Portal IDEA

Soldagem MAG

 SOLDAGEM MAG

 Técnica de Movimentação da Tocha na Soldagem MAG

 

A qualidade da solda no processo MAG (Metal Active Gas) depende de uma série de variáveis operacionais, entre elas a técnica de movimentação da tocha. Embora o domínio dos parâmetros elétricos, da proteção gasosa e da preparação das juntas seja essencial, é durante a execução da solda — no controle manual do arco — que o operador assegura a uniformidade, penetração e continuidade do cordão. A movimentação da tocha envolve fatores como direção do arco, velocidade de avanço, ângulo da tocha e tipo de oscilação, sendo todos determinantes para a geometria e a integridade da junta soldada.

 

1. Importância da Técnica de Movimentação da Tocha

A tocha de soldagem é o instrumento por meio do qual o soldador controla a posição e o comportamento do arco elétrico. No processo MAG, a tocha deve guiar o arame consumível até a poça de fusão ao mesmo tempo em que conduz o gás de proteção e a corrente elétrica. A forma como o operador movimenta a tocha influencia diretamente:

       A penetração da solda no metal base;

       A largura e o perfil do cordão;

            A uniformidade da poça de fusão;

A formação de defeitos como falta de fusão lateral, porosidade ou excesso de reforço.

Um operador bem treinado compreende que pequenas variações no movimento da tocha podem gerar diferenças significativas na qualidade do cordão.

 

2. Ângulo de Trabalho da Tocha

O ângulo da tocha em relação à peça deve ser mantido de forma constante, dentro de limites recomendados. Existem dois tipos principais de ângulos:

 

2.1 Ângulo de inclinação (ou ângulo de trabalho)

É a inclinação da tocha em relação ao plano da peça. Em soldas planas, o ângulo ideal varia entre 10° e 20°, inclinado na direção do avanço (técnica de arraste) ou contra o avanço (técnica de empurre). No processo MAG, a técnica de empurre é mais comum, pois melhora a visibilidade da poça, favorece a formação do cordão e reduz a penetração excessiva.

 

2.2 Ângulo transversal

É o ângulo lateral da tocha em relação à linha da junta. Deve ser mantido o mais perpendicular possível, com leves variações para acompanhar a geometria da junta. Um ângulo transversal muito inclinado causa cordões assimétricos e pode comprometer a fusão de uma das laterais.

 

3. Velocidade de Avanço

A velocidade de movimentação da tocha deve ser constante e compatível com a corrente e a tensão aplicadas. Avanço excessivamente rápido resulta em:

velocidade de movimentação da tocha deve ser constante e compatível com a corrente e a tensão aplicadas. Avanço excessivamente rápido resulta em:

       Cordões estreitos e irregulares;

       Risco de falta de fusão e porosidade;

       Aspecto rugoso ou descontínuo.

Por outro lado, avanço muito lento gera:

       Cordões largos com excesso de reforço;

       Sobreaquecimento da peça e maior risco de trincas;

       Penetração excessiva ou colapsos na junta.

Em chapas finas, é preferível uma velocidade maior para evitar sobreaquecimento e distorções. Já em chapas espessas, velocidades menores favorecem a fusão completa das bordas.

 

4. Técnicas de Oscilação da Tocha

A oscilação da tocha é um movimento lateral aplicado durante o avanço longitudinal, com a finalidade de controlar a largura do cordão, garantir a fusão das bordas da junta e reduzir defeitos. As técnicas mais comuns são:

4.1 Movimento retilíneo (sem oscilação)

Utilizado em juntas estreitas e chapas finas, proporciona maior controle da poça de fusão e menor aporte térmico. Ideal para cordões de raiz e soldas com juntas bem ajustadas.

 

4.2 Oscilação em “zigue-zague”

A tocha se move lateralmente em pequenos ângulos, em sincronia com o avanço. Essa técnica é útil em juntas com folga maior ou em filetes largos, pois assegura a fusão completa das bordas.

 

4.3 Oscilação em “meia-lua” ou “V”

A tocha realiza um movimento semicircular entre as bordas da junta, pausando ligeiramente nas extremidades para permitir fusão adequada. É recomendada em passes de enchimento e acabamento, ou em juntas com chanfro.

 

4.4 Oscilação em “tecimento”

Movimento mais amplo, geralmente utilizado em soldagens verticais ou sobrecabeça, onde a gravidade dificulta o controle da poça. O tecimento permite distribuir o calor de forma mais uniforme e evitar escorrimento do metal fundido.

 

A amplitude da oscilação não deve ser excessiva. Oscilações muito largas provocam sobreaquecimento, dificultam o controle do arco e resultam em cordões com concavidade ou convexidade excessivas.

 

5. Distância entre a Tocha e a Peça (Stick-Out)

O stick-out é a distância entre o bico de contato e a peça. Para arames sólidos, o ideal é mantê-lo entre 10 e 20 mm, dependendo do diâmetro do arame e da corrente. Um stick-out muito curto reduz a área de proteção gasosa e aumenta o desgaste do bico. Já um stick-out muito longo reduz a estabilidade do arco, causa queda de tensão e aumento de

respingos.

O controle adequado dessa distância favorece uma transferência metálica mais estável e um cordão de melhor qualidade.

 

6. Cuidados Práticos na Movimentação da Tocha

Durante a soldagem, é importante que o operador mantenha:

       Postura adequada e visibilidade da junta;

       Controle firme e suave da tocha, evitando movimentos bruscos;

           Sincronismo entre alimentação de arame, avanço e oscilação;

Monitoramento constante do som do arco, pois alterações indicam variações nos parâmetros.

Deve-se evitar interromper a soldagem no meio da junta sem motivo técnico, pois isso pode gerar descontinuidades, crateras ou trincas. Quando necessário, o fim do cordão deve ser concluído com técnica de “arredondamento” ou sobreposição suave.

 

Conclusão

A movimentação da tocha é uma habilidade fundamental na soldagem MAG, influenciando diretamente a qualidade e a estética do cordão. O domínio dos movimentos — incluindo o ângulo, a velocidade, o tipo de oscilação e a distância da peça — permite ao operador adaptar-se a diferentes tipos de junta, posições de soldagem e espessuras de material.

 

Embora máquinas modernas ofereçam cada vez mais controle automatizado, o fator humano permanece determinante na execução de soldas confiáveis. A prática, aliada ao conhecimento técnico, garante não apenas a eficiência do processo, mas também a segurança das estruturas soldadas.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       ABNT. NBR 14842 – Qualificação de Soldadores. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


Controle de Banho de Fusão na Soldagem MAG

 

O controle do banho de fusão é uma habilidade essencial para qualquer profissional que atua com soldagem, especialmente no processo MAG (Metal Active Gas), em que o arco elétrico, o arame consumível e o gás de proteção interagem simultaneamente. O banho de fusão — também chamado de poça de fusão — corresponde à região de metal fundido formada momentaneamente pelo calor gerado pelo arco elétrico. A capacidade de controlar esse banho é determinante para obter cordões de solda com boa penetração, geometria

adequada, sem defeitos estruturais e com aparência regular.

 

1. O Que É o Banho de Fusão

Durante a soldagem, o calor do arco elétrico funde o metal base e o metal de adição, criando uma poça de fusão temporária que se solidifica logo após o avanço da tocha. Esse metal líquido permanece por alguns instantes em estado fundido, sendo altamente sensível a fatores como temperatura, gravidade, atmosfera ao redor, velocidade de resfriamento e técnica do operador.

 

No processo MAG, em que o arame é alimentado continuamente e o gás ativo participa da proteção e, em alguns casos, da reação com o metal, o controle do banho se torna ainda mais importante. Um banho instável pode gerar porosidade, falta de fusão, trincas, deformações, ou cordões mal formados.

 

2. Fatores que Influenciam o Banho de Fusão

O comportamento da poça de fusão é influenciado por diversos fatores, que devem ser ajustados conforme a aplicação:

 

2.1 Corrente elétrica (amperagem)

A corrente determina a quantidade de calor no arco. Correntes mais altas aumentam a fluidez do banho, facilitando a penetração, mas também exigem maior habilidade para controlar a poça e evitar que ela ultrapasse os limites da junta.

 

2.2 Tensão (voltagem)

Tensões elevadas produzem arcos mais longos e banhos mais largos e rasos. Tensões muito baixas, por outro lado, resultam em banhos pequenos, difíceis de controlar e com risco de falta de fusão.

 

2.3 Velocidade de avanço da tocha

Movimentos muito rápidos não permitem tempo suficiente para o calor fundir completamente o metal, resultando em penetração insuficiente. Movimentos lentos geram excesso de calor, banhos muito grandes e risco de colapsos.

 

2.4 Tipo de gás e fluxo de proteção

Gases ativos como o CO₂ e misturas com argônio afetam a fluidez do banho. Um fluxo inadequado de gás pode permitir a entrada de contaminantes que alteram o comportamento do metal fundido.

 

2.5 Posição de soldagem

A gravidade influencia diretamente a forma e o controle do banho. Em posições plana e horizontal, a poça tende a se manter mais estável. Já nas posições vertical e sobrecabeça, o risco de escorrimento do metal líquido é elevado, exigindo técnicas especiais para controle do banho.

 

3. Técnicas para Controlar o Banho de Fusão

O controle adequado do banho de fusão envolve a coordenação entre visão, tato e prática operacional. A seguir, algumas técnicas utilizadas:

 

3.1 Controle visual do banho

Observar o formato, o brilho e o

comportamento do metal fundido é a principal referência para o operador. Um banho muito brilhante e instável pode indicar excesso de calor; um banho opaco e pequeno pode indicar falta de penetração.

 

O operador deve identificar o limite da poça e manter o arco sempre ligeiramente à frente dela, permitindo que o metal solidifique gradualmente sem interromper a fusão.

 

3.2 Oscilação da tocha

Oscilar a tocha lateralmente permite distribuir o calor de forma mais uniforme e controlar a largura do banho. A pausa nas bordas durante a oscilação ajuda a garantir a fusão lateral adequada.

 

Essa técnica é essencial em juntas chanfradas e em passes de enchimento, especialmente em posições inclinadas.

 

3.3 Regulação de stick-out

A distância entre o bico de contato e a peça influencia a transferência de calor. Um stick-out muito curto gera aquecimento excessivo, dificultando o controle. Um stick-out muito longo reduz a estabilidade do arco e gera um banho inconsistente.

 

A recomendação geral é manter entre 10 mm e 20 mm, ajustando conforme o diâmetro do arame e a corrente usada.

 

3.4 Redução do aporte térmico

Em peças finas ou posições críticas, é necessário reduzir o aporte térmico total. Isso pode ser feito com:

       Ajustes nos parâmetros de soldagem (corrente e tensão);

       Redução do tempo de exposição do arco em uma mesma área;

       Utilização de técnicas como soldagem em cadeia ou em trechos alternados.

4. Controle do Resfriamento do Banho

A solidificação controlada do banho é tão importante quanto seu controle durante a fusão. Resfriamento muito rápido pode causar trincas, especialmente em aços com elevado teor de carbono ou em juntas rígidas. Resfriamento muito lento pode gerar estruturas metalúrgicas indesejadas, como grãos grossos ou zonas afetadas pelo calor com baixa resistência.

Para controlar o resfriamento, utilizam-se práticas como:

       Aplicação de pré-aquecimento (em materiais espessos ou de difícil soldabilidade);

       Uso de temperatura de interpasse controlada (entre passes de solda);

       Proteção da solda após a execução, para evitar choque térmico.

 

5. Erros Comuns e Consequências

Alguns erros relacionados ao controle do banho de fusão podem comprometer seriamente a solda:

       Banho descontrolado: excesso de calor ou baixa habilidade do operador. Gera escorrimento e soldas irregulares;

       Poça muito pequena: corrente ou tensão insuficiente. Causa falta de

penetração;

       Oscilação    exagerada: resulta         em     cordões       largos          e        com descontinuidades;

       Velocidade irregular: causa variação na geometria do cordão e formação de crateras ou depressões;

       Interrupções bruscas: causam poros, trincas na cratera e descontinuidade metalúrgica.

A prevenção desses problemas exige treinamento prático contínuo, conhecimento técnico e experiência acumulada.


Conclusão

O controle do banho de fusão é uma das competências mais importantes na soldagem MAG. Exige atenção constante, conhecimento dos parâmetros e domínio das técnicas de movimentação da tocha. Uma poça bem controlada resulta em cordões de solda mais limpos, resistentes e livres de defeitos.

 

A prática constante e a observação crítica durante a execução da solda permitem que o operador desenvolva a sensibilidade necessária para ajustar, em tempo real, seus movimentos e os parâmetros do processo. Com isso, é possível garantir não apenas a integridade estrutural da solda, mas também reduzir retrabalhos, aumentar a produtividade e promover maior eficiência nos processos de fabricação e montagem.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


 

Prevenção de Defeitos Comuns na Soldagem MAG: Respingos e Porosidade

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é amplamente utilizada na indústria metalúrgica por sua eficiência, automação e boa qualidade das soldas produzidas. No entanto, como em qualquer processo de soldagem por arco elétrico, podem ocorrer defeitos indesejáveis que comprometem a resistência mecânica, a aparência e a durabilidade das juntas soldadas. Entre os defeitos mais comuns estão os respingos metálicos e a porosidade. A ocorrência desses problemas está relacionada ao ajuste inadequado dos parâmetros, à qualidade dos insumos, à técnica de execução e à limpeza das superfícies. A seguir, são abordadas as principais causas e estratégias para a prevenção eficaz desses dois defeitos no contexto do processo MAG.

 

1. Respingos: Causas e

Prevenção

Os respingos são pequenas partículas de metal fundido que se projetam para fora da poça de fusão durante a soldagem e se solidificam na superfície da peça ou nas proximidades do cordão. Embora nem sempre comprometam a resistência da junta, os respingos geram retrabalho, pioram o acabamento da peça e podem interferir no funcionamento de componentes móveis ou sensíveis.

 

1.1 Principais causas de respingos

       Parâmetros incorretos: correntes muito altas, tensão desregulada ou velocidade inadequada de alimentação do arame podem causar instabilidade no arco, promovendo ejeção de partículas metálicas;

       Stick-out excessivo: distância demasiada entre o bico de contato e a peça reduz o controle do arco e favorece respingos;

       Gás de proteção inadequado: o uso de CO₂ puro, apesar de econômico, favorece a formação de respingos em comparação com misturas de Ar + CO₂;

       Transferência metálica por curto-circuito mal ajustada: em baixas tensões e com alimentação irregular do arame, a transferência se torna violenta e propensa a respingos;

       Superfícies sujas ou contaminadas: a presença de óleo, umidade ou óxidos altera o comportamento do arco e a fusão do metal.

 

1.2 Estratégias de prevenção

       Ajustar corretamente corrente e tensão: manter os parâmetros dentro das faixas recomendadas pelo fabricante do equipamento e do consumível;

       Utilizar misturas gasosas apropriadas: misturas como Ar + 15% a 25% CO₂ proporcionam arco mais estável e menos respingos do que CO₂ puro;

       Reduzir o stick-out: manter entre 10 e 20 mm, dependendo do arame utilizado;

       Manter a tocha com ângulo adequado: inclinação entre 10° e 20° favorece a direção do arco e melhora a estabilidade;

       Limpar adequadamente as superfícies: utilizar desengraxantes, escovas ou lixas para remover contaminantes antes da soldagem;

       Verificar alimentação do arame: sistema de alimentação irregular ou com pressão inadequada nos roletes pode causar variações que geram respingos.

Além disso, o uso de produtos anti-respingo na região ao redor da junta pode facilitar a limpeza posterior sem comprometer a integridade da solda.

 

2. Porosidade: Causas e Prevenção

A porosidade consiste na presença de cavidades ou bolhas de gás aprisionadas no interior do cordão de solda. Esse defeito é mais crítico do que os respingos, pois compromete diretamente a resistência mecânica e a estanqueidade da junta. Poros internos

ou superficiais podem provocar falhas em estruturas submetidas a esforço, pressão ou vibração, além de serem causas de reprovação em ensaios de qualidade.


2.1 Principais causas de porosidade

       Contaminação superficial: óleos, tintas, umidade e ferrugem liberam gases durante a fusão, que não conseguem escapar e ficam

aprisionados na solidificação do metal;

       Fluxo de gás protetor inadequado: vazão insuficiente não protege a poça da atmosfera; excesso de fluxo pode causar turbulência e arrastar ar para dentro da poça;

       Vazamentos nas conexões ou mangueiras: a entrada de ar no sistema de gás prejudica a eficiência da proteção;

       Tocha muito distante ou mal posicionada: a distância inadequada entre a tocha e a poça diminui a cobertura do gás;

       Umidade no arame ou nos consumíveis: especialmente em arames armazenados em locais úmidos, que absorvem água e liberam hidrogênio durante a soldagem.

 

2.2 Estratégias de prevenção

       Preparar corretamente as superfícies: remover óleos, graxas, umidade, ferrugem e tintas da área a ser soldada;

       Verificar e ajustar a vazão do gás de proteção: geralmente entre 10 e 20 L/min, conforme o tipo de junta e ambiente;

       Evitar soldar em ambientes com correntes de ar: vento ou ventiladores próximos podem dissipar o gás protetor e deixar a poça exposta;

       Manter a tocha estável e na distância adequada: posicionar corretamente a tocha melhora a cobertura da poça e permite que os gases escapem antes da solidificação;

       Armazenar corretamente os consumíveis: manter os carretéis de arame em local seco e, se necessário, usar estufas para secagem antes do uso;

       Testar o sistema de gás periodicamente: detectar e corrigir vazamentos em conexões, manômetros e mangueiras com espuma ou sensores.

Além disso, a execução de cordões de solda com avanço contínuo e sem interrupções abruptas facilita a liberação de gases da poça e reduz a formação de poros.

 

3. Inspeção e Correção dos Defeitos

Após a execução da solda, é possível identificar a presença de respingos e porosidade por inspeção visual e, quando necessário, por ensaios não destrutivos como radiografia e ultrassom. Cordões com porosidade superficial visível ou respingos excessivos podem ser reprojetados, retrabalhados ou removidos para nova soldagem.

 

A correção de porosidade interna, quando detectada, pode exigir a remoção do cordão comprometido e nova execução com parâmetros

revisados. Já os respingos podem ser removidos por esmerilhamento ou escovação, mas esse retrabalho consome tempo e recursos, podendo também danificar o acabamento da peça.

 

Conclusão

A prevenção de respingos e porosidade no processo de soldagem MAG está diretamente ligada ao conhecimento técnico do operador, ao uso de equipamentos em bom estado, à preparação adequada das superfícies e ao ajuste preciso dos parâmetros de soldagem. Embora sejam defeitos comuns, sua ocorrência pode ser praticamente eliminada com práticas corretas e atenção aos detalhes do processo.

 

Adotar medidas preventivas não apenas melhora a qualidade do cordão de solda, como também reduz retrabalho, aumenta a produtividade e eleva o nível de confiabilidade das estruturas fabricadas. O domínio dessas estratégias é indispensável para profissionais que buscam excelência em soldagem.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.

 

 

Critérios Básicos de Qualidade em Soldagem MAG

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é amplamente utilizada na indústria devido à sua versatilidade, automação e capacidade de produzir juntas metálicas com bom desempenho mecânico. Contudo, para que as soldas atendam às exigências funcionais e estruturais dos projetos, é fundamental que se respeitem critérios básicos de qualidade, definidos por normas técnicas, procedimentos de fabricação e boas práticas operacionais. A qualidade da solda está associada tanto à ausência de defeitos quanto à adequação dimensional, geométrica e metalúrgica da junta executada. Esses critérios são aplicáveis desde a preparação das superfícies até a inspeção final do cordão soldado.

 

1. Integridade Metalúrgica da Solda

Um dos primeiros critérios de qualidade em soldagem está relacionado à continuidade metalúrgica entre o metal base e o metal de adição. Para que essa união ocorra de forma eficiente, é necessário que haja fusão completa das superfícies em contato e ausência de falhas internas. A penetração adequada é um indicador crucial: ela garante que o metal

fundido atinja a raiz da junta e promova uma ligação sólida e resistente.

 

A integridade metalúrgica também depende do controle da zona termicamente afetada (ZTA), que deve apresentar microestrutura estável e sem fragilizações. Materiais sensíveis ao calor exigem pré-aquecimento, controle de temperatura de interpasse e parâmetros específicos para evitar trincas ou alterações indesejadas.

 

2. Aspecto e Geometria do Cordão de Solda

Outro critério básico de qualidade refere-se à geometria do cordão de solda. O cordão deve apresentar:

       Perfil uniforme, sem variações abruptas na largura ou altura;

       Reforço controlado, evitando excesso de material acima da superfície;

       Transição suave entre o cordão e a peça, sem degraus, socavados ou sobreposição;

       Simetria nos cordões de filete, garantindo distribuição equilibrada da carga;

       Ausência de crateras nas extremidades, que podem ser focos de trincas ou falhas.

O acabamento da solda influencia não apenas a estética da peça, mas também a resistência à fadiga, à corrosão e à propagação de trincas.

 

3. Ausência de Defeitos Visuais e Internos

A solda ideal é aquela livre de defeitos superficiais e internos. Entre os defeitos mais comuns que comprometem a qualidade da solda estão:

       Porosidade: causada pela presença de gases aprisionados durante a solidificação;

       Trincas: formadas por tensões internas ou resfriamento inadequado;

       Inclusões de escória: fragmentos não metálicos presos dentro do cordão;

       Falta de fusão: quando o metal de adição não se liga ao metal base;

       Socavamento: erosão nas bordas da junta, causada por excesso de calor ou técnica inadequada.

A detecção desses defeitos pode ser feita por inspeção visual, ensaios não destrutivos (líquido penetrante, partículas magnéticas, ultrassom) ou ensaios destrutivos, dependendo da criticidade da aplicação.

 

4. Parâmetros Operacionais Controlados

O controle dos parâmetros de soldagem é um critério básico e essencial para garantir a repetibilidade e a qualidade do processo. Isso inclui:

       Corrente elétrica (amperagem): influencia a penetração e a taxa de deposição;

       Tensão (voltagem): determina a largura do arco e a estabilidade da poça de fusão;

       Velocidade de alimentação do arame: controla o volume de metal adicionado por segundo; Vazão do gás de proteção: deve ser adequada para evitar contaminação do banho;

      

Velocidade de avanço da tocha: precisa ser constante e compatível com os demais parâmetros.

A variação desses fatores sem controle pode resultar em soldas defeituosas, com alterações dimensionais, baixa resistência e aparência irregular.

 

5. Conformidade com Procedimentos e Normas Técnicas

Toda soldagem industrial deve seguir procedimentos de soldagem qualificados (EPS ou WPS) e estar de acordo com as normas técnicas aplicáveis. Essas normas definem critérios de aceitação para cordões de solda, tolerâncias dimensionais, limites de defeitos e métodos de inspeção. No Brasil, as principais normas relacionadas à soldagem incluem:

       ABNT NBR 1614 – Terminologia de Soldagem;

       ABNT NBR 14842 – Qualificação de Soldadores;

           ASME Seção IX – Procedimentos e qualificação de soldagem;

            AWS D1.1 – Código estrutural de soldagem em aço.

A conformidade com essas normas garante que a solda atenda aos requisitos de projeto, segurança e durabilidade.

 

6. Rastreabilidade e Documentação

Um aspecto cada vez mais valorizado nos critérios de qualidade é a rastreabilidade do processo de soldagem. Isso inclui:

       Identificação do operador responsável;

       Registro dos parâmetros utilizados;

       Lotes de consumíveis empregados;

       Resultados dos ensaios e inspeções realizadas.

Essa documentação é fundamental para auditorias, controle de qualidade e eventuais análises de falhas. Em projetos de grande porte ou com exigência de certificações internacionais, a rastreabilidade é obrigatória.

 

7. Qualificação e Capacitação dos Soldadores

Nenhum critério de qualidade pode ser cumprido sem profissionais capacitados. A qualificação do soldador, conforme os processos, posições e materiais específicos, é um requisito básico. Além da certificação técnica, a experiência prática, o domínio da movimentação da tocha, o controle visual da poça de fusão e a aplicação das boas práticas são determinantes para o sucesso da soldagem.

 

O investimento em treinamento contínuo e avaliação periódica dos operadores é uma prática recomendada em ambientes industriais que buscam excelência e produtividade.

 

Conclusão

Os critérios básicos de qualidade na soldagem MAG englobam aspectos técnicos, operacionais, visuais e normativos. A busca pela qualidade não se resume à aparência do cordão, mas envolve um conjunto de exigências que garantem a integridade estrutural, o desempenho mecânico e a durabilidade das

juntas soldadas.

 

Para atender a esses critérios, é necessário um controle rigoroso do processo, desde a preparação das superfícies até a inspeção final. A qualificação dos profissionais, o cumprimento das normas técnicas, a utilização de equipamentos calibrados e a aplicação correta dos procedimentos são os pilares que sustentam a excelência em soldagem.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       ABNT. NBR 14842 – Qualificação de Soldadores. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


 

Identificação de Defeitos Visuais em Soldagem MAG

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é amplamente empregada na indústria pela sua produtividade, flexibilidade e qualidade nas uniões metálicas. No entanto, como qualquer processo de fabricação, pode apresentar falhas durante ou após a execução. A inspeção visual da solda é uma das formas mais imediatas, econômicas e eficazes de se detectar defeitos superficiais que comprometem a integridade, a estética e a funcionalidade da junta soldada. Embora nem todos os defeitos possam ser detectados visualmente, a maioria das não conformidades críticas se manifesta inicialmente na superfície do cordão, tornando a inspeção visual uma etapa obrigatória no controle de qualidade da soldagem.

 

1. Importância da Inspeção Visual

A inspeção visual é o primeiro e mais simples método de avaliação da qualidade de uma solda. Ela pode ser realizada antes, durante e após o processo de soldagem, permitindo a identificação precoce de problemas operacionais, desvios de procedimento e defeitos aparentes.

Esse tipo de inspeção exige:

       Iluminação adequada da área examinada;

       Superfícies limpas, sem escória ou resíduos;

       Conhecimento técnico por parte do inspetor sobre normas de aceitação, tipos de defeitos e causas prováveis.

Além disso, a inspeção visual pode ser complementada com instrumentos simples, como réguas, calibradores de cordão, lupa de ampliação e gabaritos para verificação de ângulos e dimensões.

 

2. Principais Defeitos

Visuais em Soldagem MAG

2.1 Reforço excessivo ou insuficiente

O reforço do cordão é a quantidade de material depositado acima do plano da peça. Embora algum reforço seja necessário, o excesso pode indicar deposição exagerada, aquecimento indevido e consumo excessivo de material. Já o reforço insuficiente compromete a resistência mecânica da junta.

 

2.2 Socavado (undercut)

O socavado é uma depressão ao longo da borda do cordão, resultante de fusão excessiva da borda da peça sem preenchimento adequado. Visualmente, parece um "sulco" rente ao cordão. Compromete a resistência à fadiga e pode gerar trincas.

Causas comuns: corrente muito alta, velocidade excessiva de avanço, ângulo inadequado da tocha.

 

2.3 Porosidade superficial

São cavidades visíveis na superfície do cordão, causadas por gases que ficaram aprisionados no metal fundido e não escaparam antes da solidificação. Indicam falha na proteção gasosa ou contaminação da superfície.

Causas comuns: umidade, óleo, ferrugem, vazamento de gás, vazão insuficiente ou excesso de vento no local da soldagem.

 

2.4 Trinca superficial

Trincas visíveis no cordão ou nas proximidades indicam tensões residuais elevadas ou falhas metalúrgicas. São defeitos graves, mesmo quando pequenas, pois podem se propagar sob carga.

Causas comuns: resfriamento rápido, rigidez excessiva da junta, falta de controle térmico (pré-aquecimento e temperatura de interpasse).

 

2.5 Inclusão de escória

Embora mais comum na soldagem com eletrodo revestido, também pode ocorrer na soldagem MAG com arames tubulares. A escória é um resíduo sólido que não foi removido entre os passes e ficou aprisionado.

Identificação visual: manchas ou irregularidades na superfície, pontos escuros ou cavidades não metálicas.

2.6 Irregularidade no cordão

Cordões com largura variável, altura desigual, sobreposição ou falta de continuidade indicam falhas na movimentação da tocha ou instabilidade do arco.

Causas comuns: oscilação incorreta da tocha, velocidade de avanço inconsistente, alimentação de arame irregular, interrupções no arco.

 

2.7 Crateras e terminações mal acabadas

As extremidades do cordão devem ser terminadas com cuidado. Crateras (rebaixamentos no final do cordão) são locais propensos ao surgimento de trincas por retração térmica.

Boa prática: aplicar técnica de preenchimento no final do cordão ou sobreposição de passes.

 

3. Normas de Aceitação e Critérios Visuais

A inspeção visual deve seguir os

critérios estabelecidos por normas técnicas que definem os limites de aceitação de cada tipo de defeito. As normas mais utilizadas incluem:

       ABNT NBR 14842 – Qualificação de soldadores;

       ABNT NBR 1614 – Terminologia de soldagem;

            AWS D1.1 – Structural Welding Code – Steel;

            ISO 5817 – Welding – Fusion-welded joints in steel.

Essas normas especificam a dimensão máxima admissível para poros, profundidade de socavados, largura de reforço, entre outros parâmetros. A solda pode ser classificada em diferentes níveis de exigência (ex: níveis B, C ou D na ISO 5817), conforme a criticidade da aplicação.

 

4. Ferramentas e Procedimentos de Inspeção

A inspeção visual pode ser realizada com instrumentos simples, entre eles:

       Luz branca fria com boa intensidade (mínimo 500 lux);

       Régua milimetrada e calibradores de solda;

           Esquadro e gabaritos para verificação de ângulos;

           Lupa de aumento (5 a 10x), quando necessário.

A sequência ideal de inspeção inclui:

1.     Verificação da limpeza da peça: garantir que não há resíduos que ocultem defeitos;

2.     Inspeção do aspecto geral do cordão: uniformidade, alinhamento, forma;

3.     Verificação de dimensões: altura, largura, reforço, ângulos de transição;

4.     Identificação de defeitos visíveis: como trincas, poros, socavados, entre outros.

A inspeção deve ser registrada com laudos, fotografias ou relatórios conforme a exigência do projeto.

 

5. Limitações e Complementos da Inspeção Visual

Embora essencial, a inspeção visual tem limitações. Defeitos internos, como trincas sub-superficiais, porosidades internas ou falta de fusão na raiz, só podem ser detectados por ensaios não destrutivos complementares, como:

       Líquido penetrante (para trincas superficiais);       Partículas magnéticas (em materiais ferromagnéticos);

       Ultrassom ou radiografia (para defeitos internos).

Entretanto, a inspeção visual continua sendo o primeiro filtro de qualidade e pode evitar que peças defeituosas avancem para etapas mais caras da produção.

 

Conclusão

A identificação de defeitos visuais na soldagem MAG é uma prática fundamental no controle de qualidade industrial. Por meio de inspeções bem conduzidas, é possível detectar desvios ainda no início do processo, evitando falhas estruturais, retrabalhos e custos adicionais.

O sucesso da inspeção visual depende de profissionais treinados, conhecimento das

sucesso da inspeção visual depende de profissionais treinados, conhecimento das normas técnicas, domínio dos tipos de defeitos e atenção aos detalhes do cordão de solda. Quando integrada a um sistema de gestão da qualidade e combinada com ensaios complementares, a inspeção visual se torna uma poderosa ferramenta para assegurar a confiabilidade de produtos soldados.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       ABNT. NBR 14842 – Qualificação de Soldadores. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       ISO 5817. Welding – Fusion-welded joints in steel – Quality levels for imperfections. ISO, 2014.


A Importância da Padronização dos Processos na Soldagem MAG

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é um processo de união por fusão amplamente utilizado na fabricação de estruturas metálicas, equipamentos industriais, veículos, dutos e em diversos setores produtivos. Sua popularidade decorre da versatilidade, da possibilidade de automação e da boa relação entre custo e desempenho. Contudo, para garantir a qualidade, a segurança e a repetibilidade das juntas soldadas, torna-se essencial adotar práticas padronizadas ao longo de todas as etapas do processo. A padronização consiste na definição e aplicação de regras, métodos e parâmetros uniformes, devidamente documentados, que asseguram que os procedimentos sejam executados de forma previsível e controlada.

 

1. Conceito e Objetivos da Padronização

Padronizar um processo de soldagem significa formalizar um conjunto de orientações técnicas para que todas as atividades envolvidas — desde a preparação das peças até a inspeção final — sejam realizadas de maneira consistente, segura e conforme as normas técnicas aplicáveis.

Os principais objetivos da padronização incluem:

               Assegurar a qualidade das soldas em todas as etapas do processo;

       Reduzir variações e retrabalho, promovendo estabilidade e previsibilidade;

       Facilitar a qualificação de soldadores, treinando-os com base em critérios claros e objetivos;

    Cumprir exigências legais e normativas, principalmente em setores regulados;

       Melhorar a produtividade, eliminando desperdícios e falhas operacionais;

       Garantir rastreabilidade e

rastreabilidade e confiabilidade, especialmente em projetos de médio e grande porte.

A padronização é uma exigência em sistemas de gestão da qualidade baseados em normas como ISO 9001, ISO 3834 e códigos de soldagem como AWS D1.1, ASME Seção IX e ABNT NBR 14842.

 

2. Elementos da Padronização em Soldagem MAG

Para que a padronização seja efetiva no processo MAG, é necessário que alguns documentos e práticas estejam formalmente definidos, revisados e implementados no ambiente produtivo.

 

2.1 Procedimento de Soldagem Qualificado (EPS ou WPS)

O Procedimento Escrito de Soldagem (EPS), também conhecido como Welding Procedure Specification (WPS), é o documento técnico que define todos os parâmetros do processo de soldagem, incluindo:

       Tipo de material base e metal de adição;

       Tipo de junta e posição de soldagem;

       Gás de proteção, diâmetro do arame, corrente e tensão;

       Tipo de transferência metálica e sequência de passes;

       Temperatura de pré-aquecimento e interpasse.

Esse procedimento deve ser elaborado por profissional qualificado, testado e aprovado conforme as normas aplicáveis. A adoção de EPS reduz significativamente erros operacionais e assegura a uniformidade das juntas.

 

2.2 Qualificação de Soldadores (RQF)

A padronização da qualificação dos operadores garante que apenas profissionais treinados e testados atuem em posições ou juntas específicas. A Regra de Qualificação de Soldador (RQF) determina quais processos, posições e materiais o soldador está autorizado a executar. Isso evita que soldagens críticas sejam feitas por operadores não habilitados.


2.3 Instruções de trabalho e fichas operacionais

As instruções de trabalho padronizadas orientam o soldador no dia a dia da produção, com base no EPS, adaptadas à linguagem prática e operacional. Essas instruções contêm ilustrações, sequências de montagem, preparação de peças e valores recomendados para os parâmetros principais, facilitando a execução correta da atividade.

 

2.4 Controle e rastreabilidade

A padronização inclui também a documentação de lotes de arames, gases e consumíveis, controle de temperatura ambiente, registros de inspeção e emissão de relatórios técnicos. Esses dados asseguram a rastreabilidade da produção e são fundamentais em auditorias e investigações de falhas.

 

3. Benefícios da Padronização para a Qualidade

A adoção de processos padronizados traz benefícios concretos para a qualidade e a eficiência das

padronizados traz benefícios concretos para a qualidade e a eficiência das operações de soldagem MAG:

       Redução de falhas e retrabalho: menos erros na execução, menor perda de material e menor necessidade de correções;

       Melhoria na repetibilidade do processo: diferentes operadores produzem soldas semelhantes, com características técnicas padronizadas;

       Aumento da produtividade: soldagens mais rápidas, com menos paradas para ajustes ou correções;

       Melhor controle da qualidade: com parâmetros definidos, fica mais fácil detectar desvios e corrigi-los com agilidade;

       Facilidade na auditoria e certificações: empresas com processos padronizados atendem com mais facilidade às exigências de certificações de qualidade, segurança e ambientais.

 

4. Riscos da Ausência de Padronização

A falta de padronização no processo de soldagem pode resultar em diversos problemas operacionais e estruturais, tais como:

Soldas com propriedades inconsistentes, que comprometem a resistência da junta;

    Trincas, porosidades e falhas de fusão, devido a variações nos parâmetros;

    Equipamentos mal ajustados, com perda de eficiência e desgaste prematuro;

Dificuldades na qualificação de processos e operadores, prejudicando a conformidade com normas e licitações;

Perda de competitividade, devido ao aumento de custos com retrabalho, desperdícios e atrasos.

Empresas que operam sem padronização comprometem sua confiabilidade técnica e sua imagem perante clientes e órgãos reguladores.

 

5. A Padronização como Cultura Organizacional

Mais do que documentos e tabelas, a padronização deve ser compreendida como parte de uma cultura organizacional voltada para a excelência operacional. Isso implica:

       Envolver os operadores na elaboração e revisão dos procedimentos;

       Treinar continuamente os profissionais sobre as instruções padronizadas; Estimular o feedback e a melhoria contínua dos processos estabelecidos;

       Integrar os setores de produção, engenharia, controle de qualidade e segurança.

Quando todos compreendem a importância da padronização e seguem os mesmos procedimentos, os resultados são visíveis na qualidade do produto final, na redução de perdas e na valorização do trabalho técnico.


Conclusão

A padronização dos processos de soldagem MAG é um requisito indispensável para alcançar qualidade, produtividade e conformidade técnica em ambientes industriais. Por meio da definição de

procedimentos, qualificação de operadores, controle dos parâmetros e documentação adequada, é possível assegurar que as juntas soldadas atendam às exigências dos projetos e das normas aplicáveis.

 

Empresas que investem na padronização obtêm maior controle sobre a produção, reduzem falhas, ganham eficiência e fortalecem sua reputação no mercado. A padronização não é uma burocracia, mas sim um instrumento estratégico de gestão e competitividade.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       ABNT. NBR 14842 – Qualificação de Soldadores. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       ISO 3834. Quality requirements for fusion welding of metallic materials. International Organization for Standardization, 2015.


 

Riscos Físicos e Químicos da Soldagem

 

A soldagem é uma atividade fundamental para diversos setores industriais, como a metalurgia, a construção civil, a fabricação de veículos, plataformas, dutos e estruturas metálicas em geral. Embora o processo de soldagem MAG (Metal Active Gas) seja amplamente utilizado por sua eficiência, ele envolve uma série de riscos ocupacionais, especialmente de natureza física e química, que podem comprometer a saúde e a segurança do trabalhador quando não há o controle adequado. A exposição contínua a radiações, calor, fumos metálicos e gases tóxicos exige a aplicação rigorosa de medidas preventivas e o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

 

1. Riscos Físicos Associados à Soldagem

Os riscos físicos na soldagem são aqueles provocados por agentes como radiação não ionizante, calor, ruído, choque elétrico e iluminação inadequada, que atuam sobre o corpo do trabalhador durante a execução do processo.

 

1.1 Radiação não ionizante

Durante a soldagem por arco elétrico, como no processo MAG, é gerada uma intensa emissão de radiações ultravioletas (UV), infravermelhas (IV) e luz visível de alta intensidade. Essas radiações podem causar:

       Lesões oculares, como queimaduras na retina e inflamações da córnea (conhecida como “cegueira de soldador”);

       Queimaduras na pele, semelhantes às causadas por exposição

prolongada ao sol.

A proteção contra essas radiações exige o uso de máscara de solda com filtro adequado (nível de escurecimento compatível com a amperagem utilizada) e vestimentas que cubram completamente a pele.


1.2 Calor e queimaduras térmicas

A poça de fusão pode atingir temperaturas superiores a 3.000 °C, e a radiação térmica afeta o ambiente ao redor da área de soldagem. O contato direto com respingos de metal fundido, peças aquecidas ou superfícies metálicas pode causar queimaduras graves.

 

É indispensável o uso de luvas de raspa, avental de couro, mangas e perneiras, além de calçados fechados e resistentes ao calor.

 

1.3 Ruído

Muitos processos de soldagem, incluindo a MAG, produzem níveis de ruído acima de 85 decibéis, especialmente quando combinados com corte, esmerilhamento e preparação de peças. A exposição contínua pode causar perda auditiva progressiva (PAIR).

 

A proteção deve ser feita com protetores auriculares tipo concha ou plug sempre que os limites de tolerância forem excedidos, conforme determina a NR 15 do Ministério do Trabalho.

 

1.4 Choque elétrico

O arco elétrico utilizado na soldagem MAG exige a circulação de corrente de média a alta intensidade. Equipamentos com aterramento inadequado, cabos danificados ou contato com partes energizadas podem resultar em choques elétricos graves ou fatais.

 

A segurança elétrica envolve a inspeção constante dos cabos, o uso de máquinas com manutenção em dia e a adoção de práticas seguras, como não tocar nos eletrodos ou peças energizadas com as mãos molhadas.


1.5 Iluminação e visibilidade

Ambientes mal iluminados podem dificultar a visualização da poça de fusão e dos dispositivos de trabalho, aumentando o risco de acidentes. A luz emitida pelo arco também pode causar ofuscamento em trabalhadores próximos sem proteção visual adequada.

 

Painéis de proteção, cortinas antichama e layout seguro do posto de trabalho são medidas importantes para minimizar a exposição a esses riscos.

 

2. Riscos Químicos Associados à Soldagem

A soldagem também envolve a exposição a diversos agentes químicos nocivos, principalmente por meio da inalação de fumos metálicos, vapores de gases de proteção, óxidos e subprodutos de combustão de contaminantes da peça.

 

2.1 Fumos metálicos

Durante a fusão do arame e da peça, partículas metálicas se volatilizam e se condensam em forma de fumos finos, invisíveis a olho nu, que podem ser inalados pelo soldador. Esses fumos contêm

metais como:

       Ferro e manganês, associados a doenças respiratórias e efeitos neurológicos (como a manganismo);

       Cromo e níquel, presentes em aços inoxidáveis, com potencial carcinogênico;

       Chumbo, zinco, alumínio e cobre, dependendo dos consumíveis e das ligas utilizadas.

A exposição crônica a esses fumos está relacionada a doenças como bronquite, asma ocupacional, fibrose pulmonar e câncer do sistema respiratório.

 

2.2 Gases de proteção e subprodutos tóxicos

No processo MAG, são utilizados gases ativos como CO₂ puro ou misturas de argônio com CO₂. Embora esses gases não sejam tóxicos em si, sua liberação em ambientes fechados pode deslocar o oxigênio, provocando anoxia. Além disso, a ação do arco elétrico sobre contaminantes (como tinta, óleo e ferrugem) pode liberar:

       Monóxido de carbono (CO): gás tóxico que impede o transporte de oxigênio no sangue;

       Óxidos de nitrogênio (NOx): irritantes das vias respiratórias e causadores de doenças pulmonares crônicas;

       Ozônio (O₃): formado pela ação do arco sobre o oxigênio, pode causar irritação nos olhos e no trato respiratório.

O controle desses riscos químicos exige ventilação adequada, uso de exaustores localizados e, em alguns casos, respiradores com filtros apropriados (PFF2 ou PFF3).

 

3. Normas Técnicas e Legislação Aplicável

A legislação brasileira e normas internacionais estabelecem diretrizes claras para o controle dos riscos na soldagem. Entre as principais referências, destacam-se:

       NR 6 – Equipamentos de Proteção Individual: determina o uso obrigatório de EPIs adequados à atividade;

       NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA): exige o mapeamento dos riscos físicos e químicos no ambiente de trabalho;

       NR 15 – Atividades e Operações Insalubres: define limites de tolerância para ruído, calor e agentes químicos;

       ISO 15011: estabelece métodos para medição de fumos e gases de soldagem;

       ABNT NBR 16325: trata da segurança em ambientes com soldagem elétrica.

A implementação de programas de higiene ocupacional, treinamentos periódicos e fiscalização ativa são parte integrante de um ambiente de trabalho seguro.


4. Prevenção e Controle dos Riscos

A prevenção dos riscos físicos e químicos na soldagem envolve ações em diferentes níveis:

       Coletivo: ventilação adequada, exaustão localizada, isolamento da área de soldagem, sinalização de risco;

       Individual: uso

correto de EPIs (máscara de solda, luvas, avental, protetores auriculares, respiradores);

       Administrativo: capacitação dos trabalhadores, monitoramento ambiental, exames médicos periódicos, manutenção de equipamentos;

       Técnico: escolha de processos de soldagem com menor emissão de poluentes, substituição de materiais tóxicos, automação parcial das operações.

A participação ativa do soldador, da supervisão técnica e da equipe de segurança do trabalho é essencial para garantir um ambiente controlado e saudável.

 

Conclusão

A soldagem, especialmente pelo processo MAG, envolve uma série de riscos físicos e químicos que não podem ser ignorados. A exposição constante a calor intenso, radiações, fumos metálicos e gases tóxicos exige uma abordagem sistemática de prevenção, com foco na identificação dos perigos, controle das fontes de risco, uso de EPIs e adoção de boas práticas de segurança.

 

A gestão eficaz desses riscos é fundamental não apenas para proteger a saúde dos trabalhadores, mas também para garantir a produtividade, a conformidade legal e a qualidade dos produtos soldados. Investir em segurança é investir na continuidade e na sustentabilidade das operações industriais.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Health and Safety. 4th ed. Miami: AWS, 2020.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       BRASIL. Ministério do Trabalho. Normas Regulamentadoras – NR 6, NR 9, NR 15.

       ISO. ISO 15011 – Health and safety in welding and allied processes.

       ACGIH. Threshold Limit Values for Chemical Substances and Physical Agents. Cincinnati: American Conference of Governmental Industrial Hygienists, 2023.


Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) na Soldagem

 

A soldagem é uma atividade amplamente empregada na indústria metalúrgica, naval, automotiva, civil e de infraestrutura. Apesar de sua importância estratégica, trata-se de uma operação que expõe o trabalhador a diversos riscos ocupacionais, tanto físicos quanto químicos. Para minimizar tais riscos e preservar a integridade física do profissional, é essencial o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que atuam como barreiras diretas contra agentes perigosos gerados durante o processo. No caso da soldagem MAG (Metal Active Gas), a escolha adequada e o uso

contínuo dos EPIs são condições indispensáveis para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.

 

1. Conceito e Importância dos EPIs

Segundo a NR 6 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), EPI é todo dispositivo ou produto de uso individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção contra riscos capazes de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. No contexto da soldagem, esses equipamentos são responsáveis por proteger contra queimaduras, radiações, choques elétricos, inalação de fumos metálicos, partículas volantes, ruído e outros agentes agressivos.

 

A importância dos EPIs vai além da proteção imediata: seu uso adequado reduz afastamentos, doenças ocupacionais, acidentes e custos com tratamentos médicos e indenizações, além de contribuir para a melhoria do clima organizacional e da produtividade.

 

2. Principais EPIs Utilizados na Soldagem MAG

2.1 Máscara de solda com filtro de escurecimento

A máscara de solda é um dos EPIs mais característicos e fundamentais da atividade de soldagem. Ela protege o rosto, especialmente os olhos e a pele, contra a intensa radiação ultravioleta (UV), infravermelha (IV) e luz visível do arco elétrico.

Existem      máscaras      com      escurecimento      fixo      e      automático

(autoescurecimento), sendo estas últimas as mais seguras e eficazes, pois adaptam instantaneamente o nível de proteção ao tipo de arco e intensidade da solda.

 

De acordo com a norma ANSI Z87.1 e a NBR 16325, o filtro deve ter grau de escurecimento compatível com a corrente elétrica usada, geralmente entre 10 e 13 para processos com arco elétrico.

 

2.2 Respirador (máscara para fumos metálicos)

Durante a soldagem, especialmente em ambientes confinados ou pouco ventilados, o trabalhador pode inalar fumos metálicos, vapores de óxidos e gases tóxicos. Para isso, é necessário o uso de respiradores com filtro PFF2 ou PFF3, que retêm partículas tóxicas sem comprometer a respiração.

 

Em soldagens com materiais como aço inoxidável (que liberam cromo e níquel), o uso de respiradores adequados é ainda mais crítico devido ao potencial carcinogênico desses elementos. Em ambientes com alta concentração de contaminantes, pode-se empregar respiradores motorizados com purificadores de ar (PAPR).

 

2.3 Luvas de proteção térmica

As luvas de raspa ou vaqueta, resistentes ao calor e a respingos de metal fundido, são essenciais na proteção das mãos contra queimaduras, cortes e abrasões. Elas devem ter comprimento

resistentes ao calor e a respingos de metal fundido, são essenciais na proteção das mãos contra queimaduras, cortes e abrasões. Elas devem ter comprimento suficiente para proteger também os punhos e antebraços, sendo reforçadas nas costuras para resistir à temperatura elevada e ao atrito.

 

2.4 Avental, mangas e perneiras de couro

O avental de raspa ou vaqueta protege o tronco e a parte frontal do corpo. Já as mangas e perneiras complementam essa proteção nos braços e pernas, evitando queimaduras provocadas por fagulhas ou respingos. Esses EPIs são especialmente necessários na soldagem em posições horizontais, verticais ou sobrecabeça, onde o risco de contato com metal fundido é maior.

2.5 Botas de segurança

As botas com biqueira de aço ou composite, solado antiderrapante e cano médio a alto são fundamentais para proteger os pés contra impactos, objetos cortantes e respingos de metal fundido. Devem ser confeccionadas em material resistente ao calor e ao escorregamento, além de possuir palmilha antiperfuro, quando necessário.

 

2.6 Protetor auricular

O ruído do arco elétrico, em combinação com outras atividades industriais, pode ultrapassar os limites de tolerância definidos pela NR 15. O uso de protetores auriculares tipo concha ou plug de inserção evita lesões auditivas cumulativas, como a perda auditiva induzida por ruído (PAIR).

 

3. Obrigações Legais e Responsabilidades

A legislação brasileira estabelece, por meio da NR 6, que é dever do empregador:

       Fornecer os EPIs adequados gratuitamente aos trabalhadores;

       Garantir que os EPIs estejam em perfeito estado de conservação e funcionamento;

       Treinar os trabalhadores sobre o uso correto, a guarda e a higienização dos equipamentos;

       Substituir os EPIs danificados ou fora da validade;

       Exigir o uso efetivo dos equipamentos nas atividades que o requerem.

Por sua vez, é obrigação do trabalhador:

       Utilizar os EPIs conforme as instruções recebidas;

       Zelar pela conservação dos equipamentos;

       Comunicar ao empregador qualquer irregularidade ou dano nos EPIs.

A inobservância dessas obrigações pode acarretar autuações administrativas, acidentes de trabalho e penalidades civis e criminais.

 

 

4. Boas Práticas no Uso dos EPIs

Para garantir a eficácia da proteção individual, é necessário ir além da simples entrega dos equipamentos. Algumas boas práticas incluem:

Realização de treinamentos práticos e periódicos com

demonstração do uso correto dos EPIs;

            Adoção de checklists de verificação diária dos equipamentos;

       Promoção de campanhas de conscientização sobre segurança e saúde ocupacional;

       Manutenção de registros de entrega e recebimento dos EPIs, com data e assinatura;

       Disponibilização de EPIs sob medida ou adaptados em casos específicos (por exemplo, para pessoas com deficiência ou limitações físicas).

 

5. EPIs x EPCs: Ações Complementares

Embora os EPIs sejam fundamentais, eles devem ser sempre considerados a última barreira de proteção. O ideal é adotar medidas de Engenharia de Controle Coletivo (EPCs), como:

            Instalação de ventilação local exaustora;

       Isolamento físico da área de soldagem com cortinas e painéis antichama;

       Monitoramento ambiental com medição de fumos e gases;

       Automação de tarefas de risco por meio de soldagem robotizada.

Essas ações reduzem a exposição direta aos agentes de risco e promovem um ambiente mais seguro e controlado.

 

Conclusão

Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são recursos indispensáveis na proteção do trabalhador que atua em processos de soldagem, especialmente no MAG. Sua correta seleção, utilização e manutenção são fatores determinantes para prevenir acidentes, reduzir afastamentos e garantir a saúde ocupacional.

A eficácia dos EPIs depende da integração entre normas técnicas, ações educativas, gestão de segurança e cultura organizacional comprometida com a prevenção. Investir em EPIs de qualidade e no treinamento contínuo dos trabalhadores é uma medida inteligente e essencial para a sustentabilidade das operações industriais.

 

Referências Bibliográficas

       BRASIL.     Ministério   do      Trabalho      e        Emprego.    Norma

Regulamentadora NR 6 – Equipamento de Proteção Individual.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Safety and Health. 4th ed. Miami: AWS, 2020.

       ANSI Z87.1. Occupational and Educational Personal Eye and Face Protection Devices. American National Standards Institute, 2020.

       ACGIH. Threshold Limit Values (TLVs) for Chemical Substances and Physical Agents. Cincinnati: American Conference of Governmental Industrial Hygienists, 2023.

 

 

Normas Básicas de Segurança: NR-6,

NR-12 e NR-18

 

No contexto das atividades industriais e da construção civil, a segurança do trabalho é um pilar essencial para a prevenção de acidentes, a preservação da saúde do trabalhador e o cumprimento da legislação. No Brasil, as diretrizes legais sobre segurança e saúde ocupacional são regulamentadas pelas Normas Regulamentadoras (NRs), elaboradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Entre as normas mais diretamente relacionadas ao ambiente de produção, destacam-se a NR-6, que trata dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a NR-12, que aborda a segurança no trabalho em máquinas e equipamentos, e a NR-18, voltada à indústria da construção. A aplicação integrada dessas normas constitui a base para ambientes laborais mais seguros, organizados e produtivos.

 

1. NR-6 – Equipamento de Proteção Individual

A NR-6, aprovada pela Portaria MTb nº 3.214/78, estabelece os requisitos mínimos para o fornecimento, uso e fiscalização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Seu objetivo é garantir que os trabalhadores estejam adequadamente protegidos contra riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos quando não for possível eliminar os perigos por meio de medidas de proteção coletiva.

 

Principais obrigações do empregador segundo a NR-6:

       Fornecer gratuitamente aos empregados os EPIs adequados aos riscos da atividade;

       Exigir o uso efetivo dos equipamentos;

       Fornecer orientações e treinamentos sobre o uso, conservação e substituição dos EPIs;

       Substituir imediatamente os equipamentos danificados ou fora da validade;

       Registrar a entrega dos EPIs mediante termo assinado pelo empregado.

Principais obrigações do empregado:

       Utilizar corretamente os EPIs conforme orientações recebidas;

       Zelar pela conservação dos equipamentos;

       Comunicar ao empregador qualquer dano ou irregularidade nos EPIs fornecidos.

A NR-6 determina também que todo EPI deve possuir o Certificado de Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho, o que assegura que o produto atende aos requisitos técnicos de segurança.

 

2. NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos

A NR-12, uma das normas mais abrangentes e técnicas, trata da instalação, operação, manutenção e inspeção de máquinas e equipamentos

utilizados nas atividades laborais. Seu objetivo é garantir que as máquinas sejam seguras para os operadores e demais trabalhadores expostos direta ou indiretamente a

nas atividades laborais. Seu objetivo é garantir que as máquinas sejam seguras para os operadores e demais trabalhadores expostos direta ou indiretamente a seus sistemas mecânicos, elétricos, pneumáticos ou hidráulicos.

 

Atualizada por diversas portarias, a NR-12 exige que todos os equipamentos sejam dotados de dispositivos de segurança, como:

       Proteções fixas e móveis contra partes móveis;

       Sistemas de parada de emergência;

       Comandos de partida e parada acessíveis;

       Sinalização adequada;

       Manuais de operação e manutenção em português.

Além disso, a norma exige que os trabalhadores sejam treinados e capacitados para operar cada tipo de máquina, conhecendo seus riscos específicos, procedimentos seguros e limitações técnicas.

 

A NR-12 aplica-se a novas e antigas máquinas, nacionais ou importadas, e é especialmente relevante em ambientes industriais com grande diversidade de equipamentos, como oficinas de soldagem, metalúrgicas, serralherias e canteiros mecanizados.

3. NR-18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção

A NR-18 estabelece as diretrizes de organização e administração de canteiros de obras e frentes de trabalho no setor da construção civil, visando à implementação de medidas de controle e prevenção de acidentes. Seu campo de aplicação abrange toda a cadeia de produção da construção, incluindo atividades de montagem, escavação, elevação, demolição, soldagem, instalações elétricas e uso de andaimes.

 

Principais exigências da NR-18:

       Elaboração e implementação do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) específico para obras;

       Organização dos canteiros com foco em higiene, segurança e conforto (instalações sanitárias, refeitórios, áreas de descanso);

       Adoção de medidas de proteção coletiva como guarda-corpos, redes de proteção e sinalização de áreas de risco;

       Treinamento admissional e periódico dos trabalhadores, com conteúdos adaptados às funções desempenhadas;

Condições seguras de operação de elevadores, guindastes, andaimes, escadas e plataformas;

    Inspeções regulares em equipamentos e ferramentas, com registros documentados.

A NR-18 é fundamental para mitigar os riscos típicos da construção civil, como quedas de altura, choques elétricos, soterramentos, colisões com máquinas e exposição a materiais tóxicos. Sua aplicação deve ser constante e monitorada por profissionais de segurança do trabalho.

 

4.

Aplicações Integradas das Normas

Embora tratem de temas distintos, as NR-6, NR-12 e NR-18 possuem forte interdependência, sendo frequentemente aplicadas de forma complementar no ambiente de trabalho. Por exemplo:

       Um operador de máquina (NR-12) em um canteiro de obras (NR-18) deve utilizar EPIs (NR-6) compatíveis com os riscos da operação;

       Uma oficina de soldagem industrial deve instalar dispositivos de segurança em máquinas (NR-12), organizar o ambiente de trabalho conforme as normas da construção (NR-18) e fornecer EPIs específicos para soldagem (NR-6);

       A não observância das obrigações previstas nessas normas pode gerar multas, interdições e responsabilização civil e criminal em caso de acidentes.

Além disso, essas NRs dialogam com outras normas do sistema jurídico trabalhista, como a NR-7 (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional), NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) e a CLT.

 

5. Responsabilidade e Cultura de Segurança

A aplicação efetiva das normas depende da responsabilidade compartilhada entre empregadores, trabalhadores, engenheiros, técnicos de segurança, sindicatos e órgãos fiscalizadores. Criar uma cultura organizacional baseada na prevenção significa:

       Promover treinamentos regulares e acessíveis a todos os funcionários;

       Envolver os trabalhadores na identificação de riscos e soluções;

       Monitorar e revisar continuamente os procedimentos de segurança;

       Investir em melhorias estruturais e tecnológicas para reduzir os riscos na origem.

Empresas que cumprem rigorosamente as NRs não apenas evitam penalizações legais, mas também reduzem custos com afastamentos, aumentam a produtividade e fortalecem sua imagem institucional.

 

Conclusão

As Normas Regulamentadoras NR-6, NR-12 e NR-18 constituem pilares fundamentais para garantir a segurança, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores nos mais diversos setores industriais e da construção civil. A correta aplicação dessas normas promove ambientes de trabalho mais seguros, organizados e eficientes, além de assegurar o cumprimento da legislação trabalhista vigente.

O investimento em segurança deve ser entendido não como custo, mas como parte essencial da gestão de pessoas, da qualidade dos produtos e da sustentabilidade das operações. A adesão rigorosa às normas é um compromisso ético, legal e estratégico de toda organização.

 

Referências Bibliográficas

       BRASIL. Ministério do Trabalho e

Emprego. NR 6 – Equipamento de Proteção Individual. Portaria nº 3.214/78.

       BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos. Portaria nº 197/2010 e atualizações.

       BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 – Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Portaria nº 3.214/78 e atualizações.

       ABNT. NBR 16325 – Equipamentos de proteção individual –

Requisitos gerais e métodos de ensaio.

       SILVA, Ricardo R. da. Segurança no Trabalho Industrial. Rio de Janeiro: LTC, 2020.

       MOURA, Djalma A. de. Segurança do Trabalho Aplicada à

Construção Civil. São Paulo: Érica, 2018.

Quer acesso gratuito a mais materiais como este?

Acesse materiais, apostilas e vídeos em mais de 3000 cursos, tudo isso gratuitamente!

Matricule-se Agora