Conceitos Fundamentais sobre Lesões por Pressão
O que são Lesões por Pressão?
As lesões por pressão, também conhecidas como úlceras de pressão ou escaras, são áreas de dano localizado na pele e/ou nos tecidos subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea. Elas ocorrem devido à pressão prolongada ou combinada com forças de cisalhamento e fricção, que comprometem a circulação sanguínea, levando à morte celular e ao desenvolvimento das lesões.
Definição
e Classificação das Lesões por Pressão
De
acordo com a National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP), as lesões por
pressão são classificadas em estágios com base na gravidade dos danos aos
tecidos. Essa classificação ajuda no diagnóstico, no manejo clínico e no
planejamento do tratamento. Os estágios são:
Fatores
de Risco Mais Comuns
As
lesões por pressão são frequentemente associadas a pacientes com mobilidade
reduzida ou restrição prolongada ao leito ou cadeira de rodas. Os principais
fatores de risco incluem:
1. Imobilidade:
Pacientes acamados ou com pouca capacidade de se movimentar são mais propensos
a desenvolver essas lesões.
2. Idade
avançada: O envelhecimento reduz a elasticidade e a regeneração
da pele, aumentando o risco.
3. Doenças
crônicas: Condições como diabetes, insuficiência cardíaca e
doença vascular periférica afetam a circulação e a capacidade de cicatrização.
4. Nutrição inadequada: A falta de proteínas, vitaminas e calorias reduz a capacidade da pele de se
regenerar.
5. Incontinência:
A exposição prolongada à umidade (urina ou fezes) enfraquece a barreira
protetora da pele.
6. Pressão sobre proeminências ósseas: Áreas como o cóccix, calcâneos e quadris estão especialmente vulneráveis devido à proximidade com o osso.
Epidemiologia
das Lesões por Pressão
As
lesões por pressão representam um problema de saúde pública global devido à sua
alta prevalência e impacto no sistema de saúde. Estima-se que entre 5% e 15%
dos pacientes hospitalizados desenvolvam lesões por pressão em algum momento de
sua internação.
Com
a adoção de medidas preventivas e um cuidado adequado, é possível reduzir
significativamente a incidência dessas lesões, promovendo maior qualidade de
vida para os pacientes e diminuindo os custos associados ao tratamento.
Fisiopatologia das Lesões por Pressão
As lesões por pressão são resultado de forças mecânicas prolongadas que interrompem o fluxo sanguíneo e causam danos teciduais. A compreensão da fisiopatologia por trás dessas lesões é essencial para prevenir e tratar de forma eficaz. Este texto aborda os processos biológicos envolvidos no desenvolvimento, as áreas mais suscetíveis e as diferenças entre lesões superficiais e profundas.
Processos
Biológicos Envolvidos no Desenvolvimento das Lesões
As
lesões por pressão se formam devido a uma combinação de fatores mecânicos, como
pressão prolongada, forças de cisalhamento e fricção, que levam à
redução ou obstrução do fluxo sanguíneo (isquemia). Os processos biológicos
incluem:
1. Isquemia:
A pressão constante comprime os vasos sanguíneos, limitando o suprimento de
oxigênio e nutrientes para os tecidos. Isso causa necrose celular e morte
tecidual.
2. Reperfusão:
Quando a pressão é aliviada, a circulação sanguínea é restaurada. No entanto,
essa reperfusão pode causar dano adicional, pois a liberação abrupta de
radicais livres inflama os tecidos já comprometidos.
3. Inflamação e edema: A resposta inflamatória local
A resposta inflamatória local agrava a lesão,
aumentando o inchaço e danificando os tecidos adjacentes.
4. Dano
progressivo: Com o tempo, a falta de oxigênio e
nutrientes acelera a necrose, que pode atingir tecidos mais profundos, como
músculos, tendões e ossos.
A extensão e a gravidade do dano dependem da intensidade e duração da pressão, além da capacidade do tecido de se adaptar.
Principais
Áreas do Corpo Mais Suscetíveis
As
áreas do corpo mais propensas a desenvolver lesões por pressão são aquelas onde
o tecido macio está comprimido entre uma proeminência óssea e uma superfície
externa rígida, como uma cama ou cadeira de rodas. Essas áreas incluem:
A predisposição varia conforme o estado geral do paciente, como idade avançada, nutrição deficiente ou presença de doenças crônicas.
Diferença
entre Lesões Superficiais e Profundas
As lesões por pressão podem ser classificadas como superficiais ou profundas, dependendo da profundidade do dano tecidual.
Lesões
Superficiais
Lesões
Profundas
Enquanto as lesões superficiais são mais fáceis de tratar e geralmente não deixam sequelas, as lesões profundas podem causar complicações graves e afetar a qualidade de vida do paciente.
A fisiopatologia das lesões por pressão demonstra a importância
das lesões por pressão demonstra a importância de identificar
precocemente os sinais de comprometimento tecidual e implementar estratégias
preventivas. A combinação de cuidado adequado e tecnologia pode reduzir
significativamente o impacto dessas lesões na saúde do paciente.
Identificação e Estadiamento das Lesões
por Pressão
As lesões por pressão são classificadas em estágios de acordo com a gravidade e a profundidade do dano tecidual. A identificação e o estadiamento corretos são fundamentais para planejar o tratamento adequado e evitar a progressão das lesões. Além disso, o uso de métodos de avaliação e escalas de risco, como a Escala de Braden, ajuda a prever e prevenir o desenvolvimento dessas lesões.
Classificação
das Lesões por Estágios
A
National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP) define os estágios das
lesões por pressão em categorias que refletem a profundidade e a gravidade do
dano:
1. Estágio
I:
o Pele
intacta com eritema (vermelhidão) não branqueável.
o A
área pode apresentar alterações de temperatura (quente ou fria), consistência
(endurecida ou macia) e sensibilidade (dor ou desconforto).
2. Estágio
II:
o Perda
parcial da espessura da pele, afetando a epiderme e/ou derme.
o A
lesão pode se apresentar como uma bolha, abrasão ou úlcera superficial.
o Não
há exposição de tecido subcutâneo.
3. Estágio
III:
o Perda
total da espessura da pele, com exposição do tecido subcutâneo.
o Pode
haver necrose visível (tecido esbranquiçado ou amarelado) e formação de túneis
ou cavidades.
o Estruturas
mais profundas, como músculos e ossos, não estão visíveis.
4. Estágio
IV:
o Perda
total da espessura da pele e do tecido subjacente, com exposição de músculos,
tendões ou ossos.
o Necrose
e tecido esfacelado são comuns, e há alto risco de infecção.
5. Lesão
Tissular Profunda:
o Área
de tecido intacto ou não intacto, com descoloração roxa ou marrom, indicando
dano nos tecidos subjacentes.
o A
pele pode apresentar bolhas com sangue ou estar macerada.
6. Lesão
Não Classificável:
o A profundidade do dano não pode ser determinada devido à presença de tecido esfacelado (necrose) ou crostas que cobrem a área.
Métodos
de Avaliação e Uso de Escalas de Risco
A
identificação precoce e a avaliação contínua das lesões por pressão são
essenciais para um manejo eficaz. Entre os métodos disponíveis, destacam-se:
1. Inspeção
Visual:
o Observar alterações na cor, textura e
integridade da pele.
o Verificar
proeminências ósseas e áreas de maior pressão.
2. Palpação:
o Identificar
áreas de endurecimento, calor ou frio, que indicam isquemia ou inflamação.
3. Escala
de Braden:
o Uma
ferramenta amplamente utilizada para avaliar o risco de desenvolvimento de
lesões por pressão.
o Analisa
seis fatores principais: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade,
nutrição e fricção/cisalhamento.
o Cada
fator recebe uma pontuação, e quanto menor a pontuação total, maior o risco.
4. Uso
de Dispositivos Avançados:
o Algumas instituições utilizam dispositivos de imagem, como termografia e ultrassom, para identificar lesões subclínicas.
Como
Documentar e Monitorar Lesões
A
documentação precisa e o monitoramento contínuo são indispensáveis para
garantir a qualidade do cuidado e a comunicação eficaz entre os profissionais
de saúde.
1. Documentação
Inicial:
o Registrar
o estágio da lesão, tamanho (comprimento, largura e profundidade) e localização
anatômica.
o Descrever
a aparência do leito da ferida (ex.: presença de necrose, esfacelo, exsudato) e
o estado da pele ao redor.
2. Registro
Fotográfico:
o Fotografar
a lesão com consentimento do paciente, utilizando iluminação adequada e uma
régua para medir o tamanho.
o Manter
as imagens anexadas ao prontuário do paciente.
3. Monitoramento
Contínuo:
o Realizar
avaliações diárias ou semanais, dependendo da gravidade da lesão.
o Registrar
mudanças na aparência, sinais de infecção (como odor, calor ou exsudato
aumentado) e resposta ao tratamento.
4. Plano
de Cuidados:
o Atualizar
o plano de tratamento com base no progresso ou regressão da lesão.
o Incluir observações sobre intervenções preventivas, como mudanças de decúbito e uso de superfícies de apoio.
A identificação e o estadiamento das lesões por pressão são etapas críticas para o sucesso no tratamento e na prevenção de complicações. Com métodos adequados de avaliação e registro, é possível melhorar significativamente o cuidado ao paciente e reduzir a incidência dessas lesões debilitantes.
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