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INSTALADOR
DE SISTEMA FOTOVOLTAICO
MÓDULO
2 – Instalação de Sistemas Fotovoltaicos
Aula 1 – Avaliação do Local de Instalação
Antes de instalar qualquer sistema
fotovoltaico, é indispensável realizar uma avaliação cuidadosa do local onde os
equipamentos serão montados. Essa etapa influencia diretamente a eficiência da
geração de energia, a segurança da instalação e a vida útil dos componentes. Um
bom instalador sabe que a qualidade do serviço começa muito antes da fixação
dos primeiros suportes no telhado. Uma vistoria técnica bem executada evita
retrabalhos, reduz custos e permite identificar possíveis limitações da
estrutura antes do início da obra.
O primeiro aspecto a ser observado é o
tipo de cobertura existente. Os sistemas fotovoltaicos podem ser instalados
sobre telhados cerâmicos, metálicos, de fibrocimento, lajes e até em estruturas
instaladas diretamente no solo. Cada tipo de cobertura exige suportes
específicos, técnicas próprias de fixação e cuidados diferentes durante a
montagem. Além disso, é necessário verificar o estado de conservação da
estrutura, identificando rachaduras, infiltrações, corrosão, madeira
deteriorada ou qualquer outro problema que possa comprometer a sustentação dos
módulos solares.
Outro fator extremamente importante é a
orientação do telhado em relação ao Sol. No Brasil, localizado majoritariamente
no Hemisfério Sul, os módulos costumam apresentar melhor desempenho quando
direcionados para o norte geográfico, pois recebem maior incidência de radiação
solar ao longo do ano. Entretanto, nem sempre essa orientação é possível. Em
muitos casos, pequenas adaptações no projeto permitem obter excelente
desempenho mesmo em coberturas voltadas para leste ou oeste, desde que essas
limitações sejam consideradas no dimensionamento do sistema.
A inclinação do telhado também merece
atenção. O ângulo em que os módulos serão instalados interfere na quantidade de
energia captada durante o ano. Em muitos projetos, aproveita-se a própria
inclinação da cobertura, enquanto em outros é necessário utilizar estruturas
que ajustem o posicionamento dos painéis. Além de favorecer a geração de
energia, uma inclinação adequada facilita o escoamento da água da chuva,
reduzindo o acúmulo de poeira e contribuindo para a limpeza natural dos
módulos.
O sombreamento representa uma das principais causas de perda de desempenho em sistemas fotovoltaicos. Árvores, prédios, caixas d'água, antenas, chaminés e outros obstáculos podem projetar
sombras sobre os módulos em determinados horários do dia. Mesmo pequenas áreas
sombreadas são capazes de reduzir significativamente a produção de energia de
um conjunto de módulos ligados em série. Por esse motivo, durante a vistoria
técnica, o instalador deve observar cuidadosamente o entorno da edificação e
identificar possíveis fontes de sombra ao longo das diferentes estações do ano.
Outro ponto importante é verificar se
existe espaço suficiente para acomodar todos os módulos previstos no projeto.
Além da área ocupada pelos painéis, é necessário considerar corredores de
acesso para manutenção, afastamentos de bordas, obstáculos existentes e áreas
destinadas à circulação dos profissionais durante a instalação. Um planejamento
adequado facilita futuras inspeções e reduz riscos durante eventuais serviços
de manutenção.
Durante a visita técnica, também são
avaliados aspectos relacionados à infraestrutura elétrica da edificação. O
instalador verifica onde será instalado o inversor, o trajeto dos eletrodutos,
a localização do quadro elétrico, o ponto de conexão com a rede elétrica e as
condições para passagem dos cabos. Um percurso bem planejado reduz perdas
elétricas, melhora a organização da instalação e facilita futuras intervenções
técnicas.
A segurança continua sendo prioridade
durante toda a avaliação. Antes de subir ao telhado, o profissional deve
verificar as condições climáticas, utilizar os equipamentos de proteção
adequados e analisar os riscos existentes no ambiente. Superfícies molhadas,
telhas quebradas, estruturas frágeis ou proximidade de redes elétricas exigem
cuidados especiais. Em muitos casos, identificar um risco antes do início da
instalação evita acidentes e protege toda a equipe envolvida no serviço.
Uma avaliação criteriosa do local proporciona benefícios para todas as partes. O cliente recebe um sistema mais eficiente e confiável, enquanto o instalador reduz a possibilidade de retrabalhos, falhas técnicas e custos inesperados. Desenvolver o hábito de realizar uma vistoria completa demonstra profissionalismo, melhora a qualidade das instalações e contribui para o sucesso de cada projeto fotovoltaico.
Referências bibliográficas
VILLALVA, Marcelo Gradella; GAZOLI, Jonas
Rafael. Energia Solar Fotovoltaica: Conceitos e Aplicações. 2. ed. São
Paulo: Érica.
PINHO, João Tavares; GALDINO, Marco
Antônio. Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos.
CEPEL/CRESESB.
PEREIRA, Enio Bueno et al. Atlas Brasileiro de Energia Solar.
2. ed. São José dos Campos: INPE.
ABNT. NBR 16690 – Instalações Elétricas
de Arranjos Fotovoltaicos.
ABNT. NBR 5410 – Instalações Elétricas
de Baixa Tensão.
Aula 2 – Montagem da Estrutura e Fixação
dos Painéis
Depois que a vistoria técnica é concluída
e o projeto está definido, inicia-se uma das etapas mais importantes da
instalação: a montagem da estrutura de fixação e a instalação dos módulos
fotovoltaicos. Embora muitas pessoas associem essa fase apenas à colocação dos
painéis sobre o telhado, ela exige precisão, planejamento e respeito às
recomendações dos fabricantes. Uma estrutura mal instalada pode comprometer o
desempenho do sistema, reduzir sua vida útil e até colocar em risco a segurança
da edificação e das pessoas.
O primeiro passo consiste em preparar o
local onde a estrutura será instalada. O instalador deve conferir novamente as
medidas do projeto, localizar os pontos de fixação e verificar se a cobertura
está em boas condições. Também é importante organizar as ferramentas, separar
os componentes da estrutura e garantir que todos os equipamentos de proteção
estejam sendo utilizados corretamente. Esse planejamento reduz o tempo de
execução e diminui a possibilidade de erros durante a montagem.
As estruturas de fixação são fabricadas,
geralmente, em alumínio e aço galvanizado, materiais que apresentam elevada
resistência mecânica e boa proteção contra corrosão. Existem modelos
específicos para diferentes tipos de telhados, como cerâmicos, metálicos, de
fibrocimento e lajes. Por isso, não existe uma estrutura única para todas as
instalações. A escolha correta depende das características da cobertura, das
condições climáticas da região e das cargas que atuarão sobre o sistema ao
longo dos anos.
Após a instalação dos suportes, são
fixados os trilhos metálicos que servirão de base para os módulos
fotovoltaicos. Nessa etapa, o nivelamento é fundamental. Trilhos desalinhados
dificultam a instalação dos painéis, podem gerar esforços mecânicos desnecessários
e prejudicar o acabamento final do sistema. O uso de instrumentos de medição e
a conferência constante das dimensões ajudam a garantir uma montagem uniforme e
segura.
Com a estrutura pronta, inicia-se a fixação dos módulos fotovoltaicos. Os painéis são posicionados cuidadosamente sobre os trilhos e presos com grampos intermediários e grampos finais, sempre nas regiões indicadas pelo fabricante. Essas recomendações existem para distribuir corretamente os esforços mecânicos provocados
pelo fabricante. Essas recomendações existem para
distribuir corretamente os esforços mecânicos provocados pelo vento, pela
dilatação térmica e pelo peso dos próprios módulos. Alterar os pontos de
fixação ou improvisar componentes pode comprometer a garantia dos equipamentos
e aumentar o risco de danos estruturais.
Outro cuidado importante é manter o
espaçamento adequado entre os módulos e entre os módulos e a cobertura. Esses
espaços favorecem a circulação de ar, auxiliando no resfriamento dos painéis e
contribuindo para um melhor desempenho do sistema. Além disso, a ventilação
adequada reduz o acúmulo de calor, que pode diminuir a eficiência da geração de
energia durante os períodos mais quentes do dia.
Durante toda a montagem, os módulos devem
ser manuseados com atenção. Os painéis possuem vidro temperado resistente, mas
impactos, quedas ou apoio inadequado podem provocar trincas invisíveis,
conhecidas como microfissuras, que comprometem o desempenho do equipamento ao
longo do tempo. Também não é recomendado caminhar sobre os módulos ou utilizar
sua moldura como ponto de apoio durante a instalação.
Depois que todos os módulos estão fixados,
é realizada uma inspeção completa da estrutura. O instalador verifica o aperto
dos parafusos, o alinhamento dos painéis, a estabilidade dos suportes e a
organização inicial dos cabos. Em muitas empresas, essa conferência inclui o
controle do torque aplicado nos elementos de fixação, garantindo que cada
componente esteja instalado conforme as especificações do fabricante e do
projeto.
Uma montagem executada com cuidado oferece
benefícios que vão além da estética. Um sistema bem alinhado, firmemente fixado
e instalado conforme as normas apresenta maior durabilidade, melhor desempenho
energético e menor necessidade de manutenção corretiva. Para o instalador
iniciante, compreender a importância dessa etapa significa desenvolver um
padrão de qualidade que será refletido em todas as futuras instalações.
Referências bibliográficas
VILLALVA, Marcelo Gradella; GAZOLI, Jonas
Rafael. Energia Solar Fotovoltaica: Conceitos e Aplicações. 2. ed. São
Paulo: Érica.
PINHO, João Tavares; GALDINO, Marco
Antônio. Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos.
CEPEL/CRESESB.
BALFOUR, John; SHAW, Michael; NASH,
Nicole. Introdução ao Projeto de Sistemas Fotovoltaicos. Rio de Janeiro:
LTC.
ABNT. NBR 16690 – Instalações Elétricas
de Arranjos Fotovoltaicos.
ABNT. NBR 5410 – Instalações Elétricas
de Baixa Tensão.
Aula 3 –
Instalação Elétrica Básica
Após a montagem da estrutura e a fixação
dos módulos fotovoltaicos, inicia-se a etapa de instalação elétrica. É nesse
momento que todos os componentes passam a ser interligados para formar um
sistema capaz de gerar energia de maneira segura e eficiente. Embora essa fase
envolva diversos equipamentos e conexões, seu objetivo é simples: conduzir a
energia produzida pelos módulos até o inversor e, posteriormente,
disponibilizá-la para utilização na instalação elétrica da edificação ou para
injeção na rede da concessionária. Quando executada corretamente, essa etapa
garante o bom funcionamento do sistema e reduz significativamente o risco de
falhas.
O primeiro passo consiste em realizar a
ligação dos módulos fotovoltaicos em série, formando os chamados strings.
Cada string é composta por um conjunto de painéis conectados de forma que a
tensão gerada seja compatível com as especificações do inversor. Em sistemas de
maior potência, duas ou mais strings podem ser ligadas em paralelo para
aumentar a capacidade de geração de energia. Essa configuração deve seguir
rigorosamente o projeto elétrico, respeitando os limites de tensão e corrente
estabelecidos pelo fabricante do inversor.
Durante a montagem das strings, é
fundamental utilizar cabos solares apropriados e conectores compatíveis. Os
cabos empregados em sistemas fotovoltaicos são fabricados para suportar
exposição contínua à radiação ultravioleta, umidade, variações de temperatura e
esforços mecânicos. Além disso, devem apresentar isolamento adequado para
trabalhar com tensões elevadas em corrente contínua. A utilização de materiais
inadequados ou de baixa qualidade pode provocar aquecimento, perdas de energia
e redução da vida útil da instalação.
Outro componente indispensável é a String
Box, também conhecida como caixa de proteção em corrente contínua.
Instalada entre os módulos fotovoltaicos e o inversor, ela reúne dispositivos
como fusíveis, chave seccionadora e dispositivos de proteção contra surtos
(DPS). Sua função é proteger o sistema contra sobrecorrentes, sobretensões e
facilitar o desligamento seguro durante inspeções ou manutenções. Em
determinados arranjos, a utilização da String Box é prevista pelas normas
técnicas para garantir maior segurança da instalação.
Em seguida, a energia gerada chega ao inversor fotovoltaico, equipamento responsável por converter a corrente contínua produzida pelos módulos em corrente alternada, compatível com os equipamentos
elétricos da residência, empresa ou indústria. Além dessa função, os inversores
modernos monitoram continuamente o funcionamento do sistema, registrando dados
de produção, identificando falhas e permitindo o acompanhamento remoto por
aplicativos e plataformas digitais.
Outro aspecto essencial da instalação
elétrica é a organização do cabeamento. Os cabos devem ser acomodados de forma
ordenada, presos por suportes apropriados e protegidos contra atritos,
esmagamentos e exposição excessiva às intempéries. Cabos soltos ou mal
posicionados podem sofrer desgaste prematuro, dificultar futuras manutenções e
aumentar o risco de acidentes. Um acabamento organizado também facilita
inspeções e transmite maior qualidade ao serviço executado.
O aterramento é outro elemento
indispensável para a segurança do sistema fotovoltaico. As estruturas
metálicas, os módulos e demais equipamentos devem estar conectados ao sistema
de aterramento da instalação conforme previsto nas normas técnicas. Essa medida
reduz o risco de choques elétricos, protege os equipamentos contra falhas e
contribui para minimizar os efeitos de descargas atmosféricas e surtos
elétricos.
Após a conclusão das conexões elétricas, é
realizada uma inspeção completa antes da energização do sistema. Nessa
verificação são conferidos o aperto dos terminais, a polaridade das ligações, a
continuidade do aterramento, a organização dos cabos e a correta instalação dos
dispositivos de proteção. Somente depois que todos esses itens forem
verificados o sistema poderá ser colocado em funcionamento com segurança. Esse
procedimento reduz a possibilidade de falhas e aumenta a confiabilidade da
instalação.
Para o instalador iniciante, compreender cada etapa da instalação elétrica é tão importante quanto saber montar os módulos sobre o telhado. O sucesso de um sistema fotovoltaico depende da qualidade de todas as conexões, da utilização de materiais adequados e do cumprimento das normas técnicas. Trabalhar com atenção aos detalhes, organização e responsabilidade é o caminho para realizar instalações seguras, eficientes e duráveis.
Referências bibliográficas
VILLALVA, Marcelo Gradella; GAZOLI, Jonas
Rafael. Energia Solar Fotovoltaica: Conceitos e Aplicações. 2. ed. São
Paulo: Érica.
PINHO, João Tavares; GALDINO, Marco
Antônio. Manual de Engenharia para Sistemas Fotovoltaicos.
CEPEL/CRESESB.
BALFOUR, John; SHAW, Michael; NASH,
Nicole. Introdução ao Projeto de Sistemas Fotovoltaicos. Rio de Janeiro:
LTC.
ABNT. NBR
16690 – Instalações Elétricas
de Arranjos Fotovoltaicos.
ABNT. NBR 5410 – Instalações Elétricas
de Baixa Tensão.
ABNT. NBR 16274 – Sistemas
Fotovoltaicos Conectados à Rede – Requisitos Mínimos para Documentação, Ensaios
de Comissionamento, Inspeção e Avaliação de Desempenho.
Estudo de Caso – Módulo 2
Um pequeno detalhe que gerou um grande
prejuízo
A empresa Sol Nascente Energia foi
contratada para instalar um sistema fotovoltaico de 8 kWp em uma pequena
empresa familiar. O projeto havia sido elaborado corretamente, os equipamentos
eram de boa qualidade e a equipe possuía experiência. Como o cliente precisava
colocar o sistema em funcionamento rapidamente, a instalação foi realizada em
apenas dois dias.
Durante a montagem da estrutura, tudo
parecia seguir conforme o planejado. No entanto, para ganhar tempo, alguns
procedimentos deixaram de ser executados com o cuidado necessário. Os
instaladores não conferiram novamente o alinhamento dos trilhos após a fixação,
utilizaram o aperto dos parafusos apenas "no tato", sem verificar o
torque recomendado pelo fabricante, e parte dos cabos ficou apoiada diretamente
sobre as telhas, sem fixação adequada.
Nas primeiras semanas, o sistema funcionou
normalmente. Porém, após um período de ventos fortes e chuvas intensas, o
proprietário percebeu um ruído vindo do telhado. Durante a inspeção técnica,
constatou-se que alguns grampos haviam perdido o aperto adequado, um dos
módulos apresentava pequeno desalinhamento e parte do cabeamento sofreu
desgaste pelo atrito constante com a cobertura. Felizmente, o problema foi
identificado antes que ocorressem danos maiores, como infiltrações, rompimento
de cabos ou desprendimento de componentes.
Enquanto realizavam os reparos, os
técnicos identificaram outro erro: um dos conectores havia sido prensado de
forma inadequada durante a instalação. Embora ainda estivesse funcionando, a
conexão apresentava sinais iniciais de aquecimento, situação que, se não fosse
corrigida, poderia reduzir o desempenho do sistema e até provocar falhas mais
graves ao longo do tempo.
Após a substituição dos conectores, o
reaperto da estrutura, a reorganização dos cabos e uma nova inspeção completa,
o sistema voltou a operar normalmente. O proprietário compreendeu que uma
instalação fotovoltaica de qualidade depende tanto de equipamentos confiáveis
quanto da atenção aos detalhes durante a montagem.
Erros cometidos
Como evitar esses problemas
Reflexão
A instalação de um sistema fotovoltaico não termina quando os painéis são fixados ao telhado. Cada parafuso, cada conector e cada cabo influenciam diretamente a segurança, a eficiência e a durabilidade do sistema. Pequenos descuidos durante a montagem podem gerar retrabalho, custos adicionais e perda de confiança do cliente. Por isso, o instalador que desenvolve o hábito de revisar cada etapa da instalação entrega um serviço mais seguro, confiável e alinhado às boas práticas do setor.
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