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Conceitos Básicos de Biologia Molecular

 CONCEITOS BÁSICOS DE BIOLOGIA MOLECULAR

 

Fundamentos da Biologia Molecular 

Introdução à Biologia Molecular

 

Definição e importância da biologia molecular

A biologia molecular é uma disciplina científica que estuda os processos biológicos ao nível molecular, focando nas estruturas, funções e interações das moléculas essenciais para a vida, como ácidos nucleicos (DNA e RNA) e proteínas. Essa área procura compreender os mecanismos pelos quais a informação genética é armazenada, transmitida e expressa nas células, o que permite a manutenção, reprodução e funcionamento dos organismos vivos.

O foco da biologia molecular é a explicação dos processos celulares básicos, incluindo a replicação do DNA, a transcrição do DNA em RNA, a tradução do RNA em proteínas, e a regulação desses processos. Por meio dessa abordagem, a biologia molecular desvenda os códigos que determinam a vida e suas variações, fornecendo uma base sólida para avanços na medicina, biotecnologia, agricultura e diversas outras áreas científicas.

A importância da biologia molecular reside no fato de que ela fornece as ferramentas e o conhecimento para a manipulação do material genético e para a compreensão dos mecanismos de doenças genéticas, infecções virais, câncer, entre outros. Compreender a biologia molecular permite o desenvolvimento de terapias genéticas, vacinas, diagnóstico molecular e melhorias genéticas em plantas e animais.

Além disso, ela integra conceitos fundamentais da genética, bioquímica e biotecnologia, constituindo um campo interdisciplinar essencial para as ciências da vida no século XXI.

Histórico e desenvolvimento da área

A biologia molecular, enquanto campo específico, surgiu ao longo do século XX, fruto da convergência de descobertas em genética, bioquímica e biologia celular. Seu desenvolvimento marcou uma revolução na compreensão dos processos fundamentais da vida.

Primeiros passos

No final do século XIX e início do século XX, o foco científico estava na genética clássica e na química dos seres vivos. Gregor Mendel, com suas leis da hereditariedade em 1865, lançou as bases para o estudo da transmissão genética, embora seu trabalho tenha sido redescoberto apenas em 1900. Ao mesmo tempo, a descoberta das moléculas que compõem os organismos vivos, como proteínas e ácidos nucleicos, avançava.

No início do século XX, a importância dos ácidos nucleicos ainda era desconhecida, e as proteínas eram consideradas os principais portadores da informação genética.

Entretanto, pesquisas como as de Phoebus Levene nos anos 1920 identificaram a estrutura básica dos nucleotídeos, os blocos construtores do DNA e RNA.

Descoberta do DNA como material genético

Um marco crucial para a biologia molecular foi a demonstração de que o DNA é o material genético. Através dos experimentos de Frederick Griffith em 1928, que mostraram a transformação bacteriana, e os experimentos de Avery, MacLeod e McCarty em 1944, que identificaram o DNA como o agente transformador, consolidou-se a ideia de que o DNA é a molécula responsável pela hereditariedade.

Nos anos 1950, o avanço definitivo foi a descrição da estrutura do DNA por James Watson e Francis Crick, baseada em dados de difração de raios X de Rosalind Franklin e Maurice Wilkins. Em 1953, Watson e Crick propuseram o modelo da dupla hélice, elucidando o mecanismo de replicação e a base molecular da transmissão genética.

Consolidação e expansão do campo

Após a descoberta da estrutura do DNA, a biologia molecular passou a explorar os processos de expressão genética. Nos anos 1960, foi decifrado o código genético, o conjunto de regras que traduz a sequência de nucleotídeos em aminoácidos para a síntese proteica. Pesquisadores como Marshall Nirenberg e Har Gobind Khorana foram fundamentais para esse avanço.

Durante as décadas seguintes, o desenvolvimento de técnicas como a clonagem de DNA, a reação em cadeia da polimerase (PCR) e o sequenciamento genético aceleraram o progresso da biologia molecular, permitindo manipulação precisa do material genético e estudo detalhado das funções moleculares.

A biologia molecular tornou-se uma disciplina central para a medicina, contribuindo para o entendimento de doenças genéticas, mecanismos de câncer, vírus e infecções, além de ser base para a biotecnologia moderna.

O Projeto Genoma Humano, iniciado na década de 1990 e concluído em 2003, representou um marco que exemplifica a maturidade e o impacto da biologia molecular no conhecimento científico e na sociedade.

Considerações finais

A biologia molecular transformou a ciência da vida, proporcionando um entendimento profundo dos processos biológicos fundamentais e possibilitando avanços tecnológicos e terapêuticos sem precedentes. Seu desenvolvimento histórico é marcado por descobertas-chave que alteraram a percepção do material genético e dos mecanismos celulares, alicerçando um campo interdisciplinar de grande relevância para a biologia, medicina, agricultura e indústria.

À medida que novas

medida que novas tecnologias surgem, como a edição gênica CRISPR-Cas9, a biologia molecular continua em expansão, abrindo novas fronteiras para a ciência e para aplicações que beneficiam diretamente a saúde humana e o meio ambiente.

Referências Bibliográficas

  • ALBERTS, B. et al. Molecular Biology of the Cell. 6th ed. New York: Garland Science, 2014.
  • COX, M. M.; LLEWELLYN, C. H.; LEWIS, J. E. Molecular Biology: Principles and Practice. 2nd ed. Oxford: Oxford University Press, 2015.
  • WATSON, J. D. et al. Molecular Biology of the Gene. 7th ed. Pearson, 2013.
  • NELSON, D. L.; COX, M. M. Lehninger Principles of Biochemistry. 7th ed. New York: W. H. Freeman, 2017.
  • LODISH, H. et al. Molecular Cell Biology. 8th ed. W. H. Freeman, 2016.
  • KARP, G. Cell and Molecular Biology: Concepts and Experiments. 8th ed. Wiley, 2016.
  • KIMBALL, J. W. The Molecular Biology Web Book. 2020. Disponível em: https://www.molecularbiology.utah.edu/
  • LODISH, H. et al. (eds). Molecular Cell Biology. 4th ed. New York: W. H. Freeman, 2000.


Relação da Biologia Molecular com outras Disciplinas: Genética, Bioquímica e Biotecnologia

 

Introdução

A biologia molecular é uma disciplina central nas ciências biológicas modernas, caracterizada por sua interdisciplinaridade e forte integração com diversas áreas do conhecimento. Entre as conexões mais significativas, destacam-se as relações com a genética, a bioquímica e a biotecnologia. Cada uma dessas disciplinas contribui para a compreensão dos fenômenos moleculares da vida, complementando-se na construção de um quadro amplo e detalhado dos processos celulares e moleculares.

Este texto apresenta uma análise da relação entre a biologia molecular e essas três áreas, destacando os pontos de convergência, contribuições mútuas e implicações para a ciência e tecnologia contemporâneas.

Biologia Molecular e Genética

A genética, ramo da biologia que estuda a hereditariedade e a variação genética dos organismos, tem uma relação intrínseca com a biologia molecular. Tradicionalmente, a genética focava no estudo dos padrões de transmissão de características fenotípicas em organismos, sem um entendimento detalhado das bases moleculares dessas características.

Com o advento da biologia molecular, o entendimento da genética avançou profundamente. A descoberta da estrutura do DNA por Watson e Crick, em 1953, forneceu a base para a genética molecular, que procura entender como as informações genéticas são

codificadas, replicadas e expressas nas células.

A biologia molecular permitiu desvendar o código genético, explicando como sequências de nucleotídeos determinam a síntese de proteínas, moléculas diretamente responsáveis pelas características fenotípicas. Dessa forma, a genética molecular integra conceitos de estrutura de DNA, mutações, recombinação e regulação gênica, explicando a base molecular da herança.

Além disso, a genética populacional e a genética médica também se beneficiaram dos avanços da biologia molecular, que possibilitou o desenvolvimento de técnicas para identificar mutações específicas, entender doenças genéticas, realizar diagnóstico molecular e desenvolver terapias genéticas.

Portanto, a biologia molecular e a genética são disciplinas interdependentes, onde a primeira fornece os mecanismos moleculares que sustentam os conceitos e observações da segunda.

Biologia Molecular e Bioquímica

A bioquímica é o estudo das moléculas e processos químicos que ocorrem nos organismos vivos. Ela foca em entender a estrutura, função e reatividade das biomoléculas, como proteínas, lipídios, carboidratos e ácidos nucleicos.

A biologia molecular utiliza os princípios da bioquímica para compreender as interações moleculares que ocorrem dentro das células. A estrutura tridimensional das proteínas, a dinâmica das enzimas, a bioenergética das reações metabólicas e os mecanismos moleculares de sinalização celular são todos temas que requerem uma base bioquímica sólida.

Por exemplo, o estudo da replicação do DNA depende da compreensão bioquímica das enzimas envolvidas, como a DNA polimerase, que catalisa a síntese da nova cadeia de DNA.

Similarmente, a transcrição e tradução são processos que dependem de múltiplas proteínas e ribonucleoproteínas cuja função e regulação são explicadas por seus aspectos bioquímicos.

A bioquímica fornece os métodos experimentais para a análise detalhada das moléculas, enquanto a biologia molecular contextualiza essas moléculas dentro dos processos genéticos e celulares. Essa interrelação é essencial para a compreensão funcional da vida ao nível molecular.

Biologia Molecular e Biotecnologia

A biotecnologia é o uso de organismos vivos, sistemas ou processos biológicos para desenvolver produtos e tecnologias que atendam a necessidades humanas em saúde, agricultura, indústria e meio ambiente. A biologia molecular é um dos pilares da biotecnologia moderna, pois suas técnicas e conhecimentos permitem a manipulação precisa do

material genético.

A engenharia genética, um ramo da biotecnologia, depende diretamente dos avanços da biologia molecular para clonar genes, inserir sequências específicas em organismos, produzir proteínas recombinantes e modificar características genéticas. Técnicas como a PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), clonagem molecular, sequenciamento de DNA e edição gênica (exemplo: CRISPR-Cas9) são ferramentas desenvolvidas e aprimoradas no âmbito da biologia molecular.

Essas técnicas possibilitaram o desenvolvimento de vacinas recombinantes, terapias gênicas, organismos geneticamente modificados (OGMs), produção de enzimas industriais e diagnósticos moleculares avançados.

A relação entre biologia molecular e biotecnologia é dinâmica e progressiva: os avanços em biologia molecular ampliam as possibilidades biotecnológicas, enquanto os desafios e demandas da biotecnologia impulsionam novas pesquisas em biologia molecular.

Integração das Disciplinas e Implicações

A interconexão entre biologia molecular, genética, bioquímica e biotecnologia demonstra o caráter interdisciplinar da ciência moderna. Cada disciplina contribui com conceitos, métodos e aplicações que se complementam, formando um sistema integrado para o estudo e manipulação dos sistemas vivos.

Essa integração tem profundas implicações para a pesquisa científica e para a sociedade, permitindo avanços na medicina personalizada, agricultura sustentável, produção industrial verde e conservação ambiental. Além disso, levanta importantes questões éticas e sociais sobre o uso das tecnologias moleculares e genéticas.

Conclusão

A biologia molecular, ao estudar os fundamentos moleculares da vida, conecta-se diretamente com a genética, a bioquímica e a biotecnologia. A genética fornece o contexto da hereditariedade, a bioquímica explica as propriedades e funções das moléculas, e a biotecnologia utiliza esses conhecimentos para inovar e aplicar soluções práticas.

Esse relacionamento multidisciplinar fortalece o desenvolvimento científico e tecnológico, evidenciando a necessidade de abordagens integradas para compreender e atuar sobre os complexos sistemas biológicos.

Referências Bibliográficas

  • ALBERTS, B. et al. Molecular Biology of the Cell. 6th ed. New York: Garland Science, 2014.
  • COX, M. M.; LLEWELLYN, C. H.; LEWIS, J. E. Molecular Biology: Principles and Practice. 2nd ed. Oxford: Oxford University Press, 2015.
  • WATSON, J. D. et al. Molecular Biology of the Gene. 7th ed. Pearson,
  • 2013.
  • NELSON, D. L.; COX, M. M. Lehninger Principles of Biochemistry. 7th ed. New York: W. H. Freeman, 2017.
  • THOMAS, C. A.; ET AL. Biotechnology: Principles and Applications. 3rd ed. Wiley, 2018.
  • KARP, G. Cell and Molecular Biology: Concepts and Experiments. 8th ed. Wiley, 2016.


Estrutura e Função dos Ácidos Nucleicos

 

Introdução

Os ácidos nucleicos são macromoléculas essenciais para a vida, responsáveis pelo armazenamento, transmissão e expressão da informação genética em todos os organismos vivos. Eles incluem principalmente o ácido desoxirribonucleico (DNA) e o ácido ribonucleico (RNA). A estrutura e a composição química desses ácidos determinam suas funções biológicas fundamentais, que são cruciais para os processos celulares, como replicação, transcrição e tradução.

Este texto aborda a composição química e estrutura do DNA e do RNA, suas diferenças principais, e as funções biológicas desempenhadas por esses ácidos nucleicos.

DNA e RNA: Composição Química e Estrutura

Composição Química

Os ácidos nucleicos são polímeros formados por unidades básicas chamadas nucleotídeos. Cada nucleotídeo é composto por três componentes principais:

1.     Base nitrogenada – pode ser uma purina (adenina – A, guanina – G) ou uma pirimidina (citosina – C, timina – T no DNA; uracila – U no RNA).

2.     Açúcar pentose – no DNA é a desoxirribose, que possui um átomo de oxigênio a menos no carbono 2’ do que a ribose encontrada no RNA.

3.     Grupo fosfato – liga os nucleotídeos entre si formando a cadeia polimérica.

Estrutura do DNA

O DNA é uma molécula bicatenária, constituída por duas fitas polinucleotídicas antiparalelas que se enrolam formando a famosa estrutura de dupla hélice, descoberta por Watson e Crick em 1953. As fitas são mantidas unidas por ligações de hidrogênio entre bases nitrogenadas complementares: adenina pareia-se com timina (A–T) por duas ligações de hidrogênio, e citosina pareia-se com guanina (C–G) por três ligações.

Cada fita de DNA tem uma direção definida, de 5’ para 3’, determinada pela orientação dos grupos fosfato e açúcar. A estrutura da dupla hélice confere estabilidade e permite a replicação precisa da informação genética.

Estrutura do RNA

O RNA, em geral, é uma molécula simples fita (monocatenária), embora possa formar estruturas secundárias complexas por dobramento e emparelhamento local de bases. O açúcar do RNA é a ribose, que possui um grupo hidroxila (-OH) no carbono 2’, tornando-o mais reativo e menos

(monocatenária), embora possa formar estruturas secundárias complexas por dobramento e emparelhamento local de bases. O açúcar do RNA é a ribose, que possui um grupo hidroxila (-OH) no carbono 2’, tornando-o mais reativo e menos estável que o DNA.

Além disso, o RNA contém uracila (U) no lugar da timina (T) do DNA. Essa diferença baseia-se na biossíntese e função distintas do RNA. As moléculas de RNA podem variar em tamanho e função, incluindo RNAs mensageiros (mRNA), ribossômicos (rRNA), transferidores (tRNA) e diversos RNAs não codificantes.

Diferenças entre DNA e RNA

Apesar da semelhança básica na composição química, o DNA e o RNA apresentam diferenças importantes:

Característica

DNA

RNA

Açúcar

Desoxirribose

Ribose

Bases nitrogenadas

Adenina, timina, citosina, guanina

Adenina, uracila, citosina, guanina

Estrutura

Dupla hélice, bicatenário

Geralmente fita simples, monocatenário

Estabilidade

Mais estável, resistente a hidrólise

Menos estável, mais reativo devido ao grupo -OH

Localização celular

Principalmente no núcleo

Núcleo e citoplasma

Função principal

Armazenamento de informação genética

Transferência e tradução da informação genética

Essas diferenças estruturais são diretamente relacionadas às funções distintas desempenhadas por essas moléculas no metabolismo celular.

Funções Biológicas dos Ácidos Nucleicos

DNA

A principal função do DNA é armazenar a informação genética necessária para o desenvolvimento, funcionamento e reprodução dos organismos vivos. Ele contém os genes, sequências específicas que codificam proteínas e RNA funcionais.

O DNA é capaz de se replicar, garantindo que a informação genética seja transmitida fielmente às células-filhas durante a divisão celular. Essa replicação é possível graças à complementaridade das bases e à estrutura da dupla hélice.

Além disso, o DNA regula a expressão gênica, controlando quais genes são ativados em determinado momento e célula, influenciando diretamente a biologia e o comportamento celular.

RNA

O RNA desempenha múltiplas funções na expressão e regulação da informação genética:

  • RNA mensageiro (mRNA): transporta a informação codificada no DNA do núcleo até o citoplasma, onde ocorre a síntese proteica. Ele serve como molde para a tradução das proteínas.
  • RNA
  • ribossômico (rRNA): componente estrutural e funcional dos ribossomos, essenciais para a síntese proteica.
  • RNA transferidor (tRNA): transporta aminoácidos até os ribossomos e auxilia na tradução do código genético para a sequência de aminoácidos da proteína.
  • RNAs regulatórios: pequenos RNAs que modulam a expressão gênica, como microRNAs (miRNA) e pequenos RNAs interferentes (siRNA).

Além disso, o RNA é fundamental em processos celulares como a splicing (processamento do RNA), tradução e controle epigenético da expressão gênica.

Considerações Finais

Os ácidos nucleicos, DNA e RNA, são moléculas fundamentais para a vida, cada uma com características químicas e estruturais específicas que sustentam suas funções biológicas essenciais. O DNA atua como o reservatório de informação genética, enquanto o RNA desempenha papéis centrais na tradução e regulação dessa informação.

Compreender as estruturas e funções dos ácidos nucleicos é fundamental para as ciências biológicas, especialmente para áreas como genética, biologia molecular, medicina e biotecnologia, que dependem do conhecimento detalhado desses componentes para avançar em pesquisas, diagnósticos e tratamentos.

Referências Bibliográficas

  • ALBERTS, B. et al. Molecular Biology of the Cell. 6th ed. New York: Garland Science, 2014.
  • WATSON, J. D. et al. Molecular Biology of the Gene. 7th ed. Pearson, 2013.
  • NELSON, D. L.; COX, M. M. Lehninger Principles of Biochemistry. 7th ed. New York: W. H. Freeman, 2017.
  • LODISH, H. et al. Molecular Cell Biology. 8th ed. W. H. Freeman, 2016.
  • KARP, G. Cell and Molecular Biology: Concepts and Experiments. 8th ed. Wiley, 2016.

 

Organização do Material Genético

 

Introdução

A organização do material genético é fundamental para o funcionamento e hereditariedade dos organismos vivos. A informação genética está armazenada no DNA, que é organizado em estruturas complexas para garantir sua estabilidade, acessibilidade e transmissão correta durante a divisão celular. Este texto aborda os conceitos básicos sobre genes, cromossomos e genoma, explica o conceito e função do gene e detalha os níveis de organização do DNA nas células.

Genes, Cromossomos e Genoma

Genes

O gene é a unidade funcional e física da hereditariedade, uma sequência específica de nucleotídeos no DNA que codifica uma molécula funcional, geralmente uma proteína ou RNA. Originalmente, o gene foi definido como um segmento do DNA responsável por

uma sequência específica de nucleotídeos no DNA que codifica uma molécula funcional, geralmente uma proteína ou RNA. Originalmente, o gene foi definido como um segmento do DNA responsável por uma característica hereditária, mas o conceito atual abrange sequências regulatórias e elementos funcionais além das regiões codificantes.

Cada gene contém as instruções necessárias para a síntese proteica, codificando a sequência de aminoácidos que formará uma proteína funcional, ou para a produção de RNA funcional, que desempenha diversos papéis celulares. Genes também podem conter regiões reguladoras que controlam quando e onde a informação genética é expressa.

Cromossomos

Os cromossomos são estruturas altamente organizadas, compostas por DNA e proteínas associadas, principalmente histonas, que compactam e organizam o DNA. Eles estão presentes no núcleo das células eucarióticas e no nucleóide das células procarióticas (onde são geralmente circulares).

Nos organismos eucariotos, os cromossomos são lineares e numerados de acordo com o seu tamanho e forma características em cada espécie. Os humanos, por exemplo, possuem 46 cromossomos (23 pares). Cada cromossomo contém muitos genes organizados linearmente.

Os cromossomos permitem que o DNA seja compactado de forma eficiente para caber dentro do núcleo e que seja segregado corretamente durante a divisão celular (mitose e meiose). Além disso, eles facilitam a regulação da expressão gênica e a proteção do DNA contra danos.

Genoma

O genoma corresponde ao conjunto completo de material genético de um organismo, incluindo todos os seus genes e sequências não codificantes. O genoma pode ser formado por um ou mais cromossomos. Em organismos diploides, como os humanos, o genoma é composto por dois conjuntos completos de cromossomos, um herdado do pai e outro da mãe.

Além das sequências codificantes, o genoma contém sequências regulatórias, regiões repetitivas e elementos transponíveis que desempenham papéis na estrutura, funcionamento e evolução genética.

O sequenciamento do genoma humano e de outras espécies revolucionou o entendimento da organização e função do material genético, permitindo avanços em genética, medicina e biotecnologia.

Conceito de Gene e Sua Função

O gene pode ser compreendido como um segmento de DNA que contém a informação necessária para a produção de um produto funcional, seja uma proteína ou RNA. A função do gene é transmitir essa informação ao longo das gerações e controlar os processos

celulares por meio da expressão gênica.

A expressão gênica é regulada em múltiplos níveis, desde a transcrição até a tradução e modificações pós-traducionais, permitindo que células diferentes expressem diferentes conjuntos de genes conforme suas funções e necessidades.

Além das sequências codificantes, os genes incluem regiões reguladoras, como promotores e enhancers, que controlam a atividade do gene, e introns, sequências não codificantes presentes em genes eucarióticos que são removidas do RNA precursor.

Genes podem variar em tamanho, estrutura e complexidade, refletindo a diversidade funcional dos organismos. Mutação ou alteração nos genes pode resultar em variações fenotípicas ou doenças genéticas.

Níveis de Organização do DNA nas Células

Para garantir a funcionalidade e a integridade do material genético, o DNA é organizado em diferentes níveis de compactação, especialmente nas células eucarióticas, onde o DNA linear é muito longo para caber no núcleo.

1. Estrutura Primária

A estrutura primária do DNA refere-se à sequência linear de nucleotídeos ligados por ligações fosfodiéster. Essa sequência codifica a informação genética.

2. Estrutura Secundária

A dupla hélice de DNA, descrita por Watson e Crick, é a estrutura secundária, onde duas fitas antiparalelas de nucleotídeos formam uma hélice estabilizada por ligações de hidrogênio entre bases complementares (A-T e C-G).

3. Nucleossomos

O primeiro nível de compactação envolve a associação do DNA com proteínas chamadas histonas. O DNA enrola-se em torno de um octâmero de histonas, formando estruturas chamadas nucleossomos, que lembram "contas em um colar". Cada nucleossomo contém cerca de 147 pares de bases de DNA enroladas em torno das histonas.

4. Fibra de 30 nm

Os nucleossomos se organizam em uma fibra mais compacta, de aproximadamente 30 nm de diâmetro, por meio da interação entre nucleossomos e a histona H1, além de outras proteínas.

5. Domínios de Cromatina

A fibra de 30 nm se dobra em estruturas maiores chamadas domínios de cromatina, que podem se organizar em padrões específicos de eucromatina (regiões menos compactadas e ativamente transcritas) e heterocromatina (regiões altamente compactadas e geralmente inativas).

6. Cromossomos Metafásicos

No estágio da divisão celular, a cromatina se condensa ainda mais, formando os cromossomos metafásicos visíveis ao microscópio óptico. Essa condensação máxima é essencial para a segregação correta do material genético durante a mitose e

meiose.

Conclusão

A organização do material genético em genes, cromossomos e genoma é um sistema complexo e altamente regulado, fundamental para a vida. O gene é a unidade funcional que armazena a informação genética e controla os processos celulares. Para manter sua integridade e funcionalidade, o DNA é organizado em múltiplos níveis estruturais, desde a dupla hélice até a condensação cromossômica.

O estudo desses níveis de organização permite compreender os mecanismos de expressão gênica, hereditariedade e regulação celular, sendo essencial para as áreas de genética, biologia molecular e biotecnologia.

Referências Bibliográficas

  • ALBERTS, B. et al. Molecular Biology of the Cell. 6th ed. New York: Garland Science, 2014.
  • WATSON, J. D. et al. Molecular Biology of the Gene. 7th ed. Pearson, 2013.
  • NELSON, D. L.; COX, M. M. Lehninger Principles of Biochemistry. 7th ed. New York: W. H. Freeman, 2017.
  • LODISH, H. et al. Molecular Cell Biology. 8th ed. W. H. Freeman, 2016.
  • KARP, G. Cell and Molecular Biology: Concepts and Experiments. 8th ed. Wiley, 2016.

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