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Português Básico

 PORTUGUÊS BÁSICO

 

Fundamentos da Língua Portuguesa

O que é a Língua Portuguesa?

 

Introdução

A língua portuguesa é o idioma oficial de mais de 260 milhões de pessoas ao redor do mundo. Presente em diversos continentes e carregada de influências históricas e culturais, ela é um instrumento fundamental de identidade, comunicação e desenvolvimento. Para compreendê-la em sua totalidade, é essencial entender sua origem, seu processo evolutivo ao longo dos séculos e o papel que desempenha atualmente tanto no Brasil quanto no cenário global.

1. Origem da Língua Portuguesa

A origem da língua portuguesa está intimamente ligada ao latim vulgar, a forma popular da língua falada pelos soldados, colonos e comerciantes do Império Romano. Com a expansão do império na Península Ibérica, por volta do século III a.C., o latim começou a se misturar com os idiomas locais, principalmente as línguas celtas e ibéricas.

Com a queda do Império Romano no século V d.C. e a subsequente ocupação da Península pelos povos germânicos, notadamente os visigodos, o latim falado começou a sofrer variações regionais cada vez mais acentuadas. No noroeste da península, na região conhecida como Galécia (que abrange parte do que é hoje o norte de Portugal e a Galícia, na Espanha), essa evolução resultou no surgimento do galego-português, língua que serviu de base para o português moderno.

A partir do século XII, com a formação do Condado Portucalense e, posteriormente, a independência de Portugal em 1143, o galego-português passou a ser utilizado como idioma oficial da nova nação, sendo progressivamente influenciado por elementos do árabe, do francês e, posteriormente, do italiano e do inglês, especialmente durante os períodos de expansão marítima e de contato com outras culturas.

2. A Evolução da Língua Portuguesa

A história da língua portuguesa pode ser dividida em três grandes fases:

a) Português Arcaico (séculos XII a XIV)

Esse período é marcado pelos primeiros documentos escritos em português, como o Testamento de D. Afonso II (1214). A língua ainda era fortemente influenciada pelo latim e pelo galego, com uma ortografia irregular e em processo de fixação gramatical.

b) Português Médio (séculos XV a XVI)

Com os descobrimentos e a expansão marítima portuguesa, o idioma passou por uma padronização e enriqueceu-se com palavras provenientes de várias culturas, como o árabe, o bantu (da África), o tupi (do Brasil) e o

malaio. Essa época também viu a publicação da primeira gramática da língua portuguesa, por Fernão de Oliveira (1536).

c) Português Moderno (século XVII em diante)

Caracteriza-se pela consolidação das regras gramaticais, ortográficas e fonológicas. A literatura passou a desempenhar um papel fundamental na normatização do idioma, com autores como Camões e, mais tarde, no Brasil, Machado de Assis.

No século XX, destacam-se os esforços de unificação ortográfica entre os países lusófonos, culminando no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa (1990), implementado em diversos países a partir de 2009.

3. A Importância do Português no Brasil

No Brasil, o português é falado por praticamente toda a população, o que o torna um dos países mais homogêneos linguisticamente no mundo. Introduzido pelos colonizadores a partir de 1500, o português do Brasil rapidamente passou a dominar sobre as línguas indígenas locais, em parte por meio das missões jesuíticas, que impuseram o idioma como língua da catequese e da administração.

Com o tempo, o português brasileiro passou a se diferenciar significativamente do europeu, tanto na pronúncia quanto no vocabulário e na sintaxe. Essa diferenciação é natural em línguas vivas submetidas a realidades socioculturais distintas, mas isso não impede a intercompreensão entre os falantes das diferentes variantes.

Além de sua função comunicativa, a língua portuguesa no Brasil é um instrumento de inclusão social, acesso à educação, cultura e participação cidadã. Ela também é uma ferramenta essencial no mercado de trabalho e na produção científica e tecnológica.

4. A Língua Portuguesa no Mundo

Além de Portugal e Brasil, o português é língua oficial em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, como língua de herança, em comunidades da Ásia e da Europa. O idioma tem também presença significativa em países como a Suíça, os Estados Unidos e o Japão, onde há grandes comunidades de emigrantes lusófonos.

É uma das línguas oficiais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), criada em 1996, e tem status de língua de trabalho em organizações internacionais como a União Europeia, o Mercosul e a União Africana. O português é atualmente a quinta língua mais falada do mundo em número de falantes nativos e a terceira mais usada no hemisfério ocidental, depois do espanhol e do inglês.

Essa presença global dá à língua portuguesa um papel geopolítico relevante, aproximando continentes e culturas,

fomentando relações comerciais, diplomáticas e culturais.

Considerações Finais

A língua portuguesa é resultado de séculos de transformações, contatos culturais e adaptações às diversas realidades dos povos que a utilizam. Sua origem no latim vulgar, sua evolução histórica e sua projeção mundial tornam-na uma das línguas mais ricas e plurais do planeta. No Brasil, ela não é apenas um instrumento de comunicação, mas também de identidade e cidadania. Entender sua trajetória é essencial para valorizar não só o idioma em si, mas também os povos que o constroem e transformam continuamente.

Referências Bibliográficas

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • FARACO, Carlos Alberto. Linguística Histórica: Uma introdução ao estudo da mudança linguística. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. O Português Arcaico: fonologia, morfologia, sintaxe. São Paulo: Ática, 1996.
  • TAVARES, Incanato. História da Língua Portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
  • UNESCO. Atlas mundial das línguas. Paris: UNESCO Publishing, 2021.


Variações Linguísticas: Regionais e Sociais

 

Introdução

A língua é um fenômeno vivo, dinâmico e em constante transformação. Ela reflete não apenas o sistema gramatical aprendido na escola, mas também as experiências culturais, sociais, geográficas e históricas de seus falantes. Nesse contexto, as variações linguísticas são manifestações legítimas da diversidade linguística que existe dentro de uma mesma língua. O português, falado por milhões de pessoas em diferentes regiões e contextos sociais, apresenta uma ampla gama de variações que precisam ser compreendidas e valorizadas como parte da riqueza cultural de uma comunidade linguística.

1. O que são variações linguísticas?

Variação linguística é o termo utilizado para designar as diferentes formas de uso de uma mesma língua por seus falantes. Essas variações ocorrem de forma natural, pois a linguagem não é homogênea nem estática. Ao contrário do que se imagina, não existe apenas uma maneira “correta” de falar português; existem, sim, normas linguísticas diferentes que variam conforme a região, o grupo social, a idade, a profissão, a situação de uso e até o gênero do falante.

A variedade considerada “padrão” ou “culta” é apenas uma das formas possíveis de expressão,

geralmente associada a contextos formais, escolares e institucionais. Entretanto, as demais variantes — frequentemente chamadas de populares, regionais ou informais — também possuem regras próprias e coerência interna, sendo legítimas e funcionais em suas respectivas comunidades.

2. Variação regional (ou diatópica)

A variação regional, também conhecida como diatópica, refere-se às diferenças linguísticas observadas entre os falantes de diferentes áreas geográficas. No Brasil, um país de dimensões continentais, esse tipo de variação é particularmente notável. Ela se manifesta tanto no vocabulário quanto na pronúncia e na gramática.

Exemplos:

  • Em Minas Gerais, é comum o uso de "trem" como palavra genérica para qualquer coisa ("Esse trem aqui não funciona").
  • No Rio Grande do Sul, a expressão "bah" é uma interjeição usada para expressar surpresa ou indignação.
  • Em Pernambuco, usa-se "mangar" com o sentido de "zombar" ("Ele vive mangando de mim").

Além do léxico, a pronúncia varia: o "r" final pode soar mais fraco em algumas regiões e mais forte em outras, o "s" pode ser chiado (como no Rio de Janeiro) ou seco (como em São Paulo), e há também diferenças na entonação e ritmo da fala.

Essas variações não significam erros, mas sim marcas de identidade regional, valorizadas na literatura, na música e nas expressões culturais locais.

3. Variação social (ou diastrática)

A variação social — ou diastrática — está relacionada às diferenças no uso da língua conforme os grupos sociais aos quais os falantes pertencem. Aspectos como escolaridade, classe social, idade, profissão, gênero e origem étnica influenciam diretamente a forma como a linguagem é utilizada.

Falantes com maior escolarização tendem a empregar a variedade padrão em contextos formais, enquanto aqueles com menor acesso à educação formal frequentemente utilizam formas mais próximas da linguagem popular. Isso não significa que a fala popular seja "errada", mas sim que segue regras diferentes das normas prescritivas ensinadas nas escolas.

Exemplos de variação social:

  • Uso de "a gente vai" no lugar de "nós vamos", comum em diversas camadas sociais.
  • O apagamento de consoantes finais como em “os menino”, que é regra em muitas variedades populares.
  • Expressões como "tipo assim", "mano", "véi", que são associadas a grupos urbanos jovens.

As variações sociais revelam muito sobre a identidade do falante e seu posicionamento em diferentes

grupos. Além disso, o modo como essas variantes são percebidas socialmente pode gerar preconceito linguístico, que deve ser combatido por meio da educação linguística crítica e inclusiva.

4. Outras formas de variação: situacional e histórica

Além das variações regionais e sociais, é importante mencionar outros dois tipos relevantes:

a) Variação situacional (ou diafásica)

Refere-se à adaptação da linguagem conforme a situação comunicativa. Um mesmo falante pode usar diferentes registros linguísticos dependendo do contexto: ao conversar com amigos, a linguagem tende a ser informal; em uma entrevista de emprego, usa-se um vocabulário mais formal e estruturado.

b) Variação histórica (ou diacrônica)

A língua muda com o tempo. Palavras caem em desuso, ganham novos sentidos ou formas. Por exemplo, o uso de “vossa mercê” evoluiu para “vosmecê”, depois “ocê” e, atualmente, “você”. Essa variação temporal mostra que a língua acompanha as transformações da sociedade.

5. A importância de compreender e valorizar as variações

Compreender as variações linguísticas é fundamental para promover o respeito à diversidade e combater o preconceito linguístico. A escola e os meios de comunicação têm papel essencial na valorização de todas as formas de expressão legítimas da língua, sem desprezar a norma-padrão, mas também sem desmerecer os modos de falar dos diferentes grupos sociais e regionais.

A sociolinguística, área da linguística que estuda a relação entre linguagem e sociedade, é responsável por mostrar que não existe uma forma superior de falar, mas sim diferentes formas, todas dotadas de lógica, funcionalidade e valor cultural.

Considerações finais

As variações linguísticas são manifestações legítimas e essenciais da vida social. Elas expressam a pluralidade de experiências, histórias e culturas presentes em uma sociedade. Ao reconhecer e respeitar essa diversidade, promove-se uma visão mais democrática, inclusiva e consciente da língua portuguesa. Para educadores, estudantes e falantes em geral, esse entendimento contribui para uma comunicação mais sensível, ética e livre de estigmas linguísticos.

Referências Bibliográficas

  • BAGNO, Marcos. Preconceito linguístico: o que é, como se faz. São Paulo: Loyola, 1999.
  • FARACO, Carlos Alberto. Linguística: uma introdução. São Paulo: Ática, 2009.
  • BORTONI-RICARDO, Stella Maris. Sociolinguística: variação e ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2004.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para
  • entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • LABOV, William. Sociolinguistic Patterns. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.
  • PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática: ensaios sobre a linguagem. São Paulo: Ática, 2004.

 

Alfabeto e Ortografia Básica na Língua Portuguesa

 

Introdução

A base de qualquer língua escrita está em seu alfabeto e nas regras ortográficas que organizam os sons da fala na forma de letras. No caso do português, o sistema alfabético é essencial para a construção da leitura, da escrita e da comunicação eficaz. Neste texto, abordaremos os fundamentos do alfabeto português, a classificação das letras em vogais e consoantes e algumas regras básicas da ortografia oficial, com foco em dígrafos e sons comuns. O conhecimento desses elementos é o primeiro passo para a proficiência na leitura e na produção textual.

1. O Alfabeto Português: Letras e Sons

O alfabeto da língua portuguesa é formado por 26 letras, assim como o alfabeto latino moderno. Até a reforma ortográfica de 2009, o português utilizava oficialmente apenas 23 letras, sendo posteriormente reintegradas as letras K, W e Y para uso em palavras estrangeiras, símbolos, unidades de medida e nomes próprios.

O alfabeto completo:

A, B, C, D, E, F, G, H, I, J, K, L, M, N, O, P, Q, R, S, T, U, V, W, X, Y, Z

Cada letra do alfabeto representa um ou mais fonemas (sons da fala). O português possui mais fonemas do que letras, o que significa que uma mesma letra pode representar sons diferentes, dependendo da posição na palavra ou de regras contextuais (como o "X", que pode ter som de /ch/, /z/, /s/, ou /ks/).

Além disso, é importante notar que a grafia de uma palavra pode não refletir exatamente sua pronúncia, o que torna essencial a aprendizagem formal da ortografia para o domínio da escrita correta.

2. Vogais e Consoantes

As letras do alfabeto podem ser divididas em vogais e consoantes, de acordo com o modo como são articuladas na fala.

Vogais

As vogais são os sons emitidos com a passagem livre do ar pela boca, sem obstruções. São cinco letras que representam as vogais orais e nasais da língua portuguesa:

A, E, I, O, U

As vogais podem ser classificadas por:

  • Abertura da boca (abertas, médias, fechadas)
  • Oralidade ou nasalidade (como em “mãe”, “pão”)
  • Tonicidade (tônica ou átona)

Consoantes

As consoantes são produzidas com algum tipo de obstrução no trato vocal, como o fechamento parcial da boca ou o uso da língua e dos lábios. O

português possui 21 consoantes representadas pelas seguintes letras:

B, C, D, F, G, H, J, K, L, M, N, P, Q, R, S, T, V, W, X, Y, Z

Algumas letras representam mais de um som, dependendo da vogal que as acompanha. Por exemplo:

  • A letra G tem som de /g/ em “gato” e som de /ʒ/ (como em “j”) em “gente”.
  • A letra C tem som de /k/ em “casa” e som de /s/ em “certo”.

3. Ortografia Oficial e Uso de Dígrafos

A ortografia é o conjunto de regras que define a forma correta de escrever as palavras de uma língua. No Brasil, seguimos as normas estabelecidas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, que visa unificar a escrita entre os países lusófonos.

A ortografia busca representar os sons da língua de maneira padronizada, mas, como a língua falada muda com o tempo, nem sempre há correspondência exata entre grafia e pronúncia. É por isso que regras precisam ser aprendidas formalmente, especialmente no caso dos dígrafos e grafias irregulares.

Dígrafos

Dígrafos são grupos de duas letras que representam um único som. São muito comuns na língua portuguesa e podem ser classificados em consonantais e vocálicos.

Dígrafos consonantais:

  • CH – como em "chuva" (som de /ʃ/)
  • LH – como em "filho" (som de /ʎ/)
  • NH – como em "ninho" (som de /ɲ/)
  • RR – como em "carro" (som forte de /ʁ/)
  • SS – como em "passo" (som de /s/)
  • SC, , XC – em palavras como “descer”, “nascer”, “exceto”

Dígrafos vocálicos:

  • Ocorrem com M ou N após vogais e indicam nasalização:
    • AM, EM, IM, OM, UM (como em “também”)
    • AN, EN, IN, ON, UN (como em “ponto”, “antena”)

Outras regras ortográficas básicas:

  • Uso do H inicial em palavras como "homem", "honesto" (não representa som, é histórico).
  • Uso de letras mudas: em palavras como “psicologia” (o P não é pronunciado).
  • Letras K, W e Y são utilizadas em siglas, nomes próprios estrangeiros e unidades internacionais, como “kilograma” ou “William”.

Considerações Finais

O domínio do alfabeto e das regras ortográficas é essencial para a alfabetização e o desenvolvimento da competência linguística. O alfabeto português, com seus sons e letras variados, exige atenção às normas oficiais da ortografia, mas também revela a riqueza e a complexidade da língua. Compreender os princípios que regem vogais, consoantes e dígrafos é um passo decisivo para ler e escrever corretamente em português.

Referências Bibliográficas

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova
  • Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2003.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • FARACO, Carlos Alberto. Gramática de uso do português. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
  • MATTOS E SILVA, Rosa Virgínia. O português arcaico: fonologia, morfologia, sintaxe. São Paulo: Ática, 1996.
  • VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Academia Brasileira de Letras. Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/vocabulario-ortografico


Fonemas e Sílaba na Língua Portuguesa

 

Introdução

O estudo dos sons e da estrutura das palavras é fundamental para o domínio da leitura, da escrita e da pronúncia correta na língua portuguesa. Compreender os fonemas e as sílabas permite ao falante reconhecer as unidades sonoras que formam as palavras, identificar a tonicidade (parte mais forte da palavra) e realizar corretamente a divisão silábica. Embora muitas vezes usados como sinônimos no senso comum, os conceitos de letra e fonema são distintos e possuem funções diferentes no funcionamento da linguagem.

1. Fonema x Letra

Na linguagem escrita, utilizamos letras para representar os fonemas, ou seja, os sons da fala. A letra é a representação gráfica; o fonema é o som articulado. Essa distinção é fundamental porque a quantidade de letras em uma palavra nem sempre corresponde à quantidade de fonemas.

Por exemplo:

  • A palavra "táxi" tem 4 letras, mas 5 fonemas: /t/ /a/ /k/ /s/ /i/.
  • A palavra "chave" tem 5 letras, mas apenas 4 fonemas: /ʃ/ /a/ /v/ /e/ (o "ch" representa um único fonema).

No português, há aproximadamente 33 fonemas (21 consonantais e 12 vocálicos), mas usamos apenas 26 letras do alfabeto. Isso faz com que algumas letras representem mais de um som (como o "x") e que alguns sons sejam representados por combinações de letras (como os dígrafos "nh", "lh", "ch").

A identificação de fonemas é central na fonologia, uma área da linguística que estuda os sons das línguas em seu aspecto funcional e distintivo.

2. Classificação das Palavras Quanto ao Número de Sílabas

Uma sílaba é cada unidade sonora que compõe uma palavra. É formada por um ou mais fonemas pronunciados em uma mesma emissão de voz. O núcleo da sílaba é sempre uma vogal; sem vogal, não há sílaba.

As palavras são classificadas quanto ao número de sílabas em:

a) Monossílaba

Palavra formada por uma única sílaba.
Ex: sol, pé, flor, luz

b) Dissílaba

Palavra com duas sílabas.
Ex: casa, lápis, boca

c) Trissílaba

Palavra com três sílabas.
Ex: cadeira, menino, relógio

d) Polissílaba

Palavra com quatro ou mais sílabas.
Ex: computador, biblioteca, extraordinário

Essa classificação é importante tanto para a análise morfológica quanto para a correta divisão e acentuação das palavras.

3. Divisão Silábica

A divisão silábica consiste em separar uma palavra em suas partes sonoras (sílabas). Essa separação pode ocorrer de forma oral (pronúncia) ou escrita (na translineação, por exemplo, quando uma palavra é dividida entre duas linhas).

Regras básicas:

  • Toda sílaba precisa conter uma vogal.
  • Os dígrafos "ch", "lh", "nh", "gu" e "qu" (quando seguidos de "e" ou "i") não devem ser separados.
  • As consoantes duplas em que uma pertence à sílaba anterior e outra à seguinte são divididas, exceto quando formam dígrafos.
  • O "s" ou "r" entre vogais costuma ir para a sílaba seguinte (e.g., ca-sa, ca-ro).

Exemplos de divisão:

  • ma-no (2 sílabas)
  • es-co-la (3 sílabas)
  • im-por-tan-te (4 sílabas)

A correta separação silábica é essencial para a leitura fluente, a recitação poética e o uso adequado de hífen em textos escritos.

4. Tonicidade das Palavras

A tonicidade é a intensidade com que uma sílaba é pronunciada em relação às outras dentro de uma palavra. A sílaba mais forte chama-se tônica, enquanto as demais são átonas.

Com base na posição da sílaba tônica, as palavras classificam-se em:

a) Oxítonas

A sílaba tônica é a última.
Ex: café, jacaré, avô
(Regra de acentuação: terminadas em a(s), e(s), o(s), em, ens são acentuadas)

b) Paroxítonas

A sílaba tônica é a penúltima.
Ex: mesa, lápis, árvore
(Acentuam-se as terminadas em l, n, r, x, i(s), u(s), ps, ã(s), um, uns, etc.)

c) Proparoxítonas

A sílaba tônica é a antepenúltima.
Ex: lâmpada, pêssego, médico
(Todas as proparoxítonas são acentuadas)

A acentuação gráfica auxilia a marcar a tonicidade quando ela se desvia do padrão esperado ou pode causar ambiguidade. O correto uso dos acentos é parte integrante da ortografia oficial e obedece a regras fixadas pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.

Considerações Finais

O conhecimento sobre fonemas, letras, sílabas e tonicidade é indispensável para o domínio da linguagem escrita e falada. Esses conceitos são fundamentais para que o falante compreenda como a língua portuguesa

está estruturada e para que possa se expressar com correção e clareza. Saber identificar fonemas e sílabas, reconhecer a sílaba tônica e aplicar regras de divisão silábica contribui não apenas para a alfabetização, mas também para o desenvolvimento da leitura crítica e da escrita adequada em contextos formais e informais.

Referências Bibliográficas

  • CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Lexikon, 2008.
  • BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. São Paulo: Lucerna, 2003.
  • FARACO, Carlos Alberto. Gramática de uso do português. São Paulo: Parábola Editorial, 2006.
  • ILARI, Rodolfo; BASSO, Fábio. Para entender a gramática. São Paulo: Contexto, 2008.
  • ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1997.
  • VOLP – Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. Academia Brasileira de Letras. Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/vocabulario-ortografico

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