Apostila 2 — Curso Chackraterapia

CHAKRATERAPIA

 

Módulo 2 – Conhecendo e Trabalhando os Chakras 

Aula 1 – Chakras raiz, sacral e plexo solar

 

Os três primeiros chakras costumam ser estudados em conjunto porque, segundo a tradição do Yoga e do Tantra, estão relacionados aos aspectos mais concretos da experiência humana. Eles representam, de forma simbólica, a maneira como lidamos com a sobrevivência, as emoções, a criatividade, a autonomia e a capacidade de agir diante dos desafios da vida.

Embora o sistema dos chakras faça parte das tradições filosóficas indianas, atualmente ele também é utilizado em diversas práticas integrativas como uma ferramenta de autoconhecimento. É importante lembrar que essas associações são simbólicas e não correspondem a estruturas anatômicas ou diagnósticos médicos. Pesquisas sobre a história dos chakras mostram que essas descrições têm origem em textos do Hinduísmo e do Tantra, sendo posteriormente difundidas no Ocidente por diferentes escolas de Yoga.

Nesta aula, conheceremos os três primeiros chakras e aprenderemos como utilizá-los como instrumentos de reflexão sobre a própria vida.

Muladhara: construindo uma base sólida

O primeiro chakra chama-se Muladhara, palavra que pode ser traduzida como "suporte da raiz". Tradicionalmente, ele está localizado na base da coluna e simboliza estabilidade, segurança, sobrevivência e conexão com o mundo físico. Sua representação mais conhecida utiliza a cor vermelha e o elemento terra.

Na prática, esse chakra nos convida a refletir sobre aquilo que sustenta nossa vida. Não se trata apenas de segurança financeira, mas também de aspectos como organização, rotina, saúde, descanso e sensação de pertencimento.

Uma pessoa que vive constantemente preocupada, sem conseguir estabelecer uma rotina equilibrada, pode utilizar o simbolismo de Muladhara para refletir sobre quais áreas da vida precisam de maior estabilidade.

Isso não significa que exista um "chakra defeituoso". O objetivo é observar hábitos e comportamentos que podem ser fortalecidos.

Perguntas simples ajudam nesse processo:

  • Tenho cuidado adequadamente da minha saúde?
  • Minha rotina favorece o descanso?
  • Sinto segurança para enfrentar os desafios do dia a dia?
  • Estou construindo uma base sólida para meus projetos?

Essas reflexões tornam o estudo dos chakras mais próximo da realidade e menos dependente de interpretações místicas.

Praticando o enraizamento

Entre as práticas tradicionalmente associadas ao chakra raiz está o chamado

enraizamento.

Esse exercício procura estimular uma sensação de estabilidade por meio da atenção ao corpo.

Sente-se confortavelmente ou permaneça em pé com os pés bem apoiados no chão.

Respire naturalmente e perceba o contato dos pés com a superfície.

Observe o peso do corpo, o equilíbrio e a postura.

Durante alguns minutos, apenas mantenha a atenção nessa sensação de apoio.

Ao terminar, reflita:

"O que hoje me traz segurança?"

"Quais atitudes posso tomar para fortalecer minha estabilidade?"

Esse exercício favorece a consciência corporal e pode ser realizado diariamente.

Svadhisthana: criatividade e adaptação

O segundo chakra recebe o nome de Svadhisthana, tradicionalmente localizado na região abaixo do umbigo. Nas tradições do Yoga, ele está relacionado ao elemento água e simboliza movimento, criatividade, emoções, prazer e capacidade de adaptação.

Assim como a água se adapta aos diferentes caminhos, esse chakra nos lembra que a vida está em constante transformação.

Mudanças fazem parte da existência. Algumas são planejadas; outras acontecem de maneira inesperada.

A forma como lidamos com essas transformações influencia diretamente nosso bem-estar.

Em vez de interpretar dificuldades emocionais como consequência de um "bloqueio energético", a chakraterapia propõe perguntas mais úteis:

  • Tenho permitido espaço para a criatividade?
  • Consigo lidar com mudanças de maneira saudável?
  • Como expresso minhas emoções?
  • Tenho reservado momentos de lazer e descanso?

Essas questões ajudam a desenvolver maior consciência sobre a própria rotina.

Criatividade vai além da arte

Quando ouvimos a palavra criatividade, muitas vezes pensamos apenas em pintura, música ou escrita.

Entretanto, criatividade também está presente na maneira como resolvemos problemas, encontramos soluções, organizamos tarefas e nos adaptamos às mudanças.

Uma pessoa criativa nem sempre produz obras de arte. Ela pode simplesmente encontrar novas formas de enfrentar os desafios cotidianos.

Na chakraterapia, Svadhisthana simboliza justamente essa capacidade de criar possibilidades.

Um exercício de criatividade consciente

Escolha uma atividade simples que lhe proporcione prazer.

Pode ser desenhar, escrever algumas linhas em um caderno, cozinhar, cuidar de plantas ou ouvir uma música com atenção.

Enquanto realiza essa atividade, procure permanecer totalmente presente.

Evite distrações e observe como seu corpo responde quando está envolvido em algo que desperta interesse.

Depois, pergunte-se:

"O que senti durante essa experiência?"

"Há quanto tempo eu não dedicava alguns minutos a uma atividade prazerosa?"

Essas pequenas práticas fortalecem o hábito da presença e da criatividade.

Manipura: coragem para agir

O terceiro chakra é conhecido como Manipura, expressão sânscrita frequentemente traduzida como "cidade das joias". Tradicionalmente, está associado à região do abdômen, ao elemento fogo e aos temas relacionados à força interior, determinação, autoestima e capacidade de ação.

Enquanto o chakra raiz representa a base e o chakra sacral simboliza o movimento, Manipura representa a energia necessária para transformar planos em ações.

Todos nós temos projetos que gostaríamos de realizar.

Entretanto, muitas vezes surgem dúvidas, inseguranças ou medo de errar.

O simbolismo desse chakra convida justamente ao desenvolvimento da iniciativa.

Não significa agir impulsivamente, mas aprender a tomar decisões de maneira consciente.

Desenvolvendo autonomia

Autonomia não é fazer tudo sozinho.

Ser autônomo significa assumir responsabilidade pelas próprias escolhas, reconhecer limitações e buscar soluções possíveis para cada situação.

Uma prática simples consiste em identificar uma decisão que vem sendo adiada.

Escreva essa situação em um papel e responda:

  • O que está impedindo essa decisão?
  • Quais fatores dependem de mim?
  • Qual pequeno passo posso dar ainda hoje?

Frequentemente percebemos que não precisamos resolver tudo de uma vez. Pequenas ações também representam progresso.

O simbolismo do fogo

Nas tradições do Yoga, Manipura está relacionado ao elemento fogo.

O fogo transforma.

Ele aquece, ilumina e modifica aquilo que toca.

De maneira simbólica, esse elemento representa nossa capacidade de transformar intenções em atitudes concretas.

Por isso, trabalhar esse chakra não significa imaginar chamas ou buscar sensações intensas, mas refletir sobre nossa disposição para agir de maneira consciente.

Integrando os três chakras

Embora estudados separadamente, Muladhara, Svadhisthana e Manipura funcionam de maneira integrada.

Primeiro construímos uma base sólida.

Depois aprendemos a lidar com mudanças e emoções.

Por fim, desenvolvemos coragem para agir.

Quando utilizamos esse modelo como ferramenta de reflexão, percebemos que cada etapa complementa a outra.

Uma pessoa dificilmente manterá iniciativas consistentes se não possuir uma rotina minimamente organizada.

Da mesma forma, criatividade e ação caminham

melhor quando existe equilíbrio emocional.

Essa integração mostra que o estudo dos chakras vai muito além da memorização de nomes, cores ou símbolos.

Exercício integrativo

Reserve alguns minutos para refletir sobre os três primeiros chakras.

Pergunte-se:

Muladhara: O que fortalece minha segurança?

Svadhisthana: Como tenho cultivado criatividade e flexibilidade?

Manipura: Qual atitude concreta posso tomar para avançar em um objetivo importante?

Anote suas respostas e observe como elas podem orientar pequenas mudanças em sua rotina.

O propósito da chakraterapia não é fornecer respostas prontas, mas estimular um olhar mais atento sobre a própria vida. Quanto maior nossa capacidade de observar hábitos, emoções e escolhas, maiores são as oportunidades de crescimento pessoal.

Referências bibliográficas

AVALON, Arthur (WOODROFFE, John). O Poder da Serpente: os centros de força e a Kundalini. São Paulo: Pensamento.

ELIADE, Mircea. Yoga: Imortalidade e Liberdade. São Paulo: Palas Athena.

FEUERSTEIN, Georg. A Tradição do Yoga: história, literatura, filosofia e prática. São Paulo: Pensamento.

PRATES, Luciana Cangussu. Noções Introdutórias sobre os Chakras no Hinduísmo. Revista Interações, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2023.

KUPFER, Pedro. Chakras: Introdução aos Oito Centros Vitais. Yoga.pro.br.


Aula 2 – Chakras cardíaco e laríngeo

 

Depois de conhecer os três primeiros chakras, que simbolizam estabilidade, criatividade e força de ação, chegamos a dois centros tradicionalmente relacionados à maneira como nos conectamos com outras pessoas. O chakra cardíaco (Anahata) e o chakra laríngeo (Vishuddha) ocupam uma posição central no sistema dos sete chakras e representam, segundo a tradição do Yoga, o desenvolvimento da empatia, da comunicação e da expressão consciente.

Na chakraterapia, esses chakras não são utilizados para diagnosticar sentimentos ou explicar comportamentos de forma automática. Eles funcionam como um mapa simbólico que incentiva o praticante a observar como constrói seus relacionamentos, expressa suas emoções e se comunica no dia a dia.

Ao refletirmos sobre esses dois centros, percebemos que muitas dificuldades da vida não surgem apenas por falta de conhecimento, mas também pela maneira como nos relacionamos conosco e com os outros.

Anahata: o chakra do coração

O quarto chakra recebe o nome de Anahata, palavra sânscrita que pode ser traduzida como "som não produzido por choque" ou "som não golpeado". Nos

textos tradicionais do Yoga, ele é descrito como localizado simbolicamente na região do coração e associado ao elemento ar.

Na tradição, Anahata representa temas como amor, compaixão, empatia, equilíbrio emocional e capacidade de criar vínculos saudáveis.

Entretanto, falar em amor dentro da chakraterapia vai muito além dos relacionamentos afetivos.

Esse chakra também convida à reflexão sobre amizade, solidariedade, respeito, gratidão, perdão e, principalmente, autocuidado.

Muitas pessoas dedicam grande parte do tempo ajudando familiares, colegas ou amigos, mas esquecem de cuidar de si mesmas. Outras fazem exatamente o contrário e encontram dificuldade para criar relações de confiança.

O simbolismo de Anahata nos lembra que equilíbrio significa aprender tanto a oferecer quanto a receber apoio.

O significado do elemento ar

Nas tradições do Yoga, Anahata está relacionado ao elemento ar.

O ar está presente em cada respiração e simboliza movimento, leveza e troca constante.

Da mesma forma, os relacionamentos saudáveis dependem de reciprocidade, diálogo e abertura para compreender diferentes pontos de vista.

Essa associação ajuda o praticante a perceber que cultivar boas relações exige presença, respeito e disposição para ouvir.

O autocuidado também faz parte do coração

Existe uma ideia bastante difundida de que cuidar dos outros é sempre um sinal de amor.

Embora isso seja verdadeiro em muitos casos, também é importante lembrar que ninguém consegue oferecer apoio de forma constante quando ignora as próprias necessidades.

Na prática da chakraterapia, o chakra cardíaco também simboliza a capacidade de reconhecer limites.

Perguntas simples podem orientar essa reflexão:

  • Tenho reservado tempo para cuidar de mim?
  • Sei dizer "não" quando necessário?
  • Como costumo lidar com conflitos?
  • Demonstro gratidão pelas pessoas importantes da minha vida?

Responder a essas questões contribui para um processo de autoconhecimento mais profundo.

Um exercício de respiração consciente

Uma prática simples relacionada ao chakra cardíaco consiste em observar a respiração.

Sente-se confortavelmente e coloque as mãos sobre a região do peito.

Respire lentamente durante alguns minutos, sem forçar o ritmo natural.

Enquanto inspira e expira, apenas perceba o movimento do tórax e procure relaxar os ombros.

Depois, reflita:

"Como tenho cuidado das minhas relações?"

"Existe alguém com quem preciso conversar ou reconciliar-me?"

O objetivo não é provocar

experiências extraordinárias, mas criar um momento de presença e reflexão.

Vishuddha: o chakra da comunicação

O quinto chakra recebe o nome de Vishuddha, tradicionalmente localizado na região da garganta. Nos textos clássicos do Yoga, esse centro aparece associado à fala, à expressão e ao elemento éter ou espaço.

Na chakraterapia, Vishuddha simboliza a capacidade de comunicar ideias, sentimentos e necessidades de maneira clara e respeitosa.

Muitas pessoas acreditam que comunicar-se bem significa falar bastante.

Na realidade, uma comunicação saudável envolve dois aspectos igualmente importantes: saber falar e saber ouvir.

Quem interrompe constantemente os outros ou não presta atenção às diferentes opiniões também encontra dificuldades nesse processo.

Comunicação é mais do que palavras

Grande parte da comunicação acontece sem que percebamos.

Nossa postura, expressão facial, tom de voz e até mesmo os momentos de silêncio transmitem mensagens.

Por isso, desenvolver uma comunicação consciente significa observar não apenas o que dizemos, mas também como nos expressamos.

Uma conversa respeitosa depende de clareza, empatia e disposição para compreender o outro.

O simbolismo do chakra laríngeo incentiva justamente esse equilíbrio entre expressão e escuta.

A importância da escuta ativa

Escutar não significa apenas permanecer em silêncio enquanto outra pessoa fala.

Escutar verdadeiramente envolve atenção, interesse e respeito.

Em um mundo marcado por distrações constantes, aprender a ouvir tornou-se uma habilidade valiosa.

Durante uma conversa, procure evitar interromper o interlocutor.

Observe suas palavras, seu tom de voz e o contexto da situação antes de formular uma resposta.

Esse simples exercício fortalece a qualidade da comunicação e contribui para relações mais saudáveis.

Um exercício de expressão consciente

Reserve alguns minutos para escrever sobre um tema importante para você.

Não se preocupe com regras gramaticais nem com a opinião de outras pessoas.

Escreva apenas aquilo que realmente pensa e sente.

Depois, leia o texto em voz alta, prestando atenção ao ritmo da fala e à forma como as palavras são pronunciadas.

Ao final, pergunte-se:

  • Consigo expressar minhas ideias com clareza?
  • Tenho dificuldade para dizer o que penso?
  • Costumo ouvir os outros com atenção?

Essa prática ajuda a desenvolver consciência sobre a própria comunicação.

Integrando coração e comunicação

Na tradição dos chakras, Anahata e Vishuddha estão

profundamente relacionados.

Não basta comunicar-se bem se nossas palavras não refletem respeito e sinceridade.

Da mesma forma, sentimentos positivos tornam-se mais completos quando conseguimos expressá-los de maneira clara.

Pense em alguém que sente gratidão, mas nunca a demonstra.

Ou em alguém que guarda mágoas por muito tempo porque evita conversar sobre elas.

Nesses casos, coração e comunicação deixam de caminhar juntos.

O estudo desses chakras nos lembra que relações saudáveis dependem tanto da qualidade dos sentimentos quanto da forma como eles são compartilhados.

Praticando com responsabilidade

É importante lembrar que a chakraterapia utiliza esses símbolos como instrumentos de autoconhecimento.

Dificuldades de comunicação, conflitos familiares ou sofrimento emocional podem envolver fatores muito diversos e, em algumas situações, exigem acompanhamento de profissionais especializados.

Por isso, não é adequado afirmar que alguém possui um "chakra cardíaco bloqueado" ou um "chakra da garganta fechado" apenas porque enfrenta dificuldades nos relacionamentos.

Uma postura responsável consiste em utilizar os chakras para incentivar reflexão, crescimento pessoal e desenvolvimento da consciência, sem substituir orientações médicas ou psicológicas quando necessárias.

Ao compreender o simbolismo de Anahata e Vishuddha, aprendemos que cuidar das relações começa pelo respeito a nós mesmos, pela escuta atenta e pela disposição para construir diálogos mais verdadeiros.

Referências bibliográficas

AVALON, Arthur (WOODROFFE, John). O Poder da Serpente: os Centros de Força e a Kundalini. São Paulo: Pensamento.

ELIADE, Mircea. Yoga: Imortalidade e Liberdade. São Paulo: Palas Athena.

FEUERSTEIN, Georg. A Tradição do Yoga: História, Literatura, Filosofia e Prática. São Paulo: Pensamento.

PRATES, Luciana Cangussu. Noções Introdutórias sobre os Chakras no Hinduísmo. Revista Interações, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2023.

KUPFER, Pedro. Prana, Chakras e Kundalini: uma introdução. Yoga.pro.br.


Aula 3 – Chakras frontal e coronário

 

Ao longo deste módulo, conhecemos os cinco primeiros chakras e suas relações simbólicas com a estabilidade, as emoções, a ação, os relacionamentos e a comunicação. Nesta aula, estudaremos os dois últimos centros do sistema tradicional dos sete chakras: Ajna, conhecido como chakra frontal, e Sahasrara, chamado de chakra coronário.

Nas tradições do Yoga e do Tantra, esses chakras representam dimensões

relacionadas ao desenvolvimento da consciência, da percepção e da espiritualidade. Mais do que despertar habilidades extraordinárias, eles convidam o praticante a cultivar clareza mental, reflexão e uma compreensão mais ampla de si mesmo e da vida. Os textos clássicos que descrevem os chakras apresentam Ajna e Sahasrara como os centros superiores do corpo sutil, associados ao processo de expansão da consciência.

É importante lembrar que essas descrições pertencem ao contexto filosófico e espiritual do Yoga. Elas não representam estruturas anatômicas nem devem ser interpretadas como conceitos médicos.

Ajna: o chakra da percepção

O sexto chakra recebe o nome de Ajna, palavra sânscrita que pode ser traduzida como "comando" ou "centro de direção". Tradicionalmente, ele é associado à região entre as sobrancelhas e simboliza discernimento, concentração, percepção e capacidade de observar a realidade com maior clareza.

Muitas vezes, Ajna é popularmente chamado de "terceiro olho". Essa expressão não significa possuir um novo órgão ou desenvolver poderes sobrenaturais. Trata-se de uma metáfora utilizada para representar uma percepção mais consciente da realidade.

Na prática da chakraterapia, esse chakra nos convida a desenvolver uma habilidade muito importante: aprender a observar antes de tirar conclusões.

A diferença entre perceber e interpretar

Imagine que uma pessoa receba uma mensagem curta de um colega de trabalho.

Imediatamente ela pensa:

"Ele está bravo comigo."

Algumas horas depois, descobre que o colega apenas estava ocupado durante uma reunião.

Esse exemplo mostra como frequentemente confundimos interpretações com fatos.

O simbolismo de Ajna incentiva justamente o desenvolvimento do discernimento.

Antes de aceitar qualquer pensamento como verdadeiro, podemos perguntar:

  • O que realmente aconteceu?
  • O que estou apenas imaginando?
  • Existem outras formas de interpretar essa situação?

Essa postura favorece decisões mais conscientes e reduz julgamentos precipitados.

Desenvolvendo a atenção

Grande parte das práticas relacionadas ao chakra frontal envolve exercícios de concentração e observação.

Uma atividade simples consiste em permanecer alguns minutos em silêncio, direcionando a atenção para a respiração.

Sempre que um pensamento surgir, basta reconhecê-lo e retornar gentilmente ao momento presente.

O objetivo não é impedir que a mente pense, mas perceber que nem todo pensamento precisa ser seguido imediatamente.

Essa

capacidade de observar os próprios pensamentos também é amplamente valorizada nas práticas tradicionais de meditação.

Intuição e discernimento

Em muitas obras sobre chakras, Ajna é associado à intuição.

Entretanto, é importante compreender esse conceito com equilíbrio.

A intuição não deve substituir o raciocínio lógico nem servir como justificativa para decisões impulsivas.

Na chakraterapia, podemos compreender a intuição como a capacidade de perceber padrões, integrar experiências e desenvolver uma compreensão mais profunda das situações.

Quando essa percepção é acompanhada por reflexão, responsabilidade e bom senso, torna-se uma ferramenta valiosa para o autoconhecimento.

Sahasrara: o chakra coronário

O sétimo chakra recebe o nome de Sahasrara, expressão frequentemente traduzida como "lótus de mil pétalas". Tradicionalmente, ele é associado ao topo da cabeça e representa integração, consciência ampliada, espiritualidade e busca de sentido para a existência.

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, Sahasrara não está necessariamente ligado a uma religião específica.

Seu simbolismo pode ser compreendido como um convite para refletir sobre valores, propósito, ética e conexão com aquilo que consideramos importante em nossa vida.

Cada pessoa vivenciará essa experiência de acordo com sua própria história, cultura e crenças.

Espiritualidade e propósito

Espiritualidade não significa apenas participar de práticas religiosas.

Ela também pode estar presente na forma como encontramos significado nas experiências do cotidiano, cultivamos valores, desenvolvemos gratidão e buscamos viver de maneira coerente com nossos princípios.

Nesse sentido, Sahasrara simboliza uma integração entre conhecimento, experiência e consciência.

Mais do que procurar respostas prontas, ele incentiva perguntas importantes:

  • O que dá sentido à minha vida?
  • Quais valores orientam minhas escolhas?
  • Como minhas atitudes refletem aquilo em que acredito?

Essas reflexões tornam a prática mais profunda e mais próxima da realidade.

A importância do silêncio

Vivemos em uma época marcada por excesso de informações.

Mensagens, redes sociais, notícias e compromissos ocupam grande parte do nosso tempo.

Por isso, reservar alguns minutos de silêncio tornou-se um exercício valioso.

Nas práticas contemplativas do Yoga, o silêncio não representa ausência de atividade, mas uma oportunidade para observar a própria mente com mais tranquilidade.

Durante alguns instantes,

podemos simplesmente respirar, reduzir as distrações e permitir que a atenção permaneça no momento presente.

Essa prática favorece concentração, serenidade e autoconhecimento.

Integrando Ajna e Sahasrara

Os dois últimos chakras trabalham de maneira complementar.

Ajna incentiva clareza, discernimento e atenção.

Sahasrara amplia essa percepção, direcionando-a para reflexões sobre significado, integração e propósito.

Podemos imaginar esse processo como uma caminhada.

Primeiro aprendemos a enxergar a realidade com mais clareza.

Depois refletimos sobre o caminho que desejamos seguir.

Assim, conhecimento e sabedoria caminham juntos.

Essa integração mostra que o estudo dos chakras não se limita à memorização de símbolos, mas propõe uma transformação gradual da maneira como observamos a nós mesmos e o mundo ao nosso redor.

Exercício de reflexão

Reserve alguns minutos em um ambiente tranquilo.

Sente-se confortavelmente e observe sua respiração.

Após alguns instantes, faça duas perguntas:

Ajna: Existe alguma situação da minha vida que preciso analisar com mais calma antes de tomar uma decisão?

Sahasrara: Quais valores considero mais importantes para orientar minhas escolhas?

Anote suas respostas em um caderno.

Não procure respostas perfeitas.

Permita que essas perguntas acompanhem sua rotina durante os próximos dias.

Com o tempo, você perceberá que muitas mudanças começam por pequenas reflexões.

Praticando com responsabilidade

Ao estudar os chakras superiores, é comum encontrar promessas de "despertar espiritual imediato" ou "ativação completa da consciência".

Essas afirmações devem ser vistas com cautela.

As tradições do Yoga apresentam o desenvolvimento da consciência como um caminho gradual, construído por meio da disciplina, da meditação, da ética e do autoconhecimento, e não como um resultado instantâneo.

A chakraterapia pode ser uma ferramenta complementar para favorecer momentos de reflexão e presença, mas não substitui acompanhamento profissional quando existem questões de saúde física ou mental.

Ao concluir este módulo, percebemos que os sete chakras formam um conjunto integrado de símbolos que podem enriquecer o processo de autoconhecimento. Mais importante do que buscar experiências extraordinárias é desenvolver uma postura de atenção, equilíbrio e responsabilidade diante da própria vida.

Referências bibliográficas

AVALON, Arthur (WOODROFFE, John). O Poder da Serpente: os Centros de Força e a Kundalini. São Paulo: Pensamento.

ELIADE, Mircea. Yoga: Imortalidade e Liberdade. São Paulo: Palas Athena.

FEUERSTEIN, Georg. A Tradição do Yoga: História, Literatura, Filosofia e Prática. São Paulo: Pensamento.

PRATES, Luciana Cangussu. Noções Introdutórias sobre os Chakras no Hinduísmo. Revista Interações, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2023.

MASETTI, Jonas. Chakras: significado segundo os textos tradicionais do Vedanta. Vishva Vidya.

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