Segurança
em Vacinação
Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV)
A
vacinação é considerada uma das medidas preventivas mais eficazes e seguras
contra diversas doenças infecciosas, proporcionando benefícios amplamente
superiores aos possíveis riscos. Entretanto, como qualquer procedimento médico,
a administração de vacinas pode gerar reações indesejadas em alguns indivíduos,
chamadas Eventos Adversos Pós-Vacinação (EAPV) (BRASIL, 2023; SBIm, 2018).
Definição
e Classificação
Eventos
Adversos Pós-Vacinação (EAPV) são manifestações clínicas ou alterações
laboratoriais inesperadas, associadas temporalmente à vacinação,
independentemente de uma relação causal definida com o imunobiológico aplicado.
Essas reações podem variar de intensidade, indo desde manifestações leves e
comuns até situações mais raras e potencialmente graves (BRASIL, 2014).
De
acordo com a classificação proposta pelo Ministério da Saúde e Organização
Mundial da Saúde (OMS), os EAPVs podem ser classificados da seguinte maneira:
Identificação
e Notificação dos Eventos Adversos
A
identificação precoce dos eventos adversos é essencial para garantir uma
intervenção rápida, reduzindo riscos para o paciente e permitindo análise
imediata das causas possíveis. Profissionais de saúde que administram vacinas
devem estar atentos a quaisquer manifestações clínicas incomuns após a
vacinação, realizando monitoramento ativo em situações específicas, como
campanhas de vacinação em massa (SBIm, 2018).
A notificação dos EAPVs é obrigatória e deve ser realizada conforme orientação do Ministério da Saúde, por meio do preenchimento e envio de formulários específicos de vigilância epidemiológica. No Brasil, as notificações são feitas por meio do Sistema de Informação de Eventos Adversos Pós-Vacinação (SI-EAPV). Esse sistema permite a
vigilância epidemiológica. No Brasil, as notificações são feitas
por meio do Sistema de Informação de Eventos Adversos Pós-Vacinação (SI-EAPV).
Esse sistema permite a vigilância ativa e contínua das reações adversas,
contribuindo para garantir segurança vacinal e aperfeiçoar continuamente os
programas de imunização (BRASIL, 2023).
A notificação adequada também facilita a identificação rápida de lotes potencialmente problemáticos, bem como a avaliação contínua do perfil de segurança das vacinas em uso (WHO, 2021).
Procedimentos
em Caso de Reações Adversas
Quando
ocorre um evento adverso após vacinação, é fundamental que os profissionais de
saúde sigam um conjunto de procedimentos claros e organizados para garantir a
segurança do paciente. As etapas incluem:
Reações adversas graves, como choque anafilático, exigem intervenção imediata com administração de medicamentos específicos (adrenalina), suporte respiratório, monitoramento hemodinâmico e transporte rápido a um serviço hospitalar especializado (BRASIL, 2014; SBIm, 2018).
Considerações
Finais
Apesar
da possibilidade de ocorrência dos eventos adversos pós-vacinação, é importante
destacar que esses eventos são raros e geralmente leves, quando comparados aos
enormes benefícios proporcionados pela imunização. A vigilância ativa dos EAPVs
e a capacitação constante dos profissionais de saúde são fundamentais para
manter altos níveis de segurança e confiança da população nos programas de
imunização.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos
Pós-Vacinação (EAPV). Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL.
Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação.
Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude.
Acesso em: mar. 2024.
SBIm
– Sociedade Brasileira de Imunizações. Guia Prático de Imunização. São
Paulo: SBIm, 2018.
WORLD
HEALTH ORGANIZATION – WHO. Global manual on surveillance of adverse events
following immunization. Geneva: WHO, 2015. Disponível em:
https://www.who.int. Acesso em: mar. 2024.
Contraindicações e Precauções em Vacinação
Embora
as vacinas sejam uma ferramenta essencial e segura na prevenção de doenças
infecciosas, é fundamental reconhecer que existem situações específicas nas
quais a vacinação pode ser contraindicada ou deve ser feita com precauções
adicionais. Identificar corretamente essas situações contribui para garantir
segurança e eficácia, reduzindo o risco de eventos adversos (BRASIL, 2014;
SBIm, 2018).
Contraindicações
Absolutas e Relativas
As
contraindicações são condições clínicas específicas que desaconselham ou
impedem a administração de uma vacina. Essas contraindicações são classificadas
em absolutas e relativas, conforme o risco para o indivíduo vacinado.
Contraindicações
Absolutas
Contraindicações
absolutas são situações nas quais a vacinação jamais deve ser realizada, pois
pode causar danos graves à saúde do paciente. Exemplos clássicos são:
Já
as contraindicações relativas são condições que exigem avaliação mais
criteriosa antes da aplicação da vacina, mas que não impedem necessariamente
sua administração. Entre essas condições estão:
A identificação adequada dessas condições requer uma
avaliação criteriosa por
profissionais treinados, para garantir segurança e eficácia da vacinação.
Avaliação
Prévia à Vacinação
Antes
da administração de qualquer vacina, é indispensável realizar uma avaliação
clínica criteriosa para identificar possíveis contraindicações ou precauções.
Essa avaliação inclui:
A
avaliação prévia é essencial para minimizar riscos e garantir que a vacinação
seja realizada com máxima segurança, respeitando as particularidades de cada
paciente.
Cuidados
Especiais para Grupos Vulneráveis
Alguns
grupos populacionais necessitam de cuidados adicionais na indicação e aplicação
das vacinas, devido à maior vulnerabilidade ou risco de eventos adversos. Esses
grupos incluem:
Gestantes
Mulheres
grávidas geralmente devem evitar vacinas vivas atenuadas devido ao risco
potencial de transmissão vertical para o feto. Vacinas inativadas, como contra
influenza, dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular), são recomendadas e
até incentivadas para proteção materna e fetal (SBIm, 2018).
Imunocomprometidos
Pessoas
com imunidade comprometida, seja por doenças como HIV, câncer, ou uso
prolongado de medicamentos imunossupressores, devem evitar vacinas com vírus
vivos atenuados. Nesses casos, vacinas inativadas ou recombinantes são
geralmente seguras, embora possam apresentar resposta imunológica reduzida,
exigindo avaliações específicas e acompanhamento médico especializado (BRASIL,
2023).
Idosos
Adultos idosos apresentam alterações imunológicas próprias da idade (imunossenescência), reduzindo a resposta imunológica frente às vacinas. Para essa população, podem ser recomendadas doses adicionais ou vacinas específicas, como a vacina pneumocócica conjugada e a vacina contra herpes zoster (SBIm, 2018).
Prematuros
e Lactentes com baixo peso
Recém-nascidos prematuros ou bebês com baixo peso devem receber vacinação seguindo cronologia baseada na idade cronológica, mas com atenção especial para as condições clínicas que possam exigir adequações na aplicação das vacinas. O
cuidado
adicional na aplicação intramuscular é fundamental para reduzir desconforto e
garantir a eficácia das vacinas aplicadas (BRASIL, 2023).
Considerações
Finais
Conhecer as contraindicações, precauções e cuidados específicos relacionados à vacinação é fundamental para garantir segurança, eficácia e adesão aos programas de imunização. Uma avaliação rigorosa das condições clínicas prévias e o conhecimento das particularidades dos grupos vulneráveis são essenciais para minimizar eventos adversos e maximizar o sucesso das ações preventivas.
Referências
Bibliográficas
BRASIL.
Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação.
Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
BRASIL.
Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos
Especiais (CRIE). Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em:
https://www.gov.br/saude. Acesso em: mar. 2024.
SOCIEDADE
BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES – SBIm. Guia Prático de Imunização. São Paulo:
SBIm, 2018.
PLOTKIN,
S. A.; ORENSTEIN, W. A.; OFFIT, P. A. Vaccines. 6ª ed. Philadelphia:
Elsevier Saunders, 2013.
WORLD
HEALTH ORGANIZATION – WHO. Immunization Safety Surveillance: Guidelines for
immunization programme managers. Geneva: WHO, 2021. Disponível em:
https://www.who.int. Acesso em: mar. 2024.
Bioética e Vacinação
A
vacinação é uma das estratégias mais importantes e bem-sucedidas em saúde
pública, contribuindo para o controle e erradicação de diversas doenças
infecciosas. Entretanto, a aplicação dessa prática envolve questões éticas
complexas, que abrangem direitos individuais, coletivos, autonomia do paciente,
além dos limites da intervenção compulsória do Estado (FORTES, 2020; CLOOTS et
al., 2021).
Aspectos
Éticos da Vacinação
Os
aspectos éticos da vacinação relacionam-se diretamente aos princípios básicos
da bioética: autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça. A vacinação,
ao mesmo tempo que protege indivíduos, também promove a proteção da
coletividade por meio da imunidade coletiva ("imunidade de rebanho").
Nesse contexto, emergem questões éticas como a liberdade individual versus a
responsabilidade social (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2013).
O
princípio da beneficência e não-maleficência justifica amplamente a vacinação,
considerando os benefícios preventivos e o reduzido risco de eventos adversos.
O princípio da justiça implica assegurar o acesso equitativo à imunização,
garantindo proteção igualitária especialmente a populações vulneráveis (FORTES,
2020).
Vacinação
Compulsória e Voluntária
Uma
das questões éticas centrais relacionadas à imunização é a definição do limite
entre vacinação compulsória e voluntária. A vacinação voluntária baseia-se no
respeito à autonomia do paciente, considerando que o indivíduo deve ter
liberdade de escolha informada sobre aceitar ou não a vacinação. Por outro
lado, a vacinação compulsória (obrigatória) é frequentemente justificada por
motivos de saúde pública, especialmente em situações de epidemias ou pandemias,
quando o risco coletivo supera a autonomia individual (CLOOTS et al., 2021).
No
Brasil, por exemplo, a vacinação compulsória está prevista legalmente em
circunstâncias excepcionais, conforme a Lei nº 6.259/75 e o artigo 3º da Lei nº
13.979/2020, que permitem intervenção sanitária obrigatória quando necessário
para proteção coletiva. Contudo, mesmo nesses casos, devem ser considerados os
princípios éticos e jurídicos da razoabilidade, proporcionalidade e garantia de
direitos humanos fundamentais (BRASIL, 2020).
Direito
à Informação e Autonomia do Paciente
O
respeito à autonomia do paciente pressupõe o direito fundamental à informação
clara e acessível sobre as vacinas. Profissionais de saúde têm o dever ético de
informar sobre os benefícios, riscos, possíveis reações adversas e
contraindicações das vacinas, permitindo que o paciente faça escolhas
conscientes e informadas (BEAUCHAMP; CHILDRESS, 2013; FORTES, 2020).
A autonomia está diretamente relacionada ao consentimento informado, um dos fundamentos centrais da ética médica moderna. É fundamental garantir que indivíduos tenham todas as informações necessárias para exercer livremente seu direito de aceitar ou recusar a vacinação, exceto nos casos previstos legalmente onde a vacinação compulsória se torna necessária por questão de proteção da saúde coletiva (CLOOTS et al., 2021).
Garantir
o direito à informação fortalece a confiança pública nas vacinas e nos
programas de imunização, ampliando a adesão voluntária e contribuindo para
atingir os objetivos sanitários com respeito à dignidade e liberdade
individual.
Considerações
Finais
O debate ético em torno da vacinação envolve equilibrar autonomia individual com responsabilidade social e saúde coletiva. Respeitar a bioética implica garantir justiça na distribuição das vacinas, reconhecer o direito à informação e promover a autonomia sempre que possível, reservando a vacinação compulsória apenas para situações excepcionais que envolvam claro risco coletivo. A
atuação ética dos profissionais de saúde é essencial para manter a confiança social e garantir sucesso nos programas de imunização.
Referências
Bibliográficas
BEAUCHAMP,
T. L.; CHILDRESS, J. F. Princípios de Ética Biomédica. 7ª ed. São Paulo:
Loyola, 2013.
BRASIL.
Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. Dispõe sobre as medidas para
enfrentamento da emergência de saúde pública decorrente da COVID-19.
Brasília, DF, 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br. Acesso em: mar.
2024.
CLOOTS,
K. et al. Ethical considerations and compulsory vaccination policies: Balancing
public health and individual liberty. Vaccine, v. 39, n. 36, p.
5071-5076, 2021.
FORTES,
P. A. C. Ética e saúde pública: questões práticas e reflexões. São
Paulo: Manole, 2020.
WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Ethics and COVID-19: Resource Allocation and Priority-setting. Geneva: WHO, 2020. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: mar. 2024.
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