Apostila 1 — Curso Gestão de Pragas na Cana de Açúcar

GESTÃO DE PRAGAS NA CANA-DE-AÇUCAR

 

Módulo 1 – Fundamentos da Gestão de Pragas na Cana-de-Açúcar

Aula 1 – A importância da gestão de pragas na cultura da cana-de-açúcar

  

A cana-de-açúcar ocupa uma posição de destaque na agricultura brasileira, sendo a principal matéria-prima para a produção de açúcar, etanol, bioeletricidade e diversos produtos utilizados pela indústria. Por movimentar uma importante cadeia econômica e gerar milhares de empregos, manter a sanidade dos canaviais é um dos fatores mais importantes para garantir produtividade, qualidade da matéria-prima e rentabilidade ao produtor.

Entre os diversos desafios enfrentados durante o cultivo, as pragas agrícolas merecem atenção especial. Insetos e outros organismos podem atacar raízes, colmos, folhas e brotações em diferentes fases do desenvolvimento da planta. Quando não são identificados e controlados no momento adequado, esses organismos reduzem o crescimento da cultura, comprometem a quantidade de colmos produzidos e diminuem a concentração de sacarose, refletindo diretamente no rendimento industrial. Estima-se que, em nível mundial, as perdas causadas por pragas na cultura da cana possam alcançar cerca de 20% da produção quando não há manejo adequado.

É importante compreender que nem todo inseto presente na lavoura representa uma ameaça. Muitos desempenham funções benéficas, como a polinização ou o controle natural de outras espécies. Um organismo somente passa a ser considerado uma praga quando sua população atinge um nível capaz de causar prejuízo econômico ao cultivo. Esse conceito, conhecido como nível de dano econômico, é um dos pilares do Manejo Integrado de Pragas (MIP), pois evita intervenções desnecessárias e favorece decisões mais técnicas e sustentáveis.

Na cultura da cana-de-açúcar, algumas espécies merecem maior atenção devido à frequência e aos prejuízos que provocam. Entre elas destacam-se a broca-da-cana (Diatraea saccharalis), responsável por perfurar os colmos e facilitar a entrada de fungos; a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata), que reduz o vigor das plantas ao sugar sua seiva; o bicudo-da-cana (Sphenophorus levis), que compromete a brotação e a longevidade do canavial; além de cupins e besouros de solo, que muitas vezes permanecem escondidos até que os danos já sejam significativos. Conhecer essas pragas é o primeiro passo para agir corretamente diante de uma infestação.

Outro aspecto fundamental é compreender que o manejo de pragas não começa

quando aparecem os primeiros sintomas de ataque. A prevenção deve fazer parte da rotina da propriedade. Escolher mudas de boa qualidade, realizar o preparo adequado do solo, utilizar variedades adaptadas à região, manter a lavoura bem nutrida e eliminar restos vegetais contaminados são práticas que fortalecem o canavial e reduzem as condições favoráveis ao desenvolvimento das pragas. Essas medidas simples costumam ser mais econômicas do que intervenções emergenciais após grandes infestações.

O monitoramento periódico da lavoura também exerce papel decisivo. Caminhar pelas áreas cultivadas, observar folhas, colmos e raízes, identificar sinais iniciais de ataque e registrar essas informações permitem acompanhar a evolução das populações de insetos ao longo da safra. Com dados confiáveis, o produtor consegue decidir se realmente existe necessidade de alguma intervenção, evitando aplicações desnecessárias de defensivos e reduzindo custos de produção.

Atualmente, a gestão moderna de pragas baseia-se no conceito de Manejo Integrado de Pragas (MIP), uma estratégia que combina diferentes métodos de controle em vez de depender exclusivamente de inseticidas químicos. O MIP reúne práticas culturais, controle biológico, monitoramento constante, utilização racional de produtos fitossanitários e preservação dos inimigos naturais das pragas. Essa integração contribui para reduzir impactos ambientais, diminuir o risco de resistência aos inseticidas e tornar a produção mais sustentável e eficiente.

Nos últimos anos, o avanço da agricultura de precisão também passou a auxiliar o manejo fitossanitário da cana-de-açúcar. Ferramentas como drones, sistemas de georreferenciamento, aplicativos de monitoramento e análise de dados permitem identificar áreas críticas com maior rapidez, tornando o processo de tomada de decisão mais preciso. Essas tecnologias não substituem o conhecimento técnico do produtor, mas ampliam sua capacidade de prevenir perdas e otimizar recursos.

Em síntese, compreender a importância da gestão de pragas significa reconhecer que a produtividade da cana-de-açúcar depende de um conjunto de ações preventivas, monitoramento contínuo e decisões baseadas em critérios técnicos. Quando essas práticas são incorporadas ao dia a dia da propriedade, o produtor consegue reduzir perdas, utilizar os recursos de forma mais eficiente e produzir de maneira economicamente viável e ambientalmente responsável.

Referências bibliográficas

  • BORÉM, A. Cana-de-Açúcar:
  • do Plantio à Colheita. Viçosa: Editora UFV.
  • DINARDO-MIRANDA, L. L. Pragas da Cana-de-Açúcar. Campinas: Instituto Agronômico.
  • EMBRAPA. Manejo Integrado de Pragas e Doenças da Cana-de-Açúcar. Brasília: Embrapa.
  • EMBRAPA. Pragas da Cana-de-Açúcar. Brasília: Embrapa.
  • GALLO, D. et al. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ.
  • PRUDENCIO, M. F. et al. Atualizações no Manejo Integrado das Principais Pragas da Cana-de-Açúcar no Brasil: uma revisão dos últimos 10 anos. ARACÊ, 2025.

 

Aula 2 – Principais pragas da cana-de-açúcar

 

A produção de cana-de-açúcar depende diretamente da saúde do canavial. Entre os fatores que mais comprometem o desenvolvimento da cultura estão as pragas agrícolas, capazes de reduzir a produtividade, diminuir a qualidade tecnológica da matéria-prima e aumentar os custos de produção. Por isso, conhecer as principais espécies que atacam a cultura é um passo essencial para qualquer profissional que atua no setor sucroenergético.

Embora existam mais de 80 espécies de insetos e outros organismos associados à cana-de-açúcar, apenas uma pequena parcela provoca prejuízos econômicos significativos. Cada praga apresenta características próprias, diferentes formas de ataque e períodos de maior ocorrência. A correta identificação permite escolher estratégias de manejo mais eficientes e sustentáveis, evitando perdas desnecessárias.

A broca-da-cana (Diatraea saccharalis) é considerada a principal praga da cultura no Brasil. O dano é causado pelas lagartas, que perfuram os colmos e constroem galerias em seu interior. Essas perfurações dificultam a circulação de água e nutrientes, enfraquecem a planta e favorecem a entrada de fungos responsáveis pela podridão vermelha. Como consequência, ocorre redução do teor de sacarose, diminuição do peso dos colmos e perdas na produção de açúcar e etanol. Estima-se que, para cada aumento de 1% na intensidade de infestação, as perdas possam representar centenas de quilos de cana por hectare.

Outra praga de grande importância é a cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata). Durante sua fase jovem, as ninfas permanecem protegidas por uma espuma branca característica, alimentando-se da seiva das raízes e da base dos colmos. Já os adultos atacam as folhas, reduzindo a capacidade fotossintética da planta. Em infestações severas, o canavial apresenta folhas secas, crescimento reduzido e queda significativa na produtividade agrícola e industrial.

O bicudo-da-cana

bicudo-da-cana (Sphenophorus levis) também representa um desafio para os produtores, principalmente nas regiões de cultivo mais intensivo. As larvas desenvolvem-se na base dos colmos e nos rizomas, destruindo tecidos internos responsáveis pela brotação. Como resultado, surgem falhas no estande, redução da longevidade do canavial e necessidade de reformas antecipadas das áreas cultivadas. Por permanecer grande parte do ciclo protegido no interior da planta ou no solo, seu controle exige monitoramento constante e medidas preventivas.

Entre as pragas subterrâneas destaca-se o besouro Migdolus fryanus. Suas larvas vivem no solo por longos períodos, alimentando-se das raízes da cana. Esse ataque reduz a absorção de água e nutrientes, tornando as plantas menos vigorosas e mais suscetíveis aos períodos de estiagem. Como os danos ocorrem abaixo da superfície, muitas vezes a infestação só é percebida quando o prejuízo já é elevado.

Os cupins também merecem atenção, principalmente em áreas recém-implantadas, solos arenosos ou locais com histórico de infestação. Esses insetos atacam raízes, rizomas e colmos subterrâneos, comprometendo o estabelecimento das plantas. Em algumas situações, os danos provocados por cupins podem causar falhas significativas na lavoura, exigindo replantio de determinadas áreas.

Além dessas espécies, outras pragas podem ocorrer regionalmente, como a cigarrinha-das-folhas, a broca-gigante, besouros e diferentes insetos de solo. A importância de cada uma depende das condições climáticas, do sistema de cultivo, da variedade utilizada e das práticas de manejo adotadas pelo produtor. O conhecimento da realidade local é fundamental para direcionar corretamente as ações de monitoramento.

Identificar uma praga vai muito além de observar o inseto. O produtor deve aprender a reconhecer os sintomas deixados nas plantas, como furos nos colmos, galerias internas, folhas secas, falhas na brotação, espumas produzidas pelas cigarrinhas e plantas com desenvolvimento irregular. Em muitos casos, esses sinais aparecem antes mesmo da visualização dos insetos, permitindo uma intervenção mais rápida e eficiente.

Outro aspecto importante é compreender que nem toda ocorrência exige controle imediato. A simples presença de alguns indivíduos não significa que haverá prejuízo econômico. O Manejo Integrado de Pragas orienta que qualquer decisão seja baseada em monitoramentos periódicos e na avaliação do nível de infestação. Dessa forma, evitam-se aplicações

desnecessárias de inseticidas, preservam-se os inimigos naturais e reduz-se o risco de desenvolvimento de resistência pelas pragas.

Conhecer as principais pragas da cana-de-açúcar permite ao produtor agir de forma preventiva, planejar melhor suas estratégias de manejo e proteger o potencial produtivo da lavoura. Quanto maior o conhecimento sobre a biologia das espécies e os sintomas provocados por elas, maiores serão as chances de realizar intervenções no momento correto, reduzindo perdas e promovendo uma produção mais sustentável.

Referências bibliográficas

  • BORÉM, A. Cana-de-Açúcar: do Plantio à Colheita. Viçosa: Editora UFV.
  • DINARDO-MIRANDA, L. L. Pragas da Cana-de-Açúcar. Campinas: Instituto Agronômico.
  • EMBRAPA. Pragas da Cana-de-Açúcar. Brasília: Embrapa.
  • EMBRAPA. Controle Biológico de Pragas e Outras Técnicas. Brasília: Embrapa.
  • GALLO, D. et al. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ.
  • PRUDENCIO, M. F.; MARCIANO, M. C.; FIGUEIREDO, P. A. M.; PRADO, E. P.; VIANA, R. S. Atualizações no Manejo Integrado das Principais Pragas da Cana-de-Açúcar no Brasil: uma revisão dos últimos 10 anos. ARACÊ.

 

Aula 3 – Monitoramento e diagnóstico das pragas

 

O sucesso no controle de pragas da cana-de-açúcar não depende apenas de conhecer os insetos que atacam a cultura, mas principalmente de identificar o momento em que eles começam a causar prejuízos. É justamente nesse ponto que o monitoramento se torna uma das ferramentas mais importantes do Manejo Integrado de Pragas (MIP). A observação sistemática da lavoura permite acompanhar a evolução das populações de pragas e tomar decisões baseadas em informações reais, evitando gastos desnecessários e reduzindo perdas na produção. O monitoramento é considerado um dos pilares do MIP, juntamente com o controle biológico, as práticas culturais e o uso racional de defensivos agrícolas.

Monitorar significa visitar regularmente o canavial para avaliar as condições das plantas, identificar a presença de insetos, observar sintomas de ataque e registrar todas essas informações. Essa atividade deve ser planejada e realizada durante todo o ciclo da cultura, pois muitas pragas apresentam variações populacionais de acordo com a época do ano, as condições climáticas e o estágio de desenvolvimento da cana.

As inspeções devem seguir uma rotina organizada. O ideal é percorrer diferentes pontos da área cultivada, evitando concentrar a avaliação em apenas uma região do talhão.

Dessa forma, é possível obter uma visão mais fiel da situação da lavoura. Durante a vistoria, o técnico ou produtor deve observar folhas, colmos, raízes e perfilhos, procurando sinais como furos, galerias, folhas secas, espumas produzidas pelas cigarrinhas, falhas na brotação, plantas amareladas e presença de insetos adultos ou larvas.

Além da observação visual, o produtor pode utilizar armadilhas específicas para determinadas pragas. Algumas espécies são monitoradas por meio de armadilhas luminosas ou armadilhas com feromônios, que auxiliam na identificação da presença dos insetos adultos e permitem acompanhar o crescimento das populações ao longo da safra. Essas ferramentas complementam as inspeções de campo e contribuem para decisões mais precisas sobre a necessidade de controle.

Outro aspecto importante é registrar todas as informações obtidas durante as visitas à lavoura. Anotar datas, áreas avaliadas, espécies encontradas, intensidade da infestação, condições climáticas e medidas adotadas cria um histórico da propriedade. Esses registros permitem comparar safras, identificar áreas mais vulneráveis e planejar estratégias preventivas para os anos seguintes. Atualmente, muitas propriedades utilizam aplicativos de monitoramento e sistemas digitais para facilitar a coleta e a organização dessas informações.

Durante o diagnóstico, é essencial diferenciar os danos causados por pragas daqueles provocados por doenças, deficiência nutricional ou estresse hídrico. Muitas vezes, folhas amareladas ou plantas com crescimento reduzido podem estar relacionadas a diferentes fatores, e um diagnóstico incorreto pode levar à adoção de medidas inadequadas. Por isso, a identificação correta da causa do problema é uma etapa indispensável antes de qualquer intervenção.

Um dos conceitos mais importantes do monitoramento é o chamado nível de dano econômico. Isso significa que a simples presença de alguns insetos não justifica a aplicação imediata de inseticidas. Somente quando a população da praga atinge um nível capaz de causar prejuízo econômico é que medidas de controle devem ser adotadas. Essa abordagem reduz custos de produção, preserva os inimigos naturais das pragas e diminui os impactos ambientais decorrentes do uso excessivo de produtos químicos.

A tecnologia também tem contribuído significativamente para tornar o monitoramento mais eficiente. Drones, imagens aéreas, sistemas de georreferenciamento, sensores e aplicativos permitem identificar rapidamente áreas

tecnologia também tem contribuído significativamente para tornar o monitoramento mais eficiente. Drones, imagens aéreas, sistemas de georreferenciamento, sensores e aplicativos permitem identificar rapidamente áreas com desenvolvimento irregular, facilitando a localização de possíveis focos de infestação. Embora essas ferramentas não substituam a inspeção em campo, elas ampliam a capacidade de análise e tornam o processo de tomada de decisão mais rápido e preciso.

Outro benefício do monitoramento contínuo é a possibilidade de avaliar os resultados das estratégias de manejo adotadas. Após a implantação de um controle biológico, de uma prática cultural ou da aplicação de um defensivo, novas avaliações permitem verificar se houve redução da população da praga e se novas intervenções serão realmente necessárias. Dessa forma, o manejo torna-se mais eficiente, econômico e sustentável.

Em síntese, monitorar e diagnosticar corretamente as pragas da cana-de-açúcar é uma atividade que exige planejamento, observação e registro constante das informações obtidas no campo. Quando realizado de forma sistemática, o monitoramento reduz perdas, melhora a eficiência das medidas de controle e contribui para uma produção mais sustentável, preservando tanto a produtividade quanto o equilíbrio ambiental.

Referências bibliográficas

  • BORÉM, A. Cana-de-Açúcar: do Plantio à Colheita. Viçosa: Editora UFV.
  • DINARDO-MIRANDA, L. L. Pragas da Cana-de-Açúcar. Campinas: Instituto Agronômico.
  • EMBRAPA. Manejo Integrado de Pragas e Doenças da Cana-de-Açúcar. Brasília: Embrapa.
  • GALLO, D. et al. Entomologia Agrícola. Piracicaba: FEALQ.
  • GUZZO, E. C.; NEGRISOLI JUNIOR, A. S. Diagnóstico dos Processos Tecnológicos Utilizados no Manejo Integrado de Pragas da Cana-de-Açúcar. Aracaju: Embrapa Tabuleiros Costeiros.
  • PRUDENCIO, M. F.; MARCIANO, M. C.; FIGUEIREDO, P. A. M.; PRADO, E. P.; VIANA, R. S. Atualizações no Manejo Integrado das Principais Pragas da Cana-de-Açúcar no Brasil: uma revisão dos últimos 10 anos. ARACÊ.


Estudo de Caso – Módulo 1

Quando a falta de monitoramento transformou um pequeno problema em um grande prejuízo

 

Carlos é produtor de cana-de-açúcar no interior de Minas Gerais e cultiva cerca de 180 hectares destinados ao fornecimento para uma usina da região. Após vários anos obtendo boa produtividade, ele percebeu que parte do canavial apresentava crescimento irregular, folhas secando antes do esperado e

redução no desenvolvimento dos colmos. Como acreditava que o problema estava relacionado apenas à baixa fertilidade do solo e ao clima seco daquele ano, optou por reforçar a adubação e aumentar a irrigação em algumas áreas.

Mesmo com essas medidas, os sintomas continuaram a se intensificar. Durante a colheita, a produtividade ficou abaixo do esperado e muitos colmos apresentavam galerias internas, além de sinais de podridão. Somente após a visita de um engenheiro-agrônomo foi identificado que a propriedade apresentava elevada infestação de broca-da-cana (Diatraea saccharalis), associada à presença de fungos que aproveitaram as perfurações provocadas pela praga para colonizar os colmos. Parte da área também apresentava focos de cigarrinha-das-raízes, agravando ainda mais a perda de vigor das plantas.

Ao analisar o histórico da propriedade, o técnico verificou que não havia qualquer rotina de monitoramento. As inspeções eram realizadas apenas quando os danos já eram facilmente visíveis, e não existiam registros sobre a ocorrência de pragas nas safras anteriores. Além disso, Carlos utilizava inseticidas apenas quando percebia grande quantidade de insetos na lavoura, sem avaliar o nível de infestação ou a necessidade real de aplicação.

Erros cometidos

  • Acreditar que toda redução de produtividade estava relacionada apenas à fertilidade do solo ou ao clima.
  • Não realizar monitoramento periódico da lavoura.
  • Ignorar os primeiros sintomas de ataque das pragas.
  • Não registrar informações sobre ocorrências anteriores.
  • Basear o controle apenas na aplicação de inseticidas, sem planejamento técnico.
  • Não considerar a importância dos inimigos naturais e das estratégias do Manejo Integrado de Pragas (MIP).

Como o problema foi solucionado

Com orientação técnica, Carlos implantou um programa de Manejo Integrado de Pragas. A equipe passou a realizar inspeções quinzenais em diferentes talhões, registrando a presença de pragas, sintomas observados e intensidade das infestações. Também foram adotadas armadilhas para auxiliar no monitoramento, além da utilização de controle biológico para reduzir a população da broca-da-cana. O uso de inseticidas passou a ocorrer somente quando os níveis de infestação justificavam economicamente a intervenção.

Na safra seguinte, os resultados foram positivos. A identificação precoce das pragas permitiu intervenções mais rápidas, houve redução no número de aplicações de defensivos, os

custos de produção diminuíram e a produtividade voltou a crescer. Além do ganho econômico, a propriedade passou a utilizar práticas mais sustentáveis, preservando organismos benéficos presentes no ambiente.

Lições aprendidas

Este caso demonstra que o maior erro, muitas vezes, não é a presença da praga, mas sim a demora em identificá-la. O monitoramento contínuo permite detectar alterações ainda no início da infestação, quando o controle é mais simples, barato e eficiente. Também evidencia que o sucesso da gestão de pragas depende da combinação entre conhecimento técnico, planejamento, registro das informações e adoção dos princípios do Manejo Integrado de Pragas.

Como evitar problemas semelhantes

  • Realizar monitoramentos frequentes durante todo o ciclo da cultura.
  • Capacitar a equipe para reconhecer os principais sintomas de ataque.
  • Registrar todas as ocorrências observadas na lavoura.
  • Diferenciar danos causados por pragas de problemas nutricionais ou doenças.
  • Utilizar o Manejo Integrado de Pragas como estratégia principal, combinando monitoramento, controle biológico, práticas culturais e uso criterioso de defensivos.
  • Buscar assistência técnica sempre que houver dúvidas sobre a identificação da praga ou a melhor forma de controle.
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