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Conceitos Básicos sobre Aplicação de Vacinas

 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE APLICAÇÃO DE VACINAS

 

Técnicas e Administração de Vacinas 

Vias de Administração de Vacinas 

 

A correta administração das vacinas é essencial para garantir sua eficácia e segurança. Para isso, é fundamental conhecer as principais vias de administração, suas características específicas, técnicas apropriadas e os cuidados necessários durante o processo. As vias mais comuns de administração das vacinas são: intramuscular, subcutânea, intradérmica e oral (BRASIL, 2014; PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Vias de Administração das Vacinas

Intramuscular (IM)

A via intramuscular é uma das mais frequentemente utilizadas na vacinação. Nesta via, o imunobiológico é administrado diretamente no tecido muscular profundo, permitindo uma absorção eficiente e uma resposta imunológica robusta. As regiões anatômicas mais utilizadas são o músculo deltoide (região superior do braço) em adolescentes e adultos, e a face ântero-lateral da coxa em crianças menores de 2 anos (BRASIL, 2014).

Algumas vacinas comumente administradas por essa via incluem a vacina contra hepatite B, pentavalente, influenza, HPV e tétano-difteria (Td) (SBIm, 2018).

Vacinação por via Subcutânea

Na vacinação subcutânea, a vacina é injetada no tecido adiposo, localizado logo abaixo da pele. Essa via é indicada especialmente para vacinas que requerem uma absorção mais lenta, como é o caso da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), febre amarela e varicela. O local preferencial é a região superior externa do braço (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Vacinação Intradérmica

A vacinação intradérmica ocorre na derme, logo abaixo da epiderme (camada superficial da pele). Essa técnica requer uma aplicação mais cuidadosa e superficial, com ângulo quase paralelo à pele, geralmente de 10° a 15°. Um exemplo clássico de vacina administrada por essa via é a BCG, que protege contra formas graves de tuberculose. A via intradérmica gera uma resposta imunológica eficaz pela presença abundante de células imunológicas na derme (BRASIL, 2014).

Vacinação Oral

A administração oral das vacinas ocorre pela ingestão do imunobiológico, sendo um método simples e bem aceito especialmente para crianças pequenas. Essa via aproveita a capacidade do sistema imunológico do trato gastrointestinal em reconhecer e responder adequadamente aos antígenos. Exemplos típicos incluem as vacinas contra rotavírus e poliomielite oral (VOP) (SBIm,

2018).

Intervalos e Técnicas de Administração

Cada via de administração possui técnicas específicas que devem ser seguidas rigorosamente para assegurar a eficácia vacinal e minimizar reações adversas.

Intramuscular

  • Ângulo: 90°, perpendicular à pele;
  • Volume: geralmente entre 0,5 e 1 mL;
  • Agulha recomendada: calibre 22 a 25 gauge, comprimento adequado conforme idade e peso do indivíduo.

Via Subcutânea

  • Técnica: administração em ângulo de 45°, com leve prega cutânea.
  • Agulha recomendada: calibre de 25 a 27 gauge, comprimento curto (1,3 a 1,6 cm).

Via Intradérmica

  • Técnica: aplicação superficial formando uma pequena pápula.
  • Agulha recomendada: calibre muito fino (27 gauge), comprimento curto (aproximadamente 13 mm).

Via Oral

  • Técnica: administração diretamente na boca do indivíduo, geralmente em forma líquida.
  • Cuidado especial: evitar ingestão de líquidos ou alimentos logo após a administração para garantir a absorção adequada (BRASIL, 2023).

Cuidados durante a Administração das Vacinas

Para garantir segurança e eficácia da vacinação, alguns cuidados básicos são recomendados:

  • Conferir atentamente a validade e o aspecto da vacina antes da administração;
  • Garantir o armazenamento correto, respeitando rigorosamente a cadeia de frio recomendada;
  • Verificar possíveis contraindicações específicas antes da aplicação, como alergias ou condições imunológicas especiais;
  • Manter registro preciso das vacinas aplicadas, documentando lote, data de aplicação e responsável pela administração;
  • Observar reações adversas imediatas, como sinais de alergia ou reações locais excessivas, mantendo os pacientes em observação após a vacinação (SBIm, 2018; BRASIL, 2023).

A correta administração das vacinas, respeitando os esquemas recomendados e as especificidades de cada via, é essencial para atingir os objetivos dos programas de imunização, conferindo proteção efetiva contra doenças evitáveis por vacinação.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: mar. 2024.

PLOTKIN, S. A.; ORENSTEIN, W. A.; OFFIT, P. A. Vaccines. 6ª ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2013.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES

DE IMUNIZAÇÕES – SBIm. Guia Prático de Imunização. São Paulo: SBIm, 2018.

 

Conservação e Cadeia de Frio na Vacinação

 

A conservação adequada das vacinas é uma etapa fundamental para assegurar sua eficácia, segurança e qualidade. A cadeia de frio refere-se ao processo contínuo de armazenamento e transporte dos imunobiológicos desde sua fabricação até o momento da aplicação. Esse processo é indispensável para manter a integridade dos produtos vacinais, assegurando que não ocorram variações inadequadas de temperatura que possam comprometer sua eficácia e segurança (BRASIL, 2014).

Importância da Cadeia de Frio

A cadeia de frio é essencial para preservar a potência imunogênica das vacinas. Variações de temperatura podem causar degradação dos antígenos presentes nas vacinas, resultando em produtos que não conferem proteção adequada, expondo os indivíduos vacinados ao risco de contrair as doenças contra as quais deveriam estar protegidos. Além disso, falhas na cadeia de frio podem levar ao descarte de grandes quantidades de imunobiológicos, implicando em prejuízos financeiros e logísticos significativos para os programas de vacinação (WHO, 2015).

Garantir uma cadeia de frio eficaz é, portanto, um aspecto crítico nas ações de saúde pública relacionadas à imunização, com impacto direto na eficácia das campanhas e na prevenção de doenças infecciosas (BRASIL, 2014).

Temperatura Ideal e Métodos de Conservação

Cada vacina possui condições específicas de conservação, geralmente recomendadas pelos fabricantes e organismos reguladores. De modo geral, a maioria das vacinas deve ser conservada entre +2°C e +8°C, desde sua produção até a administração. Entretanto, há algumas exceções importantes, como a vacina contra a febre amarela e vacinas congeladas, que podem necessitar de armazenamento em temperaturas ainda mais baixas (entre -15°C e -25°C) (SBIm, 2018).

Principais métodos e equipamentos utilizados para conservação incluem:

  • Refrigeradores específicos para vacinas: projetados para manter uma temperatura interna estável, com circulação homogênea de ar frio.
  • Freezers e câmaras frias: necessários para vacinas que exigem temperaturas abaixo de zero.
  • Caixas térmicas e gelox (elementos refrigerantes): utilizados para o transporte e armazenagem temporária das vacinas durante campanhas ou deslocamentos curtos, mantendo as vacinas na temperatura adequada (BRASIL, 2023).

Monitoramento e Registro de Temperatura

O

monitoramento regular e rigoroso da temperatura é essencial para garantir que a cadeia de frio esteja sendo mantida adequadamente. Para isso, é fundamental a utilização de termômetros específicos (analógicos ou digitais), termômetros digitais com registros contínuos e sistemas de monitoramento automático que detectam e registram possíveis desvios de temperatura.

Os registros de temperatura devem ser feitos diariamente, incluindo feriados e finais de semana, preferencialmente duas vezes ao dia (pela manhã e tarde). Esses registros precisam ser documentados em formulários específicos e conservados por um período adequado, conforme as normas dos programas nacionais de imunização. Caso haja algum desvio de temperatura, medidas imediatas devem ser tomadas, incluindo avaliação técnica para determinar se as vacinas afetadas podem ou não continuar sendo utilizadas (WHO, 2015; BRASIL, 2023).

Cuidados Essenciais com a Cadeia de Frio

Entre as boas práticas recomendadas estão:

  • Evitar abrir frequentemente as portas das câmaras refrigeradas;
  • Não colocar vacinas próximas às paredes dos refrigeradores ou no congelador, exceto quando indicado explicitamente;
  • Utilizar termômetros calibrados regularmente;
  • Dispor de um plano de contingência caso ocorra interrupção do fornecimento de energia elétrica;
  • Realizar treinamentos periódicos das equipes responsáveis pela cadeia de frio para garantir o conhecimento adequado sobre a conservação correta das vacinas (SBIm, 2018).

A rigorosa observância dessas medidas contribui diretamente para a segurança e eficácia da imunização, garantindo resultados positivos para indivíduos e coletividade.

Considerações Finais

O cuidado com a cadeia de frio e o rigoroso monitoramento das condições de armazenamento das vacinas representam práticas fundamentais para assegurar que os benefícios da vacinação sejam plenamente alcançados. A gestão eficiente dessas práticas contribui decisivamente para o sucesso das ações preventivas em saúde pública.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Rede de Frio do Programa Nacional de Imunizações. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: mar. 2024.

SBIm – Sociedade Brasileira de Imunizações. Guia Prático de Imunização. São Paulo: SBIm, 2018.

WORLD HEALTH ORGANIZATION

– WHO. Immunization in Practice: Module 2: The vaccine cold chain. Geneva: WHO, 2015. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: mar. 2024.


Preparo e Aplicação Correta das Vacinas

 

A vacinação é uma das intervenções mais seguras e eficazes na prevenção e controle de doenças infecciosas. Para garantir o sucesso dessa prática, é fundamental realizar corretamente o preparo, a aplicação e o descarte das vacinas. Seguir protocolos claros de preparação e administração das vacinas garante segurança para o paciente e eficácia máxima na prevenção das doenças (BRASIL, 2023).

Preparação da Vacina para Administração

A preparação adequada das vacinas é um processo essencial para assegurar sua eficácia e segurança durante a administração. Antes de iniciar a aplicação, é fundamental seguir alguns procedimentos básicos, como:

  • Lavagem rigorosa das mãos antes de manipular qualquer material.
  • Organização do ambiente de trabalho, garantindo que o local esteja limpo, seguro e equipado com todos os materiais necessários (seringas, agulhas, algodão com álcool 70%, entre outros).
  • Inspeção visual da vacina quanto ao aspecto físico, garantindo que não haja alterações visíveis como mudança de cor, turvação ou presença de partículas não usuais.
  • Para vacinas liofilizadas (em pó), é necessário realizar a diluição correta, seguindo rigorosamente as recomendações do fabricante sobre quantidade e tipo de diluente adequado, garantindo homogeneização suave para evitar degradação (BRASIL, 2014; SBIm, 2018).

Verificação de Validade e Segurança da Vacina

A verificação da validade das vacinas é etapa obrigatória antes da administração. Deve-se conferir rigorosamente o prazo de validade impresso no frasco da vacina, garantindo que o imunobiológico esteja apto para utilização. Também é essencial verificar se a vacina foi conservada corretamente, seguindo as recomendações da cadeia de frio entre +2°C e +8°C, garantindo sua integridade e eficácia (BRASIL, 2023).

Outros aspectos importantes na verificação da segurança incluem:

  • Conferência do rótulo e lote da vacina, bem como certificação da integridade da embalagem;
  • Confirmar a indicação específica, idade correta e contraindicações antes da administração ao paciente;
  • Garantir que todos os materiais utilizados, como seringas e agulhas, sejam estéreis e descartáveis, reduzindo o risco de infecções cruzadas (BRASIL, 2014; WHO, 2015).

Aplicação Correta das Vacinas

Para aplicar corretamente as vacinas é necessário respeitar rigorosamente as recomendações técnicas, como:

  • Escolha da via de administração correta (intramuscular, subcutânea, intradérmica ou oral), de acordo com as instruções da vacina utilizada.
  • Utilização adequada de materiais, como agulhas e seringas descartáveis, com comprimento e calibre indicados para cada vacina e paciente.
  • Técnica de aplicação precisa, incluindo angulação adequada da agulha, localização anatômica recomendada e volume indicado para cada vacina específica (BRASIL, 2014; SBIm, 2018).

Cuidados durante a aplicação incluem comunicação eficaz e clara com o paciente ou responsável, explicando o procedimento e possíveis efeitos adversos leves esperados, assegurando tranquilidade e colaboração durante o processo.

Descarte Correto dos Resíduos

O descarte correto dos resíduos gerados na aplicação das vacinas é uma etapa fundamental do processo, evitando riscos de acidentes ocupacionais e contaminação ambiental. Os materiais perfurocortantes, como seringas e agulhas, devem ser imediatamente descartados em recipientes rígidos específicos (descarpack ou similar), identificados adequadamente para resíduos perfurocortantes (BRASIL, 2023).

As vacinas inutilizadas, vencidas ou frascos vazios devem ser descartados em recipientes apropriados para resíduos infectantes ou biológicos, seguindo os protocolos locais de gerenciamento de resíduos da saúde. Todo descarte deve seguir as normativas regulamentadas pelos órgãos ambientais e sanitários, garantindo a segurança da equipe de saúde e da comunidade (WHO, 2015).

Descarte Correto dos Resíduos

  • Recipientes para perfurocortantes: devem estar próximos ao local de aplicação e nunca devem ser reutilizados.
  • Resíduos comuns e infectantes: devem ser descartados separadamente, respeitando normas vigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).
  • A coleta e destinação correta dos resíduos devem seguir rigorosamente as legislações sanitárias municipais e nacionais vigentes, garantindo a segurança dos profissionais de saúde, usuários e meio ambiente (BRASIL, 2014).

Considerações Finais

O rigoroso preparo, a aplicação correta e o descarte seguro dos materiais utilizados na vacinação são procedimentos essenciais para garantir a eficácia da imunização e a segurança do profissional e do paciente. Seguir as recomendações estabelecidas

pelos órgãos reguladores nacionais e internacionais garante resultados positivos para indivíduos e populações, fortalecendo os programas de imunização como estratégia essencial em saúde pública.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Rede de Frio do Programa Nacional de Imunizações. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: mar. 2024.

SBIm – Sociedade Brasileira de Imunizações. Guia Prático de Imunização. São Paulo: SBIm, 2018.

WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Immunization in Practice: Module 3: Ensuring Safe Injections. Geneva: WHO, 2015. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: mar. 2024.

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