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Conceitos Básicos sobre Aplicação de Vacinas

 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE APLICAÇÃO DE VACINAS

 

Fundamentos da Vacinação 

História das Vacinas 

Origem e Evolução das Vacinas

A história das vacinas está profundamente conectada ao desenvolvimento da medicina e ao enfrentamento das doenças infecciosas ao longo dos séculos. Os registros mais antigos relacionados à imunização datam da China antiga, por volta do século X, quando práticas rudimentares de variolação já eram empregadas para prevenir casos graves de varíola. Nesta técnica, fragmentos de pústulas secas de pessoas infectadas eram colocados em contato com arranhões superficiais na pele de indivíduos saudáveis, conferindo alguma imunidade (MORAES, 2011).

No entanto, a vacinação moderna, como conhecemos atualmente, surgiu somente no final do século XVIII. Em 1796, o médico inglês Edward Jenner (1749-1823), observando que pessoas que haviam contraído varíola bovina (uma versão menos agressiva da doença) não contraíam a forma humana, realizou uma experiência histórica. Jenner inoculou o menino James Phipps com secreções de varíola bovina e, semanas depois, constatou que a criança estava protegida contra a varíola humana. Esse evento marcou o início oficial da vacinação e foi fundamental para o desenvolvimento da imunologia (STERN; MARKEL, 2005).

Ao longo dos séculos XIX e XX, as vacinas evoluíram rapidamente, impulsionadas por avanços científicos e tecnológicos. Em 1885, Louis Pasteur criou uma vacina eficaz contra a raiva, fortalecendo ainda mais o conceito de vacinação e imunização preventiva (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Principais Descobertas e Avanços

Após os trabalhos pioneiros de Jenner e Pasteur, o século XX foi marcado por um expressivo progresso no desenvolvimento e aplicação de vacinas. Entre as conquistas mais notáveis está a criação da vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin), desenvolvida em 1921 pelos cientistas Albert Calmette e Camille Guérin, utilizada até hoje na prevenção das formas graves de tuberculose (FIOCRUZ, 2003).

Outro avanço importante foi o desenvolvimento das vacinas contra poliomielite. Em 1955, Jonas Salk criou uma vacina de vírus inativado (VIP), administrada por injeção. Posteriormente, em 1961, Albert Sabin desenvolveu a vacina oral contra poliomielite (VOP), produzida com vírus atenuados, que facilitou campanhas massivas de imunização em larga escala (BARRETO; TEIXEIRA; CARMO, 2011).

A década de 1970 trouxe a criação da vacina tríplice viral, que

protege contra sarampo, caxumba e rubéola, doenças que até então afetavam significativamente a saúde infantil. Nas últimas décadas, novas tecnologias possibilitaram o desenvolvimento de vacinas recombinantes e conjugadas, como as vacinas contra hepatite B, HPV e meningite meningocócica, ampliando significativamente o espectro de prevenção (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Mais recentemente, na primeira metade do século XXI, o desenvolvimento acelerado das vacinas contra a COVID-19 demonstrou claramente a importância e o potencial da biotecnologia moderna na produção de imunobiológicos altamente eficazes e seguros, baseados em tecnologias inovadoras como as vacinas de mRNA (POLACK et al., 2020).

Impacto das Vacinas na Saúde Pública

As vacinas são consideradas uma das maiores conquistas da medicina moderna, com impacto significativo sobre a morbidade e mortalidade relacionadas a doenças infecciosas em todo o mundo. A introdução das campanhas sistemáticas de vacinação tem permitido a erradicação e o controle eficaz de inúmeras doenças graves. Um exemplo emblemático é a erradicação global da varíola, anunciada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 1980, após ampla cobertura vacinal em nível global (WHO, 2010).

Além disso, o impacto das vacinas se traduz em melhorias expressivas na expectativa de vida e na qualidade da saúde das populações, especialmente em crianças e idosos. Doenças como poliomielite, sarampo e difteria, que anteriormente causavam grandes epidemias e altas taxas de mortalidade infantil, foram drasticamente reduzidas graças às políticas públicas de vacinação (BARRETO; TEIXEIRA; CARMO, 2011).

A vacinação também é fundamental para a equidade em saúde, sendo uma das intervenções mais custo-efetivas, acessíveis e capazes de reduzir as disparidades sociais em saúde. Sua ampla aceitação e adoção representam um dos pilares centrais para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas (WHO, 2010).

Em suma, a trajetória histórica das vacinas evidencia seu papel crucial não apenas no controle e prevenção de doenças infecciosas, mas também na promoção da saúde global, representando uma ferramenta indispensável na saúde pública moderna.

Referências Bibliográficas

BARRETO, M.L.; TEIXEIRA, M.G.; CARMO, E.H. Doenças infecciosas emergentes e reemergentes: desafios para a saúde pública no Brasil. Revista de Saúde Pública, v.45, n.6, p.1132-1141, 2011.

FIOCRUZ. Fundação Oswaldo Cruz. Vacina BCG – História e

BCG – História e Atualidade. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2003.

MORAES, J.C. História da vacinação no Brasil. Revista Ciência e Cultura, v.63, n.4, p.22-27, 2011.

PLOTKIN, S.A.; ORENSTEIN, W.A.; OFFIT, P.A. Vaccines. 6ª ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2013.

POLACK, F.P. et al. Safety and efficacy of the BNT162b2 mRNA Covid-19 vaccine. New England Journal of Medicine, v.383, n.27, p.2603-2615, 2020.

STERN, A.M.; MARKEL, H. The history of vaccines and immunization: familiar patterns, new challenges. Health Affairs, v.24, n.3, p.611-621, 2005.

WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Immunization, Vaccines and Biologicals: Smallpox Eradication. Geneva: WHO, 2010. Disponível em: https://www.who.int/. Acesso em: mar. 2024.


Conceitos Gerais em Imunização

 

O que é uma vacina?

Uma vacina é um produto biológico desenvolvido com o objetivo de estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater agentes patogênicos específicos. Geralmente, uma vacina é composta por partes do microrganismo enfraquecido ou morto, toxinas inativadas ou componentes específicos desses agentes que provocam uma resposta imunológica sem causar a doença propriamente dita. O objetivo é gerar memória imunológica, permitindo que o organismo esteja preparado para combater rapidamente infecções futuras pelo mesmo agente patogênico (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Tipos de imunização: ativa e passiva

A imunização pode ocorrer de duas formas principais: ativa ou passiva.

Imunização Ativa

A imunização ativa ocorre quando o organismo é exposto a um antígeno (parte do microrganismo) e desenvolve sua própria resposta imunológica. Essa resposta inclui a produção de anticorpos e células de memória específicas para o agente invasor. Pode ocorrer naturalmente, através da exposição direta ao patógeno durante uma infecção, ou artificialmente, através da administração de vacinas (BRASIL, 2014).

A grande vantagem da imunização ativa é a duração da proteção, já que o organismo é capaz de manter memória imunológica por períodos prolongados, muitas vezes por toda a vida. No entanto, seu efeito protetor pode levar dias ou semanas para ser plenamente alcançado (ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2017).

Tipos de vacinas utilizadas para imunização ativa incluem:

  • Vacinas vivas atenuadas: contém o patógeno vivo, porém enfraquecido, como as vacinas contra sarampo, rubéola e caxumba.
  • Vacinas inativadas: o agente patogênico é morto por meio de processos físicos ou químicos, como as vacinas
  • contra influenza e hepatite A.
  • Vacinas sub unitárias ou recombinantes: utilizam apenas partes específicas do patógeno, como as vacinas contra hepatite B e HPV.
  • Vacinas toxoides: feitas a partir das toxinas produzidas pelos patógenos, como é o caso das vacinas contra tétano e difteria (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Tipos de Imunização: Ativa e Passiva

Além da imunização ativa, existe também a imunização passiva. Essa última consiste na transferência direta de anticorpos específicos previamente produzidos por outro indivíduo ou animal. A imunização passiva é utilizada principalmente em situações emergenciais ou quando não há tempo suficiente para o organismo desenvolver sua própria resposta imunológica ativa. Exemplos incluem a administração de imunoglobulinas específicas em casos de exposição ao vírus da raiva, hepatite B ou toxina tetânica (BRASIL, 2014).

Diferentemente da imunização ativa, a imunização passiva oferece proteção imediata, porém temporária, uma vez que não ocorre formação de memória imunológica duradoura. A proteção diminui conforme os anticorpos administrados são metabolizados e eliminados do organismo receptor (ABBAS; LICHTMAN; OFFIT, 2013).

Resposta Imunológica e Tipos de Imunidade

O sistema imunológico é responsável pela defesa do organismo contra agentes infecciosos e substâncias estranhas. A resposta imunológica é composta por mecanismos específicos e inespecíficos, divididos em imunidade inata e adaptativa.

Imunidade Inata

A imunidade inata é a primeira linha de defesa do organismo contra infecções e atua de forma rápida, porém não específica, ou seja, não gera memória imunológica. Ela envolve barreiras físicas, como a pele e mucosas, além de células como macrófagos e neutrófilos, que reconhecem rapidamente agentes estranhos e os combatem (ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2017).

Imunidade Adaptativa

Já a imunidade adaptativa é altamente específica e é adquirida ao longo da vida. Caracteriza-se pela capacidade de reconhecer e lembrar-se de patógenos específicos. É dividida em dois tipos principais:

  • Imunidade humoral: mediada por anticorpos produzidos pelos linfócitos B, sendo responsável pela neutralização de patógenos extracelulares.
  • Imunidade celular: mediada pelos linfócitos T, que eliminam células infectadas por vírus ou células cancerígenas diretamente, além de regularem outras respostas imunológicas (ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2017).

Resposta Imunológica após a Vacinação

Após a vacinação, ocorre um processo imunológico que inclui a apresentação do antígeno aos linfócitos, ativação e proliferação dessas células e produção de anticorpos específicos. Esses mecanismos garantem proteção efetiva contra futuros contatos com o agente infeccioso. É justamente essa capacidade de memória imunológica que garante a proteção duradoura conferida pelas vacinas, tornando a imunização uma estratégia essencial de prevenção em saúde pública (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Impacto das Vacinas na Saúde Pública

As vacinas têm desempenhado um papel fundamental na redução drástica de doenças infecciosas graves ao redor do mundo. A erradicação da varíola e o controle quase total da poliomielite são exemplos claros desse impacto positivo, demonstrando a eficácia das estratégias de imunização. Além disso, as campanhas de vacinação diminuem custos com tratamentos, hospitalizações e complicações associadas às doenças, proporcionando melhorias significativas na qualidade e expectativa de vida das populações (BRASIL, 2014).

Referências Bibliográficas

ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia celular e molecular. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de normas e procedimentos para vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

PLOTKIN, S. A.; ORENSTEIN, W. A.; OFFIT, P. A. Vaccines. 6ª ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2013.

 

Tipos de Vacinas e Composição

 

A imunização é uma das intervenções mais eficazes no controle e prevenção das doenças infecciosas. As vacinas podem ser classificadas em diferentes tipos conforme a técnica empregada em sua fabricação e composição. A compreensão desses tipos é fundamental para entender a sua aplicação clínica, segurança e eficácia.

Vacinas Vivas Atenuadas e Inativadas

As vacinas vivas atenuadas contêm agentes patogênicos vivos que foram modificados (atenuados) em laboratório para perderem sua capacidade patogênica, mantendo a habilidade de estimular uma resposta imunológica robusta. Exemplos incluem vacinas contra sarampo, rubéola, caxumba, febre amarela e poliomielite oral (Sabin). Essas vacinas geralmente provocam uma resposta imunológica intensa e duradoura, geralmente com uma única ou poucas doses, conferindo imunidade prolongada. Entretanto, apresentam riscos em indivíduos imunocomprometidos ou gestantes, pois podem causar infecções em casos raros (BRASIL, 2014; PLOTKIN;

contêm agentes patogênicos vivos que foram modificados (atenuados) em laboratório para perderem sua capacidade patogênica, mantendo a habilidade de estimular uma resposta imunológica robusta. Exemplos incluem vacinas contra sarampo, rubéola, caxumba, febre amarela e poliomielite oral (Sabin). Essas vacinas geralmente provocam uma resposta imunológica intensa e duradoura, geralmente com uma única ou poucas doses, conferindo imunidade prolongada. Entretanto, apresentam riscos em indivíduos imunocomprometidos ou gestantes, pois podem causar infecções em casos raros (BRASIL, 2014; PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Já as vacinas inativadas são produzidas utilizando microrganismos mortos ou partes deles. Essas vacinas não são capazes de causar infecção porque o agente não está vivo. Exemplos incluem vacinas contra influenza, hepatite A e poliomielite injetável. Geralmente, necessitam de doses adicionais e reforços periódicos para garantir a manutenção da imunidade adequada, pois possuem uma resposta imunológica menos intensa quando comparadas às vacinas vivas atenuadas (BRASIL, 2014).

Vacinas Conjugadas, Recombinantes e Toxoides

As vacinas conjugadas são formuladas combinando um polissacarídeo (componente presente na cápsula bacteriana) a uma proteína carregadora. Isso estimula uma resposta imunológica mais eficaz, especialmente em crianças menores de dois anos, cujos sistemas imunológicos não respondem adequadamente aos polissacarídeos isolados. Um exemplo é a vacina contra meningite meningocócica e pneumocócica conjugada (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Já as vacinas recombinantes são produzidas através de engenharia genética, onde genes específicos de agentes patogênicos são inseridos em células produtoras para sintetizar proteínas específicas do patógeno. A vacina contra hepatite B e a vacina contra o HPV são exemplos desse tipo. Essas vacinas oferecem um perfil de segurança excelente por não conterem o agente patogênico completo, eliminando o risco de infecção (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).

Os toxoides são vacinas preparadas a partir de toxinas bacterianas, tratadas quimicamente para perderem sua toxicidade, porém mantendo a capacidade de estimular o sistema imunológico. As vacinas contra difteria e tétano são exemplos clássicos de vacinas de toxoide. São altamente eficazes na prevenção das doenças associadas às toxinas produzidas por certas bactérias (BRASIL, 2014).

Componentes Principais das Vacinas

Independentemente do tipo, as vacinas

geralmente possuem componentes básicos para garantir sua segurança e eficácia. Esses componentes incluem:

  • Antígenos: São substâncias derivadas de patógenos ou toxinas que estimulam a resposta imunológica específica do organismo (BRASIL, 2014).
  • Adjuvantes: Substâncias adicionadas para potencializar e prolongar a resposta imunológica induzida pelo antígeno. O exemplo mais comum é o hidróxido de alumínio (ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2017).
  • Conservantes e estabilizantes: São utilizados para preservar a estabilidade e integridade das vacinas, garantindo que permaneçam eficazes e seguras durante armazenamento e transporte (PLOTKIN; ORENSTEIN; OFFIT, 2013).
  • Diluintes: Líquidos utilizados para dissolver ou diluir vacinas liofilizadas antes de serem administradas (BRASIL, 2014).

Esses componentes são cuidadosamente selecionados e testados para garantir segurança e eficácia, atendendo padrões rigorosos de qualidade.

Considerações Finais

Conhecer os diferentes tipos de vacinas e sua composição é essencial para profissionais da saúde, permitindo melhor compreensão dos benefícios, riscos, indicações e contraindicações das vacinas disponíveis. A escolha adequada da vacina, respeitando suas indicações específicas, é fundamental para o sucesso dos programas de imunização.

Referências Bibliográficas

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

PLOTKIN, S. A.; ORENSTEIN, W. A.; OFFIT, P. A. Vaccines. 6ª ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2013.

SBIM - Sociedade Brasileira de Imunizações. Guia Prático de Imunização. São Paulo: SBIm, 2018.


Esquemas de Vacinação e Calendário Vacinal

 

Calendários Vacinais Infantis e Adultos

O calendário vacinal representa um conjunto estruturado e organizado de recomendações sobre o momento adequado para a aplicação de vacinas, visando proteger indivíduos em diferentes fases da vida contra doenças infecciosas específicas. O cumprimento dos esquemas vacinais é essencial para garantir a imunidade individual e coletiva, prevenindo o reaparecimento ou agravamento de doenças já controladas (BRASIL, 2023).

Os calendários de vacinação são estruturados por faixa etária e por grupos específicos, levando em consideração os períodos críticos de maior susceptibilidade às doenças, a resposta imunológica esperada e a epidemiologia das

doenças, a resposta imunológica esperada e a epidemiologia das doenças em determinada região ou país (WHO, 2021).

Calendários Vacinais Infantis e Adultos

O calendário vacinal infantil tem como objetivo proteger as crianças durante seus primeiros anos de vida, período no qual estão mais suscetíveis a infecções. No Brasil, por exemplo, o calendário infantil do Programa Nacional de Imunizações (PNI) inclui vacinas importantes como a BCG, hepatite B, pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae tipo b e hepatite B), poliomielite (VIP e VOP), pneumocócica conjugada, rotavírus, meningocócica conjugada, febre amarela e tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), além de outras vacinas sazonais, como influenza (BRASIL, 2023).

Os adultos também possuem calendários específicos, especialmente importantes para grupos vulneráveis ou expostos a riscos ocupacionais e ambientais específicos. Entre as vacinas recomendadas aos adultos estão as vacinas contra influenza (anual), tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche), hepatite B, pneumocócica, HPV (para adultos jovens), febre amarela e vacinas específicas para viajantes, conforme necessidades individuais e epidemiológicas (SBIM, 2018).

Intervalos e Doses das Principais Vacinas

O esquema de vacinação define o número e intervalo das doses necessárias para conferir proteção adequada contra determinada doença. Algumas vacinas exigem múltiplas doses para garantir imunidade duradoura. Por exemplo, a vacina pentavalente é administrada aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforços posteriores indicados em outros momentos da infância para manter a proteção (BRASIL, 2023).

A vacina contra hepatite B é administrada em três doses (ao nascer, aos 2 e aos 6 meses de vida) para conferir uma imunidade efetiva. Já a vacina contra o HPV requer duas ou três doses, dependendo da idade em que é iniciada a vacinação. Vacinas anuais, como a da influenza, precisam de reforço periódico devido às mudanças frequentes do vírus causador da gripe (SBIm, 2018).

O respeito aos intervalos recomendados entre as doses é crucial, pois interfere diretamente na eficácia da resposta imunológica e na manutenção da proteção ao longo do tempo. Intervalos inadequados ou esquemas incompletos podem comprometer significativamente a imunidade alcançada (WHO, 2021).

Importância do Cumprimento dos Esquemas Vacinais

O cumprimento rigoroso dos esquemas vacinais é fundamental para assegurar a eficácia das vacinas. Quando doses são

omitidas ou aplicadas fora dos intervalos recomendados, o nível de proteção pode ser reduzido, deixando o indivíduo vulnerável à infecção. Além disso, uma baixa adesão aos esquemas vacinais pode comprometer a imunidade coletiva (imunidade de rebanho), favorecendo a circulação e ressurgimento de doenças antes controladas ou eliminadas (BRASIL, 2023).

A imunidade coletiva ou "imunidade de rebanho" é atingida quando uma parcela significativa da população está imunizada, diminuindo as chances de transmissão do agente patogênico, protegendo indiretamente aqueles que não podem ser vacinados por razões médicas (ABBAS; LICHTMAN; PILLAI, 2017).

Portanto, respeitar o calendário vacinal é não apenas um compromisso individual, mas também uma responsabilidade social, crucial para o sucesso dos programas de imunização em nível nacional e global (WHO, 2021).

Referências Bibliográficas

ABBAS, A. K.; LICHTMAN, A. H.; PILLAI, S. Imunologia celular e molecular. 9ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.

BRASIL. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação. Brasília: Ministério da Saúde, 2023. Disponível em: https://www.gov.br/saude. Acesso em: mar. 2024.

PLOTKIN, S. A.; ORENSTEIN, W. A.; OFFIT, P. A. Vaccines. 6ª ed. Philadelphia: Elsevier Saunders, 2013.

SBIm – Sociedade Brasileira de Imunizações. Guia Prático de Atualização em Vacinação. São Paulo: SBIm, 2018.

WORLD HEALTH ORGANIZATION – WHO. Immunization Agenda 2030: A global strategy to leave no one behind. Geneva: WHO, 2020. Disponível em: https://www.who.int. Acesso em: mar. 2024.

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