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Básico sobre Ascensorista de Elevador

BÁSICO SOBRE ASCENSORISTA DE ELEVADOR

 

MÓDULO 2 — Segurança operacional e prevenção de acidentes 

Aula 1 — Prevenção de acidentes no uso diário

 

Quando falamos em prevenção de acidentes no uso diário do elevador, a primeira ideia que precisa ficar clara é a seguinte: a maior parte dos problemas não começa em grandes panes, mas em hábitos errados que vão sendo tolerados na rotina. É exatamente aí que o papel do ascensorista ganha importância. Ele não está no local apenas para acompanhar o movimento do equipamento. Sua função é observar, orientar e impedir que comportamentos aparentemente pequenos criem situações de risco. O Corpo de Bombeiros do Paraná afirma que o elevador é uma máquina de transporte extremamente útil, mas seu uso exige cuidados para evitar acidentes, muitas vezes graves.

No dia a dia, as pessoas costumam tratar o elevador como se fosse um espaço neutro, quase automático, onde basta entrar, apertar um botão e esperar. Esse pensamento é raso. O elevador é um equipamento de transporte coletivo dentro do prédio, e isso exige disciplina de uso. Um passageiro apressado, uma criança brincando, alguém tentando entrar antes de deixar os outros saírem, uma pessoa segurando a porta com a mão ou um grupo ignorando a lotação já é o suficiente para transformar uma rotina comum em situação insegura. Materiais da Atlas Schindler orientam justamente o contrário: respeitar a ordem de chegada, chamar corretamente o elevador, aguardar sua chegada, não interromper o fechamento da porta com a mão e observar o limite de carga indicado na cabine.

Por isso, prevenir acidentes não é esperar o problema aparecer para só então reagir. Prevenir é agir antes. É perceber o comportamento de risco quando ele começa. O ascensorista precisa desenvolver esse olhar atento. Ele deve observar se os passageiros estão entrando de forma organizada, se há excesso de pessoas tentando embarcar ao mesmo tempo, se alguém está transportando volume inadequado, se existe dificuldade de locomoção entre os usuários ou se o embarque e o desembarque estão acontecendo com segurança. Esse cuidado é especialmente importante porque o risco muitas vezes se instala de forma silenciosa, sem alarme, sem defeito aparente e sem aviso dramático. Ele começa na pressa, na distração e na falta de orientação.

Um dos erros mais comuns no uso diário do elevador acontece logo no momento de entrada e saída. As pessoas querem ganhar segundos e,

por isso, avançam antes que os passageiros terminem de sair. Esse hábito parece banal, mas pode causar empurrões, tropeços, perda de equilíbrio e prensamento próximo à porta. A orientação correta é simples: primeiro saem os passageiros que estão na cabine, depois entram os que estão aguardando. Pode parecer uma regra básica demais para ser ensinada, mas a experiência mostra que aquilo que parece óbvio é justamente o que mais costuma ser desrespeitado em ambientes com grande circulação. As orientações de segurança da Atlas Schindler e do Corpo de Bombeiros do Paraná reforçam esse cuidado com a entrada e a saída ordenadas.

Outro ponto essencial é a relação com a porta do elevador. Muita gente tem o costume de segurar a porta com a mão, com o braço, com bolsas ou com objetos, como se isso fosse uma solução prática para não perder a viagem. Não é. Esse comportamento precisa ser corrigido pelo ascensorista sempre que aparecer. A orientação dos fabricantes é clara ao afirmar que o fechamento da porta não deve ser interrompido com a mão. O procedimento correto é chamar o elevador na botoeira e aguardar a próxima viagem, em vez de tentar forçar o funcionamento natural do sistema. Permitir esse tipo de hábito enfraquece a disciplina do uso e aumenta o risco de acidentes.

A lotação também merece atenção especial. Em horários de pico, é comum surgir a pressão do “cabe mais um”. Esse raciocínio é irresponsável. O ascensorista não pode agir para agradar a pressa dos usuários; ele precisa agir para preservar a segurança. O limite de carga indicado na cabine existe por um motivo técnico e não deve ser tratado como mera formalidade. Quando há excesso de pessoas ou de peso, o profissional deve orientar com firmeza para que parte do grupo aguarde o próximo elevador. A Atlas Schindler inclui o respeito ao limite de carga entre as principais recomendações de uso correto.

Além da lotação, há situações em que o problema está no tipo de uso que o passageiro tenta fazer do elevador. Malas grandes, caixas, carrinhos, objetos compridos ou cargas improvisadas podem dificultar o fechamento da porta, atrapalhar a circulação interna e gerar risco para outros usuários. Em prédios com mais de um tipo de elevador, como social e de serviço, o ascensorista precisa entender a finalidade de cada um e orientar o uso correto. Isso não é excesso de zelo. É organização básica para evitar improviso e desgaste do equipamento.

As crianças também exigem atenção específica. Um dos erros mais

comuns dos adultos é presumir que, por saber apertar botões, a criança pode usar o elevador sozinha sem problema. Essa ideia é ruim. O Corpo de Bombeiros do Paraná orienta que o elevador não é lugar de brincadeiras, que crianças não devem acionar botões desnecessariamente, não devem colocar as mãos na porta e não devem usar o elevador sozinhas. O ascensorista precisa olhar para isso com seriedade. Onde há criança, há maior chance de comportamento impulsivo, e comportamento impulsivo dentro de um equipamento de transporte nunca é assunto menor.

Também entram nessa prevenção os cuidados com idosos, pessoas com deficiência e pessoas com mobilidade reduzida. Aqui não basta apenas “ter boa vontade”. A legislação brasileira define acessibilidade como a condição de utilização com segurança e autonomia de edificações, transportes e serviços por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Isso significa que o uso do elevador deve considerar não apenas rapidez, mas segurança e autonomia no deslocamento. O ascensorista deve dar tempo para o embarque e o desembarque, observar se existe desnível entre a cabine e o pavimento e oferecer ajuda com respeito, sem tratar ninguém de forma infantilizada.

Outro aspecto central da prevenção de acidentes é perceber sinais anormais no funcionamento do elevador durante a rotina. O ascensorista não precisa diagnosticar defeitos, porque isso não é função dele. Mas ele precisa perceber quando algo foge do padrão: desnível da cabine, parada irregular, ruídos incomuns, porta que demora a abrir ou fechar, vibração excessiva ou qualquer comportamento que transmita insegurança. O Corpo de Bombeiros do Paraná alerta que situações como parar entre andares, andar com a porta aberta, não abrir a porta ou apresentar desnível de cabine são sinais de problema sério e exigem providência imediata. O erro mais perigoso do iniciante é olhar para um sintoma claro e dizer que “deve ser normal”. Não, não deve.

Prevenir acidentes também é saber comunicar. O ascensorista não pode corrigir as pessoas gritando, ironizando ou constrangendo quem errou. Isso só gera resistência e piora o ambiente. A orientação precisa ser clara, curta e firme. Frases simples funcionam melhor do que discursos longos: “Vamos aguardar a saída dos passageiros”; “Por favor, não segura a porta com a mão”; “Esse elevador já atingiu a capacidade segura”; “Aguarde um momento, por favor”. Um profissional que domina essa comunicação consegue organizar o ambiente sem hostilidade

acidentes também é saber comunicar. O ascensorista não pode corrigir as pessoas gritando, ironizando ou constrangendo quem errou. Isso só gera resistência e piora o ambiente. A orientação precisa ser clara, curta e firme. Frases simples funcionam melhor do que discursos longos: “Vamos aguardar a saída dos passageiros”; “Por favor, não segura a porta com a mão”; “Esse elevador já atingiu a capacidade segura”; “Aguarde um momento, por favor”. Um profissional que domina essa comunicação consegue organizar o ambiente sem hostilidade e sem perder autoridade.

No fundo, esta aula ensina uma verdade simples: acidentes não são evitados apenas por tecnologia, mas por comportamento correto e observação constante. O ascensorista faz parte dessa prevenção porque ele está no ponto em que o uso real acontece. É ali, no embarque, no desembarque, na pressa, no excesso, na distração e na orientação diária, que a segurança se confirma ou fracassa. O profissional que observa, orienta e intervém no momento certo evita ocorrências. Já aquele que deixa tudo passar para não desagradar ninguém acaba contribuindo para que o erro se torne rotina.

Em resumo, prevenir acidentes no uso diário do elevador é cuidar do básico com seriedade: organizar entrada e saída, impedir brincadeiras, respeitar lotação, não permitir bloqueio manual da porta, orientar corretamente pessoas com necessidades específicas e reconhecer sinais anormais no funcionamento do equipamento. Pode parecer simples, mas é justamente nesse simples que mora a diferença entre uma rotina segura e uma ocorrência evitável. Quem entende isso deixa de ver o elevador como um detalhe do prédio e passa a tratá-lo como o que ele realmente é: um sistema de transporte que exige responsabilidade humana todos os dias.

Referências bibliográficas

ATLAS SCHINDLER. A Seu Serviço: edição especial — dicas de uso correto de elevadores, escadas e esteiras rolantes. São Paulo: Atlas Schindler.

ATLAS SCHINDLER. Cartazes de uso correto — dicas para os adultos. São Paulo: Atlas Schindler.

ATLAS SCHINDLER. Dicas de segurança. São Paulo: Atlas Schindler.

BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Brasília: Presidência da República.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO PARANÁ. Cuidados no uso do elevador. Curitiba: CBMPR.


Aula 2 — Comunicação em situações de tensão

 

Trabalhar como ascensorista não é

apenas acompanhar o uso do elevador em momentos tranquilos. A verdadeira prova da postura profissional aparece quando surge tensão: passageiro nervoso, fila crescendo, reclamação, ruído estranho no equipamento, parada repentina ou uma discussão no hall. É nessas horas que muita gente perde o controle, fala demais, fala errado ou simplesmente trava. Esta aula existe para evitar exatamente isso. O ascensorista precisa aprender a se comunicar de forma clara, calma e firme, porque em situações de tensão a maneira como ele fala pode ajudar a organizar o ambiente ou piorar tudo de vez. Em orientações de segurança em português, a Atlas Schindler reforça que, em caso de parada repentina, o procedimento correto é aguardar calmamente o resgate, que deve ser feito pela manutenção responsável ou pelo Corpo de Bombeiros. Isso já mostra um ponto importante: o profissional não deve transmitir improviso, e sim segurança e procedimento.

Quando uma ocorrência acontece, as pessoas quase nunca reagem de forma racional e equilibrada logo de início. Algumas entram em pânico, outras ficam irritadas, outras fazem perguntas ao mesmo tempo e há ainda quem queira resolver tudo na força ou no grito. O ascensorista precisa entender isso para não levar a reação do público para o lado pessoal. Um passageiro nervoso nem sempre está sendo “difícil”; muitas vezes ele está com medo, confuso ou sem saber o que está acontecendo. A função do profissional, nesse momento, não é competir emocionalmente com o usuário. É assumir o papel de referência. E referência, em contexto de risco, é quem fala menos, mas fala certo.

Por isso, uma das primeiras regras da comunicação em tensão é manter a calma visível. Não basta estar calmo por dentro, ou fingir que está. A calma precisa aparecer no tom de voz, na escolha das palavras, na postura corporal e no ritmo da fala. Um ascensorista que fala depressa demais, levanta a voz ou demonstra nervosismo contamina o ambiente. As pessoas percebem isso na hora. Já um profissional que mantém a voz estável e passa instruções curtas transmite a sensação de que a situação está sendo conduzida. Essa diferença é enorme. Em uma ocorrência, às vezes o que as pessoas mais precisam não é de uma explicação longa, mas de alguém que pareça saber o que está fazendo.

Também é importante entender que comunicação eficiente não é discurso bonito. Em situação tensa, fala longa costuma atrapalhar. O ascensorista precisa usar frases objetivas, diretas e compreensíveis. Em vez de

começar a justificar demais, o melhor é orientar com simplicidade: “Por favor, mantenham a calma”, “Já estamos acionando o responsável”, “Não forcem a porta”, “Aguardem orientação”. Essas falas funcionam porque dão direção. Quando o ambiente está tenso, as pessoas precisam de direção, não de enrolação. Um dos erros mais comuns do iniciante é achar que precisa falar muito para parecer no controle. Na prática, isso costuma produzir o efeito contrário.

Outro erro frequente é responder à tensão com rigidez excessiva. Há profissionais que, para não parecerem inseguros, assumem um tom agressivo. Isso é burrice operacional. Gritar com passageiros, ironizar uma reclamação ou tratar medo como exagero só aumenta a resistência do público. A autoridade do ascensorista não vem da dureza, mas da clareza e da firmeza. É perfeitamente possível dar ordem com educação. Dizer “Senhor, por favor, afaste-se da porta” é diferente de dizer “Sai daí agora!”. O conteúdo pode até apontar para a mesma ação, mas o modo muda completamente a reação de quem ouve.

Em situações de parada repentina, essa comunicação se torna ainda mais importante. O passageiro preso ou quem está do lado de fora tende a imaginar o pior. Nessa hora, o ascensorista não pode inventar diagnóstico, prometer prazo que não controla nem fingir que “já vai passar” sem saber. O mais correto é informar apenas o que realmente sabe: que o atendimento foi acionado, que o resgate deve ser feito pela equipe responsável e que ninguém deve forçar a porta ou tentar sair por conta própria. As recomendações da Atlas Schindler deixam isso explícito ao orientar que, em caso de parada repentina, se aguarde calmamente o resgate feito pela empresa de manutenção responsável ou pelo Corpo de Bombeiros.

Há ainda um ponto decisivo: o ascensorista precisa saber conter o ambiente ao redor da ocorrência. Nem sempre o problema maior está só na cabine; muitas vezes está fora dela. Pessoas se aglomeram, começam a opinar, querem ajudar sem saber como, tentam abrir a porta ou pressionam o profissional com perguntas repetidas. Essa confusão paralela pode ser tão perigosa quanto a ocorrência principal. O papel do ascensorista é organizar esse espaço. Isso inclui pedir que as pessoas se afastem, evitar tumulto e manter livre a área necessária para a equipe responsável atuar. Se o equipamento apresentar sinais sérios, como desnível da cabine, parada entre andares ou porta com funcionamento anormal, a orientação do Corpo de Bombeiros do Paraná é

ainda um ponto decisivo: o ascensorista precisa saber conter o ambiente ao redor da ocorrência. Nem sempre o problema maior está só na cabine; muitas vezes está fora dela. Pessoas se aglomeram, começam a opinar, querem ajudar sem saber como, tentam abrir a porta ou pressionam o profissional com perguntas repetidas. Essa confusão paralela pode ser tão perigosa quanto a ocorrência principal. O papel do ascensorista é organizar esse espaço. Isso inclui pedir que as pessoas se afastem, evitar tumulto e manter livre a área necessária para a equipe responsável atuar. Se o equipamento apresentar sinais sérios, como desnível da cabine, parada entre andares ou porta com funcionamento anormal, a orientação do Corpo de Bombeiros do Paraná é clara: o elevador deve ser interditado e a empresa de manutenção acionada imediatamente.

Uma comunicação profissional também exige honestidade. Isso parece óbvio, mas não é raro ver iniciante tentando tranquilizar os outros com frase vazia. Dizer “não foi nada” quando houve uma falha, ou “está tudo normal” quando o equipamento apresentou comportamento estranho, é irresponsável. O usuário pode até se acalmar por alguns segundos, mas a confiança se perde quando percebe que a informação não era verdadeira. O melhor caminho é sempre a objetividade honesta: “Foi identificada uma anormalidade, o uso está suspenso e a manutenção foi acionada.” Essa fala não cria pânico e não engana.

Outro aspecto importante nesta aula é a escuta. Comunicação em situações de tensão não é só falar; é também saber ouvir. Isso não significa deixar qualquer pessoa comandar a situação, mas perceber o que está sendo dito e separar informação útil de ruído emocional. Às vezes, um passageiro comenta um detalhe que ajuda a entender a ocorrência: um barulho anterior, uma vibração incomum, uma falha de nivelamento percebida em outras viagens. Em outros casos, a pessoa só precisa ser ouvida por alguns segundos para baixar a ansiedade. O ascensorista que interrompe tudo de forma automática ou responde no modo defensivo perde informação e ainda aumenta o conflito.

Essa escuta precisa vir acompanhada de observação. O profissional deve prestar atenção não apenas ao que as pessoas dizem, mas à forma como estão reagindo. Um passageiro muito ofegante, alguém chorando, uma pessoa idosa confusa, uma criança assustada ou um usuário tentando agir impulsivamente exigem abordagens diferentes. Atendimento humano não é tratar todo mundo igual; é adaptar a condução sem perder o

acompanhada de observação. O profissional deve prestar atenção não apenas ao que as pessoas dizem, mas à forma como estão reagindo. Um passageiro muito ofegante, alguém chorando, uma pessoa idosa confusa, uma criança assustada ou um usuário tentando agir impulsivamente exigem abordagens diferentes. Atendimento humano não é tratar todo mundo igual; é adaptar a condução sem perder o controle da situação. A legislação brasileira sobre acessibilidade e inclusão deixa claro que comunicação e circulação com segurança fazem parte do direito de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, e isso tem impacto direto na forma como o ascensorista orienta em momentos críticos.

Vale insistir em um ponto que muita gente subestima: o profissional não pode discutir com usuário em momento de tensão. Pode orientar, pode corrigir, pode limitar condutas inadequadas, mas entrar em bate-boca é fracasso profissional. Quando o ascensorista discute, ele deixa de conduzir a situação e passa a fazer parte do problema. Se alguém insistir em forçar a porta, em desobedecer a orientação ou em tumultuar o local, a resposta deve continuar firme, curta e repetida quantas vezes forem necessárias. Não é hora de vencer argumento; é hora de impedir que a ocorrência piore.

Além disso, a comunicação em situações tensas não termina quando o problema imediato acaba. O ascensorista também precisa saber comunicar a ocorrência à supervisão, à administração do prédio ou à manutenção. Isso exige linguagem clara, sem exagero e sem omissão. Um bom relato informa o que aconteceu, quando aconteceu, o que foi observado, quem foi acionado e quais providências foram tomadas. O erro aqui é duplo: ou o profissional minimiza demais, e a gravidade real se perde; ou dramatiza demais, e confunde a análise posterior. Relatar com precisão é parte da segurança.

No fundo, esta aula ensina que comunicação não é um detalhe da função; é uma ferramenta de prevenção. Em ambiente tenso, a fala do ascensorista pode evitar pânico, reduzir conflito, organizar a espera, proteger o equipamento e impedir atitudes precipitadas. O profissional dessa área precisa transmitir calma sem parecer passivo, firmeza sem parecer agressivo e clareza sem cair em discurso mecânico. Essa combinação é o que transforma presença física em presença profissional.

Em resumo, comunicar-se bem em situações de tensão significa falar com calma, orientar com objetividade, não prometer o que não depende de você, não improvisar explicações, ouvir com

atenção, observar o estado das pessoas e conduzir o ambiente com firmeza. Quem aprende isso cedo evita um dos erros mais perigosos da função: deixar que a tensão do momento desorganize a própria conduta. Quando isso acontece, o ascensorista deixa de ser referência. E ele precisa ser exatamente o contrário.

Referências bibliográficas

ATLAS SCHINDLER. Cartazes de uso correto — dicas para os adultos. São Paulo: Atlas Schindler.

ATLAS SCHINDLER. A Seu Serviço: edição especial — dicas de uso correto de elevadores, escadas e esteiras rolantes. São Paulo: Atlas Schindler.

BRASIL. Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. Brasília: Presidência da República.

BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Brasília: Presidência da República.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO PARANÁ. Cuidados no uso do elevador. Curitiba: CBMPR.


Aula 3 — Limites da função: o que o ascensorista jamais deve fazer

 

Em toda profissão existe uma linha que separa responsabilidade de imprudência. No trabalho do ascensorista, essa linha precisa ficar muito clara desde o início, porque um dos erros mais perigosos do iniciante é achar que boa vontade resolve tudo. Não resolve. Em ambiente de circulação vertical, improviso pode virar acidente em questão de segundos. Por isso, esta aula trata dos limites da função: aquilo que o ascensorista deve reconhecer, respeitar e jamais ultrapassar. Saber o que fazer é importante, mas saber o que não fazer é, muitas vezes, ainda mais decisivo para a segurança de todos.

O primeiro ponto que o aluno precisa compreender é simples: o ascensorista não é técnico de manutenção. Essa diferença parece óbvia no papel, mas na prática muita gente confunde. Quando o elevador apresenta ruído estranho, desnível da cabine, parada irregular, porta com funcionamento anormal ou qualquer outro sinal de falha, a função do ascensorista não é “dar um jeito”. Sua função é perceber o problema, interromper o uso quando necessário, proteger os usuários e comunicar o responsável. Os manuais da Atlas Schindler deixam claro que manutenção preventiva e corretiva deve ser realizada por empresa e profissionais capacitados, com conhecimento técnico e ferramentas apropriadas.

Esse limite precisa ser levado a sério porque o erro mais comum do iniciante nasce justamente da vontade de

mostrar serviço. O profissional pensa que, se agir por conta própria, será visto como eficiente. Na verdade, pode estar criando um risco maior. Abrir uma porta à força, tentar “reiniciar” o equipamento sem autorização, mexer em comandos técnicos, acessar área restrita sem habilitação ou liberar o uso de um elevador com sinal de defeito não é iniciativa; é imprudência. Quando o Corpo de Bombeiros do Paraná orienta que desnível da cabine, parada entre andares, deslocamento com porta aberta ou porta que não abre são sinais de problema sério, a mensagem é direta: diante de anormalidade relevante, não se improvisa, interrompe-se o uso e aciona-se a manutenção.

Outro limite fundamental é o resgate. Esse é um ponto em que muita gente erra feio por pressão emocional. Um elevador para e os passageiros ficam nervosos, alguém do lado de fora começa a pedir rapidez, e aparece a ideia perigosa de tentar resolver “só abrindo um pouco a porta”. É exatamente aí que o ascensorista precisa ter cabeça fria. Passageiro retido em elevador não deve ser retirado por pessoa sem capacitação técnica. As orientações de segurança da Atlas Schindler indicam que, em caso de parada repentina, deve-se aguardar calmamente o resgate realizado pela empresa de manutenção responsável ou pelo Corpo de Bombeiros. O ascensorista deve comunicar, tranquilizar e isolar a área quando necessário, mas não transformar desespero em improviso.

Há também um limite importante em relação ao uso continuado do equipamento. Um erro muito comum é minimizar falhas porque o elevador “ainda está funcionando”. Esse raciocínio é fraco e perigoso. Muitos problemas não aparecem de uma vez; eles dão sinais. Um pequeno desnível, uma porta que demora a abrir, uma vibração anormal ou uma parada irregular já podem indicar que o uso não está seguro. O Corpo de Bombeiros do Paraná não trata esses sinais como detalhe, e sim como alerta. O ascensorista jamais deve normalizar aquilo que está fora do padrão só para evitar reclamação ou manter o fluxo do prédio.

Outro ponto essencial desta aula é que o ascensorista não deve liberar uso inseguro por pressão de terceiros. Isso acontece mais do que deveria. Usuários com pressa reclamam, colegas minimizam o risco, alguém da equipe diz que “deve ser bobagem”, e o profissional se sente pressionado a manter o elevador em operação. É justamente nessas horas que a postura profissional se prova. Segurança não pode ser negociada para agradar pressa alheia. Se existe indício de

anormalidade séria, o uso deve ser suspenso conforme o procedimento do local. O papel do ascensorista não é satisfazer urgência emocional do público; é colaborar com o funcionamento seguro do ambiente. Os próprios manuais de fabricante destacam o dever de conservação, funcionamento seguro e uso correto do equipamento.

Há ainda um limite decisivo em situações de incêndio. Em contexto de fogo, fumaça ou evacuação, o ascensorista jamais deve orientar o uso do elevador comum como rota de saída. A NR-23 determina que os locais de trabalho disponham de saídas que permitam abandono rápido e seguro em caso de emergência, com sinalização e medidas de prevenção contra incêndios. Além disso, manuais de elevadores reforçam que o equipamento não deve ser usado em incêndio, porque pode parar em posição insegura, perder alimentação ou expor passageiros a fumaça e calor. Em outras palavras: em situação de incêndio, o ascensorista não deve “testar” se dá tempo de usar o elevador. Deve seguir o plano de emergência e direcionar as pessoas para rotas seguras, normalmente as escadas e saídas sinalizadas.

Também é errado imaginar que o ascensorista pode entrar em áreas técnicas por curiosidade ou iniciativa. Casa de máquinas, painéis, compartimentos de comando e áreas de manutenção existem para acesso de pessoal habilitado. O manual do proprietário da Schindler define técnico de manutenção como pessoa treinada pela empresa responsável e capacitada para realizar a manutenção no equipamento. Isso mata qualquer dúvida: observar o problema e reportá-lo faz parte da função; intervir tecnicamente não faz.

Outro limite que parece menor, mas não é, envolve a comunicação. O ascensorista jamais deve mentir para acalmar passageiros ou esconder uma ocorrência para evitar desgaste. Dizer “não foi nada” quando houve falha, afirmar que “está normal” diante de um sintoma evidente ou deixar de registrar uma anormalidade por medo de cobrança é comportamento irresponsável. Segurança depende de informação confiável. Se o profissional omite, ele quebra a cadeia de prevenção. E quando isso acontece, o prédio perde a chance de agir antes que o problema aumente.

Além disso, o ascensorista não deve discutir com usuários em momento de risco. Corrigir, orientar e limitar condutas inadequadas faz parte da função; entrar em bate-boca não. Em situações tensas, a autoridade do profissional não vem do grito, mas da clareza. Se alguém insiste em forçar uma porta, entrar em elevador interditado ou

desobedecer a orientação, a resposta correta é firme, curta e repetida quantas vezes forem necessárias. A pior escolha é transformar uma ocorrência operacional em confronto pessoal. Isso desorganiza o ambiente e enfraquece a posição de quem deveria estar conduzindo a situação.

Um aspecto muito importante desta aula é mostrar que respeitar o limite da função não diminui o profissional; pelo contrário, fortalece sua atuação. Muita gente acha que admitir “isso não cabe a mim” é sinal de fraqueza. Não é. Fraqueza é ultrapassar a própria competência para parecer útil. Força profissional é reconhecer o risco, agir dentro do procedimento e acionar quem realmente pode resolver. O ascensorista maduro não tenta ser herói. Ele tenta ser seguro. E, em ambiente de risco, isso vale muito mais.

No fundo, esta aula ensina uma mudança de postura. O iniciante costuma pensar na função como algo centrado em presença, atendimento e rotina. Tudo isso é verdade, mas falta uma parte essencial: discernimento. O bom ascensorista sabe onde sua atuação começa e onde termina. Sabe orientar usuários, observar anormalidades, comunicar ocorrências e proteger o fluxo do ambiente. Mas também sabe que manutenção, resgate técnico, liberação de equipamento com defeito e decisão fora do protocolo não são tarefas que ele pode assumir por conta própria.

Em resumo, o ascensorista jamais deve abrir porta à força, tentar resgate sem habilitação, mexer em comandos técnicos, acessar áreas restritas sem autorização, liberar uso de elevador com sinal de falha, usar o elevador como rota de fuga em incêndio, esconder ocorrências ou mentir sobre anormalidades. Esses limites não existem para engessar a função, mas para impedir que a boa intenção se transforme em erro grave. Quando o aluno entende isso, ele amadurece profissionalmente. E esse amadurecimento é indispensável para qualquer atuação séria na área.

Referências bibliográficas

ATLAS SCHINDLER. Manual do Proprietário: Schindler 1000 / 3000 / 5000 / 6000 / 7000. São Paulo: Atlas Schindler.

ATLAS SCHINDLER. Manual do Proprietário: Schindler 3100 / 3300 / 3600 / 5300. São Paulo: Atlas Schindler.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-23 — Proteção Contra Incêndios. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego.

BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Portaria MTP nº 2.769, de 5 de setembro de 2022. Aprova a nova redação da NR-23 — Proteção Contra Incêndios. Brasília: Ministério do Trabalho e Emprego.

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO PARANÁ.

Cuidados no uso do elevador. Curitiba: CBMPR.


Estudo de caso — “A pressa, o pânico e a decisão errada”

 

Era uma quarta-feira chuvosa, pouco depois das 18h. O movimento no prédio comercial estava intenso. Funcionários queriam ir embora logo, visitantes ainda aguardavam liberação na recepção e o elevador fazia viagens seguidas sem pausa. Janaína, ascensorista há poucas semanas no cargo, já estava cansada. Ela vinha tentando dar conta do fluxo com simpatia e rapidez, mas ainda cometia um erro típico de iniciante: confundia evitar conflito com trabalhar bem.

No início da ocorrência, tudo parecia apenas correria de fim de expediente. Um grupo grande se aproximou do elevador ao mesmo tempo, falando alto e tentando entrar antes mesmo de os passageiros saírem. Janaína percebeu a confusão, mas preferiu não organizar a entrada para não parecer “mandona”. Esse foi o primeiro erro. Em ambiente de risco, omissão não é gentileza; é falha de controle. Orientações de uso correto recomendam justamente esperar a saída dos passageiros, respeitar a ordem de chegada e não interromper o fechamento da porta com a mão.

Como o grupo estava apressado, um homem segurou a porta com a mão para que mais duas pessoas entrassem. Janaína viu, hesitou, e deixou passar. Segundo erro. Esse tipo de hábito parece pequeno, mas é uma das condutas que o profissional precisa corrigir imediatamente, porque cria risco e reforça o uso errado do equipamento. Materiais da Atlas Schindler orientam expressamente a não interromper o fechamento da porta com a mão.

O elevador partiu lotado. No trajeto, houve uma parada brusca entre andares. As luzes permaneceram acesas, mas a cabine não se moveu. Dentro, uma passageira começou a ficar nervosa. Do lado de fora, as pessoas se aproximaram da porta e começaram a perguntar o que tinha acontecido. Ali começou a parte mais importante do caso: a comunicação sob tensão. Janaína entrou em pânico junto com os usuários. Em vez de dar instruções curtas e firmes, começou a falar rápido, com frases confusas: “Calma, calma, acho que já volta… deve ser só um travamento… talvez abra já.” Esse foi o terceiro erro. Em situação tensa, o profissional não deve improvisar explicações nem prometer o que não sabe. As recomendações de segurança orientam que, em caso de parada repentina, deve-se aguardar calmamente o resgate feito por técnico responsável ou pelo Corpo de Bombeiros.

A pressão aumentou. Um homem do lado de fora insistiu que era melhor tentar abrir a porta “só

pressão aumentou. Um homem do lado de fora insistiu que era melhor tentar abrir a porta “só um pouco” para acalmar quem estava preso. Janaína, insegura, quase concordou. Esse teria sido o erro mais perigoso de todos. O resgate de pessoas retidas na cabine não deve ser improvisado por pessoal sem capacitação; materiais da Atlas Schindler indicam que o resgate deve ser feito pelo técnico responsável pela manutenção ou pelo Corpo de Bombeiros, e a própria empresa destaca que esses são os autorizados para essa atuação.

Nesse momento, uma funcionária mais experiente da recepção percebeu a gravidade e chamou o supervisor. Ele chegou, afastou as pessoas da porta, pediu silêncio e assumiu a condução da ocorrência. Com voz firme, disse aos passageiros retidos que a equipe responsável já estava sendo acionada e que ninguém deveria forçar a porta. Em seguida, isolou a área para evitar tumulto. Essa foi a primeira atitude realmente correta de toda a situação: conter o ambiente. Quando há aglomeração, opiniões desencontradas e gente tentando “ajudar” sem preparo, o risco aumenta. Além disso, sinais como parada entre andares são tratados pelo Corpo de Bombeiros do Paraná como indícios de problema sério, exigindo interdição e acionamento imediato da manutenção.

Enquanto aguardavam, um princípio de curto em outro ponto do andar gerou cheiro de queimado no corredor. Não houve fogo aberto, mas a tensão aumentou imediatamente. Algumas pessoas sugeriram usar outro elevador para descer logo. Aqui apareceu outro erro comum que o módulo 2 precisa combater: achar que elevador é rota segura em qualquer emergência. Não é. A NR-23 exige que os locais de trabalho tenham saídas que permitam abandono rápido e seguro, com rotas sinalizadas e procedimentos de evacuação; em emergências, a lógica é seguir o plano de abandono e as saídas seguras, não improvisar com elevadores comuns.

Depois de alguns minutos, a equipe de manutenção chegou e fez o procedimento adequado. Os passageiros foram retirados em segurança. Ninguém se feriu, mas a ocorrência deixou um aprendizado claro: o problema não foi só a falha do elevador. O problema foi a sequência de erros humanos antes, durante e depois da parada. Janaína falhou na prevenção, falhou na comunicação e quase falhou no respeito ao limite da função.

Onde Janaína errou

O primeiro erro foi não organizar o uso diário do elevador. Ela permitiu entrada desordenada, excesso de pressa e comportamento inadequado. A prevenção de acidentes começa

antes da ocorrência. Respeitar fila, aguardar a saída dos passageiros e não bloquear a porta são medidas básicas de segurança.

O segundo erro foi deixar a tensão dos usuários contaminar sua fala. Em vez de transmitir calma, ela falou de forma ansiosa e imprecisa. Em situações de pressão, o ascensorista precisa usar frases curtas, firmes e honestas: “Mantenham a calma”, “Já estamos acionando o responsável”, “Não forcem a porta”. A função dele é organizar o ambiente, não o ampliar emocionalmente. A orientação de aguardar calmamente o resgate por equipe autorizada reforça essa postura.

O terceiro erro foi quase ultrapassar o limite da função. Tentar abrir a porta ou participar de resgate improvisado seria uma falha grave. A empresa fabricante informa que o resgate de pessoas retidas deve ser feito por técnico da manutenção responsável ou pelo Corpo de Bombeiros.

O quarto erro foi não perceber que a ocorrência exigia controle do entorno. Não basta cuidar de quem está preso; é preciso afastar curiosos, evitar tumulto e manter a área segura para a atuação da equipe técnica. Sinais como parada entre andares ou falhas de porta são tratados como problema sério pelo Corpo de Bombeiros do Paraná.

O quinto erro potencial foi aceitar a ideia de usar elevador em cenário de emergência com risco associado. Em caso de evacuação, a NR-23 exige saídas adequadas e procedimentos seguros de abandono, o que reforça a necessidade de seguir rotas apropriadas e não improvisar com elevadores comuns.

Como o caso deveria ter sido conduzido

Se Janaína tivesse aplicado corretamente o conteúdo do módulo 2, a história seria outra. Ela teria começado pela prevenção: organizaria a entrada, impediria que segurassem a porta com a mão e controlaria a lotação. Se a parada ainda assim ocorresse, sua fala deveria ser objetiva e calma. Ela diria aos passageiros para manterem a calma, informaria que o responsável já estava sendo acionado e proibiria qualquer tentativa de forçar a porta. Depois, isolaria a área, reduziria o tumulto e aguardaria a equipe autorizada para o resgate. Se surgisse qualquer sinal de emergência maior no ambiente, direcionaria as pessoas para as rotas seguras previstas, em conformidade com os procedimentos de evacuação.

Lição principal do estudo de caso

O módulo 2 ensina três coisas que andam juntas: prevenir, comunicar e não ultrapassar a função. Quando o ascensorista falha em uma dessas áreas, a ocorrência já piora. Quando falha nas três, o risco cresce

rápido. O profissional sério não tenta parecer herói. Ele organiza o uso, mantém a calma e respeita o procedimento.

 

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