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Introdução aos Cuidados e Ações Preventivas de Lesões por Pressão

 INTRODUÇÃO AOS CUIDADOS E AÇÕES PREVENTIVAS DE LESÕES POR PRESSÃO

 

 

Conceitos Fundamentais sobre Lesões por Pressão

O que são Lesões por Pressão?

 

As lesões por pressão, também conhecidas como úlceras de pressão ou escaras, são áreas de dano localizado na pele e/ou nos tecidos subjacentes, geralmente sobre uma proeminência óssea. Elas ocorrem devido à pressão prolongada ou combinada com forças de cisalhamento e fricção, que comprometem a circulação sanguínea, levando à morte celular e ao desenvolvimento das lesões.

Definição e Classificação das Lesões por Pressão

De acordo com a National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP), as lesões por pressão são classificadas em estágios com base na gravidade dos danos aos tecidos. Essa classificação ajuda no diagnóstico, no manejo clínico e no planejamento do tratamento. Os estágios são:

  • Estágio 1: Pele intacta com eritema não branqueável. A área pode apresentar alterações na temperatura, consistência ou sensibilidade.
  • Estágio 2: Perda parcial da espessura da pele, envolvendo a epiderme e, possivelmente, a derme. A lesão pode aparecer como uma bolha ou uma úlcera superficial.
  • Estágio 3: Perda total da espessura da pele, com exposição da gordura subcutânea. Podem estar presentes tecidos mortos ou túneis.
  • Estágio 4: Perda total da espessura do tecido, com exposição de músculo, osso, tendão ou ligamentos. Necrose extensa e infecção são comuns.
  • Lesão tecidual profunda: Área descolorida ou com bolhas, indicando dano aos tecidos profundos, mas com a pele intacta.
  • Lesão não classificável: Coberta por necrose ou tecido fibrótico, o que impede a identificação da profundidade exata do dano.

Fatores de Risco Mais Comuns

As lesões por pressão são frequentemente associadas a pacientes com mobilidade reduzida ou restrição prolongada ao leito ou cadeira de rodas. Os principais fatores de risco incluem:

1.     Imobilidade: Pacientes acamados ou com pouca capacidade de se movimentar são mais propensos a desenvolver essas lesões.

2.     Idade avançada: O envelhecimento reduz a elasticidade e a regeneração da pele, aumentando o risco.

3.     Doenças crônicas: Condições como diabetes, insuficiência cardíaca e doença vascular periférica afetam a circulação e a capacidade de cicatrização.

4.     Nutrição inadequada: A falta de proteínas, vitaminas e calorias reduz a capacidade da pele de se

regenerar.

5.     Incontinência: A exposição prolongada à umidade (urina ou fezes) enfraquece a barreira protetora da pele.

6.     Pressão sobre proeminências ósseas: Áreas como o cóccix, calcâneos e quadris estão especialmente vulneráveis devido à proximidade com o osso.

Epidemiologia das Lesões por Pressão

As lesões por pressão representam um problema de saúde pública global devido à sua alta prevalência e impacto no sistema de saúde. Estima-se que entre 5% e 15% dos pacientes hospitalizados desenvolvam lesões por pressão em algum momento de sua internação.

  • Grupos de maior risco: Pacientes em unidades de terapia intensiva, idosos institucionalizados e pessoas com deficiências físicas são os mais afetados.
  • Mortalidade e complicações: Lesões por pressão não tratadas adequadamente podem levar a infecções graves, como sepse, aumentando o risco de mortalidade.
  • Custo econômico: O manejo das lesões por pressão gera altos custos devido à necessidade de recursos especializados, terapias avançadas e internações prolongadas.

Com a adoção de medidas preventivas e um cuidado adequado, é possível reduzir significativamente a incidência dessas lesões, promovendo maior qualidade de vida para os pacientes e diminuindo os custos associados ao tratamento.

 

Fisiopatologia das Lesões por Pressão

 

As lesões por pressão são resultado de forças mecânicas prolongadas que interrompem o fluxo sanguíneo e causam danos teciduais. A compreensão da fisiopatologia por trás dessas lesões é essencial para prevenir e tratar de forma eficaz. Este texto aborda os processos biológicos envolvidos no desenvolvimento, as áreas mais suscetíveis e as diferenças entre lesões superficiais e profundas.

Processos Biológicos Envolvidos no Desenvolvimento das Lesões

As lesões por pressão se formam devido a uma combinação de fatores mecânicos, como pressão prolongada, forças de cisalhamento e fricção, que levam à redução ou obstrução do fluxo sanguíneo (isquemia). Os processos biológicos incluem:

1.     Isquemia: A pressão constante comprime os vasos sanguíneos, limitando o suprimento de oxigênio e nutrientes para os tecidos. Isso causa necrose celular e morte tecidual.

2.     Reperfusão: Quando a pressão é aliviada, a circulação sanguínea é restaurada. No entanto, essa reperfusão pode causar dano adicional, pois a liberação abrupta de radicais livres inflama os tecidos já comprometidos.

3.     Inflamação e edema: A resposta inflamatória local

A resposta inflamatória local agrava a lesão, aumentando o inchaço e danificando os tecidos adjacentes.

4.     Dano progressivo: Com o tempo, a falta de oxigênio e nutrientes acelera a necrose, que pode atingir tecidos mais profundos, como músculos, tendões e ossos.

A extensão e a gravidade do dano dependem da intensidade e duração da pressão, além da capacidade do tecido de se adaptar.

Principais Áreas do Corpo Mais Suscetíveis

As áreas do corpo mais propensas a desenvolver lesões por pressão são aquelas onde o tecido macio está comprimido entre uma proeminência óssea e uma superfície externa rígida, como uma cama ou cadeira de rodas. Essas áreas incluem:

  • Região sacral (cóccix): Mais comum em pacientes acamados.
  • Calcâneos (calcanhares): Devido ao contato frequente com o colchão.
  • Quadris e trocânteres: Em pacientes deitados de lado.
  • Ombros e cotovelos: Em pacientes com mobilidade reduzida que permanecem na mesma posição por longos períodos.
  • Occipício (parte de trás da cabeça): Especialmente em neonatos e idosos acamados.
  • Maléolos (tornozelos): Por atrito ou contato direto com superfícies.

A predisposição varia conforme o estado geral do paciente, como idade avançada, nutrição deficiente ou presença de doenças crônicas.

Diferença entre Lesões Superficiais e Profundas

As lesões por pressão podem ser classificadas como superficiais ou profundas, dependendo da profundidade do dano tecidual.

Lesões Superficiais

  • Afetam a epiderme e, em alguns casos, a derme.
  • Geralmente, resultam de fricção ou umidade excessiva (incontinência, transpiração).
  • Aparecem como eritema (vermelhidão), bolhas ou descamação.
  • Têm maior probabilidade de cura rápida se a pressão for aliviada e os cuidados com a pele forem adequados.

Lesões Profundas

  • Atingem camadas mais profundas, como o tecido subcutâneo, músculos, tendões e até ossos.
  • Resultam de pressão prolongada ou forças de cisalhamento, frequentemente em áreas com menos tecido protetor.
  • Apresentam necrose visível, túneis ou exsudato, podendo estar associadas a infecções graves.
  • Exigem intervenções complexas, como desbridamento ou uso de terapias avançadas.

Enquanto as lesões superficiais são mais fáceis de tratar e geralmente não deixam sequelas, as lesões profundas podem causar complicações graves e afetar a qualidade de vida do paciente.

A fisiopatologia das lesões por pressão demonstra a importância

das lesões por pressão demonstra a importância de identificar precocemente os sinais de comprometimento tecidual e implementar estratégias preventivas. A combinação de cuidado adequado e tecnologia pode reduzir significativamente o impacto dessas lesões na saúde do paciente.

Identificação e Estadiamento das Lesões por Pressão

 

As lesões por pressão são classificadas em estágios de acordo com a gravidade e a profundidade do dano tecidual. A identificação e o estadiamento corretos são fundamentais para planejar o tratamento adequado e evitar a progressão das lesões. Além disso, o uso de métodos de avaliação e escalas de risco, como a Escala de Braden, ajuda a prever e prevenir o desenvolvimento dessas lesões.

Classificação das Lesões por Estágios

A National Pressure Injury Advisory Panel (NPIAP) define os estágios das lesões por pressão em categorias que refletem a profundidade e a gravidade do dano:

1.     Estágio I:

o    Pele intacta com eritema (vermelhidão) não branqueável.

o    A área pode apresentar alterações de temperatura (quente ou fria), consistência (endurecida ou macia) e sensibilidade (dor ou desconforto).

2.     Estágio II:

o    Perda parcial da espessura da pele, afetando a epiderme e/ou derme.

o    A lesão pode se apresentar como uma bolha, abrasão ou úlcera superficial.

o    Não há exposição de tecido subcutâneo.

3.     Estágio III:

o    Perda total da espessura da pele, com exposição do tecido subcutâneo.

o    Pode haver necrose visível (tecido esbranquiçado ou amarelado) e formação de túneis ou cavidades.

o    Estruturas mais profundas, como músculos e ossos, não estão visíveis.

4.     Estágio IV:

o    Perda total da espessura da pele e do tecido subjacente, com exposição de músculos, tendões ou ossos.

o    Necrose e tecido esfacelado são comuns, e há alto risco de infecção.

5.     Lesão Tissular Profunda:

o    Área de tecido intacto ou não intacto, com descoloração roxa ou marrom, indicando dano nos tecidos subjacentes.

o    A pele pode apresentar bolhas com sangue ou estar macerada.

6.     Lesão Não Classificável:

o    A profundidade do dano não pode ser determinada devido à presença de tecido esfacelado (necrose) ou crostas que cobrem a área.

Métodos de Avaliação e Uso de Escalas de Risco

A identificação precoce e a avaliação contínua das lesões por pressão são essenciais para um manejo eficaz. Entre os métodos disponíveis, destacam-se:

1.     Inspeção Visual:

o    Observar alterações na cor, textura e

integridade da pele.

o    Verificar proeminências ósseas e áreas de maior pressão.

2.     Palpação:

o    Identificar áreas de endurecimento, calor ou frio, que indicam isquemia ou inflamação.

3.     Escala de Braden:

o    Uma ferramenta amplamente utilizada para avaliar o risco de desenvolvimento de lesões por pressão.

o    Analisa seis fatores principais: percepção sensorial, umidade, atividade, mobilidade, nutrição e fricção/cisalhamento.

o    Cada fator recebe uma pontuação, e quanto menor a pontuação total, maior o risco.

4.     Uso de Dispositivos Avançados:

o    Algumas instituições utilizam dispositivos de imagem, como termografia e ultrassom, para identificar lesões subclínicas.

Como Documentar e Monitorar Lesões

A documentação precisa e o monitoramento contínuo são indispensáveis para garantir a qualidade do cuidado e a comunicação eficaz entre os profissionais de saúde.

1.     Documentação Inicial:

o    Registrar o estágio da lesão, tamanho (comprimento, largura e profundidade) e localização anatômica.

o    Descrever a aparência do leito da ferida (ex.: presença de necrose, esfacelo, exsudato) e o estado da pele ao redor.

2.     Registro Fotográfico:

o    Fotografar a lesão com consentimento do paciente, utilizando iluminação adequada e uma régua para medir o tamanho.

o    Manter as imagens anexadas ao prontuário do paciente.

3.     Monitoramento Contínuo:

o    Realizar avaliações diárias ou semanais, dependendo da gravidade da lesão.

o    Registrar mudanças na aparência, sinais de infecção (como odor, calor ou exsudato aumentado) e resposta ao tratamento.

4.     Plano de Cuidados:

o    Atualizar o plano de tratamento com base no progresso ou regressão da lesão.

o    Incluir observações sobre intervenções preventivas, como mudanças de decúbito e uso de superfícies de apoio.

A identificação e o estadiamento das lesões por pressão são etapas críticas para o sucesso no tratamento e na prevenção de complicações. Com métodos adequados de avaliação e registro, é possível melhorar significativamente o cuidado ao paciente e reduzir a incidência dessas lesões debilitantes.

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