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Logística Farmacêutica

 LOGÍSTICA FARMACÊUTICA

 

Operações Logísticas na Cadeia Farmacêutica 

Armazenamento de Medicamentos

 

O armazenamento de medicamentos é uma etapa fundamental dentro da cadeia logística farmacêutica, sendo responsável por manter a estabilidade, qualidade e eficácia dos produtos até seu uso final. Qualquer falha nesse processo pode comprometer a segurança do paciente, gerar perdas financeiras significativas e acarretar sanções sanitárias. Por isso, esse processo deve seguir rigorosamente normas técnicas e regulatórias, sobretudo aquelas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), que determinam os critérios para a armazenagem adequada de medicamentos.

1. Tipos de Armazenamento

Os medicamentos possuem características físico-químicas distintas, o que exige diferentes tipos de armazenamento conforme suas necessidades específicas de conservação. A classificação mais comum inclui três categorias principais: armazenamento geral, controlado e refrigerado.

a) Armazenamento Geral
Corresponde à maioria dos medicamentos que podem ser armazenados em temperatura ambiente, geralmente entre 15°C e 30°C, e umidade relativa do ar inferior a 65%.

Apesar de não exigirem refrigeração, esses medicamentos ainda necessitam de proteção contra luz direta, ventilação adequada, controle de pragas e higienização periódica do ambiente.

b) Armazenamento Controlado
Aplica-se a medicamentos sujeitos a controle especial, como psicotrópicos e entorpecentes, conforme definidos pela Portaria SVS/MS nº 344/1998. Esses produtos devem ser armazenados em locais com acesso restrito, sob vigilância, com registros rigorosos de entrada e saída, e segregação física de outras classes terapêuticas. O controle de acesso e a segurança física são essenciais para prevenir desvios e garantir conformidade legal.

c) Armazenamento Refrigerado
Destina-se a produtos termolábeis, que devem ser mantidos em temperaturas entre 2°C e 8°C, como vacinas, insulinas, hemoderivados e certos antibióticos. Esse tipo de armazenagem requer câmaras frias, refrigeradores ou caixas térmicas validadas, com monitoramento contínuo de temperatura, alarmes de falha e registros eletrônicos. A quebra da cadeia do frio pode inutilizar completamente o produto.

Cada tipo de armazenamento deve ser definido previamente nos Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) da instituição e validado de acordo com a natureza dos produtos estocados.

2. Condições

Condições Ideais de Temperatura e Umidade

Manter as condições ideais de temperatura e umidade é crucial para preservar a estabilidade dos medicamentos. A variação além dos limites recomendados pode provocar reações químicas indesejadas, degradação de princípios ativos, alteração da biodisponibilidade e risco ao paciente.

A RDC nº 430/2020 da ANVISA, que trata das Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e Transporte de Medicamentos, estabelece que as áreas de armazenagem devem ser monitoradas continuamente, com:

  • Controle de temperatura e umidade por sensores calibrados;
  • Registros eletrônicos ou manuais, armazenados por tempo determinado;
  • Mapeamento térmico das áreas para validar as condições ambientais;
  • Planos de contingência em caso de falhas de energia, pane de equipamentos ou desastres naturais.

Além disso, o local de armazenagem deve atender a critérios estruturais: paredes laváveis, piso impermeável, iluminação adequada, ventilação, ausência de ralos expostos e controle de vetores e pragas. O armazém também deve possuir áreas específicas para produtos quarentenados, vencidos, devolvidos ou com suspeita de desvio de qualidade.

O uso de tecnologias como sensores com data logger, sistemas SCADA, e alarmes automatizados contribui significativamente para o controle ambiental e para a rápida tomada de decisão em caso de não conformidades.

3. Controle de Validade e Rastreabilidade

O controle da validade dos medicamentos é uma exigência legal e uma medida de segurança do paciente. A dispensação de medicamentos vencidos é considerada infração sanitária grave e pode causar sérios danos à saúde. Por isso, o sistema de armazenagem deve permitir a visualização clara das datas de vencimento e a aplicação da metodologia PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que prioriza o uso dos lotes com menor prazo de validade.

A rastreabilidade, por sua vez, permite acompanhar o trajeto do medicamento desde a sua fabricação até o ponto de consumo, garantindo a identificação do lote, do fabricante, da validade e dos responsáveis por cada etapa da cadeia. No Brasil, esse processo foi reforçado com a criação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM), instituído pela Lei nº 11.903/2009 e regulamentado pela ANVISA.

Entre os mecanismos de rastreabilidade utilizados estão:

  • Código de barras bidimensionais (DataMatrix) contendo dados do produto;
  • Sistema de gestão integrado (ERP) com
  • controle por lote;
  • Registro de movimentações internas e externas, com identificação de operadores;
  • Controle documental em auditorias e inspeções sanitárias.

A rastreabilidade permite ações rápidas em caso de recall, desvio de qualidade ou evento adverso, promovendo transparência e segurança em toda a cadeia logística.

Considerações Finais

O armazenamento de medicamentos vai além da simples guarda de produtos. Ele representa um processo técnico, regulamentado e crítico para a garantia da saúde pública. A adoção de práticas adequadas de armazenagem, o monitoramento rigoroso das condições ambientais e o controle sistemático de validade e rastreabilidade são requisitos indispensáveis para garantir a segurança terapêutica dos medicamentos.

A não conformidade com os padrões de armazenagem pode comprometer o tratamento do paciente, gerar perdas econômicas e expor a instituição a penalidades legais. Portanto, a qualificação da equipe, a estrutura física adequada e o investimento em tecnologia são estratégias essenciais para assegurar a integridade dos produtos e a confiança dos usuários nos serviços de saúde.

Referências Bibliográficas

  • ANVISA. Resolução RDC nº 430, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos.
  • BRASIL. Lei nº 11.903, de 14 de janeiro de 2009. Dispõe sobre a rastreabilidade de medicamentos e cria o Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM).
  • FARIA, R. N.; SILVA, A. L. L. Logística Hospitalar: gestão da cadeia de suprimentos na saúde. São Paulo: Atlas, 2013.
  • FIORAVANTI, R. M. Boas Práticas Logísticas Farmacêuticas. São Paulo: Manole, 2021.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Technical Report Series No. 961: WHO Good Distribution Practices for pharmaceutical products. Geneva, 2011.

 

Distribuição e Transporte Farmacêutico: Modalidades, Cadeia do Frio e Gerenciamento de Riscos

 

A distribuição e o transporte de medicamentos representam etapas críticas na logística farmacêutica, nas quais os produtos passam por ambientes externos sujeitos a variações climáticas, acidentes, atrasos e falhas operacionais. Por isso, o setor requer planejamento rigoroso, conformidade com regulamentações sanitárias, equipamentos adequados e mecanismos de controle capazes de garantir a integridade dos produtos transportados. O transporte deve assegurar que os medicamentos cheguem ao destino com a mesma

qualidade e segurança com que foram produzidos e armazenados.

1. Tipos de Transporte Farmacêutico

A escolha do modal de transporte farmacêutico está relacionada à natureza do produto, tempo de trânsito, distância, custo e exigências sanitárias. Os principais tipos utilizados são:

a) Transporte Terrestre
É o mais utilizado no Brasil, especialmente em distribuições regionais ou nacionais. Pode ser realizado por caminhões próprios ou terceirizados, com ou sem controle de temperatura. A RDC nº 430/2020 da ANVISA exige que os veículos utilizados para o transporte de medicamentos estejam validados, higienizados e monitorados quanto à temperatura e umidade quando necessário. Também é exigido o controle de acesso, separação de cargas e proteção contra luz solar direta.

b) Transporte Aéreo
Usado em situações emergenciais ou em longas distâncias, especialmente na distribuição internacional ou entre estados com difícil acesso terrestre. Embora mais rápido, o transporte aéreo impõe desafios logísticos maiores: exige planejamento rigoroso, coordenação com companhias aéreas, embalagens térmicas validadas e menor margem de erro quanto ao controle de tempo e temperatura. Produtos termossensíveis exigem cuidados adicionais em escalas ou conexões.

c) Transporte Refrigerado
Destinado a medicamentos termolábeis, como vacinas, insulinas, hormônios, antibióticos e hemoderivados. Deve ser realizado com veículos ou embalagens térmicas capazes de manter a temperatura entre 2°C e 8°C (ou outra faixa conforme especificações do fabricante), durante todo o trajeto. A RDC nº 430/2020 exige que esses meios sejam validados previamente, tenham sistemas de monitoramento contínuo e mantenham registros disponíveis para auditoria.

A validação térmica dos veículos, bem como dos sistemas de acondicionamento e das embalagens utilizadas, é obrigatória, especialmente para produtos que compõem a cadeia do frio.

2. Cadeia do Frio e Embalagens Especiais

A cadeia do frio é um sistema de controle de temperatura que se estende desde a produção até a dispensação final de medicamentos sensíveis ao calor. Interromper essa cadeia pode comprometer a estabilidade química, a eficácia terapêutica e a segurança dos produtos, além de gerar perdas financeiras e sanitárias.

Os componentes fundamentais da cadeia do frio incluem:

  • Equipamentos de refrigeração validados (câmaras frias, refrigeradores, veículos refrigerados);
  • Monitoramento contínuo de temperatura com sistemas de alarme e
  • com sistemas de alarme e registros digitais;
  • Capacitação dos profissionais envolvidos em todas as etapas da logística;
  • Procedimentos de contingência, como uso de gelos recicláveis, sensores de temperatura, transporte em rotas validadas e documentação detalhada.

As embalagens térmicas especiais são fundamentais para o sucesso do transporte refrigerado. Devem ser testadas em condições reais de uso e aprovadas por protocolos de qualificação térmica. As mais comuns são:

  • Caixas térmicas com isolamento térmico e gelo reciclável, ideais para transportes de até 48 horas;
  • Embalagens com materiais de mudança de fase (Phase Change Materials – PCM), que mantêm temperatura estável por mais tempo;
  • Sistemas ativos de refrigeração, como contêineres com geradores ou unidades móveis de refrigeração elétrica.

O uso de data loggers, pequenos sensores que registram e armazenam dados de temperatura ao longo do trajeto, é uma exigência cada vez mais comum para garantir o controle da cadeia do frio e possibilitar ações corretivas em caso de desvios.

3. Riscos Logísticos e Soluções

O transporte farmacêutico está sujeito a riscos logísticos que podem comprometer a integridade do produto ou interromper o abastecimento. Entre os principais riscos estão:

  • Desvios de temperatura: causados por falhas em sistemas de refrigeração, atraso no trânsito, armazenamento inadequado durante transferências ou cargas excessivas.
  • Roubos e furtos de carga: medicamentos têm alto valor agregado e são alvos frequentes de ações criminosas.
  • Extravio ou erros de entrega: falhas na conferência, documentação incompleta ou rotas mal planejadas.
  • Acidentes ou contaminação cruzada: devido a más práticas operacionais, falta de higienização ou transporte junto a produtos não compatíveis.

Para mitigar esses riscos, diversas soluções podem ser implementadas, como:

  • Roteirização e rastreamento por GPS, com atualizações em tempo real;
  • Sistemas de gestão de transporte (TMS) integrados aos sistemas de gestão empresarial (ERP);
  • Segregação e padronização das cargas, respeitando compatibilidades físico-químicas e sanitárias;
  • Auditorias periódicas, com análise de desvios e planos de ação corretiva e preventiva (CAPA);
  • Parcerias com operadores logísticos especializados, com certificações e experiência em logística farmacêutica;
  • Planos
  • de contingência e gerenciamento de riscos, que preveem ações imediatas em caso de pane, acidente ou quebra da cadeia do frio.

Além disso, é imprescindível que toda a equipe envolvida no transporte e distribuição seja treinada em Boas Práticas de Transporte de Medicamentos, conforme orientações da ANVISA e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Considerações Finais

A distribuição e o transporte de medicamentos constituem uma fase crítica na cadeia logística farmacêutica. Exigem planejamento técnico, estrutura adequada, qualificação dos envolvidos e monitoramento contínuo para garantir que o produto mantenha suas propriedades físico-químicas e chegue ao destino em condições seguras.

A adoção de tecnologias para controle de temperatura, rastreabilidade e documentação eletrônica, aliada ao cumprimento das normas sanitárias e regulatórias, são fatores indispensáveis para a construção de uma logística farmacêutica segura, eficiente e centrada na saúde do paciente.

Referências Bibliográficas

  • ANVISA. Resolução RDC nº 430, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos.
  • BRASIL. Lei nº 6.360, de 23 de setembro de 1976. Dispõe sobre a vigilância sanitária a que ficam sujeitos os medicamentos.
  • FIORAVANTI, R. M. Boas Práticas Logísticas Farmacêuticas. São Paulo: Manole, 2021.
  • FARIA, R. N.; SILVA, A. L. L. Logística Hospitalar: gestão da cadeia de suprimentos na saúde. São Paulo: Atlas, 2013.
  • ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Technical Report Series No. 961: WHO Good Distribution Practices for pharmaceutical products. Geneva, 2011.
  • CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da Cadeia de Suprimentos: estratégia, planejamento e operação. 6. ed. São Paulo: Pearson, 2016.


Gestão de Estoques Farmacêuticos: Métodos, Inventário e Controle Patrimonial

 

A gestão de estoques farmacêuticos é uma função estratégica dentro da logística da saúde, essencial para garantir a disponibilidade contínua de medicamentos e insumos, evitando tanto o desabastecimento quanto o excesso de produtos que possam expirar antes do uso. No contexto hospitalar, industrial ou comercial, uma gestão de estoques eficiente contribui diretamente para a segurança do paciente, o desempenho econômico da instituição e a conformidade com normas sanitárias.

A complexidade da gestão de estoques no setor farmacêutico se deve às características específicas dos produtos, como

validade, sensibilidade ambiental, regulamentações rigorosas e exigência de rastreabilidade. A adoção de métodos de controle apropriados, como PEPS, UEPS e a Curva ABC, bem como a realização de inventários periódicos e balanços patrimoniais, constitui a base de uma gestão eficiente.

1. Métodos de Controle de Estoques

O controle eficaz dos estoques farmacêuticos exige a adoção de critérios técnicos para a entrada, saída e classificação dos produtos. Entre os métodos mais utilizados estão:

a) PEPS (Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair)
Este é o método preferencial no setor farmacêutico. Consiste em utilizar primeiro os produtos mais antigos, ou seja, aqueles que chegaram antes ao estoque.

Essa estratégia evita o vencimento dos medicamentos e garante o uso em ordem cronológica, preservando a validade e reduzindo perdas por obsolescência. O PEPS é considerado uma prática segura, especialmente para medicamentos perecíveis e termolábeis.

b) UEPS (Último a Entrar, Primeiro a Sair)
No UEPS, o produto mais recente é o primeiro a ser utilizado. Embora seja um método válido em setores industriais ou de bens duráveis, não é recomendado na área farmacêutica, pois aumenta o risco de vencimento de produtos mais antigos e compromete a rastreabilidade. Além disso, o UEPS é incompatível com as diretrizes de Boas Práticas de Armazenamento da ANVISA, o que praticamente inviabiliza sua adoção em ambientes hospitalares e farmácias.

c) Curva ABC
A Curva ABC é uma técnica de classificação dos estoques com base no valor de consumo. Classifica os produtos em três categorias:

  • A: poucos itens com alto valor ou criticidade (responsáveis por cerca de 70% do valor total);
  • B: itens de valor intermediário (cerca de 20%);
  • C: muitos itens de baixo valor (cerca de 10%).

Essa categorização permite um controle diferenciado, priorizando os produtos do grupo A para compras mais frequentes, maior vigilância e políticas mais rígidas de controle de estoque. Os produtos do grupo C, embora numerosos, podem ser geridos com maior flexibilidade.

A Curva ABC pode ser combinada com a classificação XYZ, que leva em conta a regularidade de consumo dos itens, e com a criticidade clínica, o que fortalece o planejamento de compras e abastecimento.

2. Inventário Rotativo

O inventário rotativo é uma prática de controle sistemático que permite a verificação constante e amostral dos estoques, sem a necessidade de paralisação total das operações. É uma alternativa eficiente ao

inventário rotativo é uma prática de controle sistemático que permite a verificação constante e amostral dos estoques, sem a necessidade de paralisação total das operações. É uma alternativa eficiente ao inventário geral, que, por exigir a contagem completa de todos os itens de uma só vez, pode interferir nas atividades da instituição.

As principais vantagens do inventário rotativo incluem:

  • Correção de inconsistências entre o estoque físico e o registrado no sistema;
  • Prevenção de perdas e desvios, especialmente em itens de alto valor ou controle especial;
  • Verificação da validade dos produtos;
  • Maior controle sobre a acurácia do estoque, favorecendo a auditoria interna e o cumprimento das normas sanitárias.

Para sua eficácia, é necessário:

  • Dividir o estoque em categorias ou setores;
  • Realizar contagens periódicas e regulares;
  • Documentar as divergências encontradas;
  • Analisar causas de perdas e adotar medidas corretivas.

O inventário rotativo é altamente recomendado pela ANVISA como ferramenta de gestão e controle da cadeia logística, inclusive como parte integrante das Boas Práticas de Armazenamento.

3. Balanço Patrimonial dos Estoques

O balanço patrimonial dos estoques é o procedimento contábil que consiste em apurar o valor monetário dos bens armazenados em uma determinada data, geralmente ao final do exercício fiscal. Essa atividade é importante não apenas para fins contábeis, mas também para:

  • Avaliação do custo de reposição dos medicamentos;
  • Análise de perdas por vencimento, dano ou extravio;
  • Verificação de sobras e carências em relação ao planejamento logístico;
  • Comprovação do cumprimento das metas orçamentárias da unidade de saúde ou farmácia.

O valor do estoque impacta diretamente o ativo circulante da instituição, sendo também relevante para auditorias internas, prestação de contas públicas (em instituições do SUS) e avaliações de desempenho logístico.

Para realizar um balanço patrimonial confiável, é necessário:

  • Utilizar sistemas informatizados (ERP, WMS);
  • Integrar dados do setor de compras, almoxarifado, farmácia e financeiro;
  • Realizar conciliações periódicas com os inventários físicos;
  • Avaliar a necessidade de baixas contábeis por produtos vencidos ou inservíveis.

Uma boa prática é utilizar o custo médio ponderado móvel (CMPM) como critério de valoração dos estoques, o que permite calcular o valor unitário atualizado com

como critério de valoração dos estoques, o que permite calcular o valor unitário atualizado com base no histórico de entradas e saídas.

Considerações Finais

A gestão de estoques farmacêuticos é uma atividade complexa, que exige planejamento, conhecimento técnico, uso de tecnologia e conformidade com as normas regulatórias. O emprego de métodos de controle como PEPS e Curva ABC, a realização de inventários rotativos e a apuração periódica do balanço patrimonial são instrumentos essenciais para manter a eficiência, a segurança e a rastreabilidade dos medicamentos.

Mais do que garantir o abastecimento, uma gestão eficaz de estoques protege o paciente contra riscos sanitários, otimiza os recursos financeiros da instituição e fortalece a governança da cadeia logística.

Referências Bibliográficas

  • ANVISA. Resolução RDC nº 430, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos.
  • BRASIL. Lei nº 8.666/1993 (Lei de Licitações e Contratos), com impacto na gestão pública de estoques.
  • FIORAVANTI, R. M. Boas Práticas Logísticas Farmacêuticas. São Paulo: Manole, 2021.
  • FARIA, R. N.; SILVA, A. L. L. Logística Hospitalar: gestão da cadeia de suprimentos na saúde. São Paulo: Atlas, 2013.
  • DIAS, M. A. P. Administração de Materiais: princípios, conceitos e gestão. São Paulo: Atlas, 2010.
  • CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da Cadeia de Suprimentos: estratégia, planejamento e operação. 6. ed. São Paulo: Pearson, 2016.


Indicadores Logísticos na Gestão Farmacêutica: Nível de Serviço e Giro de Estoque

 

A mensuração de desempenho é uma etapa indispensável na logística farmacêutica moderna. Diante das exigências crescentes por eficiência operacional, qualidade no abastecimento e controle rigoroso dos medicamentos, a utilização de indicadores logísticos tornou-se essencial para o planejamento, tomada de decisão e avaliação de resultados. Tais indicadores permitem monitorar o desempenho da cadeia de suprimentos, identificar gargalos e implementar melhorias contínuas, com foco na segurança do paciente e na sustentabilidade do sistema.

Entre os indicadores mais relevantes no setor farmacêutico, destacam-se o nível de serviço logístico e o giro de estoque. Ambos oferecem uma visão estratégica do desempenho da área de suprimentos, associando critérios de qualidade e disponibilidade à eficiência no uso dos recursos.

1. Nível de Serviço Logístico

O

nível de serviço logístico mede a capacidade da organização em atender às demandas dos seus clientes internos ou externos de forma completa, no tempo certo e com a qualidade exigida. Na área da saúde, o “cliente” pode ser o hospital, a farmácia, a unidade básica de saúde ou o paciente final. A falha na entrega de um medicamento crítico pode comprometer um tratamento, causar descontinuidade terapêutica ou gerar eventos adversos.

Esse indicador é comumente expresso em percentual de pedidos atendidos corretamente, conforme critérios previamente definidos:

  • Entrega completa (sem faltas ou sobras);
  • Entrega dentro do prazo estabelecido;
  • Produto em conformidade com a qualidade esperada (sem avarias, validade vencida ou embalagem danificada);
  • Documentação correta e rastreável.

A fórmula mais utilizada é:

Nível de Serviço (%) = (Pedidos atendidos sem falhas / Total de pedidos) × 100

Na logística farmacêutica, um alto nível de serviço é fundamental, sobretudo para medicamentos de uso contínuo, de alto custo ou de emergência. Um indicador abaixo do esperado pode sinalizar falhas no planejamento da demanda, problemas com fornecedores, inadequações no transporte ou baixa acurácia do estoque.

Além disso, o nível de serviço pode ser segmentado por categorias (ex.: medicamentos hospitalares x ambulatoriais), por localidade, por fornecedor ou por tipo de produto, permitindo uma análise mais precisa das causas de não conformidade.

2. Giro de Estoque

O giro de estoque é um indicador que mede a eficiência com que os estoques são utilizados ao longo do tempo. Em outras palavras, revela quantas vezes o estoque é renovado dentro de um período, geralmente o ano. Um giro elevado indica que os produtos estão sendo consumidos e repostos com regularidade, reduzindo riscos de vencimento e imobilização de capital. Já um giro baixo pode apontar excesso de produtos, obsolescência e maior custo de armazenagem.

A fórmula básica para calcular o giro de estoque é:

Giro de Estoque = Custo das Vendas / Estoque Médio

Onde:

  • O custo das vendas pode ser o valor dos medicamentos distribuídos ou consumidos em determinado período;
  • O estoque médio é a média dos estoques iniciais e finais do período analisado.

Por exemplo, se um hospital consome R$ 500 mil em medicamentos em um ano e o estoque médio nesse período foi de R$ 100 mil, o giro será de 5 vezes/ano. Isso significa que, em média, o estoque foi renovado cinco vezes ao longo do

ano. Isso significa que, em média, o estoque foi renovado cinco vezes ao longo do ano.

Na logística farmacêutica, o equilíbrio é essencial. Um giro muito alto pode indicar risco de desabastecimento, enquanto um giro muito baixo pode significar capital parado e maior probabilidade de vencimento. Assim, o giro ideal deve ser definido conforme a criticidade dos medicamentos, previsibilidade da demanda, prazos de validade e capacidade de reposição.

3. Integração dos Indicadores à Gestão Logística

Ambos os indicadores — nível de serviço e giro de estoque — são interdependentes. Um bom nível de serviço depende de estoques adequados, mas estoques excessivos podem comprometer o giro. Por isso, a gestão logística deve buscar equilíbrio entre disponibilidade e eficiência, apoiando-se em ferramentas como:

  • Sistemas de ERP (Enterprise Resource Planning) e WMS (Warehouse Management System), que automatizam o controle de estoques e permitem cálculos automáticos dos indicadores;
  • Classificação ABC e XYZ, para definir prioridades e ajustar estoques conforme o perfil de consumo;
  • Previsão de demanda baseada em histórico e sazonalidade, com auxílio de algoritmos de reposição;
  • Revisões periódicas dos parâmetros logísticos, com base nos resultados dos indicadores;
  • Auditorias internas e análises de causa, nos casos de nível de serviço abaixo do esperado ou estoque com baixo giro.

Esses indicadores também servem como instrumentos de prestação de contas e transparência, especialmente em instituições públicas de saúde, que devem demonstrar o uso racional dos recursos e a efetividade das ações logísticas.

4. Indicadores como Ferramenta de Melhoria Contínua

Na lógica da gestão da qualidade e da logística enxuta, os indicadores logísticos devem ser utilizados como ferramentas de monitoramento contínuo. Estabelecer metas claras, mensurar regularmente os resultados e implementar ações corretivas são etapas fundamentais para melhorar o desempenho operacional e alinhar a logística farmacêutica com os objetivos clínicos e administrativos da instituição.

Indicadores mal interpretados ou ignorados podem mascarar ineficiências e comprometer a capacidade de resposta do sistema de saúde. Já o uso sistemático e criterioso dessas métricas promove decisões baseadas em evidências, amplia a segurança do paciente e fortalece a confiabilidade institucional.

Considerações Finais

O uso de indicadores logísticos como o nível de

serviço e o giro de estoque é fundamental para uma gestão farmacêutica eficaz, segura e sustentável. Eles não apenas refletem o desempenho operacional da cadeia de suprimentos, mas também subsidiam a tomada de decisão estratégica, o planejamento orçamentário e o cumprimento de exigências regulatórias.

Em um setor sensível como o farmacêutico, onde a logística pode impactar diretamente a vida dos pacientes, o acompanhamento sistemático dos indicadores deve fazer parte da rotina de gestão, contribuindo para a excelência dos serviços e a garantia do cuidado seguro.

Referências Bibliográficas

  • ANVISA. Resolução RDC nº 430, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos.
  • DIAS, M. A. P. Administração de Materiais: princípios, conceitos e gestão. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010.
  • BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: logística empresarial. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006.
  • FIORAVANTI, R. M. Boas Práticas Logísticas Farmacêuticas. São Paulo: Manole, 2021.
  • CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gestão da Cadeia de Suprimentos: estratégia, planejamento e operação. 6. ed. São Paulo: Pearson, 2016.
  • FARIA, R. N.; SILVA, A. L. L. Logística Hospitalar: gestão da cadeia de suprimentos na saúde. São Paulo: Atlas, 2013.

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