou cansado.

O conhecimento da estrutura sujeito–predicado facilita a construção de frases com clareza, respeitando a lógica interna da oração e contribuindo para a fluência textual.

Considerações Finais

A compreensão da concordância verbal e nominal, da formação da oração simples, bem como da estrutura de sujeito e predicado, é essencial para o uso correto da

língua portuguesa. Esses conhecimentos são a base para a organização de pensamentos em frases bem estruturadas, respeitando a norma-padrão da língua. Além disso, contribuem para o domínio da leitura, da escrita e da comunicação formal, habilidades indispensáveis no ambiente escolar, acadêmico e profissional.

Referências Bibliográficas

  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2003.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • FARACO, Carlos Alberto. Gramática de uso do português. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
  • ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.

 

Pontuação e Frases do Cotidiano na Língua Portuguesa

 

Introdução

A pontuação é um conjunto de sinais gráficos que contribuem para a organização, clareza e expressividade do texto. Usar corretamente a pontuação permite que o leitor compreenda as intenções do emissor, os limites das frases, os tons da fala e os sentidos implícitos de uma mensagem. Entre os sinais mais utilizados no português estão o ponto final, a vírgula, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação. Estes sinais são essenciais na construção de frases do cotidiano, que permeiam as interações orais e escritas mais comuns.

1. Uso de Ponto Final, Vírgula, Ponto de Interrogação e Exclamação

Ponto final (.)

O ponto final é utilizado para indicar o término de uma frase declarativa. Ele marca o fim de um pensamento ou de uma afirmação, permitindo a organização e segmentação do texto.

Exemplos:

  • Cheguei cedo à escola.
  • O sol está forte hoje.
  • Precisamos conversar.

O uso do ponto final é obrigatório em textos formais e essenciais para a estruturação de parágrafos bem construídos.

Vírgula (,)

A vírgula é um dos sinais mais versáteis da pontuação. Seu uso tem como finalidade marcar pausas e indicar separações sintáticas dentro da frase. No entanto, ela não deve ser usada para separar o sujeito do verbo, o que caracteriza um erro comum.

Principais usos:

  • Separar elementos de uma lista:
    Comprei frutas, legumes, verduras e cereais.
  • Isolar vocativos:
    João, venha aqui, por favor.
  • Isolar expressões explicativas ou deslocadas:
    Pedro, claro, aceitou o convite.
  • Antes de conjunções adversativas:
  • Queria sair, mas estava chovendo.

Uso incorreto:

  • A menina, correu para casa. (Erro: não se separa sujeito de verbo)

A vírgula deve ser usada com critério e consciência, pois sua má aplicação pode alterar o sentido do texto ou causar ambiguidade.

Ponto de interrogação (?)

O ponto de interrogação indica que a frase é uma pergunta direta. Ele substitui o ponto final quando há dúvida, questionamento ou pedido de informação.

Exemplos:

  • Onde você mora?
  • Está tudo bem com você?
  • Por que não respondeu minha mensagem?

Importante: não se usa ponto de interrogação em perguntas indiretas.

Exemplo:

  • Quero saber se ele vem. (sem interrogação)

Ponto de exclamação (!)

O ponto de exclamação expressa surpresa, admiração, alegria, dor, ordem ou emoção intensa. Ele também pode ser usado em interjeições e frases exclamativas.

Exemplos:

  • Que maravilha!
  • Cuidado!
  • Parabéns pela conquista!

Embora útil, seu uso deve ser moderado em textos formais, sendo mais comum em conversas informais e comunicações interpessoais.

2. Frases Comuns em Situações do Dia a Dia

No cotidiano, utilizamos uma grande variedade de frases simples para cumprimentos, pedidos, agradecimentos, perguntas e respostas. Dominar essas expressões é fundamental para uma comunicação eficiente, especialmente para quem está em fase de alfabetização ou aprendizado do português como segunda língua.

Cumprimentos e despedidas:

  • Bom dia! / Boa tarde! / Boa noite!
  • Olá, tudo bem?
  • Como vai você?
  • Tchau! / Até logo! / Nos vemos em breve!

Pedidos e gentilezas:

  • Por favor, pode me ajudar?
  • Você poderia repetir, por gentileza?
  • Com licença, onde fica o banheiro?
  • Pode me informar as horas?

Agradecimentos e respostas:

  • Muito obrigado(a)!
  • De nada.
  • Não há de quê.
  • Foi um prazer ajudá-lo(a).

Frases úteis em serviços e estabelecimentos:

  • Quanto custa?
  • Aceita cartão?
  • Quero um cafezinho, por favor.
  • Onde é a fila do caixa?

Expressões comuns:

  • Estou com fome.
  • Está frio hoje!
  • Que bom te ver!
  • Não entendi, pode explicar?

Essas frases utilizam estruturas simples, com verbo conjugado, sujeito claro ou implícito, e pontuação direta, o que as torna ideais para o ensino inicial de leitura e escrita.

Considerações Finais

O domínio da pontuação básica e a prática com frases do cotidiano são passos essenciais no desenvolvimento da competência linguística. Saber quando e como usar o ponto final, a vírgula, o ponto

desenvolvimento da competência linguística. Saber quando e como usar o ponto final, a vírgula, o ponto de interrogação e o ponto de exclamação permite estruturar textos e diálogos com clareza e coesão. Ao mesmo tempo, conhecer e utilizar frases comuns do dia a dia melhora a fluência na comunicação e facilita a inserção do falante em contextos sociais e profissionais. O aprendizado da língua começa com a compreensão de seus elementos mais simples, que sustentam a construção de sentidos mais complexos ao longo da formação.

Referências Bibliográficas

  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2003.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.
  • AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2009.


Evitando Ambiguidade na Comunicação em Língua Portuguesa

 

Introdução

A ambiguidade é um fenômeno linguístico que ocorre quando uma palavra, expressão ou frase permite mais de uma interpretação. Em muitos casos, a ambiguidade compromete a clareza da mensagem, gera confusão e dificulta a comunicação efetiva. Embora a ambiguidade possa ser usada intencionalmente como recurso estilístico em literatura ou publicidade, em textos informativos, administrativos, acadêmicos e na linguagem do dia a dia, ela deve ser evitada. O domínio da norma-padrão da língua portuguesa e a atenção aos elementos sintáticos e semânticos são fundamentais para que o emissor transmita exatamente o que pretende.

1. O que é ambiguidade?

A ambiguidade ocorre quando uma sentença pode ser interpretada de duas ou mais formas diferentes, sem que o contexto resolva essa multiplicidade de sentidos. Ela pode surgir tanto na estrutura da frase (ambiguidade sintática) quanto no sentido das palavras (ambiguidade semântica).

Exemplos:

  • "Vi o homem com binóculos."
    Ambiguidade sintática: Quem está com os binóculos? Eu ou o homem?
  • "A manga estava madura."
    Ambiguidade semântica: Refere-se à fruta ou à parte da camisa?

Esses exemplos mostram como a ambiguidade pode gerar interpretações conflitantes, prejudicando a intenção comunicativa do falante ou escritor.

2. Tipos de ambiguidade

a) Ambiguidade lexical (semântica)

Surge quando uma palavra tem mais de um significado, e o contexto não deixa claro a qual sentido ela se refere.

Exemplo:

  • "O banco estava cheio."
    Pode significar que havia muitas pessoas sentadas ou que a instituição financeira estava lotada.

b) Ambiguidade estrutural (sintática)

Acontece quando a ordem ou a construção dos termos na frase permite diferentes interpretações, mesmo que as palavras tenham sentido único.

Exemplo:

  • "João falou com seu amigo chorando."
    Quem estava chorando: João ou o amigo?

c) Ambiguidade referencial

Surge quando o uso de pronomes ou expressões não deixa claro a qual termo anterior estão se referindo.

Exemplo:

  • "Carlos contou a Pedro que ele estava errado."
    Quem estava errado: Carlos ou Pedro?

3. Estratégias para evitar ambiguidade

A produção textual clara e objetiva requer atenção aos detalhes estruturais da língua. Algumas estratégias ajudam a evitar ambiguidade e garantir a eficácia da comunicação.

a) Reescrever frases ambíguas

Reformular a frase para deixá-la mais clara é uma das estratégias mais eficazes.

Exemplo:

  • Ambíguo: "Maria encontrou a irmã da professora chorando."
  • Reescrito: "Chorando, Maria encontrou a irmã da professora." (Maria chorava)
  • Reescrito: "Maria encontrou, chorando, a irmã da professora." (a irmã chorava)

b) Especificar o referente de pronomes

Evitar o uso excessivo de pronomes indefinidos ou mal posicionados, especialmente em textos informativos.

Exemplo:

  • Ambíguo: "Eles disseram que iriam demitir os funcionários."
  • Reescrito: "Os diretores disseram que iriam demitir os funcionários."

c) Usar pontuação corretamente

A pontuação contribui para delimitar estruturas e esclarecer sentidos.

Exemplo:

  • Ambíguo: "Vamos jantar crianças."
  • Reescrito com pontuação: "Vamos jantar, crianças."

d) Posicionar os termos corretamente

A ordem dos termos deve ser planejada para evitar que o leitor se confunda quanto ao que se refere a quê.

Exemplo:

  • Ambíguo: "Ela entregou o presente à mãe do amigo embrulhado."
  • Reescrito: "Ela entregou o presente embrulhado à mãe do amigo."

e) Escolher vocabulário preciso

Evitar termos de duplo sentido ou expressões coloquiais em contextos formais.

Exemplo:

  • Ambíguo: "Ela não gostou do cheiro do jogo."
    (Cheiro literal? Atmosfera? Pode causar confusão.)

4. Ambiguidade na oralidade e na escrita

Na linguagem oral, a entonação, a pausa e os gestos

ajudam a esclarecer o sentido de frases ambíguas. Já na linguagem escrita, esses recursos não estão disponíveis, o que exige mais cuidado na formulação das sentenças.

Por isso, em contextos como redações escolares, textos jornalísticos, e-mails profissionais, relatórios técnicos e normas jurídicas, é imprescindível evitar construções que possam induzir o leitor a interpretações incorretas.

A ambiguidade é especialmente problemática em provas, manuais de instrução, contratos e leis, onde qualquer dupla interpretação pode comprometer a validade do texto.

Considerações Finais

Evitar a ambiguidade é um dos principais desafios da comunicação eficaz. Para isso, é necessário o domínio da língua, o uso consciente das estruturas gramaticais e a revisão atenta dos textos produzidos. A linguagem clara, objetiva e coerente é uma habilidade essencial em todas as esferas sociais e profissionais. Em textos informativos, acadêmicos e administrativos, especialmente, a ambiguidade deve ser combatida em favor da transparência e da precisão da informação.

Referências Bibliográficas

  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2003.
  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2017.
  • FÁVERO, Leonor Lopes. Redação e textualidade. São Paulo: Ática, 2000.
  • CEREJA, William Roberto; MAGALHÃES, Thereza Cochar. Gramática: texto, reflexão e uso. São Paulo: Atual, 2012.

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