ArchiCAD
O setor da construção civil tem vivenciado profundas
transformações com o avanço das tecnologias digitais, especialmente no que
tange à concepção, planejamento e execução de projetos. Uma das inovações mais
significativas nesse contexto é o BIM – Building
Information Modeling, traduzido como Modelagem da Informação da Construção.
Trata-se de uma metodologia que revoluciona a forma como edifícios e
infraestruturas são projetados, construídos, operados e gerenciados.
O BIM não é apenas um software ou um modelo tridimensional.
Trata-se de um processo colaborativo que envolve a criação e o gerenciamento de
representações digitais precisas das características físicas e funcionais de
uma edificação. Por meio dele, os profissionais das áreas de arquitetura,
engenharia e construção podem colaborar de forma mais eficiente, desde as fases
iniciais do projeto até a operação e manutenção do edifício.
O conceito de BIM está intimamente relacionado à integração
da informação. Em vez de trabalhar com desenhos desconectados e arquivos
estáticos, o BIM permite que todos os elementos do projeto estejam interligados
e atualizados em tempo real. Assim, se uma parede for alterada no modelo, todas
as plantas, cortes e vistas associadas a ela serão automaticamente atualizadas,
evitando inconsistências e retrabalhos.
O BIM é muitas vezes representado em dimensões que
extrapolam o modelo 3D tradicional. Além do espaço tridimensional (3D), há
dimensões adicionais que ampliam suas possibilidades. A quarta dimensão (4D)
incorpora o fator tempo, permitindo simular cronogramas de obra e planejar
sequências construtivas. A quinta dimensão (5D) envolve custos, possibilitando
o controle orçamentário integrado ao modelo. Já a sexta (6D) e a sétima (7D)
estão relacionadas à sustentabilidade e ao gerenciamento do ciclo de vida da edificação,
respectivamente.
Cada uma dessas dimensões oferece vantagens concretas para
a gestão do empreendimento. O 4D, por exemplo, permite prever interferências e
conflitos na execução da obra, promovendo maior previsibilidade. O 5D viabiliza
análises econômicas e a escolha mais assertiva de materiais e fornecedores. O
6D contribui para a análise de desempenho energético, enquanto o 7D fornece
dados que auxiliam na operação e manutenção do edifício ao longo do tempo.
A adoção
do BIM proporciona uma série de benefícios relevantes para todos os envolvidos
no ciclo de vida da construção. Entre os principais, destacamse:
• Redução de erros e retrabalhos: como os
modelos são integrados e sincronizados, inconsistências entre documentos são
minimizadas.
• Melhoria na comunicação: o ambiente
colaborativo facilita o entendimento entre arquitetos, engenheiros,
empreiteiros e clientes.
• Tomada de decisão mais eficiente: a
visualização antecipada do projeto, com simulações e análises, permite escolhas
mais fundamentadas.
• Otimização de custos e prazos: a gestão
integrada do tempo e dos recursos proporciona maior controle sobre o orçamento
e o cronograma.
• Aumento da sustentabilidade: o BIM
favorece o uso eficiente de materiais e a análise de impactos ambientais.
Além disso, o BIM tem se mostrado crucial na transição para
a chamada Indústria da Construção 4.0, ao integrar tecnologias como internet
das coisas (IoT), inteligência artificial e realidade aumentada.
Apesar de suas vantagens, a implementação do BIM ainda
enfrenta desafios significativos, especialmente em países em desenvolvimento.
Entre os principais obstáculos estão:
• Custo inicial elevado de softwares e
capacitação: muitos escritórios e empresas ainda relutam em adotar a
tecnologia por conta do investimento inicial.
• Resistência à mudança: a adoção do BIM
exige uma mudança cultural e organizacional, o que pode encontrar resistência
por parte de profissionais acostumados aos métodos tradicionais.
• Falta de padronização: a ausência de
normas e parâmetros nacionais específicos pode dificultar a interoperabilidade
entre diferentes plataformas e modelos.
No Brasil, iniciativas como a Estratégia BIM BR, do Governo
Federal, têm buscado fomentar o uso da metodologia em obras públicas,
estabelecendo cronogramas de implementação e promovendo ações de capacitação e
normatização.
O BIM representa um novo paradigma na construção civil. Sua adoção amplia a produtividade, melhora a qualidade dos projetos e promove maior sustentabilidade. Embora sua implementação ainda enfrente obstáculos, a tendência global é de crescimento e consolidação da metodologia como padrão de excelência no setor. À medida que mais profissionais se qualificam e mais empresas reconhecem seus benefícios, o BIM se tornará não apenas uma opção
tecnológica, mas uma exigência para a competitividade e a inovação na construção.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. New Jersey: Wiley, 2018.
• HARDIN,
B.; MCDONNELL, D. BIM and Construction
Management: Proven Tools, Methods, and Workflows. 2nd ed. Hoboken: Wiley,
2015.
• BRASIL.
Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Estratégia BIM BR. Brasília, 2018. Disponível em:
https://www.gov.br/infraestrutura/pt-br/assuntos/estrategia-bim
• SILVA,
A. C. da. Modelagem da Informação da
Construção: Fundamentos e Aplicações do BIM. São Paulo: Oficina de Textos,
2020.
• SANTOS,
E. T.; GUEDES, C. L. BIM para arquitetos
e engenheiros. Rio de Janeiro: LTC, 2021.
O ArchiCAD é considerado um dos softwares pioneiros no
conceito de modelagem da informação da construção, ou BIM (Building Information
Modeling). Desenvolvido originalmente para arquitetos, seu foco sempre foi
proporcionar uma experiência integrada de projeto, unificando modelagem
tridimensional, documentação e gestão de dados em um único ambiente de
trabalho. Desde sua criação nos anos 1980 até os dias atuais, o ArchiCAD passou
por significativas transformações, acompanhando e, em diversos momentos, antecipando
tendências da indústria da construção e da tecnologia da informação.
O ArchiCAD foi criado em 1982 por Gábor Bojár, fundador da
empresa húngara Graphisoft. Em um contexto histórico marcado pela consolidação
dos computadores pessoais e pelo surgimento das primeiras ferramentas de
desenho assistido por computador (CAD), a proposta do ArchiCAD já nascia
inovadora: permitir que arquitetos projetassem diretamente em três dimensões,
com dados paramétricos e elementos construtivos inteligentes.
Lançado oficialmente em 1984 para a plataforma Apple
Macintosh, o ArchiCAD foi o primeiro software CAD a oferecer capacidades de
modelagem 3D com geração simultânea de plantas, cortes e elevações. Isso
ocorreu em um período em que os programas mais comuns limitavam-se à
representação 2D. Essa inovação conferiu ao ArchiCAD o status de precursor da
metodologia BIM, ainda que o termo só fosse popularizado mais de uma década
depois.
Em 1987, com a versão 3.1, o ArchiCAD ganhou sua primeira ferramenta de geração automática de documentação
1987, com a versão 3.1, o ArchiCAD ganhou sua primeira ferramenta de geração automática de documentação a partir do modelo 3D, o que tornou ainda mais evidente a proposta de integração entre projeto e documentação.
Durante a década de 1990, o ArchiCAD consolidou sua
presença entre arquitetos e empresas de projeto ao redor do mundo. A Graphisoft
expandiu suas operações internacionais e investiu no aprimoramento de
bibliotecas de objetos paramétricos e na compatibilidade com outros softwares,
especialmente os que se tornavam populares em engenharia estrutural e
instalações prediais.
Em 1995, o ArchiCAD 5 introduziu o conceito de
"TeamWork", permitindo que múltiplos profissionais trabalhassem
simultaneamente em um mesmo projeto, algo revolucionário para a época. Esse
recurso antecipava uma das principais demandas contemporâneas da modelagem BIM:
o trabalho colaborativo em nuvem.
No início dos anos 2000, com o ArchiCAD 8, o software
passou por uma modernização significativa de sua interface, tornando-se mais
intuitivo e voltado à integração com bancos de dados externos e à visualização
em tempo real. Essa década também marcou o crescimento da interoperabilidade
com formatos abertos, como o IFC (Industry Foundation Classes), viabilizando a
troca de informações com outras plataformas e consolidando o ArchiCAD como um
verdadeiro sistema BIM.
Com as versões lançadas entre 2010 e 2020, o ArchiCAD
incorporou uma série de inovações ligadas à performance, colaboração online e
sustentabilidade. Destaca-se a integração com o BIMcloud, uma plataforma de
gerenciamento em nuvem que permite acesso remoto a projetos compartilhados,
respondendo à crescente demanda por mobilidade e trabalho remoto no setor da
construção.
A introdução do motor de renderização CineRender, da Maxon,
proporcionou uma melhoria significativa na qualidade das apresentações visuais
dentro do próprio ArchiCAD, dispensando a exportação para programas externos.
Outro avanço importante foi o Graphisoft MEP Modeler, que ampliou as
capacidades do ArchiCAD para projetistas de sistemas prediais, como HVAC e
hidráulica.
Além disso, nos últimos anos, a Graphisoft passou a
investir na integração do ArchiCAD com outras soluções do grupo Nemetschek,
como o Solibri e o BIMx, promovendo uma experiência BIM mais completa, desde a
concepção até a operação do edifício.
O
ArchiCAD tem presença significativa no mercado europeu e
em países como Japão, Austrália e Brasil. No Brasil, especialmente, sua adoção
tem crescido com o avanço da digitalização da construção e com as políticas
públicas que estimulam o uso do BIM em obras públicas, como a Estratégia BIM
BR.
Entre arquitetos, o ArchiCAD é valorizado por sua lógica
voltada ao design, sua fluidez gráfica e a relativa leveza operacional mesmo em
projetos de médio porte. Embora concorra com outros grandes players do mercado,
como o Revit (Autodesk), o ArchiCAD mantém uma base sólida de usuários e
continua evoluindo de acordo com os princípios do openBIM e da
interoperabilidade entre plataformas.
O ArchiCAD é um exemplo emblemático de como a tecnologia
pode transformar o processo de projeto arquitetônico. Desde sua criação nos
anos 1980, ele vem se reinventando e acompanhando as mudanças do setor, ao
mesmo tempo em que se mantém fiel à sua proposta original de integrar
modelagem, documentação e dados em um ambiente único e colaborativo.
Hoje, o ArchiCAD representa não apenas um software, mas uma
filosofia de trabalho fundamentada na informação, na colaboração e na
eficiência. Sua história reflete a evolução da própria arquitetura digital e
antecipa o futuro da modelagem inteligente na construção civil.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Timeline. Disponível em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• SOUZA,
E. C.; MORAIS, A. T. ArchiCAD na
Arquitetura Brasileira: Modelagem da Informação e Fluxos de Trabalho. São
Paulo: Ed. Técnica, 2021.
• HARDIN,
B.; MCDONNELL, D. BIM and Construction
Management: Proven Tools, Methods, and Workflows. 2nd ed. Hoboken: Wiley,
2015.
• BRASIL.
Ministério da Economia. Estratégia
Nacional de Disseminação do BIM – Estratégia BIM BR. Brasília: Governo
Federal, 2018.
A tecnologia transformou profundamente a prática da arquitetura nas últimas décadas, e um dos marcos dessa transformação é o advento da modelagem da informação da construção (BIM – Building Information Modeling). Entre as ferramentas disponíveis para essa finalidade, o ArchiCAD se destaca como um dos primeiros e mais consolidados softwares de BIM do mercado.
Desenvolvido pela empresa húngara
Graphisoft, o ArchiCAD oferece uma série de vantagens que o tornam especialmente
útil para arquitetos e escritórios de projeto que buscam eficiência, integração
e qualidade no desenvolvimento de suas propostas.
Uma das principais vantagens do ArchiCAD é a integração
entre modelagem tridimensional e documentação técnica. Isso significa que, ao
criar o modelo 3D de uma edificação, o profissional gera automaticamente
cortes, fachadas, plantas e detalhes construtivos, sem a necessidade de
redesenho manual. Essa característica reduz consideravelmente o tempo de
produção dos desenhos e evita inconsistências entre diferentes vistas do
projeto, um problema comum em metodologias tradicionais baseadas em desenhos
bidimensionais isolados.
A atualização automática das representações gráficas, a
partir de uma modificação feita em qualquer parte do modelo, garante maior
coerência e confiabilidade nos documentos emitidos, o que contribui para a
qualidade do projeto e para a segurança nas etapas de execução da obra.
Diferentemente de outras plataformas BIM que derivam de
ferramentas voltadas à engenharia, o ArchiCAD foi pensado desde sua origem para
atender às demandas específicas do arquiteto. Sua interface é intuitiva e suas
ferramentas são desenhadas para simular elementos arquitetônicos reais, como
paredes, lajes, esquadrias, escadas e coberturas, permitindo uma modelagem mais
fluida e natural.
A facilidade em manipular esses elementos, ajustar
parâmetros e visualizar os efeitos das decisões de projeto em tempo real
contribui para um processo criativo mais eficiente. A atenção à estética e à
ergonomia do software também torna o ambiente mais agradável e propício ao
desenvolvimento arquitetônico.
Outro ponto de destaque do ArchiCAD é sua capacidade de
gerar visualizações de alta qualidade dentro do próprio ambiente do software,
sem a necessidade de exportação para outras plataformas. A integração com o
motor de renderização CineRender (baseado na tecnologia da Maxon) permite criar
imagens realistas, animações e maquetes eletrônicas que facilitam a
apresentação de projetos a clientes e stakeholders.
Além disso, recursos como o BIMx – um aplicativo desenvolvido pela Graphisoft – possibilitam a visualização interativa do modelo em dispositivos móveis, permitindo uma imersão digital
disso, recursos como o BIMx – um aplicativo
desenvolvido pela Graphisoft – possibilitam a visualização interativa do modelo
em dispositivos móveis, permitindo uma imersão digital que melhora a
comunicação entre arquitetos, engenheiros, clientes e construtores.
O ArchiCAD oferece funcionalidades avançadas de trabalho
colaborativo, como o TeamWork e o BIMcloud, que permitem que múltiplos usuários
trabalhem simultaneamente em um mesmo projeto, com controle de permissões e
sincronização de alterações. Essa característica é especialmente útil em
escritórios com equipes distribuídas geograficamente ou em projetos complexos
que envolvem diversos profissionais.
A colaboração eficaz em tempo real reduz erros de
comunicação, aumenta a produtividade e assegura a integridade das informações
compartilhadas. Além disso, o suporte a formatos abertos, como IFC, assegura a
interoperabilidade com outros softwares utilizados por engenheiros, consultores
e gestores de obra, reforçando o compromisso do ArchiCAD com o conceito de openBIM.
O uso do ArchiCAD permite significativa economia de tempo
em todas as fases do projeto. A automatização de tarefas repetitivas, a geração
instantânea de quantitativos e a atualização automática de desenhos reduzem o
esforço manual e o risco de erros. Isso se traduz em ganhos financeiros
diretos, tanto pela diminuição do retrabalho quanto pela maior eficiência no
uso de recursos humanos.
A possibilidade de simular diferentes alternativas de
projeto e verificar seu impacto em termos de área construída, materiais
utilizados e custos estimados também permite maior precisão na tomada de
decisões, contribuindo para a sustentabilidade econômica do empreendimento.
O ArchiCAD, em combinação com extensões e plugins, oferece
suporte a análises de desempenho ambiental, como simulações de consumo
energético, conforto térmico e uso racional de recursos. Isso facilita o
desenvolvimento de projetos mais sustentáveis e alinhados a certificações como
LEED e AQUA-HQE.
Ao permitir a avaliação do comportamento do edifício ainda
na fase de concepção, o ArchiCAD ajuda a antecipar problemas e ajustar soluções
de forma eficiente e fundamentada.
O ArchiCAD é uma ferramenta completa e robusta, capaz de atender às demandas contemporâneas da arquitetura com eficiência, flexibilidade e foco no usuário. Sua
abordagem orientada ao design, aliada à integração de
dados e à capacidade de colaboração, fazem dele uma plataforma ideal para
escritórios que desejam adotar o BIM de maneira prática e produtiva.
Ao mesmo tempo, sua curva de aprendizado é acessível, o que
favorece a inserção de novos profissionais no universo da modelagem da
informação e fortalece o uso da tecnologia como aliada na busca por qualidade,
inovação e responsabilidade nas práticas arquitetônicas.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Features. Disponível em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• SOUZA,
E. C.; MORAIS, A. T. ArchiCAD na
Arquitetura Brasileira: Modelagem da Informação e Fluxos de Trabalho. São
Paulo: Ed. Técnica, 2021.
• SANTOS,
L. B. BIM para Arquitetura: princípios e
aplicações. Rio de Janeiro: LTC, 2020.
• BRASIL.
Ministério da Economia. Estratégia BIM BR.
Brasília: Governo Federal, 2018.
O ArchiCAD é um dos softwares BIM mais completos e
amplamente utilizados por arquitetos e projetistas ao redor do mundo. Sua
interface foi concebida para atender às necessidades específicas da
arquitetura, com foco na usabilidade, clareza visual e acesso rápido a
ferramentas. O layout da interface do ArchiCAD é um dos elementos que mais
contribui para sua eficiência, permitindo ao usuário navegar entre comandos e
elementos de modelagem com fluidez e autonomia, desde os primeiros contatos com
o programa.
A interface gráfica de um software é o meio pelo qual o
usuário interage com as funções do sistema. No caso do ArchiCAD, essa interface
foi projetada para ser intuitiva, flexível e personalizável. Desde sua
concepção, o programa procurou se afastar da lógica dos CADs genéricos,
adotando uma organização voltada à lógica arquitetônica: elementos como
paredes, portas, janelas, coberturas e escadas estão diretamente disponíveis no
ambiente de trabalho, facilitando a produção do projeto.
O layout padrão do ArchiCAD organiza os recursos do
software em janelas, menus, paletas e áreas de visualização. Essa organização
contribui para um fluxo de trabalho eficiente e reduz a necessidade de
alternância constante entre diferentes telas ou softwares auxiliares.
O layout do ArchiCAD pode ser dividido, de maneira geral,
em cinco áreas principais: barra de título, barra de menus, paletas de
ferramentas, área de trabalho e barra de status.
A barra
de título localiza-se no topo da janela principal e apresenta o nome do projeto
em edição, além das opções de controle da janela (minimizar, maximizar e
fechar). Essa área também pode incluir o nome da versão do ArchiCAD em uso.
Abaixo
da barra de título encontra-se a barra de menus, com comandos organizados por
categorias: Arquivo, Editar, Ver, Documento, Design, Opções, Janela e Ajuda.
Esses menus oferecem acesso a comandos essenciais, como abrir, salvar,
importar, ajustar preferências e acessar ferramentas de documentação e
modelagem.
As
paletas são elementos flutuantes ou fixos que reúnem os comandos de desenho e
edição. A mais importante é a "Toolbox" (Caixa de Ferramentas),
normalmente posicionada à esquerda da tela, que reúne as ferramentas de
modelagem como Muro (Wall), Porta (Door), Janela (Window), Laje (Slab), Pilar
(Column), Viga (Beam), Telhado (Roof), entre outras.
Há também paletas complementares, como a "Info
Box", que exibe os parâmetros da ferramenta selecionada, e a
"Navigator", localizada à direita da interface, responsável pela
navegação entre plantas, cortes, elevações, detalhes e layouts.
A área
central da interface é dedicada à visualização e edição do modelo. É nela que o
usuário desenha, modela e acompanha o desenvolvimento do projeto. Essa área
pode mostrar plantas baixas, vistas 3D, cortes e outros elementos conforme o
contexto do trabalho.
O ArchiCAD permite abrir várias janelas de visualização
simultaneamente, o que favorece a comparação entre vistas ou a edição paralela
de diferentes partes do projeto.
Na parte
inferior da interface encontra-se a barra de status, que fornece informações
contextuais sobre o elemento selecionado, coordenadas do cursor, dicas de
ferramentas e alertas do sistema. Essa área auxilia o usuário a acompanhar o
comportamento do software durante o uso de comandos.
O ArchiCAD oferece ampla liberdade para personalização da interface. O usuário pode reorganizar paletas, redimensionar janelas, criar atalhos e salvar ambientes de trabalho específicos. Isso é especialmente útil em escritórios com diferentes
perfis de uso: modelagem, documentação,
renderização, revisão de projeto etc.
Além disso, a interface pode ser configurada para exibir
diferentes níveis de informação, permitindo tanto uma experiência simplificada
para usuários iniciantes quanto uma disposição mais avançada para profissionais
experientes.
O ArchiCAD também disponibiliza temas claros e escuros,
visando o conforto visual em longos períodos de uso. Essa atenção à experiência
do usuário é um dos fatores que contribuem para a fidelização da base de
arquitetos que utilizam o software diariamente.
A organização lógica da interface favorece a aprendizagem progressiva. Muitos dos comandos possuem ícones visuais autoexplicativos e menus contextuais, que se adaptam conforme o elemento selecionado. A "paleta de ajuda" integrada fornece descrições e dicas rápidas de uso, agilizando a familiarização com o ambiente.
Para usuários que migram de softwares CAD tradicionais, a
transição pode exigir um período de adaptação, mas a disposição clara das
ferramentas e a lógica orientada a objetos arquitetônicos tornam o processo
mais natural ao longo do tempo.
O layout da interface do ArchiCAD é um de seus maiores
diferenciais. Sua organização amigável, voltada à lógica da arquitetura,
contribui para a produtividade do usuário e para a qualidade do projeto. A
flexibilidade na disposição das paletas e a clareza dos comandos permitem que o
software seja adaptado a diferentes perfis profissionais e etapas do processo
projetual.
Em um contexto em que a eficiência e a integração de
informações são cada vez mais valorizadas, a interface do ArchiCAD representa
um modelo de funcionalidade inteligente e centrada no arquiteto. Dominar essa
interface é o primeiro passo para explorar todo o potencial da metodologia BIM
e para integrar-se à nova realidade digital do setor da construção.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD User Manual. Disponível em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• SILVA,
A. L.; SANTOS, R. G. Introdução ao
ArchiCAD: Interface, Comandos e Práticas Iniciais. São Paulo: Érica, 2022.
• SANTOS,
L. B. BIM para Arquitetura: princípios e
aplicações. Rio de Janeiro: LTC, 2020.
• GRAPHISOFT
BRASIL. Ambientes e Layouts do ArchiCAD.
Documentação técnica interna. São Paulo, 2023.
O ArchiCAD é um dos softwares de modelagem da informação da
construção (BIM) mais amplamente utilizados no mundo da arquitetura.
Desenvolvido pela Graphisoft, destaca-se pela interface amigável e altamente
funcional, projetada para facilitar o processo de criação, visualização e
documentação de projetos arquitetônicos. Entre os principais componentes dessa
interface estão os painéis principais,
barras de ferramentas e navegadores, elementos essenciais para
a experiência de uso eficiente e intuitiva.
Esses elementos constituem o núcleo operacional do
ArchiCAD, sendo responsáveis por permitir que o usuário acesse comandos,
visualize conteúdos e manipule dados do projeto com agilidade. Compreendê-los é
um passo fundamental para dominar o fluxo de trabalho no software e obter o
máximo de produtividade durante o desenvolvimento de
projetos.
Os painéis principais do ArchiCAD são áreas específicas da
interface que reúnem funcionalidades agrupadas conforme sua natureza. Os mais
utilizados são:
Localizada
geralmente à esquerda da tela, essa paleta agrupa todas as ferramentas de
modelagem arquitetônica, como paredes, portas, janelas, lajes, pilares,
coberturas, escadas, entre outras. Cada ferramenta corresponde a um tipo de
elemento construtivo e possui parâmetros específicos que podem ser configurados
antes ou após a inserção no projeto.
Posicionado
normalmente à direita da interface, o Navigator é essencial para o
gerenciamento do projeto. Ele permite navegar entre plantas, cortes, elevações,
vistas 3D, layouts de documentação e detalhes. Está organizado em abas (Project
Map, View Map, Layout Book e Publisher), que possibilitam visualizar e
organizar os diferentes aspectos do modelo e da documentação gerada a partir
dele.
Situada
na parte superior, essa paleta exibe as propriedades e parâmetros da ferramenta
ativa ou do elemento selecionado. Nela, é possível ajustar com rapidez
características como altura, espessura, tipo de linha, material, ângulo, entre
outros, promovendo agilidade no processo de edição e modelagem.
Esses painéis podem ser reconfigurados e deslocados de acordo com a preferência do
usuário, o que torna o ambiente de trabalho
adaptável a diferentes rotinas de projeto.
As barras de ferramentas do ArchiCAD proporcionam acesso
direto a comandos frequentemente utilizados, como seleção, movimentação,
rotação, espelhamento, corte, cópia, zoom, pan e comandos de exibição. Podem
ser exibidas horizontalmente, verticalmente ou como paletas flutuantes,
dependendo da personalização do usuário.
Entre as barras mais relevantes estão:
• Standard Toolbar: contém comandos
básicos como novo, abrir, salvar, desfazer/refazer e imprimir.
• Edit Toolbar: oferece comandos de
modificação, como mover, copiar, esticar, espelhar, alinhar e ajustar.
• Display Toolbar: relacionada às opções
de visualização, como alterar entre planta e vista 3D, configurar o estilo de
exibição dos elementos, ativar o sombreamento, entre outros.
Uma das vantagens dessas barras é que o ArchiCAD permite ao usuário configurar atalhos personalizados e criar grupos de comandos adaptados às suas necessidades. Esse nível de personalização contribui para a fluidez do trabalho e para a redução do tempo gasto em tarefas repetitivas.
No contexto do ArchiCAD, os navegadores são recursos indispensáveis para acessar, organizar e
apresentar as diversas representações do projeto. O principal deles é o Navigator, que está estruturado em
quatro seções principais:
1. Project Map (Mapa do Projeto): contém
todos os elementos estruturais e organizacionais do projeto, como pavimentos,
cortes, elevações, detalhes e vistas 3D. Essa seção mostra os dados de maneira
"bruta", sem filtros.
2. View Map (Mapa de Vistas): reúne as
vistas do projeto com configurações específicas de exibição (filtros de
renovação, escala, estilos gráficos). É aqui que o usuário prepara
representações que serão reutilizadas na documentação.
3. Layout Book (Livro de Layouts):
possibilita a criação de pranchas de apresentação e documentos técnicos,
organizando os desenhos em páginas para impressão ou publicação.
4. Publisher Set (Conjunto de Publicação):
permite configurar conjuntos de arquivos para exportação, em formatos como PDF,
DWG ou IFC. É útil para emissão de conjuntos completos de documentação ou para
envio a parceiros externos.
Essa estrutura garante ao usuário controle total sobre o ciclo de vida do projeto dentro do ambiente do ArchiCAD, do desenho
conceitual
à documentação técnica final.
Um dos grandes méritos do ArchiCAD está na integração entre seus componentes. A seleção de uma ferramenta na Toolbox reflete-se imediatamente na Info Box, onde seus parâmetros podem ser ajustados. A navegação por meio do Navigator permite alternar rapidamente entre diferentes vistas do modelo, enquanto as barras de ferramentas oferecem os comandos de edição que se aplicam de maneira contextualizada ao que está sendo exibido.
Essa interconexão entre painéis, barras e navegadores torna
o uso do ArchiCAD mais fluido, promovendo um ambiente de trabalho onde todas as
funções estão a poucos cliques de distância. Para usuários experientes, essa
estrutura integrada representa ganho significativo de produtividade.
Os painéis principais, as barras de ferramentas e os
navegadores do ArchiCAD representam a base da sua interface. Ao compreender a
lógica de funcionamento e a interdependência entre esses elementos, o usuário
se capacita a tirar pleno proveito das funcionalidades do software e a projetar
com maior agilidade, precisão e segurança.
Com um layout pensado para arquitetos, o ArchiCAD
proporciona uma experiência de uso centrada na lógica do projeto, reduzindo a
curva de aprendizagem e maximizando a produtividade. Dominar o uso dessas
ferramentas é fundamental para qualquer profissional que deseje utilizar o
ArchiCAD de maneira eficaz dentro da metodologia BIM.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Reference Guide. Disponível
em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• SILVA,
A. L.; SANTOS, R. G. Interface e
Navegação no ArchiCAD. São Paulo: Érica, 2021.
• GRAPHISOFT
BRASIL. Documentação técnica do ArchiCAD
26. São Paulo, 2023.
• SANTOS,
L. B. Modelagem da Informação da
Construção: BIM e Prática Profissional. Rio de Janeiro: LTC, 2022.
O ArchiCAD é reconhecido não apenas por sua robustez como ferramenta de modelagem BIM, mas também por oferecer um ambiente de trabalho altamente personalizável. Essa característica é essencial para atender às variadas necessidades dos usuários — desde estudantes iniciantes até profissionais experientes —,
permitindo que cada um configure a interface do
software conforme seu estilo de trabalho, otimizando a produtividade e o
conforto visual durante longos períodos de uso.
A área de trabalho do ArchiCAD pode ser ajustada em
praticamente todos os seus aspectos visuais e funcionais. Desde a disposição
dos painéis e paletas até a criação de atalhos e ambientes de trabalho salvos,
a personalização básica oferece um primeiro passo importante para dominar o
software e tornar sua operação mais eficiente e intuitiva.
Personalizar a área de trabalho tem como principal vantagem
a adequação do ambiente às tarefas específicas do usuário. Um arquiteto que
trabalha predominantemente com modelagem 3D pode priorizar a visualização
tridimensional e as ferramentas de volume, enquanto um usuário focado em
documentação técnica pode configurar o layout para acesso rápido a ferramentas
de cotagem, textos e organização de pranchas.
Além da organização visual, a personalização influencia diretamente a agilidade nas tarefas repetitivas e a redução do tempo de navegação entre comandos. Um ambiente adaptado às necessidades do usuário também contribui para minimizar distrações, facilitar o aprendizado e evitar erros por cliques equivocados.
O ArchiCAD permite uma ampla gama de personalizações, mesmo
no nível mais básico. A seguir, destacam-se os principais elementos que podem
ser ajustados pelo usuário:
As paletas — como a Toolbox (Caixa de Ferramentas), Info
Box e Navigator — podem ser reposicionadas na tela conforme o gosto do usuário.
Elas podem ficar acopladas nas bordas da interface ou flutuando livremente.
Também é possível redimensioná-las ou ocultá-las temporariamente para ampliar o
espaço da área de modelagem.
O ArchiCAD permite salvar diferentes configurações de
interface como work environments.
Isso significa que um usuário pode criar e armazenar layouts específicos para
determinadas etapas do projeto, como modelagem inicial, detalhamento,
renderização ou revisão. Essas configurações podem ser exportadas para outros
computadores ou compartilhadas entre membros de uma equipe.
A personalização de atalhos é uma das funções mais valorizadas por usuários avançados. O ArchiCAD permite que o usuário associe comandos a combinações de teclas específicas, criando um sistema
de atalhos é uma das funções mais
valorizadas por usuários avançados. O ArchiCAD permite que o usuário associe
comandos a combinações de teclas específicas, criando um sistema de navegação
mais ágil e ergonômico. Com o tempo, o uso de atalhos contribui para uma
considerável economia de movimentos repetitivos com o mouse.
Os menus que surgem com o clique direito do mouse podem ser
adaptados para mostrar os comandos mais utilizados pelo usuário, conforme seu
fluxo de trabalho. Essa personalização torna as ferramentas mais acessíveis e
reduz a necessidade de navegação em menus longos.
Embora o ArchiCAD possua uma aparência padrão, ele oferece
opções para ajustar o tema da interface (claro ou escuro), bem como as cores de
fundo da área de modelagem, linhas-guia e elementos de referência. Esses
ajustes são úteis para reduzir o cansaço visual e facilitar a leitura em
diferentes condições de iluminação.
Para garantir que as personalizações realizadas sejam
mantidas ao longo das sessões de trabalho, o ArchiCAD permite salvar o ambiente
por meio da aba Options > Work
Environment > Work Environment Profiles. Nessa área, o usuário pode:
• Criar
um novo perfil de ambiente;
• Duplicar
e editar um perfil existente;
• Exportar
o ambiente para uso em outros dispositivos;
• Restaurar
configurações padrão em caso de erro ou inconsistência.
A possibilidade de alternar entre perfis salvos também é
útil em estações de trabalho compartilhadas, em que diferentes profissionais
utilizam o mesmo equipamento.
A personalização da área de trabalho no ArchiCAD não é
apenas uma questão estética ou de preferência pessoal, mas uma estratégia
eficaz para o aumento de produtividade. Ao reduzir o tempo de acesso a
comandos, eliminar ações repetitivas e organizar a interface segundo a lógica
do próprio usuário, é possível concentrar-se mais na qualidade do projeto e
menos na manipulação técnica do software.
Essa prática também favorece o aprendizado do programa, já
que permite que o estudante ou iniciante elimine distrações e foque nas
ferramentas mais relevantes ao seu estágio de formação. Para profissionais,
trata-se de uma forma de alinhar o ambiente digital com as demandas específicas
de seus projetos e clientes.
A personalização básica da área de trabalho do ArchiCAD
representa um diferencial do software frente a outras ferramentas de modelagem.
Sua flexibilidade, combinada a uma interface bem estruturada, oferece ao
usuário uma experiência de projeto fluida, adaptável e centrada na eficiência.
Aprender a configurar o ambiente de forma estratégica é
parte essencial do domínio do ArchiCAD. Ao investir tempo nessa organização
inicial, o profissional se prepara para utilizar a plataforma em todo o seu
potencial, promovendo uma prática projetual mais organizada, confortável e
produtiva.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Reference Guide. Disponível
em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• SANTOS,
L. B. BIM na prática: fundamentos e
aplicações para arquitetura. Rio de Janeiro: LTC, 2021.
• SILVA,
A. L. Configurações e personalização no
ArchiCAD. São Paulo: Érica, 2022.
• GRAPHISOFT
BRASIL. Documentação Técnica ArchiCAD 26.
São Paulo, 2023.
A precisão e a organização são aspectos fundamentais no
desenvolvimento de qualquer projeto arquitetônico. No contexto do ArchiCAD,
software voltado à modelagem da informação da construção (BIM), elementos como
a unidade de medida, a definição de escalas e o uso do sistema de coordenadas
são essenciais para garantir a consistência geométrica e informacional dos
modelos produzidos. Esses recursos, quando corretamente configurados e
compreendidos, proporcionam maior controle sobre o processo de desenho e documentação.
A unidade de medida no ArchiCAD representa a base para
todas as dimensões e quantificações no projeto. O software permite configurar
as unidades conforme a necessidade do usuário ou os padrões técnicos vigentes
em seu país. No caso do Brasil, por exemplo, a unidade métrica (metros,
centímetros e milímetros) é a mais comum, estando de acordo com o Sistema
Internacional de Unidades (SI).
As unidades podem ser definidas tanto para o ambiente geral
quanto para dimensões específicas, como ângulos, áreas, volumes e coordenadas.
Essa flexibilidade é importante para atender diferentes situações, como
detalhes construtivos em milímetros ou projetos urbanísticos em metros.
Além de garantir compatibilidade com
normas técnicas, a
escolha adequada das unidades facilita a interoperabilidade entre arquivos e a
troca de informações com outros softwares, especialmente em ambientes BIM
colaborativos. Também é relevante para assegurar a legibilidade da documentação
gerada e evitar erros de escala ou de dimensionamento durante a execução da
obra.
A configuração da unidade de medida é feita em Options > Project Preferences >
Working Units, e pode ser ajustada a qualquer momento ao longo do projeto,
com atualização automática das medidas visualizadas.
A escala no ArchiCAD determina a forma como o modelo será
representado graficamente na tela e na documentação impressa. Ao contrário dos
métodos tradicionais de desenho em papel, onde o desenho é feito diretamente na
escala desejada, no ArchiCAD o projeto é modelado em tamanho real (1:1) e,
posteriormente, representado em diferentes escalas conforme a necessidade.
O controle de escalas no ArchiCAD não se limita à redução
proporcional do desenho. Ele também influencia a forma como os elementos
gráficos são exibidos, como espessura de linhas, nível de detalhamento dos
objetos, visibilidade de anotações e símbolos. Por exemplo, um corte em escala
1:50 apresentará menos detalhes do que um desenho técnico em 1:10, mesmo que
ambos se originem do mesmo modelo.
Essa funcionalidade é essencial para manter a clareza da
comunicação visual do projeto, permitindo que a documentação seja adaptada ao
público e ao uso específico de cada prancha: estudos preliminares, aprovação
legal, execução, compatibilização, entre outros.
As escalas são definidas diretamente na aba de visualização (View Settings), e podem ser associadas a "Views" salvas no Navigator, garantindo padronização e organização dos desenhos técnicos. A correta gestão das escalas também impacta a geração de quantitativos, dimensionamento de elementos e interpretação por parte de engenheiros, empreiteiros e clientes.
O sistema de coordenadas é a estrutura que fornece
referência espacial para todos os elementos inseridos no ambiente do ArchiCAD.
Ele estabelece a posição exata de cada objeto no modelo, a partir de um ponto
de origem e de eixos cartesianos tridimensionais (X, Y e Z).
Por padrão, o ArchiCAD utiliza um sistema de coordenadas globais que define o "ponto zero" do projeto, servindo como referência
absoluta para todos os elementos. Esse ponto pode ser redefinido em
casos específicos, como importação de arquivos georreferenciados, integração
com projetos de engenharia civil ou alinhamento com sistemas topográficos.
Além do sistema global, o ArchiCAD permite o uso de
sistemas de coordenadas locais, chamados de sistemas de coordenadas internos ou
do usuário. Essa ferramenta é particularmente útil em situações de modelagem em
ângulos inclinados, pavimentos rotacionados ou inserção de elementos fora do
eixo ortogonal padrão. O usuário pode definir novos pontos de origem
temporários (User Origin) e trabalhar em sistemas de coordenadas personalizados
sem alterar a estrutura geral do modelo.
O domínio do sistema de coordenadas é fundamental para
garantir a precisão na inserção de elementos, para a criação de componentes
paramétricos e para a interoperabilidade com outras plataformas BIM, como
softwares de cálculo estrutural, topografia e compatibilização.
A unidade de medida, a escala e o sistema de coordenadas
não funcionam isoladamente. No ArchiCAD, esses três elementos estão
interligados e formam a base de organização do modelo digital. Alterações em um
deles podem afetar diretamente a leitura, a documentação e a interoperabilidade
do projeto.
Por exemplo, trabalhar com a unidade incorreta pode gerar
medidas incompatíveis ao exportar o modelo para o formato IFC. De forma
semelhante, o uso equivocado da escala pode comprometer a legibilidade das
plantas baixas, enquanto uma origem de coordenadas mal definida pode causar
desalinhamentos ao importar ou referenciar arquivos DWG, DXF ou arquivos de
topografia.
Portanto, o cuidado com essas configurações desde as etapas
iniciais do projeto é uma prática recomendada para qualquer profissional que
deseje obter consistência, precisão e qualidade nos modelos produzidos no
ArchiCAD.
No ArchiCAD, a correta configuração da unidade de medida,
da escala e do sistema de coordenadas representa um passo fundamental para o
sucesso do projeto. Esses elementos, embora muitas vezes subestimados por
usuários iniciantes, influenciam diretamente na precisão do modelo, na clareza
da documentação e na eficiência do processo colaborativo.
Entender como esses componentes se relacionam e como ajustá-los conforme as necessidades do projeto é parte do domínio da metodologia BIM e da boa prática projetual no ambiente digital. Ao
utilizá-los
de maneira estratégica, o arquiteto garante a integridade dos dados e contribui
para uma construção mais segura, eficiente e integrada.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Reference Guide. Disponível
em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• SILVA,
A. L.; SOARES, R. G. Fundamentos do
ArchiCAD para
Arquitetos. São
Paulo: Érica, 2021.
• SANTOS,
L. B. Modelagem BIM na Prática:
Aplicações com ArchiCAD. Rio de Janeiro: LTC, 2022.
• BRASIL.
Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR
6492: Representação de projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 2021.
A organização eficiente das informações em um projeto
arquitetônico é essencial para sua clareza, controle e compatibilidade. No
ArchiCAD, a configuração de camadas
(layers) e de estilos de linha
cumpre um papel fundamental nesse processo, permitindo estruturar logicamente
os elementos do modelo, controlar sua visibilidade e garantir que a
documentação gerada atenda aos padrões técnicos e gráficos desejados.
Tanto as camadas quanto os estilos de linha fazem parte da
base gráfica e informacional do ArchiCAD. Seu domínio é indispensável para
arquitetos, estudantes e projetistas que desejam utilizar o software de forma
profissional, especialmente em ambientes colaborativos e em processos BIM.
As camadas são um recurso tradicional dos softwares de
desenho assistido por computador (CAD), incorporado também nos sistemas BIM
como ferramenta de controle visual e organizacional. No ArchiCAD, cada elemento do projeto é automaticamente
associado a uma camada, e essa associação pode ser modificada pelo usuário
conforme necessário.
As camadas não apenas organizam os
elementos, como também permitem:
• Ligar ou desligar elementos de acordo
com seu tipo, função ou fase do projeto;
• Proteger elementos contra edição ou
seleção acidental;
• Controlar a visualização gráfica nas
diferentes representações (plantas, cortes, vistas, layouts);
• Gerenciar a documentação em arquivos
exportados, como DWG ou PDF.
As camadas são especialmente úteis em projetos complexos, que envolvem múltiplas disciplinas (arquitetura,
estrutura, instalações), fases
construtivas (existente, novo, demolir) ou níveis de detalhamento (projeto
legal, executivo, compatibilização).
O gerenciamento das camadas no ArchiCAD é feito por meio do
Layer Settings, acessível no menu Document > Layers > Layer Settings.
Nesse ambiente, o usuário pode:
• Criar
novas camadas com nomes personalizados;
• Definir
a visibilidade de cada camada em diferentes conjuntos (Layer Combinations);
• Atribuir
cores e estilos de linha básicos à exibição dos elementos;
• Proteger
determinadas camadas para evitar modificações não intencionais;
• Agrupar
camadas logicamente por tipo de elemento ou disciplina.
Além disso, o ArchiCAD permite salvar combinações de camadas (Layer Combinations), que são conjuntos
predefinidos de camadas visíveis e invisíveis, adequados a situações
específicas de visualização ou documentação. Por exemplo, uma combinação pode
ser usada para representar apenas paredes e pilares estruturais, enquanto outra
pode mostrar esquadrias e mobiliário.
A criação criteriosa de camadas e combinações favorece a
fluidez no desenvolvimento do projeto, a clareza nos desenhos técnicos e a
padronização nos escritórios de arquitetura.
Os estilos de linha
no ArchiCAD definem a aparência das linhas utilizadas para desenhar os
contornos e representações simbólicas dos elementos. Isso inclui espessura,
padrão (contínuo, tracejado, pontilhado, entre outros) e cor. Embora os estilos
de linha não influenciem diretamente a geometria do modelo, eles são
fundamentais para a comunicação visual
eficaz nas plantas, cortes, elevações e detalhes.
Cada tipo de elemento pode ter um estilo de
linha específico. Por exemplo:
• Linhas
contínuas para elementos visíveis em planta;
• Tracejados
para elementos acima da linha de corte;
• Linhas
pontilhadas para indicar projeções ou elementos demolidos;
• Linhas
espessas para componentes estruturais de destaque.
O uso coerente dos estilos de linha permite que o leitor do
projeto — seja engenheiro, cliente ou construtor — compreenda facilmente a
função e a localização dos elementos representados, evitando interpretações
equivocadas.
A configuração dos estilos de linha pode ser acessada no menu Options > Element Attributes > Line Types. Nessa área, o
Nessa área, o usuário pode:
• Visualizar
todos os estilos de linha existentes no projeto;
• Criar
novos estilos com padrões personalizados;
• Ajustar
espaçamento entre traços e pontos;
• Atribuir
nomes explicativos e padronizados.
Além dos estilos básicos, o ArchiCAD permite a criação de linhas compostas, utilizadas em
representações específicas como muros, limites de terreno ou redes técnicas.
Essas linhas compostas podem incluir elementos gráficos repetitivos, como
símbolos, letras ou padrões geométricos.
É importante ressaltar que os estilos de linha também
afetam a exportação do projeto para formatos como DWG, PDF e IFC, sendo
recomendável seguir convenções gráficas compatíveis com normas técnicas e boas
práticas do escritório.
Embora camadas e estilos de linha sejam elementos
distintos, eles atuam de forma
complementar na organização do projeto. Ao associar determinados elementos
a camadas específicas e atribuir estilos de linha adequados, o usuário consegue
um alto grau de controle sobre o que é exibido, como é exibido e quando é
exibido.
Por exemplo, ao configurar uma combinação de camadas para
"Planta de layout", o arquiteto pode ocultar camadas como estrutura e
elétrica, deixando visíveis apenas as camadas de mobiliário e paredes internas,
cada uma com seus próprios estilos de linha. Isso favorece a produção de
documentos específicos com maior clareza e menos poluição visual.
Essa lógica é fundamental para ambientes BIM, em que a
gestão da informação deve ser precisa, acessível e padronizada para todos os
participantes do projeto.
A correta configuração de camadas e estilos de linha no
ArchiCAD é uma habilidade essencial para o arquiteto que busca produtividade,
clareza na documentação e controle sobre o projeto digital. Esses recursos,
embora muitas vezes considerados detalhes técnicos, têm impacto direto na
qualidade gráfica, na organização do trabalho em equipe e na interoperabilidade
entre softwares e disciplinas.
Em um contexto onde o fluxo de informações é cada vez mais
complexo e colaborativo, dominar os atributos visuais e organizacionais do
modelo BIM é uma prática estratégica. Ao configurar com inteligência as camadas
e os estilos de linha, o profissional não apenas melhora sua comunicação
gráfica, mas também contribui para a eficiência e a precisão de todo o processo
construtivo.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Reference Guide. Disponível
em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• SOARES,
J. C. Desenho Técnico em Ambientes BIM:
práticas com ArchiCAD. São Paulo: Oficina de Textos, 2021.
• SILVA,
A. L. Organização Gráfica e Documentação
no ArchiCAD. São Paulo: Érica, 2022.
• SANTOS,
L. B. BIM e Representação Técnica:
padrões e estratégias de documentação. Rio de Janeiro: LTC, 2023.
A criação e o uso de templates personalizados no ArchiCAD
são práticas essenciais para a padronização de projetos, o aumento da
produtividade e a manutenção da qualidade gráfica e técnica da documentação. Um
template (modelo de projeto) no
ArchiCAD é um arquivo que contém configurações predefinidas de atributos,
estilos, ambientes de trabalho, folhas de desenho, camadas, combinações de
vistas e outros parâmetros fundamentais, servindo como ponto de partida para
novos projetos.
Ao utilizar templates personalizados, o arquiteto ou
escritório garante uniformidade nos projetos, reduz o tempo necessário para
configurações repetitivas e evita inconsistências. O uso inteligente dessa
ferramenta reflete diretamente na eficiência e no desempenho do trabalho com a
plataforma BIM.
No ArchiCAD, um template é salvo com a extensão .tpl e funciona como um “esqueleto” de
projeto, no qual as estruturas fundamentais já estão organizadas. Ele não
contém geometrias específicas de um projeto, mas guarda configurações de
atributos como:
• Camadas
(layers) e combinações de camadas;
• Estilos
de linha, cotas, textos e penas gráficas;
• Layouts
de impressão e selo de pranchas;
• Conjuntos
de vistas e configurações de escalas;
• Ambientes
de trabalho (Work Environment);
• Favoritos
(Favorites), que permitem salvar configurações recorrentes de elementos.
Ao iniciar um novo projeto com base em um template, o
usuário economiza tempo e evita a necessidade de repetir tarefas como ajustar
as unidades de medida, organizar o navegador ou configurar os estilos de
cotagem. Em escritórios com múltiplos profissionais, os templates garantem padronização de entregas, facilitando a
colaboração e a integração dos arquivos.
Os principais benefícios do uso de templates personalizados
incluem:
1. Padronização gráfica e técnica: com um
template, todos os projetos seguem os mesmos padrões de representação gráfica,
escalas, estilos e nomenclaturas, assegurando coerência entre pranchas e
projetos distintos.
2. Agilidade no início do projeto: ao
eliminar a necessidade de configurar o ambiente do zero, o tempo de início e
estruturação do projeto é drasticamente reduzido.
3. Redução de erros: configurações
consistentes minimizam a chance de esquecer ajustes importantes, como a escala
dos layouts, a visibilidade de camadas ou a definição de penas.
4. Compatibilidade e integração: templates
bem configurados favorecem a integração entre disciplinas e facilitam o uso de
arquivos externos (como bibliotecas de objetos, arquivos DWG ou IFC).
5. Adoção de boas práticas: a construção
de templates próprios incentiva a reflexão sobre o fluxo de trabalho e a
estrutura ideal para os projetos, promovendo a melhoria contínua dos processos.
O processo de criação de um template no ArchiCAD envolve os
seguintes passos principais:
1. Criar um projeto base: o usuário deve
iniciar um projeto vazio e configurar todos os atributos desejados, incluindo
camadas, estilos, cotas, vistas, layouts, favoritos e ambientes de trabalho.
2. Remover geometrias específicas: embora
o template possa conter objetos genéricos (como um selo de prancha ou símbolo
de norte), é recomendável não incluir geometrias do projeto anterior para
evitar interferências futuras.
3. Salvar como template: com o projeto
devidamente configurado, deve-se acessar o menu File > Save as... e selecionar o formato ArchiCAD Project Template (.tpl). O template será salvo em uma
pasta específica, que pode ser indicada como padrão pelo usuário.
4. Definir como padrão: no menu Work Environment > Project Preferences
> Startup, o usuário pode definir um template padrão para ser aberto
automaticamente sempre que iniciar um novo projeto.
Essa estrutura pode ser atualizada conforme novas práticas
e necessidades surjam, o que torna o template um recurso dinâmico e em
constante aprimoramento.
Em ambientes corporativos ou acadêmicos, os templates assumem uma função ainda mais relevante, funcionando como padrões organizacionais. Grandes escritórios de arquitetura
Grandes escritórios de arquitetura e
engenharia, por exemplo, criam templates oficiais que todos os colaboradores
devem utilizar, assegurando:
• Unificação
de linguagem visual;
• Redução
de retrabalho na compatibilização de pranchas;
• Facilidade
de treinamento para novos profissionais;
• Controle
de qualidade das entregas técnicas.
Além disso, os templates podem ser armazenados em
servidores internos ou plataformas na nuvem, possibilitando o compartilhamento entre equipes remotas.
Isso é especialmente útil em ambientes BIM colaborativos, nos quais múltiplos
agentes trabalham simultaneamente em diferentes etapas do projeto.
O salvamento de templates personalizados no ArchiCAD é uma
prática estratégica e indispensável para quem deseja profissionalizar seu uso
do software. A configuração adequada de um template proporciona uniformidade,
agilidade e segurança no desenvolvimento de projetos arquitetônicos e
complementares.
Ao estruturar corretamente um template, o profissional não
apenas economiza tempo como fortalece os fundamentos de um processo de trabalho
mais inteligente, padronizado e compatível com as exigências contemporâneas da
construção digital. Em um cenário cada vez mais integrado e colaborativo, os
templates deixam de ser uma conveniência e passam a ser uma ferramenta essencial de organização e
eficiência.
• GRAPHISOFT.
ArchiCAD Reference Guide. Disponível
em: https://graphisoft.com. Acesso em: mai. 2025.
• EASTMAN,
C. et al. BIM Handbook: A Guide to
Building Information Modeling for Owners, Managers, Designers, Engineers, and
Contractors. 3rd ed. Hoboken: Wiley, 2018.
• SANTOS,
L. B. Fluxo de Trabalho BIM: estratégias
práticas com ArchiCAD. Rio de Janeiro: LTC, 2022.
• SILVA,
A. L. Documentação técnica e templates no
ArchiCAD. São Paulo: Érica, 2021.
• GRILO,
A.; JARDIM-GONÇALVES, R. Building
Information
Modeling and Interoperability. Automation in Construction, v. 19, 2010.
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