SERVIÇO DO ASSISTENTE SOCIAL NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA UTI
Características
da UTI como espaço de cuidados críticos
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um setor
especializado dentro do ambiente hospitalar, voltado ao atendimento de
pacientes com quadros clínicos graves, que requerem vigilância constante e
suporte avançado à vida. Por sua própria natureza, a UTI representa um espaço
de intensificação do cuidado e de complexidade tecnológica, onde a equipe de
saúde atua de forma articulada, com protocolos rigorosos e decisões rápidas,
visando à estabilização dos pacientes e à reversão de quadros críticos.
Contudo, esse espaço não se define apenas por suas tecnologias, mas também por
seus desafios éticos, humanos e interprofissionais.
A origem das UTIs remonta ao contexto de desenvolvimento
das técnicas de reanimação e suporte ventilatório, especialmente a partir da
década de 1950, quando avanços na medicina intensiva permitiram a criação de
unidades voltadas exclusivamente ao monitoramento contínuo de pacientes
instáveis. No Brasil, a implantação das UTIs ganhou força a partir dos anos
1970, e hoje elas se configuram como parte essencial da estrutura hospitalar,
sendo reguladas por normas específicas de funcionamento, dimensionamento e recursos
humanos, como as diretrizes estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (ANVISA) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM).
Uma das principais características
da UTI é sua estrutura altamente tecnificada. Os leitos são equipados com
monitores multiparamétricos, ventiladores mecânicos, bombas de infusão,
desfibriladores e diversos dispositivos de suporte hemodinâmico e respiratório.
Essa infraestrutura permite o acompanhamento minuto a minuto dos sinais vitais
dos pacientes e a intervenção imediata diante de qualquer instabilidade. No
entanto, essa concentração de tecnologia exige não apenas qualificação técnica,
mas também sensibilidade humana, pois o paciente em estado crítico muitas vezes
não consegue expressar suas necessidades de forma direta.
Além da tecnologia, a UTI é caracterizada por uma lógica de trabalho intensiva e multiprofissional, envolvendo médicos intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos e assistentes sociais, entre outros. A articulação entre esses profissionais é essencial para a construção de um plano terapêutico integrado, que considere não apenas o quadro clínico, mas também os aspectos emocionais,
sociais, entre outros. A articulação entre esses profissionais é essencial para
a construção de um plano terapêutico integrado, que considere não apenas o
quadro clínico, mas também os aspectos emocionais, sociais e familiares do
paciente. O cuidado na UTI é, portanto, coletivo, compartilhado e
necessariamente interdisciplinar.
Outro aspecto fundamental da UTI é o monitoramento contínuo e a vigilância permanente. O tempo é um
elemento decisivo nesse espaço: os profissionais atuam sob intensa pressão, com
necessidade de respostas rápidas, acompanhamento constante dos parâmetros
clínicos e intervenções imediatas diante de qualquer sinal de deterioração. Tal
dinâmica gera um ambiente de alta tensão e estresse, tanto para a equipe quanto
para os familiares, e exige protocolos bem definidos, gestão eficiente e
suporte emocional aos trabalhadores.
A limitação da
comunicação também é uma característica marcante da UTI. Muitos pacientes
encontram-se sedados, entubados ou com consciência reduzida, o que dificulta a
expressão verbal e a interação. Em consequência, a equipe precisa estar atenta
a sinais não verbais, histórico clínico e informações fornecidas por
familiares. Ao mesmo tempo, a presença desses familiares, quando permitida, é
fundamental para o processo de cuidado, contribuindo para a humanização da
assistência e para o fortalecimento dos vínculos afetivos, que são parte do
processo terapêutico.
O ambiente da UTI impõe ainda desafios éticos e psicológicos complexos, relacionados à terminalidade da
vida, à definição de condutas em situações de prognóstico reservado, à
indicação de medidas invasivas e ao uso proporcional das tecnologias. Dilemas
como a suspensão de tratamentos fúteis, a introdução de cuidados paliativos e a
comunicação de más notícias exigem dos profissionais uma postura ética,
empática e transparente. Nesse cenário, o sofrimento não está presente apenas
nos pacientes, mas também nas famílias e nas equipes, sendo necessário
instituir práticas de acolhimento e suporte psicossocial.
A UTI também é um espaço que reflete desigualdades sociais. O acesso ao leito de terapia intensiva, em muitos casos, está condicionado à capacidade instalada dos hospitais, à disponibilidade de vagas e à lógica de regulação da saúde pública. Em situações de escassez de recursos, a definição de prioridades pode gerar disputas, tensões e sentimentos de injustiça, exigindo critérios técnicos rigorosos e protocolos éticos sólidos. Para os
profissionais do Serviço Social,
esses dilemas se apresentam cotidianamente, especialmente na mediação entre
famílias e instituições, no esclarecimento sobre direitos e na articulação com
redes de apoio externas.
A complexidade da UTI, portanto, não reside apenas em seu
aparato tecnológico, mas na forma como se organiza o cuidado intensivo. O
ambiente demanda não só competência técnica e científica, mas também
compromisso ético, sensibilidade humana e capacidade de diálogo. A UTI é um
espaço onde a vida e a morte se encontram de modo intenso, onde decisões
críticas são tomadas com base em múltiplos fatores e onde o trabalho da equipe
tem implicações profundas na trajetória dos pacientes e de suas famílias.
Em síntese, a Unidade de Terapia Intensiva configura-se
como um espaço de alta complexidade e de múltiplas exigências. Seu
funcionamento envolve aspectos estruturais, humanos e simbólicos, que desafiam
cotidianamente os profissionais de saúde. Ao mesmo tempo, oferece a
oportunidade de um cuidado integral e ético, que valorize tanto a excelência
técnica quanto a dimensão subjetiva do sofrimento e da recuperação. Compreender
essas características é essencial para a formação de profissionais
comprometidos com a vida e com os direitos das pessoas em situações críticas.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 7, de 24 de fevereiro de
2010. Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de
Terapia Intensiva. Diário Oficial da União, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção
e Gestão do SUS: HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
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Intensiva:
aspectos éticos, técnicos e humanos. Brasília: CFM, 2006.
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conceitos, dilemas e práticas. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2006.
MOURA, Adriano. Cuidados intensivos e os desafios éticos da contemporaneidade. Revista Bioética, Brasília, v. 23, n. 1,
p. 97-105, 2015.
FRANÇA, Adriana Ferreira. Atenção humanizada em unidades de terapia intensiva. São Paulo:
Cortez, 2012.
Diferenças
entre UTI adulto, neonatal e pediátrica
A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um ambiente hospitalar altamente especializado, voltado ao atendimento de pacientes em condições clínicas graves que demandam vigilância contínua, intervenções complexas e suporte intensivo à
vida. Contudo, as necessidades dos pacientes em
estado crítico variam significativamente conforme a faixa etária. Por esse
motivo, as UTIs são organizadas em diferentes categorias: UTI adulto, UTI neonatal
e UTI pediátrica. Cada uma possui
características específicas relacionadas à estrutura física, à equipe
multiprofissional, aos protocolos clínicos e aos recursos tecnológicos,
refletindo as particularidades anatômicas, fisiológicas, patológicas e
emocionais de seus respectivos pacientes.
UTI
adulto
A UTI adulto é destinada a pacientes com 18 anos ou mais,
que se encontram em situação de risco iminente de morte, com falência ou ameaça
de falência de um ou mais sistemas orgânicos. Os principais motivos de
internação nesse tipo de unidade incluem infarto agudo do miocárdio, acidente
vascular cerebral (AVC), sepse, insuficiência respiratória, politraumatismos,
complicações pós-operatórias e doenças crônicas descompensadas. Os pacientes
geralmente são conscientes, embora, em muitos casos, possam ser sedados ou
entubados em função da gravidade do quadro clínico.
A abordagem na UTI adulto envolve um monitoramento rigoroso dos sinais vitais, suporte ventilatório, manejo de drogas vasoativas, hemodiálise, nutrição enteral ou parenteral, entre outros procedimentos invasivos. A comunicação com o paciente pode ocorrer, dependendo de seu nível de consciência, e a atuação da equipe multiprofissional é orientada por protocolos bem estabelecidos que visam à estabilidade hemodinâmica e à prevenção de complicações secundárias, como infecções hospitalares, úlceras por pressão e delírio.
UTI
neonatal
A UTI neonatal é voltada ao cuidado de recém-nascidos
prematuros, de baixo peso ou que apresentam doenças congênitas, infecções,
problemas respiratórios ou complicações obstétricas. Trata-se de um ambiente
altamente sensível e tecnificado, que exige adaptações rigorosas tanto do ponto
de vista clínico quanto ético. Os pacientes são extremamente vulneráveis, e
pequenos desequilíbrios podem ter consequências graves para sua sobrevivência e
desenvolvimento.
As principais indicações de internação na UTI neonatal incluem síndrome do desconforto respiratório do recém-nascido, sepse neonatal, icterícia grave, asfixia perinatal, malformações congênitas, entre outras. A assistência envolve controle térmico rigoroso, suporte ventilatório com equipamentos específicos para neonatos, nutrição por sonda, controle da dor e estimulação sensorial adequada. A
fragilidade dos pacientes exige um cuidado
minucioso e contínuo, com atenção especial aos parâmetros de crescimento e
desenvolvimento neurológico.
A presença da família é um componente essencial da
assistência neonatal, e políticas de acolhimento
e cuidado centrado na família são incentivadas, incluindo o método canguru
e a livre visita dos pais. A comunicação deve ser contínua, empática e
acessível, visto que os familiares enfrentam intenso sofrimento emocional,
sentimentos de impotência e medo quanto ao futuro dos recém-nascidos.
UTI
pediátrica
A UTI pediátrica atende crianças que, embora mais
desenvolvidas que os neonatos, ainda apresentam características fisiológicas
próprias que as distinguem dos adultos. As faixas etárias atendidas geralmente
compreendem desde os 29 dias de vida até os 14 anos, podendo variar conforme as
normas institucionais. As causas de internação são variadas e incluem infecções
graves, insuficiência respiratória aguda, doenças cardíacas congênitas,
complicações pós-operatórias, traumas e intoxicações.
Um dos grandes desafios da UTI pediátrica é a comunicação.
A criança nem sempre consegue expressar com clareza o que sente, o que exige da
equipe sensibilidade e técnicas adequadas de abordagem. Além disso, o cuidado
envolve não apenas o controle clínico da doença, mas também a atenção às
necessidades emocionais e psicossociais da criança e de sua família.
Brinquedotecas, musicoterapia e acompanhamento psicológico são estratégias
frequentemente utilizadas para minimizar o sofrimento e promover o bem-estar durante
a internação.
A presença dos pais ou responsáveis é estimulada e, sempre
que possível, um dos cuidadores é autorizado a permanecer junto à criança,
inclusive em situações de cuidados intensivos. Essa convivência reduz o
estresse, melhora a adesão ao tratamento e fortalece os vínculos familiares.
Comparações
e implicações práticas
Do ponto de vista organizacional, todas as UTIs devem
contar com equipe multiprofissional especializada, com formação específica para
cada faixa etária. Médicos intensivistas, enfermeiros, fisioterapeutas,
nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais integram a equipe, sendo que o
perfil de atuação varia conforme a unidade. A estrutura física também é
adaptada: os leitos neonatais e pediátricos, por exemplo, requerem equipamentos
de menor escala, controle térmico refinado e mobiliário ergonômico para cuidadores
e profissionais.
Os protocolos de segurança
protocolos de segurança e assistência devem levar em
conta as especificidades imunológicas, farmacológicas e emocionais de cada
grupo. A administração de medicamentos, por exemplo, exige atenção redobrada em
neonatos e crianças, devido à imaturidade hepática e renal. Da mesma forma, as
práticas de humanização e acolhimento familiar precisam ser intensificadas nas
UTIs pediátricas e neonatais, considerando a fragilidade dos pacientes e o
sofrimento psíquico das famílias.
Além disso, a perspectiva ética é central nas três
modalidades. A tomada de decisão diante de casos graves, a definição de
limitações terapêuticas e a comunicação de más notícias demandam preparo
técnico e sensibilidade humana. A intermediação da equipe psicossocial,
especialmente do Serviço Social, é indispensável para garantir o direito à
informação, o respeito à autonomia familiar e a articulação com redes de apoio
e políticas públicas.
Em suma, as diferenças entre UTI adulto, neonatal e
pediátrica são fundamentais para a organização dos serviços de saúde e para a
qualificação do cuidado prestado. Compreender essas especificidades permite
intervenções mais eficazes, respeitosas e humanizadas, fortalecendo o
compromisso do SUS com o cuidado integral e equitativo à saúde em todas as
fases da vida.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Diretrizes de Atenção à Saúde Neonatal. Brasília: Ministério da
Saúde, 2011.
BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução RDC nº 7, de 24 de fevereiro de
2010. Dispõe sobre os requisitos mínimos para funcionamento de Unidades de
Terapia Intensiva. Diário Oficial da União, 2010.
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção
e Gestão do SUS: HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
CAMPOS, Geisa de Albuquerque et al. Cuidados intensivos em neonatologia: práticas e desafios. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73,
n. 6, p. e20190557, 2020.
SILVA, Maria Clara Dias da; OLIVEIRA, Carla Lúcia Ferreira
de. Atenção à criança em terapia
intensiva: considerações éticas e psicossociais. Psicologia em Revista, v. 21, n. 3, p. 531–547, 2015.
ZAGONEL, Ivanete. UTI pediátrica: desafios da prática interdisciplinar e humanizada.
São Paulo: Martinari, 2014.
O trabalho em equipe multiprofissional no hospital
O ambiente hospitalar contemporâneo caracteriza-se por uma complexidade crescente nas demandas assistenciais, exigindo não apenas a excelência técnica de
cada especialidade, mas também a articulação efetiva
entre diferentes saberes e práticas profissionais. Neste cenário, o trabalho em equipe multiprofissional se
consolida como uma estratégia essencial para a promoção de cuidados integrais,
humanizados e eficientes, respondendo à complexidade dos processos de
saúde-doença e à pluralidade de necessidades dos pacientes.
A multiprofissionalidade pressupõe a convivência e a
colaboração entre profissionais de diferentes áreas do conhecimento, como
médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, psicólogos,
nutricionistas, farmacêuticos, terapeutas ocupacionais, entre outros. Cada um
desses profissionais contribui com sua formação e perspectiva específica, sendo
corresponsável pelo planejamento e execução do cuidado. A ideia central é que o
cuidado à saúde não se limita a uma intervenção isolada, mas requer uma abordagem
ampla, interdisciplinar e centrada na pessoa.
O trabalho multiprofissional nos hospitais tem como
premissa o princípio da integralidade,
um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS), que compreende o sujeito em sua
totalidade biológica, psicológica e social. Assim, não se trata apenas de
tratar a doença, mas de considerar os contextos familiares, culturais e sociais
em que o paciente está inserido. Para isso, é necessário que as ações dos
diversos profissionais não sejam fragmentadas ou hierarquizadas, mas
articuladas de modo colaborativo, horizontal e dialógico.
Apesar de seu potencial, o trabalho em equipe
multiprofissional enfrenta desafios significativos no cotidiano hospitalar. Um
dos principais obstáculos é a prevalência
de uma lógica hierárquica, muitas vezes centrada na figura do médico, que
pode limitar a escuta e a participação efetiva de outros profissionais no
processo de decisão. Tal configuração dificulta a construção de um cuidado
compartilhado e pode gerar conflitos ou sobreposição de funções, comprometendo
a qualidade da assistência.
Outro entrave comum é a falta de espaços formais para discussão coletiva, como reuniões
clínicas, grupos de estudos ou comissões intersetoriais, que possibilitem o
planejamento integrado das ações. Em muitos hospitais, o excesso de demanda e a
sobrecarga de trabalho inviabilizam o tempo necessário para o diálogo entre as
equipes, reduzindo o trabalho conjunto a interações pontuais e operacionais. A
ausência de protocolos integrados e de fluxos bem definidos também contribui
para a desarticulação das ações.
Além disso, há o desafio da formação profissional fragmentada, em que os cursos de graduação e
especialização ainda priorizam o conhecimento técnico específico de cada área,
com pouco incentivo à prática interdisciplinar e à construção coletiva do
saber. A superação desse modelo requer mudanças estruturais nos processos
formativos, que valorizem a comunicação, o trabalho em equipe, a ética do
cuidado e o reconhecimento da complexidade dos problemas de saúde.
Apesar desses desafios, existem experiências bem-sucedidas de atuação multiprofissional em
hospitais, especialmente em contextos como unidades de terapia intensiva,
centros de reabilitação, serviços de cuidados paliativos e enfermarias de longa
permanência. Nesses espaços, a construção de planos terapêuticos singulares, a
escuta ativa entre os profissionais, a inclusão da família no cuidado e a
utilização de reuniões clínicas como ferramenta de planejamento são estratégias
que favorecem a efetividade e a humanização da assistência.
No caso do assistente
social, sua inserção nas equipes multiprofissionais tem como foco principal
a articulação entre as dimensões clínicas e sociais do cuidado. Cabe a esse
profissional identificar situações de vulnerabilidade social, orientar usuários
e familiares quanto a direitos e recursos disponíveis, mediar conflitos,
encaminhar para redes externas de proteção e contribuir para a continuidade do
cuidado após a alta. Sua atuação, quando reconhecida e integrada, enriquece a
leitura da realidade do paciente e amplia as possibilidades de intervenção.
É importante destacar que o trabalho multiprofissional bem
estruturado favorece não apenas o usuário, mas também os próprios
profissionais, promovendo maior satisfação no trabalho, redução de conflitos,
fortalecimento de vínculos e aprimoramento das práticas. A corresponsabilização
no cuidado e o reconhecimento do valor de cada profissão contribuem para um
ambiente hospitalar mais ético, democrático e eficiente.
Por fim, a ética da
colaboração é um elemento central no trabalho em equipe multiprofissional.
Isso implica o reconhecimento do outro como sujeito de saber e de prática, o
respeito às competências de cada profissão, a disposição para o diálogo e a
construção de soluções conjuntas. Trata-se de uma postura que deve ser
cultivada no cotidiano, a partir de valores como solidariedade, escuta, empatia
e compromisso com o bem comum.
Em síntese, o trabalho em equipe multiprofissional no hospital é
uma condição indispensável para a efetivação de uma atenção
integral, humanizada e de qualidade. Embora enfrente desafios institucionais,
culturais e formativos, ele representa um caminho necessário para a superação
da fragmentação do cuidado e para a construção de uma prática em saúde mais
sensível às necessidades reais da população.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção
e Gestão do SUS: HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
CECCIM, Ricardo B.; FERLA, Alcindo A. Educação interprofissional e prática colaborativa em saúde. Interface – Comunicação, Saúde, Educação,
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CAMPOS, Gastão Wagner de Sousa. Um método para análise e co-gestão de
coletivos: a constituição do sujeito, a produção do plano e a saúde coletiva.
São Paulo: Hucitec, 2000.
AYRES, José Ricardo de Carvalho Mesquita. Cuidado: trabalho e interação nas práticas
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Rio de Janeiro: IMS/UERJ, 2004.
BRAVO, Maria Inês Souza (Org.). Serviço Social e Saúde: formação e trabalho profissional. São
Paulo: Cortez, 2009.
O lugar do assistente social na composição da equipe
A inserção do assistente social na equipe multiprofissional
hospitalar representa um avanço importante no reconhecimento das múltiplas
dimensões envolvidas no processo saúde-doença. Sua atuação vai além do apoio
eventual ao paciente: ela se estrutura como parte essencial da abordagem
integral à saúde, contribuindo para a construção de respostas mais amplas,
equitativas e humanizadas às demandas da população atendida.
No modelo de atenção à saúde proposto pelo Sistema Único de
Saúde (SUS), orientado pelos princípios da universalidade, integralidade e
equidade, a atuação em equipe é compreendida como condição necessária para a
promoção de um cuidado que reconheça a complexidade dos sujeitos. Nesse
contexto, o assistente social exerce funções que dialogam diretamente com a
dimensão social da assistência, articulando direitos, políticas públicas, rede
de proteção e aspectos subjetivos da vivência do adoecimento.
O lugar ocupado por esse profissional na equipe de saúde é resultado de um processo histórico e político. Durante muito tempo, o hospital foi concebido como um espaço exclusivamente biomédico, centrado na doença e na intervenção técnica. A partir da redemocratização do país e da consolidação do SUS,
lugar ocupado por esse profissional na equipe de saúde é
resultado de um processo histórico e político. Durante muito tempo, o hospital
foi concebido como um espaço exclusivamente biomédico, centrado na doença e na
intervenção técnica. A partir da redemocratização do país e da consolidação do
SUS, a visão ampliada de saúde passou a incorporar outros saberes e práticas,
entre eles o Serviço Social. A Constituição Federal de 1988 e a Lei Orgânica da
Saúde (Lei nº 8.080/1990) reforçaram a importância de uma abordagem
interdisciplinar e da presença de profissionais que atuem também sobre os
determinantes sociais do processo saúde-doença.
A atuação do assistente social está fundamentada no projeto
ético-político da profissão, que tem como eixo central a defesa dos direitos
humanos, a luta contra as desigualdades e o fortalecimento da cidadania. No
cotidiano hospitalar, isso se traduz em ações de acolhimento, escuta
qualificada, orientação sobre direitos, articulação com a rede
socioassistencial, elaboração de pareceres sociais, mediação de conflitos,
acompanhamento de pacientes em situação de vulnerabilidade e apoio a familiares
em contextos críticos.
A presença do assistente social é particularmente relevante
em situações que envolvem a quebra de vínculos familiares, negligência,
violência, pobreza extrema, ausência de documentação, falta de moradia, entre
outras expressões da questão social que impactam diretamente o tratamento e a
recuperação do paciente. Ao mapear essas condições e buscar soluções
institucionais ou intersetoriais, o profissional contribui para que o cuidado
não se limite ao atendimento clínico, mas se estenda às condições de vida e sobrevivência
do indivíduo.
Na composição da equipe multiprofissional, o assistente
social também exerce um papel pedagógico, na medida em que sensibiliza os
demais profissionais sobre as condições sociais dos usuários e sobre os limites
objetivos que enfrentam para aderir aos tratamentos propostos. Sua mediação
favorece uma compreensão mais ampla e empática dos desafios enfrentados pelos
pacientes e suas famílias, contribuindo para a construção de planos
terapêuticos mais realistas, viáveis e inclusivos.
Entretanto, o reconhecimento desse lugar nem sempre é pacífico ou consolidado. Muitas vezes, o Serviço Social ainda é compreendido como uma instância auxiliar, voltada apenas à realização de encaminhamentos ou à entrega de benefícios materiais. Esse reducionismo desconsidera a
complexidade teórico-metodológica
que sustenta a prática profissional, bem como o potencial analítico e
propositivo do assistente social dentro da equipe. Superar essa visão implica
investir em processos de formação continuada, visibilidade
institucional e valorização do trabalho
interdisciplinar.
Outro
desafio diz respeito à disputa de
espaços e saberes dentro da equipe, especialmente em contextos onde a
lógica biomédica ainda prevalece. A construção de um trabalho coletivo exige
respeito mútuo, reconhecimento da legitimidade dos diferentes saberes e
disposição para o diálogo. A interdisciplinaridade, mais do que a simples
justaposição de funções, pressupõe a integração entre os profissionais com base
na corresponsabilidade pelo cuidado e na ética da colaboração.
O Código de Ética do Assistente Social, em consonância com
as diretrizes do SUS, reforça que a atuação profissional deve estar
comprometida com a qualidade dos serviços prestados, com a ampliação da
cidadania e com a superação das desigualdades. Isso significa que o lugar do
assistente social na equipe não pode ser entendido como subordinado ou
acessório, mas como essencial à efetivação de uma atenção integral à saúde, que
considere o ser humano em sua totalidade.
A atuação junto à equipe também se expressa na participação
em comissões hospitalares, reuniões clínicas, discussões de caso, elaboração de
protocolos e ações educativas. Nessas instâncias, o assistente social contribui
com seu olhar crítico e com sua capacidade de articular informações clínicas,
sociais e institucionais, ampliando as possibilidades de intervenção e
qualificação do cuidado.
Portanto, o lugar do assistente social na equipe
multiprofissional hospitalar é de protagonismo técnico, político e ético. Sua
presença agrega valor à equipe, amplia as formas de compreender o sofrimento
humano e fortalece a missão pública do hospital como espaço de cuidado,
acolhimento e defesa da vida. Em tempos de crise sanitária, retrocesso de
direitos e precarização das políticas públicas, esse lugar torna-se ainda mais
estratégico, reafirmando o compromisso do Serviço Social com uma saúde universal,
humanizada e socialmente referenciada.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
BRASIL. Lei nº
8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para a
promoção, proteção e recuperação da saúde. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L8080.htm
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (CFESS). Código de
Ética
Profissional do Assistente Social. Brasília: CFESS, 2012.
BRAVO, Maria Inês Souza (Org.). Serviço Social e Saúde: formação e trabalho profissional. São
Paulo: Cortez, 2009.
IAMAMOTO, Marilda Vilela. Serviço Social em tempo de capital fetiche:
capital financeiro, trabalho e questão social. São Paulo: Cortez, 2008.
PINHEIRO, Roseni; MATTOS, Ruben A. (Orgs.). Cuidado: as fronteiras da integralidade.
Rio de Janeiro: IMS/UERJ, 2004.
Estratégias de escuta e mediação de conflitos
A escuta e a mediação de conflitos configuram-se como
ferramentas essenciais em ambientes institucionais, especialmente naqueles
voltados ao cuidado, como hospitais, centros de atenção psicossocial, unidades
de acolhimento e equipamentos de assistência social. A atuação de profissionais
capacitados para lidar com situações de tensão, divergência e sofrimento exige
preparo técnico, sensibilidade ética e domínio de estratégias comunicacionais
que favoreçam o diálogo, a compreensão mútua e a busca por soluções pacíficas e
coletivas.
A escuta é,
antes de tudo, uma atitude ética. Trata-se de uma prática que ultrapassa a
simples recepção de informações e que se constrói como espaço de acolhimento da
fala do outro, com respeito, atenção e reconhecimento. Na perspectiva do
cuidado humanizado e integral, a escuta não se reduz a uma técnica, mas implica
disposição genuína para compreender o sujeito em sua singularidade,
considerando suas emoções, experiências e contextos de vida.
Na escuta qualificada, a postura do profissional deve estar
orientada por valores como empatia, não julgamento e confidencialidade. É
fundamental criar um ambiente seguro e respeitoso, em que o indivíduo se sinta
autorizado a expressar suas angústias, medos e conflitos sem o temor de ser
recriminado ou desacreditado. Para tanto, o profissional deve evitar
interrupções desnecessárias, estar atento à linguagem verbal e não verbal e
respeitar os silêncios, que muitas vezes carregam conteúdos significativos.
A escuta ativa e qualificada é uma das bases para a mediação de conflitos, prática que visa restabelecer o diálogo entre partes em divergência e facilitar a
construção de
acordos, por meio da intervenção de um terceiro imparcial, que atua como
facilitador do processo comunicacional. A mediação é amplamente utilizada em
contextos familiares, escolares, comunitários e institucionais, sendo também
reconhecida como uma prática importante no campo da saúde e da assistência
social.
No contexto hospitalar, por exemplo, conflitos podem surgir
entre usuários e profissionais, entre familiares, dentro das equipes de
trabalho ou mesmo entre gestores e trabalhadores. As causas são múltiplas:
expectativas frustradas, falhas na comunicação, dificuldades na tomada de
decisões, sobrecarga emocional e tensões éticas diante de situações críticas.
Nesses cenários, a mediação aparece como estratégia para promover a escuta
recíproca, diminuir hostilidades e construir soluções compartilhadas, com foco
na preservação dos vínculos e no respeito às diferentes posições envolvidas.
O processo de mediação requer, inicialmente, identificação clara do conflito e das
partes envolvidas, seguida do estabelecimento de um espaço protegido e
conduzido por um profissional qualificado, que possa garantir a neutralidade e
facilitar o diálogo. Algumas estratégias são essenciais nesse percurso: a
escuta ativa de cada parte, a reformulação de falas com linguagem neutra, a
identificação de pontos de convergência, o estímulo à empatia e à
responsabilização mútua, e a busca por soluções concretas e possíveis, sem
imposições.
O assistente social,
em particular, possui importante papel como mediador, uma vez que seu projeto
ético-profissional está fundamentado na promoção da justiça social, na defesa
dos direitos humanos e na valorização do diálogo democrático. Sua formação o
habilita a atuar em situações de conflito com base na análise crítica da
realidade social e no compromisso com a transformação das relações desiguais e
opressoras. No campo da saúde, por exemplo, o profissional é frequentemente
chamado a intermediar decisões sobre cuidados com pacientes em situações
críticas, a orientar famílias em situações de sofrimento e a articular serviços
diante de impasses institucionais.
A mediação de conflitos, no entanto, não deve ser entendida como uma forma de neutralizar os conflitos sociais, mas como uma possibilidade de lidar com eles de forma construtiva. O conflito é parte inerente das relações humanas e, quando bem manejado, pode se transformar em oportunidade de crescimento, reorganização institucional e fortalecimento de vínculos
mediação de conflitos, no entanto, não deve ser entendida
como uma forma de neutralizar os conflitos sociais, mas como uma possibilidade
de lidar com eles de forma construtiva. O conflito é parte inerente das
relações humanas e, quando bem manejado, pode se transformar em oportunidade de
crescimento, reorganização institucional e fortalecimento de vínculos sociais.
É importante destacar que tanto a escuta quanto a mediação
exigem condições objetivas para seu desenvolvimento. Espaços físicos adequados,
tempo institucional destinado ao diálogo e valorização institucional dessas
práticas são elementos fundamentais para que essas estratégias se efetivem. A
ausência desses elementos compromete a qualidade da intervenção e pode reforçar
a invisibilidade dos conflitos e o adoecimento emocional dos sujeitos
envolvidos.
Por fim, a escuta e a mediação não devem ser vistas como
estratégias isoladas, mas integradas às políticas públicas e às práticas
institucionais de cuidado, acolhimento e cidadania. Sua eficácia está
diretamente ligada à ética profissional, ao preparo técnico e à disposição de
promover relações mais justas, respeitosas e humanizadas nos diversos espaços
de atuação profissional.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização da Atenção
e Gestão do SUS: HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
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SPENGLER, Fabiana Marion. Mediação e Serviço Social: interfaces e
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Social & Sociedade, n. 100, p. 689–705, 2009.
CAMPOS, Rosângela de Almeida. A escuta no serviço social: fundamentos
éticos e técnicos da relação profissional. São Paulo: Cortez, 2014.
DESLANDES, Suely Ferreira. Humanização dos cuidados em saúde: conceitos, dilemas e práticas.
Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2006.
Apoio emocional e orientação sobre direitos e serviços
No contexto hospitalar e nos demais espaços de atenção à saúde e à assistência social, o apoio emocional e a orientação sobre direitos e serviços se configuram como práticas essenciais para garantir um cuidado integral, humanizado e socialmente referenciado. Tais ações são fundamentais para o enfrentamento do sofrimento, a promoção da
dignidade humana e o acesso
efetivo às políticas públicas por parte dos usuários em situação de
vulnerabilidade.
O apoio emocional
refere-se ao conjunto de estratégias e atitudes profissionais voltadas ao
acolhimento do sofrimento psíquico e à criação de um espaço seguro para a
expressão de sentimentos como medo, angústia, raiva, incerteza, tristeza e
luto. Em ambientes como hospitais, unidades de pronto atendimento ou centros de
reabilitação, é comum que usuários e seus familiares enfrentem situações de
intenso estresse emocional, seja pelo agravamento de uma condição clínica, pela
internação prolongada, por diagnósticos graves ou por conflitos familiares.
Nesse sentido, o acolhimento sensível e empático por parte
dos profissionais de saúde, inclusive os assistentes sociais, psicólogos e
enfermeiros, torna-se um diferencial na qualidade da atenção. O apoio emocional
não exige apenas escuta, mas também a capacidade de reconhecer a dor do outro,
respeitar seus limites e valores, evitar julgamentos e, sempre que possível,
oferecer conforto simbólico, esclarecimentos e presença ética.
É importante destacar que o sofrimento emocional nem sempre
é patológico, mas constitui uma reação legítima e humana a experiências de
crise. Portanto, nem todo sofrimento exige intervenção clínica especializada,
como o encaminhamento à psicoterapia ou uso de medicação. Muitas vezes, o
simples fato de ser ouvido e respeitado já proporciona alívio e restaura o
senso de dignidade e controle sobre a própria vida. O apoio emocional, nesses
casos, tem caráter preventivo, educativo e restaurador, sendo uma prática
interprofissional que perpassa todas as etapas do cuidado.
Ao lado do acolhimento subjetivo, a orientação sobre direitos e serviços ocupa um papel estratégico na
promoção da cidadania e no enfrentamento das desigualdades sociais. A
informação qualificada é uma ferramenta de empoderamento, pois permite que os
sujeitos conheçam e reivindiquem os direitos que lhes são assegurados pela legislação,
como acesso a benefícios assistenciais, previdenciários, programas de saúde,
políticas habitacionais, serviços de proteção e apoio psicossocial.
No campo da saúde, o assistente social desempenha papel central nesse processo. Com formação voltada para a análise crítica da realidade social e o domínio das políticas públicas, o profissional atua como mediador entre o usuário e o sistema de proteção social, identificando necessidades, mapeando recursos, promovendo
desempenha papel central nesse processo. Com formação voltada para a
análise crítica da realidade social e o domínio das políticas públicas, o
profissional atua como mediador entre o usuário e o sistema de proteção social,
identificando necessidades, mapeando recursos, promovendo encaminhamentos e
articulando a rede intersetorial de atendimento. Em situações de alta
hospitalar, por exemplo, é comum que o assistente social oriente o paciente
sobre continuidade do tratamento, fornecimento de medicamentos, obtenção de
transporte para reabilitação, retorno às consultas e solicitação de benefícios
como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Além disso, a orientação pode se estender à garantia de
direitos de grupos específicos, como pessoas com deficiência, idosos, mulheres
vítimas de violência, crianças em situação de risco, pacientes em situação de
rua, migrantes e famílias em extrema pobreza. Para cada uma dessas situações,
existem serviços e normativas específicas, que o profissional deve conhecer e
aplicar de forma ética, respeitosa e contextualizada.
Cabe destacar que o acesso à informação é um direito
fundamental, previsto na Constituição Federal de 1988 e em diversas legislações
específicas, como o Estatuto do Idoso, o Estatuto da Criança e do Adolescente,
a Lei Maria da Penha, entre outras. A ausência de informação adequada configura
uma forma de negligência institucional e pode comprometer o acesso à justiça, à
saúde e à assistência social. Assim, a orientação técnica, além de constituir
um dever profissional, é também um instrumento de promoção da equidade e do
fortalecimento da cidadania.
O desafio, entretanto, está na concretização desses direitos em meio a contextos de precarização das
políticas públicas, escassez de recursos, burocracia excessiva e
desinformação generalizada. Muitos usuários não conseguem acessar os benefícios
que lhes são garantidos por falta de documentação, de transporte, de
atendimento ou mesmo por medo e vergonha de reivindicar. Por isso, a orientação
deve ser feita de forma clara, acessível, livre de jargões técnicos e com
respeito ao tempo de compreensão de cada sujeito.
Outro ponto importante é o caráter articulado entre o apoio emocional e a orientação sobre direitos. Não se trata de ações isoladas ou excludentes. Ao contrário, muitas vezes o sofrimento emocional está diretamente relacionado à exclusão social, à violência estrutural ou à ausência de respostas institucionais adequadas. Assim,
oferecer escuta sem encaminhamentos ou dar informações sem
acolhimento pode reduzir a eficácia da intervenção. A prática profissional
ética e qualificada deve integrar essas duas dimensões, respeitando a
subjetividade do usuário e buscando respostas concretas para suas demandas.
Em suma, o apoio emocional e a orientação sobre direitos e
serviços são práticas interdependentes e essenciais para a efetivação de uma
atenção integral à saúde e ao bem-estar dos sujeitos. Essas estratégias não
exigem apenas técnica, mas também postura ética, sensibilidade social e
compromisso com a promoção da dignidade humana. Ao reconhecer o sofrimento do
outro e oferecer instrumentos para seu enfrentamento, os profissionais de saúde
e assistência social fortalecem não apenas o cuidado individual, mas também a
construção de uma sociedade mais justa, informada e solidária.
Referências
Bibliográficas
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
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e Gestão do SUS: HumanizaSUS. Brasília: Ministério da Saúde, 2004.
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Profissional do Assistente Social. Brasília: CFESS, 2012.
MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. São
Paulo: Hucitec, 2010.
SILVA, Maria Lúcia. Acolhimento
e escuta no cotidiano dos serviços de saúde. In: PINHEIRO, Roseni; MATTOS,
Ruben A. (Orgs.). Cuidado: as fronteiras
da integralidade. Rio de Janeiro: IMS/UERJ, 2004.
BRAVO, Maria Inês Souza (Org.). Serviço Social e Saúde: formação e trabalho profissional. São Paulo: Cortez, 2009.
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