BÁSICO EM FEBRE AMARELA
Introdução à Febre Amarela
O que é
Febre Amarela?
A Febre Amarela é uma doença viral
grave, causada pelo vírus da febre amarela, que pertence ao gênero Flavivirus.
Ela é caracterizada por febre alta, dores no corpo, icterícia (amarelamento da
pele e dos olhos), e, em casos mais graves, hemorragias e disfunção de
múltiplos órgãos, podendo levar à morte. É endêmica em algumas regiões da
África e da América Latina, incluindo o Brasil, e representa um risco
significativo para a saúde pública devido à sua alta taxa de mortalidade e ao
potencial de surtos.
Definição e Histórico da Doença
A febre amarela foi descrita pela primeira vez
no século XVII, durante surtos em cidades portuárias da América e África, onde
era inicialmente conhecida como "febre do porto" ou "peste
americana". Com o tempo, ficou evidente que a doença tinha uma relação com
o ambiente tropical e os mosquitos, que eram mais prevalentes nessas áreas.
No final do século XIX, pesquisas conduzidas
por médicos como Carlos Finlay e Walter Reed confirmaram que a febre amarela
era transmitida por mosquitos, o que levou à implementação de estratégias de
controle de vetores que ajudaram a reduzir os surtos em muitas regiões urbanas.
Tipos de Febre Amarela
Existem dois tipos de febre amarela, que
diferem principalmente pela forma de transmissão:
1. Febre Amarela Silvestre: Ocorre
principalmente em áreas rurais e florestais, onde o ciclo de transmissão
envolve mosquitos do gênero Haemagogus ou Sabethes, que picam
macacos infectados pelo vírus. Quando seres humanos não vacinados entram em
áreas de floresta e são picados por esses mosquitos, podem contrair a doença.
2. Febre Amarela Urbana: Esse tipo
de febre amarela ocorre em áreas urbanas, onde o mosquito Aedes aegypti
(o mesmo que transmite a dengue, zika e chikungunya) é o vetor. O ciclo de
transmissão é semelhante ao da febre amarela silvestre, mas ocorre em ambiente
urbano, com seres humanos como principais hospedeiros e transmissores do vírus.
Como a Doença é Transmitida (Vetores e Ciclo de Transmissão)
O ciclo de transmissão da febre amarela envolve
três principais elementos: o vírus, os hospedeiros (macacos ou humanos) e os
vetores (mosquitos). O vírus é transmitido aos seres humanos por meio da picada
de mosquitos infectados. O ciclo de transmissão se dá da seguinte forma:
1. Ciclo Silvestre: O vírus circula entre macacos e mosquitos
que habitam florestas. Quando um mosquito
infectado pica um macaco doente, ele se torna capaz de transmitir o vírus para
outros macacos ou seres humanos que adentram essas áreas.
2. Ciclo Urbano: Em áreas
urbanas, o mosquito Aedes aegypti pica um ser humano infectado com febre
amarela silvestre e, ao picar outras pessoas, transmite o vírus, criando um
ciclo de infecção entre seres humanos. O mosquito é essencial nesse ciclo, pois
o vírus não se transmite diretamente de pessoa para pessoa.
A prevenção da febre amarela envolve
principalmente a vacinação, considerada altamente eficaz, e o controle
dos vetores, eliminando criadouros de mosquitos em áreas urbanas e
protegendo populações em áreas de risco.
Epidemiologia e Distribuição Geográfica da Febre Amarela
A Febre Amarela é uma doença endêmica em
regiões tropicais da África e da América do Sul, onde condições ambientais
favorecem a proliferação dos mosquitos vetores. A epidemiologia da doença está
diretamente ligada à interação entre os ciclos de transmissão silvestre e urbano,
com surtos que podem ocorrer em áreas onde populações não vacinadas estão
expostas ao vírus. A vacinação e o controle de mosquitos são as principais
ferramentas de prevenção.
Regiões Endêmicas
A febre amarela é considerada endêmica nas
seguintes áreas:
1. África Subsaariana: Vários
países da África Ocidental e Central são endêmicos para a febre amarela.
Grandes surtos já ocorreram em países como Angola, República Democrática do
Congo, Nigéria e Gana. A maior parte das infecções ocorre em zonas rurais, onde
o ciclo silvestre é predominante, mas surtos urbanos também são comuns devido à
presença do mosquito Aedes aegypti.
2. América do Sul: A febre amarela é endêmica em áreas da Amazônia e outras regiões tropicais de países como Brasil, Peru, Bolívia, Colômbia e Venezuela. O Brasil, em particular, tem relatado surtos sazonais da doença, com casos aumentando durante o período de chuvas, quando os mosquitos proliferam. A febre amarela silvestre é a principal forma da doença nesses países, mas surtos urbanos podem ocorrer em áreas de baixa cobertura vacinal.
Casos Históricos e Recentes
Ao longo da história, a febre amarela causou
surtos devastadores:
Fatores de Risco para a População
Diversos fatores aumentam o risco de surtos de febre amarela e da exposição da população ao vírus:
1. Baixa Cobertura Vacinal: A vacina
contra a febre amarela é extremamente eficaz, mas áreas com baixa cobertura
vacinal são vulneráveis a surtos. Isso pode ocorrer em regiões onde há pouca
disponibilidade de vacinas ou resistência à vacinação.
2. Expansão Urbana e Desmatamento: A
expansão das áreas urbanas para regiões próximas a florestas facilita a
interação entre os ciclos silvestre e urbano da febre amarela, especialmente em
países como o Brasil, onde o desmatamento expõe mais pessoas ao ciclo
silvestre.
3. Condições Climáticas: Regiões
tropicais e subtropicais com chuvas intensas criam um ambiente favorável para a
proliferação dos mosquitos vetores. Por isso, surtos de febre amarela
geralmente ocorrem durante a estação chuvosa.
4. Mobilidade Humana: O aumento
das viagens internacionais pode facilitar a introdução do vírus em áreas não
endêmicas, especialmente quando pessoas infectadas retornam para países sem
vacinação obrigatória contra a febre amarela. Esse risco aumenta em tempos de
surtos em países endêmicos.
Esses fatores, aliados à capacidade limitada de controle de vetores em algumas regiões e à falta de infraestrutura de saúde, criam um cenário favorável para a disseminação do vírus, tornando a febre amarela uma preocupação constante para as
autoridades de saúde pública.
Sintomas e Diagnóstico da Febre Amarela
A febre amarela é uma doença viral que pode
variar de casos leves a formas graves, com alta taxa de mortalidade. Ela se
manifesta por meio de uma ampla gama de sintomas, que podem evoluir
rapidamente, dependendo da gravidade da infecção. O diagnóstico precoce é
crucial para um melhor manejo dos casos e para prevenir complicações.
Principais Sinais e Sintomas da Febre Amarela
Os sinais e sintomas da febre amarela podem
variar conforme a fase da doença. Geralmente, os sintomas iniciais são
inespecíficos, semelhantes a outras doenças virais, como dengue ou gripe. Entre
os principais sintomas estão:
Em casos mais graves, a febre amarela pode
evoluir para formas hemorrágicas e hepatorrenais, resultando em:
Fases da Doença
A febre amarela tem três fases distintas:
1. Fase Inicial (Infecciosa):
o
Dura cerca de 3 a 4 dias após a infecção.
o
Manifesta-se com os sintomas iniciais como febre
alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e fraqueza.
o
Alguns pacientes podem se recuperar após essa fase,
enquanto outros podem evoluir para a fase mais grave.
2. Fase de Remissão (ou Remissão
Aparente):
o
Após a fase inicial, a febre pode desaparecer, e os
sintomas podem diminuir, levando o paciente a pensar que está melhorando.
o
Esta fase pode durar 1 a 2 dias.
o
Entretanto, em alguns casos, a doença evolui para a
forma mais grave.
3. Fase Tóxica (ou Grave):
o
Ocorre em cerca de 15% dos pacientes.
o
O paciente volta a ter febre, acompanhado de
icterícia, hemorragias e comprometimento de órgãos como fígado e rins.
o Nessa fase, a mortalidade é alta, variando entre 20% e 50%, principalmente em pacientes que não recebem cuidados intensivos.
Métodos de Diagnóstico (Clínico e Laboratorial)
O diagnóstico da febre amarela baseia-se em uma combinação de avaliação clínica, dados epidemiológicos (presença em áreas endêmicas) e exames laboratoriais. A distinção entre febre amarela e outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, como
dengue, é essencial.
1. Diagnóstico Clínico:
o
A febre amarela é suspeitada em pacientes que
apresentam febre aguda, dores no corpo e sintomas típicos da doença,
especialmente em áreas onde a febre amarela é endêmica ou onde há surtos em
andamento.
o
O histórico de exposição a áreas endêmicas e a
ausência de vacinação prévia contra a febre amarela são fatores importantes no
diagnóstico clínico.
2. Diagnóstico Laboratorial:
o
Sorologia (IgM e IgG): A detecção de anticorpos específicos contra o
vírus da febre amarela (IgM) pode ser realizada por técnicas como ELISA, sendo
geralmente detectados nos primeiros dias após o início dos sintomas.
o
RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa): O exame
molecular RT-PCR é utilizado para detectar a presença do RNA viral no sangue do
paciente durante a fase inicial da doença, sendo uma das técnicas mais
precisas.
o Isolamento Viral: Em casos específicos, o vírus pode ser isolado de amostras de sangue, embora este método seja menos comum devido à complexidade.
o
Testes de Função Hepática: Durante a fase tóxica, exames de
sangue podem mostrar alterações significativas nas enzimas hepáticas (ALT,
AST), indicando danos ao fígado.
Esses métodos, combinados com a avaliação clínica e o contexto epidemiológico, são fundamentais para confirmar o diagnóstico da febre amarela e iniciar o tratamento adequado, uma vez que o manejo precoce da doença pode melhorar o prognóstico e reduzir as complicações graves.
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