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Japonês Intermediário

 JAPONÊS INTERMEDIÁRIO

 

Módulo 3 — Entender e soar natural: explicação, ênfase e “cara de japonês”


Aula 1 — 〜んです (explicar com contexto)

 

           Tem uma sensação muito comum em quem estuda japonês: você aprende um monte de vocabulário, sabe montar frases corretas, mas ainda assim, quando conversa com alguém, parece que está falando “seco”, como se estivesse apenas jogando informações na mesa. E muitas vezes é exatamente isso que acontece. No japonês, não basta dizer o que aconteceu; é importante mostrar por que você está dizendo aquilo, qual é o contexto, qual é a intenção por trás da frase. E uma das ferramentas mais simples e poderosas para isso é a estrutura 〜んです (informal: 〜んだ).

           A primeira coisa para entender é que 〜んです não é uma “gramática difícil”. Ela é, na verdade, um recurso de conversa extremamente humano. Sabe quando, em português, você diz “É que…” ou “Sabe o que foi?” antes de explicar algo? Ou quando você fala “Então…” e naturalmente começa a justificar? Em japonês, 〜んです muitas vezes faz esse papel. Ela transforma uma frase que seria apenas “informação” em uma frase com tom de explicação, como se você estivesse abrindo um pequeno espaço para o outro entender melhor.

Por exemplo, compare estas duas frases:

  • 今日は行けません。
  • 今日は行けないんです。

           As duas significam “Hoje não posso ir”, mas a segunda tem um efeito diferente. A primeira pode soar como uma negativa direta, fechada. A segunda soa como “Hoje não posso… sabe, é que…”. Mesmo que você não diga o motivo depois, a frase já sugere que existe uma razão. E isso é muito japonês: a língua cria pequenos sinais de que você está sendo cuidadoso, que não está simplesmente cortando o assunto.

           Outra situação bem comum é quando alguém te pergunta “O que aconteceu?” ou “Por que você está assim?”. Em japonês, a pergunta com 〜んです aparece com frequência: どうしたんですか (“O que aconteceu?”). Essa forma transmite interesse e abre espaço para explicação. Se a pessoa perguntasse どうしましたか também seria correto, mas o んです dá um clima mais “me conta o contexto”, mais acolhedor. É como se a conversa dissesse: “Eu quero entender, não só saber o fato.”

           Uma boa forma de enxergar 〜んです é pensar que ele “puxa” a frase para o lado da narrativa. Ele liga o que você está dizendo com a situação presente. Por isso, ele aparece muito quando você está justificando atrasos, dando motivos, explicando problemas, respondendo com um pouco mais de delicadeza. Imagine alguém dizendo

“Desculpa, cheguei tarde”. Você pode dizer 遅れました (cheguei atrasado), mas 遅れたんです fica mais natural em muitos contextos, porque parece “Olha… eu me atrasei, sabe?”. E se você continuar, a frase encaixa perfeitamente: 道が混んでいたんです (“É que a estrada estava congestionada”).

           E aqui entra uma parte importante: 〜んです combina muito bem com explicações, mas também pode aparecer quando você quer “apresentar” um assunto. Por exemplo, se alguém te vê com um livro e pergunta o que você está fazendo, você pode dizer 日本語を勉強しています (“Estou estudando japonês”). Está correto. Mas 日本語を勉強しているんです soa mais conversacional, como quem está abrindo a história: “Eu tô estudando japonês, sabe…”. Muitas vezes, isso convida o outro a perguntar mais, continuar o papo, se interessar. É por isso que essa estrutura é tão útil: ela não só melhora sua frase, ela melhora a interação.

           No nível de forma, a estrutura muda um pouco dependendo da polidez. No informal, você verá 〜んだ. No polido, 〜んです. E geralmente o que vem antes do é a forma “simples” da frase. Por exemplo: 行けないんです (a forma simples “行けない” + んです). Isso pode parecer estranho no início, porque você mistura “simples” com “polido”, mas é normal e muito comum: a parte antes do funciona como o conteúdo, e o です funciona como a etiqueta de educação.

           Agora, um cuidado: muitos alunos tentam usar 〜んです em qualquer frase e acabam deixando tudo com um tom “explicativo demais”, como se estivessem se justificando o tempo todo. O segredo está em entender a intenção. Se você está apenas informando um fato neutro, nem sempre precisa. Mas se você está respondendo a algo, dando contexto, suavizando uma negativa, ou iniciando uma explicação, 〜んです é quase perfeito.

           Vamos transformar isso em prática com uma imagem simples: pense em duas portas. A frase sem んです é uma porta que fecha rápido. A frase com んです é uma porta que fecha devagar e deixa uma frestinha de luz — o suficiente para o outro entender que existe contexto e, se quiser, pode perguntar mais. Para soar natural em japonês, muitas vezes você quer exatamente essa “fresta”.

           Para treinar, um exercício excelente é pegar frases muito diretas e torná-las mais conversacionais com んです, como se você estivesse falando com um colega ou professor e quisesse manter um tom gentil. Por exemplo: “Não posso hoje”, “Estou ocupado”, “Cheguei tarde”, “Não entendi”. Em japonês: 今日は無理です今日は無理なんです; 忙しいです忙しいんです; わかりませんわからないんです. Depois, complete com uma

explicação curta: 仕事が多くて (“porque tenho muito trabalho…”). Isso faz você sentir a função real da estrutura.

           No fim, dominar 〜んです é como aprender uma “respiração” do japonês. Ele coloca humanidade na frase. Ele mostra consideração. Ele faz sua fala parecer menos mecânica e mais viva. E quando você começa a usar isso bem, as pessoas percebem que você não está só falando japonês — você está conversando em japonês.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.


Aula 2 — 〜てしまう: quando “aconteceu sem querer” e “terminei de vez” usam a mesma roupa

 

           Quase todo estudante de japonês tem um momento em que pensa: “Ué… por que essa expressão aparece tanto?”. Você está lendo um diálogo, assistindo a um anime, ouvindo alguém contar o dia, e de repente lá está ela: 〜てしまう. Às vezes parece arrependimento (“acabei fazendo”), às vezes parece acidente (“sem querer”), e outras vezes parece simplesmente conclusão (“terminei de vez”). A boa notícia é que tudo isso faz sentido. A melhor notícia é que, quando você entende 〜てしまう, seu japonês fica muito mais natural, porque você ganha uma forma simples de falar sobre coisas que… bem… acontecem na vida real.

           Para começar, vamos pensar na sensação que 〜てしまう costuma carregar. Em português, a gente tem várias maneiras de dizer isso: “acabei fazendo”, “quando vi, já foi”, “sem querer”, “infelizmente”, “poxa, fiz”. A estrutura 〜てしまう funciona como um “pacote” que carrega esse clima. E ela aparece em situações cotidianas: dormir sem querer, esquecer uma tarefa, perder algo, mandar uma mensagem errada, comer demais. Se você já viveu qualquer dia normal, você já tem material de sobra para usar essa gramática.

           Um exemplo clássico é: 寝てしまった. A tradução mais natural seria “Acabei dormindo” — aquela soneca que não estava no plano, mas aconteceu. Repare como a frase não precisa dizer “sem querer”; o しまった já traz esse peso. Da mesma forma, 忘れてしまいました (“Acabei esquecendo”)

comunica um pequeno arrependimento, como quem diz “poxa, foi mal”. E é exatamente por isso que ela é tão útil em mensagens: ela ajuda a pedir desculpas com um tom mais humano, menos duro.

Se você diz apenas 忘れました (“esqueci”), fica factual e curto. Com 忘れてしまいました, você mostra que reconhece a falha e sente um pouquinho o impacto dela.

           Agora, para ficar mais claro, vale separar 〜てしまう em dois grandes usos, como se fossem dois “sabores”. O primeiro é o uso emocional, quando a ação acontece e você sente algum incômodo: foi sem querer, foi um deslize, foi algo que você preferia que não tivesse acontecido. O segundo é o uso de conclusão, quando você quer dizer que terminou completamente uma ação, como “fiz tudo” / “resolvi de uma vez”. A forma é a mesma, mas o contexto e a entonação mudam a leitura.

           Vamos ver o uso emocional em uma situação real que todo mundo já passou: você envia uma mensagem para a pessoa errada. Em português, você diria “Enviei errado!” ou “Nossa, mandei pra pessoa errada”. Em japonês, isso fica muito natural com てしまう: 間違えて送ってしまいました. Aqui, além do “enviei errado”, existe uma sensação de “poxa, aconteceu”. É quase uma desculpa embutida. Se você estiver falando com alguém mais próximo, pode aparecer a forma curta: 送っちゃった (uma contração informal de 送ってしまった). Essa versão é muito comum na fala: 寝ちゃった (acabei dormindo), 食べちゃった (acabei comendo), 忘れちゃった (acabei esquecendo). É o japonês do dia a dia, rápido e espontâneo.

           Essa contração (〜ちゃう/〜じゃう) é um detalhe que vale ouro para compreensão auditiva. Muita gente aprende てしまう no livro e depois não reconhece quando ouve 〜ちゃった. Então, lembre assim: しまう na fala vira “ちゃう (para verbos em ) e じゃう (para verbos em ).

Por exemplo: 読んでしまう読んじゃう, 食べてしまう食べちゃう. Você não precisa sair usando isso o tempo todo no início, mas precisa reconhecer quando ouvir.

           Agora vamos ao segundo “sabor”: o de conclusão completa. Imagine que você tinha uma lista de tarefas e terminou tudo. Você pode dizer: 全部やってしまいました. Aqui, dependendo do tom, pode ser “Terminei tudo (finalmente)”. Não é necessariamente arrependimento; pode ser até alívio. A estrutura ajuda a transmitir a sensação de “fechei isso, não ficou pendência”. Em português, seria “Resolvi tudo de uma vez” ou “Terminei logo”. Esse uso aparece bastante quando alguém quer mostrar que concluiu algo por completo, especialmente quando era chato ou demorado.

           Então como você sabe qual sentido está sendo usado? A

como você sabe qual sentido está sendo usado? A resposta é simples: pelo contexto e pela lógica emocional. Se a ação é algo normalmente negativo ou “fora do plano” (esquecer, perder, dormir demais, errar, quebrar), o てしまう tende a soar como arrependimento/acidente. Se a ação é algo que faz sentido completar (ler um livro, terminar um relatório, arrumar a casa, resolver pendências), o てしまう tende a soar como “finalizar por completo”. E em muitos casos, as duas coisas podem se misturar: você termina algo rapidamente e sente alívio, ou faz algo impulsivo e sente “aí, pronto”.

           Na prática, 〜てしまう também é uma ferramenta social: ela ajuda você a falar de erros sem se justificar demais. Em vez de fazer um discurso, você usa uma estrutura que já mostra que você reconhece o ocorrido. Por exemplo, no trabalho/curso: 遅れてしまってすみません (“Desculpe, acabei me atrasando”). Olha que interessante: você está pedindo desculpas e, ao mesmo tempo, colocando a situação num tom humano — “acabou acontecendo”.

Isso é muito natural em japonês, especialmente porque evita parecer que você está dando desculpas longas, mas também evita uma fala seca.

           Um erro comum de alunos é achar que てしまう significa sempre “arrependimento”. Aí eles evitam usar quando querem dizer “terminei”. E acabam perdendo uma forma bem útil de expressar conclusão. Outro erro é o oposto: usar em frases neutras, onde não há nem arrependimento nem senso de conclusão, e a frase fica estranha. O segredo é perguntar: “Eu quero transmitir clima aqui?” Se a resposta for sim — clima de “oops” ou clima de “resolvido” — então てしまう provavelmente cabe.

           Para fixar, um exercício muito eficiente é criar duas listas de frases, bem concretas. Na primeira lista, coisas que acontecem “sem querer”: dormir, esquecer, perder, mandar errado, comprar errado, comer demais. Na segunda, coisas que você quer concluir: terminar um capítulo, resolver e-mails, limpar a casa, fechar um relatório. Em japonês, tente montar frases simples:

  • 寝てしまいました / 寝ちゃった
  • 忘れてしまいました / 忘れちゃった
  • 間違えて送ってしまいました
  • レポートを書いてしまいました (terminei o relatório)
  • 宿題を全部やってしまいました (terminei toda a lição)

           Quando você pratica assim, てしまう deixa de ser um “mistério” e vira um recurso expressivo. E isso é exatamente o que a gente quer no intermediário: não só falar correto, mas falar com vida, com nuances, com o tom certo.

           No fim, 〜てしまう é uma gramática que parece pequena, mas muda muito sua fluidez. Ela te dá uma

é uma gramática que parece pequena, mas muda muito sua fluidez. Ela te dá uma maneira simples de contar deslizes do cotidiano sem drama e de mostrar conclusão sem precisar explicar demais. Em outras palavras: ela o aproxima do japonês real — aquele que as pessoas usam quando a vida acontece.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.


Aula 3 — 〜みたい e 〜ようだ: como dizer “parece que…” sem soar duro ou 100% certo

 

           Existe uma situação muito comum no dia a dia: você não tem certeza de algo, mas tem sinais. Você olha para o céu e pensa “acho que vai chover”. Você vê uma fila e conclui “parece que está lotado”. Você conversa com alguém e percebe “ele parece cansado”. Em português, a gente vive nesse território do “parece”. E em japonês isso é ainda mais importante, porque afirmar algo de forma muito direta pode soar brusco, confiante demais ou até invasivo — especialmente quando você está falando sobre a impressão que tem de outra pessoa. Por isso, aprender 〜みたい e 〜ようだ é um passo enorme para deixar seu japonês mais natural, mais educado e mais real.

           Antes de tudo, vamos entender a ideia central: tanto みたい quanto ようだ significam “parece que…”, “é como se…”, “tem cara de…”. A diferença principal está no “clima” e no nível de formalidade. みたい é mais coloquial, muito comum na fala do dia a dia e em mensagens. ようだ soa mais formal, mais escrito, mais “explicativo” — aparece em textos, notícias, e também em conversas quando você quer parecer mais cuidadoso ou mais sério. É parecido com a diferença, em português, entre “tá com cara de…” e “aparenta ser…”. Os dois dizem a mesma coisa, mas a escolha muda o tom.

           Vamos para uma imagem bem simples: imagine que você está conversando com um amigo no final da tarde e olha pela janela. Você quer dizer “Parece que vai chover”. Com みたい, isso sai muito natural: 雨が降りそうみたい ou 雨みたい dependendo do contexto. É um jeito bem cotidiano de comentar. Já com ようだ, você poderia dizer

você poderia dizer 雨が降りそうなようです ou 雨のようです.

Isso soa mais formal, mais polido, mais “observação”. Nenhuma das duas é “melhor” sempre. O que existe é: uma combina com conversa casual, outra combina com texto ou fala mais cuidadosa.

           Agora, o mais interessante é como essas estruturas protegem você de afirmar demais. Quando você diz 彼は疲れている (“Ele está cansado”), você está afirmando como se fosse fato. Mas você realmente sabe? Talvez ele só esteja quieto. Se você diz 彼は疲れているみたい (“Ele parece cansado”), você deixa claro que é uma impressão. Isso é mais educado, mais humilde, e mais seguro socialmente. Em japonês, esse tipo de suavização é muito valorizado.

           Outra vantagem é que みたい/ようだ ajudam você a falar sobre coisas que você percebeu, mas não tem prova completa. Por exemplo: “Parece que o restaurante está fechado.” Você olha e vê a porta fechada, poucas luzes, ninguém dentro. Em japonês, isso fica muito natural: あの店、閉まっているみたい (casual) ou 閉まっているようです (mais formal). Você está descrevendo uma percepção baseada em indícios — e isso é exatamente o território do “parece”.

           Um ponto importante para soar natural é lembrar que みたい e ようだ não são só “parece”, mas também “semelhante a”. Por exemplo: 子どもみたい (“parece uma criança”, “tipo criança”) ou 夢のようだ (“como um sonho”). Nesse uso, não é “parece que vai acontecer”, é “é como se fosse”. Essa dupla função é comum e dá muita expressividade.

           Agora, vamos falar de forma e encaixe, sem deixar mecânico. Com substantivos, fica muito simples:

  • 学生みたいだ = “Parece estudante”
  • 学生のようだ = “Parece estudante” (mais formal)

Com adjetivos e verbos, a ideia é parecida, mas você vai ver variações. Por exemplo:

  • 難しいみたい / 難しいようだ (“parece difícil”)
  • 時間がかかるみたい / 時間がかかるようだ (“parece que vai demorar”)

           E aqui entra uma dica prática: se você está falando com alguém mais formal, use ようです. Se está falando em tom casual ou mensagem rápida, みたい é uma escolha muito natural.

           Agora, cuidado com um erro comum: alguns alunos usam “parece” o tempo todo para tudo, e acabam soando inseguros demais. Em japonês, suavizar é ótimo, mas você também precisa saber quando ser direto. O segredo é perguntar: “Eu tenho certeza?” Se você tem certeza (ex.: “o ônibus chegou”), seja direto. Se você tem indícios, mas não certeza (ex.: “acho que vai chover”), use みたい/ようだ. Isso deixa seu japonês equilibrado, humano e confiável.

           Outro erro comum é usar みたい para situações

muito formais, como um e-mail de trabalho ou uma fala diante de professor. Não é proibido, mas pode soar casual demais. Nesse caso, é melhor migrar para ようです, que soa mais apropriado. Por exemplo, ao falar com um professor:

  • 雨が降るみたいです (ok, porém um pouco casual)
  • 雨が降るようです (mais adequado)

           E como isso se conecta com o que você já aprendeu no curso? Se você lembra do 〜んです (aula 1 do módulo 3), você pode combinar as estruturas e soar ainda mais natural: 雨が降りそうみたいなんです (“É que parece que vai chover…”). Isso já cria um tom bem conversacional e gentil. Você também pode usar conectores do Módulo 1: 行きたいけど、雨が降りそうみたい (“Quero ir, mas parece que vai chover”). Repare como tudo começa a se encaixar. O idioma deixa de ser blocos separados e vira uma rede.

           Para treinar de verdade, pense em situações pequenas do seu dia e descreva em japonês com “parece”. Por exemplo: “Parece que o ônibus vai demorar”, “Parece que ele está ocupado”, “Parece que está cheio”, “Parece fácil”, “Parece perigoso”. Esse tipo de frase é simples, mas extremamente comum na vida real. E quanto mais você pratica com coisas reais, mais rápido vira automático.

           No fim, 〜みたい e 〜ようだ te dão uma habilidade que faz diferença: falar com naturalidade sem fingir certeza. Você aprende a deixar espaço, a ser educado, a comunicar percepção em vez de sentença. E isso, em japonês, é uma forma de inteligência social. Quando você domina isso, seu japonês soa mais maduro — não porque ficou “difícil”, mas porque ficou humano.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.


Estudo de caso envolvente — Módulo 3

 

“A reunião que quase virou mal-entendido” (んです + てしまう + みたい/ようだ)

Personagens:

  • Lívia: aluna “intermediário iniciante”, já fala bem, mas ainda escorrega no tom.
  • Sato-san: coordenador japonês, educado e objetivo.
  • Ayumi: colega japonesa do time, amiga e sincera.

Cenário: Lívia vai participar de uma reunião online com o time

vai participar de uma reunião online com o time no Japão para apresentar uma atualização. Ela quer soar profissional e gentil. Só que, na semana do encontro, três coisas acontecem: ela se atrasa, manda um arquivo errado e precisa remarcar porque o clima parece piorar (literalmente: chuva forte).

O que era para ser só “informar” vira um teste real do Módulo 3.

Cena 1 — “Falar seco” sem 〜んです: o tom que fecha a conversa

Na manhã da reunião, Lívia percebe que vai atrasar. Ela manda:

Erro comum 1 (mensagem curta e seca):

10分遅れます。
Gramaticalmente correto: “Vou atrasar 10 minutos.”
Mas o tom pode soar frio, como um aviso sem consideração.

O que faltou?
Faltou o “clima de explicação” que o japonês espera em situações delicadas. É aí que
〜んです brilha: ele transforma “informação” em “explicação”.

Como evitar (mais humano e natural):

すみません、ちょっとトラブルがあって、10分遅れるんです。
(“Desculpe, é que deu um probleminha e vou atrasar 10 min.”)

Versão mais formal para trabalho:

申し訳ありません。少し事情がありまして、10分ほど遅れるんです。

Atalho mental:
Quando for atraso, recusa, problema, justificativa → pense: “É que…” → use
んです.

Cena 2 — 〜てしまう: o “oops” que vira desculpa elegante (e quando NÃO usar)

Quando chega, Lívia tenta enviar o arquivo final, mas envia a versão errada para o grupo.

Erro comum 2 (informar sem reconhecer o impacto):

間違えて送りました。
“Enviei errado.” Correto, mas seco, quase indiferente.

Como evitar (assumir o erro com tom humano):

間違えて送ってしまいました。すみません。
(“Acabei enviando errado… desculpa.”)

E se ela quiser corrigir de forma completa:

先ほどのファイルは古い版でした。正しい版を送ります。
間違えて送ってしまって、申し訳ありません。

Erro comum extra (usar てしまう onde não há ‘oops’ nem conclusão):
Às vezes o aluno coloca
てしまう em frases neutras e soa dramático.
Ex.:
資料を見てしまいました (“Acabei vendo o material…”) — pode soar como se tivesse feito algo indevido.

Como evitar:
Use
てしまう quando houver:

  • acidente/arrependimento (enviei errado, esqueci, perdi, dormi)
  • conclusão completa (terminei tudo, resolvi de vez)

Atalho mental:
Se em português caberia “acabei…” ou “quando vi, já…” →
てしまう encaixa.

Cena 3 — “Parece que…” sem soar 100% certo (みたい/ようだ)

Depois do erro do arquivo, o Sato-san pergunta se a reunião pode continuar no horário combinado. Só que Lívia está com problema de conexão e percebe que a tempestade no bairro está derrubando a internet. Ela quer dizer: “Acho que a internet vai cair”.

Ela escreve:

Erro comum 3 (afirmar como fato o que é só impressão):

インターネットが落ちます。
A internet vai cair.” Soa definitivo.

Soa definitivo. Se não cair, ela parece exagerada.

Ou pior, sobre outra pessoa:

皆さんは忙しいです。
“Vocês estão ocupados.” — pode soar invasivo/assumido demais.

Como evitar (impressão educada):

インターネットが不安定みたいです。
(“Parece que a internet está instável.”)

Mais formal/profissional:

インターネットが不安定なようです。
(“Aparentemente a internet está instável.”)

E para remarcar sem impor:

このままだと接続が切れそうなので、時間を変えてもいいでしょうか。
(“Como parece que pode cair, será que podemos mudar o horário?”)

Atalho mental:
Se você não tem certeza → use
みたい (casual) ou ようです (formal).

Cena 4 — A combinação que faz você soar “nativo profissional”

(んです + てしまう + みたい/ようだ)

Depois das correções, Ayumi ajuda a Lívia a reescrever a mensagem final para o time:

申し訳ありません。先ほど間違えて古いファイルを送ってしまいました。
今、正しい版を送ります。
それと、こちらは雨が強くて、インターネットが不安定なようなんです。
もし途中で切れたら、別の時間にしてもよろしいでしょうか。

Por que essa mensagem funciona tão bem?

  • てしまう assume o erro com elegância
  • ようだ/ようなんです indica impressão + explicação
  • んです cria tom de contexto (“é que…”)
  • pedido final é educado e oferece solução

Erros mais comuns do Módulo 3 (e como evitar)

1.     Falar “seco” em situações delicadas (sem んです)

o    Use んです para justificar, recusar, explicar atraso/problema.

2.     Usar てしまう sem nuance

o    Para “oops/arrependi”: 忘れてしまいました, 送ってしまいました

o    Para “terminei de vez”: 全部やってしまいました

o    Evite em ações neutras se ficar dramático.

3.     Afirmar como certeza algo que é só impressão

o    Use みたい (casual) / ようです (formal).

4.     Usar みたい em contexto formal demais

o    Em trabalho/e-mail: prefira ようです.

5.     Sobre pessoas, evitar soar invasivo

o    “Você está cansado.” (fato)

o    “Parece cansado.” → 疲れているみたいですね / 疲れているようですね

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