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Soldagem MAG

 SOLDAGEM MAG

 

Fonte de Energia (Máquina de Solda) na Soldagem MAG

 

A fonte de energia, comumente chamada de máquina de solda, é um dos elementos centrais no processo de soldagem por arco elétrico, incluindo o processo MAG (Metal Active Gas). Sua principal função é fornecer corrente elétrica suficiente e estável para criar e manter o arco elétrico entre o eletrodo (arame consumível) e a peça de trabalho. A qualidade, a eficiência e a estabilidade da soldagem estão diretamente relacionadas ao desempenho da fonte de energia utilizada. Este componente influencia diretamente a penetração, a transferência de metal, a estabilidade do arco e a qualidade do cordão de solda.

 

1. Função da Fonte de Energia na Soldagem MAG

No processo MAG, a fonte de energia converte a energia elétrica da rede em energia térmica concentrada, por meio do arco elétrico, que funde o arame e o metal base. A energia fornecida deve ser suficiente para manter o arco estável, sem interrupções, e permitir que o arame seja fundido à medida que é alimentado automaticamente pelo alimentador.

 

Além da geração de energia, a fonte também permite o ajuste dos principais parâmetros elétricos, como a corrente (amperagem) e a tensão (voltagem), que determinam a intensidade do arco e a quantidade de calor gerada. Esses ajustes são essenciais para adequar o processo ao tipo de material, espessura da peça e posição de soldagem.

 

2. Tipos de Fontes de Energia Utilizadas

2.1 Corrente Contínua (CC)

A soldagem MAG utiliza predominantemente fontes de corrente contínua com polaridade reversa (eletrodo no polo positivo). Isso proporciona maior concentração de calor no eletrodo, favorecendo a fusão do arame e a estabilidade do arco.

A corrente contínua é ideal para aplicações que exigem controle preciso, menor respingo e melhor penetração. As fontes modernas de soldagem MAG utilizam tecnologia inversora para gerar corrente contínua com alto grau de estabilidade.

 

2.2 Fontes Convencionais com Transformador

As fontes de solda com transformador e retificador eram, até recentemente, as mais utilizadas na indústria. Elas oferecem robustez e resistência, sendo adequadas para trabalhos pesados. Entretanto, são geralmente mais volumosas, menos eficientes energeticamente e oferecem menor controle eletrônico dos parâmetros de soldagem.

 

Essas fontes ainda são utilizadas em aplicações simples e onde não há necessidade de ajustes finos, especialmente em oficinas e pequenas indústrias.

 

2.3 Fontes Inversoras (Inverter)

As fontes inversoras utilizam circuitos eletrônicos de alta frequência para transformar e controlar a energia elétrica com maior eficiência. Elas são mais leves, compactas e consomem menos energia em comparação com as fontes tradicionais.

Entre suas principais vantagens estão:

           Melhor controle da corrente e da voltagem;

       Possibilidade de utilização com diversos processos (MIG, MAG, TIG, Eletrodo Revestido);

       Estabilidade de arco superior;

       Programações pré-ajustadas e sistemas de proteção automática contra sobrecarga.

As fontes inversoras são ideais para soldagens de precisão, processos automatizados e ambientes que exigem qualidade e repetibilidade.

 

 

3. Características Técnicas Relevantes

3.1 Faixa de corrente e tensão

A faixa de corrente determina a espessura de material que pode ser soldado e a taxa de deposição do arame. Fontes de solda MAG geralmente operam entre 50 A e 500 A, com tensões ajustáveis entre 14 V e 38 V, dependendo do tipo de arame, gás e material.

 

3.2 Ciclo de trabalho (duty cycle)

O ciclo de trabalho refere-se ao tempo em que a fonte pode operar continuamente sem superaquecer, dentro de um intervalo de 10 minutos. Por exemplo, uma máquina com ciclo de 60% a 300 A pode operar 6 minutos nessa corrente antes de precisar resfriar por 4 minutos.

 

Essa informação é fundamental para aplicações industriais contínuas, como linhas de produção e soldagens prolongadas.

 

3.3 Estabilidade do arco

A capacidade da fonte de manter o arco estável durante a soldagem é essencial para a formação de cordões consistentes, com penetração adequada e baixa incidência de defeitos. Fontes com controles eletrônicos mais avançados são superiores nesse aspecto.

 

4. Compatibilidade com Outros Componentes

A fonte de energia é parte integrante de um sistema completo de soldagem MAG, que inclui alimentador de arame, tocha, cilindro de gás e sistema de refrigeração (quando necessário). É fundamental garantir a compatibilidade entre todos os componentes, para evitar perdas de desempenho ou falhas no processo.

 

Além disso, muitas fontes modernas possuem interfaces digitais, que permitem a comunicação com robôs de soldagem, sistemas de monitoramento em tempo real e bancos de dados de parâmetros, alinhandose aos princípios da Indústria 4.0.

5. Segurança e Eficiência Energética

Fontes modernas são projetadas com dispositivos de proteção contra

sobrecorrente, sobretensão e superaquecimento. Também possuem sistemas de ligamento automático (stand-by), que reduzem o consumo quando o equipamento não está em uso.

 

A eficiência energética é outro fator relevante: fontes inversoras podem atingir eficiências superiores a 85%, enquanto as tradicionais dificilmente ultrapassam 65%. Isso impacta diretamente nos custos operacionais de médio e longo prazo, especialmente em plantas com grande número de máquinas.

 

Conclusão

A fonte de energia é o componente central do sistema de soldagem MAG. Sua função vai além de simplesmente gerar eletricidade: ela determina a qualidade do arco, a penetração da solda, a estabilidade do processo e a produtividade da operação. A escolha da fonte ideal depende do tipo de aplicação, do material a ser soldado, da espessura das peças e do ambiente de trabalho.

 

Fontes modernas, especialmente as do tipo inversora, oferecem maior eficiência, controle eletrônico e capacidade de integração com sistemas automatizados. Investir em fontes de solda de qualidade, ajustadas corretamente, é fundamental para garantir a excelência técnica, a segurança operacional e a competitividade industrial no campo da soldagem.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


 

Tocha, Cabos, Reguladores e Alimentador de Arame na Soldagem MAG

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é um processo semiautomático ou automatizado que exige a integração precisa de diversos componentes, além da fonte de energia. Entre os elementos essenciais para o bom desempenho desse processo estão a tocha de soldagem, os cabos de condução elétrica e gás, os reguladores de pressão e o alimentador de arame. Cada um desses itens tem funções específicas e interdependentes, sendo indispensáveis para garantir a estabilidade do arco elétrico, a proteção da poça de fusão, a alimentação contínua do eletrodo consumível e a segurança da operação.

 

1. Tocha de Soldagem

A tocha é o equipamento manual ou automatizado por meio do qual o operador conduz o processo de

soldagem. Ela desempenha múltiplas funções simultâneas: guia o arame até a poça de fusão, conduz a corrente elétrica, direciona o gás de proteção e dissipa o calor gerado no processo.

 

1.1 Estrutura da tocha

Uma tocha de soldagem MAG é composta por diversos componentes internos:

       Difusor de gás, que distribui o gás uniformemente ao redor do arame;

       Ponte de contato (bico de contato), que transmite a corrente elétrica ao arame;

       Bocal (bico de gás), que direciona o gás de proteção até a área de solda;

       Mangueiras e conexões, que conduzem gás, arame e energia elétrica;

       Sistema de refrigeração, presente em tochas de alto desempenho, podendo ser refrigerado a ar ou a água.

 

 

1.2 Tipos de tocha

As tochas podem ser classificadas em dois grandes grupos:

       Tochas refrigeradas a ar, utilizadas em aplicações leves e médias, com menor exigência térmica;

       Tochas refrigeradas a água, utilizadas em soldagens contínuas de alta amperagem, como em linhas robotizadas ou peças espessas.

A escolha da tocha deve levar em conta a corrente de trabalho, o tipo de gás, o ciclo de operação e a posição de soldagem.

 

2. Cabos de Conexão

Os cabos de solda conectam a fonte de energia à tocha, ao alimentador de arame e ao terminal de trabalho (terra). Eles devem ser resistentes, flexíveis e adequados à corrente elétrica utilizada.

 

2.1 Tipos de cabos

       Cabo de alimentação elétrica, por onde passa a corrente para alimentar o arco;

       Mangueira de gás, responsável por transportar o gás de proteção até a tocha;

       Tubo de alimentação de arame, guia de aço ou teflon que conduz o arame até o bico de contato;

       Cabos de controle e comunicação, presentes em sistemas automatizados ou inversores, responsáveis por comandos de partida, parada e ajuste de parâmetros.

A manutenção dos cabos é fundamental para evitar falhas, superaquecimento ou interferência na estabilidade do arco. Conexões frouxas ou danificadas podem causar quedas de tensão, instabilidade do arco e risco de acidentes.


3. Reguladores de Pressão

Os reguladores de pressão são utilizados para controlar o fluxo do gás de proteção (normalmente CO₂ ou misturas com argônio), garantindo pressão constante e adequada ao processo de soldagem. São acoplados aos cilindros de gás e conectados às mangueiras que conduzem o gás até a tocha.

 

3.1 Funções principais

Reduzir a alta pressão interna do cilindro (200–250

bar) para níveis utilizáveis (normalmente entre 1 e 3 bar);

    Permitir a visualização da pressão de entrada e saída por meio de manômetros;

    Ajustar a vazão do gás, geralmente medida em litros por minuto (L/min).

 

3.2 Importância do controle de gás

Um fluxo de gás inadequado compromete a qualidade da solda. Vazão insuficiente pode permitir a entrada de oxigênio e nitrogênio na poça de fusão, causando porosidade e trincas. Excesso de gás, por outro lado, causa turbulência e desperdício.

O uso de reguladores calibrados, com manutenção periódica, é essencial para garantir um fornecimento estável de gás ao arco de soldagem.

 

4. Alimentador de Arame

O alimentador de arame é o sistema responsável por puxar o arame do carretel e conduzi-lo até a tocha de soldagem. Sua função é manter o suprimento contínuo e uniforme do arame consumível, ajustando-se à taxa de fusão exigida pelo processo.


4.1 Componentes do alimentador

       Motores de tração, que movimentam os roletes de alimentação;

       Roletes (duplos ou quádruplos), que empurram o arame com pressão ajustável;

       Guia de entrada e saída, que conduz o arame até o tubo espiral da tocha;

       Sistema de controle de velocidade, que pode ser manual ou automático.

 

4.2 Tipos de alimentador

       Integrado à fonte de energia, comum em equipamentos compactos para aplicações móveis;

       Externo ou independente, utilizado em equipamentos industriais, com maiores bobinas de arame e maior autonomia.

 

4.3 Problemas comuns

Entre os problemas mais frequentes estão:

       Deslizamento do arame por pressão insuficiente dos roletes;

       Entupimento da guia por acúmulo de poeira ou resíduos metálicos;

       Dificuldade de alimentação em cabos longos ou curvados.

A manutenção preventiva do alimentador, com limpeza dos roletes, lubrificação das guias e ajustes regulares, é indispensável para a operação contínua e eficiente.

 

Conclusão

Os componentes auxiliares da soldagem MAG — tocha, cabos, reguladores e alimentador de arame — são tão importantes quanto a própria fonte de energia para garantir a eficiência e a qualidade do processo. Cada elemento desempenha uma função específica e interdependente, desde a condução do arame e da corrente elétrica até a aplicação correta do gás de proteção.

A seleção apropriada desses dispositivos, bem como sua manutenção adequada, permite o controle preciso do arco elétrico, reduz o retrabalho e aumenta

seleção apropriada desses dispositivos, bem como sua manutenção adequada, permite o controle preciso do arco elétrico, reduz o retrabalho e aumenta a vida útil dos equipamentos. Em ambientes industriais que demandam produtividade, precisão e segurança, o conhecimento técnico sobre esses componentes é indispensável para profissionais da área de soldagem.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


Montagem Básica de um Sistema MAG

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é amplamente utilizada na indústria por sua alta produtividade, boa penetração e adaptabilidade a diferentes espessuras de materiais, principalmente em aços-carbono e de baixa liga. Para que o processo ocorra de forma eficiente e segura, é essencial que todos os componentes do sistema estejam corretamente montados e calibrados. A montagem básica de um sistema MAG envolve a integração de diversos elementos: fonte de energia, alimentador de arame, tocha de soldagem, regulador de gás, cilindro de proteção gasosa e cabos de conexão. A seguir, serão descritas as etapas fundamentais para uma montagem funcional e segura do sistema.

 

1. Componentes Essenciais de um Sistema MAG

Antes de iniciar a montagem, é necessário identificar os principais componentes do sistema:

       Fonte de energia (máquina de solda): fornece a corrente elétrica necessária para o arco;

       Alimentador de arame: conduz o arame consumível da bobina até a tocha;

       Tocha de soldagem: conduz o arame, o gás e a corrente elétrica até a peça;

       Cilindro de gás com regulador de pressão: fornece o gás de proteção necessário para evitar contaminações;

       Cabos e conexões: interligam os equipamentos, transmitindo energia, gás e sinais de controle.

Todos os componentes devem ser compatíveis entre si, e sua montagem deve obedecer às orientações dos fabricantes e às normas de segurança vigentes.


2. Instalação da Fonte de Energia

A instalação inicia-se com a fonte de energia, que deve estar posicionada em local plano, seco e ventilado,

longe de materiais inflamáveis. A alimentação elétrica da fonte deve ser compatível com a rede disponível (monofásica, bifásica ou trifásica), respeitando a tensão e a corrente recomendadas pelo fabricante.

 

Após a conexão elétrica, deve-se realizar uma verificação dos cabos de alimentação e aterramento, garantindo que estejam em boas condições e bem fixados. O aterramento adequado é imprescindível para evitar choques elétricos e proteger os equipamentos.

 

Fontes inversoras modernas geralmente já vêm com o alimentador de arame acoplado, mas em sistemas industriais, o alimentador é externo e precisa ser conectado à fonte por meio de cabos de controle e energia.

 

3. Montagem e Instalação do Alimentador de Arame

O alimentador de arame deve ser posicionado de forma estável, próximo à fonte de energia e à área de trabalho. A bobina de arame é instalada em seu suporte, com o cuidado de verificar o sentido correto de desenrolamento, evitando dobras ou tensionamentos indevidos.

 

Com a bobina no lugar, o arame é inserido na guia de entrada, passando pelos roletes de tração. A pressão sobre os roletes deve ser ajustada de acordo com o tipo e diâmetro do arame, de modo que este seja conduzido de forma estável, sem escorregamentos ou travamentos.

 

O arame é então conduzido até o tubo espiral da tocha, chegando ao bico de contato, onde será fundido pelo arco elétrico durante a soldagem. É fundamental que não haja obstruções na condução do arame e que a guia esteja limpa e bem lubrificada, quando necessário.


4. Conexão do Cilindro de Gás e Regulador de Pressão

O gás de proteção, geralmente CO₂ ou misturas de CO₂ com argônio, é fornecido por um cilindro pressurizado. O cilindro deve ser fixado com segurança em suporte apropriado, preferencialmente na posição vertical.

 

O regulador de pressão é conectado à válvula do cilindro com ferramentas adequadas, assegurando que não haja vazamentos. Deve-se abrir a válvula do cilindro lentamente e ajustar a pressão de trabalho conforme a vazão desejada, geralmente entre 10 e 20 L/min, dependendo da aplicação e da posição de soldagem.

 

A mangueira de gás que sai do regulador é conectada à entrada da fonte ou diretamente à tocha, dependendo do modelo. Testes com espuma de sabão ou detectores eletrônicos devem ser realizados para confirmar a ausência de vazamentos.

 

5. Conexão da Tocha e Cabos

A tocha de soldagem é conectada ao alimentador e à fonte de energia por meio de um conjunto de cabos e

conectada ao alimentador e à fonte de energia por meio de um conjunto de cabos e mangueiras. Em tochas refrigeradas a ar, o conjunto é mais simples; em tochas refrigeradas a água, há também as mangueiras de entrada e saída do líquido de refrigeração.

 

A tocha deve ser firmemente acoplada ao suporte do alimentador, com o arame devidamente posicionado no seu interior. O bico de contato e o bocal de gás devem estar limpos e isentos de desgastes, pois interferem diretamente na estabilidade do arco e na distribuição do gás protetor.

 

O cabo terra, também chamado de cabo de trabalho, deve ser conectado com segurança à peça ou à bancada de soldagem, garantindo boa continuidade elétrica.


6. Verificações Finais e Testes

Antes de iniciar a soldagem, é necessário realizar verificações operacionais:

       Checar se o arame avança corretamente ao acionar o gatilho da tocha;

       Verificar o fluxo de gás pelo bocal com um fluxômetro ou medidor de vazão;

       Confirmar a estabilidade dos parâmetros elétricos na fonte (tensão e corrente);

       Realizar uma soldagem de teste em material de sucata para ajustar os parâmetros finais.

Além disso, devem ser usados todos os equipamentos de proteção individual (EPIs) recomendados: máscara de solda, luvas, avental de raspa, proteção para braços e pernas, e calçados adequados.

 

Conclusão

A montagem correta de um sistema MAG é essencial para garantir a eficiência, a segurança e a qualidade do processo de soldagem. Cada componente — fonte de energia, alimentador de arame, tocha, regulador e cabos — deve estar devidamente conectado e ajustado, obedecendo às especificações do fabricante e às normas técnicas.

 

A negligência em qualquer etapa da montagem pode comprometer a estabilidade do arco, causar falhas na solda e colocar em risco a integridade física do operador. Por isso, o domínio dos procedimentos de montagem e verificação é uma competência indispensável para profissionais que atuam com soldagem MAG, tanto em ambientes industriais quanto em oficinas especializadas.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et

B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


Corrente Elétrica, Voltagem e Velocidade de Arame na Soldagem MAG

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é um processo de união de metais amplamente utilizado na indústria devido à sua versatilidade, produtividade e aplicabilidade em diferentes tipos de aço. Para que o processo ocorra de maneira eficiente e segura, é fundamental o controle preciso de três variáveis principais: corrente elétrica (amperagem), voltagem (tensão) e velocidade de alimentação do arame. Esses parâmetros determinam a estabilidade do arco elétrico, a forma do cordão de solda, a penetração da solda no metal base e a taxa de deposição do material. O ajuste inadequado de qualquer um desses fatores pode comprometer a qualidade da soldagem e resultar em defeitos estruturais ou estéticos.

 

1. Corrente Elétrica (Amperagem)

A corrente elétrica na soldagem MAG é o fluxo de elétrons responsável pela geração de calor no arco. Ela é medida em amperes (A) e depende diretamente da velocidade de alimentação do arame, uma vez que quanto maior a taxa de alimentação, mais arame é fundido e maior a corrente necessária.

 

1.1 Função da corrente

A corrente determina a profundidade de penetração da solda, a forma do cordão e a taxa de deposição do metal. Correntes mais altas geram maior calor, possibilitando soldagens em materiais mais espessos. Correntes muito baixas, por outro lado, resultam em penetração insuficiente e possíveis falhas de fusão.

 

1.2 Faixa de valores típicos

       Para arames de 0,8 mm: 50 a 180 A

       Para arames de 1,0 mm: 80 a 250 A

       Para arames de 1,2 mm: 100 a 350 A

A escolha da corrente ideal deve considerar a espessura da peça, o tipo de junta, a posição de soldagem e a composição do arame.

 

2. Voltagem (Tensão)

A voltagem, ou tensão, é a força elétrica que mantém o arco entre o arame e a peça de trabalho. Ela é medida em volts (V) e influencia a largura do cordão de solda, a estabilidade do arco e a característica da transferência metálica.

 

2.1 Função da voltagem

A tensão regula o comprimento do arco: quanto maior a voltagem, maior o arco, e consequentemente mais largo e menos profundo será o cordão de solda. Voltagens muito baixas produzem cordões estreitos e rugosos, enquanto valores excessivos podem gerar respingos excessivos e instabilidade.

 

2.2 Faixa de valores típicos

       Para correntes baixas (60–120 A): 14 a 18 V

      

Para correntes médias (120–200 A): 18 a 24 V

       Para correntes altas (200–350 A): 24 a 32 V

A tensão também afeta o modo de transferência do metal. Em combinações com gases apropriados, tensões mais altas favorecem a transferência em spray, enquanto tensões mais baixas favorecem o curto-circuito.

 

3. Velocidade de Alimentação do Arame

A velocidade de alimentação do arame é um dos parâmetros mais críticos do processo MAG. Ela determina quanto arame é fundido por unidade de tempo e está diretamente relacionada à corrente elétrica utilizada, sendo medida geralmente em metros por minuto (m/min).


3.1 Função da velocidade do arame

A alimentação do arame deve ser compatível com a taxa de fusão exigida pela corrente e tensão aplicadas. Velocidades muito altas causam excesso de arame na poça, levando ao surgimento de respingos, instabilidade e cordões altos. Velocidades muito baixas podem gerar falta de material e interrupções do arco.

 

3.2 Exemplos de valores típicos

       Para arame de 0,8 mm: 3 a 8 m/min

       Para arame de 1,0 mm: 4 a 12 m/min

       Para arame de 1,2 mm: 5 a 15 m/min

A relação entre corrente e velocidade de arame é proporcional. Para uma mesma voltagem, se o operador aumentar a velocidade do arame, a corrente automaticamente aumentará para fundi-lo, e vice-versa.

 

4. Inter-relação entre os Parâmetros

Esses três parâmetros — corrente, voltagem e velocidade do arame — não funcionam de forma isolada. Eles estão interligados e precisam ser ajustados de forma coordenada. O equilíbrio entre eles é essencial para uma soldagem estável e com boa qualidade.

Por exemplo:

       Corrente alta + voltagem baixa: arco curto, solda profunda, possível falta de fusão lateral.

       Corrente baixa + voltagem alta: arco longo, cordão largo e raso, aumento de respingos.

       Velocidade alta + corrente baixa: excesso de arame, instabilidade do arco.

       Velocidade baixa + corrente alta: queima do arame, interrupção da alimentação.

A correta configuração depende também do tipo de gás utilizado, da posição de soldagem (plana, vertical, sobrecabeça), do tipo de junta (chanfro, topo, filete) e da espessura do material.

5. Ajustes Práticos e Dicas Operacionais

       Inicie com parâmetros recomendados pelo fabricante da máquina ou do consumível.

       Faça soldagens de teste e observe a forma do cordão, a estabilidade do arco e a quantidade de respingos.

       Use fontes com controle

sinérgico, que ajustam automaticamente os parâmetros com base na seleção do arame e do gás.

       Monitore o som do arco: um arco suave e constante indica boa regulagem; sons irregulares, como estalos ou estouros, indicam problemas.

       Evite mudanças bruscas de parâmetros durante a soldagem, pois isso pode gerar descontinuidades ou variações na penetração.

 

Conclusão

Corrente elétrica, voltagem e velocidade de alimentação do arame são os três pilares operacionais da soldagem MAG. Compreender a função de cada um e saber ajustá-los adequadamente é essencial para alcançar soldas de alta qualidade, com eficiência e segurança.

 

A correta configuração desses parâmetros proporciona estabilidade do arco, penetração adequada, cordões uniformes e menor retrabalho. Além disso, contribui para maior produtividade e vida útil dos equipamentos. O domínio técnico sobre esses aspectos é um diferencial para operadores, técnicos e engenheiros que atuam em processos de soldagem industrial.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


 

Ajustes na Soldagem MAG Conforme o Tipo e Espessura do Material

 

O processo de soldagem MAG (Metal Active Gas) é amplamente utilizado em aplicações industriais devido à sua alta produtividade, flexibilidade e qualidade das soldas em aços-carbono e de baixa liga. No entanto, a eficiência e a segurança do processo dependem diretamente dos ajustes corretos dos parâmetros operacionais, que devem variar de acordo com o tipo do material base e, principalmente, sua espessura. O não cumprimento dessas adaptações pode comprometer a penetração, a integridade da solda e a produtividade do processo.

 

1. Influência do Tipo de Material nos Ajustes

Diferentes metais apresentam propriedades térmicas, químicas e metalúrgicas distintas, que influenciam diretamente a forma como devem ser soldados. Os principais materiais soldados por MAG são o aço-carbono, o aço de baixa liga e, em algumas aplicações, o aço inoxidável.

 

1.1 Aço-carbono

O aço-carbono possui boa

soldabilidade e é amplamente utilizado em estruturas metálicas, indústria automobilística e construção civil. Para esse material, utiliza-se geralmente o arame ER70S-6, com gás protetor como CO₂ puro ou misturas de Ar + CO₂ (por exemplo, 75/25). Os ajustes são mais tolerantes, com ampla faixa de corrente e tensão, sendo ideal para soldagem em posição plana e filete com penetração moderada.

 

1.2 Aço inoxidável

O aço inoxidável exige maior cuidado nos ajustes para preservar sua resistência à corrosão. Para esse tipo de material, os arames mais utilizados são o ER308L (para AISI 304) e o ER316L (para AISI 316). Utiliza-se como gás protetor geralmente misturas de Ar + 2% CO₂ ou Ar + O₂. Os parâmetros devem limitar o aporte térmico para evitar a formação de zonas sensíveis à corrosão, e cordões mais estreitos com penetração controlada são preferíveis.

1.3 Aços de alta resistência

Esses aços requerem arames especiais e controle térmico rigoroso, pois o excesso de calor pode reduzir a resistência final da junta. Misturas gasosas com maior teor de argônio são recomendadas para melhorar a estabilidade do arco e reduzir respingos.

 

2. Ajustes Conforme a Espessura do Material

A espessura do material base influencia diretamente a intensidade do calor necessário, o modo de transferência do metal e o perfil da junta a ser utilizada.

 

Em materiais com até 3 mm de espessura, é essencial evitar perfurações e distorções. Para isso, deve-se usar corrente baixa (entre 60 e 120 A) e tensão controlada (de 14 a 18 V), com arames de 0,8 mm ou 1,0 mm. O modo de transferência por curto-circuito é o mais indicado, com avanço rápido da tocha e ângulo correto para reduzir o calor concentrado.

 

Para espessuras médias, entre 3 e 10 mm, a flexibilidade de ajustes é maior. A corrente pode variar entre 120 e 250 A, com tensão entre 18 e 26 V, usando arames de 1,0 mm ou 1,2 mm. Nessa faixa, é possível utilizar transferência por spray, com misturas gasosas ricas em argônio para garantir boa penetração e acabamento uniforme.

 

Em materiais acima de 10 mm, como chapas grossas e estruturas robustas, são recomendados ajustes com corrente entre 250 e 350 A e tensão entre 26 e 32 V. Utiliza-se arames de 1,2 mm ou maiores, e junta preparada com chanfro em V ou duplo V. A transferência por spray é a mais indicada para garantir alta taxa de deposição, especialmente com misturas de Ar + 15% CO₂. Dependendo do tipo de aço, pode ser necessário o pré-aquecimento da peça para

evitar trincas na zona afetada pelo calor.


3. Modificações Adicionais nos Parâmetros

Além da corrente, voltagem e velocidade do arame, outros aspectos devem ser ajustados conforme o tipo e espessura do material.

 

A vazão do gás de proteção, por exemplo, deve ser de 10 a 14 L/min para chapas finas, e de 14 a 20 L/min para peças mais espessas ou em ambientes externos. A velocidade de avanço da tocha também deve variar: em materiais finos, o avanço deve ser rápido para evitar sobreaquecimento; em materiais espessos, deve ser mais lento, garantindo a fusão completa. O diâmetro do arame também precisa ser compatível: arames mais finos para controle térmico em chapas leves, e arames mais grossos para alta deposição em peças grandes.

 

4. Aplicações Práticas e Configurações Típicas

Na prática, um operador que esteja soldando uma chapa de aço-carbono com 1,5 mm de espessura poderá ajustar a corrente entre 80 e 100 A, com tensão de 16 a 18 V, utilizando arame de 0,8 mm e mistura gasosa de Ar + 25% CO₂. Já em uma chapa de 6 mm, também de aço-carbono, a corrente pode variar de 180 a 220 A, com tensão entre 22 e 26 V, utilizando arame de 1,0 mm e o mesmo tipo de gás.

 

No caso de aços inoxidáveis, como o AISI 304 com 3 mm de espessura, o operador pode usar corrente entre 100 e 130 A, tensão de 18 a 20 V, arame de 0,9 mm e gás Ar + 2% CO₂. Para chapas grossas, como aço-carbono com 12 mm de espessura, são recomendados valores de corrente entre 280 e 320 A, tensão entre 26 e 30 V, arame de 1,2 mm e gás com composição de Ar + 15% CO₂.

 

Esses valores são pontos de partida e devem ser ajustados conforme o equipamento disponível, a posição de soldagem, a geometria da junta e os requisitos de qualidade do projeto.


5. Cuidados e Boas Práticas

É indispensável realizar soldagens de teste antes do início da produção. Em chapas finas, distorções podem ser evitadas com técnicas como soldagem intercalada ou por pontos. Em materiais sensíveis, deve-se controlar a temperatura de interpasse. O uso correto de EPIs, conforme as normas NR-

6 e NR-10, também é obrigatório. Para garantir repetibilidade, é recomendável registrar os parâmetros utilizados durante a operação.

 

Conclusão

A correta adequação dos parâmetros de soldagem MAG ao tipo e à espessura do material é determinante para o sucesso do processo. Corrente, tensão, velocidade do arame e tipo de gás devem ser ajustados de forma coordenada, levando em consideração não apenas as propriedades do

metal base, mas também o tipo de junta, a posição da solda e as exigências de qualidade.

 

Dominar esses ajustes é uma competência essencial para soldadores, técnicos e engenheiros envolvidos em processos industriais, pois permite produzir soldas seguras, eficientes e com excelente desempenho mecânico.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.

 

 

Influência dos Parâmetros na Qualidade da Solda

 

A soldagem MAG (Metal Active Gas) é um processo amplamente utilizado na indústria pela sua versatilidade, velocidade e capacidade de automação. No entanto, para garantir que a união das peças metálicas seja segura, resistente e durável, é essencial que os parâmetros operacionais estejam corretamente ajustados. A qualidade da solda está diretamente relacionada ao controle desses parâmetros, como corrente elétrica, tensão, velocidade de alimentação do arame, vazão do gás, distância da tocha, entre outros. A negligência no ajuste de qualquer um desses fatores pode levar à ocorrência de defeitos como porosidade, falta de penetração, excesso de respingos, trincas ou deformações.

 

1. Corrente Elétrica e Penetração

A corrente elétrica (amperagem) influencia diretamente a quantidade de calor gerado no arco e, consequentemente, a profundidade da penetração da solda no metal base. Quando a corrente está abaixo do ideal, a fusão pode ser insuficiente, resultando em juntas frágeis e com risco de falha estrutural. Por outro lado, corrente excessiva gera calor excessivo, o que pode provocar perfurações em materiais finos, aumento de distorções, formação de escória e desgaste prematuro dos consumíveis.

 

Além disso, a corrente está diretamente associada à velocidade de alimentação do arame. Se a corrente for elevada, o arame precisa ser alimentado mais rapidamente para manter o equilíbrio térmico e evitar instabilidade no arco. Ajustes inconsistentes entre corrente e alimentação podem resultar em soldas com cordões irregulares, falta de fusão lateral ou excesso de material.

 

2. Tensão e Estabilidade do

Tensão e Estabilidade do Arco

A voltagem (ou tensão) regula o comprimento do arco elétrico. Um arco muito curto, causado por voltagem baixa, torna-se instável e pode causar salpicos e dificuldade no controle da poça de fusão. Já um arco muito longo, resultante de voltagem excessiva, pode produzir cordões largos, rasos e com penetração inadequada.

A tensão também afeta o tipo de transferência do metal do arame para a peça. Em tensões baixas, ocorre transferência por curto-circuito, adequada para chapas finas. Em tensões mais altas, especialmente combinadas com correntes elevadas e gases apropriados, o processo entra no regime de transferência por spray, favorecendo soldagens mais limpas, profundas e com menor índice de respingos.

 

3. Velocidade de Alimentação do Arame

A velocidade de alimentação do arame está intimamente relacionada à taxa de deposição de material. Se o arame é alimentado rapidamente sem um correspondente aumento na corrente, haverá excesso de material e instabilidade do arco. Isso pode levar ao acúmulo de metal, má aparência da solda, falta de fusão e interrupções no processo. Por outro lado, alimentação muito lenta reduz a taxa de deposição e pode causar queima do arame antes que ele alcance a poça de fusão, gerando descontinuidade no cordão.

 

O equilíbrio entre a velocidade de arame, corrente e tensão deve ser mantido com precisão. Fontes modernas de soldagem MAG possuem controle sinérgico, que ajusta automaticamente os parâmetros conforme a seleção do material, espessura e tipo de gás, facilitando esse equilíbrio e reduzindo erros operacionais.

 

4. Vazão e Tipo de Gás de Proteção

O gás de proteção exerce um papel crucial na qualidade da solda, protegendo a poça de fusão contra contaminações do ar, como oxigênio e nitrogênio. Vazões inadequadas podem comprometer essa proteção. Vazão muito baixa permite a entrada de ar na zona fundida, provocando porosidade e oxidação. Vazão excessiva, por outro lado, causa turbulência, que arrasta o ar para dentro da poça e também gera defeitos.

 

Além da vazão, o tipo de gás influencia diretamente a transferência metálica, o perfil do cordão e a aparência da solda. O CO₂ puro, por exemplo, promove maior penetração, mas aumenta os respingos. Misturas como Ar + 20% CO₂ proporcionam um arco mais estável, com menor respingo e melhor acabamento. Para aços inoxidáveis, misturas especiais com pequenas frações de oxigênio ou CO₂ são usadas para preservar a resistência à corrosão e

garantir boa fluidez do metal.

 

5. Distância da Tocha e Ângulo de Aplicação

A distância entre o bico de contato da tocha e a peça (stick-out) afeta o controle do arco. Uma distância muito curta concentra calor demais na poça, dificultando a visualização e aumentando a chance de falta de penetração. Distância excessiva causa perda de energia, instabilidade do arco e maior formação de respingos. Em geral, recomenda-se uma distância entre 10 e 20 mm, ajustada conforme o diâmetro do arame e a corrente aplicada.

 

O ângulo de aplicação da tocha também influencia a qualidade da solda. Em soldas planas, o ângulo recomendado é de aproximadamente 15° em relação à vertical, na direção do avanço. Inclinações exageradas podem causar assimetrias no cordão, falta de fusão em uma das bordas e dificuldades de penetração. Em posições verticais ou sobrecabeça, ajustes específicos devem ser feitos para manter o controle da poça e evitar escorrimento do metal fundido.

 

6. Velocidade de Avanço e Aporte Térmico

A velocidade com que o operador movimenta a tocha influencia o aporte térmico e a forma do cordão. Um avanço muito rápido gera cordões estreitos e pode resultar em falta de fusão. Já um avanço muito lento acumula calor na peça, produz cordões largos, altos e com risco de trincas por excesso de calor.

 

O aporte térmico deve ser cuidadosamente controlado em materiais sensíveis, como os aços de alta resistência e os inoxidáveis. Nestes casos, temperaturas excessivas podem comprometer a integridade da microestrutura do metal base, favorecendo a formação de zonas fragilizadas ou suscetíveis à corrosão.


7. Consequências de Parâmetros Mal Ajustados

O ajuste incorreto dos parâmetros de soldagem pode gerar diversos defeitos, entre os quais se destacam:

       Porosidade interna (causada por contaminação da poça de fusão);

       Trincas a quente ou a frio, dependendo do excesso ou da carência de calor;

       Falta de penetração (subfusão), com risco de falha estrutural;

       Excesso de respingos, que prejudica o acabamento e exige retrabalho;

       Inclusões de escória ou oxidação, especialmente quando a proteção gasosa é inadequada;

       Cordões irregulares, que afetam a estética e a integridade da junta.

A detecção e correção desses defeitos podem representar perdas de tempo, aumento de custos e, em casos críticos, comprometer a segurança da estrutura soldada.

 

Conclusão

A qualidade da solda no processo MAG depende

diretamente do ajuste preciso e integrado dos parâmetros operacionais. Corrente elétrica, tensão, velocidade de alimentação do arame, tipo e vazão do gás, distância da tocha e velocidade de avanço devem ser cuidadosamente controlados e adaptados ao tipo de material, à espessura da peça e à posição de soldagem.

 

Operadores qualificados, equipamentos bem calibrados e procedimentos de soldagem bem definidos são fundamentais para garantir que a solda apresente excelente desempenho mecânico, resistência a esforços e durabilidade. Em um cenário industrial competitivo, a otimização desses parâmetros representa não apenas um diferencial técnico, mas também econômico e estratégico.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 1614 – Terminologia de Soldagem. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


Tipos de Juntas e Posições de Soldagem

 

A soldagem é um dos principais processos de união permanente utilizados na indústria moderna, sendo amplamente aplicada na fabricação e manutenção de estruturas metálicas. Para que o processo seja eficiente e seguro, é fundamental compreender os tipos de juntas utilizadas e as posições de soldagem exigidas por cada situação. Esses dois aspectos determinam a escolha dos parâmetros operacionais, o planejamento da sequência de passes, os consumíveis empregados e a qualificação dos profissionais responsáveis.

 

No processo MAG (Metal Active Gas), o conhecimento sobre juntas e posições é ainda mais relevante, uma vez que as características do arco elétrico, da poça de fusão e da proteção gasosa são influenciadas diretamente por esses fatores.

 

1. Tipos de Juntas em Soldagem

Uma junta de soldagem é a configuração geométrica estabelecida entre duas ou mais peças que serão unidas. Os tipos de juntas são padronizados por normas técnicas, como a AWS (American Welding Society) e a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), e cada tipo apresenta características específicas de preparação, acesso e execução.

 

1.1 Junta de topo (butt joint)

A junta de topo é formada pela união de duas peças em um mesmo plano, posicionadas extremidade

com extremidade. É amplamente usada em chapas e placas metálicas, podendo ser aplicada em todos os processos de soldagem.

 

As juntas de topo podem ser com ou sem preparação (chanfro) e são indicadas para situações que exigem boa penetração e resistência mecânica. A preparação do chanfro é comum em materiais com espessura acima de 5 mm, facilitando a penetração completa do metal de adição.

 

1.2 Junta de canto (corner joint)

Na junta de canto, as peças são posicionadas em ângulo, formando um “L”. É frequentemente empregada na fabricação de caixas, estruturas metálicas e chapas dobradas.

 

Embora apresente menor resistência que a junta de topo, é fácil de executar e possui boa acessibilidade para soldagem. A geometria da junta permite a formação de cordões do tipo filete, bastante comuns no processo MAG.

 

1.3 Junta de sobreposição (lap joint)

Essa junta é formada pela sobreposição parcial de duas peças, sendo bastante utilizada em chapas finas e em aplicações onde o acesso é restrito a apenas um dos lados.

 

Apresenta boa resistência à tração e cisalhamento, porém pode concentrar tensões e requer atenção para evitar falta de fusão entre as interfaces. A soldagem é geralmente feita com cordões de filete ou pontos.

 

1.4 Junta em “T” (T-joint)

Na junta em “T”, uma peça é posicionada perpendicularmente à outra, formando um ângulo de 90°. É amplamente utilizada em estruturas metálicas e suportes.

 

Permite soldagem em ambos os lados da junção e é particularmente adequada para cordões de filete. Deve-se garantir boa penetração na raiz da junta, o que pode exigir passes de raiz ou chanfro parcial.

 

1.5 Junta de borda (edge joint)

Utilizada quando duas peças são colocadas lado a lado, com suas bordas alinhadas. É comum em tanques, tambores e tubos de paredes finas.

É uma junta menos resistente e, por isso, é usada em aplicações onde não há solicitação estrutural significativa. A soldagem é geralmente feita com passe único e cuidado redobrado com a penetração.

 

2. Posições de Soldagem

As posições de soldagem referem-se à orientação espacial da peça e do arco elétrico durante o processo. Elas influenciam diretamente a fluidez da poça de fusão, o controle do cordão, o modo de transferência do metal e os parâmetros operacionais. As principais posições são classificadas por normas como a AWS D1.1 e a NBR 14842.

 

2.1 Posição plana (1G ou 1F)

É a posição mais favorável para soldagem, com a poça de fusão orientada para

baixo, permitindo máxima penetração e controle.

       1G: junta de topo com soldagem na horizontal;

       1F: junta de filete (canto ou T) com soldagem na horizontal.

A gravidade atua a favor da deposição do metal, permitindo velocidades maiores e menor risco de escorrimento. É ideal para produção automatizada.

 

2.2 Posição horizontal (2G ou 2F)

Na posição horizontal, o eixo da junta é paralelo ao solo, mas a soldagem ocorre lateralmente, exigindo maior controle do operador. 2G: junta de topo com eixo na vertical e soldagem lateral;

            2F: junta de filete em que a poça tende a escorrer.

Essa posição é mais exigente que a plana, especialmente com aços mais espessos, sendo necessário ajustar a tensão e o avanço da tocha para evitar defeitos.


2.3 Posição vertical (3G ou 3F)

A soldagem ocorre com a junta na vertical, o que dificulta o controle da poça de fusão e exige técnicas específicas.

       3G: junta de topo soldada de baixo para cima (ascendente) ou de cima para baixo (descendente);

       3F: junta de filete em peça vertical.

É necessário reduzir a amperagem e controlar a velocidade de avanço para evitar escorrimento e acúmulo de material. Em processos MAG, a técnica de tecimento (movimento em “V” ou “Z”) é comum para manter a uniformidade do cordão.

 

2.4 Posição sobrecabeça (4G ou 4F)

A soldagem é realizada com a poça de fusão acima da cabeça do operador, sendo a mais desafiadora em termos de controle.

       4G: junta de topo com soldagem de baixo para cima, sobre a cabeça;

       4F: junta de filete na parte inferior de uma estrutura.

Essa posição exige domínio técnico, uso de parâmetros reduzidos e equipamentos que minimizem respingos. A poça deve ser mantida pequena e o arco curto, para evitar queda do metal fundido.

 

2.5 Posições inclinadas ou especiais

Algumas aplicações requerem posições não padronizadas, como soldagem em tubulações (5G, 6G), que envolvem movimentos circulares e contínuos. A posição 6G, por exemplo, combina inclinação e rotação, sendo uma das mais complexas, comumente usada em testes de qualificação.

3. Considerações Técnicas e Operacionais

Cada tipo de junta e posição de soldagem exige adaptações nos parâmetros de soldagem, nos consumíveis e nas técnicas operacionais. A complexidade aumenta em posições não planas, exigindo:

       Menor corrente para evitar escorrimento;

       Menor velocidade de alimentação do arame;

       Menor vazão de gás

para evitar turbulência e dispersão;

       Uso de técnicas como oscilações controladas e passes intercalados.

A qualificação do soldador também varia conforme a posição. Um profissional habilitado para soldagem na posição plana não está automaticamente apto para posições verticais ou sobrecabeça. Por isso, a certificação por posição é exigida em obras e estruturas críticas, conforme previsto em normas como a ISO 9606.

 

Conclusão

O domínio dos tipos de juntas e das posições de soldagem é essencial para o sucesso técnico e a segurança estrutural em qualquer processo de união metálica, especialmente na soldagem MAG. A correta seleção da geometria da junta e o conhecimento sobre as dificuldades e exigências de cada posição permitem que o operador ajuste os parâmetros de forma precisa, reduza defeitos, aumente a produtividade e melhore o acabamento da solda.

 

Esses fatores também influenciam diretamente o custo da operação, a necessidade de retrabalho e a durabilidade das estruturas soldadas. Portanto, a capacitação contínua dos profissionais e o planejamento técnico adequado são imprescindíveis para garantir soldagens eficientes e de alta qualidade.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       ABNT. NBR 14842 – Qualificação de Soldadores. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.

 

 

Limpeza e Preparação das Superfícies para Soldagem

 

A qualidade de uma solda depende não apenas dos equipamentos e parâmetros operacionais utilizados, mas também da adequada preparação das superfícies a serem unidas. A limpeza prévia das peças metálicas é um passo essencial e muitas vezes negligenciado, que influencia diretamente na penetração, na estabilidade do arco, na integridade estrutural da solda e na ausência de defeitos como porosidade, inclusões e trincas. No processo de soldagem MAG (Metal Active Gas), a presença de contaminantes superficiais pode comprometer o desempenho do arco elétrico e a eficiência da proteção gasosa, exigindo procedimentos específicos para garantir superfícies adequadas à união metálica.

 

1. Importância da Preparação das Superfícies

Antes da

soldagem, as superfícies metálicas podem conter óxidos, graxas, óleos, tintas, ferrugem, umidade e poeira, que atuam como contaminantes. Esses resíduos impedem o contato metálico adequado, interferem na formação da poça de fusão e reagem com o calor do arco, liberando gases que se incorporam à solda sob forma de poros, ou que provocam a formação de escórias e inclusões não metálicas.

 

Além disso, superfícies sujas afetam a condutividade elétrica, dificultam a transferência de calor e aumentam o risco de falhas mecânicas na junta soldada. A presença de umidade, por exemplo, pode liberar hidrogênio durante o processo de fusão, levando à trinca por hidrogênio — um dos defeitos mais severos e difíceis de detectar em soldas.

 

2. Tipos de Contaminantes e Suas Consequências

Os principais tipos de contaminantes encontrados em superfícies metálicas são:

       Óleos e graxas: comuns em peças usinadas ou armazenadas sem controle. Ao serem aquecidos, liberam gases inflamáveis que geram porosidade e respingos.

       Tintas e vernizes: impedem a fusão direta entre os metais e contaminam o cordão com carbono e outros resíduos.

       Ferrugem (óxidos de ferro): reduzem a condutividade térmica e elétrica, atrapalham a estabilidade do arco e favorecem inclusões.

       Umidade: geralmente associada à condensação em ambientes úmidos. Libera hidrogênio na poça fundida, favorecendo trincas internas.

       Poeira, areia ou partículas sólidas: podem ser incorporadas ao metal fundido, resultando em descontinuidades físicas.

A depender da severidade da aplicação (estruturas críticas, soldas em pressão, transporte, etc.), o nível de exigência quanto à limpeza das superfícies é ainda maior, sendo exigido inclusive controle ambiental.

 

3. Métodos de Limpeza das Superfícies

Os métodos de preparação das superfícies variam conforme o tipo e grau da contaminação. Em geral, os procedimentos podem ser divididos em limpeza mecânica, limpeza química e limpeza térmica.

 

3.1 Limpeza mecânica

É a forma mais comum e simples de remoção de contaminantes sólidos. Pode ser feita com:

       Escova de aço: remove ferrugem leve, carepas e óxidos superficiais.

       Lixas e rebarbadoras: para remoção de tinta, ferrugem grossa e escórias.

       Jateamento abrasivo: recomendado para superfícies extensas, garante remoção completa de óxidos e camadas aderidas.

Apesar de eficiente, a limpeza mecânica pode deixar resíduos ou cavidades, devendo ser

complementada com outros métodos quando necessário.

 

3.2 Limpeza química

Utiliza produtos como desengraxantes, solventes, decapantes e detergentes industriais. É particularmente eficaz na remoção de:

       Óleos e graxas industriais;

       Resíduos de usinagem;

       Tintas e contaminantes orgânicos.

É fundamental utilizar produtos compatíveis com o tipo de metal e seguir as instruções do fabricante, especialmente quanto ao tempo de ação e à necessidade de enxágue e secagem. Após a limpeza química, a secagem da peça é obrigatória para evitar formação de óxidos e absorção de umidade.

 

3.3 Limpeza térmica

Consiste no aquecimento controlado das superfícies para evaporar contaminantes voláteis, especialmente umidade e solventes. Pode ser feita com maçaricos ou em estufas industriais. Em alguns casos, é combinada com pré-aquecimento necessário ao processo de soldagem (aços de alta resistência, por exemplo), cumprindo duplo papel: secagem e controle térmico.

 

4. Preparação das Bordas da Junta

Além da limpeza, a preparação geométrica da junta também é fundamental. Ela visa garantir o encaixe correto das peças, o acesso do arco à raiz da junta e a uniformidade da poça de fusão. A preparação pode incluir:

       Chanframento em “V” ou duplo “V” em peças espessas, com uso de esmerilhadeiras ou processos automatizados;

       Ajuste da folga entre as peças, que deve permitir a penetração completa do metal sem excesso de abertura;

       Remoção de carepas e escórias de soldas anteriores, em caso de múltiplos passes.

A geometria correta da junta facilita o controle do arco e evita defeitos como falta de fusão, excesso de reforço e acúmulo de escória.

5. Armazenamento e Manuseio das Peças

Após a limpeza, é importante que as peças não sejam novamente contaminadas até o momento da soldagem. Devem ser seguidas boas práticas de manuseio, como:

       Armazenar as peças em locais secos, longe de poeira, óleo e umidade;

       Usar luvas limpas ao manusear as peças para evitar contaminação por suor e gordura das mãos;

       Evitar que as peças fiquem expostas ao tempo por longos períodos após a limpeza.

Em linhas de produção contínuas, o intervalo entre a limpeza e a soldagem deve ser o menor possível, para evitar recontaminação.

 

Conclusão

A limpeza e a preparação das superfícies são etapas fundamentais para garantir a qualidade da solda, especialmente no processo MAG. A negligência nesse aspecto pode anular

todos os esforços de controle de parâmetros, escolha de consumíveis e técnica de execução. Por isso, devem ser tratados como parte integrante do procedimento de soldagem, sendo incluídos nas instruções técnicas, treinamentos operacionais e auditorias de qualidade.

 

A adoção de rotinas padronizadas de limpeza, bem como o uso de métodos compatíveis com cada tipo de contaminante, permite a obtenção de cordões de solda mais limpos, resistentes e com maior durabilidade. Além disso, reduz o retrabalho, aumenta a produtividade e assegura a integridade estrutural das peças unidas.


Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       ABNT. NBR 14842 – Preparação de juntas para soldagem.

Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.


 

Técnicas Básicas de Fixação e Alinhamento para Soldagem

 

A qualidade de uma junta soldada não depende apenas dos parâmetros do processo ou dos consumíveis utilizados. A fixação e o alinhamento adequados das peças a serem unidas são fatores essenciais para garantir a integridade, o desempenho e a durabilidade da solda. Um alinhamento incorreto ou uma fixação ineficiente pode resultar em tensões residuais, distorções, trincas, descontinuidades e falta de penetração. No processo MAG (Metal Active Gas), em especial, o controle da geometria da junta antes da soldagem é crucial, uma vez que o processo envolve altas taxas de deposição e velocidade, exigindo maior precisão na preparação e posicionamento das peças.

 

1. Importância da Fixação e do Alinhamento

Antes da aplicação do arco elétrico, é necessário garantir que as peças estejam posicionadas corretamente, com geometria adequada, folga controlada e suporte firme. Essa preparação assegura que as peças não se movam com o calor do arco, que a junta mantenha a folga necessária para penetração e que o cordão de solda seja aplicado de forma contínua e uniforme.

A ausência de fixação ou o uso de técnicas inadequadas pode causar:

       Distorções térmicas, decorrentes da dilatação e contração desiguais durante a soldagem;

       Desalinhamento da junta, gerando descontinuidade no cordão ou necessidade de

retrabalho;

    Falta de penetração ou falta de fusão, em virtude da geometria incorreta;

Trincas de contração, resultantes de esforços mecânicos não uniformes após o resfriamento.

Portanto, o uso de métodos apropriados de fixação e alinhamento é parte integrante das boas práticas operacionais em soldagem.

 

2. Técnicas de Fixação

A fixação tem como objetivo imobilizar as peças durante o processo de soldagem. Existem diversas técnicas e ferramentas que podem ser utilizadas, dependendo da complexidade da peça, do tipo de junta e da posição de soldagem.

 

2.1 Garras e grampos

São dispositivos mecânicos ajustáveis, muito utilizados em oficinas e montagens industriais. Podem ser do tipo "C", de pressão ou magnéticos, permitindo a fixação rápida e segura das peças.

 

Esses dispositivos garantem estabilidade durante a soldagem, mas devem ser posicionados de forma que não interfiram no acesso do arco e não atrapalhem a dissipação de calor. É importante também verificar se os grampos não estão causando tensões mecânicas indesejadas na peça.

 

2.2 Gabaritos e dispositivos de montagem

Em processos repetitivos, como linhas de produção, são utilizados gabaritos metálicos ou sistemas de fixação com posicionamento automático. Esses dispositivos são fabricados especificamente para cada modelo de peça, garantindo padronização, agilidade e repetibilidade nas montagens.

 

Além disso, os gabaritos permitem que peças de geometrias complexas sejam montadas corretamente, mesmo com tolerâncias dimensionais reduzidas. São especialmente úteis em soldagens automatizadas e robóticas.

 

2.3 Pontos de solda (tack welds)

O uso de pequenos pontos de solda provisórios é uma técnica comum para manter o posicionamento das peças antes da soldagem definitiva. Os pontos devem ser aplicados nos extremos e, se necessário, ao longo da junta, em intervalos regulares. Devem ser executados com os mesmos consumíveis e parâmetros do processo principal para garantir compatibilidade metalúrgica.

É fundamental que os pontos de solda estejam alinhados ao cordão principal e não gerem descontinuidades. Após a soldagem, eles podem ser incorporados ao cordão final ou removidos, dependendo da especificação do projeto.

 

3. Técnicas de Alinhamento

O alinhamento é o processo de garantir que as peças estejam posicionadas corretamente em relação ao seu eixo, ângulo e plano, respeitando as tolerâncias dimensionais e geométricas estabelecidas no projeto.

 

3.1 Medição e

Medição e controle dimensional

O uso de instrumentos de medição como réguas metálicas, compassos, níveis, esquadros, goniômetros e dispositivos a laser é essencial para verificar ângulos, paralelismo, planicidade e folgas entre as peças. O alinhamento deve ser verificado antes, durante e após a fixação.

 

A utilização de códigos de montagem e desenhos técnicos atualizados auxilia o operador a manter os parâmetros exigidos. Para aplicações críticas, a verificação pode ser realizada com auxílio de ferramentas de metrologia digital.

 

3.2 Ajuste de folgas

Cada tipo de junta exige uma folga específica entre as peças, especialmente em juntas de topo com chanfro. Folgas muito estreitas dificultam a penetração do arco; folgas excessivas exigem maior aporte de material e geram maior contração térmica, aumentando o risco de trincas e empenamentos.

 

A regulagem da folga pode ser feita com espaçadores metálicos temporários, que são retirados no momento da soldagem.

 

3.3 Controle de distorções

Durante a soldagem, o calor gerado provoca expansão e contração térmica, podendo causar deformações nas peças. Técnicas para minimizar distorções incluem:

            Uso de sequência de soldagem intercalada ou em espelho;

       Fixação adicional em pontos estratégicos;

       Pré-curvamento das peças na direção oposta à distorção esperada;

       Uso de dispositivos de contrabalanceamento.

É importante lembrar que, em chapas finas, pequenas variações térmicas podem provocar distorções significativas, exigindo controle rigoroso da temperatura e dos passes de solda.

 

4. Segurança e Cuidados Durante a Fixação

Durante o processo de fixação e alinhamento, devem ser observadas normas de segurança, principalmente no uso de ferramentas manuais e elétricas. As peças devem estar apoiadas de forma estável sobre cavaletes ou mesas metálicas. Nunca se deve soldar peças soltas ou mal apoiadas, pois o movimento durante a soldagem pode gerar acidentes ou defeitos graves.

 

Outro cuidado importante é com a condução elétrica dos grampos e garras: ao utilizar dispositivos metálicos para fixação, é preciso garantir que não estejam em contato direto com o arco ou com o caminho da corrente de soldagem, para evitar curtos-circuitos e aquecimentos indesejados.

 

Conclusão

As técnicas de fixação e alinhamento são etapas fundamentais no processo de soldagem, pois influenciam diretamente na geometria da junta, na estabilidade da poça de fusão e na

integridade da estrutura soldada. Uma peça mal posicionada pode comprometer todo o processo, gerar retrabalho, aumentar o consumo de insumos e reduzir a confiabilidade da solda.

 

O domínio dessas técnicas deve fazer parte da formação básica de todo profissional que atua com soldagem, sendo imprescindível em processos de fabricação, manutenção e montagem industrial. A aplicação correta dessas práticas eleva a produtividade, reduz falhas e contribui para a segurança e durabilidade das estruturas metálicas.

 

Referências Bibliográficas

       AMERICAN WELDING SOCIETY. Welding Handbook. 9th ed. Miami: AWS, 2012.

       SILVA, Ricardo R. da. Tecnologia da Soldagem. Rio de Janeiro: LTC, 2017.

       MOURA, Djalma A. de. Processos de Soldagem: Fundamentos e Aplicações. São Paulo: Érica, 2018.

       ABNT. NBR 14842 – Qualificação de Soldadores. Associação Brasileira de Normas Técnicas, 2020.

       PEREIRA, A. B. et al. Soldagem: Processos e Aplicações Industriais. Florianópolis: UFSC, 2021.

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