BÁSICO EM RESINA COMPOSTA NA
ODONTOLOGIA
Introdução às Resinas Odontológicas
A odontologia restauradora moderna
passou por grandes transformações nas últimas décadas, especialmente no que diz
respeito aos materiais utilizados para reconstrução dental. A substituição de
materiais metálicos por compostos estéticos impulsionou a pesquisa e o
desenvolvimento de resinas compostas, que se tornaram essenciais na prática
clínica contemporânea. Esse tipo de material permite restaurar dentes com
estética, biocompatibilidade e função satisfatórias, respeitando os princípios
de mínima intervenção e preservação estrutural.
As resinas compostas são amplamente empregadas em restaurações diretas e indiretas, em dentes anteriores e posteriores, sendo indicadas tanto em casos estéticos quanto funcionais. Sua versatilidade, aliada à evolução das técnicas adesivas e da fotopolimerização, contribui para seu sucesso clínico e popularidade entre os profissionais.
As resinas compostas são materiais
restauradores formados por uma matriz orgânica (fase resinosa), partículas de
carga inorgânica (fase dispersa), agentes de união (silano), iniciadores e
inibidores. A matriz orgânica é composta principalmente por monômeros como o
bis-GMA (bisfenol A-glicidil metacrilato), UDMA (uretano dimetacrilato) e
TEGDMA (trietileno glicol dimetacrilato), responsáveis pela polimerização e
pela plasticidade do material.
As cargas inorgânicas, por sua vez,
conferem resistência mecânica, redução da contração de polimerização e aumento
da dureza superficial. São geralmente formadas por vidro de bário, sílica ou
zircônia, podendo variar quanto ao tamanho e à distribuição das partículas. O
agente silano promove a adesão entre a matriz orgânica e as partículas de
carga.
A proporção entre matriz e carga
influencia diretamente nas propriedades físicas e clínicas do material. Maior
conteúdo de carga resulta em menor contração e maior resistência, porém com
aumento da viscosidade.
As resinas compostas podem ser
classificadas de acordo com a viscosidade, a técnica de aplicação ou o tamanho
das partículas de carga. Do ponto de vista clínico, destacam-se os seguintes
grupos:
● Resinas microhíbridas: possuem partículas com tamanhos variados, o que proporciona boa resistência e polimento satisfatório.
● Resinas nanoparticuladas: incorporam partículas
incorporam partículas em escala nanométrica, oferecendo alta estética, excelente polimento e boa resistência.
●
Resinas bulk-fill: desenvolvidas para aplicação em
camadas espessas (até 4 mm), com redução do tempo clínico.
●
Resinas flow (fluidas): apresentam menor viscosidade,
sendo indicadas para forramento, restaurações de pequenas cavidades e reparos.
Além disso, há resinas específicas
para cimentação de peças protéticas, resinas ortodônticas e resinas para uso em
odontopediatria. A escolha do tipo ideal depende da indicação clínica, da
profundidade da cavidade e das exigências estéticas do caso.
As resinas compostas exibem
características desejáveis como boa resistência à compressão, dureza
superficial, aderência ao tecido dentário (quando utilizadas com sistemas
adesivos apropriados) e alta capacidade estética. Contudo, possuem limitações,
entre elas a contração de polimerização, que pode gerar tensões na interface
dente-restauração, resultando em micro infiltrações ou sensibilidade
pós-operatória.
A estabilidade de cor, a resistência
ao desgaste e o polimento são fatores importantes, sobretudo em restaurações
anteriores. Resinas mais modernas possuem partículas com distribuição
controlada e tecnologia de matriz que melhoram esses aspectos.
A fotopolimerização é um processo
essencial, devendo ser conduzido com equipamentos adequados e tempo de
exposição suficiente. Falhas nessa etapa comprometem a longevidade clínica da
restauração.
As resinas compostas são indicadas
para restaurações diretas em cavidades classe I a V, em dentes anteriores e
posteriores. Também são utilizadas para facetas diretas, reparos estéticos,
selamento de fóssulas e fissuras, núcleos de preenchimento, reconstruções
estéticas, entre outras indicações.
A escolha do material adequado deve
considerar a profundidade da cavidade, o grau de exigência estética, a oclusão
do paciente e a facilidade de aplicação. A adesão eficaz, o correto preparo
cavitário e o uso de técnicas incrementais são fundamentais para o sucesso
clínico.
Além disso, a longevidade das restaurações em resina depende de fatores como o controle da umidade, o correto protocolo adesivo e a técnica de acabamento e polimento empregada. O acompanhamento periódico do paciente e eventuais reparos ou polimentos complementares contribuem para a manutenção da estética e da integridade da restauração.
As
resinas compostas representam um marco na odontologia contemporânea, combinando ciência dos materiais com estética e função. Seu uso requer conhecimento técnico, domínio das propriedades físico-químicas e aplicação cuidadosa de protocolos clínicos. A contínua evolução desses materiais promete ainda melhores resultados restauradores, com foco na longevidade, na estética e na biocompatibilidade.
●
ANUSAVICE,
K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips
Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
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OPDAM,
N. J. M. et al. Longevity of posterior composite restorations: A systematic
review. Journal of Dental Research,
v. 93, n. 10, p. 943–949, 2014.
●
FUSAYAMA,
T. New Concepts in Operative Dentistry.
Tokyo: Ishiyaku EuroAmerica, 1980.
A odontologia restauradora acompanha, ao longo da história, a evolução do conhecimento científico e tecnológico, adaptando-se às demandas funcionais, estéticas e biológicas dos pacientes. Os materiais restauradores diretos – aplicados diretamente na cavidade bucal para reconstrução de dentes danificados – passaram por notável transformação, desde os métodos empíricos antigos até os compostos modernos de alto desempenho. Compreender essa trajetória histórica é essencial para valorizar os avanços e limites dos materiais atuais, bem como aprimorar o raciocínio clínico na sua seleção e uso.
Registros arqueológicos revelam que as práticas restauradoras datam de milhares de anos. Escavações no Egito, China e Índia apontam o uso de metais e resinas naturais para preenchimento de dentes. Documentos da medicina tradicional chinesa, datados de 2700 a.C., já descreviam intervenções rudimentares nos dentes.
Na Grécia antiga, Hipócrates e
Aristóteles mencionaram o uso de fios metálicos e ganchos para estabilizar
dentes comprometidos. Já na Roma antiga, textos de Celso indicavam o uso de
chumbo e estanho para restaurar cavidades. Apesar da escassez de documentação
sistemática, é evidente que técnicas restauradoras rudimentares já eram
praticadas.
Durante a Idade Média, os avanços foram escassos, e a odontologia ficou restrita ao empirismo dos
barbeiros-cirurgiões. Apenas no Renascimento, com o resgate do método científico, a odontologia começou a se estruturar como ciência, dando espaço a observações mais rigorosas sobre materiais dentários.
O século XIX marca o nascimento da
odontologia como profissão regulamentada, especialmente nos Estados Unidos e
Europa. Nesse contexto, os primeiros materiais restauradores sistematizados
começaram a surgir.
O cimento de óxido de zinco e eugenol foi um dos primeiros materiais restauradores amplamente utilizados, especialmente como material provisório. Embora não fosse durável, apresentava boa compatibilidade com os tecidos bucais.
Por volta de 1830, desenvolveu-se o
uso do amálgama de prata, que se
consolidou como material de eleição por mais de um século. A liga de mercúrio
com prata, estanho, cobre e zinco apresentava vantagens como durabilidade,
resistência mecânica e facilidade de manipulação. No entanto, o amálgama também
despertou controvérsias devido ao seu potencial tóxico (presença de mercúrio) e
baixa estética.
Outro marco importante foi a introdução do cimento de silicato, um precursor dos materiais estéticos, utilizado principalmente em dentes anteriores. Apesar de ser frágil e suscetível à dissolução, foi o primeiro passo rumo às restaurações com mimetismo dentário.
A odontologia do século XX foi
profundamente transformada pelo surgimento da resina composta, na década de 1960. Desenvolvida por Rafael Bowen,
a introdução do monômero bis-GMA
(bisfenol A-glicidil metacrilato) trouxe um novo paradigma: materiais
restauradores com excelentes propriedades estéticas, adesivas e mecânicas. O
uso de cargas inorgânicas, como sílica e vidro de bário, também contribuiu para
a estabilidade dimensional e resistência do material.
A partir da década de 1980, o avanço
das técnicas adesivas, como o
condicionamento ácido e os sistemas adesivos de múltiplos passos, permitiu
maior retenção e vedamento marginal das restaurações em resina. Esses avanços
também promoveram o conceito de odontologia
minimamente invasiva, com maior preservação da estrutura dentária sadia.
Simultaneamente, novos cimentos como o cimento de ionômero de vidro (CIV) passaram a ser empregados, com vantagens como liberação de flúor, adesão química ao dente e biocompatibilidade. Ainda que menos estéticos que a resina, os CIVs se tornaram importantes especialmente em odontopediatria e
restaurações em regiões cervicais.
No século XXI, a inovação dos
materiais restauradores diretos segue duas direções principais: o aprimoramento da estética e o aumento da durabilidade. As resinas nanoparticuladas e nanohíbridas surgiram como evolução das
versões anteriores, apresentando polimento superior, melhor resistência ao
desgaste e maior longevidade clínica.
Materiais com propriedades
bioativas, como resinas com liberação
controlada de flúor e cálcio, também estão sendo estudados para melhorar a
integração biológica das restaurações e a prevenção de recidiva de cárie.
Além disso, o desenvolvimento das resinas bulk-fill, que permitem
inserção em camadas mais espessas (até 4 mm), representa um avanço no tempo
clínico, reduzindo a necessidade de incrementos e o risco de falhas técnicas.
O uso da tecnologia CAD/CAM também impacta os materiais restauradores diretos, permitindo a confecção de restaurações indiretas em consultório com rapidez e precisão. Embora seja uma fronteira entre restaurações diretas e indiretas, evidencia o impacto da tecnologia digital na odontologia restauradora.
O histórico dos materiais restauradores diretos revela a constante busca por soluções mais eficazes, estéticas e biocompatíveis. Desde os metais fundidos da antiguidade até os compósitos de nanotecnologia, a odontologia tem evoluído ao integrar ciência dos materiais, adesão e estética. O conhecimento dessa trajetória permite compreender as limitações e potencialidades dos materiais atuais, contribuindo para decisões clínicas mais fundamentadas e seguras.
●
ANUSAVICE,
K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips –
Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
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review. Journal of Dental Research,
v. 93, n. 10, p. 943–949, 2014.
A odontologia restauradora evoluiu significativamente nas últimas décadas, especialmente no que tange aos materiais restauradores diretos. Entre os principais protagonistas dessa transformação estão o amálgama de prata e a resina composta, materiais com características distintas, mas ambos amplamente utilizados em diferentes períodos da prática clínica. Enquanto o amálgama dominou a odontologia restauradora por mais de um século, a resina composta emergiu como uma alternativa estética e funcional, especialmente a partir da segunda metade do século XX. Este texto tem como objetivo descrever a evolução das resinas compostas e realizar uma análise comparativa com o amálgama, considerando suas propriedades clínicas, vantagens e limitações.
As primeiras resinas compostas
surgiram na década de 1960, desenvolvidas por Rafael Bowen, com a introdução do
monômero bis-GMA (bisfenol A-glicidil
metacrilato) como base orgânica. Essa inovação permitiu maior resistência e
estabilidade do material em comparação com os acrílicos anteriores. No entanto,
essas primeiras resinas apresentavam limitações quanto à adesão ao dente,
resistência ao desgaste e estabilidade de cor.
Com o tempo, houve avanços nas
partículas inorgânicas utilizadas como carga (como sílica, vidro de bário e
zircônia), que melhoraram significativamente a resistência mecânica e a
estética das resinas. Surgiram então as resinas
microhíbridas, que combinaram partículas de tamanhos variados,
proporcionando melhor polimento e resistência. Mais recentemente, as resinas nanoparticuladas e nanohíbridas alcançaram níveis
superiores de mimetismo óptico e longevidade clínica, aproximando-se cada vez
mais da aparência natural dos dentes.
Paralelamente à evolução das resinas, o desenvolvimento das técnicas adesivas foi determinante para seu sucesso clínico. O uso do condicionamento ácido, seguido pela aplicação de sistemas adesivos (convencionais, autocondicionantes ou universais), possibilitou a adesão micromecânica ao esmalte e à dentina, garantindo retenção e vedamento marginal adequados.
Mais recentemente, surgiram as resinas bulk-fill, que permitem inserções em camadas mais espessas (até 4 mm) com menor contração de polimerização, otimizando o tempo clínico. Também há investigações sobre resinas
bioativas, com liberação de íons para remineralização, e sistemas de resinas CAD/CAM para restaurações indiretas com propriedades semelhantes às diretas.
Introduzido no século XIX, o amálgama odontológico tornou-se o
material restaurador mais utilizado durante todo o século XX, especialmente em
restaurações posteriores. Composto por uma liga metálica de prata, estanho,
cobre e zinco, misturada ao mercúrio
metálico, o amálgama apresenta alta
resistência mecânica, excelente durabilidade e custo acessível. Seu uso,
porém, sempre esteve envolto em controvérsias, principalmente pelo aspecto
estético e pela possível toxicidade do mercúrio, ainda que sua liberação em
condições clínicas seja considerada segura por muitas entidades científicas.
Apesar da robustez, o amálgama possui limitações importantes: não adere quimicamente ao dente (exigindo retenções mecânicas agressivas), não permite mimetismo estético e está sujeito à corrosão com o tempo.
A resina composta supera amplamente o amálgama em termos estéticos.
Disponível em diferentes tonalidades, permite a reprodução fiel da cor,
translucidez e forma natural do dente. O amálgama, por sua coloração metálica,
é visivelmente destoante, sendo socialmente rejeitado por muitos pacientes.
O amálgama contém mercúrio, o que levanta preocupações
sobre toxicidade, apesar de estudos mostrarem que os níveis liberados são
baixos. Já as resinas compostas, embora livres de metais pesados, também não
estão isentas de risco: alguns monômeros residuais (como o bisfenol-A) são
discutidos quanto à biocompatibilidade em situações específicas.
O amálgama tem excelente resistência à compressão e maior durabilidade clínica, especialmente em regiões molares e em pacientes com hábitos parafuncionais. No entanto, com o avanço das resinas (principalmente microhíbridas e nanoparticuladas), a diferença de desempenho clínico tem diminuído. Em condições ideais, restaurações em resina podem durar tanto quanto as de amálgama.
A colocação do amálgama é relativamente simples, exigindo pouca sensibilidade técnica, enquanto a resina composta demanda maior controle de isolamento, adesão e polimerização, o que pode aumentar o risco de falhas em mãos inexperientes. Por outro lado, a resina requer menor desgaste dentário, sendo mais
conservadora.
A resina composta, quando associada a um sistema adesivo eficaz, aderem ao tecido dentário, o que melhora o selamento marginal e permite a preservação da estrutura. O amálgama exige retentores mecânicos, que frequentemente levam à remoção de tecido dental sadio.
A evolução das resinas compostas
representa um dos maiores avanços da odontologia restauradora moderna. Embora o
amálgama tenha sido fundamental por muitos anos, a crescente demanda por
estética, conservadorismo e adesão consolidou a resina composta como o material
de escolha em diversas situações clínicas. O domínio das técnicas adesivas, a
melhoria nas propriedades mecânicas e a constante inovação em partículas de
carga tornam a resina um material versátil e seguro. Ainda assim, em casos de
grandes cargas mastigatórias ou em pacientes com alto risco de cárie, o
amálgama pode permanecer como alternativa viável, especialmente em contextos de
saúde pública.
A escolha entre amálgama e resina composta deve ser individualizada, considerando fatores clínicos, econômicos e preferências do paciente, sempre fundamentada em evidências científicas atualizadas.
●
ANUSAVICE,
K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips –
Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
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R. B. et al. Restaurações diretas em resina composta: uma abordagem baseada em
evidências. Revista Brasileira de
Odontologia, v. 72, n. 2, p. 121-129, 2015.
●
WHO
– World Health Organization. Concerns
about mercury in dental amalgam. Geneva, 2021.
As resinas compostas são materiais amplamente utilizados na odontologia restauradora contemporânea, representando uma alternativa estética e funcional aos materiais metálicos. Sua evolução foi impulsionada pelo desenvolvimento de novas tecnologias e pela demanda dos pacientes por tratamentos menos invasivos e visualmente imperceptíveis. A eficácia clínica das resinas compostas está diretamente relacionada à sua composição química
e à sua classificação, que determina suas propriedades físicas, mecânicas e ópticas. Este texto apresenta uma análise detalhada desses aspectos fundamentais.
As resinas compostas são materiais
restauradores formados por uma fase
orgânica (matriz resinosa), uma fase
inorgânica (partículas de carga), um agente
de união (silano), além de sistemas
iniciadores, inibidores e pigmentos.
A matriz orgânica é responsável pela
polimerização do material e pelo seu comportamento clínico. Os principais
monômeros utilizados incluem:
●
Bis-GMA (bisfenol A-glicidil
metacrilato):
é o principal componente da maioria das resinas compostas, conferindo alta
viscosidade e resistência.
●
UDMA (uretano dimetacrilato): apresenta menor viscosidade que o
bis-GMA e boa resistência mecânica.
●
TEGDMA (trietilenoglicol
dimetacrilato):
utilizado para reduzir a viscosidade da mistura, facilitando o manuseio
clínico, embora aumente a contração de polimerização.
A proporção entre esses monômeros
influencia diretamente na fluidez, na resistência mecânica e na contração
volumétrica da resina durante a fotopolimerização.
As cargas inorgânicas representam de
50% a 85% do peso da resina composta e desempenham funções essenciais:
●
Melhoram
as propriedades mecânicas (resistência à compressão e tração);
●
Reduzem
a contração de polimerização;
●
Conferem
radiopacidade;
●
Influenciam
na estética (translucidez, brilho e cor).
Os tipos mais comuns incluem sílica
coloidal, vidro de bário, óxido de alumínio e zircônia. O tamanho, o formato e
a distribuição dessas partículas determinam o desempenho clínico da resina.
O silano é um agente de acoplamento químico que promove a união entre
a fase orgânica (matriz resinosa) e a fase inorgânica (carga). Essa união é
essencial para garantir a integridade estrutural da resina composta.
A polimerização da resina é ativada
por luz visível (geralmente de 450 a 490 nm), por meio de um sistema
fotoativador, sendo o principal deles a canforoquinona
(CQ), associada a uma amina terciária como co-iniciador. Essa reação gera
radicais livres que iniciam a cadeia de polimerização dos monômeros.
Os inibidores, como o butil-hidroxitolueno (BHT), evitam a polimerização prematura durante o armazenamento. Já os pigmentos e agentes opacificantes
(como óxido de titânio) são adicionados para reproduzir as características ópticas dos dentes naturais.
As resinas compostas podem ser
classificadas com base em diferentes critérios, sendo os principais: tamanho das partículas de carga, viscosidade, uso clínico e tecnologia de
aplicação.
●
Microhíbridas: combinam partículas de tamanho
variado (0,04–5 µm), com boa resistência e polimento aceitável. São indicadas
para dentes anteriores e posteriores.
●
Nanoparticuladas e Nanohíbridas: utilizam partículas menores que
100 nm, proporcionando excelente polimento e estética superior. São ideais para
restaurações em dentes anteriores.
●
Microparticuladas: usam partículas muito pequenas
(~0,04 µm), oferecendo ótimo polimento, mas menor resistência mecânica. São
indicadas para facetas e restaurações estéticas de baixa carga.
●
Resinas convencionais (alta
viscosidade):
utilizadas para a maioria das restaurações diretas, têm boa resistência e são
aplicadas com espátula ou seringa.
●
Resinas flow (baixa viscosidade): mais fluidas, adaptam-se bem a
cavidades pequenas e superfícies irregulares. Possuem menor carga e resistência
mecânica, sendo mais indicadas para forramentos, pequenas cavidades e reparos.
●
Resinas universais: indicadas para todas as regiões da
boca, equilibram estética e resistência.
●
Resinas para dentes anteriores: priorizam estética e polimento.
●
Resinas para dentes posteriores: focam em resistência à compressão
e ao desgaste.
●
Resinas convencionais incrementais: requerem inserção em camadas de
até 2 mm, para evitar falhas de polimerização e tensões internas.
●
Resinas bulk-fill: permitem inserção em camadas de
até 4–5 mm, com menor contração de polimerização e maior profundidade de cura.
Facilitam o trabalho clínico em cavidades amplas, reduzindo o tempo operatório.
Conhecer a composição e a classificação das resinas compostas é essencial para o cirurgião-dentista tomar decisões clínicas adequadas. Cada tipo de resina apresenta comportamento específico quanto à resistência, estética, tempo de trabalho e adaptação cavitária. A seleção correta do material, associada a uma técnica adequada de
fotopolimerização e ao uso de sistemas adesivos compatíveis, determina o
sucesso da restauração a curto e longo prazo.
A constante evolução desses materiais, impulsionada pela nanotecnologia e pela pesquisa de novos monômeros e partículas, amplia o leque de opções clínicas e contribui para restaurações cada vez mais duráveis, estéticas e biocompatíveis.
A composição e a classificação das resinas compostas estão na base do seu desempenho clínico. A escolha do material adequado exige compreensão técnica e científica por parte do profissional, considerando fatores como localização da restauração, oclusão, demanda estética e perfil do paciente. As resinas compostas modernas representam uma combinação equilibrada entre ciência dos materiais, adesão e biomimetismo, consolidando-se como padrão ouro nas restaurações diretas da odontologia atual.
●
ANUSAVICE,
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Restauradora. 3. ed. Rio de Janeiro: Santos, 2007.
●
TURSSI,
C. P.; FERRACANE, J. L.; SERRA, M. C. Mechanical behavior of commercial
composites before and after wear challenge. Operative
Dentistry, v. 30, n. 6, p. 747–756, 2005.
●
FONSECA,
R. B. et al. Avaliação clínica e laboratorial das resinas compostas: uma
revisão crítica. Revista Brasileira de
Odontologia, v. 72, n. 1, p. 45–52, 2015.
As resinas compostas são materiais restauradores amplamente utilizados na odontologia contemporânea devido à sua estética superior, versatilidade clínica e capacidade adesiva. Sua performance clínica está diretamente relacionada à composição estrutural e à sua correta indicação. Entre os principais componentes estão a matriz orgânica e as cargas inorgânicas, cuja interação determina propriedades como resistência, contração de polimerização, polimento e durabilidade. Além disso, a classificação das resinas compostas permite sua escolha adequada conforme a necessidade clínica.
A matriz orgânica das resinas compostas consistem na fase contínua do material, responsável pela polimerização e coesão estrutural. É formada
principalmente por monômeros metacrílicos, sendo os mais utilizados:
Desenvolvido por Rafael Bowen em
1962, o bis-GMA é o monômero base da
maioria das resinas compostas. Possui alta viscosidade e baixa contração de
polimerização, devido ao seu elevado peso molecular. É responsável por conferir
resistência mecânica e estabilidade dimensional à resina. No entanto, sua elevada
viscosidade dificulta o manuseio clínico, o que exige a adição de diluentes.
O UDMA é um monômero alternativo ao bis-GMA, com menor viscosidade e
boa capacidade de polimerização. Apresenta cadeia linear e menor tendência à
absorção de água, contribuindo para a estabilidade do material. Suas
propriedades físico-químicas favorecem uma manipulação mais fácil e uma
polimerização eficiente.
O TEGDMA é um monômero de diluição com baixa viscosidade, utilizado
para reduzir a densidade da mistura e facilitar o escoamento da resina. No
entanto, promove maior contração volumétrica durante a polimerização e pode
aumentar a permeabilidade do material à água. Sua presença deve ser balanceada
para manter o desempenho clínico desejável.
A composição da matriz orgânica deve equilibrar viscosidade, conversão de monômeros, resistência mecânica e estabilidade química. A proporção entre os monômeros influencia diretamente o comportamento da resina durante a fotopolimerização e sua longevidade clínica.
As cargas inorgânicas são partículas dispersas dentro da matriz
orgânica e constituem entre 50% e 85% do peso da resina composta. Elas
desempenham papeis fundamentais, como:
●
Aumento
da resistência mecânica (compressão, flexão e desgaste);
●
Redução
da contração de polimerização;
●
Radiopacidade;
●
Melhoria
da estética (brilho e translucidez);
●
Controle
da viscosidade.
●
Sílica coloidal (dióxido de
silício): partículas
nanométricas (~0,04 µm) que proporcionam excelente polimento e translucidez.
Utilizadas em resinas microparticuladas e nanoparticuladas.
●
Vidros de bário, estrôncio ou
alumínio: conferem
radiopacidade e resistência, comuns em resinas microhíbridas.
●
Zircônia e óxido de alumínio: contribuem para a dureza e
resistência ao desgaste.
O tamanho das partículas influencia diretamente a textura, a
capacidade de polimento e a resistência ao desgaste.
Cargas menores resultam em superfície mais lisa e brilho duradouro, enquanto
partículas maiores conferem resistência estrutural, mas menor polimento.
Além do tipo e tamanho, a distribuição das partículas também impacta no comportamento do material. Formulações híbridas, que combinam partículas maiores com nanocargas, têm sido eficazes na conciliação entre resistência e estética.
A classificação das resinas
compostas é baseada em critérios como tamanho
das partículas, viscosidade, técnica de inserção e uso clínico. Essa categorização ajuda
na escolha do material mais adequado para cada tipo de cavidade e necessidade
estética.
Possuem partículas de tamanho médio
(0,04–5 µm), com combinação de carga fina e grosseira. Oferecem bom equilíbrio
entre resistência mecânica e estética. São indicadas para dentes anteriores e
posteriores.
Utilizam partículas com dimensão
inferior a 100 nm (nanômetros), com excelente polimento e estética. São ideais
para restaurações em dentes anteriores ou regiões de grande demanda estética.
As nanohíbridas combinam nanocargas e partículas maiores, unindo estética e
resistência.
Projetadas para inserção em camadas
de até 4–5 mm, as resinas bulk-fill
otimizam o tempo operatório. Possuem modificações na matriz orgânica e no
sistema de fotoiniciadores que permitem maior profundidade de cura com menor
contração de polimerização. Podem ser utilizadas em dentes posteriores e
cavidades profundas.
Com menor carga inorgânica e maior
fluidez, as resinas flow são
indicadas para preenchimentos de cavidades pequenas, forramentos, reparos e
selantes. Apresentam menor resistência mecânica, sendo utilizadas com
restrições em regiões de carga mastigatória.
São formuladas para aplicação em diversas regiões da boca, com boas propriedades mecânicas e estéticas. A versatilidade e a facilidade de manipulação tornam essas resinas uma escolha frequente na prática clínica diária.
A matriz orgânica, composta por monômeros como bis-GMA e UDMA, combinada com cargas inorgânicas como sílica e vidros radiopacos, forma a base estrutural das resinas compostas. A constante evolução na composição desses materiais, impulsionada pelo avanço da nanotecnologia e da engenharia de partículas, permitiu o
desenvolvimento de
resinas com alto desempenho clínico.
A classificação das resinas
compostas em microhíbridas, nanoparticuladas, bulk-fill e flow permite ao
cirurgião-dentista selecionar o material ideal para cada situação clínica,
equilibrando fatores como resistência, estética, tempo operatório e longevidade.
O conhecimento aprofundado da composição e da classificação das resinas é essencial para otimizar os resultados clínicos, promovendo restaurações mais duráveis, funcionais e esteticamente satisfatórias.
●
ANUSAVICE,
K. J.; SHEN, C.; RAWLS, H. R. Phillips –
Materiais Dentários. 12. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013.
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72, n. 2, p. 121–129, 2015.
As resinas compostas representam um
dos principais avanços da odontologia restauradora moderna, por aliarem
funcionalidade, estética e preservação da estrutura dentária. Sua evolução foi
impulsionada por melhorias na composição química e nas características
físico-mecânicas. O desempenho clínico das resinas depende fortemente dessas
propriedades, que incluem estética, mimetização, resistência à compressão e
tração, entre outras.
A compreensão dessas propriedades permite ao profissional escolher corretamente o tipo de resina em cada situação clínica, promovendo restaurações mais duráveis, seguras e esteticamente satisfatórias.
A estética é um dos maiores diferenciais das resinas compostas em comparação a materiais restauradores tradicionais, como o amálgama. A capacidade de mimetizar a estrutura dentária natural é consequência de diversas propriedades ópticas e estruturais do material.
A coloração das resinas é baseada em sistemas padronizados, como a escala Vita, permitindo correspondência com os diferentes tons dentários. A translucidez da resina é influenciada pelo índice de
refração da matriz orgânica e das cargas inorgânicas, permitindo simular a
opalescência do esmalte dental.
As resinas modernas apresentam
diferentes opacidades (dentina, esmalte e translúcidas), o que possibilita a
construção de restaurações estratificadas que reproduzem fielmente as
características ópticas dos dentes.
A fluorescência é a capacidade de emitir luz visível ao ser exposta à
luz ultravioleta, conferindo vitalidade ao dente restaurado sob diferentes
fontes de luz. A opalescência, por
sua vez, reproduz o fenômeno óptico natural do esmalte, que reflete a luz azul
e transmite a luz alaranjada, contribuindo para o efeito natural da
restauração.
A qualidade do polimento final influencia diretamente o brilho da restauração e sua resistência à pigmentação externa. Resinas nanoparticuladas e microhíbridas apresentam excelente capacidade de polimento e brilho duradouro. A estabilidade de cor está relacionada à resistência do material à absorção de pigmentos e à degradação da matriz resinosa ao longo do tempo.
As propriedades mecânicas das
resinas compostas são essenciais para seu desempenho em regiões sujeitas a
forças mastigatórias intensas. Entre as mais relevantes estão a resistência à compressão, que reflete a
capacidade do material de suportar cargas verticais, e a resistência à tração, que mede sua resistência ao rompimento quando
submetido a forças de distensão.
A resistência à compressão é
fundamental, especialmente em restaurações de dentes posteriores, onde as
forças oclusais são maiores. A incorporação de partículas inorgânicas reforça a
estrutura da resina e permite que ela suporte pressões funcionais diárias.
Resinas com alto conteúdo de carga e distribuição homogênea das partículas
tendem a apresentar maior resistência à compressão.
A resistência à tração avalia a
capacidade do material de resistir a forças que atuam no sentido oposto, como
nos casos de fadiga cíclica e tração marginal. Resinas com menor quantidade de
TEGDMA e maior proporção de UDMA ou bis-GMA tendem a apresentar melhor
desempenho nesse aspecto, devido à maior rigidez e resistência molecular.
A resistência à tração está relacionada à adesão entre a matriz e as cargas, bem como à integridade do sistema adesivo utilizado. Uma falha adesiva compromete não só a tração, mas também a
resistência à tração está relacionada à adesão entre a matriz e as cargas, bem como à integridade do sistema adesivo utilizado. Uma falha adesiva compromete não só a tração, mas também a longevidade da restauração.
Diversos fatores interferem no
comportamento físico e mecânico das resinas compostas, entre eles:
●
Composição da matriz e tipo de carga: resinas com maior conteúdo de
carga apresentam melhores propriedades mecânicas;
●
Técnica de inserção e polimerização: inserções em camadas finas
(incrementais) e correta fotopolimerização evitam tensões internas e aumentam a
resistência;
●
Adesão ao substrato dentário: a qualidade do sistema adesivo e
da técnica operatória influenciam a resistência global da restauração;
●
Desgaste clínico: áreas de alta oclusão ou bruxismo
podem acelerar o desgaste e comprometer a integridade do material.
As resinas compostas atuais aliam
estética avançada à resistência mecânica satisfatória para grande parte das
situações clínicas. A capacidade de mimetizar o dente natural, aliada à
resistência à compressão e tração, torna esses materiais ideais para restaurações
diretas em regiões anteriores e posteriores.
O domínio das propriedades físicas e mecânicas permite ao cirurgião-dentista realizar escolhas criteriosas, garantindo longevidade, função e estética às restaurações. A constante evolução tecnológica nesse campo aponta para materiais cada vez mais sofisticados, capazes de reproduzir fielmente não apenas a forma, mas também o comportamento funcional dos tecidos dentários.
●
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As resinas compostas transformaram a prática
resinas compostas transformaram a
prática da odontologia restauradora, proporcionando restaurações estéticas,
adesivas e minimamente invasivas. No entanto, mesmo com os avanços na
formulação desses materiais, algumas limitações clínicas ainda persistem. Entre
os principais desafios estão a contração
de polimerização, que pode comprometer a integridade marginal e gerar
sensibilidade, e as questões relacionadas à biocompatibilidade, considerando a liberação de compostos
potencialmente tóxicos.
Compreender esses dois aspectos é fundamental para a seleção e o uso adequado dos materiais restauradores, de forma a garantir sucesso clínico e segurança biológica ao paciente.
A polimerização é o processo químico pelo qual os monômeros da matriz
orgânica das resinas compostas se ligam formando cadeias poliméricas,
solidificando o material. Durante essa transformação, ocorre uma redução no volume da resina, fenômeno
conhecido como contração de
polimerização.
A contração ocorre principalmente
devido à diminuição das distâncias intermoleculares à medida que os monômeros
reativos se unem, formando a rede polimérica tridimensional. Essa redução
volumétrica pode variar entre 1% a 5%,
dependendo da composição do material.
Os principais fatores que
influenciam a magnitude da contração são:
●
Tipo e quantidade de monômero: monômeros como o TEGDMA, de baixa
massa molecular, causam maior contração.
●
Quantidade e tipo de carga
inorgânica: maiores
quantidades de carga reduzem a contração, por deslocar a matriz orgânica.
●
Técnica de inserção: inserção em incrementos reduz o
estresse gerado durante a cura.
● Intensidade e tipo de luz fotopolimerizadora: a velocidade de ativação influencia na formação da rede polimérica e no acúmulo de tensões internas.
A contração de polimerização pode
gerar forças de tração na interface
entre o dente e a resina, resultando em:
●
Infiltração marginal e microfissuras;
●
Descolamento parcial da restauração;
●
Sensibilidade pós-operatória;
●
Falhas adesivas precoces.
O controle desses efeitos envolve o uso de técnicas adesivas eficazes, aplicação em camadas finas e materiais com menor potencial de contração, como as resinas bulk-fill ou resinas com monômeros de baixa contração, como o Silorano (já descontinuado, mas que inspirou novas formulações).
A
biocompatibilidade é definida como a capacidade de um material de realizar sua função sem causar efeitos adversos ao organismo hospedeiro. No caso das resinas compostas, esse conceito está diretamente relacionado à interação com os tecidos bucais e à possível liberação de substâncias tóxicas.
Durante e após a polimerização,
pequenas quantidades de monômeros
residuais e subprodutos podem
ser liberadas, principalmente:
●
Bisfenol A (BPA): subproduto do bis-GMA, associado a
potenciais efeitos endócrinos.
●
TEGDMA e UDMA: podem induzir estresse oxidativo e
morte celular in vitro em culturas de fibroblastos.
●
Canforoquinona: iniciador de polimerização com
potencial de induzir reações citotóxicas.
A liberação dessas substâncias
depende do grau de conversão polimérica, profundidade de cura, exposição à
saliva e ao tempo. Embora as concentrações liberadas sejam geralmente baixas e
consideradas seguras, o risco não é inexistente, especialmente em restaurações
extensas ou mal polimerizadas.
As reações adversas mais comuns
relacionadas ao uso de resinas compostas incluem:
●
Irritação pulpar: devido à difusão de monômeros
através da dentina, especialmente quando há exposição em dentina profunda sem
proteção adequada.
●
Reações alérgicas: relatadas em profissionais
expostos repetidamente aos componentes, como metacrilatos.
●
Citotoxicidade local: observada em estudos
laboratoriais, com potencial de afetar células da polpa ou gengiva.
O risco biológico pode ser mitigado com protocolos adequados de proteção pulpar, isolamento absoluto, uso racional dos materiais e fotopolimerização eficiente.
Para lidar com os efeitos negativos
da contração de polimerização e da biocompatibilidade questionável,
recomenda-se:
●
Uso de sistemas adesivos com boa
vedação dentinária,
minimizando a passagem de monômeros residuais;
●
Inserção incremental da resina, reduzindo o volume total
contraído;
●
Fotopolimerização controlada, com luz de intensidade adequada e
cura em múltiplas direções;
●
Escolha de materiais com menor
potencial citotóxico,
preferencialmente de marcas reconhecidas e com aprovação sanitária;
●
Atenção ao manuseio clínico, evitando o contato direto com a
pele e mucosas.
Apesar de serem materiais consagrados na odontologia
moderna, as resinas
compostas ainda apresentam desafios importantes relacionados à contração de polimerização e à biocompatibilidade. A contração pode
comprometer a integridade marginal e causar sensibilidade, enquanto a liberação
de monômeros residuais levanta questões sobre segurança biológica.
Contudo, com o avanço das formulações e o domínio técnico por parte do cirurgião-dentista, é possível controlar essas variáveis, garantindo restaurações duráveis, seguras e esteticamente satisfatórias. A seleção criteriosa dos materiais, aliada a protocolos clínicos bem definidos, é essencial para mitigar riscos e otimizar os resultados.
●
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