SOLDAGEM MAG
Técnica de Movimentação da Tocha na Soldagem MAG
A qualidade da solda no processo
MAG (Metal Active Gas) depende de uma série de variáveis operacionais, entre
elas a técnica de movimentação da tocha.
Embora o domínio dos parâmetros elétricos, da proteção gasosa e da preparação
das juntas seja essencial, é durante a execução da solda — no controle manual
do arco — que o operador assegura a uniformidade, penetração e continuidade do
cordão. A movimentação da tocha envolve fatores como direção do arco, velocidade
de avanço, ângulo da tocha e tipo de oscilação, sendo todos
determinantes para a geometria e a integridade da junta soldada.
A tocha de soldagem é o instrumento por meio do qual o
soldador controla a posição e o comportamento do arco elétrico. No processo
MAG, a tocha deve guiar o arame consumível até a poça de fusão ao mesmo tempo
em que conduz o gás de proteção e a corrente elétrica. A forma como o operador
movimenta a tocha influencia diretamente:
• A
penetração da solda no metal base;
• A
largura e o perfil do cordão;
• A formação de defeitos como falta de
fusão lateral, porosidade ou excesso de reforço.
Um operador bem treinado
compreende que pequenas variações no movimento da tocha podem gerar diferenças
significativas na qualidade do cordão.
O ângulo da tocha em relação à
peça deve ser mantido de forma constante, dentro de limites recomendados.
Existem dois tipos principais de ângulos:
É a inclinação da tocha em
relação ao plano da peça. Em soldas planas, o ângulo ideal varia entre 10° e 20°, inclinado na direção do
avanço (técnica de arraste) ou contra o avanço (técnica de empurre). No
processo MAG, a técnica de empurre é mais comum, pois melhora a visibilidade da
poça, favorece a formação do cordão e reduz a penetração excessiva.
É o ângulo lateral da tocha em
relação à linha da junta. Deve ser mantido o mais perpendicular possível, com
leves variações para acompanhar a geometria da junta. Um ângulo transversal
muito inclinado causa cordões assimétricos e pode comprometer a fusão de uma
das laterais.
A velocidade de movimentação da tocha deve ser constante e compatível com a corrente e a tensão aplicadas. Avanço excessivamente rápido resulta em:
velocidade de movimentação da tocha deve ser constante e
compatível com a corrente e a tensão aplicadas. Avanço excessivamente rápido
resulta em:
• Cordões
estreitos e irregulares;
• Risco
de falta de fusão e porosidade;
• Aspecto
rugoso ou descontínuo.
Por outro lado, avanço muito lento gera:
• Cordões
largos com excesso de reforço;
• Sobreaquecimento
da peça e maior risco de trincas;
• Penetração
excessiva ou colapsos na junta.
Em chapas finas, é preferível uma
velocidade maior para evitar sobreaquecimento e distorções. Já em chapas
espessas, velocidades menores favorecem a fusão completa das bordas.
A oscilação da tocha é um
movimento lateral aplicado durante o avanço longitudinal, com a finalidade de
controlar a largura do cordão, garantir a fusão das bordas da junta e reduzir
defeitos. As técnicas mais comuns são:
Utilizado em juntas estreitas e
chapas finas, proporciona maior controle da poça de fusão e menor aporte
térmico. Ideal para cordões de raiz e soldas com juntas bem ajustadas.
A tocha se move lateralmente em
pequenos ângulos, em sincronia com o avanço. Essa técnica é útil em juntas com
folga maior ou em filetes largos, pois assegura a fusão completa das bordas.
A tocha realiza um movimento
semicircular entre as bordas da junta, pausando ligeiramente nas extremidades
para permitir fusão adequada. É recomendada em passes de enchimento e
acabamento, ou em juntas com chanfro.
Movimento mais amplo, geralmente
utilizado em soldagens verticais ou sobrecabeça, onde a gravidade dificulta o
controle da poça. O tecimento permite distribuir o calor de forma mais uniforme
e evitar escorrimento do metal fundido.
A amplitude da oscilação não deve
ser excessiva. Oscilações muito largas provocam sobreaquecimento, dificultam o
controle do arco e resultam em cordões com concavidade ou convexidade
excessivas.
O stick-out é a distância entre o bico de contato e a peça. Para arames sólidos, o ideal é mantê-lo entre 10 e 20 mm, dependendo do diâmetro do arame e da corrente. Um stick-out muito curto reduz a área de proteção gasosa e aumenta o desgaste do bico. Já um stick-out muito longo reduz a estabilidade do arco, causa queda de tensão e aumento de
respingos.
O controle adequado dessa
distância favorece uma transferência metálica mais estável e um cordão de
melhor qualidade.
6.
Cuidados Práticos na Movimentação da Tocha
Durante a soldagem, é importante que o operador mantenha:
• Postura adequada e visibilidade da junta;
• Controle firme e suave da tocha,
evitando movimentos bruscos;
• Monitoramento constante do som do arco, pois alterações indicam
variações nos parâmetros.
Deve-se evitar interromper a
soldagem no meio da junta sem motivo técnico, pois isso pode gerar
descontinuidades, crateras ou trincas. Quando necessário, o fim do cordão deve
ser concluído com técnica de “arredondamento” ou sobreposição suave.
A movimentação da tocha é uma
habilidade fundamental na soldagem MAG, influenciando diretamente a qualidade e
a estética do cordão. O domínio dos movimentos — incluindo o ângulo, a
velocidade, o tipo de oscilação e a distância da peça — permite ao operador
adaptar-se a diferentes tipos de junta, posições de soldagem e espessuras de
material.
Embora máquinas modernas ofereçam
cada vez mais controle automatizado, o fator humano permanece determinante na
execução de soldas confiáveis. A prática, aliada ao conhecimento técnico,
garante não apenas a eficiência do processo, mas também a segurança das
estruturas soldadas.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Handbook.
9th ed. Miami: AWS, 2012.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• ABNT.
NBR 14842 – Qualificação de Soldadores.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• PEREIRA,
A. B. et al. Soldagem: Processos e
Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.
O controle do banho de fusão é uma habilidade essencial para qualquer profissional que atua com soldagem, especialmente no processo MAG (Metal Active Gas), em que o arco elétrico, o arame consumível e o gás de proteção interagem simultaneamente. O banho de fusão — também chamado de poça de fusão — corresponde à região de metal fundido formada momentaneamente pelo calor gerado pelo arco elétrico. A capacidade de controlar esse banho é determinante para obter cordões de solda com boa penetração, geometria
adequada, sem defeitos estruturais e com aparência regular.
Durante a soldagem, o calor do
arco elétrico funde o metal base e o metal de adição, criando uma poça de fusão temporária que se
solidifica logo após o avanço da tocha. Esse metal líquido permanece por alguns
instantes em estado fundido, sendo altamente sensível a fatores como
temperatura, gravidade, atmosfera ao redor, velocidade de resfriamento e
técnica do operador.
No processo MAG, em que o arame é
alimentado continuamente e o gás ativo participa da proteção e, em alguns
casos, da reação com o metal, o controle do banho se torna ainda mais
importante. Um banho instável pode gerar porosidade,
falta de fusão, trincas, deformações, ou
cordões mal formados.
O comportamento da poça de fusão
é influenciado por diversos fatores, que devem ser ajustados conforme a
aplicação:
A corrente determina a quantidade de calor no arco. Correntes
mais altas aumentam a fluidez do banho, facilitando a penetração, mas também
exigem maior habilidade para controlar a poça e evitar que ela ultrapasse os
limites da junta.
Tensões elevadas produzem arcos
mais longos e banhos mais largos e rasos. Tensões muito baixas, por outro lado,
resultam em banhos pequenos, difíceis de controlar e com risco de falta de
fusão.
Movimentos muito rápidos não
permitem tempo suficiente para o calor fundir completamente o metal, resultando
em penetração insuficiente. Movimentos lentos geram excesso de calor, banhos
muito grandes e risco de colapsos.
Gases ativos como o CO₂ e
misturas com argônio afetam a fluidez do banho. Um fluxo inadequado de gás pode
permitir a entrada de contaminantes que alteram o comportamento do metal
fundido.
A gravidade influencia
diretamente a forma e o controle do banho. Em posições plana e horizontal, a
poça tende a se manter mais estável. Já nas posições vertical e sobrecabeça, o
risco de escorrimento do metal líquido é elevado, exigindo técnicas especiais
para controle do banho.
O controle adequado do banho de
fusão envolve a coordenação entre visão,
tato e prática operacional. A seguir, algumas técnicas utilizadas:
Observar o formato, o brilho e o
comportamento do metal
fundido é a principal referência para o operador. Um banho muito brilhante e
instável pode indicar excesso de calor; um banho opaco e pequeno pode indicar
falta de penetração.
O operador deve identificar o
limite da poça e manter o arco sempre ligeiramente
à frente dela, permitindo que o metal solidifique gradualmente sem
interromper a fusão.
Oscilar a tocha lateralmente
permite distribuir o calor de forma mais uniforme e controlar a largura do
banho. A pausa nas bordas durante a oscilação ajuda a garantir a fusão lateral
adequada.
Essa técnica é essencial em
juntas chanfradas e em passes de enchimento, especialmente em posições
inclinadas.
A distância entre o bico de
contato e a peça influencia a transferência de calor. Um stick-out muito curto gera aquecimento excessivo, dificultando o
controle. Um stick-out muito longo reduz a estabilidade do arco e gera um banho
inconsistente.
A recomendação geral é manter
entre 10 mm e 20 mm, ajustando conforme o diâmetro do arame e a corrente usada.
Em peças finas ou posições críticas, é necessário reduzir o
aporte térmico total. Isso pode ser feito com:
• Ajustes
nos parâmetros de soldagem (corrente e tensão);
• Redução
do tempo de exposição do arco em uma mesma área;
• Utilização
de técnicas como soldagem em cadeia ou em trechos alternados.
A solidificação
controlada do banho é tão importante quanto seu controle durante a fusão.
Resfriamento muito rápido pode causar trincas, especialmente em aços com
elevado teor de carbono ou em juntas rígidas. Resfriamento muito lento pode
gerar estruturas metalúrgicas indesejadas, como grãos grossos ou zonas afetadas
pelo calor com baixa resistência.
Para controlar o resfriamento,
utilizam-se práticas como:
• Aplicação
de pré-aquecimento (em materiais espessos ou de difícil soldabilidade);
• Uso
de temperatura de interpasse controlada (entre passes de solda);
• Proteção
da solda após a execução, para evitar choque térmico.
Alguns erros relacionados ao
controle do banho de fusão podem comprometer seriamente a solda:
• Banho descontrolado: excesso de calor
ou baixa habilidade do operador. Gera escorrimento e soldas irregulares;
• Poça muito pequena: corrente ou tensão insuficiente. Causa falta de
penetração;
• Oscilação exagerada:
resulta em
cordões largos e com descontinuidades;
• Velocidade irregular: causa variação na
geometria do cordão e formação de crateras ou depressões;
• Interrupções bruscas: causam poros,
trincas na cratera e descontinuidade metalúrgica.
A prevenção desses problemas
exige treinamento prático contínuo,
conhecimento técnico e experiência acumulada.
O controle do banho de fusão é
uma das competências mais importantes na soldagem MAG. Exige atenção constante,
conhecimento dos parâmetros e domínio das técnicas de movimentação da tocha.
Uma poça bem controlada resulta em cordões de solda mais limpos, resistentes e
livres de defeitos.
A prática constante e a
observação crítica durante a execução da solda permitem que o operador
desenvolva a sensibilidade necessária para ajustar, em tempo real, seus
movimentos e os parâmetros do processo. Com isso, é possível garantir não
apenas a integridade estrutural da solda, mas também reduzir retrabalhos,
aumentar a produtividade e promover maior eficiência nos processos de
fabricação e montagem.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Handbook.
9th ed. Miami: AWS, 2012.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• ABNT.
NBR 1614 – Terminologia de Soldagem.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• PEREIRA,
A. B. et al. Soldagem: Processos e
Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.
A soldagem MAG (Metal Active Gas)
é amplamente utilizada na indústria metalúrgica por sua eficiência, automação e
boa qualidade das soldas produzidas. No entanto, como em qualquer processo de
soldagem por arco elétrico, podem ocorrer defeitos
indesejáveis que comprometem a resistência mecânica, a aparência e a
durabilidade das juntas soldadas. Entre os defeitos mais comuns estão os respingos metálicos e a porosidade. A ocorrência desses
problemas está relacionada ao ajuste inadequado dos parâmetros, à qualidade dos
insumos, à técnica de execução e à limpeza das superfícies. A seguir, são
abordadas as principais causas e estratégias para a prevenção eficaz desses
dois defeitos no contexto do processo MAG.
Os respingos são pequenas partículas de metal fundido que se projetam
para fora da poça de fusão durante a soldagem e se solidificam na superfície da
peça ou nas proximidades do cordão. Embora nem sempre comprometam a resistência
da junta, os respingos geram retrabalho, pioram o acabamento da peça e podem
interferir no funcionamento de componentes móveis ou sensíveis.
• Parâmetros incorretos: correntes muito
altas, tensão desregulada ou velocidade inadequada de alimentação do arame
podem causar instabilidade no arco, promovendo ejeção de partículas metálicas;
• Stick-out excessivo: distância
demasiada entre o bico de contato e a peça reduz o controle do arco e favorece
respingos;
• Gás de proteção inadequado: o uso de
CO₂ puro, apesar de econômico, favorece a formação de respingos em comparação
com misturas de Ar + CO₂;
• Transferência metálica por curto-circuito
mal ajustada: em baixas tensões e com alimentação irregular do arame, a
transferência se torna violenta e propensa a respingos;
• Superfícies sujas ou contaminadas: a
presença de óleo, umidade ou óxidos altera o comportamento do arco e a fusão do
metal.
• Ajustar corretamente corrente e tensão:
manter os parâmetros dentro das faixas recomendadas pelo fabricante do
equipamento e do consumível;
• Utilizar misturas gasosas apropriadas:
misturas como Ar + 15% a 25% CO₂ proporcionam arco mais estável e menos
respingos do que CO₂ puro;
• Reduzir o stick-out: manter entre 10 e
20 mm, dependendo do arame utilizado;
• Manter a tocha com ângulo adequado:
inclinação entre 10° e 20° favorece a direção do arco e melhora a estabilidade;
• Limpar adequadamente as superfícies:
utilizar desengraxantes, escovas ou lixas para remover contaminantes antes da
soldagem;
• Verificar alimentação do arame: sistema
de alimentação irregular ou com pressão inadequada nos roletes pode causar
variações que geram respingos.
Além disso, o uso de produtos
anti-respingo na região ao redor da junta pode facilitar a limpeza posterior
sem comprometer a integridade da solda.
A porosidade consiste na presença de cavidades ou bolhas de gás aprisionadas no interior do cordão de solda. Esse defeito é mais crítico do que os respingos, pois compromete diretamente a resistência mecânica e a estanqueidade da junta. Poros internos
ou
superficiais podem provocar falhas em estruturas submetidas a esforço, pressão
ou vibração, além de serem causas de reprovação em ensaios de qualidade.
• Contaminação superficial: óleos,
tintas, umidade e ferrugem liberam gases durante a fusão, que não conseguem
escapar e ficam
aprisionados na solidificação do metal;
• Fluxo de gás protetor inadequado: vazão
insuficiente não protege a poça da atmosfera; excesso de fluxo pode causar
turbulência e arrastar ar para dentro da poça;
• Vazamentos nas conexões ou mangueiras:
a entrada de ar no sistema de gás prejudica a eficiência da proteção;
• Tocha muito distante ou mal posicionada:
a distância inadequada entre a tocha e a poça diminui a cobertura do gás;
• Umidade no arame ou nos consumíveis:
especialmente em arames armazenados em locais úmidos, que absorvem água e
liberam hidrogênio durante a soldagem.
• Preparar corretamente as superfícies:
remover óleos, graxas, umidade, ferrugem e tintas da área a ser soldada;
• Verificar e ajustar a vazão do gás de
proteção: geralmente entre 10 e 20 L/min, conforme o tipo de junta e
ambiente;
• Evitar soldar em ambientes com correntes de
ar: vento ou ventiladores próximos podem dissipar o gás protetor e deixar a
poça exposta;
• Manter a tocha estável e na distância
adequada: posicionar corretamente a tocha melhora a cobertura da poça e
permite que os gases escapem antes da solidificação;
• Armazenar corretamente os consumíveis:
manter os carretéis de arame em local seco e, se necessário, usar estufas para
secagem antes do uso;
• Testar o sistema de gás periodicamente:
detectar e corrigir vazamentos em conexões, manômetros e mangueiras com espuma
ou sensores.
Além disso, a execução de cordões
de solda com avanço contínuo e sem interrupções abruptas facilita a liberação
de gases da poça e reduz a formação de poros.
Após a execução da solda, é
possível identificar a presença de respingos e porosidade por inspeção visual
e, quando necessário, por ensaios não
destrutivos como radiografia e ultrassom. Cordões com porosidade
superficial visível ou respingos excessivos podem ser reprojetados,
retrabalhados ou removidos para nova soldagem.
A correção de porosidade interna, quando detectada, pode exigir a remoção do cordão comprometido e nova execução com parâmetros
revisados. Já os respingos podem ser removidos por
esmerilhamento ou escovação, mas esse retrabalho consome tempo e recursos, podendo
também danificar o acabamento da peça.
A prevenção de respingos e porosidade no processo de soldagem MAG está diretamente ligada ao
conhecimento técnico do operador, ao uso de equipamentos em bom estado, à
preparação adequada das superfícies e ao ajuste preciso dos parâmetros de
soldagem. Embora sejam defeitos comuns, sua ocorrência pode ser praticamente
eliminada com práticas corretas e atenção aos detalhes do processo.
Adotar medidas preventivas não
apenas melhora a qualidade do cordão de solda, como também reduz retrabalho,
aumenta a produtividade e eleva o nível de confiabilidade das estruturas
fabricadas. O domínio dessas estratégias é indispensável para profissionais que
buscam excelência em soldagem.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Handbook.
9th ed. Miami: AWS, 2012.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• ABNT.
NBR 1614 – Terminologia de Soldagem.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• PEREIRA,
A. B. et al. Soldagem: Processos e
Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.
A soldagem MAG (Metal Active Gas)
é amplamente utilizada na indústria devido à sua versatilidade, automação e
capacidade de produzir juntas metálicas com bom desempenho mecânico. Contudo,
para que as soldas atendam às exigências funcionais e estruturais dos projetos,
é fundamental que se respeitem critérios
básicos de qualidade, definidos por normas técnicas, procedimentos de
fabricação e boas práticas operacionais. A qualidade da solda está associada
tanto à ausência de defeitos quanto
à adequação dimensional, geométrica e
metalúrgica da junta executada. Esses critérios são aplicáveis desde a
preparação das superfícies até a inspeção final do cordão soldado.
Um dos primeiros critérios de qualidade em soldagem está relacionado à continuidade metalúrgica entre o metal base e o metal de adição. Para que essa união ocorra de forma eficiente, é necessário que haja fusão completa das superfícies em contato e ausência de falhas internas. A penetração adequada é um indicador crucial: ela garante que o metal
fundido atinja a raiz da junta e promova uma ligação sólida e resistente.
A integridade metalúrgica também
depende do controle da zona termicamente
afetada (ZTA), que deve apresentar microestrutura estável e sem
fragilizações. Materiais sensíveis ao calor exigem pré-aquecimento, controle de
temperatura de interpasse e parâmetros específicos para evitar trincas ou
alterações indesejadas.
Outro critério básico de qualidade refere-se à geometria do cordão de solda. O cordão
deve apresentar:
• Perfil uniforme, sem variações abruptas
na largura ou altura;
• Reforço controlado, evitando excesso de
material acima da superfície;
• Transição suave entre o cordão e a peça,
sem degraus, socavados ou sobreposição;
• Simetria nos cordões de filete,
garantindo distribuição equilibrada da carga;
• Ausência de crateras nas extremidades,
que podem ser focos de trincas ou falhas.
O acabamento da solda influencia
não apenas a estética da peça, mas também a resistência à fadiga, à corrosão e
à propagação de trincas.
A solda ideal é aquela livre de defeitos superficiais e internos.
Entre os defeitos mais comuns que comprometem a qualidade da solda estão:
• Porosidade: causada pela presença de
gases aprisionados durante a solidificação;
• Trincas: formadas por tensões internas
ou resfriamento inadequado;
• Inclusões de escória: fragmentos não
metálicos presos dentro do cordão;
• Falta de fusão: quando o metal de
adição não se liga ao metal base;
• Socavamento: erosão nas bordas da
junta, causada por excesso de calor ou técnica inadequada.
A detecção desses defeitos pode
ser feita por inspeção visual, ensaios não destrutivos (líquido penetrante,
partículas magnéticas, ultrassom) ou ensaios destrutivos, dependendo da
criticidade da aplicação.
O controle dos parâmetros de soldagem é um critério
básico e essencial para garantir a repetibilidade e a qualidade do processo.
Isso inclui:
• Corrente elétrica (amperagem):
influencia a penetração e a taxa de deposição;
• Tensão (voltagem): determina a largura
do arco e a estabilidade da poça de fusão;
• Velocidade de alimentação do arame:
controla o volume de metal adicionado por segundo; • Vazão do gás de proteção: deve ser adequada para evitar
contaminação do banho;
•
Velocidade de avanço da tocha: precisa
ser constante e compatível com os demais parâmetros.
A variação desses fatores sem
controle pode resultar em soldas defeituosas, com alterações dimensionais,
baixa resistência e aparência irregular.
Toda soldagem industrial deve seguir procedimentos de soldagem qualificados (EPS ou WPS) e estar de
acordo com as normas técnicas aplicáveis. Essas normas definem critérios de
aceitação para cordões de solda, tolerâncias dimensionais, limites de defeitos
e métodos de inspeção. No Brasil, as principais normas relacionadas à soldagem
incluem:
• ABNT NBR 1614 – Terminologia de Soldagem;
• ABNT NBR 14842 – Qualificação de Soldadores;
• AWS D1.1 – Código estrutural de soldagem em
aço.
A conformidade com essas normas
garante que a solda atenda aos requisitos de projeto, segurança e durabilidade.
Um aspecto cada vez mais valorizado nos critérios de
qualidade é a rastreabilidade do
processo de soldagem. Isso inclui:
• Identificação
do operador responsável;
• Registro
dos parâmetros utilizados;
• Lotes
de consumíveis empregados;
• Resultados
dos ensaios e inspeções realizadas.
Essa documentação é fundamental
para auditorias, controle de qualidade e eventuais análises de falhas. Em
projetos de grande porte ou com exigência de certificações internacionais, a
rastreabilidade é obrigatória.
Nenhum critério de qualidade pode
ser cumprido sem profissionais
capacitados. A qualificação do soldador, conforme os processos, posições e
materiais específicos, é um requisito básico. Além da certificação técnica, a
experiência prática, o domínio da movimentação da tocha, o controle visual da
poça de fusão e a aplicação das boas práticas são determinantes para o sucesso
da soldagem.
O investimento em treinamento
contínuo e avaliação periódica dos operadores é uma prática recomendada em
ambientes industriais que buscam excelência e produtividade.
Os critérios básicos de qualidade na soldagem MAG englobam aspectos técnicos, operacionais, visuais e normativos. A busca pela qualidade não se resume à aparência do cordão, mas envolve um conjunto de exigências que garantem a integridade estrutural, o desempenho mecânico e a durabilidade das
juntas soldadas.
Para atender a esses critérios, é
necessário um controle rigoroso do processo, desde a preparação das superfícies
até a inspeção final. A qualificação dos profissionais, o cumprimento das
normas técnicas, a utilização de equipamentos calibrados e a aplicação correta
dos procedimentos são os pilares que sustentam a excelência em soldagem.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Handbook.
9th ed. Miami: AWS, 2012.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• ABNT.
NBR 1614 – Terminologia de Soldagem.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• ABNT.
NBR 14842 – Qualificação de Soldadores.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• PEREIRA,
A. B. et al. Soldagem: Processos e
Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.
A soldagem MAG (Metal Active Gas)
é amplamente empregada na indústria pela sua produtividade, flexibilidade e
qualidade nas uniões metálicas. No entanto, como qualquer processo de
fabricação, pode apresentar falhas durante ou após a execução. A inspeção visual da solda é uma das
formas mais imediatas, econômicas e eficazes de se detectar defeitos superficiais que comprometem a
integridade, a estética e a funcionalidade da junta soldada. Embora nem todos
os defeitos possam ser detectados visualmente, a maioria das não conformidades críticas se manifesta
inicialmente na superfície do cordão, tornando a inspeção visual uma etapa
obrigatória no controle de qualidade da soldagem.
A inspeção visual
é o primeiro e mais simples método de avaliação da qualidade de uma solda. Ela
pode ser realizada antes, durante e após o processo de soldagem, permitindo a
identificação precoce de problemas
operacionais, desvios de
procedimento e defeitos aparentes.
Esse tipo de inspeção exige:
• Iluminação
adequada da área examinada;
• Superfícies
limpas, sem escória ou resíduos;
• Conhecimento
técnico por parte do inspetor sobre normas de aceitação, tipos de defeitos e
causas prováveis.
Além disso, a inspeção visual
pode ser complementada com instrumentos simples, como réguas, calibradores de
cordão, lupa de ampliação e gabaritos para verificação de ângulos e dimensões.
O reforço do cordão
é a quantidade de material depositado acima do plano da peça. Embora algum
reforço seja necessário, o excesso pode indicar deposição exagerada,
aquecimento indevido e consumo excessivo de material. Já o reforço insuficiente
compromete a resistência mecânica da junta.
O socavado é uma depressão ao
longo da borda do cordão, resultante de fusão excessiva da borda da peça sem
preenchimento adequado. Visualmente, parece um "sulco" rente ao
cordão. Compromete a resistência à fadiga e pode gerar trincas.
Causas comuns: corrente muito alta, velocidade excessiva de avanço,
ângulo inadequado da tocha.
São cavidades visíveis na
superfície do cordão, causadas por gases que ficaram aprisionados no metal
fundido e não escaparam antes da solidificação. Indicam falha na proteção
gasosa ou contaminação da superfície.
Causas comuns: umidade, óleo, ferrugem, vazamento de gás, vazão
insuficiente ou excesso de vento no local da soldagem.
Trincas visíveis no cordão ou nas
proximidades indicam tensões residuais elevadas ou falhas metalúrgicas. São
defeitos graves, mesmo quando pequenas, pois podem se propagar sob carga.
Causas comuns: resfriamento rápido, rigidez excessiva da junta,
falta de controle térmico (pré-aquecimento e temperatura de interpasse).
Embora mais comum na soldagem com
eletrodo revestido, também pode ocorrer na soldagem MAG com arames tubulares. A
escória é um resíduo sólido que não foi removido entre os passes e ficou
aprisionado.
Identificação visual: manchas ou irregularidades na superfície,
pontos escuros ou cavidades não metálicas.
Cordões com largura variável,
altura desigual, sobreposição ou falta de continuidade indicam falhas na
movimentação da tocha ou instabilidade do arco.
Causas comuns: oscilação incorreta da tocha, velocidade de avanço
inconsistente, alimentação de arame irregular, interrupções no arco.
As extremidades do cordão devem
ser terminadas com cuidado. Crateras (rebaixamentos no final do cordão) são
locais propensos ao surgimento de trincas por retração térmica.
Boa prática: aplicar técnica de preenchimento no final do cordão ou
sobreposição de passes.
A inspeção visual deve seguir os
critérios estabelecidos por
normas técnicas que definem os limites de aceitação de cada tipo de defeito. As
normas mais utilizadas incluem:
• ABNT NBR 14842 – Qualificação de soldadores;
• ABNT NBR 1614 – Terminologia de soldagem;
• ISO 5817 – Welding – Fusion-welded joints
in steel.
Essas normas especificam a dimensão máxima admissível para poros, profundidade de socavados, largura de reforço, entre outros
parâmetros. A solda pode ser classificada em diferentes níveis de exigência
(ex: níveis B, C ou D na ISO 5817), conforme a criticidade da aplicação.
4.
Ferramentas e Procedimentos de Inspeção
A inspeção visual pode ser realizada com instrumentos
simples, entre eles:
• Luz branca fria com boa intensidade
(mínimo 500 lux);
• Régua milimetrada e calibradores de solda;
• Lupa de aumento (5 a 10x), quando
necessário.
A sequência ideal de inspeção inclui:
1. Verificação da limpeza da peça:
garantir que não há resíduos que ocultem defeitos;
2. Inspeção do aspecto geral do cordão:
uniformidade, alinhamento, forma;
3. Verificação de dimensões: altura,
largura, reforço, ângulos de transição;
4. Identificação de defeitos visíveis:
como trincas, poros, socavados, entre outros.
A inspeção deve ser registrada
com laudos, fotografias ou relatórios conforme a exigência do projeto.
Embora essencial, a inspeção visual tem limitações. Defeitos internos, como trincas sub-superficiais, porosidades
internas ou falta de fusão na raiz, só podem ser detectados por ensaios não destrutivos complementares,
como:
• Líquido
penetrante (para trincas superficiais); • Partículas magnéticas (em materiais ferromagnéticos);
• Ultrassom
ou radiografia (para defeitos internos).
Entretanto, a inspeção visual
continua sendo o primeiro filtro de qualidade e pode evitar que peças
defeituosas avancem para etapas mais caras da produção.
A identificação de defeitos visuais na soldagem MAG é uma prática
fundamental no controle de qualidade industrial. Por meio de inspeções bem
conduzidas, é possível detectar desvios ainda no início do processo, evitando
falhas estruturais, retrabalhos e custos adicionais.
O sucesso da inspeção visual depende de profissionais treinados, conhecimento das
sucesso da inspeção visual
depende de profissionais treinados, conhecimento das normas técnicas, domínio
dos tipos de defeitos e atenção aos detalhes do cordão de solda. Quando
integrada a um sistema de gestão da qualidade e combinada com ensaios complementares,
a inspeção visual se torna uma poderosa ferramenta para assegurar a
confiabilidade de produtos soldados.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Handbook.
9th ed. Miami: AWS, 2012.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• ABNT.
NBR 14842 – Qualificação de Soldadores.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• ISO
5817. Welding – Fusion-welded joints in
steel – Quality levels for imperfections. ISO, 2014.
A soldagem MAG (Metal Active Gas)
é um processo de união por fusão amplamente utilizado na fabricação de
estruturas metálicas, equipamentos industriais, veículos, dutos e em diversos
setores produtivos. Sua popularidade decorre da versatilidade, da possibilidade
de automação e da boa relação entre custo e desempenho. Contudo, para garantir
a qualidade, a segurança e a
repetibilidade das juntas soldadas, torna-se essencial adotar práticas
padronizadas ao longo de todas as etapas do processo. A padronização consiste na definição e aplicação de regras, métodos e parâmetros uniformes,
devidamente documentados, que asseguram que os procedimentos sejam executados
de forma previsível e controlada.
Padronizar um processo de soldagem significa formalizar um conjunto de orientações
técnicas para que todas as atividades envolvidas — desde a preparação das
peças até a inspeção final — sejam realizadas de maneira consistente, segura e conforme as normas técnicas aplicáveis.
Os principais objetivos da padronização incluem:
• Reduzir variações e retrabalho,
promovendo estabilidade e previsibilidade;
• Facilitar a qualificação de soldadores,
treinando-os com base em critérios claros e objetivos;
• Melhorar a produtividade, eliminando
desperdícios e falhas operacionais;
• Garantir rastreabilidade e
rastreabilidade e confiabilidade,
especialmente em projetos de médio e grande porte.
A padronização é uma exigência em
sistemas de gestão da qualidade baseados em normas como ISO 9001, ISO 3834 e
códigos de soldagem como AWS D1.1, ASME Seção IX e ABNT NBR 14842.
Para que a padronização seja
efetiva no processo MAG, é necessário que alguns documentos e práticas estejam
formalmente definidos, revisados e implementados no ambiente produtivo.
O Procedimento Escrito
de Soldagem (EPS), também conhecido como Welding Procedure Specification (WPS), é o documento técnico que
define todos os parâmetros do processo de soldagem, incluindo:
• Tipo
de material base e metal de adição;
• Tipo
de junta e posição de soldagem;
• Gás
de proteção, diâmetro do arame, corrente e tensão;
• Tipo
de transferência metálica e sequência de passes;
• Temperatura
de pré-aquecimento e interpasse.
Esse procedimento deve ser
elaborado por profissional qualificado, testado e aprovado conforme as normas
aplicáveis. A adoção de EPS reduz significativamente erros operacionais e
assegura a uniformidade das juntas.
A padronização da qualificação dos operadores garante que apenas
profissionais treinados e testados atuem em posições ou juntas específicas. A Regra de Qualificação de Soldador (RQF)
determina quais processos, posições e materiais o soldador está autorizado a
executar. Isso evita que soldagens críticas sejam feitas por operadores não
habilitados.
As instruções de trabalho padronizadas orientam o soldador no dia a
dia da produção, com base no EPS, adaptadas à linguagem prática e operacional.
Essas instruções contêm ilustrações, sequências de montagem, preparação de
peças e valores recomendados para os parâmetros principais, facilitando a
execução correta da atividade.
A padronização inclui também a documentação de lotes de arames, gases e
consumíveis, controle de temperatura ambiente, registros de inspeção e
emissão de relatórios técnicos. Esses dados asseguram a rastreabilidade da
produção e são fundamentais em auditorias e investigações de falhas.
A adoção de processos padronizados traz benefícios concretos para a qualidade e a eficiência das
padronizados traz benefícios concretos para a qualidade e a eficiência das
operações de soldagem MAG:
• Redução de falhas e retrabalho: menos
erros na execução, menor perda de material e menor necessidade de correções;
• Melhoria na repetibilidade do processo:
diferentes operadores produzem soldas semelhantes, com características técnicas
padronizadas;
• Aumento da produtividade: soldagens
mais rápidas, com menos paradas para ajustes ou correções;
• Melhor controle da qualidade: com
parâmetros definidos, fica mais fácil detectar desvios e corrigi-los com
agilidade;
• Facilidade na auditoria e certificações:
empresas com processos padronizados atendem com mais facilidade às exigências
de certificações de qualidade, segurança e ambientais.
A falta de padronização no
processo de soldagem pode resultar em diversos problemas operacionais e
estruturais, tais como:
• Soldas com propriedades inconsistentes, que comprometem a
resistência da junta;
• Equipamentos mal
ajustados, com perda de eficiência e desgaste prematuro;
• Perda de competitividade, devido ao aumento de custos com
retrabalho, desperdícios e atrasos.
Empresas que operam sem
padronização comprometem sua confiabilidade técnica e sua imagem perante
clientes e órgãos reguladores.
Mais do que documentos e tabelas, a padronização deve ser
compreendida como parte de uma cultura
organizacional voltada para a excelência operacional. Isso implica:
• Envolver
os operadores na elaboração e revisão dos procedimentos;
• Treinar
continuamente os profissionais sobre as instruções padronizadas; • Estimular o feedback e a melhoria
contínua dos processos estabelecidos;
• Integrar
os setores de produção, engenharia, controle de qualidade e segurança.
Quando todos compreendem a
importância da padronização e seguem os mesmos procedimentos, os resultados são
visíveis na qualidade do produto final, na redução de perdas e na valorização
do trabalho técnico.
A padronização dos processos de soldagem MAG é um requisito indispensável para alcançar qualidade, produtividade e conformidade técnica em ambientes industriais. Por meio da definição de
procedimentos, qualificação de
operadores, controle dos parâmetros e documentação adequada, é possível
assegurar que as juntas soldadas atendam às exigências dos projetos e das
normas aplicáveis.
Empresas que investem na
padronização obtêm maior controle sobre a produção, reduzem falhas, ganham
eficiência e fortalecem sua reputação no mercado. A padronização não é uma
burocracia, mas sim um instrumento estratégico de gestão e competitividade.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Handbook.
9th ed. Miami: AWS, 2012.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• ABNT.
NBR 1614 – Terminologia de Soldagem.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• ABNT.
NBR 14842 – Qualificação de Soldadores.
Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.
• ISO
3834. Quality requirements for fusion
welding of metallic materials. International Organization for
Standardization, 2015.
A soldagem é uma atividade
fundamental para diversos setores industriais, como a metalurgia, a construção
civil, a fabricação de veículos, plataformas, dutos e estruturas metálicas em
geral. Embora o processo de soldagem MAG (Metal Active Gas) seja amplamente
utilizado por sua eficiência, ele envolve uma série de riscos ocupacionais, especialmente de natureza física e química, que podem comprometer a saúde e a segurança do
trabalhador quando não há o controle adequado. A exposição contínua a
radiações, calor, fumos metálicos e gases tóxicos exige a aplicação rigorosa de
medidas preventivas e o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual
(EPIs).
Os riscos físicos na soldagem são
aqueles provocados por agentes como radiação
não ionizante, calor, ruído, choque elétrico e iluminação inadequada, que
atuam sobre o corpo do trabalhador durante a execução do processo.
Durante a soldagem por arco
elétrico, como no processo MAG, é gerada uma intensa emissão de radiações ultravioletas (UV),
infravermelhas (IV) e luz visível de alta intensidade. Essas radiações
podem causar:
• Lesões oculares, como queimaduras na
retina e inflamações da córnea (conhecida como “cegueira de soldador”);
• Queimaduras na pele, semelhantes às causadas por exposição
prolongada ao sol.
A proteção contra essas radiações
exige o uso de máscara de solda com filtro adequado (nível de escurecimento
compatível com a amperagem utilizada) e vestimentas que cubram completamente a
pele.
A poça de fusão pode atingir
temperaturas superiores a 3.000 °C, e a radiação térmica afeta o ambiente ao
redor da área de soldagem. O contato direto com respingos de metal fundido,
peças aquecidas ou superfícies metálicas pode causar queimaduras graves.
É indispensável o uso de luvas de raspa, avental de couro, mangas e
perneiras, além de calçados fechados e resistentes ao calor.
Muitos processos de soldagem,
incluindo a MAG, produzem níveis de
ruído acima de 85 decibéis, especialmente quando combinados com corte,
esmerilhamento e preparação de peças. A exposição contínua pode causar perda
auditiva progressiva (PAIR).
A proteção deve ser feita com protetores auriculares tipo concha ou plug
sempre que os limites de tolerância forem excedidos, conforme determina a NR 15
do Ministério do Trabalho.
O arco elétrico utilizado na
soldagem MAG exige a circulação de corrente de média a alta intensidade.
Equipamentos com aterramento inadequado, cabos danificados ou contato com
partes energizadas podem resultar em choques
elétricos graves ou fatais.
A segurança elétrica envolve a
inspeção constante dos cabos, o uso de máquinas com manutenção em dia e a
adoção de práticas seguras, como não tocar nos eletrodos ou peças energizadas
com as mãos molhadas.
Ambientes mal iluminados podem
dificultar a visualização da poça de fusão e dos dispositivos de trabalho,
aumentando o risco de acidentes. A luz emitida pelo arco também pode causar
ofuscamento em trabalhadores próximos sem proteção visual adequada.
Painéis de proteção, cortinas
antichama e layout seguro do posto de trabalho são medidas importantes para
minimizar a exposição a esses riscos.
A soldagem também envolve a
exposição a diversos agentes químicos
nocivos, principalmente por meio da inalação de fumos metálicos, vapores de gases de proteção, óxidos e subprodutos
de combustão de contaminantes da peça.
Durante a fusão do arame e da peça, partículas metálicas se volatilizam e se condensam em forma de fumos finos, invisíveis a olho nu, que podem ser inalados pelo soldador. Esses fumos contêm
metais como:
• Ferro e manganês, associados a doenças
respiratórias e efeitos neurológicos (como a manganismo);
• Cromo e níquel, presentes em aços
inoxidáveis, com potencial carcinogênico;
• Chumbo, zinco, alumínio e cobre,
dependendo dos consumíveis e das ligas utilizadas.
A exposição crônica a esses fumos
está relacionada a doenças como bronquite, asma ocupacional, fibrose pulmonar e
câncer do sistema respiratório.
No processo MAG, são utilizados gases ativos como CO₂ puro ou misturas de argônio com CO₂.
Embora esses gases não sejam tóxicos em si, sua liberação em ambientes fechados
pode deslocar o oxigênio, provocando anoxia.
Além disso, a ação do arco elétrico sobre contaminantes (como tinta, óleo e
ferrugem) pode liberar:
• Monóxido de carbono (CO): gás tóxico
que impede o transporte de oxigênio no sangue;
• Óxidos de nitrogênio (NOx): irritantes
das vias respiratórias e causadores de doenças pulmonares crônicas;
• Ozônio (O₃): formado pela ação do arco
sobre o oxigênio, pode causar irritação nos olhos e no trato respiratório.
O controle desses riscos químicos
exige ventilação adequada, uso de exaustores localizados e, em alguns casos,
respiradores com filtros apropriados (PFF2 ou PFF3).
A legislação brasileira e normas
internacionais estabelecem diretrizes claras para o controle dos riscos na
soldagem. Entre as principais referências, destacam-se:
• NR 6 – Equipamentos de Proteção Individual:
determina o uso obrigatório de EPIs adequados à atividade;
• NR 9 – Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais (PPRA): exige o mapeamento dos riscos físicos e químicos no
ambiente de trabalho;
• NR 15 – Atividades e Operações Insalubres:
define limites de tolerância para ruído, calor e agentes químicos;
• ISO 15011: estabelece métodos para
medição de fumos e gases de soldagem;
• ABNT NBR 16325: trata da segurança em
ambientes com soldagem elétrica.
A implementação de programas de
higiene ocupacional, treinamentos periódicos e fiscalização ativa são parte
integrante de um ambiente de trabalho seguro.
A prevenção dos riscos físicos e
químicos na soldagem envolve ações em diferentes níveis:
• Coletivo: ventilação adequada, exaustão
localizada, isolamento da área de soldagem, sinalização de risco;
• Individual: uso
correto de EPIs
(máscara de solda, luvas, avental, protetores auriculares, respiradores);
• Administrativo: capacitação dos
trabalhadores, monitoramento ambiental, exames médicos periódicos, manutenção
de equipamentos;
• Técnico: escolha de processos de
soldagem com menor emissão de poluentes, substituição de materiais tóxicos,
automação parcial das operações.
A participação ativa do soldador,
da supervisão técnica e da equipe de segurança do trabalho é essencial para
garantir um ambiente controlado e saudável.
A soldagem, especialmente pelo
processo MAG, envolve uma série de riscos
físicos e químicos que não podem ser ignorados. A exposição constante a
calor intenso, radiações, fumos metálicos e gases tóxicos exige uma abordagem
sistemática de prevenção, com foco na identificação
dos perigos, controle das fontes de
risco, uso de EPIs e adoção de boas práticas de segurança.
A gestão eficaz desses riscos é
fundamental não apenas para proteger a saúde dos trabalhadores, mas também para
garantir a produtividade, a conformidade legal e a qualidade dos produtos
soldados. Investir em segurança é investir na continuidade e na sustentabilidade
das operações industriais.
•
AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Health and Safety. 4th ed. Miami: AWS, 2020.
•
SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• BRASIL.
Ministério do Trabalho. Normas
Regulamentadoras – NR 6, NR 9, NR 15.
• ISO.
ISO 15011 – Health and safety in welding
and allied processes.
•
ACGIH. Threshold
Limit Values for Chemical Substances and Physical Agents. Cincinnati:
American Conference of Governmental Industrial Hygienists, 2023.
A soldagem é uma atividade amplamente empregada na indústria metalúrgica, naval, automotiva, civil e de infraestrutura. Apesar de sua importância estratégica, trata-se de uma operação que expõe o trabalhador a diversos riscos ocupacionais, tanto físicos quanto químicos. Para minimizar tais riscos e preservar a integridade física do profissional, é essencial o uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), que atuam como barreiras diretas contra agentes perigosos gerados durante o processo. No caso da soldagem MAG (Metal Active Gas), a escolha adequada e o uso
contínuo dos
EPIs são condições indispensáveis para garantir a segurança e a saúde dos
trabalhadores.
Segundo a NR 6 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), EPI é todo dispositivo ou produto de uso individual
utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção contra riscos capazes de
ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. No contexto da soldagem, esses
equipamentos são responsáveis por proteger contra queimaduras, radiações,
choques elétricos, inalação de fumos metálicos, partículas volantes, ruído e
outros agentes agressivos.
A importância dos EPIs vai além
da proteção imediata: seu uso adequado reduz afastamentos, doenças
ocupacionais, acidentes e custos com tratamentos médicos e indenizações, além
de contribuir para a melhoria do clima organizacional e da produtividade.
A máscara de solda é um dos EPIs
mais característicos e fundamentais da atividade de soldagem. Ela protege o
rosto, especialmente os olhos e a pele,
contra a intensa radiação ultravioleta (UV), infravermelha (IV) e luz visível
do arco elétrico.
Existem
máscaras com escurecimento fixo e
automático
(autoescurecimento), sendo estas
últimas as mais seguras e eficazes, pois adaptam instantaneamente o nível de
proteção ao tipo de arco e intensidade da solda.
De acordo com a norma ANSI Z87.1 e a NBR 16325, o filtro deve ter grau de
escurecimento compatível com a corrente elétrica usada, geralmente entre 10 e
13 para processos com arco elétrico.
Durante a soldagem, especialmente
em ambientes confinados ou pouco ventilados, o trabalhador pode inalar fumos metálicos, vapores de óxidos e gases
tóxicos. Para isso, é necessário o uso de respiradores com filtro PFF2 ou PFF3, que retêm partículas
tóxicas sem comprometer a respiração.
Em soldagens com materiais como
aço inoxidável (que liberam cromo e níquel), o uso de respiradores adequados é
ainda mais crítico devido ao potencial carcinogênico desses elementos. Em
ambientes com alta concentração de contaminantes, pode-se empregar respiradores
motorizados com purificadores de ar (PAPR).
As luvas de raspa ou vaqueta, resistentes ao calor e a respingos de metal fundido, são essenciais na proteção das mãos contra queimaduras, cortes e abrasões. Elas devem ter comprimento
resistentes ao calor e a respingos de
metal fundido, são essenciais na proteção das mãos contra queimaduras, cortes e
abrasões. Elas devem ter comprimento suficiente para proteger também os punhos
e antebraços, sendo reforçadas nas costuras para resistir à temperatura elevada
e ao atrito.
O avental de raspa ou vaqueta protege o tronco e a parte frontal do
corpo. Já as mangas e perneiras complementam
essa proteção nos braços e pernas, evitando queimaduras provocadas por fagulhas
ou respingos. Esses EPIs são especialmente necessários na soldagem em posições
horizontais, verticais ou sobrecabeça, onde o risco de contato com metal
fundido é maior.
As botas com biqueira de aço ou composite, solado antiderrapante e
cano médio a alto são fundamentais para proteger os pés contra impactos,
objetos cortantes e respingos de metal fundido. Devem ser confeccionadas em
material resistente ao calor e ao escorregamento, além de possuir palmilha antiperfuro,
quando necessário.
O ruído do arco elétrico, em combinação com outras atividades
industriais, pode ultrapassar os limites de tolerância definidos pela NR 15. O uso de protetores auriculares
tipo concha ou plug de inserção evita lesões auditivas cumulativas, como a
perda auditiva induzida por ruído (PAIR).
A legislação brasileira estabelece, por meio da NR 6, que é dever do empregador:
• Fornecer
os EPIs adequados gratuitamente aos trabalhadores;
• Garantir
que os EPIs estejam em perfeito estado de conservação e funcionamento;
• Treinar
os trabalhadores sobre o uso correto, a guarda e a higienização dos
equipamentos;
• Substituir
os EPIs danificados ou fora da validade;
• Exigir
o uso efetivo dos equipamentos nas atividades que o requerem.
Por sua vez, é obrigação do trabalhador:
• Utilizar
os EPIs conforme as instruções recebidas;
• Zelar
pela conservação dos equipamentos;
• Comunicar
ao empregador qualquer irregularidade ou dano nos EPIs.
A inobservância dessas obrigações pode
acarretar autuações administrativas,
acidentes de trabalho e penalidades civis e criminais.
Para garantir a eficácia da
proteção individual, é necessário ir além da simples entrega dos equipamentos.
Algumas boas práticas incluem:
• Realização de treinamentos práticos e periódicos com
demonstração do uso correto dos EPIs;
• Promoção
de campanhas de conscientização sobre
segurança e saúde ocupacional;
• Manutenção
de registros de entrega e recebimento
dos EPIs, com data e assinatura;
• Disponibilização
de EPIs sob medida ou adaptados em casos específicos (por exemplo, para pessoas
com deficiência ou limitações físicas).
Embora os EPIs sejam fundamentais, eles devem ser sempre
considerados a última barreira de
proteção. O ideal é adotar medidas de Engenharia
de Controle Coletivo (EPCs), como:
• Isolamento
físico da área de soldagem com cortinas
e painéis antichama;
• Monitoramento
ambiental com medição de fumos e gases;
• Automação
de tarefas de risco por meio de soldagem
robotizada.
Essas ações reduzem a exposição
direta aos agentes de risco e promovem um ambiente mais seguro e controlado.
Os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) são recursos
indispensáveis na proteção do trabalhador que atua em processos de soldagem,
especialmente no MAG. Sua correta seleção, utilização e manutenção são fatores
determinantes para prevenir acidentes, reduzir afastamentos e garantir a saúde
ocupacional.
A eficácia dos EPIs depende da
integração entre normas técnicas, ações educativas, gestão de segurança e
cultura organizacional comprometida com a prevenção. Investir em EPIs de
qualidade e no treinamento contínuo dos trabalhadores é uma medida inteligente
e essencial para a sustentabilidade das operações industriais.
• BRASIL.
Ministério do Trabalho e Emprego.
Norma
Regulamentadora NR 6 –
Equipamento de Proteção Individual.
• SILVA,
Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem.
Rio de Janeiro: LTC, 2017.
• MOURA,
Djalma A. de. Processos de Soldagem:
Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.
• AMERICAN
WELDING SOCIETY. Welding Safety and
Health. 4th ed. Miami: AWS, 2020.
• ANSI
Z87.1. Occupational and Educational
Personal Eye and Face Protection Devices. American National Standards
Institute, 2020.
• ACGIH.
Threshold Limit Values (TLVs) for
Chemical Substances and Physical Agents. Cincinnati: American Conference of
Governmental Industrial Hygienists, 2023.
No contexto das atividades
industriais e da construção civil, a segurança do trabalho é um pilar essencial
para a prevenção de acidentes, a preservação da saúde do trabalhador e o
cumprimento da legislação. No Brasil, as diretrizes legais sobre segurança e
saúde ocupacional são regulamentadas pelas Normas
Regulamentadoras (NRs), elaboradas pelo Ministério do Trabalho e Emprego
(MTE). Entre as normas mais diretamente relacionadas ao ambiente de produção,
destacam-se a NR-6, que trata dos
Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), a NR-12, que aborda a segurança no trabalho em máquinas e
equipamentos, e a NR-18, voltada à
indústria da construção. A aplicação integrada dessas normas constitui a base
para ambientes laborais mais seguros, organizados e produtivos.
A NR-6, aprovada pela Portaria MTb nº 3.214/78, estabelece os
requisitos mínimos para o fornecimento, uso e fiscalização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Seu objetivo é garantir que os trabalhadores estejam adequadamente protegidos
contra riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos quando não for
possível eliminar os perigos por meio de medidas de proteção coletiva.
Principais
obrigações do empregador segundo a NR-6:
• Fornecer
gratuitamente aos empregados os EPIs adequados aos riscos da atividade;
• Exigir
o uso efetivo dos equipamentos;
• Fornecer
orientações e treinamentos sobre o uso, conservação e substituição dos EPIs;
• Substituir
imediatamente os equipamentos danificados ou fora da validade;
• Registrar
a entrega dos EPIs mediante termo assinado pelo empregado.
Principais
obrigações do empregado:
• Utilizar
corretamente os EPIs conforme orientações recebidas;
• Zelar
pela conservação dos equipamentos;
• Comunicar
ao empregador qualquer dano ou irregularidade nos EPIs fornecidos.
A NR-6 determina também que todo
EPI deve possuir o Certificado de
Aprovação (CA) emitido pelo Ministério do Trabalho, o que assegura que o
produto atende aos requisitos técnicos de segurança.
2.
NR-12 – Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos
utilizados nas atividades laborais. Seu objetivo é garantir que as máquinas sejam seguras para os operadores e demais trabalhadores expostos direta ou indiretamente a
nas atividades
laborais. Seu objetivo é garantir que as máquinas sejam seguras para os
operadores e demais trabalhadores expostos direta ou indiretamente a seus
sistemas mecânicos, elétricos, pneumáticos ou hidráulicos.
Atualizada por diversas portarias, a NR-12 exige que todos os
equipamentos sejam dotados de dispositivos
de segurança, como:
• Proteções
fixas e móveis contra partes móveis;
• Sistemas
de parada de emergência;
• Comandos
de partida e parada acessíveis;
• Sinalização
adequada;
• Manuais
de operação e manutenção em português.
Além disso, a norma exige que os
trabalhadores sejam treinados e
capacitados para operar cada tipo de máquina, conhecendo seus riscos
específicos, procedimentos seguros e limitações técnicas.
A NR-12 aplica-se a novas e antigas máquinas, nacionais ou
importadas, e é especialmente relevante em ambientes industriais com grande
diversidade de equipamentos, como oficinas de soldagem, metalúrgicas,
serralherias e canteiros mecanizados.
A NR-18 estabelece as diretrizes de organização e administração de canteiros de obras e frentes de trabalho
no setor da construção civil, visando à implementação de medidas de controle e
prevenção de acidentes. Seu campo de aplicação abrange toda a cadeia de
produção da construção, incluindo atividades
de montagem, escavação, elevação, demolição, soldagem, instalações elétricas e
uso de andaimes.
Principais
exigências da NR-18:
• Elaboração
e implementação do Programa de
Gerenciamento de Riscos (PGR) específico para obras;
• Organização
dos canteiros com foco em higiene, segurança e conforto (instalações
sanitárias, refeitórios, áreas de descanso);
• Adoção
de medidas de proteção coletiva como guarda-corpos, redes de proteção e
sinalização de áreas de risco;
• Treinamento
admissional e periódico dos trabalhadores, com conteúdos adaptados às funções
desempenhadas;
• Inspeções regulares em equipamentos e ferramentas, com
registros documentados.
A NR-18 é fundamental para
mitigar os riscos típicos da construção civil, como quedas de altura, choques
elétricos, soterramentos, colisões com máquinas e exposição a materiais
tóxicos. Sua aplicação deve ser constante e monitorada por profissionais de segurança
do trabalho.
Embora tratem de temas distintos,
as NR-6, NR-12 e NR-18 possuem forte
interdependência, sendo frequentemente aplicadas de forma complementar no
ambiente de trabalho. Por exemplo:
• Um
operador de máquina (NR-12) em um canteiro de obras (NR-18) deve utilizar EPIs
(NR-6) compatíveis com os riscos da operação;
•
Uma oficina de soldagem industrial deve instalar
dispositivos de segurança em máquinas (NR-12), organizar o ambiente de trabalho
conforme as normas da construção (NR-18) e fornecer EPIs específicos para
soldagem (NR-6);
• A
não observância das obrigações previstas nessas normas pode gerar multas, interdições e responsabilização
civil e criminal em caso de acidentes.
Além disso, essas NRs dialogam
com outras normas do sistema jurídico trabalhista, como a NR-7 (Programa de
Controle Médico de Saúde Ocupacional), NR-9 (Programa de Prevenção de Riscos
Ambientais) e a CLT.
A aplicação efetiva das normas depende da responsabilidade compartilhada entre
empregadores, trabalhadores, engenheiros, técnicos de segurança, sindicatos e
órgãos fiscalizadores. Criar uma cultura
organizacional baseada na prevenção significa:
• Promover
treinamentos regulares e acessíveis a todos os funcionários;
• Envolver
os trabalhadores na identificação de riscos e soluções;
• Monitorar
e revisar continuamente os procedimentos de segurança;
• Investir
em melhorias estruturais e tecnológicas para reduzir os riscos na origem.
Empresas que cumprem
rigorosamente as NRs não apenas evitam penalizações legais, mas também reduzem
custos com afastamentos, aumentam a produtividade e fortalecem sua imagem
institucional.
As Normas Regulamentadoras NR-6, NR-12 e NR-18 constituem pilares
fundamentais para garantir a segurança, a saúde e o bem-estar dos trabalhadores
nos mais diversos setores industriais e da construção civil. A correta
aplicação dessas normas promove ambientes de trabalho mais seguros, organizados
e eficientes, além de assegurar o cumprimento da legislação trabalhista
vigente.
O investimento em segurança deve
ser entendido não como custo, mas como parte essencial da gestão de pessoas, da
qualidade dos produtos e da sustentabilidade das operações. A adesão rigorosa
às normas é um compromisso ético, legal e estratégico de toda organização.
• BRASIL. Ministério do Trabalho e
Emprego. NR 6 –
Equipamento de Proteção Individual. Portaria nº 3.214/78.
• BRASIL.
Ministério do Trabalho e Emprego. NR 12 –
Segurança no Trabalho em Máquinas e Equipamentos. Portaria nº 197/2010 e
atualizações.
• BRASIL.
Ministério do Trabalho e Emprego. NR 18 –
Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção. Portaria
nº 3.214/78 e atualizações.
• ABNT.
NBR 16325 – Equipamentos de proteção
individual –
Requisitos gerais e
métodos de ensaio.
• SILVA,
Ricardo R. da. Segurança no Trabalho
Industrial. Rio de Janeiro: LTC, 2020.
• MOURA,
Djalma A. de. Segurança do Trabalho
Aplicada à
Construção Civil. São Paulo: Érica, 2018.
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