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Japonês Intermediário

 JAPONÊS INTERMEDIÁRIO

 

Módulo 2 — “Forma intermediária” que aparece toda hora: planos, tentativas e opiniões


Aula 1 — 〜つもり / 〜予定 / 〜ことにする (intenção, plano, decisão)

 

           Chega um momento no estudo do japonês em que a gente percebe que dizer apenas “vou fazer” não dá conta de tudo. Em português, a frase “vou” serve para intenção, promessa, plano, decisão repentina, compromisso… e o contexto resolve. No japonês, o contexto ajuda, claro, mas a língua costuma ser mais “honesta” em separar essas nuances. E isso é ótimo: quando você aprende a usar 〜つもり, 〜予定 e 〜ことにする, você não está só aprendendo gramática — está aprendendo a se posicionar com clareza, como alguém que consegue organizar a própria fala e transmitir segurança.

           Vamos começar pela forma 〜つもり. Ela é perfeita para quando você quer dizer que tem a intenção de fazer algo, como um plano pessoal, algo que está na sua cabeça e que você pretende realizar. Pense em frases do tipo: “Estou pretendendo estudar mais”, “Quero voltar a treinar”, “Estou com vontade de viajar”. Em japonês, isso aparece muito como 〜するつもりです. Por exemplo: 来年、日本に行くつもりです — “No ano que vem, pretendo ir ao Japão.” Repare como não é uma promessa rígida; é uma intenção. Existe um espaço ali para a vida acontecer. E isso faz a frase soar natural, porque a pessoa não está “se amarrando” demais.

           Um detalhe importante: 〜つもり também pode ser usado de forma negativa (〜ないつもりです), e isso é muito útil para comunicar limites e decisões internas sem soar agressivo. Por exemplo: 今日は飲まないつもりです (“Hoje estou pretendendo não beber”). Isso pode soar muito mais suave do que afirmar “Eu não vou beber!” como se fosse uma regra rígida. É o tipo de frase que deixa o clima leve e, ao mesmo tempo, define sua intenção.

           Agora, existe outra palavra que muitos alunos confundem com つもり: 〜予定. A diferença é que 予定 é “plano” no sentido de agenda, compromisso, algo programado. Não é só uma intenção; é algo que está marcado, previsto, organizado. Por exemplo: 来週は出張の予定です — “Na semana que vem, está previsto que eu vou viajar a trabalho.” Note que isso soa mais concreto do que つもり. Em vez de “eu pretendo”, a sensação é “está programado”. Por isso, em ambientes profissionais, 予定 aparece o tempo todo: reuniões, cronogramas, entregas, viagens, eventos.

           Um jeito simples de memorizar é pensar assim: つもり mora na cabeça; 予定 mora no calendário. Se dá para imaginar aquilo escrito numa agenda, 予定 costuma ser mais adequado. Se é

algo que você quer fazer, mas ainda depende de você (e talvez do mundo), つもり costuma encaixar melhor.

           A terceira estrutura, 〜ことにする, é uma das mais importantes para soar natural, porque ela expressa uma decisão tomada. É como dizer “decidi que vou…” ou “resolvi que vou…”. E essa decisão normalmente vem depois de pensar, comparar opções, refletir. Por exemplo: 毎日10分勉強することにしました — “Decidi estudar 10 minutos por dia.”

Isso tem um peso emocional diferente de つもり. Não é só intenção; é decisão. E, dependendo do contexto, ela pode soar como um compromisso pessoal.

           Essa forma é muito útil quando você quer contar uma mudança: decidiu mudar de rotina, decidiu começar algo novo, decidiu parar algo. Ela também aparece quando você escolhe uma opção entre várias: “Vamos nos encontrar às 3.” / “Ok, então ficou decidido.” Em japonês, esse “ficou decidido” pode aparecer como それにします (escolho isso) ou com a ideia de 〜ことにする (decidir fazer). Para o aluno intermediário iniciante, usar ことにする é quase como colocar um “selo de maturidade” na frase: você passa a comunicar não só ações, mas processos internos.

           E aqui vale uma observação bem humana: no dia a dia, a gente vive alternando entre intenção, plano e decisão. Você pode ter a intenção de estudar (つもり), ter um plano marcado para fazer a prova (予定), e decidir que vai mudar seu método de estudo (ことにする). Quando você domina essas três formas, você consegue montar frases que soam reais, como a fala de alguém que está organizando a própria vida.

           Vamos ver uma mesma ideia em três “camadas”, para sentir a diferença. Imagine que você quer falar sobre estudar japonês:

  • 日本語をもっと勉強するつもりです。
    “Pretendo estudar japonês mais.” (intenção)
  • 今週末に勉強する予定です。
    “Está programado que eu vou estudar no fim de semana.” (agenda)
  • 毎日少し勉強することにしました。
    “Decidi estudar um pouco todo dia.” (decisão)

           As três frases falam de estudo, mas cada uma mostra um pedaço diferente do seu mundo interno. E esse é o ponto: o japonês é muito bom em transformar nuance em forma. Quando você aprende isso, também aprende a pensar com mais precisão.

           Para fechar, uma dica prática: se você quer internalizar de verdade, não treine com frases genéricas (“Vou ao supermercado”). Treine com coisas reais da sua vida: seu horário, sua rotina, suas metas. Escreva três frases hoje mesmo: uma com つもり sobre algo que você pretende fazer, uma com 予定 sobre algo que já está marcado, e uma com ことにする sobre uma

decisão que você quer tomar a partir de agora. Esse exercício simples, feito com conteúdo real, acelera muito o aprendizado porque o cérebro para de tratar a gramática como “conteúdo” e começa a tratá-la como ferramenta de expressão.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.


Aula 2 — “Tentar” e “criar hábito” em japonês: o ponto em que o idioma vira prática de verdade

 

           Tem duas atitudes que mudam completamente o ritmo de quem estuda japonês: a primeira é se permitir tentar sem medo, e a segunda é transformar o estudo em hábito, mesmo que pequeno. Curiosamente, o japonês tem duas estruturas que combinam perfeitamente com essas ideias: 〜てみる e 〜ようにする. Elas são simples por fora, mas por dentro carregam um jeito bem realista de encarar a vida: “vou experimentar” e “vou me esforçar para manter”.

           A expressão 〜てみる é, talvez, uma das mais úteis para quem está nesse “intermediário iniciante”. Ela significa “tentar” “experimentar”, “ver como é”. Não é aquele “tentar” pesado, dramático, como se você estivesse apostando tudo; é o “deixa eu ver se consigo”, “vou experimentar fazer assim”. E isso é maravilhoso, porque tira pressão. Quando você diz 日本語で説明してみます (“Vou tentar explicar em japonês”), você está dizendo ao outro — e a si mesmo — que está em modo de tentativa, de experimentação. Essa frase abre espaço para erro, e no aprendizado de idioma isso é ouro.

           Uma coisa importante: 〜てみる costuma ser usado quando você quer testar algo uma vez, ou pelo menos sem a promessa de continuidade. É como experimentar um prato novo, testar um app, tentar uma estratégia. Você pode dizer この漢字の読み方を調べてみる (“Vou tentar pesquisar como lê esse kanji”) ou もう一回やってみて (“Tenta fazer mais uma vez”). Perceba que o centro da ideia é: “vamos ver no que dá”.

Isso torna suas conversas mais naturais, porque em japonês é muito comum suavizar afirmações com esse tipo de postura.

           E aqui entra um detalhe didático: muitas

pessoas traduzem 〜てみる apenas como “tentar”, mas o sentimento real se aproxima de “experimentar”. Por isso, quando você estiver travado, use mentalmente essa chave: “vou experimentar falar assim”. Isso o ajuda a parar de buscar a frase perfeita e começar a falar a frase possível.

           Agora, a estrutura 〜ようにする tem uma energia diferente. Ela não é “uma tentativa pontual”; ela é “um esforço contínuo”, como quem diz: “tenho procurado fazer isso”, “estou me esforçando para que isso vire rotina”. Em português, seria algo como “estou tentando manter o hábito de…” ou “tenho me esforçado para…”. Por exemplo: 毎日ニュースを読むようにしています (“Tenho procurado ler notícias todos os dias”). Aqui, você não está dizendo que consegue sempre. Você está dizendo que isso virou uma meta prática, um movimento constante.

           Essa nuance é especialmente boa para alunos, porque evita a armadilha do “tudo ou nada”. Em vez de prometer “Vou estudar duas horas por dia” (e se frustrar na primeira semana), você diz 毎日少し勉強するようにしています (“Tenho procurado estudar um pouco todos os dias”). Fica honesto, possível e, ainda assim, comprometido. Em japonês, essa honestidade soa muito natural, porque o idioma tem uma tendência a expressar intenção e esforço sem precisar parecer absoluto.

           Outro ponto interessante é que 〜ようにする pode aparecer no passado como 〜ようにした, dando a ideia de mudança: “Passei a fazer…” / “Comecei a me esforçar para…”. Por exemplo: 甘い物を食べないようにした (“Passei a tentar não comer doces”). Aqui, você está contando uma virada de hábito. Não significa perfeição; significa direção.

           E como essas duas estruturas se conversam? Pense assim: 〜てみる é a porta de entrada. Você experimenta. Se funcionar e fizer sentido, 〜ようにする vira a estrada, o caminho que você começa a percorrer com consistência. Primeiro você tenta escrever um diário em japonês uma vez: 日記を書いてみる. Depois você decide transformar isso em rotina: 毎日短い日記を書くようにする. Percebe a progressão? É uma linguagem que combina com crescimento real, passo a passo.

           Vamos trazer isso para situações bem concretas, porque é aqui que o aluno “sente” o idioma. Imagine que você está num trabalho e quer testar uma forma mais educada de pedir algo. Você pode dizer para si mesmo: 丁寧に言ってみよう (“Vou tentar falar de forma mais educada”). Depois de alguns dias, você pode comentar: 最近、できるだけ丁寧に言うようにしています (“Ultimamente tenho procurado falar da forma mais educada possível”). Isso é japonês vivo: descrevendo tentativa e esforço, em vez

tenho procurado falar da forma mais educada possível”). Isso é japonês vivo: descrevendo tentativa e esforço, em vez de apenas narrar ações.

           Também dá para aplicar no estudo de escuta (listening), que costuma ser um ponto difícil. Você pode pensar: “Vou tentar assistir a um vídeo sem legenda” → 字幕なしで見てみます. Se isso for muito difícil, tudo bem: o objetivo é tentar. Se depois você percebe que faz sentido como treino, vira hábito: 週に3回、字幕なしで聞くようにしています (“Tenho procurado ouvir sem legenda três vezes por semana”). A língua vira um registro do seu processo, não uma cobrança.

           Agora, um alerta comum: alunos às vezes tentam usar 〜てみる como se fosse “vou fazer com certeza”. Mas ele não carrega essa força. Ele é “vou experimentar”. Então, se o seu objetivo é dizer algo firme (“Eu vou fazer”), você usa formas mais diretas (como 〜ます ou 〜つもり / 〜ことにする do módulo). Já o 〜てみる é perfeito quando você quer reduzir pressão e mostrar abertura. Isso vale também socialmente: quando alguém sugere algo, dizer やってみる é uma resposta simpática, porque mostra disposição sem prometer além do que pode cumprir.

           Para fechar, o melhor jeito de absorver essa aula é trazer para o seu cotidiano com frases curtas e reais. Escolha uma coisa pequena para “experimentar” hoje em japonês — pode ser mandar uma frase curta, ler um parágrafo, ouvir uma música prestando atenção em duas expressões. Isso é seu 〜てみる. E escolha uma coisa pequena para “manter como hábito” nesta semana — cinco minutos por dia, por exemplo. Isso é seu 〜ようにする. Quando você faz isso, o japonês deixa de ser só um conteúdo e vira uma prática contínua, leve e sustentável. E é exatamente assim que a fluência chega: não como um salto, mas como uma soma diária.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.


Aula 3 — Dizer o que você acha e o que “se diz por aí”: 〜と思う e 〜と言われている

 

           Quando a gente aprende japonês no básico, costuma falar de forma bem direta: “Eu gosto”,

a gente aprende japonês no básico, costuma falar de forma bem direta: “Eu gosto”, “Eu não gosto”, “É difícil”, “É bom”. Isso é útil, claro, mas chega uma hora em que você quer fazer algo mais humano: dar opinião com cuidado, mostrar que aquilo é só o seu ponto de vista, ou então mencionar algo que você ouviu, leu, que “as pessoas dizem”. Em japonês, essa diferença é muito importante, porque a comunicação tende a valorizar um tom menos absoluto e mais respeitoso. E é aí que entram duas estruturas que aparecem o tempo todo na fala real, em notícias, conversas, aulas e textos: 〜と思う e 〜と言われている.

           A primeira, 〜と思う, é a forma mais prática para expressar opinião pessoal. Ela significa “eu acho que…”, “eu penso que…”. Mas o mais interessante é o efeito: ao usar と思う, você amacia a frase. Em vez de declarar uma verdade, você apresenta uma visão. Por exemplo, dizer この文法は難しいです (“Essa gramática é difícil”) é direto e pode soar como uma afirmação absoluta. Já この文法は難しいと思います (“Eu acho que essa gramática é difícil”) soa mais natural, mais educado, e deixa espaço para o outro discordar sem criar atrito. É uma ferramenta simples que muda o clima da conversa.

           Esse “espaço” é essencial no japonês. Muitas vezes, não é que a pessoa esteja insegura; ela apenas quer evitar soar mandona ou definitiva. Em português, a gente faz isso com expressões como “eu acho”, “na minha opinião”, “talvez”. Em japonês, と思う cumpre esse papel com muita força.

E você pode usar tanto em situações formais quanto informais: 〜と思う (casual) e 〜と思います (polido). Quando você aprende a encaixar isso naturalmente, seu japonês ganha uma característica muito valorizada: soa colaborativo, não impositivo.

           Um ponto que confunde estudantes é a posição de と思う na frase. Normalmente, você coloca antes dele a frase na forma “neutra” (dicionário ou informal), mesmo que o final esteja polido. Por exemplo: 明日は雨が降ると思います (“Acho que amanhã vai chover”). Repare que 降る está na forma simples, e 思います está polido. Isso é bem comum. A lógica é como se você estivesse dizendo: “(Que) vai chover — eu acho.” Essa estrutura aparece tanto que, com o tempo, vira quase automática.

           Também dá para usar と思う com a forma negativa e com sentimentos, o que é ótimo para expressar nuances. Por exemplo: それはあまり良くないと思います (“Acho que isso não é muito bom”) é uma forma educada de criticar sem atacar. E em conversas reais, isso é muito mais seguro do que uma crítica direta. Se você já passou pela experiência

de criticar sem atacar. E em conversas reais, isso é muito mais seguro do que uma crítica direta. Se você já passou pela experiência de querer discordar em japonês e travar por medo de soar rude, essa é uma das soluções mais elegantes.

           Agora, a segunda estrutura da aula, 〜と言われている, tem uma pegada diferente. Ela significa “é dito que…”, “dizem que…”, “fala-se que…”. Em vez de ser uma opinião sua, é algo que circula como conhecimento geral, como percepção social ou como informação repetida por fontes. Por exemplo: 日本では春が人気だと言われています (“Diz-se que no Japão a primavera é popular”). Aqui, você não está afirmando como se fosse sua experiência pessoal; você está apontando algo que é comentado, conhecido ou reportado.

           Isso é muito útil por dois motivos. Primeiro, porque nem sempre queremos “tomar posse” de uma informação. Às vezes você leu, ouviu, mas não tem certeza ou não quer parecer presunçoso. Segundo, porque em japonês é comum citar o que “se diz” para introduzir um assunto com suavidade. Em vez de “Isso é assim”, você diz “Dizem que é assim”, o que deixa a conversa mais aberta.

           Mas atenção: 〜と言われている não é fofoca, necessariamente. Ele pode aparecer em textos acadêmicos, jornais e explicações culturais. É uma estrutura que pode soar formal, dependendo do contexto, e por isso é muito vista em escrita. Você também pode encontrar variações como 〜と言われています (polido), 〜と言われている (forma neutra) e até 〜と言われる (mais curto). Na prática, para alunos, a forma 〜と言われています é uma escolha segura e comum.

           Agora vem uma diferença crucial: 〜と思う = eu acho (responsabilidade pessoal); 〜と言われている = dizem que (responsabilidade social/coletiva). Se você confundir, pode soar estranho. Se alguém pergunta “Você acha que estudar 10 minutos por dia funciona?”, responder com 10分は効果があると言われています (“Dizem que 10 minutos têm efeito”) pode parecer que você está fugindo da pergunta pessoal. Já responder 効果があると思います mostra que você está realmente se posicionando.

           Por outro lado, se você quer apresentar uma ideia geral sem impor, 〜と言われている é perfeito. Por exemplo: “Dizem que aprender kanji leva tempo.” → 漢字は時間がかかると言われています. Isso cria um tom mais neutro e evita parecer julgamento direto sobre o aluno.

           Uma forma muito natural de falar, inclusive, é combinar as duas estruturas: você menciona o que é dito por aí e, em seguida, dá sua opinião. Isso cria um discurso equilibrado e maduro, como alguém que reconhece informações externas, mas também

pensa por conta própria. Por exemplo: 日本語は難しいと言われていますが、毎日少しずつやればできると思います (“Dizem que japonês é difícil, mas eu acho que, se você fizer um pouco todos os dias, dá”). Olha como isso soa humano: nem dramático, nem ingênuo. Só realista.

           Para praticar de um jeito que realmente funcione, tente um exercício simples: escolha três temas que você conversa na realidade — estudo, trabalho, rotina, saúde, clima, viagem. Para cada tema, escreva uma frase com と思う (sua opinião) e uma frase com と言われている (algo geral). Por exemplo:

  • Estudo: 毎日10分でも効果があると思います / 毎日続けることが大事だと言われています
  • Trabalho: 会議は短いほうがいいと思います / 日本の会社は会議が多いと言われています
  • Viagem: 京都は落ち着いていて好きだと思います / 京都は観光客に人気だと言われています

           Esse treino faz você sair do “decorar” e entrar no “usar”, porque você começa a escolher conscientemente: “isso é meu” ou “isso é geral?”. E quando você domina essa escolha, seu japonês ganha um recurso essencial para conversas reais: você consegue opinar, concordar, discordar e apresentar informações sem ficar preso em frases absolutas.

           No fim, o objetivo desta aula não é só saber duas estruturas. É aprender um estilo de comunicação que o japonês valoriza: clareza com gentileza. Você pode dizer o que pensa sem parecer agressivo e pode mencionar o que é dito sem parecer que está espalhando rumor. É um equilíbrio fino — e, quando você pega o jeito, sua fala começa a soar muito mais natural.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.


Estudo de caso envolvente — Módulo 2

 

“O plano perfeito que desandou (e virou japonês de verdade)”

Personagens:

  • Bruno: aluno “intermediário iniciante”, esforçado, mas ainda traduz muito do português.
  • Mika: colega japonesa do grupo de estudos, gentil e direta quando precisa.
  • Contexto: Bruno entrou num grupo para preparar uma apresentação curta em japonês para um encontro cultural. Ele precisa combinar cronograma, testar ideias e opinar sobre o tema. Parece
  • simples… até ele começar a escrever no LINE.

Cena 1 — Intenção vs agenda: quando “vou” vira confusão (〜つもり / 〜予定 / 〜ことにする)

Bruno quer dizer: “Eu pretendo estudar hoje à noite” e escreve:

Erro comum 1 (misturar intenção com agenda):

今夜、日本語を勉強する予定です。
Ele quis dizer “pretendo”, mas escreveu “está programado (na agenda)”.

Por que isso pode soar estranho?
Não é “errado” gramaticalmente, mas
予定 dá sensação de compromisso marcado, como se alguém estivesse esperando aquilo ou como se estivesse num calendário. Para um plano pessoal (ainda flexível), o japonês mais natural costuma ser つもり.

Melhor opção (intenção pessoal):

今夜、日本語を勉強するつもりです。

Agora Bruno tenta ser “mais firme” e escreve:

Erro comum 2 (usar ことにする como se fosse “acho que vou”):

今夜、日本語を勉強することにします。
Soa como “Estou decidindo agora (neste momento) que vou estudar hoje”, meio abrupto, como anúncio de decisão.

Como evitar (usar ことにする quando há decisão real):
Use quando houver virada ou resolução:

これから毎日20分勉強することにしました。
(“Decidi que a partir de agora vou estudar 20 min todo dia.”)

Regra prática para não errar:

  • つもり = intenção (mora na sua cabeça)
  • 予定 = programação (mora no calendário)
  • ことにする = decisão assumida (mora no compromisso)

Cena 2 — “Vou tentar” que vira promessa sem querer (〜てみる)

O grupo sugere que Bruno apresente a introdução. Ele quer dizer “Posso tentar” (sem prometer demais). Mas ele escreve:

Erro comum 3 (tirar o “modo tentativa”):

やります。
Isso é “Eu faço.” — firme, definitivo.
No dia seguinte ele não consegue e se sente culpado, porque em japonês ele “prometeu”.

Como evitar (abrir espaço para tentativa real):

やってみます。
“Vou tentar / vou experimentar.”

E se ele quiser soar mais colaborativo ainda:

私がやってみてもいいですか。
“Posso tentar fazer eu mesmo?”

Dica rápida:

  • 〜てみる é a frase que salva sua autoestima no japonês.
    Ela comunica boa vontade + liberdade de errar.

Cena 3 — O hábito “bonito” que soa falso (〜ようにする)

Bruno quer impressionar a Mika e escreve:

Erro comum 4 (exagerar e soar irreal):

毎日2時間勉強するようにしています。
Ele mal consegue 15 minutos. Isso soa “performático” e, se ele não cumprir, vira frustração.

Como evitar (hábito realista e natural):

毎日10分でも勉強するようにしています。
(“Tenho procurado estudar, nem que seja 10 minutos por dia.”)

Ou, se ele está começando agora:

これから毎日少し勉強するようにします。
(“A partir de agora vou procurar estudar um pouco todo dia.”)

O pulo do gato:

  • ようにする é esforço contínuo, não perfeição.
    Frases realistas soam mais
  • humanas — e mais japonesas.

Cena 4 — Opinião que vira “verdade absoluta” (〜と思う)

e “dizem que” usado para fugir da responsabilidade (〜と言われている)

A Mika pergunta: “Você acha que o tema ‘comida japonesa’ é bom?”
Bruno responde:

Erro comum 5 (opinião como sentença):

それはいいです。
Fica muito “definitivo”, como se fosse uma verdade final. Pode soar seco.

Como evitar (opinião suave):

それはいいと思います。
(“Acho que é bom.”)

Logo depois, Bruno quer justificar e escreve:

Erro comum 6 (usar “dizem que” para escapar):

それは人気があると言われています。
Isso não responde à pergunta “o que você acha?”. Parece que ele está desviando: “não sei, mas dizem…”

Melhor estratégia (equilíbrio maduro):

それは人気があると言われていますし、話しやすいと思います。
“Dizem que é popular e eu acho que é um tema fácil de falar.”

Regra prática:

  • Se a pergunta é “você acha?”, responda com と思う.
  • Use と言われている para trazer contexto geral — e depois (se possível) conclua com と思う.

Mensagem final — “A versão que funciona” (modelo completo)

Depois de ajustar tudo, Bruno manda:

今夜は少し勉強するつもりです。
週末に練習する予定です。
私が最初の部分をやってみてもいいですか。
これから毎日10分でも勉強するようにします。
「食べ物」のテーマは人気があると言われていますし、いいと思います。

O que essa mensagem prova:

  • Intenção (つもり)
  • Programação (予定)
  • Tentativa sem prometer demais (てみる)
  • Hábito realista (ようにする)
  • Opinião + contexto geral (と思う + と言われている)

Lista rápida de erros comuns do Módulo 2 (e como evitar)

1.     Trocar つもり por 予定

o    Intenção pessoal: つもり

o    Agenda marcada: 予定

2.     Usar ことにする para coisas sem “decisão”

o    Use quando houver resolução: “Decidi que…”

3.     Prometer demais em vez de tentar

o    Para experimentar: 〜てみる

4.     Tratar hábito como perfeição

o    〜ようにする = esforço contínuo (seja realista)

5.     Opinião sem suavizar

o    〜と思う = “na minha opinião”

6.     Usar “dizem que” para escapar da pergunta

o    Traga contexto com と言われている, mas conclua com と思う

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