Procedimentos Cirúrgicos Comuns
Exodontias (Extrações Dentárias)
A exodontia, também conhecida como extração dentária, é um dos procedimentos mais realizados na prática cirúrgica odontológica. Trata-se da remoção de um dente ou raiz dentária do alvéolo, com o objetivo de eliminar uma fonte de infecção, dor ou comprometimento funcional. Apesar de sua aparente simplicidade, a exodontia requer conhecimentos anatômicos, técnicos e clínicos detalhados, além do cumprimento rigoroso das normas de biossegurança e do planejamento adequado do caso.
Indicações
e Contraindicações
Indicações
As
extrações dentárias são indicadas quando o dente está irrecuperável ou
representa um risco à saúde bucal ou sistêmica do paciente. As principais
indicações incluem:
Contraindicações
As
contraindicações podem ser absolutas ou relativas. Entre as
absolutas estão:
As
contraindicações relativas são aquelas em que o procedimento pode ser realizado
após controle ou planejamento específico, como:
A anamnese detalhada e o exame clínico-radiográfico são fundamentais para a avaliação dessas condições.
Técnica
e Instrumentação Utilizada
Técnica
de Exodontia
A
técnica de exodontia pode variar conforme o tipo e a condição do dente, mas, em
geral, segue os seguintes passos:
1. Anestesia
local: aplicação de anestésico adequado para garantir
conforto e analgesia.
2. Descolamento
do tecido gengival: com o auxílio de descoladores ou
afastadores.
3. Luxação
do dente: com uso de elevadores, que rompem o ligamento
periodontal e expandem o alvéolo.
4. Extração
propriamente dita: realizada com fórceps, por meio de
movimentos de rotação, tração ou alavanca, conforme o dente.
5. Curetagem
do alvéolo: para remover restos de tecido de granulação ou
infecção.
6. Hemostasia:
compressão com gaze e avaliação da necessidade de sutura.
Instrumentos
Utilizados
Os
principais instrumentais utilizados na exodontia incluem:
Cada dente pode exigir uma combinação diferente de instrumentos, dependendo de sua posição, mobilidade, número de raízes e condições anatômicas adjacentes.
Cuidados
Pós-Operatórios
O
sucesso da exodontia também depende dos cuidados tomados após o procedimento,
tanto pelo profissional quanto pelo paciente. As orientações pós-operatórias
visam à prevenção de complicações como infecção, sangramento, dor intensa e
alveolite.
Os
principais cuidados incluem:
Complicações como sangramento persistente, dor intensa após 48h ou febre devem ser investigadas imediatamente. A comunicação clara entre profissional e paciente é essencial para garantir uma recuperação tranquila.
Considerações
Finais
A exodontia é um procedimento amplamente realizado, mas que exige habilidade técnica, conhecimento anatômico e
responsabilidade clínica. O planejamento adequado, a escolha correta da técnica e dos instrumentais, bem como os cuidados pós-operatórios, garantem não apenas o sucesso da intervenção, mas também o conforto e a segurança do paciente.
Referências
Bibliográficas
Cirurgias Periodontais e Endodônticas
As cirurgias periodontais e endodônticas desempenham papel fundamental na preservação dos dentes e na saúde bucal geral. Elas são indicadas quando os tratamentos convencionais, como a raspagem periodontal ou a terapia endodôntica não cirúrgica, não são suficientes para alcançar os resultados desejados. Essas intervenções exigem domínio técnico, conhecimento anatômico detalhado e uso de instrumentação específica, além de cuidados com a assepsia e o pós-operatório.
Retalhos
Periodontais
As
cirurgias de retalho periodontal são procedimentos que visam o acesso
direto às estruturas profundas do periodonto para a remoção de cálculo, tecido
inflamado, correção de defeitos ósseos e alisamento radicular. São indicadas,
principalmente, em casos de periodontite avançada, onde há perda óssea
significativa e formação de bolsas periodontais profundas.
O
procedimento consiste na realização de incisões na gengiva para levantar um
retalho de tecido mucoperiosteal, permitindo o acesso à raiz do dente e ao osso
alveolar. Após a remoção dos tecidos doentes e a instrumentação das superfícies
radiculares, o retalho é reposicionado e suturado.
Os
principais tipos de retalhos incluem:
A técnica promove a cicatrização por primeira intenção, melhora a resposta inflamatória e facilita a regeneração periodontal.
Apicectomia e
Curetagem
A
apicectomia é uma cirurgia endodôntica que consiste na remoção da
extremidade da raiz dentária (ápice) e do tecido periapical inflamado ou
infectado, geralmente associada à retroobturação do canal radicular. É indicada
nos casos em que a terapia endodôntica convencional não foi suficiente para
eliminar a infecção periapical, como:
A
técnica envolve:
1. Incisão
e levantamento de retalho;
2. Curetagem
da lesão periapical;
3. Ressecção
do ápice radicular;
4. Preparação
e obturação retrógrada do canal com materiais biocompatíveis (como MTA ou IRM);
5. Sutura
do retalho.
Já a curetagem periapical pode ser realizada de forma isolada, quando há necessidade apenas da remoção do tecido de granulação ou cistos periapicais, sem a necessidade de apicectomia.
Instrumentação
Específica
Para
a realização das cirurgias periodontais e endodônticas, o uso de instrumentais
específicos é fundamental para a precisão dos procedimentos e a preservação das
estruturas bucais. Dentre os principais instrumentos, destacam-se:
O uso adequado de cada instrumento deve ser baseado no planejamento cirúrgico e no conhecimento técnico do profissional, respeitando sempre os protocolos de esterilização e assepsia.
Considerações
Finais
As cirurgias periodontais e endodônticas são recursos importantes para a manutenção dos dentes em situações complexas. Com técnica precisa, instrumentação adequada e
cuidados rigorosos, essas intervenções podem promover a regeneração de tecidos, o controle de infecções e a melhora funcional e estética da cavidade bucal. O sucesso dos procedimentos está diretamente relacionado à capacitação do cirurgião-dentista, à correta indicação e ao comprometimento do paciente com os cuidados pós-operatórios.
Referências
Bibliográficas
Pequenas Cirurgias Orais
As pequenas cirurgias orais englobam procedimentos cirúrgicos realizados na cavidade bucal com grau leve a moderado de complexidade, que geralmente não requerem ambiente hospitalar e podem ser conduzidos em consultórios odontológicos devidamente equipados. Entre os procedimentos mais comuns estão a frenectomia, as biópsias de tecidos orais e a remoção de cistos. Esses procedimentos, apesar de menos invasivos que grandes cirurgias, exigem preparo técnico, domínio anatômico e atenção às normas de biossegurança para garantir um pós-operatório seguro e eficaz.
Frenectomia,
Biópsias e Remoção de Cistos
Frenectomia
A
frenectomia é a remoção cirúrgica parcial ou total de um frênulo, estrutura
composta por tecido conjuntivo e fibras musculares que liga a mucosa da boca à
gengiva ou à língua. Os frênulos mais comumente abordados são o labial
superior e o lingual.
As
principais indicações incluem:
Biópsias
As
biópsias consistem na remoção de fragmentos de tecidos bucais para análise
histopatológica, com o objetivo de diagnosticar lesões benignas ou malignas.
Podem ser:
São indicadas em casos de
lesões com aspecto anormal, persistência por mais de 15
dias, alterações de cor, volume ou textura da mucosa bucal.
Remoção
de Cistos
Cistos odontogênicos e não odontogênicos podem se desenvolver em diferentes regiões da cavidade bucal. A remoção cirúrgica é indicada quando há aumento de volume, dor, infecção secundária ou risco de reabsorção óssea. A técnica envolve incisão, descolamento do retalho, acesso ao cisto, curetagem completa da lesão e sutura.
Protocolo
e Sequência de Instrumentais
O
sucesso das pequenas cirurgias orais depende da preparação do campo operatório,
da escolha dos instrumentos corretos e do seguimento de uma sequência lógica e
asséptica durante o procedimento.
Etapas
básicas do protocolo cirúrgico:
1. Assepsia
do campo e paramentação da equipe.
2. Anestesia
local na área de interesse.
3. Incisão
e descolamento com bisturi e descoladores.
4. Remoção
da lesão, tecido ou frênulo com auxílio de curetas, tesouras
ou pinças apropriadas.
5. Controle
do sangramento durante o procedimento.
6. Sutura
da área operada, se necessário.
7. Higienização
final, orientações pós-operatórias e prescrição medicamentosa.
Instrumentais
comumente utilizados:
Cada procedimento pode demandar variações no instrumental, a depender da localização, tamanho da lesão e preferência do profissional.
Controle
de Sangramentos
O controle do sangramento, ou hemostasia, é uma etapa crítica das cirurgias orais, tanto durante quanto após o procedimento. O sangramento pode ser arterial, venoso ou capilar, e o manejo adequado é essencial para evitar complicações como hematomas, infecções ou dificuldade de cicatrização.
Técnicas
e materiais utilizados:
No pós-operatório, o paciente deve ser orientado a manter a compressão com gaze, evitar esforço físico, não cuspir
ou fazer bochechos nas primeiras 24 horas e seguir corretamente as orientações prescritas.
Considerações
Finais
As pequenas cirurgias orais fazem parte da rotina do cirurgião-dentista e exigem preparo técnico, conhecimento da anatomia e protocolo operatório bem estabelecido. A frenectomia, as biópsias e a remoção de cistos são procedimentos que, se bem executados, contribuem significativamente para a saúde bucal do paciente. O uso adequado dos instrumentos, a organização do campo cirúrgico e o controle eficaz de sangramentos são fatores determinantes para o sucesso das intervenções.
Referências
Bibliográficas
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