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PSICOLOGIA APLICADA À ADMINISTRAÇÃO
Módulo 2 — Relações Humanas, Comunicação e Liderança nas Organizações
Aula 1 — Relações Interpessoais e
Dinâmica de Grupos
Introdução
O ambiente de trabalho é formado por
pessoas que convivem diariamente, compartilham responsabilidades e precisam
encontrar maneiras de alcançar objetivos em conjunto. Mesmo quando cada
funcionário possui tarefas individuais, suas atividades geralmente dependem da
colaboração de outros profissionais.
Essa convivência, entretanto, nem
sempre acontece de maneira simples. Cada pessoa possui sua própria história,
seus valores, suas experiências e sua forma de interpretar as situações. Por
isso, diferenças de opinião, dificuldades de comunicação e conflitos podem
surgir naturalmente nas relações profissionais.
A Psicologia Aplicada à
Administração ajuda a compreender essas interações e demonstra como as relações
humanas influenciam o comportamento, a satisfação e os resultados das
organizações.
Quando existe respeito, confiança e
cooperação, as equipes encontram melhores condições para desenvolver suas
atividades. Por outro lado, ambientes marcados por desentendimentos constantes
e falta de diálogo podem prejudicar o desempenho e o bem-estar dos
trabalhadores.
Nesta aula, compreenderemos o
significado das relações interpessoais, o funcionamento dos grupos e a
importância da empatia, da cooperação e do trabalho em equipe para uma
administração mais eficiente e humanizada.
1. O que são relações interpessoais
no trabalho?
As relações interpessoais são as
interações estabelecidas entre duas ou mais pessoas. Elas envolvem comunicação,
sentimentos, expectativas, atitudes e comportamentos que influenciam a
convivência.
No ambiente profissional, essas
relações aparecem nas conversas entre colegas, nas orientações dos gestores, no
atendimento aos clientes e nas atividades realizadas em conjunto.
Uma relação interpessoal saudável
não significa ausência de divergências. Pessoas podem discordar sobre
determinado assunto e, ainda assim, manter uma convivência respeitosa.
Imagine dois funcionários
responsáveis pela organização de um evento empresarial. Um prefere planejar
cada detalhe antecipadamente, enquanto o outro costuma trabalhar com maior
flexibilidade. Essas diferenças podem provocar discussões, mas também podem contribuir
para encontrar soluções mais completas.
O resultado dependerá, em grande
parte, da maneira como os profissionais lidam com suas diferenças.
Quando existe
disposição para ouvir
e negociar, as divergências podem favorecer a aprendizagem. Entretanto, quando
predominam acusações e atitudes desrespeitosas, pequenos problemas podem
transformar-se em conflitos maiores.
A administração precisa compreender
que as relações interpessoais fazem parte do funcionamento da organização. Elas
influenciam não apenas o clima de trabalho, mas também a qualidade das
atividades realizadas.
Por isso, desenvolver boas relações
profissionais exige respeito, comunicação clara e responsabilidade
compartilhada.
2. A importância da convivência
profissional
Conviver no trabalho significa
compartilhar espaços, informações, decisões e responsabilidades com pessoas que
nem sempre possuem os mesmos interesses ou opiniões.
Essa convivência exige habilidades
que vão além dos conhecimentos técnicos. Saber ouvir, respeitar limites,
cumprir acordos e reconhecer as contribuições dos colegas são atitudes
importantes para o funcionamento das equipes.
Um funcionário pode apresentar
excelente domínio de suas atividades, mas encontrar dificuldades quando precisa
colaborar com outras pessoas. Da mesma forma, um profissional com menos
experiência técnica pode contribuir significativamente por meio de sua disposição
para aprender e cooperar.
Isso demonstra que as competências
profissionais envolvem tanto conhecimentos específicos quanto habilidades
relacionadas à convivência.
A qualidade das relações também pode
influenciar a satisfação no trabalho. Quando os colaboradores encontram apoio e
respeito, podem sentir maior segurança para esclarecer dúvidas e enfrentar
dificuldades.
Entretanto, relações marcadas por
humilhações, discriminação ou isolamento podem gerar sofrimento e comprometer a
participação dos trabalhadores.
Uma convivência profissional
saudável precisa ser construída diariamente. Ela depende das atitudes
individuais, mas também das regras, da liderança e das práticas adotadas pela
organização.
O administrador possui
responsabilidade importante nesse processo, pois suas decisões podem estimular
tanto a cooperação quanto a competição prejudicial.
3. Formação e desenvolvimento dos
grupos organizacionais
Um grupo é formado por pessoas que
interagem e possuem algum tipo de relação ou objetivo compartilhado.
Nas organizações, os grupos podem
surgir formalmente, por decisão da administração, ou informalmente, a partir da
convivência entre os trabalhadores.
Os grupos formais são aqueles criados para cumprir determinadas funções. Um
departamento financeiro, uma
comissão de planejamento ou um grupo responsável por desenvolver um projeto são
exemplos.
Já os grupos informais surgem
espontaneamente, geralmente por afinidades, interesses comuns ou relações de
amizade.
Esses dois tipos de grupo fazem
parte da realidade organizacional e podem influenciar o comportamento dos
trabalhadores.
O desenvolvimento dos grupos costuma
envolver um processo de adaptação. Inicialmente, os participantes procuram
compreender suas responsabilidades e conhecer as características dos colegas.
Com o avanço da convivência, podem
surgir divergências relacionadas às opiniões, à distribuição das tarefas e às
formas de trabalho.
Quando essas dificuldades são
administradas adequadamente, o grupo pode estabelecer acordos, desenvolver
confiança e melhorar sua capacidade de colaboração.
Uma referência conhecida para
compreender esse processo é o modelo de Bruce Tuckman, que apresenta etapas
como formação, conflito, normatização e desempenho. Posteriormente, foi
incorporada a etapa de encerramento, relacionada à conclusão das atividades do
grupo.
Essas etapas não acontecem
obrigatoriamente na mesma ordem ou intensidade. Alguns grupos apresentam boa
integração desde o início, enquanto outros enfrentam dificuldades ao longo de
sua existência.
O importante é compreender que o
funcionamento coletivo se desenvolve com o tempo e depende das interações entre
os participantes.
4. Diferenças entre grupos e equipes
de trabalho
Embora os termos grupo e equipe
sejam frequentemente utilizados como sinônimos, existe uma diferença importante
entre eles.
Um grupo de trabalho reúne pessoas
que interagem e podem compartilhar informações, mas nem sempre possuem
atividades diretamente interdependentes.
Uma equipe, por sua vez,
caracteriza-se pela existência de objetivos compartilhados, responsabilidades
articuladas e necessidade de colaboração para alcançar resultados.
Imagine cinco funcionários que
trabalham no mesmo setor, mas realizam tarefas independentes. Eles formam um
grupo de trabalho.
Agora, considere esses mesmos
profissionais responsáveis por desenvolver um projeto em que cada etapa depende
das contribuições dos demais. Nesse caso, existe uma organização mais próxima
do conceito de equipe.
O trabalho em equipe exige
comunicação, coordenação e compromisso com os resultados coletivos.
Isso não significa que todos precisem realizar as mesmas tarefas. Pelo contrário, uma equipe pode reunir profissionais com
competências diferentes, desde que suas atividades estejam
organizadas de maneira complementar.
Uma equipe eficiente também precisa
de objetivos claros e responsabilidades bem definidas.
Quando essas condições não existem,
podem surgir problemas como duplicação de tarefas, sobrecarga de determinados
funcionários e dificuldades para acompanhar os resultados.
O papel da administração é criar
condições para que a colaboração aconteça de maneira organizada, evitando que o
trabalho coletivo dependa apenas da boa vontade individual.
5. Cooperação, confiança e respeito
mútuo
A cooperação acontece quando as
pessoas unem esforços para alcançar objetivos comuns.
No ambiente organizacional, ela pode
ser observada quando um funcionário compartilha informações importantes,
auxilia um colega diante de uma dificuldade ou contribui para resolver um
problema que afeta toda a equipe.
Entretanto, cooperar não significa
assumir permanentemente as responsabilidades de outras pessoas. A colaboração
precisa ocorrer de maneira equilibrada, respeitando as funções e os limites de
cada profissional.
A confiança também exerce papel
importante nas relações de trabalho.
Quando os colaboradores percebem que
podem contar com os colegas e que os acordos estabelecidos são cumpridos,
encontram melhores condições para compartilhar informações e desenvolver
atividades conjuntas.
Essa confiança é construída ao longo
do tempo, por meio de atitudes coerentes, comunicação transparente e respeito
aos compromissos.
O respeito mútuo, por sua vez,
envolve reconhecer a dignidade e os direitos das pessoas, mesmo quando existem
diferenças de opinião.
Imagine um funcionário que comete um
erro durante uma atividade. Em uma equipe baseada no respeito, o problema pode
ser discutido com responsabilidade, buscando compreender suas causas e evitar
novas ocorrências.
Em um ambiente marcado por acusações
e constrangimentos, o mesmo erro pode provocar medo, conflitos e dificuldades
de comunicação.
A maneira como a organização reage
às falhas influencia o comportamento dos trabalhadores.
Por isso, a administração deve
estimular relações em que seja possível reconhecer dificuldades, corrigir
problemas e aprender sem recorrer a humilhações.
6. Empatia e compreensão das
diferenças individuais
A empatia é a capacidade de procurar
compreender os sentimentos, as necessidades e as perspectivas de outra pessoa.
No ambiente profissional, ela contribui para relações mais respeitosas e para a prevenção de
conflitos.
Ser empático não significa concordar
com todas as opiniões ou aceitar comportamentos inadequados. Significa
reconhecer que cada pessoa possui experiências e interpretações próprias.
Imagine um funcionário que demonstra
dificuldade para aprender um novo procedimento. Um gestor pouco atento pode
considerar essa dificuldade como falta de interesse.
Entretanto, ao conversar com o
colaborador, pode descobrir que ele não recebeu treinamento suficiente ou que
as orientações foram apresentadas de maneira confusa.
Nesse caso, a empatia permite
compreender melhor a situação e buscar uma solução adequada.
A diversidade de experiências também
pode contribuir para o desenvolvimento das equipes. Pessoas com diferentes
conhecimentos e maneiras de pensar podem apresentar soluções que não seriam
percebidas individualmente.
Para aproveitar essas contribuições,
a organização precisa criar condições para que todos sejam ouvidos e
respeitados.
A empatia deve estar acompanhada de
atitudes concretas, como comunicação clara, disposição para ouvir e respeito às
diferenças.
7. A influência dos grupos no
comportamento profissional
Os grupos exercem influência sobre
as atitudes e os comportamentos de seus participantes.
Ao conviver com outras pessoas, os
trabalhadores observam práticas, compartilham experiências e desenvolvem
expectativas sobre aquilo que é considerado adequado no ambiente profissional.
Essas expectativas podem formar
normas informais de comportamento.
Por exemplo, em uma equipe em que os
funcionários costumam compartilhar informações e ajudar os colegas, os novos
integrantes podem sentir-se incentivados a adotar atitudes semelhantes.
Entretanto, a influência coletiva
também pode apresentar consequências negativas.
Em grupos nos quais predominam
comentários ofensivos, resistência à colaboração ou desrespeito às regras,
determinados comportamentos inadequados podem acabar sendo reproduzidos.
Esse fenômeno demonstra que o
comportamento individual não pode ser compreendido isoladamente das relações
sociais.
Os estudos sobre dinâmica de grupos,
desenvolvidos por pesquisadores como Kurt Lewin, contribuíram para demonstrar a
importância das interações, da comunicação e das relações de influência no
funcionamento coletivo.
Na administração, compreender essa
dinâmica ajuda a identificar situações em que as práticas do grupo favorecem ou
prejudicam o desenvolvimento das atividades.
O gestor precisa observar essas relações sem presumir que todos
os os participantes compartilham as mesmas
opiniões.
Também deve evitar que a pressão
coletiva impeça os trabalhadores de apresentar dúvidas, sugestões ou
discordâncias.
Uma equipe saudável permite a
participação de diferentes perspectivas e procura construir decisões
fundamentadas no diálogo.
8. Trabalho em equipe e construção
de objetivos compartilhados
O trabalho em equipe exige mais do
que reunir profissionais em um mesmo espaço. É necessário estabelecer objetivos
comuns, organizar responsabilidades e desenvolver formas adequadas de
comunicação.
Quando os participantes compreendem
a finalidade das atividades, conseguem perceber como suas contribuições se
relacionam com o trabalho dos demais.
Imagine uma empresa que deseja
melhorar a satisfação dos clientes. Para alcançar esse objetivo, os setores de
atendimento, vendas e logística precisam atuar de maneira coordenada.
Se cada setor trabalhar apenas para
cumprir suas próprias metas, sem considerar os efeitos sobre os demais, poderão
surgir atrasos, informações contraditórias e dificuldades operacionais.
Por outro lado, quando os
profissionais compartilham objetivos e informações, torna-se mais fácil
identificar problemas e desenvolver soluções conjuntas.
A construção de objetivos
compartilhados também exige participação da liderança.
O gestor precisa esclarecer as
prioridades, acompanhar os resultados e garantir que as responsabilidades sejam
distribuídas de maneira equilibrada.
Além disso, é importante reconhecer
que o desempenho coletivo não depende exclusivamente das habilidades
individuais. A qualidade das relações, a organização das tarefas e os recursos
disponíveis também influenciam os resultados.
Pesquisas brasileiras sobre
processos grupais destacam a importância de compreender as equipes como
sistemas de relações humanas, e não apenas como conjuntos de trabalhadores
reunidos para executar atividades.
Dessa forma, desenvolver equipes
eficientes significa criar condições para que as pessoas trabalhem de maneira
integrada, respeitando suas diferenças e contribuindo para objetivos comuns.
9. Aplicação prática das relações
interpessoais na administração
Imagine uma pequena empresa em que
os funcionários de determinado setor apresentam dificuldades para trabalhar em
conjunto.
Alguns colaboradores reclamam que
recebem mais tarefas do que os colegas. Outros afirmam que suas sugestões não
são consideradas e que as decisões são tomadas sem diálogo.
Com o passar do tempo, surgem
discussões frequentes e a qualidade do trabalho começa a ser prejudicada.
Diante dessa situação, o
administrador decide reunir a equipe para compreender as dificuldades.
Durante a conversa, percebe que
muitos problemas estão relacionados à falta de clareza na distribuição das
responsabilidades e à ausência de comunicação entre os profissionais.
A partir dessas informações, o
gestor reorganiza as tarefas, estabelece critérios mais transparentes e cria
momentos periódicos para acompanhar o andamento das atividades.
Também incentiva os funcionários a
apresentar sugestões e discutir dificuldades de maneira respeitosa.
Essa situação demonstra que os
problemas de convivência nem sempre resultam de incompatibilidades pessoais.
Muitas vezes, estão relacionados à maneira como o trabalho é organizado.
A psicologia contribui para que o
administrador compreenda essas relações e procure soluções que considerem tanto
as necessidades individuais quanto os objetivos coletivos.
Conclusão
As relações interpessoais e a
dinâmica de grupos fazem parte do cotidiano de qualquer organização.
Cada trabalhador possui
características próprias, mas suas atitudes também são influenciadas pelas
pessoas com quem convive e pelas condições oferecidas no ambiente profissional.
A cooperação, a confiança, o
respeito e a empatia contribuem para relações mais saudáveis e para o
desenvolvimento das equipes.
Entretanto, o trabalho coletivo não
depende apenas da disposição individual. Ele também exige objetivos claros,
responsabilidades bem definidas, comunicação adequada e uma liderança
comprometida com a organização das atividades.
Compreender esses aspectos permite
que os administradores identifiquem dificuldades, previnam conflitos e
estimulem a participação dos colaboradores.
Assim, a principal contribuição da
psicologia para as relações humanas na administração está em demonstrar que
bons resultados são construídos por pessoas que precisam ser respeitadas,
ouvidas e valorizadas em suas diferenças.
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BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antônio Virgílio Bittencourt (org.).
Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed.
Aula
2 — Comunicação Organizacional e Gestão de Conflitos
Introdução
A comunicação está presente em
praticamente todas as atividades de uma organização. Desde uma orientação
simples até uma decisão importante, as pessoas precisam compartilhar
informações, expressar ideias e compreender o que se espera delas.
Entretanto, comunicar-se não
significa apenas falar ou transmitir uma mensagem. É necessário garantir que a
informação seja compreendida, considerar as diferentes interpretações e criar
oportunidades para esclarecer dúvidas.
Muitos problemas enfrentados pelas
empresas não surgem da falta de capacidade dos funcionários, mas de orientações
confusas, informações incompletas e dificuldades de diálogo. Quando essas
situações se repetem, podem provocar erros, insatisfação e conflitos entre
colegas e setores.
A Psicologia Aplicada à
Administração ajuda a compreender como as pessoas se comunicam e por que uma
mesma mensagem pode ser interpretada de maneiras diferentes.
Nesta aula, conheceremos os
principais elementos da comunicação organizacional, suas barreiras e a
importância da escuta ativa, do feedback e da negociação para construir
relações profissionais mais respeitosas e eficientes.
1. O que é comunicação
organizacional?
A comunicação organizacional é o
processo pelo qual informações, orientações, conhecimentos e ideias são
compartilhados entre as pessoas que fazem parte de uma organização e entre a
empresa e seus diferentes públicos.
Ela está presente nas reuniões, nos
comunicados internos, nas conversas entre colegas, no atendimento aos clientes
e nas orientações transmitidas pelos gestores.
Sua importância vai além da circulação de informações. A comunicação também contribui para construir relações de confiança, organizar atividades, esclarecer
responsabilidades e
aproximar os trabalhadores dos objetivos da empresa.
Imagine um funcionário que recebe a
orientação de concluir um relatório com urgência. Entretanto, o gestor não
informa quais dados devem ser utilizados nem estabelece um prazo específico.
O colaborador pode interpretar a
tarefa de uma maneira diferente daquela esperada pela liderança. Como
consequência, o trabalho pode precisar ser refeito, provocando atrasos e
insatisfação.
Nesse exemplo, o problema não está
necessariamente na competência do funcionário, mas na falta de clareza da
comunicação.
Uma comunicação eficiente exige que
as informações sejam transmitidas de maneira compreensível e que exista espaço
para perguntas e esclarecimentos.
Na administração, comunicar bem
significa orientar, ouvir e verificar se as pessoas possuem as informações
necessárias para realizar suas atividades.
2. Os elementos do processo
comunicativo
Para compreender como a comunicação
acontece, é importante conhecer seus principais elementos.
O emissor é quem inicia a
comunicação, transmitindo determinada informação. O receptor é a pessoa ou o
grupo ao qual a mensagem se destina.
A mensagem corresponde ao conteúdo
comunicado, enquanto o canal é o meio utilizado para transmiti-la, como uma
conversa presencial, um telefonema, um e-mail ou uma plataforma digital.
O código representa o conjunto de
sinais e regras utilizados para construir a mensagem, como a linguagem verbal,
os símbolos e os gestos.
O contexto corresponde às
circunstâncias em que a comunicação acontece. Ele influencia tanto a maneira
como a mensagem é apresentada quanto sua interpretação.
Outro elemento importante é o
feedback, ou retorno, que permite verificar como a informação foi recebida e
compreendida.
Imagine uma gerente que solicita a
reorganização do estoque. Após receber a orientação, o funcionário explica como
pretende executar a tarefa e confirma o prazo estabelecido.
Esse retorno permite que a gerente
identifique possíveis dúvidas antes do início da atividade.
Também existem os ruídos de
comunicação, que são interferências capazes de dificultar a transmissão ou a
compreensão das mensagens.
Esses ruídos podem surgir de
problemas técnicos, excesso de informações, diferenças de interpretação ou até
mesmo de um ambiente inadequado para a conversa.
Compreender esses elementos ajuda os
administradores a identificar falhas e melhorar a circulação de informações.
3. Comunicação verbal, não verbal e
escrita
A comunicação
pode acontecer de
diferentes maneiras, e cada forma possui características importantes.
A comunicação verbal utiliza
palavras para transmitir informações. Ela pode ocorrer oralmente, como em
reuniões e conversas, ou por meio de mensagens escritas.
Nas interações orais, a escolha das
palavras e o tom de voz influenciam a compreensão da mensagem.
Uma orientação transmitida de
maneira tranquila e respeitosa pode produzir uma reação diferente daquela
apresentada em tom agressivo, mesmo quando o conteúdo é semelhante.
A comunicação não verbal envolve
expressões faciais, gestos, postura corporal, contato visual e outros sinais
que acompanham ou substituem as palavras.
Durante uma reunião, por exemplo, um
gestor pode afirmar que está disponível para ouvir sugestões, mas demonstrar
impaciência enquanto os funcionários falam. Essa diferença entre o discurso e o
comportamento pode prejudicar a confiança.
Entretanto, é importante evitar
interpretações automáticas dos sinais não verbais. Uma pessoa que evita contato
visual não está necessariamente escondendo informações ou demonstrando
desinteresse. Características individuais, culturais e circunstanciais também
influenciam esses comportamentos.
A comunicação escrita, por sua vez,
é especialmente importante para registrar decisões, procedimentos, prazos e
responsabilidades.
E-mails, relatórios, comunicados e
mensagens profissionais precisam apresentar informações claras e organizadas.
Textos excessivamente longos,
ambíguos ou incompletos podem provocar interpretações equivocadas.
Por isso, antes de enviar uma
comunicação escrita, é recomendável verificar se o objetivo está claro, se as
informações são suficientes e se o destinatário conseguirá compreender o que
precisa ser realizado.
4. Barreiras psicológicas e
organizacionais da comunicação
Nem sempre uma mensagem transmitida
corretamente é compreendida da maneira esperada.
As barreiras de comunicação são
fatores que dificultam o compartilhamento e a interpretação das informações.
Entre as barreiras psicológicas
estão o medo, a insegurança, os preconceitos, as expectativas e as emoções que
interferem na maneira como as pessoas recebem determinadas mensagens.
Imagine um funcionário que evita
apresentar dúvidas porque acredita que seu gestor interpretará suas perguntas
como sinal de incompetência.
Nesse caso, o receio de ser julgado
prejudica a comunicação e pode aumentar a possibilidade de erros.
As barreiras organizacionais estão relacionadas à
estrutura e ao funcionamento da empresa. Elas podem surgir
quando existem muitos níveis hierárquicos, responsabilidades pouco claras ou
canais inadequados para transmitir informações.
O excesso de mensagens também pode
representar uma dificuldade. Quando os trabalhadores recebem comunicados
constantes, sem organização ou definição de prioridades, informações
importantes podem passar despercebidas.
Outra barreira frequente é o uso de
linguagem excessivamente técnica diante de pessoas que ainda não conhecem
determinados procedimentos.
Para reduzir esses problemas, a
administração precisa incentivar perguntas, utilizar linguagem adequada ao
público e estabelecer canais de comunicação acessíveis.
Também é importante desenvolver um
ambiente em que os trabalhadores possam apresentar dificuldades sem medo de
humilhações ou represálias.
A comunicação melhora quando as
pessoas percebem que serão ouvidas com respeito.
5. Escuta ativa e comunicação
assertiva
A escuta ativa é a capacidade de
ouvir com atenção, procurando compreender o conteúdo da mensagem e a
perspectiva de quem está falando.
No cotidiano profissional, muitas
pessoas escutam apenas o suficiente para preparar uma resposta, sem realmente
compreender o que o outro deseja comunicar.
A escuta ativa exige atenção,
respeito e disposição para esclarecer dúvidas. Isso envolve evitar interrupções
desnecessárias, fazer perguntas pertinentes e confirmar se a informação foi
compreendida corretamente.
Imagine uma funcionária que procura
seu gestor para relatar dificuldades no cumprimento de determinadas tarefas. Em
vez de interrompê-la com críticas, o administrador permite que ela explique a
situação e procura identificar os obstáculos enfrentados.
Essa postura pode revelar problemas
que não seriam percebidos apenas pela observação dos resultados.
A comunicação assertiva, por sua
vez, consiste em expressar ideias, necessidades e opiniões de maneira clara,
respeitosa e adequada.
Uma pessoa assertiva consegue
apresentar discordâncias sem recorrer à agressividade ou abandonar seus
próprios direitos.
Por exemplo, em vez de acusar um
colega de irresponsabilidade, um funcionário pode explicar que a entrega de
informações fora do prazo prejudica o andamento de suas atividades e solicitar
uma solução conjunta.
A assertividade não significa falar
sempre de maneira firme ou evitar emoções. Ela envolve encontrar formas de
comunicação que respeitem tanto as próprias necessidades quanto as das outras
pessoas.
A
combinação entre escuta ativa e
comunicação assertiva favorece o diálogo e pode reduzir desentendimentos nas
relações profissionais.
6. Feedback como instrumento de
desenvolvimento profissional
O feedback é o retorno oferecido a
uma pessoa sobre suas ações, comportamentos ou resultados.
Na administração, ele pode ser
utilizado para reconhecer contribuições, esclarecer expectativas e orientar
melhorias no desempenho profissional.
Entretanto, um feedback eficiente
não deve ser confundido com críticas constantes ou avaliações baseadas em
características pessoais.
Imagine um gerente que afirma a um
funcionário que ele é desorganizado. Essa observação é vaga e pode provocar uma
reação defensiva.
Uma abordagem mais construtiva seria
explicar que determinados relatórios foram entregues após o prazo combinado,
apresentar os impactos dessa situação e conversar sobre maneiras de melhorar a
organização das atividades.
Nesse caso, o feedback está
relacionado a comportamentos observáveis e permite identificar possíveis
soluções.
O retorno também deve reconhecer os
resultados positivos. Quando um colaborador desenvolve uma atividade com
qualidade, o reconhecimento específico ajuda a demonstrar quais práticas
merecem ser mantidas.
Outro aspecto importante é a
oportunidade de diálogo. O funcionário precisa ter espaço para apresentar sua
perspectiva e esclarecer dificuldades.
O feedback não deve ser utilizado
para constranger pessoas diante dos colegas. Questões individuais delicadas
devem ser tratadas com discrição e respeito.
Quando realizado de maneira
adequada, o feedback contribui para a aprendizagem, o desenvolvimento
profissional e a construção de relações de confiança.
7. Principais causas dos conflitos
no ambiente de trabalho
Os conflitos organizacionais surgem
quando pessoas ou grupos apresentam interesses, objetivos, necessidades ou
interpretações divergentes.
Eles fazem parte das relações
humanas e não representam necessariamente um problema grave. Em determinadas
situações, uma divergência pode estimular a reflexão e contribuir para melhorar
procedimentos.
Entretanto, quando os conflitos são
ignorados ou administrados inadequadamente, podem prejudicar a convivência e o
desempenho das equipes.
Entre as causas mais frequentes
estão a comunicação deficiente, a distribuição desigual de tarefas, a falta de
clareza nas responsabilidades e as diferenças de opinião.
Também podem surgir conflitos relacionados à competição por recursos, às decisões da
liderança e à percepção
de tratamento injusto.
Imagine dois setores de uma empresa
que precisam utilizar o mesmo equipamento. Como não existe uma programação
definida, os funcionários começam a discutir sobre quem possui prioridade.
Embora o conflito apareça nas
relações entre os trabalhadores, sua origem está relacionada à falta de
organização do processo.
Essa situação demonstra a
importância de investigar as causas antes de responsabilizar individualmente os
envolvidos.
Os conflitos também podem ser
influenciados por emoções e experiências anteriores. Uma pessoa que se sentiu
desrespeitada em determinada situação pode interpretar acontecimentos
posteriores com maior desconfiança.
A administração precisa reconhecer
essas possibilidades e criar condições para que as divergências sejam
discutidas de maneira responsável.
Estudos sobre conflitos
organizacionais destacam que eles podem estar relacionados tanto às relações
interpessoais quanto à estrutura e às condições de trabalho.
8. Estratégias de negociação,
diálogo e resolução de conflitos
Resolver conflitos não significa
simplesmente determinar quem está certo ou errado. Em muitas situações, é
necessário compreender os interesses envolvidos e encontrar alternativas que
permitam reorganizar as relações profissionais.
O primeiro passo consiste em
identificar o problema com clareza. Antes de tomar uma decisão, o gestor
precisa ouvir os envolvidos e reunir informações sobre o ocorrido.
Em seguida, é importante distinguir
os fatos das interpretações pessoais. Uma acusação pode expressar insatisfação,
mas não representa necessariamente uma descrição completa da situação.
O diálogo permite que as pessoas
apresentem suas perspectivas e compreendam como suas atitudes afetam os demais.
A negociação ocorre quando os
envolvidos procuram construir acordos para atender, na medida do possível, aos
interesses legítimos de cada parte.
Imagine dois funcionários que
discordam sobre a divisão de responsabilidades em um projeto. Após uma conversa
mediada pelo gestor, percebem que algumas tarefas não foram distribuídas
claramente.
A solução pode envolver a
reorganização das atividades, a definição de prazos e o estabelecimento de
critérios para acompanhar os resultados.
A mediação também pode ser utilizada
em determinadas situações. Nesse processo, uma terceira pessoa imparcial
facilita o diálogo e ajuda os envolvidos a buscar alternativas.
Entretanto, nem todo conflito deve ser tratado apenas por meio de
negociação informal. Situações de assédio,
discriminação, ameaças ou violência exigem procedimentos institucionais
adequados, medidas de proteção e apuração responsável.
Uma gestão eficiente precisa
compreender que o diálogo é fundamental, mas não substitui a obrigação de
garantir um ambiente profissional seguro e respeitoso.
9. Aplicação prática: um problema de
comunicação entre setores
Imagine uma empresa de comércio
eletrônico que enfrenta reclamações frequentes sobre atrasos nas entregas.
O setor de vendas informa aos
clientes prazos que nem sempre são confirmados pela equipe de logística. Quando
surgem reclamações, os profissionais começam a responsabilizar uns aos outros.
Com o tempo, a comunicação entre os
setores torna-se cada vez mais difícil.
O gerente decide investigar a
situação e percebe que não existe um procedimento claro para compartilhar
informações sobre os pedidos.
Em vez de aplicar punições
imediatamente, reúne representantes dos setores e procura compreender as
dificuldades enfrentadas.
Durante a conversa, os funcionários
identificam que algumas informações são transmitidas de maneira incompleta e
que os prazos são definidos sem considerar a capacidade operacional.
A administração estabelece, então,
um procedimento para confirmação dos prazos, organiza as responsabilidades e
cria um canal para esclarecer dúvidas.
Também passa a acompanhar os
resultados e oferecer feedback às equipes.
Esse exemplo demonstra que a
comunicação organizacional não depende apenas da habilidade individual de
conversar. Ela também exige processos claros, responsabilidades definidas e
oportunidades de diálogo.
Ao compreender as causas do
conflito, o gestor consegue desenvolver soluções mais adequadas e reduzir a
possibilidade de novos desentendimentos.
Conclusão
A comunicação organizacional é
essencial para o funcionamento das empresas e para a qualidade das relações
profissionais.
Por meio dela, os trabalhadores
compartilham informações, compreendem responsabilidades, apresentam sugestões e
participam das decisões.
Entretanto, comunicar-se de maneira
eficiente exige mais do que transmitir mensagens. É necessário ouvir,
esclarecer dúvidas, considerar diferentes interpretações e utilizar uma
linguagem adequada às situações.
A escuta ativa, a comunicação
assertiva e o feedback construtivo são recursos importantes para fortalecer a
confiança e melhorar a convivência.
Os conflitos, por sua vez, precisam ser compreendidos como situações que exigem
análise e responsabilidade. Nem
sempre surgem de problemas pessoais, podendo estar relacionados à organização
das atividades e às condições de trabalho.
Assim, a Psicologia Aplicada à
Administração demonstra que uma comunicação clara e respeitosa, acompanhada de
práticas adequadas de gestão, contribui para prevenir dificuldades, administrar
divergências e construir ambientes profissionais mais colaborativos.
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KUNSCH, Margarida Maria Krohling.
Planejamento de relações públicas na comunicação integrada. São Paulo: Summus.
ROBBINS, Stephen P.; JUDGE, Timothy
A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento organizacional: teoria e prática no contexto
brasileiro. São Paulo: Pearson.
ROSENBERG, Marshall B. Comunicação
não violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais.
São Paulo: Ágora.
ZANELLI, José Carlos;
BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antônio Virgílio Bittencourt (org.).
Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed.
Aula
3 — Liderança, Influência e Desenvolvimento de Equipes
Introdução
Em qualquer organização, a maneira
como as pessoas são lideradas influencia diretamente o ambiente de trabalho. Um
gestor pode possuir excelentes conhecimentos técnicos e conhecer todos os
processos da empresa, mas encontrar dificuldades se não souber orientar, ouvir
e desenvolver sua equipe.
Liderar não significa apenas
distribuir tarefas ou cobrar resultados. A liderança envolve a capacidade de
influenciar pessoas, construir relações de confiança e incentivar esforços em
direção a objetivos compartilhados.
No cotidiano profissional,
diferentes situações exigem diferentes atitudes. Em alguns momentos, a equipe
precisa de orientações claras e acompanhamento próximo. Em outros, necessita de
autonomia para tomar decisões e desenvolver suas competências.
A Psicologia Aplicada à Administração ajuda a compreender essas diferenças e demonstra como o comportamento do
líder pode influenciar a motivação, a comunicação, a
cooperação e o desempenho dos colaboradores.
Nesta aula, conheceremos os
principais estilos de liderança, a importância da inteligência emocional e as
práticas que contribuem para o desenvolvimento de equipes mais responsáveis,
participativas e comprometidas.
1. O que é liderança no contexto
administrativo?
A liderança pode ser compreendida
como um processo de influência por meio do qual uma pessoa contribui para
orientar, mobilizar e coordenar esforços em direção a determinados objetivos.
No ambiente organizacional, ela
aparece na maneira como o gestor conduz reuniões, distribui responsabilidades,
acompanha atividades e ajuda os colaboradores a enfrentar dificuldades.
Entretanto, liderança não é uma
característica exclusiva de quem ocupa cargos de chefia. Um funcionário pode
exercer influência positiva sobre os colegas ao compartilhar conhecimentos,
colaborar na solução de problemas e incentivar atitudes responsáveis.
Isso demonstra que liderar está
relacionado ao comportamento e às relações estabelecidas, e não apenas à
posição ocupada na estrutura da empresa.
Imagine uma equipe que precisa
concluir um projeto importante. O gestor pode simplesmente determinar as
tarefas e exigir resultados ou procurar compreender as competências dos
participantes, esclarecer os objetivos e organizar o trabalho de maneira colaborativa.
As duas situações envolvem
coordenação, mas a segunda demonstra maior preocupação com a participação e o
desenvolvimento das pessoas.
Uma liderança eficiente procura
equilibrar as necessidades da organização com as condições e capacidades dos
trabalhadores.
O líder precisa orientar o trabalho,
mas também reconhecer que os resultados dependem da cooperação e das
contribuições de toda a equipe.
2. Diferenças entre liderança,
autoridade e poder
Embora estejam relacionados,
liderança, autoridade e poder não possuem exatamente o mesmo significado.
A autoridade corresponde ao direito
formal de tomar decisões e estabelecer orientações em determinada função. Um
gerente, por exemplo, possui autoridade para distribuir tarefas e acompanhar os
resultados de seu setor.
O poder representa a capacidade de
influenciar decisões, comportamentos ou recursos. Ele pode estar relacionado à
posição hierárquica, ao conhecimento técnico, ao controle de informações ou ao
reconhecimento conquistado nas relações profissionais.
A liderança, por sua vez, envolve um processo de influência que pode
ocorrer com ou sem autoridade formal.
Um gestor pode possuir autoridade
para exigir o cumprimento de uma tarefa, mas isso não significa que tenha
conquistado a confiança dos colaboradores.
Da mesma forma, um funcionário
experiente pode ser procurado pelos colegas para esclarecer dúvidas, mesmo sem
ocupar um cargo de chefia.
Essa distinção é importante porque a
autoridade permite estabelecer responsabilidades, mas não garante, por si só,
comprometimento ou cooperação.
O uso inadequado do poder pode
provocar medo, insegurança e dificuldades de comunicação. Quando um gestor
utiliza ameaças constantes para obter resultados, os funcionários podem cumprir
ordens apenas para evitar punições.
Uma liderança responsável procura
exercer influência por meio de orientações claras, competência, coerência e
respeito.
Isso não significa abandonar a
autoridade. O administrador continua responsável por tomar decisões,
estabelecer limites e acompanhar o desempenho. A diferença está na maneira como
essas responsabilidades são exercidas.
3. Estilos de liderança:
autocrático, democrático e liberal
Os estilos de liderança representam
diferentes maneiras de conduzir pessoas e organizar decisões.
Entre as classificações mais
conhecidas estão os estilos autocrático, democrático e liberal, também chamado
de laissez-faire.
Na liderança autocrática, as
decisões ficam concentradas no líder. Ele define as atividades, estabelece
procedimentos e acompanha diretamente à execução das tarefas.
Esse estilo pode favorecer decisões
rápidas em situações que exigem coordenação imediata. Entretanto, quando
utilizado de maneira excessiva, pode limitar a participação dos colaboradores e
reduzir as oportunidades de desenvolvimento da autonomia.
Imagine uma empresa em que o gerente
determina todas as atividades sem ouvir sugestões. Mesmo quando os funcionários
identificam possibilidades de melhoria, podem deixar de apresentá-las por
acreditar que suas opiniões não serão consideradas.
Na liderança democrática, o gestor
estimula a participação da equipe e considera diferentes perspectivas antes de
tomar decisões.
Esse estilo pode favorecer o
diálogo, a cooperação e o comprometimento, especialmente quando os
trabalhadores possuem conhecimentos relevantes sobre as atividades.
Entretanto, a participação precisa
ser organizada. Nem todas as decisões podem ser discutidas indefinidamente, e o
líder continua responsável por estabelecer prioridades.
Já a liderança liberal caracteriza-se pela
ampla liberdade concedida aos colaboradores para organizar
suas atividades e tomar decisões.
Quando existe uma equipe experiente,
objetivos claros e responsabilidades bem definidas, a autonomia pode favorecer
a criatividade e a iniciativa.
Por outro lado, a ausência de
acompanhamento e orientação pode provocar dúvidas, desorganização e
dificuldades para alcançar resultados.
Nenhum desses estilos deve ser
considerado automaticamente adequado para todas as situações. A escolha da
abordagem depende das características da equipe, das responsabilidades
envolvidas e das necessidades da organização.
4. Liderança situacional e adaptação
às necessidades da equipe
A liderança situacional parte da
ideia de que diferentes circunstâncias podem exigir comportamentos distintos
por parte do líder.
Isso significa que uma única maneira
de conduzir pessoas nem sempre será eficiente em todas as situações.
Imagine um funcionário
recém-contratado que ainda não conhece os procedimentos da empresa. Nesse
momento, ele provavelmente precisará de orientações detalhadas e acompanhamento
frequente.
Entretanto, após adquirir
experiência e demonstrar domínio das atividades, poderá assumir
responsabilidades com maior autonomia.
Se o gestor continuar
supervisionando cada detalhe de seu trabalho, poderá limitar sua iniciativa e
transmitir uma sensação de desconfiança.
Por outro lado, oferecer autonomia
completa a alguém que ainda não recebeu treinamento suficiente pode provocar
insegurança e aumentar a possibilidade de erros.
A liderança situacional procura
ajustar a orientação e o apoio às necessidades concretas dos colaboradores e às
exigências das tarefas.
É importante reconhecer que a
experiência de um trabalhador pode variar conforme a atividade. Um profissional
pode ser altamente competente em determinada função e precisar de
acompanhamento ao assumir uma responsabilidade diferente.
Assim, o líder deve observar as
competências demonstradas, conversar com os funcionários e adaptar sua atuação
sem utilizar classificações rígidas.
A flexibilidade é importante, mas
precisa estar acompanhada de critérios claros e respeito às pessoas.
5. A influência do comportamento do
líder sobre os colaboradores
O comportamento do líder pode
influenciar a maneira como os funcionários se relacionam, enfrentam
dificuldades e participam das atividades.
Um gestor que demonstra respeito, cumpre compromissos e mantém uma comunicação transparente contribui para a construção de relações
profissionais mais confiáveis.
Por outro lado, atitudes como
humilhações, favoritismos e cobranças desproporcionais podem provocar
insegurança e prejudicar o ambiente de trabalho.
Imagine um funcionário que comete um
erro durante a execução de uma tarefa. Um líder pode reagir com críticas
agressivas ou procurar compreender o ocorrido, orientar a correção e
identificar medidas para evitar novas falhas.
A segunda abordagem não elimina a
responsabilidade do trabalhador, mas permite transformar a situação em uma
oportunidade de aprendizagem.
Os colaboradores também observam a
coerência entre aquilo que o líder fala e suas atitudes. Um gestor que exige
pontualidade, mas descumpre constantemente os horários estabelecidos, pode
comprometer sua credibilidade.
Por isso, liderar pelo exemplo é
importante. As atitudes cotidianas comunicam valores e influenciam a maneira
como a equipe compreende as expectativas da organização.
A liderança não determina sozinha o
comportamento dos funcionários, mas pode criar condições que favoreçam a
cooperação, o comprometimento e o desenvolvimento profissional.
6. Inteligência emocional aplicada à
liderança
A inteligência emocional está
relacionada à capacidade de reconhecer, compreender e lidar com as próprias
emoções e com aquelas presentes nas relações sociais.
Na liderança, essa competência pode
contribuir para decisões mais equilibradas e para a administração de situações
difíceis.
Um gestor que reconhece sua
irritação durante um conflito pode evitar respostas impulsivas e procurar
compreender melhor o problema antes de agir.
Da mesma forma, perceber que um
funcionário está inseguro diante de uma nova responsabilidade pode ajudar o
líder a oferecer orientações mais adequadas.
A inteligência emocional não
significa esconder sentimentos ou manter uma aparência de tranquilidade em
todas as circunstâncias. O importante é aprender a expressar emoções de maneira
responsável, sem prejudicar as relações profissionais.
A empatia também possui papel
importante nesse processo. Ao procurar compreender a perspectiva dos
colaboradores, o líder pode identificar dificuldades que não seriam percebidas
apenas pelos indicadores de desempenho.
Entretanto, compreender os
sentimentos de alguém não significa concordar com todos os seus comportamentos.
O gestor continua responsável por estabelecer limites, orientar condutas e
garantir o cumprimento das atividades.
Uma liderança emocionalmente equilibrada procura combinar sensibilidade
humana com responsabilidade
administrativa.
7. Delegação de responsabilidades e
desenvolvimento da autonomia
Delegar significa atribuir
responsabilidades e conceder a autoridade necessária para que outra pessoa
realize determinada atividade.
No ambiente organizacional, a
delegação permite distribuir melhor o trabalho e desenvolver as competências
dos colaboradores.
Entretanto, delegar não significa
simplesmente transferir tarefas e abandonar o acompanhamento.
Um gestor que atribui uma
responsabilidade sem esclarecer os objetivos, os prazos e os recursos
disponíveis podem provocar insegurança e dificuldades de execução.
Por outro lado, quando a delegação é
realizada de maneira adequada, o funcionário compreende o que precisa fazer e
possui condições para organizar seu trabalho.
Imagine uma gerente que decide
permitir que uma colaboradora experiente coordene uma pequena atividade da
equipe.
Antes de iniciar, a gerente explica
os objetivos, estabelece os limites de decisão e disponibiliza os recursos
necessários. Durante a execução, acompanha os resultados sem interferir
constantemente em cada detalhe.
Essa experiência pode contribuir
para o desenvolvimento da autonomia e da confiança profissional.
A delegação também precisa
considerar as competências e a preparação dos trabalhadores. Atribuir
responsabilidades muito superiores à experiência de alguém, sem oferecer apoio,
pode gerar sobrecarga.
O desenvolvimento da autonomia
acontece gradualmente, por meio de aprendizagem, orientação e oportunidades de
participação.
Assim, o líder deve encontrar um
equilíbrio entre oferecer liberdade e garantir o acompanhamento necessário.
8. Liderança ética, confiança e
comprometimento organizacional
A ética na liderança envolve agir
com responsabilidade, justiça, respeito e coerência nas relações profissionais.
Um líder ético não utiliza sua
posição para obter vantagens pessoais, constranger funcionários ou favorecer
determinadas pessoas de maneira injustificada.
Suas decisões devem considerar
critérios claros, direitos dos trabalhadores e responsabilidades
organizacionais.
A confiança é construída quando os
colaboradores percebem que as orientações são coerentes e que os compromissos
assumidos são respeitados.
Pesquisas brasileiras sobre
confiança na liderança indicam a importância da comunicação interna e da
participação nas decisões para fortalecer as relações entre líderes e equipes.
Imagine uma empresa em que as oportunidades de promoção são
distribuídas sem critérios conhecidos. Mesmo que
alguns funcionários sejam beneficiados, os demais podem desenvolver sentimentos
de injustiça.
Quando a organização estabelece
regras transparentes e utiliza critérios profissionais, cria melhores condições
para a confiança e o comprometimento.
O comprometimento organizacional
está relacionado ao vínculo que o trabalhador desenvolve com a organização.
Esse vínculo pode envolver identificação com os objetivos, sentimento de
pertencimento e disposição para contribuir.
Entretanto, comprometimento não
significa aceitar qualquer exigência ou abandonar necessidades pessoais.
Uma liderança responsável reconhece
que o envolvimento profissional deve ser construído em condições de respeito,
segurança e equilíbrio.
9. Aplicação prática: uma equipe que
precisava de orientação
Imagine uma empresa de serviços que
enfrenta dificuldades para cumprir os prazos de atendimento aos clientes.
O gerente acredita que os
funcionários precisam de maior fiscalização e passa a acompanhar cada atividade
de maneira rígida.
Inicialmente, alguns resultados
melhoram, mas os colaboradores começam a demonstrar insegurança e deixam de
tomar decisões simples sem autorização.
Ao conversar com a equipe, o gestor
percebe que parte dos trabalhadores possui experiência suficiente para atuar
com maior autonomia, enquanto outros ainda precisam de treinamento.
Diante disso, decide modificar sua
maneira de liderar.
Os funcionários mais experientes
passam a receber responsabilidades compatíveis com suas competências. Já os
profissionais recém-contratados recebem orientações mais detalhadas e
acompanhamento frequente.
O gerente também estabelece reuniões
para esclarecer prioridades, ouvir sugestões e acompanhar os resultados.
Essa situação demonstra a
importância de adaptar a liderança às necessidades das pessoas e das
atividades.
Em vez de utilizar a mesma abordagem
para todos, o gestor passa a considerar as diferenças individuais e a promover
o desenvolvimento profissional.
A principal aprendizagem é que
liderar exige equilíbrio entre orientação, participação, autonomia e
responsabilidade.
Conclusão
A liderança é um dos elementos
importantes da administração, pois influencia a maneira como as pessoas
trabalham, se comunicam e colaboram para alcançar objetivos comuns.
Os estilos autocrático, democrático e liberal demonstram diferentes possibilidades de condução das equipes, enquanto a liderança situacional destaca a importância de
considerar as
necessidades dos colaboradores e as características das atividades.
Entretanto, uma liderança eficiente
não depende apenas da escolha de determinado estilo. Ela também exige
comunicação clara, inteligência emocional, respeito, capacidade de delegar e
compromisso com princípios éticos.
O líder precisa reconhecer que cada
trabalhador possui competências, experiências e necessidades próprias. Ao
considerar essas diferenças, pode oferecer orientações mais adequadas e criar
oportunidades de desenvolvimento.
Assim, a Psicologia Aplicada à Administração demonstra que liderar não significa apenas exercer autoridade, mas construir relações de confiança e criar condições para que as pessoas realizem suas atividades com responsabilidade, autonomia e cooperação.
Referências bibliográficas
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Liderança: administração do sentido. São Paulo: Atlas.
CHIAVENATO, Idalberto. Comportamento
organizacional: a dinâmica do sucesso das organizações. Barueri: Manole.
GONÇALVES, Helen Silva; MOTA,
Caroline Maria de Miranda. Liderança situacional em gestão de projetos: uma
revisão da literatura. Produção, v. 21, n. 3, 2011.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência
emocional: a teoria revolucionária que redefine o que é ser inteligente. Rio de
Janeiro: Objetiva.
ROBBINS, Stephen P.; JUDGE, Timothy
A.; SOBRAL, Filipe. Comportamento organizacional: teoria e prática no contexto
brasileiro. São Paulo: Pearson.
VERGARA, Sylvia Constant. Gestão de
pessoas. São Paulo: Atlas.
ZANELLI, José Carlos; BORGES-ANDRADE, Jairo Eduardo; BASTOS, Antônio Virgílio Bittencourt (org.). Psicologia, organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed.
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