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Japonês Intermediário

 JAPONÊS INTERMEDIÁRIO

 

Módulo 1 — “Sobrevivência intermediária”: pedir, explicar e conectar ideias


Aula 1 — 〜てくれる / 〜てもらう / 〜てあげる (favores)

 

           Quando começamos a estudar japonês de forma mais profunda, percebemos que a língua não serve apenas para transmitir informação, mas também para mostrar como nos colocamos em relação ao outro. Pedir um favor em japonês é um ótimo exemplo disso. Diferente do português, em que muitas vezes basta dizer “você pode fazer isso para mim?”, no japonês a escolha da estrutura já revela cuidado, respeito, proximidade ou distância. Por isso, entender bem as formas 〜てくれる, 〜てもらう e 〜てあげる é um passo fundamental para sair do japonês “engessado” e começar a soar mais natural.

           Vamos imaginar uma situação simples: você quer que alguém dê uma olhada em um texto que você escreveu. Em português, a frase pode variar pouco: “Você pode olhar pra mim?”. Em japonês, porém, a forma que você escolhe depende do ponto de vista: quem faz o favor? Quem recebe? Qual é a relação entre essas pessoas?

           A expressão 〜てくれる é usada quando alguém faz algo para você ou para alguém do seu grupo. O foco está no fato de que você recebe o favor. Por isso, essa forma costuma aparecer bastante em conversas do dia a dia, especialmente entre pessoas com certo grau de proximidade.

Quando você diz ちょっと見てくれる?, não está apenas pedindo “você pode olhar?”, mas sim algo como “você faria isso por mim?”. Há uma sensação de proximidade e informalidade, e por isso é importante usá-la com cuidado em contextos muito formais.

           〜てもらう muda um pouco a perspectiva. Aqui, a ênfase está no ato de receber o favor, quase como se você estivesse descrevendo o processo. É comum usar essa forma ao contar algo que aconteceu ou ao falar de maneira um pouco mais educada e organizada. Por exemplo, ao dizer 先生に見てもらいました, você não está apenas dizendo que o professor “olhou”, mas que você teve a oportunidade de receber essa ação dele. Essa forma é muito frequente em contextos profissionais, acadêmicos e em relatos do cotidiano.

           A terceira forma, 〜てあげる, costuma causar certa confusão entre estudantes, porque à primeira vista parece simplesmente o oposto de 〜てくれる. No entanto, ela exige atenção. Com 〜てあげる, quem fala é quem faz o favor, e o foco está no ato de “fazer algo para alguém”. Dependendo do contexto, isso pode soar gentil, mas também pode parecer arrogante, como se você estivesse se colocando acima do outro. Por isso, essa forma

deve ser usada principalmente quando há uma relação clara em que ajudar é natural, como ao falar com crianças, familiares próximos ou pessoas que claramente precisam de auxílio.

           Essas três estruturas mostram algo muito importante sobre o japonês: a língua sempre nos obriga a pensar na relação entre as pessoas. Não basta saber o verbo “fazer” ou “ver”; é preciso decidir de que ponto de vista a ação está sendo descrita. Esse cuidado é o que torna o japonês, ao mesmo tempo, desafiador e fascinante.

           Na prática, dominar essas formas não acontece apenas memorizando regras, mas observando situações reais. Pense nas pequenas interações do seu dia: pedir para alguém explicar algo, revisar um documento, confirmar uma informação ou ajudar em uma tarefa simples. Cada uma dessas situações pede uma escolha consciente da estrutura, e é exatamente isso que fará sua comunicação soar mais natural e respeitosa.

           Ao longo do estudo, é normal errar e escolher uma forma “menos ideal”. Isso faz parte do processo. O mais importante é desenvolver a sensibilidade de perceber que, em japonês, pedir um favor nunca é só pedir — é também demonstrar consideração pelo outro e pelo contexto. Quando você começa a enxergar essas nuances, o idioma deixa de ser apenas um conjunto de regras e passa a ser uma ferramenta real de conexão.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.


Aula 2 — Permissão e proibição em japonês: como soar educado sem parecer duro

 

           Em qualquer idioma, saber pedir permissão e entender o que é proibido é parte da vida real: no trabalho, na escola, em uma viagem, numa loja, num prédio comercial, até em casa. Em japonês, esse tipo de fala aparece o tempo todo — e o interessante é que, muitas vezes, o que muda não é só a gramática, mas o “tom” da situação. Uma frase pode soar gentil, neutra, rígida ou até agressiva dependendo da forma escolhida. Por isso, a aula de hoje é menos sobre decorar estruturas e mais sobre aprender a se mover com segurança dentro de ambientes japoneses (ou

conversas em japonês), sem soar brusco.

           A forma mais básica e mais útil para pedir permissão é 〜てもいいですか. Ela funciona como “posso…?” e é extremamente prática. Se você está num museu e quer tirar foto, se está num escritório e quer abrir a janela, se está numa aula e precisa sair um minuto: essa estrutura vai te salvar. Por exemplo: ここで写真を撮ってもいいですか (Posso tirar foto aqui?). Repare que a frase, mesmo simples, já transmite respeito. Você não está só perguntando; você está mostrando que reconhece que existe uma regra ou uma preferência do lugar — e que você quer se adequar.

           Quando o contexto é mais informal, com amigos ou pessoas muito próximas, essa mesma ideia pode ficar mais curta e natural: 〜てもいい?. É como a diferença entre “Seria possível…?” e “Posso…?” em português. Mas aqui vale uma dica importante: às vezes, estudantes usam o informal cedo demais por acharem “mais fácil”. Só que, em japonês, o informal não é “errado”, ele apenas é íntimo.

Em lugares públicos, ou com alguém que você acabou de conhecer, o 〜てもいいですか costuma ser a escolha mais segura.

           Agora, do outro lado, temos a proibição. A forma padrão ensinada logo no começo é 〜てはいけません. Ela equivale a “não pode” / “é proibido”. Em placas, regras e avisos oficiais, ela aparece bastante. Exemplo: この部屋に入ってはいけません (Não pode entrar nesta sala). É correta, clara, e passa a ideia de regra. O detalhe é que, em conversa, ela pode soar bem dura dependendo da entonação e do contexto. Imagine alguém dizendo com cara séria: “Não pode!” — é essa a sensação que às vezes a estrutura carrega.

           Por isso, no cotidiano, especialmente na fala, os japoneses frequentemente escolhem alternativas mais suaves, como だめです (não pode / não dá) ou いけない (forma mais curta, geralmente informal). Você vai ouvir muito um simples すみません、だめです em lojas, eventos e lugares com regras. Não é falta de educação — é um jeito comum de ser direto sem parecer “jurídico” demais. Em português, seria como dizer “Ah, aqui não pode, tá?” em vez de “É terminantemente proibido…”.

           Existe também uma nuance importante: em japonês, às vezes, você não precisa proibir de forma frontal. Em vez de “não faça”, muitas pessoas preferem dizer algo como “isso é meio complicado…” ou “isso pode dar problema”. Uma forma bastante útil para deixar a frase mais leve é fazer uma pergunta que busca confirmação de segurança, como 〜ても大丈夫ですか. Essa estrutura não é “permissão” no sentido legal, mas funciona como um “Tudo bem

Essa estrutura não é “permissão” no sentido legal, mas funciona como um “Tudo bem eu fazer…?” — e é ótima para situações em que você quer evitar um tom muito direto. Por exemplo: ここに座っても大丈夫ですか (Tudo bem eu me sentar aqui?). Você percebe como soa mais cuidadoso e menos “posso ou não posso”?

           Na prática, o que você está aprendendo aqui é um conjunto de ferramentas para lidar com diferentes níveis de formalidade. Pense nisso como escolher o tom de voz em português. Você não fala com seu amigo do mesmo jeito que fala com a coordenação do curso, certo? Em japonês, a gramática te obriga a fazer esse ajuste com mais frequência, e isso é justamente o que te dá “cara” de falante mais avançado: não é falar frases difíceis, é falar do jeito certo para o contexto certo.

           Para internalizar, vale muito treinar com cenas reais. Imagine que você está em três lugares: (1) uma cafeteria, (2) um escritório, (3) uma aula. Em cada um deles, você precisaria pedir permissão para algo diferente: tirar foto, carregar o celular, sair cinco minutos. Então você forma três perguntas com 〜てもいいですか. Depois, transforme essas mesmas perguntas em versões mais suaves com 〜ても大丈夫ですか. Só esse exercício já muda seu japonês porque você começa a sentir a diferença de tom.

           Isso vale para proibições. Imagine que você trabalha num lugar onde há regras simples: não comer na sala, não entrar sem crachá, não usar celular durante a reunião. Você pode escrever as frases com 〜てはいけません como se fossem avisos formais. Depois, reescreva do jeito que alguém diria em conversa, usando だめです ou 〜ないでください (outra forma muito comum e educada para pedir “não faça”, como “por favor, não…”). Assim você começa a dominar não só a estrutura, mas também o uso real.

           No fim, o que mais importa é: permissão e proibição não são apenas conteúdos de gramática. Elas fazem parte de convivência. Quanto mais você praticar essas estruturas em situações próximas da sua vida, mais natural vai ficar. E quando isso acontece, você para de “traduzir” e começa a se comunicar. Em japonês, isso é um marco enorme.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari
  • Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.


Aula 3 — Conectando ideias em japonês: o segredo para parar de “falar em frases soltas”

 

           Uma das maiores viradas no aprendizado do japonês acontece quando você deixa de produzir frases isoladas e passa a conectar pensamentos. No começo, é normal falar “Eu vou. Eu não tenho tempo. Eu estou cansado.” — tudo separado, como se fosse uma lista. Só que, na realidade, a gente quase nunca fala assim. A gente explica, justifica, contrasta, negocia. E é exatamente aí que entram conectores como 〜から, 〜ので, でも e けど. Eles parecem simples, mas são os “tijolinhos” que deixam seu japonês mais natural, mais fluido e, principalmente, mais humano.

           Vamos começar por uma ideia bem cotidiana: você quer dizer que não pode ir a algum lugar. Em português, dificilmente você diria apenas “Não posso.” Geralmente vem um motivo junto: “Não posso porque estou trabalhando”, “Não dá porque estou sem dinheiro”, “Hoje não consigo porque estou com dor de cabeça”. Em japonês, essa relação de causa e efeito aparece com muita frequência, e duas formas dominam o dia a dia: 〜から e 〜ので.

           A estrutura 〜から é a mais direta. Ela passa uma sensação de justificativa firme, quase como “porque é isso e pronto”. Não é rude por si só, mas é bem objetiva. Por exemplo: 今日は忙しいから、無理。 Essa frase seria algo como “Hoje estou ocupado, então não dá.” É o tipo de coisa que você diria a um amigo, num tom casual. Em muitas situações, o から tem um ar de decisão: você apresenta o motivo e fecha a questão.

É ótimo quando você quer ser claro e rápido, mas pode soar um pouco “seco” se usado em contextos muito formais ou delicados.

           〜ので também significa “porque”, mas costuma soar mais suave e mais cuidadoso, como se você estivesse explicando pensando no outro lado. É muito comum em ambientes de trabalho, em atendimento ao público ou quando você quer manter uma postura mais polida. Compare: 今日は忙しいので、難しいです。 A tradução continua algo como “Como hoje estou ocupado, fica difícil.” Só que a sensação muda: parece menos “cortei o assunto” e mais “deixa eu te explicar a situação”. Essa nuance é valiosa, porque o japonês se importa muito com a forma como você conduz o clima da conversa.

           Um bom jeito de sentir essa diferença é pensar em português: “porque” às vezes sai em tom de

justificativa seca (“não vou porque não quero”), enquanto em outras situações vira explicação educada (“não vou porque estou com uma questão aqui, desculpa”). No japonês, a escolha entre から e ので ajuda a construir exatamente esse tom. E quando você começa a usar isso de forma consciente, seu japonês dá um salto de maturidade.

           Agora, mesmo quando a gente explica algo, a vida raramente é linear. Muitas vezes a gente quer dizer “sim, mas…”, “eu queria, porém…”, “eu até posso, só que…”. É aqui que entram でも e けど, duas formas super comuns de contraste. As duas podem ser traduzidas como “mas”, só que têm usos um pouco diferentes.

     でも costuma aparecer como um “mas” mais marcado, muitas vezes abrindo uma frase ou mudando o rumo do que foi dito. É aquele “Ok, entendi… mas olha só”. Por exemplo: 行きたい。でも、お金がない。 “Eu quero ir. Mas não tenho dinheiro.”

Perceba que ele cria uma pausa forte, como se a pessoa estivesse colocando um obstáculo bem claro na mesa. Você também vai ver muito でも em respostas, quando alguém concorda parcialmente e depois apresenta um ponto contrário.

           けど (ou けれど/けれども, mais formal) é o “mas” que cola mais naturalmente na fala do dia a dia. Ele tem um ar de continuidade, como quem deixa a frase aberta para o outro reagir. 行きたいけど、お金がない。 “Quero ir, mas não tenho dinheiro.” Em conversas reais, muitas vezes a pessoa usa けど e nem termina a frase totalmente, porque espera que o outro entenda e responda. É como em português quando alguém diz: “Eu até iria, mas…” e faz aquela pausa que já diz tudo.

           Essa característica do けど é uma joia para soar mais natural, porque ele permite sugerir, suavizar e negociar. Em vez de negar de forma dura, você pode usar けど para abrir espaço para uma alternativa. Por exemplo: 今日は難しいけど、明日なら大丈夫。 “Hoje é difícil, mas amanhã dá.” Isso é extremamente útil em trabalho, em estudos e em amizades, porque mostra boa vontade. Você não está só fechando uma porta; está oferecendo uma saída.

           E aqui vai um ponto importante para quem está no “intermediário iniciante”: essas estruturas não servem apenas para deixar a frase mais longa — elas servem para deixar sua fala mais parecida com a vida real. Quando você domina conectores, você consegue: justificar atrasos sem parecer frio, recusar convites sem parecer grosso, discordar sem criar tensão, e explicar decisões com clareza. Isso é comunicação de verdade.

           Na prática, um exercício poderoso é pegar uma frase curta e

transformá-la em três versões com “tons” diferentes. Vamos usar: “Hoje não posso.” Em japonês, você pode dizer: 今日は無理。 (bem direto, casual). Mas se você quer justificar: 今日は忙しいから、無理。 (direto e decidido). Se precisa ser educado: 今日は忙しいので、難しいです。 (polido e explicativo). Se quer manter portas abertas: 今日は忙しいけど、明日ならできます。 (recusa com alternativa). Percebe? Você não mudou o conteúdo principal — você mudou o clima.

           Esse é o tipo de habilidade que faz alguém parecer mais avançado mesmo com vocabulário simples. Porque o aluno não está apenas “falando palavras”; ele está conduzindo uma conversa. E isso, no japonês, conta muito.

           Antes de encerrar, vale lembrar: conectores não se aprendem só lendo regra. Eles se aprendem testando em frases suas, do seu dia, com situações reais. Pense em três cenas comuns: (1) você não pode responder agora porque está ocupado, (2) você quer ir, mas está sem dinheiro, (3) você até topa, mas prefere amanhã. Transforme essas cenas em frases usando から/ので e でも/けど. Esse treino constante é o que vai fazer a estrutura sair da cabeça e ir para a boca.

           No fim das contas, essa aula tem um objetivo bem claro: te dar ferramentas para que seu japonês pare de ser uma sequência de blocos e vire uma estrada contínua. Quando você aprende a ligar ideias, você começa a soar mais natural, entende melhor o que escuta, e se sente mais capaz de participar de conversas reais. É aí que o idioma começa a ficar vivo.

Referências bibliográficas

  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Basic Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1986.
  • MAKINO, Seiichi; TSUTSUI, Michio. A Dictionary of Intermediate Japanese Grammar. Tokyo: The Japan Times, 1995.
  • NAKAMA. Japanese Communication, Culture, Context. Boston: Cengage Learning, 2014.
  • BUNTING, Bruce; McCLAIN, Mari Noda. Japanese for Busy People I–II. Tokyo: Kodansha International, 2011.
  • NODA, Mari; OHNO, Yutaka. Japanese: The Spoken Language. New Haven: Yale University Press, 1987.

 

Estudo de caso envolvente — Módulo 1

 

“A mensagem que quase deu ruim” (favores + permissão/proibição + conectores)

           Aline está fazendo um curso com um professor japonês e, ao mesmo tempo, ajudando um grupo num projeto. Ela já consegue montar frases básicas, mas ainda “pensa em português”. Numa terça-feira, ela precisa de três coisas:

1.     Pedir para um colega revisar uma parte do relatório.

2.     Avisar que vai atrasar 10

minutos e justificar.

3.     Perguntar se pode entregar amanhã (permissão).

Parece simples… até ela escrever a mensagem.

Cena 1 — O pedido de favor que soa “errado” (〜てくれる / 〜てもらう / 〜てあげる)

Aline quer pedir ao colega Kenji para revisar o texto. Ela escreve:

Mensagem da Aline (erro comum):

レポートをチェックしてあげる?
(Algo como “Você checa pra mim?”)

O que aconteceu aqui?
Ela usou
〜てあげる achando que era “fazer para alguém”. Só que 〜てあげる coloca o foco em quem faz o favor e pode soar como “eu faço pra você” (às vezes até com ar de superioridade).

Em pergunta, fica especialmente estranho: parece que ela está “oferecendo” algo para o Kenji fazer como se fosse um favor dele para ela de um jeito meio torto.

Como evitar (jeito natural):

  • 友達/igualdade (casual):

ちょっとレポート見てくれる?

  • Mais polido (seguro no trabalho/curso):

すみません、レポートを見てもらえますか。

Por que funciona?

  • 〜てくれる?: “você faria isso por mim?” (natural entre conhecidos)
  • 〜てもらえますか: “eu poderia receber esse favor?” (mais educado e comum em contexto formal)

Dica de ouro:
Se você está pedindo um favor, a aposta mais segura é
〜てもらえる? / 〜てもらえますか.

Cena 2 — A permissão que vira “proibição” sem querer (〜てもいい / 〜てはいけない)

Agora Aline quer perguntar se pode entregar amanhã. Ela tenta montar rápido e escreve:

Mensagem da Aline (erro comum):

明日提出してはいけませんか。
(Ela queria dizer “Não tem problema entregar amanhã?”)

O que ela escreveu, de fato:
〜てはいけない é “não pode / é proibido”. Então a frase fica algo como:
“Não é proibido entregar amanhã?” — confusa e com cara de tradução literal.

Como evitar (formas corretas e naturais):

  • Permissão padrão (a mais importante):

明日提出してもいいですか。

  • Sutil e bem comum (checar se “tá ok”):

明日提出しても大丈夫ですか。

  • Se for com alguém bem próximo:

明日出してもいい?

Dica de ouro:

  • 〜てもいい = posso?
  • 〜てはいけない = não pode / proibido
    Não misture as duas na pressa.

Cena 3 — O “porque” que soa duro (〜から vs 〜ので) + contraste (でも/けど)

Aline está atrasada e quer justificar. Ela escreve:

Mensagem da Aline (erro comum):

10分遅れる。忙しいから。
Curta e direta demais. Em japonês, isso pode soar seco, tipo “vou atrasar. porque tô ocupado. e pronto.”

Em situações com professor, equipe ou alguém que você respeita, o tom importa.

Como evitar (tom adequado + fluidez):

  • Polido e natural:

すみません、今日は用事があるので、10分遅れます。

  • Se quiser oferecer alternativa (bem “adulto”):

10分遅れそうですけど、先に始めていてください。
(“Parece que vou atrasar, mas pode começar antes.”)

Quando usar cada um:

  • 〜から: mais direto (ok com amigos)
  • 〜ので: mais suave/educado (ótimo em mensagens profissionais)
  • けど: “mas…” que deixa espaço para negociar
  • でも: “mas” mais marcado (mudança de rumo, contraponto forte)

Versão final — A mensagem “redonda” (modelo completo)

Depois de revisar, Aline manda:

すみません、レポートを一度見てもらえますか。
今日は用事があるので、10分遅れます。
明日提出しても大丈夫ですか。

Resultado:

  • pedido educado (favor)
  • justificativa com tom adequado
  • permissão sem confusão

Erros mais comuns do Módulo 1 (e como evitar rápido)

1.     Usar 〜てあげる para pedir favor

o    Peça com 〜てくれる? (casual) ou 〜てもらえますか (polido)

2.     Confundir permissão com proibição

o    Permissão: 〜てもいい

o    Proibição: 〜てはいけない (placa/regra)

3.     Justificar com 〜から em contexto formal e soar seco

o    Em mensagens educadas, prefira 〜ので

4.     Falar “frases soltas” sem conexão

o    Use conectores: ので/から (motivo) + けど/でも (contraste)

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