Preparação
e Gravação da Tela
Preparação da Tela
A preparação correta da tela serigráfica é uma etapa essencial para garantir a qualidade da impressão, seja ela artesanal ou industrial. Uma tela bem preparada evita falhas na revelação, problemas com o fluxo de tinta e desgaste prematuro do material. Este processo envolve a escolha adequada da malha, a correta esticagem sobre o quadro e a limpeza e desengraxe antes da aplicação da emulsão. A seguir, exploram-se esses elementos fundamentais com enfoque prático e técnico.
1.
Escolha da malha: nylon e poliéster
A
malha utilizada na serigrafia é o tecido vazado responsável por permitir a
passagem da tinta apenas nas áreas previamente abertas da matriz. Ela é
confeccionada com fios sintéticos entrelaçados de forma precisa e homogênea. As
opções mais comuns são o nylon e o poliéster, sendo este último o
mais utilizado atualmente.
Nylon
O
nylon foi uma das primeiras fibras sintéticas empregadas na serigrafia. Possui
boa elasticidade, o que facilita a esticagem da tela. Contudo, essa mesma
elasticidade pode gerar instabilidade dimensional após o uso, causando perda de
tensão e imprecisão na impressão.
Entre
suas características estão:
Por
essas razões, o nylon é utilizado principalmente em processos artesanais ou
experimentais, quando se deseja maior maleabilidade.
Poliéster
O
poliéster é o padrão atual na maioria das aplicações serigráficas, devido à sua
estabilidade dimensional, resistência mecânica e durabilidade. Essa malha é
mais resistente ao tensionamento e mantém suas propriedades mesmo após
múltiplos ciclos de impressão e lavagem.
Características
do poliéster:
A escolha da contagem da malha (exemplo: 77 fpi, 120 fpi, 150 fpi) dependerá do tipo de substrato, da complexidade da arte e da tinta utilizada. Malhas de baixa contagem são indicadas para tintas espessas e tecidos escuros, enquanto malhas finas atendem melhor a imagens
detalhadas.
2.
Esticagem da tela no quadro
A
esticagem da tela sobre o quadro é o processo pelo qual a malha é fixada com
tensão uniforme, garantindo que ela se mantenha estável durante a impressão.
Essa etapa é fundamental para evitar distorções nas imagens, excesso ou falta
de tinta, além de falhas no registro.
Tipos
de quadros
Os
quadros podem ser de madeira ou alumínio, com vantagens e
desvantagens específicas:
Métodos
de esticagem
A
esticagem pode ser realizada de forma manual ou com esticadores
pneumáticos e sistemas automáticos, dependendo do nível de produção.
Esticagem
manual:
1. Corta-se
a malha com sobra suficiente para cobrir toda a moldura.
2. A
tela é posicionada sobre o quadro.
3. Com
o auxílio de grampeadores, prende-se a tela de forma gradual, alternando os
lados (tipo cruz) para distribuir a tensão.
4. A malha deve apresentar tensão firme, sem enrugamentos, mas sem ultrapassar o limite de resistência dos fios.
Esticagem
com esticador pneumático:
1. A
malha é colocada em um esticador com garras ou presilhas que aplicam força
uniforme em todas as direções.
2. Após
atingir a tensão ideal (medida em newtons/cm), a tela é colada com cola
especial nas bordas do quadro de alumínio.
3. A
cola é ativada com calor ou catalisador, fixando a malha.
Este
método é mais indicado para produções em escala, garantindo padronização e
prolongando a vida útil da matriz.
Tensão
ideal
A tensão da malha é medida com um tensiômetro e deve variar entre 18 e 25 N/cm², dependendo da malha e do tipo de impressão. Tensões muito baixas geram falhas na impressão e registro; tensões muito altas podem romper a malha ou danificar o quadro.
3.
Limpeza e desengraxe da tela
Após
a tela estar devidamente esticada, é necessário realizar a limpeza e
desengraxe para garantir que a emulsão fotossensível adira de forma
homogênea à malha.
Objetivo
O
processo de limpeza remove impurezas como pó, resíduos de óleo, gordura das
mãos e substâncias da própria fabricação da malha. A desengorduragem melhora a
aderência da emulsão e evita problemas como bolhas, descascamentos ou falhas na
gravação.
Materiais necessários:
Etapas
do processo:
1. Molhar
a tela com água corrente de ambos os lados;
2. Aplicar
o detergente ou desengraxante com escova ou esponja,
friccionando levemente toda a superfície da malha;
3. Enxaguar
completamente com água abundante, até que não reste
nenhum resíduo do produto;
4. Secar
completamente a tela em local limpo, seco e livre de
poeira, preferencialmente em posição vertical.
É importante que a tela esteja completamente seca antes da aplicação da emulsão. A presença de umidade pode comprometer a qualidade da gravação, dificultando a revelação e encurtando a vida útil da matriz.
Considerações
finais
A preparação da tela é um dos pilares da serigrafia bem-sucedida. A escolha da malha, sua correta esticagem no quadro e a limpeza adequada antes da gravação formam a base para uma impressão precisa, durável e esteticamente satisfatória.
Para
iniciantes, é possível realizar todos esses processos com recursos simples e
acessíveis, mas sem renunciar à atenção aos detalhes. À medida que o domínio
técnico aumenta, pode-se investir em equipamentos mais precisos e
automatizados, elevando a qualidade e a produtividade.
Independentemente do nível de produção, o cuidado com a tela representa o primeiro passo para transformar uma ideia visual em um produto final bem-executado, seja ele uma camiseta, um pôster, uma embalagem ou uma obra de arte.
Referências
bibliográficas
Gravação com Emulsão Fotográfica na
Serigrafia
A
gravação da matriz serigráfica com emulsão fotográfica é uma etapa fundamental
do processo serigráfico, responsável por definir as áreas por onde a tinta será
transferida para o substrato. Este método permite a produção de imagens com
alto nível de detalhamento, sendo amplamente utilizado tanto na serigrafia
artesanal quanto na industrial.
A correta aplicação da emulsão, o uso adequado do
fotolito, a exposição à luz ultravioleta (UV) e a revelação da tela são procedimentos que exigem atenção, técnica e cuidado com o ambiente de trabalho. A seguir, são apresentados os principais conceitos e etapas envolvidas nesse processo.
1.
Tipos de emulsão fotográfica
A
emulsão fotográfica é um composto químico sensível à luz ultravioleta,
utilizado para criar a matriz de impressão sobre a tela. Quando exposta à luz
UV, a emulsão endurece nas áreas iluminadas e permanece solúvel nas áreas
protegidas pela imagem do fotolito. Após a revelação, essas áreas solúveis são
lavadas, formando os espaços abertos por onde passará a tinta.
Existem
três tipos principais de emulsão utilizadas na serigrafia:
a)
Emulsão diazo
A
emulsão à base de diazo é composta por dois componentes: a emulsão propriamente
dita e o sensibilizador (diazo), que deve ser misturado antes do uso. Essa
emulsão tem coloração amarelada e é ideal para gravações com maior resistência
química, sendo amplamente utilizada com tintas solventes, plastisol e à base de
óleo.
Vantagens:
Desvantagens:
b)
Emulsão fotopolímera
Este
tipo de emulsão é pré-sensibilizado, ou seja, já vem pronto para uso. Possui
coloração rosada ou roxa e é altamente sensível à luz UV, exigindo um tempo de
exposição muito curto. É indicada principalmente para tintas à base d’água e
plastisol, sendo amplamente utilizada em ateliês e pequenas produções.
Vantagens:
Desvantagens:
c)
Emulsão híbrida (diazo + fotopolímero)
Combina
os benefícios das duas anteriores. Tem maior sensibilidade à luz e boa
resistência química, sendo apropriada para produções mais exigentes, como
impressões multicoloridas ou com tintas mais agressivas.
Vantagens:
Desvantagens:
A escolha da emulsão depende do tipo de tinta a ser usada, da complexidade da imagem, da tiragem pretendida e do ambiente de produção.
2.
Aplicação com rodo (coating)
A aplicação da emulsão sobre a tela é chamada de "coating" e deve ser feita de maneira uniforme para garantir uma gravação
da emulsão sobre a tela é chamada de "coating" e deve ser
feita de maneira uniforme para garantir uma gravação precisa e duradoura. O
instrumento utilizado é o rodo de emulsão (ou calha aplicadora), uma
peça metálica com bordas retas que permite espalhar a emulsão de forma
controlada.
Etapas
da aplicação:
1. Ambiente
controlado: a aplicação deve ser feita em local limpo, com pouca
luminosidade e temperatura amena. A luz branca ou amarelada evita a exposição
prematura da emulsão.
2. Preparação
da tela: a tela deve estar esticada, limpa e desengraxada,
completamente seca antes da aplicação.
3. Posicionamento
da calha: com a tela posicionada verticalmente, a calha é
colocada na parte inferior ou superior da malha, com uma leve inclinação (cerca
de 45°), permitindo o contato uniforme.
4. Aplicação
interna e externa:
o Aplica-se
primeiro uma camada pelo lado interno da tela (lado da tinta);
o Em
seguida, aplica-se uma ou duas camadas pelo lado externo (lado do substrato),
até que a camada fique uniforme.
5. Secagem:
após a aplicação, a tela deve ser colocada em posição horizontal ou inclinada,
com o lado externo voltado para baixo. A secagem deve ocorrer em ambiente
escuro, seco e com circulação de ar.
A secagem completa leva de 30 minutos a algumas horas, dependendo das condições ambientais. O uso de estufa com controle de temperatura (35–40 °C) pode acelerar o processo.
3.
Revelação com fotolito e luz UV
A gravação da imagem sobre a tela ocorre por meio da exposição da emulsão a uma fonte de luz ultravioleta, com o fotolito posicionado entre a tela e a luz.
Fotolito
O
fotolito é uma transparência impressa com a imagem desejada em preto opaco,
geralmente feito em impressoras a laser ou jato de tinta com tinta pigmentada.
As áreas pretas bloqueiam a luz e permanecem solúveis após a exposição.
Requisitos
de um bom fotolito:
Em
produções artesanais, é comum o uso de acetato, papel vegetal ou transparências
impressas com impressoras caseiras. No entanto, quanto maior a opacidade,
melhor será o resultado da gravação.
Exposição
à luz UV
A
exposição da tela ocorre com o fotolito colado sobre a emulsão seca. A tela é
colocada na mesa de revelação, que pode ser improvisada (com lâmpadas
fluorescentes UV) ou profissional (com timer, vácuo e fonte de luz halógena ou
LED UV).
Tempo
de exposição:
O tempo varia conforme o tipo de emulsão, a intensidade da luz, a distância da
fonte e a opacidade do fotolito. Em média:
O
teste de exposição é essencial para encontrar o tempo ideal e evitar falhas
como subexposição (emulsão frágil) ou superexposição (difícil revelação).
4.
Lavagem da tela revelada
Após
a exposição, a tela é levada para o tanque ou pia de revelação, onde a imagem
será revelada com jato de água.
Etapas
da revelação:
1. Umidificação
leve:
molha-se a tela com água em baixa pressão para amolecer as áreas não expostas;
2. Jato
de água: com jato médio ou escova macia, aplica-se água sobre
a imagem para remover a emulsão solúvel, revelando os espaços abertos da arte;
3. Secagem:
após a revelação, a tela é deixada para secar completamente, antes de ser usada
na impressão;
4. Retoque:
falhas ou pequenas imperfeições podem ser corrigidas com pincel e emulsão
aplicada manualmente, seguida de nova secagem.
Se a imagem não for revelada corretamente, o problema pode estar na exposição, na qualidade do fotolito, na emulsão vencida ou na má aplicação do coating. É recomendável realizar testes com tiras de tela menores antes de gravações definitivas.
Considerações
finais
A gravação com emulsão fotográfica é um dos momentos mais importantes do processo serigráfico. O domínio dessa etapa garante precisão, qualidade visual e maior durabilidade das matrizes, influenciando diretamente no resultado da impressão.
Dominar os tipos de emulsão, aplicar corretamente o coating, utilizar fotolitos bem elaborados e conduzir a revelação com técnica e paciência são práticas essenciais para qualquer serigrafista. Embora exija atenção aos detalhes, trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida com prática, testes e dedicação, mesmo em contextos de baixo custo.
Referências
bibliográficas
Cuidados
e Reutilização da Tela na
Serigrafia
A tela serigráfica é um dos elementos centrais da serigrafia, e seu bom uso e conservação são essenciais para manter a qualidade das impressões e a eficiência do processo produtivo. Com os devidos cuidados, é possível reutilizar uma tela diversas vezes, seja para gravar novas artes ou para repetir produções anteriores. Neste texto, abordamos os procedimentos para a recuperação da tela, seu armazenamento correto e dicas práticas para prolongar sua vida útil.
1.
Recuperação da tela: remoção de emulsão
Após
o uso da tela serigráfica, a emulsão fotossensível utilizada na gravação pode
ser removida para que a mesma tela seja reaproveitada. Esse processo é chamado
de desemulsão e consiste em eliminar completamente o material endurecido
da matriz sem danificar a malha.
Quando
remover a emulsão?
Materiais
necessários:
Etapas
do processo:
1. Limpeza
superficial da tinta: antes da remoção da emulsão, lave a tela
com solvente ou água, retirando todo o excesso de tinta utilizada na impressão.
2. Aplicação
do removedor: com a tela ainda úmida, aplique o produto
removedor dos dois lados da tela com a escova ou esponja. Espalhe uniformemente
e aguarde o tempo indicado pelo fabricante (geralmente de 1 a 5 minutos).
3. Reação
química: o removedor quebra as ligações da emulsão com a
malha, amolecendo o material.
4. Lavagem
com jato de água: utilizando uma lavadora de pressão ou
jato de mangueira, remova a emulsão dissolvida. A pressão não deve ser
excessiva para não danificar a malha.
5. Verificação
e repetição: se restarem resíduos, repita o processo.
A tela deve voltar ao estado transparente e limpo.
Importante: evite deixar o removedor secar sobre a tela, pois isso pode dificultar a remoção da emulsão e danificar a malha. Alguns profissionais também utilizam produtos auxiliares, como desengraxantes e clareadores, para revitalizar a malha após o processo.
2.
Armazenamento adequado
Uma vez recuperada, a tela precisa ser armazenada de forma correta para evitar contaminação, deformação e envelhecimento
precoce. A forma como a tela é guardada influencia diretamente em sua reutilização futura, tanto em termos físicos quanto químicos.
Condições
ideais de armazenamento:
Cuidados
com telas já emulsionadas:
Se
a tela estiver com emulsão seca, mas ainda não exposta à luz, é necessário
armazená-la em ambiente escuro e livre de poeira, para que a emulsão não
seja sensibilizada antes da gravação.
Utilizar sacos plásticos opacos ou armários próprios para telas ajuda a proteger a superfície sensível. Também é recomendável anotar a data da aplicação da emulsão, pois sua validade pode ser de poucos dias a semanas, dependendo da umidade e da temperatura do ambiente.
3.
Dicas para maior durabilidade da tela
A
durabilidade das telas serigráficas depende não apenas da qualidade do
material, mas principalmente dos cuidados diários no manuseio, limpeza e
armazenamento. A seguir, algumas orientações práticas para prolongar sua vida
útil:
a)
Evite o uso de objetos abrasivos
Durante
a limpeza e a remoção da emulsão, utilize sempre esponjas macias ou escovas de
cerdas suaves. Objetos ásperos podem arranhar ou rasgar a malha, comprometendo
a qualidade da impressão ou inutilizando a tela.
b)
Utilize produtos específicos
Utilize
somente produtos recomendados para serigrafia: removedores, desengraxantes e
emulsões compatíveis com o tipo de malha e tinta. Substâncias inadequadas podem
deixar resíduos que dificultam novas gravações ou causar reações químicas
indesejadas.
c)
Mantenha a tela longe de fontes de calor
Evite
deixar as telas próximas a estufas, lâmpadas quentes ou outras fontes de calor
intenso. Isso pode afetar a tensão da malha e deformar quadros de madeira.
d)
Faça revisões periódicas
Inspecione regularmente a condição das malhas, especialmente em ateliês de alta rotatividade. Fios
rompidos, áreas desgastadas ou perda de tensão comprometem o resultado e podem causar retrabalho.
e)
Evite o acúmulo de tinta seca
Nunca
deixe tinta secar sobre a malha. Sempre lave a tela imediatamente após o uso. A
tinta seca é difícil de remover e pode entupir os poros da tela
permanentemente.
f)
Mantenha um inventário organizado
Identifique suas telas com etiquetas ou marcações: data de gravação, tipo de emulsão, tipo de malha, finalidade da arte, etc. Isso facilita a organização e evita uso indevido ou descarte precoce.
Considerações
finais
A
reutilização da tela é uma prática econômica, sustentável e técnica, comum
tanto na serigrafia artesanal quanto na industrial. Para isso, é indispensável
seguir boas práticas de limpeza, remoção de emulsão, armazenamento e manutenção
preventiva.
Ao
cuidar corretamente das telas, o serigrafista reduz custos, melhora o
desempenho do processo de impressão e contribui para um ambiente de trabalho
mais eficiente e profissional. Além disso, promove a longevidade dos materiais
e minimiza impactos ambientais relacionados ao descarte desnecessário de
quadros e malhas.
A serigrafia é uma técnica rica em possibilidades, e a gestão adequada de seus insumos é parte fundamental da excelência no ofício.
Referências
bibliográficas
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