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Básico em Resina Composta na Odontologia

BÁSICO EM RESINA COMPOSTA NA ODONTOLOGIA

Aplicações e Cuidados Pós-Operatórios 

Esculpindo e Finalizando Restaurações

 

1. Introdução

A excelência em odontologia restauradora não depende apenas da adesão e da resistência do material utilizado, mas também da reprodução fiel da anatomia dental. A correta escultura da resina composta é fundamental para restabelecer função mastigatória, oclusão adequada, estética e saúde periodontal. Restaurar a forma dental envolve profundo conhecimento da anatomia dental básica, tanto de dentes anteriores quanto posteriores, além de domínio técnico na aplicação e acabamento do material restaurador.

A restauração ideal é aquela que reconstrói o dente de forma funcional e natural, com contornos adequados, contato proximal, ponto de contato oclusal correto e textura superficial compatível com os dentes vizinhos. Este texto aborda os fundamentos da escultura anatômica em resinas compostas e os cuidados durante o acabamento e finalização das restaurações diretas.

2. Anatomia Dental Básica

A anatomia dental refere-se à forma, número e disposição das estruturas morfológicas dos dentes, sendo essencial para guiar a reconstrução restauradora.

2.1 Dentes Anteriores

Os dentes anteriores (incisivos e caninos) possuem características marcantes:

       Face vestibular: geralmente plana ou levemente convexa, com lóbulos de desenvolvimento (mesial, central e distal) e sulcos periquimatosos discretos;

       Face palatina: com cíngulo cervical proeminente, delimitado por margens mesial e distal, formando a fossa palatina;

       Borda incisal: delgada, com discreto arredondamento nos ângulos mesioincisal e distoincisal (o ângulo mesial é mais agudo).

Essas referências são fundamentais para escultura e acabamento de restaurações estéticas em dentes anteriores, especialmente em fraturas, alterações de forma ou cor e fechamentos de diastemas.

2.2 Dentes Posteriores

Os dentes posteriores (pré-molares e molares) apresentam anatomia mais complexa:

 

       Cúspides: estruturas elevadas responsáveis pela trituração dos alimentos. Nos molares inferiores, há geralmente cinco cúspides (mesiovestibular, distovestibular, distal, mesiolingual e distolingual);

       Sulcos e fissuras: delimitam as cúspides e orientam a escultura oclusal;

       Cristas marginais: elevações que limitam a face oclusal mesial e distal;

       Fossas centrais: depressões entre as cúspides, onde convergem os sulcos principais.

Conhecer essas estruturas permite esculpir restaurações que respeitem a oclusão e a dinâmica mandibular, evitando interferências e desgaste precoce.

3. Escultura em Dentes Anteriores

A restauração de dentes anteriores exige atenção à estética e simetria, já que estão localizados no centro do campo visual do sorriso. A escultura deve respeitar proporções, texturas, brilho e forma tridimensional.

3.1 Etapas Técnicas

1.     Estratificação em camadas: uso de diferentes resinas (opacas, dentina, esmalte e translúcidas) para mimetizar a estrutura natural;

2.     Escultura anatômica: reconstrução dos lóbulos vestibulares e cíngulo palatino, preservando o formato natural do dente;

3.     Texturização superficial: simulação de periquímios e sulcos discretos para fidelidade estética;

4.     Polimento final: com discos abrasivos, escovas de feltro e pastas, para obter brilho e lisura.

A escultura deve considerar o dente contralateral como guia de forma e proporção. Além disso, é essencial respeitar o perfil de emergência cervical para não invadir o espaço biológico gengival.

4. Escultura em Dentes Posteriores

A restauração de dentes posteriores exige reconstituição precisa da anatomia oclusal, fundamental para a função mastigatória e o equilíbrio oclusal.

4.1 Etapas Técnicas

1.     Reconstrução das cúspides: modelagem das cúspides funcionais e não funcionais respeitando altura e volume compatíveis com os dentes adjacentes;

2.     Definição dos sulcos principais: os sulcos devem ser profundos o suficiente para guiar a mastigação, mas sem excessos que facilitem retenção de biofilme;

3.     Criação das fossas centrais e marginais: essas áreas devem permitir o encaixe dos cúspides antagonistas e o correto escoamento dos alimentos;

4.     Modelagem das cristas marginais e dos pontos de contato proximais: essenciais para a estabilidade oclusal e para a proteção do espaço interdental.

A escultura deve ser realizada com instrumentos apropriados, como pincéis de resina, espátulas anatômicas e modeladores de silicone. A correta reprodução da anatomia oclusal reduz o tempo de ajuste oclusal posterior.

5. Finalização e Polimento

Após a escultura e a polimerização, a restauração deve passar por acabamento e polimento para:

       Remover excessos e ajustar contornos;

       Reduzir rugosidade superficial;

       Evitar retenção de placa bacteriana;

       Melhorar a estética e o conforto para o paciente.

A sequência recomendada

envolve abrasivos de granulação progressivamente fina (discos, pontas de borracha, escovas e pastas). A manutenção da integridade da escultura durante o acabamento é essencial para a longevidade da restauração.

6. Considerações Finais

A escultura anatômica em resina composta é um dos momentos mais críticos da restauração direta. Exige conhecimento preciso da morfologia dental, domínio técnico e senso estético apurado. Em dentes anteriores, o desafio está na reprodução da forma e textura natural. Em dentes posteriores, a prioridade é restabelecer a função oclusal e o equilíbrio biomecânico.

O sucesso das restaurações depende do conjunto entre adesão, escultura e acabamento. Investir tempo e atenção nesse processo garante resultados duradouros e alta satisfação estética e funcional por parte do paciente.

Referências Bibliográficas

       ANUSAVICE, K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips – Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

       SUMMITT, J. B. et al. Fundamentos de Odontologia Restauradora. 3. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2007.

       GONZAGA, C. C. et al. Anatomia dental aplicada à odontologia restauradora. Revista Brasileira de Odontologia Estética, v. 15, n. 2, p. 82–89, 2018.

       MONDELLI, J. et al. Restaurações diretas com resinas compostas em dentes posteriores. Dental Press Journal of Esthetics, v. 5, n. 4, p. 64–74, 2010.

       OPDAM, N. J. M. et al. Longevity of posterior composite restorations: A systematic review. Journal of Dental Research, v. 93, n. 10, p. 943–949, 2014.


Acabamento e Polimento de Restaurações com Resina Composta

 

1. Introdução

O acabamento e o polimento são etapas essenciais no protocolo clínico das restaurações com resina composta. Embora frequentemente subestimadas, essas fases finais influenciam diretamente a qualidade estética, a integridade marginal, a longevidade clínica e a saúde periodontal da restauração. A obtenção de uma superfície lisa, com brilho compatível com os dentes naturais, é indispensável para reduzir a adesão bacteriana, prevenir pigmentações e proporcionar conforto ao paciente.

A superfície final da restauração deve refletir a habilidade do operador não apenas na escultura, mas também no refinamento de detalhes morfológicos e ópticos. Este texto apresenta os fundamentos, objetivos e técnicas envolvidas no acabamento e polimento das restaurações diretas com resina composta.

2. Conceitos e Objetivos

Acabamento é o processo de remoção de excessos

e ajuste dos contornos anatômicos da restauração, enquanto o polimento corresponde ao alinhamento das irregularidades microscópicas, promovendo lisura e brilho superficial. Ambos os procedimentos devem ser conduzidos de forma sequencial e cuidadosa para preservar a anatomia construída e evitar danos à integridade da restauração ou ao tecido dentário adjacente.

Os principais objetivos dessas etapas são:

       Melhorar a estética final (brilho e textura);

       Prevenir a retenção de placa bacteriana;

       Reduzir o risco de manchamento e descoloração;

       Preservar a saúde gengival ao evitar sobre contornos;

       Garantir conforto oclusal e funcionalidade mastigatória.

O acabamento e o polimento também influenciam na taxa de desgaste da resina ao longo do tempo, uma vez que superfícies rugosas são mais susceptíveis à abrasão e acúmulo de biofilme.

3. Materiais e Instrumentos Utilizados

O sucesso do acabamento e polimento depende da correta sequência de abrasivos, respeitando a granulometria progressiva, e da escolha dos instrumentos apropriados para cada superfície restaurada (lisa, côncava, proximal, oclusal).

3.1 Instrumentos para Acabamento

       Pontas multilaminadas de carbeto de tungstênio: utilizadas para remoção de excessos e ajuste de contornos em áreas vestibulares e oclusais;

       Pontas diamantadas finas: indicadas para refinamento anatômico;

       Lâminas de bisturi e fitas abrasivas: usadas para contornos cervicais e áreas proximais.

3.2 Instrumentos para Polimento

       Discos abrasivos flexíveis (de granulação decrescente): ideais para faces lisas vestibulares e palatinas;

       Pontas de borracha impregnadas com abrasivos: indicadas para superfícies oclusais e áreas de difícil acesso;

       Escovas de feltro ou silicone com pasta diamantada: promovem brilho elevado e lustro final.

A escolha do sistema depende da resina utilizada, da área anatômica e da etapa clínica. Resinas nanoparticuladas, por exemplo, respondem melhor ao polimento do que resinas microhíbridas, devido ao menor tamanho de suas partículas.

4. Técnica e Sequência Operatória

O acabamento e polimento devem ser iniciados após a completa fotopolimerização da restauração e preferencialmente em sessão distinta da escultura inicial, quando possível, permitindo maior estabilidade do material.

A sequência básica inclui:

1.     Remoção de excessos com pontas grossas;

2.     Redefinição dos contornos com

abrasivos intermediários;

3.     Alisamento progressivo com abrasivos finos;

4.     Polimento final com pastas de polimento e escovas rotatórias.

O uso de baixa rotação e pressão controlada é fundamental para evitar superaquecimento do material restaurador e do dente, o que poderia causar sensibilidade pós-operatória ou degradação superficial da resina.

Além disso, o operador deve manter umidade constante durante o procedimento para evitar danos térmicos e otimizar a ação abrasiva dos instrumentos.

5. Considerações Clínicas

Diversos fatores influenciam o sucesso do acabamento e polimento:

       Tipo de resina composta: resinas nanoparticuladas e nanohíbridas promovem superfícies mais lisas e polidas, mantendo o brilho por mais tempo.

       Curvatura e localização do dente: áreas vestibulares planas permitem melhor controle, enquanto regiões interproximais e cervicais exigem instrumentação específica.

       Experiência clínica do operador: o domínio da técnica e a sensibilidade tátil são determinantes para evitar desgastes excessivos ou irregularidades indesejadas.

Também é importante considerar o tempo clínico disponível: procedimentos apressados podem comprometer o brilho e a adaptação marginal da restauração.

A ausência de polimento adequado pode resultar em rugosidades que favorecem retenção de placa, sangramento gengival, escurecimento da restauração e necessidade precoce de substituição.

6. Considerações Finais

O acabamento e o polimento das restaurações em resina composta são etapas fundamentais que devem ser tratadas com a mesma importância que a adesão e a escultura. A obtenção de uma superfície lisa, brilhante e anatomicamente correta melhora significativamente o desempenho clínico da restauração, além de contribuir para a saúde periodontal e a satisfação do paciente.

Dominar essas técnicas exige conhecimento dos materiais, habilidade manual e atenção aos detalhes. A incorporação sistemática de um protocolo de acabamento e polimento bem executado é sinal de excelência clínica e respeito à biologia e estética do paciente.

Referências Bibliográficas

       ANUSAVICE, K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips – Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

       TURSSI, C. P.; FERRACANE, J. L.; SERRA, M. C. Abrasive wear of resin composites as related to finishing and polishing procedures. Dental Materials, v. 21, n. 7, p. 641–648, 2005.

       SUMMITT, J. B. et al. Fundamentos de Odontologia

Restauradora. 3. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2007.

       MENEZES, M. S. et al. Effect of different finishing and polishing techniques on surface roughness and microhardness of composite resins. Brazilian Dental Journal, v. 21, n. 1, p. 21–26, 2010.

       DE OLIVEIRA, D. C. et al. Influence of finishing and polishing on the surface roughness of composite resins. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 23, n. 2, p. 127–135, 2011.


Falhas, Reparos e Remoção de Restaurações com Resina Composta

 

Identificação de Falhas Clínicas: Pigmentações, Infiltração e Fraturas

1. Introdução

Apesar dos avanços tecnológicos nos materiais restauradores e nas técnicas adesivas, as restaurações com resina composta estão sujeitas a falhas ao longo do tempo. Essas falhas podem ocorrer por fatores relacionados ao material, à técnica operatória ou ao próprio paciente. A detecção precoce de alterações clínicas — como pigmentações, infiltração marginal e fraturas — é essencial para definir a conduta mais adequada: manutenção, reparo ou substituição total da restauração.

O conhecimento das causas e manifestações dessas falhas permite ao cirurgião-dentista intervir com previsibilidade, mantendo a integridade do dente e reduzindo a necessidade de tratamentos mais invasivos.

2. Pigmentações

As alterações cromáticas nas restaurações em resina composta são causas frequentes de insatisfação estética e podem indicar degradação superficial, falhas de polimento ou problemas mais profundos, como infiltrações.

2.1 Tipos de Pigmentação

       Pigmentação extrínseca: resulta do acúmulo de biofilme e de substâncias corantes da dieta (café, vinho, cigarro). Geralmente ocorre na superfície e pode ser removida com polimento.

       Pigmentação intrínseca: está relacionada à degradação da matriz orgânica da resina ou à microinfiltração marginal. Nestes casos, o tratamento pode exigir reparo ou substituição.

2.2 Fatores Associados

       Falta de acabamento e polimento adequados;

       Superfície rugosa que favorece retenção de biofilme;

       Resinas de baixa estabilidade cromática;

       Exposição frequente a agentes pigmentantes;

       Técnica de fotopolimerização deficiente, com baixa conversão de monômeros.

A inspeção visual e tátil, com iluminação adequada e secagem do campo operatório, é essencial para diferenciar os tipos de manchamento e determinar a conduta clínica.

3. Infiltração Marginal

A infiltração marginal é uma das

falhas mais críticas das restaurações adesivas. Ocorre quando há falha na vedação entre a restauração e a estrutura dentária, permitindo a penetração de fluidos, bactérias e detritos orgânicos na interface restauradora.

3.1 Causas Principais

       Técnica adesiva inadequada, especialmente em dentina;

       Contaminação por saliva ou sangue durante a aplicação;

       Contração de polimerização não controlada;

       Fadiga mecânica ou degradação hidrolítica dos adesivos ao longo do tempo.

3.2 Consequências Clínicas

       Manchamento marginal;

       Recorrência de cárie;

       Sensibilidade pós-operatória;

       Descolamento parcial da restauração.

A identificação pode ser feita por inspeção visual, uso de exploradores periodontais, ou corantes reveladores. A radiografia interproximal pode auxiliar no diagnóstico de infiltrações profundas ou recidivas cariosas.

4. Fraturas e Desgaste

As fraturas parciais ou totais da restauração podem ocorrer devido a forças mastigatórias, bruxismo, falhas na escultura anatômica ou uso de resinas de baixa resistência.

4.1 Tipos de Fraturas

       Fratura de borda: comum em restaurações anteriores, geralmente associada à ausência de suporte adequado ou uso de resina excessivamente frágil;

       Fratura de cúspide: pode envolver tanto a restauração quanto a estrutura dentária remanescente;

       Fraturas adesivas: ocorrem na interface dente-resina, muitas vezes por falha na adesão inicial ou por fadiga do material;

       Fraturas coesivas: acontecem dentro da própria resina, por esforços repetidos ou trincas internas.

4.2 Desgaste Oclusal

O desgaste progressivo da resina é inevitável com o tempo, mas pode ser acelerado por hábitos parafuncionais, uso inadequado de resinas flow em áreas de carga ou ausência de polimento adequado. O desgaste pode comprometer a função oclusal, forma anatômica e ponto de contato.

5. Condutas Clínicas: Reparo ou Substituição?

A decisão entre reparar ou substituir uma restauração deve considerar o tipo, extensão e localização da falha, bem como a possibilidade de preservar a estrutura dental sadia.

5.1 Indicação para Reparo

       Pequenas fraturas marginais ou perda de brilho superficial;

       Pigmentações extrínsecas ou manchas localizadas;

       Infiltrações discretas sem envolvimento profundo;

       Fraturas limitadas à camada externa da resina.

O reparo envolve condicionamento da superfície com ácido

fosfórico ou jateamento com óxido de alumínio, seguido da reativação da superfície com adesivo e inserção de nova camada de resina composta. A adesão entre a resina antiga e a nova é menor que a adesão ao dente, mas pode ser satisfatória quando realizada com protocolo adequado.

5.2 Indicação para Substituição

       Fraturas extensas que envolvam dentina ou parede cuspídea;

       Infiltrações profundas com comprometimento da adesão;

       Desadaptação marginal severa;

       Restaurações antigas com múltiplas falhas cumulativas;

       Comprometimento estético irreversível.

A substituição exige remoção completa da restauração defeituosa, preparo adequado da cavidade, nova adesão e restauração com técnica incremental e polimerização ideal.

6. Considerações Finais

A longevidade das restaurações diretas em resina composta depende não apenas do material e da técnica utilizados, mas também da avaliação contínua da integridade clínica da restauração. A identificação precoce de falhas como pigmentações, infiltrações e fraturas permite a adoção de condutas conservadoras, com ênfase em reparos minimamente invasivos sempre que possível.

A correta aplicação de protocolos clínicos de reparo ou substituição, com base em diagnóstico preciso e conhecimento técnico, contribui para a manutenção da saúde bucal, preservação da estrutura dentária e satisfação do paciente.

Referências Bibliográficas

       ANUSAVICE, K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips – Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

       DEMARCO, F. F. et al. Longevity of posterior composite restorations: a systematic review and meta-analysis. Journal of Dentistry, v. 43, n. 8, p. 1043–1050, 2015.

       GARCIA, D. et al. Clinical longevity of composite restorations placed by undergraduate students: a 5-year study. Journal of Dentistry, v. 43, n. 4, p. 389–395, 2015.

       MONDELLI, R. F. L. et al. Repair versus replacement of composite restorations: key factors. Brazilian Journal of Oral Sciences, v. 16, e17071, 2017.

       OPDAM, N. J. M. et al. Clinical relevance of repair versus replacement of restorations: a review. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 24, n. 3, p. 143–149, 2012.

 

Técnicas de Reparo em Resina Composta e Critérios para Substituição de Restaurações

 

1. Introdução

A odontologia restauradora moderna busca a máxima preservação da estrutura dentária natural. Nesse contexto, os reparos em restaurações de

resina composta ganham destaque como uma alternativa conservadora, viável e eficaz diante de falhas localizadas. No entanto, nem toda restauração pode ou deve ser reparada: há situações clínicas em que a substituição completa da restauração é a conduta mais indicada.

O conhecimento dos critérios de indicação para o reparo, das técnicas disponíveis e dos momentos em que a substituição se impõe é essencial para guiar decisões clínicas seguras e baseadas em evidência.

2. Indicações para o Reparo de Restaurações

O reparo é indicado quando a falha é limitada e localizada, e a maior parte da restauração apresenta bom desempenho funcional e estético. Entre as situações clínicas favoráveis ao reparo, destacam-se:

       Desgaste superficial com perda de brilho ou textura;

       Pigmentações extrínsecas que não respondem ao polimento;

       Fraturas parciais de bordas ou ângulos sem envolvimento profundo da estrutura dentária;

       Infiltração marginal discreta, sem presença de cárie ativa subjacente;

       Necessidade de ajuste oclusal leve ou alteração estética pontual.

Nesses casos, o reparo evita a remoção desnecessária de tecido dentário e preserva a integridade do dente. Além disso, o procedimento é menos invasivo, mais rápido e geralmente mais econômico.

3. Técnica de Reparo em Resina Composta

O sucesso do reparo depende da reativação da superfície da resina antiga e da adesão eficaz entre o material existente e o novo. A interface entre a resina antiga e a nova apresenta menor energia de superfície e menor potencial adesivo do que a estrutura dentária virgem, o que exige protocolos específicos.

3.1 Etapas Fundamentais

1.     Avaliação clínica e radiográfica da restauração, para assegurar que não haja cárie subjacente ou falhas estruturais amplas.

2.     Remoção da camada superficial da resina antiga, com pontas diamantadas finas ou jateamento com óxido de alumínio. Esse passo é crucial para expor uma superfície renovada, mais receptiva à adesão.

3.     Limpeza da cavidade com clorexidina a 2% ou solução salina, para eliminar resíduos.

4.     Condicionamento da superfície com ácido fosfórico (quando resinas convencionais forem utilizadas) por 15 a 30 segundos, seguido de lavagem e secagem leve.

5.     Aplicação de sistema adesivo compatível com o material original. Sistemas adesivos universais ou autocondicionantes têm sido amplamente utilizados devido à sua praticidade.

6.     Inserção do novo material

restaurador, respeitando a técnica incremental e os princípios de escultura anatômica.

7.     Fotopolimerização adequada, seguida de ajuste oclusal, acabamento e polimento.

A longevidade dos reparos é satisfatória quando os protocolos são respeitados, embora, em geral, os reparos apresentem menor durabilidade do que restaurações novas feitas em substrato íntegro.

4. Limitações do Reparo e Indicações para Substituição

Apesar dos benefícios, o reparo tem limitações importantes. Quando os critérios clínicos não são atendidos, a substituição total da restauração passa a ser a conduta mais indicada.

4.1 Quando Substituir uma Restauração

       Fraturas extensas que envolvem a estrutura dentária remanescente, comprometendo a integridade do dente;

       Desadaptação marginal severa ou infiltração com cárie ativa sob a restauração;

       Descolamento parcial ou total da restauração;

       Perda de contato proximal com consequente impactação alimentar;

       Estética insatisfatória irreversível, como descoloração intrínseca, alterações profundas de forma ou múltiplos reparos cumulativos;

       Incompatibilidade entre os materiais restauradores (resinas muito antigas ou de composição desconhecida);

       Dificuldade de acesso para realizar reparo com qualidade.

A decisão pela substituição deve considerar também o histórico restaurador do paciente, o risco de recidiva de cárie, o nível de exigência estética e o custo-benefício biológico da intervenção.

5. Como Substituir uma Restauração de Forma Segura

A substituição deve ser feita de forma minimamente invasiva, priorizando a remoção seletiva apenas do material restaurador comprometido. Algumas recomendações incluem:

       Uso de instrumentos rotatórios de baixa granulação para preservar tecido dentário;

       Avaliação com tinte de cárie ou corantes reveladores para distinguir resina remanescente de tecido cariado;

       Aplicação de sistemas adesivos modernos, adaptados ao substrato exposto (esmalte ou dentina);

       Planejamento da nova restauração com ênfase na adesão, escultura e polimento, de forma a evitar recorrência de falhas.

A substituição deve ser vista como último recurso, após esgotadas as possibilidades de conservação da restauração original.

6. Considerações Finais

A decisão entre reparar ou substituir uma restauração deve ser baseada em critérios clínicos objetivos, sempre visando a preservação da estrutura dentária e a satisfação

funcional e estética do paciente. O reparo, quando bem indicado, é uma solução eficiente, conservadora e de bom custo-benefício. No entanto, falhas extensas ou comprometimento funcional e estético relevante exigem substituição completa.

O domínio técnico das etapas de reparo, a seleção adequada do sistema adesivo, e o entendimento claro das limitações do procedimento são essenciais para o sucesso clínico a longo prazo.

Referências Bibliográficas

       ANUSAVICE, K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips – Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

       OPDAM, N. J. M. et al. Clinical relevance of repair versus replacement of restorations: a review. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 24, n. 3, p. 143–149, 2012.

       MONDELLI, R. F. L. et al. Repair versus replacement of composite restorations: key factors. Brazilian Journal of Oral Sciences, v. 16, e17071, 2017.

       GARCIA, D. et al. Clinical longevity of composite restorations placed by undergraduate students: a 5-year study. Journal of Dentistry, v. 43, n. 4, p. 389–395, 2015.

       DEMARCO, F. F. et al. Longevity of posterior composite restorations: a systematic review and meta-analysis. Journal of Dentistry, v. 43, n. 8, p. 1043–1050, 2015.


Cuidados com o Paciente e Manutenção da Restauração com Resina Composta

 

Higiene, Dieta, Avaliações Periódicas e Fatores que Influenciam a Longevidade

1. Introdução

A restauração com resina composta é um dos procedimentos mais comuns na odontologia restauradora atual, oferecendo resultados estéticos e funcionais satisfatórios. No entanto, sua durabilidade clínica está diretamente relacionada à qualidade da técnica operatória e, principalmente, ao comportamento e aos cuidados do paciente no pós-tratamento.

Orientar o paciente quanto à higiene oral, hábitos alimentares, e a necessidade de acompanhamento periódico é essencial para prevenir falhas restauradoras, como infiltrações, pigmentações, fraturas e cárie secundária. Este texto aborda os principais cuidados que devem ser adotados pelo paciente e destaca os fatores que influenciam a longevidade das restaurações em resina composta.

2. Orientações ao Paciente: Higiene Oral

A higiene oral eficiente é fundamental para o sucesso das restaurações diretas. A superfície da resina composta pode acumular biofilme bacteriano, principalmente em áreas de difícil acesso ou com acabamento inadequado.

As orientações ao paciente devem incluir:

      

Escovação com escova de cerdas macias e dentifrício fluoretado, ao menos duas vezes ao dia;

       Uso diário de fio dental ou fitas interdentais, com cuidado especial em áreas restauradas com contato proximal;

       Evitar escovação com movimentos excessivamente abrasivos, principalmente em restaurações cervicais, para prevenir desgaste do material e retração gengival.

A manutenção da higiene reduz o risco de cárie secundária, doença periodontal e escurecimento da restauração. Pacientes com limitações motoras devem receber instruções adaptadas ou considerar o uso de dispositivos auxiliares, como escovas elétricas e irrigadores orais.

3. Cuidados com a Dieta

A dieta também exerce influência direta sobre a durabilidade das restaurações. Alimentos e bebidas com alto potencial de pigmentação e acidez podem comprometer a estética e integridade da resina composta.

Recomendações dietéticas incluem:

       Reduzir o consumo de alimentos e bebidas pigmentantes, como café, vinho tinto, chá escuro, refrigerantes à base de cola e molhos escuros;

       Evitar a ingestão frequente de alimentos ácidos (sucos cítricos, vinagre, refrigerantes), que podem degradar a superfície da restauração e do esmalte adjacente;

       Evitar o uso da dentição para funções não mastigatórias, como abrir embalagens ou roer objetos, o que pode provocar fraturas ou desgaste da resina.

Pacientes com hábitos parafuncionais, como bruxismo, também devem ser orientados quanto ao risco aumentado de falha restauradora, e podem ser candidatos ao uso de placas oclusais noturnas.

4. Importância das Avaliações Periódicas

A manutenção da saúde bucal após o tratamento restaurador exige avaliações clínicas periódicas, geralmente a cada seis meses, embora a frequência possa variar conforme o risco individual de cárie e doença periodontal.

Durante essas consultas, o cirurgião-dentista deve:

       Verificar integridade marginal e presença de infiltrações;

       Avaliar cor e brilho da restauração, propondo polimento ou retoques se necessário;

       Realizar exames radiográficos, especialmente em restaurações interproximais;

       Detectar precocemente fraturas, desgastes ou alterações funcionais;

       Reforçar orientações preventivas personalizadas.

As visitas periódicas também permitem intervenções minimamente invasivas, como pequenos reparos, antes que falhas evoluam para a necessidade de substituição completa da restauração.

5. Longevidade da

Resina Composta e Fatores que Afetam sua Durabilidade

A expectativa de vida média das restaurações diretas em resina composta varia entre 5 e 10 anos, podendo ser estendida em condições ideais. Vários fatores influenciam diretamente essa durabilidade:

5.1 Fatores Relacionados ao Material

       Tipo de resina composta: resinas nanoparticuladas e nanohíbridas apresentam melhor polimento e resistência ao desgaste;

       Estabilidade cromática: materiais com maior resistência à absorção de pigmentos e degradação superficial são preferíveis;

       Qualidade do sistema adesivo utilizado, que influencia a vedação marginal e a retenção a longo prazo.

5.2 Fatores Relacionados à Técnica Operatória

       Correta aplicação da técnica adesiva;

       Uso de incrementos de até 2 mm para reduzir a tensão de polimerização;

       Fotopolimerização adequada, com controle de intensidade e tempo;

       Escultura anatômica funcional, que evita sobrecarga localizada.

5.3 Fatores Relacionados ao Paciente

       Presença de bruxismo, hábitos deletérios ou má oclusão;

       Baixa adesão às orientações de higiene e dieta;

       Alto índice de cárie ou doença periodontal não controlada;

       Falta de acompanhamento profissional.

É importante destacar que a manutenção é um processo contínuo que envolve a atuação conjunta do profissional e do paciente. Mesmo restaurações bem realizadas estão sujeitas a falhas se os cuidados de longo prazo forem negligenciados.

6. Considerações Finais

O sucesso das restaurações com resina composta vai além da execução clínica do procedimento. Cuidados pós-operatórios, orientações preventivas, controle de hábitos e avaliações periódicas são determinantes para a longevidade e o desempenho funcional e estético da restauração.

O papel do cirurgião-dentista inclui não apenas restaurar a estrutura dental, mas também educar e engajar o paciente na manutenção da saúde bucal. A abordagem preventiva reduz custos, preserva tecido dentário e proporciona melhor qualidade de vida ao paciente.

Referências Bibliográficas

       ANUSAVICE, K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips – Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.

       OPDAM, N. J. M. et al. Longevity of posterior composite restorations: a systematic review and meta-analysis. Journal of Dentistry, v. 43, n. 8, p. 1043–1050, 2015.

       DEMARCO, F. F. et al. Factors influencing the longevity of anterior composite

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       MENEZES, M. S. et al. Clinical evaluation of the performance of direct composite restorations. Journal of Esthetic and Restorative Dentistry, v. 29, n. 6, p. 409–416, 2017.

       SUMMITT, J. B. et al. Fundamentos de Odontologia Restauradora. 3. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2007.

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