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Básico em Plano de Gerenciamento de Risco (PGR)

BÁSICO EM PLANO DE

GERENCIAMENTO DE RISCO (PGR)

 

Medidas de Controle e Monitoramento

Hierarquia das medidas de controle

 

Estratégias para a Prevenção de Riscos Ocupacionais no PGR

1. Introdução

A proteção da saúde e integridade física dos trabalhadores exige não apenas a identificação dos perigos e avaliação dos riscos, mas também a adoção de medidas de controle eficazes e bem planejadas. O Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme estabelecido na Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), deve incluir um plano de ação que contenha estratégias para eliminar ou mitigar os riscos ocupacionais identificados.

Nesse contexto, o conceito de hierarquia das medidas de controle é central. Trata-se de uma ordem lógica e técnica para a seleção de soluções que priorizam a eliminação dos riscos na fonte e, somente quando isso não for viável, avançam para métodos de proteção coletiva, administrativa e individual. Essa hierarquia é amplamente reconhecida pelas normas internacionais de segurança do trabalho, como a ISO 45001:2018, e constitui uma base para a tomada de decisões seguras e sustentáveis.

2. Níveis da Hierarquia das Medidas de Controle

A hierarquia das medidas de controle compreende cinco níveis principais, dispostos do mais eficaz ao menos eficaz. A seguir, são descritos cada um deles, com base técnica e exemplos práticos.

2.1. Eliminação

A eliminação do risco consiste na remoção completa do perigo da atividade, processo ou ambiente. É a medida mais eficaz, pois extingue completamente a possibilidade de dano.

Exemplo prático:

  • Substituir o uso de escadas por plataformas niveladas na manutenção de equipamentos, eliminando o risco de queda em altura.
  • Automatizar um processo manual de corte, eliminando a exposição do trabalhador a lâminas afiadas.

Embora a eliminação nem sempre seja viável economicamente, ela deve ser a primeira opção considerada na fase de projeto ou redesign de processos.

2.2. Substituição

Quando não é possível eliminar o risco, a segunda opção é a substituição por um processo, produto ou equipamento menos perigoso. Essa medida reduz o potencial de dano, mantendo a funcionalidade da tarefa.

Exemplo prático:

  • Substituir um solvente tóxico por outro com menor toxicidade (ex.: substituir tolueno por álcool isopropílico).
  • Trocar máquinas antigas por modelos com sistemas de segurança embarcados.

A substituição deve ser tecnicamente validada para garantir que não crie riscos ou

impactos inesperados.

2.3. Medidas de Controle Coletivo

As medidas de proteção coletiva (EPCs) são aquelas que atuam sobre o ambiente de trabalho e beneficiam todos os trabalhadores expostos, reduzindo a intensidade ou a frequência do risco.

Exemplo prático:

  • Instalar exaustores para ventilação em locais com vapores químicos;
  • Usar guarda-corpos em plataformas elevadas;
  • Implantar enclausuramento acústico para reduzir ruído de máquinas.

As medidas coletivas são preferíveis aos equipamentos de proteção individual, pois não dependem do comportamento individual e são geralmente mais eficazes a longo prazo.

2.4. Medidas Administrativas

As medidas administrativas são ações voltadas à organização do trabalho com o objetivo de limitar a exposição ao risco. Embora não eliminem o perigo, ajudam a reduzir o tempo, a frequência ou a forma como os trabalhadores interagem com ele.

Exemplo prático:

  • Implementação de rodízio de tarefas para reduzir esforço repetitivo;
  • Redução da jornada em ambientes com calor excessivo;
  • Capacitações periódicas sobre segurança e uso correto dos EPIs.

Essas ações têm menor eficácia se adotadas isoladamente, devendo ser combinadas com outras medidas superiores da hierarquia.

2.5. Equipamentos de Proteção Individual (EPIs)

Os EPIs são a última linha de defesa na hierarquia. São fornecidos aos trabalhadores para uso pessoal e destinam-se a protegê-los quando não é possível eliminar ou controlar o risco por outros meios.

Exemplo prático:

  • Luvas de proteção térmica em panificadoras;
  • Protetores auriculares em áreas com ruído elevado;
  • Respiradores em ambientes com poeiras ou vapores.

O uso de EPIs depende do treinamento adequado, da adesão dos trabalhadores e da manutenção constante dos equipamentos. Eles não eliminam o risco, apenas reduzem sua severidade ou chance de impacto direto.

3. Exemplos Práticos por Tipo de Risco

Risco Físico (ruído)

  • Eliminação: Substituir máquina barulhenta por modelo silencioso.
  • Substituição: Instalar motor com menor vibração.
  • Controle coletivo: Enclausurar o equipamento e instalar barreiras acústicas.
  • Administrativo: Reduzir o tempo de exposição ao ruído.
  • EPI: Protetor auricular tipo concha.

Risco Químico (exposição a solventes)

  • Eliminação: Automatizar aplicação de solventes.
  • Substituição: Utilizar produto menos volátil.
  • Controle coletivo: Instalar cabine de exaustão local.
  • Administrativo: Treinamentos sobre manuseio seguro.
  • EPI: Luvas nitrílicas e máscara com filtro químico.

Risco Ergonômico (postura inadequada)

  • Eliminação: Automatizar tarefa que exige esforço físico.
  • Substituição: Substituir mobiliário por itens ergonômicos.
  • Controle coletivo: Adequar o layout do posto de trabalho.
  • Administrativo: Implantar pausas programadas e ginástica laboral.
  • EPI: Não se aplica diretamente, mas podem ser fornecidos apoios lombares.

4. Avaliação da Eficácia das Medidas

A simples adoção de uma medida de controle não garante sua eficácia. É necessário avaliar continuamente o desempenho das ações implementadas e verificar se o risco foi, de fato, controlado. A avaliação pode incluir:

  • Inspeções regulares nos locais de trabalho;
  • Entrevistas com trabalhadores para percepção de melhorias;
  • Monitoramento ambiental (ex.: medição de ruído, gases);
  • Indicadores de saúde ocupacional, como redução de afastamentos;
  • Registro de incidentes e quase-acidentes.

Quando se constata que a medida adotada não atinge os resultados esperados, deve-se revisar o plano de ação, considerando outra abordagem dentro da hierarquia.

5. Considerações Finais

A hierarquia das medidas de controle é uma ferramenta essencial para a gestão eficaz dos riscos ocupacionais. Ela orienta empregadores e profissionais de segurança na priorização de soluções preventivas, com foco na eliminação ou neutralização dos perigos na fonte. A adoção de medidas isoladas, como apenas fornecer EPIs, sem considerar ações mais estruturais, não é suficiente para garantir ambientes de trabalho seguros.

É fundamental que as organizações adotem uma visão sistêmica, que envolva desde a engenharia de processos até a cultura organizacional voltada à prevenção. Dessa forma, o PGR se torna não apenas um documento obrigatório, mas um instrumento estratégico de saúde, produtividade e sustentabilidade.

Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Norma Regulamentadora nº 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Portaria SEPRT nº 6.730, de 9 de março de 2020.
  • COUTO, Hudson. Gerência de Riscos Ocupacionais. Belo Horizonte: Ergo, 2019.
  • REIS, Leonardo. Implantação do PGR na prática. São Paulo: Érica, 2022.
  • SILVA, A. J. da; FERREIRA, M. S. Segurança e Saúde no Trabalho: Fundamentos e Práticas. São Paulo: Atlas, 2021.
  • ABNT. NBR ISO
  • 45001:2018 – Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional.

  

PLANO DE AÇÃO E GESTÃO CONTÍNUA NO PGR

Implementação, Monitoramento e Revisão das Ações Preventivas

1. Introdução

O Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme estabelecido pela Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), é um instrumento dinâmico e vivo, que deve refletir as reais condições de saúde e segurança nos ambientes de trabalho. Para que o PGR cumpra sua finalidade, é necessário que ele se desdobre em ações concretas, organizadas de maneira estruturada, com responsáveis definidos, prazos estabelecidos e critérios de monitoramento. Isso é feito por meio do plano de ação.

Mais do que uma lista de providências, o plano de ação deve ser parte integrante da gestão contínua dos riscos ocupacionais, permitindo a melhoria progressiva do ambiente de trabalho e o fortalecimento da cultura de prevenção. A eficácia do PGR depende diretamente da capacidade da empresa de planejar, executar, monitorar e reavaliar suas ações preventivas com regularidade e compromisso.

2. Criação de Planos de Ação: Quem, o Quê, Quando

O plano de ação do PGR é o documento que detalha as medidas preventivas ou corretivas a serem adotadas diante dos riscos identificados. Ele organiza a execução das ações e promove o acompanhamento sistemático das responsabilidades. Um plano de ação eficaz deve responder a três perguntas essenciais:

a) Quem?

Identificar o responsável pela execução de cada ação é fundamental. Esse responsável pode ser:

  • Um técnico de segurança do trabalho;
  • O gestor de determinado setor;
  • Um supervisor de equipe;
  • O próprio empregador, em empresas menores.

A definição de responsáveis evita a perda de compromissos e contribui para o controle das tarefas.

b) O quê?

Corresponde à ação específica a ser tomada em relação ao risco identificado. As ações podem incluir:

  • Instalação de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs);
  • Revisão de layout;
  • Aquisição de EPIs;
  • Realização de treinamentos;
  • Revisão de procedimentos operacionais.

Cada ação deve ser específica, mensurável e viável, evitando generalidades que dificultem a implementação e o controle.

c) Quando?

Todo plano de ação deve conter um prazo claro para execução, que considere a urgência e gravidade do risco. A ausência de prazos pode comprometer a efetividade do plano e expor a empresa a penalidades administrativas.

Além da data de início e conclusão, é recomendável que o plano

inclua etapas intermediárias para ações complexas ou estruturais.

3. Indicadores de Desempenho e Metas

O acompanhamento da implementação do PGR exige o uso de indicadores de desempenho, que permitem avaliar a eficácia das medidas adotadas e verificar se os riscos estão sendo controlados de forma adequada. Indicadores bem escolhidos possibilitam a tomada de decisões baseada em dados objetivos e o redirecionamento de esforços quando necessário.

a) Indicadores Quantitativos

Medem aspectos objetivos e mensuráveis, tais como:

  • Número de acidentes com afastamento;
  • Taxa de incidentes por setor;
  • Horas de treinamento em SST realizadas;
  • Percentual de ações concluídas no plano de ação;
  • Redução de níveis de ruído, temperatura ou contaminantes.

b) Indicadores Qualitativos

Avaliam aspectos subjetivos ou de percepção, como:

  • Satisfação dos trabalhadores com as condições de trabalho;
  • Grau de comprometimento das lideranças com a segurança;
  • Efetividade percebida dos treinamentos.

Esses indicadores são úteis para analisar engajamento e cultura organizacional, aspectos fundamentais da gestão preventiva.

c) Metas

A definição de metas claras e realistas é essencial para orientar a gestão e engajar os envolvidos. Exemplos de metas incluem:

  • Reduzir em 50% os acidentes sem afastamento até o fim do ano;
  • Concluir 100% das ações do plano em até 90 dias;
  • Capacitar todos os funcionários em ergonomia até o próximo trimestre.

As metas devem ser avaliadas periodicamente e, se necessário, ajustadas conforme o desempenho da organização e a evolução do contexto.

4. Reavaliação Periódica do PGR

A gestão contínua dos riscos exige que o PGR seja revisto e atualizado com regularidade, especialmente diante de mudanças relevantes nos processos de trabalho. A própria NR-01 determina que o PGR deve ser reavaliado sempre que:

  • Houver modificações significativas nos ambientes, processos, equipamentos ou métodos;
  • Ocorrer um acidente grave ou fatal;
  • Identificarem-se novos riscos anteriormente não avaliados;
  • Forem implantadas novas tecnologias ou produtos.

Além dessas situações, recomenda-se a adoção de uma periodicidade mínima de reavaliação, como anual ou semestral, dependendo da complexidade da organização.

A reavaliação deve envolver:

  • Nova coleta de dados;
  • Revisão do inventário de riscos;
  • Atualização do plano de ação;
  • Análise crítica dos indicadores de
  • desempenho;
  • Inclusão de novas medidas de controle, se necessário.

Esse processo garante que o PGR continue alinhado à realidade da empresa e contribua para a construção de uma cultura organizacional voltada à melhoria contínua, conforme os princípios da ISO 45001:2018.

5. Considerações Finais

A eficácia do PGR depende não apenas de sua elaboração técnica, mas da capacidade da organização de executar, acompanhar e revisar suas ações preventivas com regularidade. O plano de ação transforma o diagnóstico do inventário de riscos em ações concretas e mensuráveis, distribuindo responsabilidades, estabelecendo prazos e promovendo a responsabilização dos envolvidos.

O uso de indicadores de desempenho e metas torna a gestão mais objetiva e transparente, permitindo avanços reais na prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. A revisão periódica do PGR garante sua atualidade e reforça o compromisso da empresa com a segurança e a saúde dos trabalhadores.

Empresas que adotam uma gestão contínua dos riscos, por meio de planos de ação bem estruturados e acompanhados de indicadores relevantes, não apenas cumprem a legislação vigente, mas demonstram maturidade organizacional e responsabilidade social diante de seus colaboradores e da sociedade.

Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Norma Regulamentadora nº 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Portaria SEPRT nº 6.730, de 9 de março de 2020.
  • COUTO, Hudson. Gerência de Riscos Ocupacionais. Belo Horizonte: Ergo, 2019.
  • REIS, Leonardo. Implantação do PGR na prática. São Paulo: Érica, 2022.
  • ABNT. NBR ISO 45001:2018 – Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional. Associação Brasileira de Normas Técnicas.
  • SILVA, A. J. da; FERREIRA, M. S. Segurança e Saúde no Trabalho: Fundamentos e Práticas. São Paulo: Atlas, 2021.

  

RELACIONAMENTO DO PGR COM A CULTURA DE

SEGURANÇA

Comportamento Seguro, Engajamento e Boas Práticas Organizacionais

 

1. Introdução

A segurança no ambiente de trabalho não depende apenas de normas, equipamentos e treinamentos formais. Ela está diretamente associada ao comportamento humano e à cultura organizacional, ou seja, ao conjunto de valores, crenças, atitudes e práticas compartilhadas dentro da empresa. Nesse contexto, o Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR) não deve ser visto apenas como um documento técnico exigido pela legislação, mas como um instrumento de

transformação cultural, capaz de promover ambientes mais seguros e sustentáveis quando corretamente aplicado e internalizado.

A Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), ao instituir o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), reforça a ideia de que a gestão de riscos é um processo contínuo, que deve envolver todas as pessoas da organização, em todos os níveis hierárquicos. O relacionamento entre o PGR e a cultura de segurança é, portanto, uma via de mão dupla: um PGR eficaz fortalece a cultura preventiva, e uma cultura de segurança consolidada garante a eficácia do PGR.

2. A Importância do Comportamento Seguro

Comportamento seguro é a prática cotidiana de ações que evitam riscos, respeitam normas de segurança e promovem a saúde no trabalho, mesmo na ausência de fiscalização ou cobrança externa. Ele é influenciado por fatores como:

  • Conhecimento e percepção dos riscos;
  • Conscientização individual e coletiva;
  • Exemplos dados pela liderança;
  • Recompensas e punições associadas às atitudes preventivas.

Diversos estudos em psicologia organizacional e segurança do trabalho indicam que a maioria dos acidentes de trabalho está relacionada a comportamentos inseguros, muitas vezes repetidos por hábito, pressa, negligência ou falta de percepção do risco.

Nesse sentido, o PGR deve conter não apenas o mapeamento de riscos físicos, químicos ou ergonômicos, mas também ações que estimulem a mudança de comportamento, como:

  • Campanhas educativas;
  • Treinamentos frequentes com ênfase no comportamento;
  • Diálogos diários de segurança (DDS);
  • Avaliação de condutas seguras no desempenho profissional.

O objetivo é criar um ambiente em que agir com segurança seja o padrão esperado e valorizado, e não apenas uma obrigação legal.

3. Engajamento dos Trabalhadores no PGR

Um dos pilares da cultura de segurança é o engajamento dos trabalhadores no processo de prevenção. O PGR não deve ser elaborado apenas por consultores ou gestores de segurança. Ao contrário, sua eficácia aumenta significativamente quando os trabalhadores são ouvidos, participam ativamente da identificação de perigos e colaboram na construção das soluções.

As principais estratégias para promover o engajamento incluem:

a) Comunicação Transparente

É fundamental que todos os colaboradores entendam o que é o PGR, por que ele existe e como ele impacta suas atividades. A linguagem utilizada deve ser clara, acessível e direta, evitando termos técnicos sem explicação.

b)

Participação nas Inspeções e Avaliações

Trabalhadores podem ser convidados a participar de rondas de segurança, identificar riscos em suas próprias rotinas e sugerir melhorias. Isso aumenta o senso de pertencimento e responsabilidade.

c) Valorização das Boas Práticas

O reconhecimento de atitudes preventivas — por meio de elogios, certificados, bonificações ou destaque em reuniões — reforça o comportamento seguro e serve de exemplo para os demais.

d) Treinamentos Interativos

Capacitações que envolvem simulações, jogos, debates e resolução de problemas reais são mais eficazes do que apresentações expositivas. Elas favorecem a aprendizagem significativa e o comprometimento.

e) Abertura ao Feedback

Os trabalhadores devem ter canais seguros e acessíveis para relatar situações de risco, falhas em equipamentos ou mesmo descumprimentos de normas, sem medo de retaliação.

O envolvimento da equipe operacional não é apenas uma estratégia pedagógica: é uma condição essencial para a efetividade e a sustentabilidade do PGR.

4. Boas Práticas para Manter o PGR Vivo na Empresa

Muitas organizações enfrentam o desafio de elaborar um PGR apenas para cumprir exigências legais, sem dar continuidade efetiva à sua aplicação. Para que o plano de gerenciamento de riscos seja realmente vivo, funcional e integrado à cultura organizacional, é necessário adotar uma série de boas práticas:

a) Atualização Contínua

O PGR deve ser revisto sempre que houver mudanças no processo de trabalho, implantação de novos equipamentos, ocorrência de acidentes ou identificação de novos riscos. A revisão periódica (semestral ou anual) deve ser uma prática institucionalizada.

b) Inclusão nas Reuniões de Gestão

O PGR deve estar presente nas reuniões de liderança, planejamento estratégico, metas setoriais e decisões orçamentárias. Isso demonstra que a segurança é prioridade da alta direção.

c) Integração com Outros Programas

Integrar o PGR com o PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), o eSocial, os treinamentos obrigatórios e os programas de qualidade e produtividade permitem uma gestão mais eficiente e evita retrabalho.

d) Indicadores de Resultado

Definir indicadores de segurança (como número de ações concluídas, redução de acidentes, participação em treinamentos) e acompanhar os resultados fortalece a cultura de responsabilização e de melhoria contínua.

e) Liderança Ativa

Os líderes formais (gerentes, supervisores, coordenadores) devem dar o exemplo em relação às

normas de segurança, participar dos treinamentos e apoiar as iniciativas do PGR. A liderança é um espelho da cultura.

f) Registro e Transparência

Todas as ações realizadas no âmbito do PGR devem ser registradas, com atas, relatórios, listas de presença e evidências fotográficas, demonstrando o compromisso institucional com a segurança.

5. Considerações Finais

O sucesso do PGR depende de muito mais do que sua estrutura técnica. Ele precisa estar enraizado em uma cultura de segurança madura, que valorize o comportamento seguro, promova o engajamento dos trabalhadores e mantenha a prevenção como prioridade estratégica. Quando o PGR é elaborado com participação coletiva, implementado com seriedade e constantemente revisado, ele se transforma em um verdadeiro instrumento de transformação organizacional.

A construção dessa cultura exige tempo, liderança comprometida, comunicação eficaz e práticas consistentes. Mas os benefícios — em termos de redução de acidentes, aumento da produtividade, fortalecimento da imagem institucional e valorização da vida — justificam plenamente o investimento.

Referências Bibliográficas

  • BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Norma Regulamentadora nº 01 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Portaria SEPRT nº 6.730, de 9 de março de 2020.
  • DEJOY, David M. Behavior change versus culture change: Divergent approaches to managing workplace safety. Safety Science, v. 37, n. 2-3, 2001.
  • COUTO, Hudson. Gerência de Riscos Ocupacionais. Belo Horizonte: Ergo, 2019.
  • REIS, Leonardo. Implantação do PGR na prática. São Paulo: Érica, 2022.
  • SILVA, A. J. da; FERREIRA, M. S. Segurança e Saúde no Trabalho: Fundamentos e Práticas. São Paulo: Atlas, 2021.
  • ABNT. NBR ISO 45001:2018 – Sistemas de Gestão de Saúde e Segurança Ocupacional. Associação Brasileira de Normas Técnicas.

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