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Básico em Febre Amarela

BÁSICO EM FEBRE AMARELA

  

Prevenção e Controle 

Vacinação 

 

A vacinação é a principal e mais eficaz medida de prevenção contra a febre amarela. Considerada uma das vacinas mais seguras e duradouras, ela desempenha um papel crucial na proteção individual e no controle de surtos, especialmente em áreas onde o vírus circula de forma endêmica. A imunização em massa, combinada com o controle de vetores, é essencial para a erradicação da doença em áreas urbanas e para a prevenção de sua propagação.

Importância da Vacinação

A vacinação contra a febre amarela é uma medida preventiva indispensável, com benefícios que vão além da proteção individual. Ela é importante porque:

1.     Protege Indivíduos em Áreas Endêmicas: Pessoas que vivem em áreas onde o vírus é comum ou que viajam para essas regiões têm um alto risco de exposição. A vacina confere imunidade duradoura, prevenindo a doença, que pode ser fatal em casos graves.

2.     Prevenção de Surtos: A vacinação em massa pode interromper o ciclo de transmissão da febre amarela, especialmente em áreas urbanas, onde o mosquito Aedes aegypti pode causar epidemias. Com a maioria da população vacinada, a transmissão do vírus se torna difícil, o que ajuda a evitar surtos.

3.     Requisito para Viagens: Muitos países exigem o certificado internacional de vacinação contra a febre amarela para viajantes vindos de regiões endêmicas. Esse requisito visa prevenir a introdução do vírus em áreas onde ele não está presente.

Campanhas de Vacinação e Grupos Prioritários

Campanhas de vacinação em massa são frequentemente realizadas por autoridades de saúde em países endêmicos, especialmente após a detecção de surtos. Essas campanhas visam garantir que um número significativo da população esteja protegido e seguem critérios de prioridade para garantir que os grupos mais vulneráveis sejam vacinados primeiro.

1.     Grupos Prioritários:

o    Pessoas que vivem em áreas endêmicas: Moradores de regiões com circulação do vírus, especialmente em áreas florestais e rurais.

o    Trabalhadores expostos ao risco: Pessoas que trabalham em áreas florestais ou rurais, como madeireiros, agricultores e pesquisadores, são particularmente vulneráveis à febre amarela silvestre.

o    Viajantes para áreas endêmicas: Quem viaja para regiões onde a febre amarela é comum deve ser vacinado antes da viagem para evitar a infecção.

o    População de áreas urbanas em risco de surto: Durante

surtos, a vacinação de moradores de áreas urbanas se torna uma prioridade para evitar a disseminação do vírus. 

2.     Campanhas de Vacinação:

o    As campanhas de vacinação são planejadas de acordo com as áreas de risco e a circulação do vírus. No Brasil, por exemplo, campanhas emergenciais são realizadas durante surtos, focando em regiões onde o vírus foi detectado em humanos ou macacos.

o    Essas campanhas também podem incluir ações de vacinação de rotina em unidades de saúde, ampliando a cobertura vacinal em toda a população, além de campanhas preventivas antes de surtos, em áreas vulneráveis.

Eficácia e Duração da Vacina

A vacina contra a febre amarela é altamente eficaz e confere proteção de longo prazo. Estudos demonstram que:

1.     Eficácia: A vacina é aproximadamente 99% eficaz após 30 dias da aplicação. A maioria das pessoas desenvolve imunidade completa cerca de 10 dias após receber a dose.

2.     Duração da Proteção: Em 2013, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras autoridades de saúde concluíram que uma única dose da vacina oferece proteção ao longo da vida, eliminando a necessidade de doses de reforço para a maioria das pessoas. No entanto, algumas nações ou autoridades de saúde ainda recomendam reforços em casos específicos, como para viajantes frequentes ou para pessoas com condições médicas que afetam o sistema imunológico.

A combinação de alta eficácia e a proteção vitalícia tornam a vacina contra a febre amarela uma das ferramentas mais poderosas para o controle da doença. Graças a ela, áreas anteriormente afetadas por surtos devastadores podem hoje manter a febre amarela sob controle, desde que a cobertura vacinal seja mantida em níveis adequados.

 

Controle de Vetores da Febre Amarela

 

O controle de vetores é uma das principais estratégias de prevenção e combate à febre amarela, especialmente em áreas onde os mosquitos transmissores circulam. Como a febre amarela é transmitida por mosquitos, a identificação e eliminação desses insetos são fundamentais para reduzir a disseminação do vírus, tanto nas zonas urbanas quanto nas áreas rurais e florestais.

Identificação dos Vetores

Os vetores da febre amarela são os mosquitos dos gêneros Aedes e Haemagogus. Cada um tem características e habitats específicos que influenciam sua atuação na transmissão da doença.

1.     Mosquito Aedes aegypti:

o    O Aedes aegypti é o principal transmissor da febre amarela nas áreas urbanas. Ele também é o vetor de outras doenças, como

dengue, zika e chikungunya.

o    Características: Tem corpo preto com manchas brancas nas pernas e no corpo. Ele se desenvolve em áreas urbanas, reproduzindo-se em locais com água parada, como pneus, vasos de plantas, garrafas e recipientes ao ar livre.

o    Atividade: Geralmente pica durante o dia, com maior atividade ao amanhecer e no fim da tarde.

2.     Mosquito Haemagogus (e Sabethes):

o    O Haemagogus é o principal vetor da febre amarela silvestre, transmitindo o vírus entre macacos e seres humanos que entram em áreas florestais. Ele habita principalmente zonas de mata e florestas.

o    Características: É um mosquito silvestre, de cor metálica, geralmente verde ou azul, e também pica durante o dia.

o    Atividade: O Haemagogus pica macacos infectados e transmite o vírus para outros macacos ou seres humanos que adentram áreas florestais.

Métodos de Controle de Vetores

Para controlar a disseminação da febre amarela, é crucial adotar medidas que visem reduzir as populações de mosquitos e eliminar seus criadouros. Os métodos de controle de vetores incluem:

1.     Eliminação de Criadouros:

o    Um dos principais métodos de controle do mosquito Aedes aegypti é eliminar locais com água parada, onde as larvas se desenvolvem. Isso inclui:

§  Tampar caixas d'água e reservatórios.

§  Manter garrafas, latas e recipientes virados para baixo.

§  Limpar e esvaziar regularmente os pratos de vasos de plantas.

§  Descartar adequadamente pneus velhos e materiais que possam acumular água.

2.     Aplicação de Inseticidas:

o    Durante surtos, as autoridades de saúde costumam utilizar inseticidas para reduzir rapidamente as populações de mosquitos adultos. A aplicação de fumacê (nebulização de inseticidas) em áreas urbanas é uma das medidas emergenciais para combater o Aedes aegypti.

o    O uso de larvicidas em depósitos de água também é uma medida eficaz para eliminar as larvas do mosquito.

3.     Uso de Repelentes e Proteção Individual:

o    Em áreas de risco, o uso de repelentes à base de DEET, roupas de mangas longas e mosquiteiros pode ajudar a proteger indivíduos contra as picadas dos mosquitos transmissores da febre amarela.

4.     Controle Biológico:

o    Algumas estratégias de controle biológico incluem o uso de peixes que se alimentam de larvas de mosquitos ou a liberação de mosquitos estéreis para reduzir a reprodução. Esses métodos ajudam a controlar as populações de mosquitos de forma ambientalmente amigável.

Iniciativas Governamentais

de Combate aos Vetores

Governos e autoridades de saúde pública implementam diversas ações para combater os mosquitos vetores da febre amarela, com foco tanto na prevenção quanto na resposta a surtos. Entre as principais iniciativas estão:

1.     Campanhas Educativas:

o    Campanhas de conscientização pública são realizadas para informar as comunidades sobre a importância de eliminar criadouros de mosquitos em suas casas e arredores. Isso inclui mobilizações em escolas, postos de saúde e campanhas de mídia.

2.     Vigilância e Monitoramento:

o    Programas de vigilância monitoram as populações de mosquitos e a presença do vírus da febre amarela em macacos, que servem como sentinelas para alertar sobre a circulação do vírus em áreas florestais.

o    Em áreas urbanas, agentes de saúde realizam inspeções regulares em domicílios para identificar e eliminar criadouros do Aedes aegypti.

3.     Ações de Emergência Durante Surtos:

o    Durante surtos de febre amarela, as autoridades de saúde intensificam a aplicação de inseticidas, o uso de fumacê e a distribuição de larvicidas. Essas medidas emergenciais visam conter rapidamente a propagação do vírus em áreas urbanas e reduzir a transmissão.

o    Além disso, campanhas de vacinação emergenciais são realizadas em conjunto com o controle de vetores para imunizar a população e interromper o ciclo de transmissão.

4.     Pesquisas e Inovações Tecnológicas:

o    Governos também têm investido em pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias de controle de vetores, como a liberação de mosquitos geneticamente modificados, que são incapazes de transmitir o vírus ou de se reproduzirem.

O controle eficaz dos vetores é um dos pilares do combate à febre amarela. Juntamente com a vacinação, a eliminação de criadouros e o uso de tecnologias inovadoras contribuem significativamente para reduzir a propagação da doença e proteger a população das áreas endêmicas e em risco.


Medidas de Prevenção Pessoal e Coletiva contra a Febre

Amarela

 

A prevenção da febre amarela depende de uma combinação de ações pessoais e coletivas para evitar a disseminação do vírus e controlar os vetores responsáveis pela transmissão. Além da vacinação, medidas de proteção individuais e comunitárias são essenciais para prevenir surtos, especialmente em áreas endêmicas e durante surtos epidêmicos.

Uso de Repelentes e Roupas Protetoras

A proteção pessoal é uma das primeiras linhas de defesa contra a picada de mosquitos que transmitem

proteção pessoal é uma das primeiras linhas de defesa contra a picada de mosquitos que transmitem a febre amarela, especialmente em regiões de risco.

1.     Repelentes:

o    O uso de repelentes tópicos é uma medida eficaz para evitar picadas de mosquitos. Produtos à base de DEET, picaridina ou IR3535 são recomendados para uso na pele exposta. Esses repelentes devem ser aplicados regularmente, conforme as instruções do fabricante, especialmente ao entrar em áreas de floresta ou durante atividades ao ar livre.

o    Em áreas com alta incidência de mosquitos, é importante reaplicar o repelente após nadar ou suar excessivamente, garantindo proteção contínua.

2.     Roupas Protetoras:

o    O uso de roupas que cubram a maior parte do corpo é recomendado para reduzir a área de pele exposta às picadas de mosquitos. Calças compridas e camisas de mangas longas, de tecidos leves e claros, são preferíveis, pois cores claras tendem a repelir mosquitos mais eficazmente.

o    Também é possível impregnar as roupas com repelentes à base de permetrina, um inseticida seguro para uso em tecidos, que proporciona proteção adicional contra os vetores.

Eliminação de Criadouros de Mosquitos

A eliminação dos criadouros de mosquitos é uma das medidas mais eficazes para prevenir a proliferação de mosquitos vetores, como o Aedes aegypti, que transmite a febre amarela em áreas urbanas. Essa ação deve ser realizada tanto no âmbito individual quanto coletivo.

1.     Locais de Acúmulo de Água:

o    Os mosquitos depositam seus ovos em qualquer local onde haja água parada, por isso, eliminar recipientes que possam acumular água é crucial. Isso inclui:

§  Tampar caixas d’água e cisternas.

§  Descartar corretamente pneus velhos, garrafas e outros materiais que possam acumular água.

§  Manter vasos de plantas com pratos sem água ou preenchê-los com areia.

§  Limpar calhas, ralos e qualquer superfície que possa acumular água da chuva.

2.     Manutenção Regular de Ambientes Domésticos:

o    Inspecionar regularmente os quintais, jardins e áreas externas da casa é uma boa prática para garantir que não existam recipientes ou superfícies com água parada. Piscinas que não estão em uso também devem ser cobertas ou tratadas adequadamente com cloro.

Ações Coletivas para Evitar Surtos

Além das ações individuais, as medidas coletivas são fundamentais para controlar e prevenir surtos de febre amarela. Essas ações envolvem a participação ativa da comunidade, das autoridades de saúde

pública e das iniciativas governamentais.

1.     Mobilização Comunitária:

o    A conscientização da população é fundamental para o controle de criadouros de mosquitos. Campanhas educativas realizadas por agentes de saúde podem ensinar a comunidade sobre como identificar e eliminar criadouros, além de incentivar a participação ativa no combate ao mosquito.

o    Mutirões comunitários para limpeza de áreas públicas, remoção de lixo e eliminação de pontos de água parada são iniciativas importantes para reduzir a presença de mosquitos vetores.

2.     Ações de Vigilância e Monitoramento:

o    A vigilância contínua de áreas de risco é crucial para prevenir surtos. Agentes de saúde realizam inspeções em residências, empresas e terrenos baldios para identificar e eliminar criadouros de mosquitos.

o    Além disso, o monitoramento da circulação do vírus da febre amarela em macacos (sentinelas) ajuda a detectar precocemente a circulação do vírus e permite que medidas de controle sejam adotadas rapidamente, evitando surtos em humanos.

3.     Controle de Vetores em Áreas Públicas:

o    As autoridades locais também desempenham um papel importante na implementação de medidas de controle de mosquitos em áreas públicas, como parques, praças e outros espaços onde a população pode estar exposta aos vetores.

o    Durante surtos, o uso de inseticidas através do fumacê em áreas urbanas pode ajudar a controlar rapidamente a população de mosquitos adultos, reduzindo o risco de transmissão do vírus.

A combinação dessas medidas de prevenção pessoal e coletiva é essencial para manter sob controle a febre amarela e outras doenças transmitidas por mosquitos. Cada indivíduo, ao adotar práticas seguras e eliminar criadouros, contribui para o esforço maior de proteger a saúde pública e prevenir a disseminação da doença.

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