BÁSICO EM PLANO DE
GERENCIAMENTO DE RISCO (PGR)
Inventário de Riscos e Avaliação
Levantamento
de perigos e riscos
Conceitos, Técnicas e Aplicações Práticas em Ambientes de Trabalho
1. Introdução
A prevenção de acidentes e doenças ocupacionais parte, necessariamente, da identificação precisa dos elementos que comprometem a segurança e a saúde dos trabalhadores. O levantamento de perigos e riscos é a primeira etapa na elaboração do Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme estabelecido pela Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01). Essa fase é fundamental, pois toda a estrutura do inventário de riscos e do plano de ação depende da identificação criteriosa dos perigos presentes nos processos, equipamentos, materiais e ambientes da organização.
2. Diferença entre Perigo e Risco
Embora os termos "perigo" e "risco" sejam frequentemente usados como sinônimos no senso comum, no contexto da segurança do trabalho eles possuem significados distintos e complementares, conforme definição técnica aceita internacionalmente e adotada pelas normas brasileiras.
Essa distinção é essencial para as etapas posteriores do PGR, como a classificação dos riscos e a definição das medidas de controle mais adequadas.
3. Técnicas de Identificação de Perigos e Riscos
O levantamento de perigos deve ser feito de forma
sistemática, utilizando ferramentas e métodos que possibilitem uma análise
abrangente dos ambientes e processos de trabalho. As principais técnicas
incluem:
3.1. Observação Direta
Consiste na análise presencial do ambiente de trabalho
e das atividades realizadas, observando-se:
A observação deve ser feita preferencialmente por um
profissional de segurança, durante a execução das atividades normais, de forma
a capturar situações reais de exposição ao perigo.
3.2. Entrevistas com Trabalhadores
O diálogo com os trabalhadores é essencial, pois eles
vivenciam diariamente os processos e são capazes de relatar:
As entrevistas devem ser conduzidas com escuta ativa e
empatia, respeitando o anonimato e incentivando a participação espontânea.
3.3. Checklists e Roteiros de Inspeção
O uso de listas de verificação ajuda a padronizar o
levantamento de perigos e a garantir que nenhum item importante seja esquecido.
Esses checklists podem abordar aspectos como:
Essas listas devem ser adaptadas à realidade da
empresa e atualizadas periodicamente, conforme alterações nos processos
produtivos.
4. Exemplos Práticos em Ambientes Industriais e
Comerciais
A identificação de perigos varia de acordo com a
natureza da atividade econômica, os processos adotados e o perfil dos
trabalhadores. Abaixo, apresentamos alguns exemplos de levantamento prático em
diferentes tipos de ambientes:
4.1. Indústria Metalúrgica
4.2. Comércio Varejista de Alimentos
4.3. Escritório Administrativo
Esses exemplos evidenciam que, mesmo em atividades consideradas de baixo risco, há perigos que precisam ser monitorados e controlados. O levantamento eficiente de riscos permite uma gestão preventiva mais eficaz e evita a ocorrência de eventos danosos.
5. Considerações Finais
O levantamento de perigos e riscos é uma etapa crítica
no processo de elaboração do PGR. A compreensão clara da diferença entre perigo
e risco, aliada à aplicação de técnicas apropriadas de identificação, permite
um diagnóstico preciso das condições de trabalho.
A participação ativa dos trabalhadores, o uso de ferramentas padronizadas e a observação criteriosa da rotina produtiva garantem a qualidade do inventário de riscos. Ao identificar corretamente os perigos, é possível estabelecer medidas de controle eficazes e promover um ambiente de trabalho mais seguro, produtivo e saudável.
Referências Bibliográficas
CLASSIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DOS RISCOS
Critérios, Matriz de Risco e Tipos de Riscos Ocupacionais
1. Introdução
A classificação e avaliação dos riscos é uma etapa fundamental no desenvolvimento do Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme exigido pela Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01) do Ministério do Trabalho e Previdência. Após a
identificação dos perigos presentes no
ambiente de trabalho, torna-se necessário analisar a magnitude dos riscos
associados a esses perigos, a fim de estabelecer prioridades de controle e
orientar as ações preventivas.
Essa avaliação é feita com base em critérios técnicos que combinam a probabilidade de ocorrência com a severidade dos possíveis danos. A aplicação de matrizes de risco e a categorização dos riscos em grupos específicos (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos e mecânicos) tornam o processo mais estruturado e eficaz.
2. Critérios de Avaliação: Severidade x Probabilidade
A metodologia mais comum para avaliar riscos em
ambientes de trabalho baseia-se na análise da severidade e da probabilidade.
Esses dois critérios permitem estimar o grau de risco e, com isso, determinar
quais situações demandam atenção imediata.
2.1. Severidade
A severidade representa o nível de dano potencial
que um risco pode causar à saúde ou à integridade física do trabalhador. Pode
variar de uma simples lesão leve até acidentes fatais ou incapacitações
permanentes. Em avaliações qualitativas, a severidade é frequentemente
classificada em escalas como:
2.2. Probabilidade
A probabilidade é a chance de o risco se
concretizar em um evento danoso. Essa estimativa leva em conta fatores como
frequência de exposição, falhas humanas, condições ambientais e uso ou não de
medidas de controle. Classificações típicas incluem:
A combinação desses dois critérios gera uma estimativa de risco, usada para organizar e priorizar as medidas corretivas no plano de ação do PGR.
3. Matriz de Risco: Conceito e Uso
A matriz de risco é uma ferramenta gráfica e
conceitual utilizada para sistematizar a avaliação dos riscos, combinando a
severidade e a probabilidade em um quadro de dupla entrada. Essa matriz
permite:
O uso da matriz de risco varia conforme a complexidade da organização. Em empresas de pequeno porte, uma matriz qualitativa (com classificações subjetivas, como "alto",
"médio",
"baixo") é geralmente suficiente. Já em ambientes industriais de
maior risco, é comum a aplicação de matrizes semiquantitativas ou
quantitativas, com base em dados estatísticos e históricos de acidentes.
A matriz é uma ferramenta dinâmica: deve ser atualizada sempre que houver alterações nos processos, na equipe, nas instalações ou após a ocorrência de incidentes. Essa atualização garante a validade contínua do PGR.
4. Classificação dos Riscos Ocupacionais
A avaliação dos riscos também exige que se compreenda
o tipo de agente de risco envolvido. A classificação tradicional no
Brasil agrupa os riscos em cinco categorias principais, conforme a
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e as práticas consagradas em segurança
do trabalho.
4.1. Riscos Físicos
Referem-se a agentes de origem física presentes
no ambiente de trabalho e que podem afetar a saúde dos trabalhadores. Exemplos:
Esses riscos são comuns em indústrias, construção
civil e laboratórios.
4.2. Riscos Químicos
Incluem substâncias químicas em diversos estados
(sólidos, líquidos, gasosos) que possam penetrar no organismo por via
respiratória, dérmica ou digestiva. Exemplos:
A avaliação desses riscos envolve análise de fichas de
segurança (FISPQ) e medição de concentrações no ar.
4.3. Riscos Biológicos
São agentes vivos ou seus produtos que podem causar
doenças. Encontram-se comumente em hospitais, clínicas, laboratórios e empresas
de saneamento. Exemplos:
A severidade desses riscos pode ser elevada, especialmente quando há exposição a agentes infectocontagiosos.
4.4. Riscos Ergonômicos
Relacionam-se à organização do trabalho, posturas
adotadas, esforços repetitivos e fatores psicossociais. Exemplos:
Riscos ergonômicos são muitas vezes negligenciados,
mas estão entre os principais causadores de afastamentos por doenças
osteomusculares e transtornos mentais.
4.5. Riscos Mecânicos ou de Acidente
São riscos que decorrem do uso de máquinas, ferramentas, instalações ou procedimentos
inseguros, representando ameaça
direta à integridade física do trabalhador. Exemplos:
O controle desse tipo de risco envolve medidas de engenharia, treinamento e fiscalização constante.
5. Considerações Finais
A classificação e avaliação dos riscos ocupacionais é
o passo que conecta a identificação de perigos à implementação de medidas
concretas de controle no PGR. A aplicação criteriosa dos conceitos de severidade
e probabilidade, por meio de matrizes de risco, permite tomar
decisões embasadas e priorizar ações conforme a criticidade dos riscos.
A categorização dos riscos em físicos, químicos,
biológicos, ergonômicos e mecânicos torna o processo mais organizado e facilita
a aplicação de soluções específicas para cada tipo de exposição. Esse processo
deve ser conduzido por profissionais qualificados, com participação ativa dos
trabalhadores, e deve ser continuamente revisado para refletir a realidade da
organização.
A adequada avaliação dos riscos é, portanto, um pilar essencial para a construção de ambientes de trabalho mais seguros, produtivos e sustentáveis.
Referências Bibliográficas
INVENTÁRIO DE RISCOS: CONSTRUÇÃO PRÁTICA
Estrutura, Preenchimento e Exemplo Aplicado na Elaboração do
PGR
1. Introdução
A etapa do inventário de riscos é um componente
essencial e obrigatório do Plano de Gerenciamento de Riscos (PGR),
conforme previsto pela Norma Regulamentadora nº 01 (NR-01), atualizada
pela Portaria SEPRT nº 6.730/2020. Trata-se de um documento técnico que reúne,
de forma sistemática, todas as informações relativas aos riscos ocupacionais
identificados no ambiente de trabalho.
Sua função é registrar os perigos existentes, os riscos associados, as medidas de
controle já implementadas e as ações propostas para mitigação ou eliminação dos riscos. Um inventário bem construído permite à organização avaliar continuamente sua situação de segurança e saúde no trabalho e estabelecer prioridades eficazes de intervenção.
2. Estrutura de um Inventário Básico
O inventário de riscos pode ser elaborado em formato
físico ou digital e deve ser adaptado à realidade da empresa. A NR-01 não impõe
um modelo fixo, mas recomenda que o inventário contenha, no mínimo, os
seguintes elementos:
A estrutura pode ser complementada por campos como responsáveis pelas ações, prazos de execução e status de conclusão, formando um plano de ação integrado ao inventário.
3. Preenchimento dos Campos: Aplicação Prática
A construção do inventário exige conhecimento técnico,
observação de campo, entrevistas com trabalhadores e análise documental. A
seguir, explicam-se os principais campos com sugestões de preenchimento.
a) Descrição da Atividade
Corresponde ao processo executado no local. Deve ser
objetivo, com linguagem clara, como por exemplo: “soldagem de estruturas
metálicas”, “embalagem de produtos alimentícios”, ou “atendimento ao público no
balcão”.
b) Fonte Geradora ou Perigo
Refere-se ao agente ou situação com potencial de dano.
Exemplos: “faíscas durante solda elétrica”, “produto químico corrosivo”, “má
postura prolongada em cadeira sem ergonomia”.
c) Tipo de Risco
Classifica-se o risco segundo sua natureza:
d) Medidas de Controle Existentes
Devem ser descritas todas as ações já implementadas
que minimizam ou eliminam o risco identificado. Exemplos:
e) Avaliação do Risco
Mesmo de forma qualitativa, recomenda-se uma análise
com base em:
Exemplo: risco classificado como “alto” por ser um
perigo de corte grave (severidade alta) em máquina sem proteção (alta
probabilidade).
f) Recomendações
Neste campo devem constar sugestões de melhoria, como:
4. Exemplo Comentado de Inventário Simples
A seguir, um exemplo fictício e comentado de
preenchimento de inventário de riscos em uma padaria, setor de panificação:
Esse exemplo evidencia como o inventário pode ser construído de forma prática, com informações essenciais para o plano de ação da empresa.
5. Considerações Finais
A construção do inventário de riscos é uma ferramenta
estratégica para o gerenciamento da saúde e segurança no trabalho. Mais do que
um documento formal, o inventário deve refletir a realidade da organização,
permitindo que os riscos sejam compreendidos, priorizados e monitorados ao
longo do tempo.
Um inventário bem estruturado é aquele que:
Quando bem utilizado, o inventário de riscos deixa de ser um simples anexo documental e se transforma em um verdadeiro mapa de prevenção, capaz de orientar melhorias contínuas no ambiente laboral.
Referências Bibliográficas
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