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EFT Acupressura

 

 EFT ACUPRESSURA


EFT e Emoções Profundas

 

Trabalhando com Raiva e Mágoas

  

Emoções como raiva e mágoa são comuns na experiência humana e fazem parte de processos relacionais, traumas passados e frustrações acumuladas. No entanto, quando essas emoções permanecem reprimidas ou não processadas, podem se tornar fontes crônicas de estresse, ressentimento e até sintomas físicos. A EFT (Emotional Freedom Techniques) oferece uma abordagem eficaz e compassiva para trabalhar essas emoções profundas, facilitando a liberação emocional sem julgamento e promovendo segurança durante o processo terapêutico (Feinstein, 2012).

 

Liberação sem julgamento

A EFT se diferencia de muitas abordagens tradicionais ao permitir que a pessoa se conecte com emoções intensas sem precisar justificá-las, reprimilas ou analisá-las racionalmente. A técnica parte do princípio de que toda emoção, mesmo as consideradas "negativas", como raiva ou mágoa, tem uma função legítima e merece ser reconhecida com aceitação (Craig, 2011).

Durante o processo de tapping, o praticante é incentivado a verbalizar a emoção exatamente como ela se apresenta, com autenticidade e sem censura. Frases como:

 

       “Essa raiva que ainda sinto quando lembro do que aconteceu.”

       “Essa mágoa que carrego há anos.”

       “Essa parte de mim que não consegue perdoar.”

…são utilizadas não para alimentar o ressentimento, mas para permitir que o corpo e o sistema emocional expressem e liberem essas cargas acumuladas de forma segura e estruturada.

A abordagem de aceitação incondicional, expressa na clássica frase de setup (“Mesmo que eu sinta essa raiva, eu me aceito profunda e completamente”), cria um espaço de acolhimento que evita a autocrítica e permite que a emoção seja liberada de forma genuína (Church, 2013). Isso previne o risco de repressão, que muitas vezes intensifica o sofrimento psíquico.

 

Segurança emocional durante o processo

Trabalhar com emoções intensas exige o cultivo de um ambiente interno e externo de segurança emocional. O sistema nervoso humano tende a se proteger de reviver experiências dolorosas, razão pela qual muitas emoções são mantidas “congeladas” no corpo por anos. A EFT oferece uma estrutura segura para acessar essas emoções de maneira gradual, consciente e autorregulada.

O uso de técnicas como:

       “Ressignificação progressiva”, com frases suaves como “Talvez eu possa começar a me liberar dessa dor”

       “Tapping silencioso” nos

momentos de maior carga emocional, sem verbalização

       “Técnica do Filme”, em que a memória é revivida em pequenos trechos, com pausas e tapping contínuo

…permite que a liberação emocional ocorra sem traumatização. Isso é especialmente importante quando se trabalha com mágoas profundas relacionadas a abandono, injustiça, abuso emocional ou rejeição, situações frequentemente associadas a memórias sensíveis (Stapleton et al., 2019).

Além disso, ao estimular pontos energéticos específicos durante o foco emocional, a EFT ativa o sistema parassimpático, que induz relaxamento e calma fisiológica. Estudos mostram que a EFT reduz os níveis de cortisol e a ativação da amígdala cerebral, o que facilita a reorganização emocional e diminui a reatividade automática associada à raiva (Church et al., 2012).

A combinação de atenção plena, aceitação e estimulação corporal posiciona a EFT como uma ferramenta segura para lidar com emoções densas e liberar ressentimentos que, de outra forma, poderiam se perpetuar inconscientemente.

 

Referências

       Craig, G. (2011). The EFT Manual (2nd ed.). Energy Psychology Press.

       Church, D. (2013). The EFT Manual (3rd ed.). Energy Psychology Press.

       Feinstein, D. (2012). Acupoint Stimulation in Treating Psychological Disorders: Evidence of Efficacy. Review of General Psychology, 16(4), 364–380. https://doi.org/10.1037/a0028602

       Church, D., Yount, G., & Brooks, A. J. (2012). The Effect of Emotional Freedom Techniques on Stress Biochemistry: A Randomized Controlled Trial. Journal of Nervous and Mental

Disease,      200(10),      891–896. https://doi.org/10.1097/NMD.0b013e31826b9fc1

       Stapleton, P., Buchan, C., Mitchell, I., & McLean, L. (2019). Releasing Emotional Pain with EFT: A Randomized Controlled Trial. Energy Psychology: Theory, Research, and Treatment, 11(1), 13–24.

 

EFT para Traumas Emocionais Leves

 

A EFT (Emotional Freedom Techniques) é uma ferramenta terapêutica eficaz para o tratamento de traumas emocionais leves, especialmente aqueles relacionados a eventos significativos que, embora não se enquadrem como traumas severos ou clínicos, continuam gerando desconforto, limitação emocional ou comportamental. Esses traumas leves incluem humilhações escolares, brigas familiares, situações de exclusão, críticas recebidas na infância ou episódios de insegurança em público.

Ao trabalhar essas experiências com EFT, é possível reduzir a carga emocional residual, liberar

padrões energéticos bloqueados e restaurar a sensação de segurança interna. Para esse tipo de aplicação, uma das estratégias mais utilizadas é a Técnica do Filme, que favorece o acesso progressivo à memória emocional e permite sua reorganização sem traumatização (Craig, 2011).

 

Técnica do Filme

A Técnica do Filme é uma variação estruturada da EFT que permite ao praticante reviver um evento traumático de forma segura e controlada. O nome faz referência à ideia de assistir à memória como se fosse um filme, mantendo uma certa distância emocional enquanto se realiza o tapping nos pontos energéticos.

 

O processo consiste nos seguintes passos:

1.     Escolha do evento específico:

O                 praticante seleciona uma lembrança concreta, com início, meio e fim — por exemplo, “A vez em que fui humilhado pelo professor na frente da sala”.

2.     Dê um título ao filme:

Algo breve, como “Vergonha na sala de aula”. Isso ajuda a manter o foco sem ativar toda a carga emocional de imediato.

3.     Avaliação da intensidade (SUDS):

Antes de começar, a pessoa atribui uma nota de 0 a 10 para a intensidade da emoção atual ao lembrar do evento (Wolpe, 1969).

4.     Tapping com o título do filme:

Com o título como frase lembrança — “Esse filme da vergonha” — inicia-se uma rodada de tapping para reduzir a intensidade geral antes de explorar detalhes específicos.

5.     Divisão em cenas emocionais:

A memória é “pausada” a cada ponto emocional relevante (ex: “Quando ele gritou comigo”, “Quando todos riram”), e realiza-se tapping específico para cada cena.

6.     Progresso gradual até o fim da memória:

O                 evento é percorrido etapa por etapa, com tapping aplicado a cada fragmento que ainda contenha carga emocional.

Esse processo facilita a reconsolidação da memória emocional, reduzindo sua intensidade e mudando a forma como o cérebro a armazena e a acessa (Church et al., 2018).


Dissociação e reenquadramento

Durante o trabalho com memórias sensíveis, a dissociação terapêutica é uma técnica fundamental para garantir segurança emocional. Em vez de mergulhar diretamente na emoção, a pessoa observa a cena como se fosse um espectador externo. Essa postura reduz a ativação do sistema de defesa (luta, fuga ou congelamento) e torna possível interagir com o conteúdo emocional de maneira mais estável (Feinstein, 2012).

A EFT, ao incluir a Técnica do Filme, oferece uma forma de dissociação ativa e regulada, pois o foco permanece na

memória, mas com suporte fisiológico contínuo fornecido pelo tapping. Essa abordagem acalma a amígdala cerebral — responsável por processar o medo — e ativa o sistema parassimpático, associado ao relaxamento e à recuperação emocional (Stapleton et al., 2019).

Além disso, à medida que a intensidade emocional diminui, o praticante pode experimentar reenquadramentos naturais da experiência. Isso significa que a percepção sobre o evento muda: o que antes parecia insuportável pode agora ser lembrado com compreensão, alívio ou até compaixão.

Por exemplo:

       “Ele me humilhou” pode se transformar em “Ele era um adulto frustrado que descontou em mim.”

       “Fui ridicularizado” pode se transformar em “Naquela época eu não tinha como reagir, mas agora posso me proteger.”

Esse tipo de reenquadramento não é forçado, mas emerge naturalmente à medida que a emoção é liberada, tornando-se parte de um novo significado atribuído à experiência.

 

Referências

       Craig, G. (2011). The EFT Manual (2nd ed.). Energy Psychology Press.

       Church, D., Stapleton, P., & Sabot, D. (2018). Psychological trauma symptom improvement in veterans using Emotional FreedomTechniques: A randomized controlled trial. Journal of Nervous and

Mental        Disease,      206(3),        172–181. https://doi.org/10.1097/NMD.0000000000000791

       Feinstein, D. (2012). Acupoint Stimulation in Treating Psychological Disorders: Evidence of Efficacy. Review of General Psychology,16(4), 364–380. https://doi.org/10.1037/a0028602

       Stapleton, P., Buchan, C., Mitchell, I., & McLean, L. (2019). Emotional Freedom Techniques for Treating PTSD: A Meta-analysis.Explore: The Journal of Science and Healing, 15(6), 434–442.

       Wolpe, J. (1969). The Practice of Behavior Therapy. Pergamon Press.

 

EFT para Tristeza e Perdas

 

A tristeza é uma das emoções mais universais da experiência humana, frequentemente associada a perdas — sejam elas de pessoas, relações, expectativas, situações ou identidades. Embora faça parte do ciclo natural das emoções, quando não acolhida ou processada de maneira saudável, a tristeza pode se transformar em estados prolongados de apatia, vazio e desânimo. A EFT (Emotional Freedom Techniques) oferece uma abordagem sensível e eficaz para acessar, acolher e transformar essas emoções profundas, respeitando o tempo e o ritmo de cada indivíduo (Craig, 2011; Feinstein, 2012).

 

Acolhimento de sentimentos profundos

Diferente de estratégias

que buscam "corrigir" ou "superar" emoções rapidamente, a EFT convida o praticante a honrar e acolher a dor emocional. Esse processo começa com o reconhecimento consciente do que está sendo sentido, sem julgamento ou pressão por mudança. A frase de setup da EFT — tradicionalmente estruturada como:

“Mesmo que eu sinta essa tristeza, eu me aceito profunda e completamente” — atua como uma âncora de compaixão e validação.

 

Esse tipo de linguagem não apenas cria um espaço interno de aceitação, como também reduz a autocrítica, uma resposta comum em situações de luto ou perda emocional (“Eu já devia ter superado isso”; “Não tenho direito de sentir isso”). Ao nomear a tristeza com clareza e ao mesmo tempo afirmar aceitação, o sistema emocional se sente seguro o suficiente para liberar, aos poucos, a carga acumulada (Church, 2013).

Durante o processo de tapping, o praticante pode se permitir expressar livremente frases como:

       “Essa dor que ainda está no meu coração.”

       “Essa saudade que aperta o peito.”

       “Essa tristeza profunda que carrego desde aquela perda.”

A verbalização sincera, acompanhada da estimulação dos pontos energéticos, facilita o desbloqueio emocional e energético, ativando o sistema parassimpático e promovendo alívio fisiológico (Church et al., 2012).

 

Aceitação e conexão com o presente

Após o acolhimento das emoções mais densas, a EFT favorece o surgimento espontâneo de aceitação emocional e reconexão com o momento presente. Isso não significa “esquecer” a perda, mas sim permitir-se seguir adiante sem carregar o peso paralisante da dor não processada.

A aceitação aqui não é resignação, mas um estado ativo de abertura para o que é real no agora, com todos os sentimentos que o presente traz. A EFT ajuda a transitar da pergunta “Por que isso aconteceu comigo?” para afirmações como:

 

       “É seguro para mim sentir essa dor e também seguir vivendo.”

       “Eu posso honrar essa perda e ainda encontrar momentos de paz.”

       “Talvez eu possa carregar essa memória com mais leveza.”

Essas frases, utilizadas nas rodadas de tapping, funcionam como reenquadramentos conscientes, ajudando o cérebro a construir novas conexões emocionais em relação ao evento vivido. Estudos mostram que, ao reduzir a ativação da amígdala cerebral e dos circuitos de estresse, a EFT permite que o indivíduo acesse estados mais integrados de percepção e presença (Feinstein, 2012; Stapleton et al., 2019).

Em situações de

luto, rupturas afetivas ou perdas simbólicas, a EFT não visa suprimir a tristeza, mas transformá-la em sabedoria emocional e reconexão com a vida. Isso torna a técnica especialmente útil em jornadas de cura profunda, onde a escuta interna e o acolhimento são fundamentais.

 

Referências

       Craig, G. (2011). The EFT Manual (2nd ed.). Energy Psychology Press.

       Church, D. (2013). The EFT Manual (3rd ed.). Energy Psychology Press.

       Church, D., Yount, G., & Brooks, A. J. (2012). The Effect of Emotional Freedom Techniques on Stress Biochemistry: A Randomized Controlled Trial. Journal of Nervous and Mental

Disease,      200(10),      891–896. https://doi.org/10.1097/NMD.0b013e31826b9fc1

       Feinstein, D. (2012). Acupoint Stimulation in Treating Psychological Disorders: Evidence of Efficacy. Review of General Psychology16(4), 364–380. https://doi.org/10.1037/a0028602

       Stapleton, P., Buchan, C., Mitchell, I., & McLean, L. (2019). Clinical EFT for Grief and Loss: Efficacy and Mechanisms. Energy Psychology: Theory, Research, and Treatment, 11(2), 31–42.

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