FORMAÇÃO DE PREÇO DE VENDA
Módulo 2 — Como Calcular o Preço de Venda na Prática
Aula 1 — Levantamento dos custos do produto ou serviço
Para formar um preço
de venda com segurança, é preciso começar por uma etapa que parece simples, mas
que faz toda a diferença: levantar os custos do produto ou serviço. Antes de
pensar em lucro, desconto, concorrência ou promoção, o empreendedor precisa responder
a uma pergunta básica: quanto custa, de fato, entregar aquilo que estou
vendendo?
Muitos
negócios começam de forma espontânea. A pessoa sabe fazer um bolo, costurar uma
peça, prestar um serviço de beleza, consertar equipamentos, vender roupas ou
preparar refeições. No início, é comum que os cálculos sejam feitos “por alto”,
com base na experiência, na memória ou na comparação com outras pessoas. Porém,
quando o negócio começa a crescer, essa forma de calcular pode trazer
problemas. Pequenos gastos esquecidos passam a se acumular, e o preço que
parecia bom pode não ser suficiente para cobrir tudo.
O
levantamento de custos é justamente o processo de identificar, listar e
calcular todos os gastos diretamente ligados ao produto ou serviço vendido. Ele
ajuda o empreendedor a enxergar com mais clareza quanto precisa gastar para
produzir, comprar, preparar, embalar, entregar ou executar aquilo que oferece
ao cliente. Sem esse levantamento, qualquer preço escolhido corre o risco de
ser apenas uma tentativa.
No
caso de produtos fabricados, os custos costumam envolver matéria-prima,
ingredientes, insumos, embalagens, etiquetas, perdas de produção, energia
utilizada diretamente no processo, gás, água e mão de obra. Uma pessoa que
produz salgados, por exemplo, precisa considerar farinha, recheios, óleo,
temperos, gás, embalagens, guardanapos e até a quantidade de produto que pode
ser perdida durante o preparo. Se algum desses itens ficar de fora, o preço
final pode ficar abaixo do necessário.
Em
produtos de revenda, o custo principal costuma ser o valor pago ao fornecedor.
No entanto, ele não é o único. O empreendedor também precisa considerar o frete
de compra, taxas de importação quando houver, embalagens para entrega,
comissões, perdas, trocas, avarias e custos relacionados ao armazenamento. Uma
loja que compra uma peça por R$ 40,00 não deve olhar apenas para esse valor. Se
pagou frete, embalagem, taxa da plataforma e comissão sobre a venda, o custo
real da peça é maior.
Já na prestação de serviços, o levantamento dos custos exige atenção especial,
porque muitos gastos não aparecem de forma tão visível. Em um serviço, o
empreendedor não vende apenas materiais. Ele vende tempo, conhecimento,
técnica, deslocamento, ferramentas, experiência e responsabilidade. Um
profissional de manutenção, por exemplo, pode gastar com peças, combustível,
ferramentas, equipamentos de segurança, telefone, internet e tempo de
deslocamento. Se cobrar apenas pela peça utilizada, deixará de considerar parte
importante do serviço.
O
tempo de trabalho é um dos custos mais esquecidos por quem presta serviços.
Muitas pessoas calculam apenas o material utilizado e esquecem que passaram
horas preparando, atendendo, executando, limpando, respondendo mensagens ou
fazendo ajustes. Esse tempo tem valor. Se ele não for considerado, o
profissional pode acabar trabalhando muito e recebendo pouco. Por isso, ao
levantar custos de serviços, é importante estimar quanto tempo cada atendimento
exige e qual valor mínimo deve remunerar esse período.
Outro
ponto que merece cuidado são os custos pequenos. Eles parecem inofensivos
quando vistos separadamente, mas podem representar uma grande diferença no
resultado final. Uma sacola, uma etiqueta, uma colher descartável, um envelope,
uma taxa de cartão, uma impressão, um pequeno deslocamento ou uma mensagem paga
em uma plataforma podem parecer valores baixos. No entanto, quando se repetem
em dezenas ou centenas de vendas, passam a pesar no caixa.
Imagine
uma empreendedora que vende copos personalizados. Ela calcula o copo, a arte e
a embalagem principal, mas esquece a fita adesiva, o papel de proteção, a
energia da máquina, a tinta, o tempo de criação da arte, as peças com erro e a
taxa da plataforma de pagamento. Cada item esquecido reduz um pouco sua margem.
Ao final do mês, ela pode descobrir que o lucro esperado não apareceu,
justamente porque o custo real era maior do que o custo imaginado.
Por
isso, o levantamento de custos precisa ser detalhado. Não se trata de complicar
o negócio, mas de evitar que o empreendedor trabalhe no escuro. Quanto melhor
ele conhece seus custos, mais segurança tem para definir o preço, negociar com
clientes, avaliar descontos e decidir se determinado produto ou serviço vale a
pena continuar sendo oferecido.
Uma forma simples de começar é separar os custos por etapas. Primeiro, o empreendedor pode listar tudo o que usa para produzir ou comprar o produto. Depois, pode listar tudo o que utiliza para preparar, embalar, vender e entregar. Em seguida, deve observar
separar os custos por etapas. Primeiro, o
empreendedor pode listar tudo o que usa para produzir ou comprar o produto.
Depois, pode listar tudo o que utiliza para preparar, embalar, vender e
entregar. Em seguida, deve observar se há taxas, comissões ou perdas. Por fim,
precisa avaliar se existe mão de obra direta ou tempo de trabalho envolvido.
Essa organização ajuda a evitar esquecimentos.
No
caso de alimentos, por exemplo, é importante calcular o custo por receita e
depois dividir pela quantidade produzida. Se uma receita rende 20 unidades, o
custo total dos ingredientes, embalagens e demais itens devem ser divididos por
essas 20 unidades. Assim, o empreendedor sabe quanto custa cada unidade antes
de definir o preço. Esse cuidado evita cobrar o mesmo valor por produtos que
têm custos diferentes.
Em
serviços, uma boa prática é dividir o atendimento em fases. Um serviço de
maquiagem, por exemplo, pode envolver conversa inicial com a cliente,
preparação da pele, aplicação dos produtos, finalização, deslocamento,
higienização dos materiais e reposição de itens usados. Quando o profissional
observa todas essas etapas, percebe que o serviço vai além do momento visível
para o cliente. O preço precisa considerar todo o trabalho envolvido.
Também
é necessário observar os custos variáveis. Eles são aqueles que mudam conforme
a quantidade vendida. Quanto mais o negócio vende, mais gasta com esses itens.
Matéria-prima, mercadorias para revenda, embalagens, comissões e taxas de
cartão são exemplos comuns. Esses custos devem ser acompanhados de perto,
porque afetam diretamente o resultado de cada venda.
Além
disso, existem custos que podem variar de acordo com o tipo de produto ou
serviço. Um cardápio com ingredientes mais caros não pode ter o mesmo preço de
um cardápio simples, se a margem desejada for a mesma. Um serviço mais demorado
não deve ter o mesmo valor de um serviço rápido, apenas porque pertencem à
mesma área. Cada oferta precisa ser analisada de forma individual, respeitando
suas características.
Um
erro comum é usar uma média geral para tudo. Embora a média possa ajudar em
alguns controles, ela pode esconder diferenças importantes. Por exemplo, uma
loja pode vender produtos com margens diferentes. Alguns itens têm baixo custo
e boa saída; outros têm custo alto e margem pequena. Se o empreendedor não
analisa produto por produto, pode acreditar que todos contribuem igualmente
para o lucro, quando isso não é verdade.
O levantamento de custos também
ajuda a identificar desperdícios. Ao observar os
números, o empreendedor pode perceber que está perdendo matéria-prima,
comprando em quantidade inadequada, pagando fretes altos, usando embalagens
caras demais para determinados produtos ou oferecendo benefícios que reduzem
sua margem. Com essas informações, ele pode corrigir processos antes de
simplesmente aumentar preços.
Isso
mostra que calcular custos não serve apenas para cobrar mais. Muitas vezes,
serve para trabalhar melhor. Quando o empreendedor sabe onde o dinheiro está
sendo gasto, consegue buscar fornecedores mais adequados, reduzir perdas,
melhorar compras, ajustar porções, organizar estoque e planejar melhor a
produção. O preço de venda fica mais correto, mas a gestão do negócio também
melhora.
Outro
cuidado importante é registrar os custos com frequência. Não basta fazer o
levantamento uma única vez e nunca mais revisar. Os preços dos fornecedores
mudam, o valor do frete aumenta, embalagens ficam mais caras, taxas podem ser
alteradas e a forma de entrega pode mudar. Por isso, o controle de custos deve
ser atualizado periodicamente. Um produto que era lucrativo há seis meses pode
não ser mais hoje, se os custos aumentaram e o preço de venda permaneceu igual.
O
empreendedor também precisa evitar misturar gastos pessoais com gastos do
negócio. Quando compra materiais junto com itens pessoais, usa o mesmo cartão
para tudo ou retira dinheiro do caixa sem controle, fica mais difícil saber o
custo real da atividade. Separar as contas, mesmo que de forma simples, ajuda a
ter uma visão mais fiel do negócio. Essa organização é especialmente importante
para quem trabalha em casa, pois alguns gastos podem se confundir com a rotina
familiar.
No
caso de negócios pequenos, não é necessário iniciar com sistemas complexos. Uma
planilha simples, um caderno organizado ou um aplicativo básico já podem ajudar
bastante. O importante é manter constância. Anotar apenas de vez em quando não
resolve o problema. O controle precisa fazer parte da rotina, assim como
atender clientes, comprar materiais e divulgar produtos.
Um exemplo prático pode facilitar a compreensão. Imagine uma pessoa que vende camisetas personalizadas. Para levantar o custo de cada peça, ela deve considerar o valor da camiseta lisa, a estampa, a tinta ou o material de personalização, a energia do equipamento, a embalagem, a etiqueta, possíveis perdas em peças com erro, a taxa da venda online e o tempo de preparação. Se ela considerar apenas o
valor da camiseta lisa, a estampa, a tinta ou o material de
personalização, a energia do equipamento, a embalagem, a etiqueta, possíveis
perdas em peças com erro, a taxa da venda online e o tempo de preparação. Se
ela considerar apenas o valor da camiseta lisa, seu cálculo ficará incompleto.
Outro
exemplo é o de um professor particular. À primeira vista, ele pode pensar que
não tem custos, pois vende conhecimento. Porém, existem gastos envolvidos:
internet, energia, material didático, plataforma de videoconferência,
deslocamento quando a aula é presencial, tempo de preparação, impressão de
atividades e equipamentos utilizados. Mesmo em serviços intelectuais, o custo
existe e precisa ser reconhecido.
Essa
compreensão ajuda o empreendedor a valorizar melhor sua entrega. Quando ele
conhece os custos, deixa de aceitar qualquer preço apenas para fechar a venda.
Também consegue explicar melhor seus valores, criar pacotes mais adequados e
avaliar se determinado cliente, produto ou serviço realmente compensa. A
formação de preço passa a ser uma decisão consciente, não uma resposta
apressada à pressão do mercado.
É
importante lembrar que o cliente nem sempre precisa conhecer todos os custos do
negócio, mas o empreendedor precisa conhecê-los. O preço comunicado ao cliente
deve ser claro, profissional e coerente com o valor entregue. Já o cálculo
interno deve ser detalhado e realista. Essa diferença é importante: por fora, o
preço parece simples; por dentro, ele precisa estar bem sustentado.
Também
é preciso ter cuidado com a ideia de “copiar o preço da concorrência”. Observar
o mercado é importante, mas cada negócio tem custos diferentes. Um concorrente
pode comprar em maior quantidade, pagar aluguel menor, ter fornecedores
melhores, trabalhar com equipe própria ou aceitar margens menores. Copiar seu
preço sem conhecer a própria estrutura pode levar a prejuízos. O levantamento
de custos permite comparar o mercado com mais inteligência.
Quando
o empreendedor percebe que seu custo é muito alto em relação ao preço que o
mercado aceita, ele precisa investigar o motivo. Talvez esteja comprando caro,
desperdiçando material, produzindo em pequena escala, usando uma embalagem
incompatível com o público ou mantendo um processo pouco eficiente. Em alguns
casos, será necessário reajustar o preço. Em outros, melhorar a operação. O
importante é tomar decisões com base em dados.
O levantamento de custos também contribui para definir o preço mínimo aceitável. Esse preço
mínimo aceitável.
Esse preço mínimo é aquele abaixo do qual a venda começa a se tornar
prejudicial. Conhecer esse limite é fundamental em negociações, promoções e
descontos. Quando o empreendedor não sabe seu custo real, pode conceder
descontos que eliminam totalmente sua margem ou até geram prejuízo.
Em
datas comemorativas, por exemplo, muitos negócios aumentam as vendas, mas
também aumentam os custos. Há embalagens especiais, entregas extras, mais horas
de trabalho, contratação de ajuda temporária e maior consumo de materiais. Se
esses custos adicionais não forem considerados, a campanha pode parecer
bem-sucedida em volume, mas fraca em resultado financeiro.
Por
isso, levantar custos deve ser visto como uma prática de proteção. Protege o
negócio contra prejuízos escondidos, protege o empreendedor contra a
desvalorização do próprio trabalho e protege o cliente, pois permite que a
empresa continue entregando qualidade de forma constante. Um negócio que cobra
sem conhecer seus custos pode até sobreviver por algum tempo, mas tende a
enfrentar dificuldades quando cresce ou quando os gastos aumentam.
Nesta
aula, a principal ideia é que todo preço começa pelo conhecimento dos custos.
Antes de pensar em quanto o cliente pagaria ou quanto o concorrente cobra, é
preciso saber quanto custa entregar o produto ou serviço. Essa informação é a
base da formação de preço. Sem ela, o empreendedor decide no escuro. Com ela,
passa a vender com mais consciência, segurança e responsabilidade.
Levantar custos não é apenas fazer contas. É olhar para o próprio trabalho com mais atenção. É reconhecer cada etapa da entrega, cada material utilizado, cada hora dedicada e cada gasto necessário para que o produto ou serviço chegue ao cliente. Quando esse olhar se torna parte da rotina, o empreendedor deixa de depender de achismos e começa a construir preços mais justos, sustentáveis e coerentes com a realidade do negócio.
Referências
Bibliográficas
BERNARDI,
Luiz Antonio. Manual de formação de preços: políticas, estratégias e
fundamentos. São Paulo: Atlas.
BRUNI,
Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de custos e formação de preços. São
Paulo: Atlas.
CREPALDI,
Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. São Paulo:
Atlas.
DORNELAS,
José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios.
São Paulo: Empreende.
MARTINS,
Eliseu. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação
contábil. São Paulo: Atlas.
SEBRAE.
Formação do preço de venda. Brasília: Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas.
SEBRAE.
Controle financeiro para pequenos negócios. Brasília: Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Aula 2 — Cálculo do preço
com despesas e margem de lucro
Depois
de levantar os custos de um produto ou serviço, o próximo passo é entender como
esses custos se transformam em preço de venda. Essa etapa exige atenção, porque
o preço não pode ser formado apenas somando o valor gasto com materiais e
colocando “um pouco a mais” por cima. Essa prática é muito comum entre
iniciantes, mas pode gerar distorções importantes. Para que o preço seja
saudável, ele precisa considerar também as despesas do negócio e a margem de
lucro desejada.
Quando
alguém vende um produto, presta um serviço ou trabalha por conta própria,
existe uma estrutura por trás daquela entrega. Mesmo que o negócio seja pequeno
ou funcione dentro de casa, existem gastos que precisam ser pagos. Alguns são
visíveis, como matéria-prima, mercadorias, embalagens ou ferramentas. Outros
ficam menos evidentes, como internet, energia, telefone, divulgação, taxa de
cartão, transporte, manutenção de equipamentos e tempo de trabalho. Todos esses
elementos influenciam o resultado financeiro.
Por
isso, formar preço é mais do que calcular quanto custou fazer ou comprar algo.
É preciso pensar no negócio como um todo. O preço de venda precisa ajudar a
pagar os custos diretos, contribuir para cobrir as despesas e ainda gerar
lucro. Se uma dessas partes for esquecida, a venda pode parecer boa no momento,
mas trazer prejuízo ao longo do tempo.
Um
erro comum é acreditar que o lucro está garantido sempre que o preço de venda é
maior que o custo do produto. Por exemplo, se uma pessoa compra uma mercadoria
por R$ 30,00 e vende por R$ 45,00, pode imaginar que ganhou R$ 15,00. No
entanto, essa conta ainda está incompleta. Desse valor precisam sair taxas de
pagamento, embalagem, divulgação, deslocamento, possíveis perdas, despesas
fixas e outros gastos do negócio. Depois dessas retiradas, o lucro real pode
ser bem menor do que parecia.
As despesas precisam ser incluídas no raciocínio porque elas fazem parte da manutenção da atividade. Um negócio não vive apenas de comprar e vender. Ele precisa de estrutura, comunicação, organização, atendimento e meios para chegar até o cliente. Mesmo uma loja virtual, que não paga aluguel de ponto físico, pode ter despesas com
plataforma, anúncios, internet, sistema de pagamento,
embalagem, frete, fotos dos produtos e atendimento ao consumidor.
A
grande dificuldade é que muitas despesas não pertencem a um único produto ou
serviço. O aluguel, por exemplo, não é pago por uma única venda. A internet
também não é usada apenas para um pedido. A divulgação pode atrair vários
clientes ao mesmo tempo. Por isso, o empreendedor precisa aprender a distribuir
essas despesas de forma proporcional, para que cada venda contribua um pouco
com a manutenção do negócio.
Uma
forma simples de pensar nisso é observar quanto o negócio gasta por mês para
funcionar. Depois, é possível estimar quantas vendas ou atendimentos são
realizados no mesmo período. Com essa noção, o empreendedor consegue entender
quanto cada venda precisa ajudar a pagar das despesas gerais. Não precisa ser
uma conta extremamente complexa no início, mas precisa ser realista o
suficiente para evitar que as despesas fiquem esquecidas.
Imagine
uma pessoa que vende bolos caseiros. Ela já sabe calcular farinha, ovos, leite,
chocolate, fermento, recheio e embalagem. Porém, além desses custos diretos,
ela usa gás, energia elétrica, água, internet para receber pedidos, transporte
para comprar ingredientes e tempo para divulgar os produtos. Se o preço
considerar apenas os ingredientes, o negócio pode vender bastante, mas não
gerar resultado suficiente para manter a rotina de produção.
Outro
exemplo é o de um profissional que presta serviços de design. À primeira vista,
ele pode pensar que seu custo é baixo porque não usa matéria-prima física. No
entanto, ele precisa de computador, internet, energia, programas, cursos de
atualização, tempo de atendimento, reuniões, alterações solicitadas pelo
cliente e organização dos arquivos. Se cobrar apenas pelo tempo aparente de
execução, pode deixar de considerar todo o trabalho que existe antes e depois
da entrega final.
Depois
de compreender os custos e as despesas, entra a margem de lucro. A margem de
lucro é a parte do preço que representa o ganho do negócio. Ela não deve ser
tratada como uma sobra incerta, mas como algo planejado. Sem margem de lucro, o
empreendimento apenas paga contas e repõe materiais, mas não se desenvolve. O
lucro permite crescer, investir, formar reserva financeira e remunerar melhor o
esforço do empreendedor.
É importante deixar claro que lucro não é sinônimo de abuso. Lucrar faz parte de qualquer atividade econômica saudável. Um negócio sem lucro fica vulnerável,
pois não tem condições de enfrentar imprevistos, melhorar sua estrutura ou
manter qualidade por muito tempo. Quando o empreendedor sente culpa por lucrar,
pode acabar cobrando menos do que deveria e comprometendo a própria
continuidade do trabalho.
A
margem de lucro deve ser definida com equilíbrio. Uma margem muito baixa pode
fazer com que o negócio trabalhe muito e ganhe pouco. Já uma margem muito alta,
quando não está acompanhada de valor percebido pelo cliente, pode dificultar as
vendas. Por isso, a margem precisa considerar a realidade do mercado, o público
atendido, a qualidade da entrega, o posicionamento do negócio e os objetivos do
empreendedor.
Não
existe uma margem única que sirva para todos os negócios. Produtos de grande
volume e giro rápido podem trabalhar com margens menores, desde que vendam
bastante e tenham custos bem controlados. Produtos artesanais, personalizados
ou serviços especializados podem exigir margens maiores, porque envolvem mais
tempo, técnica, exclusividade ou responsabilidade. Cada caso precisa ser
analisado com cuidado.
Uma
maneira didática de entender a formação de preço é pensar em três partes:
primeiro, o custo direto daquilo que será vendido; depois, a parcela das
despesas que precisa ser coberta; por fim, a margem de lucro desejada. Essas
três partes ajudam a formar um preço mínimo mais seguro. A partir desse preço
mínimo, o empreendedor pode avaliar se o valor está compatível com o mercado e
com a percepção do cliente.
Por
exemplo, se um produto custa R$ 20,00 para ser comprado ou produzido, mas a
venda também gera R$ 5,00 de despesas proporcionais, o empreendedor já sabe que
precisa recuperar pelo menos R$ 25,00. Se deseja obter lucro, o preço deve ser
maior que isso. Se vender por R$ 25,00, apenas cobrirá os gastos. Se vender por
menos, terá prejuízo. O lucro começa quando o preço ultrapassa o total de
custos e despesas.
Essa
lógica parece simples, mas é esquecida com frequência, principalmente quando o
cliente pede desconto. Muitos empreendedores reduzem o preço sem saber qual é o
limite mínimo aceitável. Quando isso acontece, podem vender abaixo do custo
real e acreditar que fizeram uma boa negociação. Por isso, conhecer o preço
mínimo é essencial para tomar decisões com mais segurança.
O preço mínimo aceitável é aquele que cobre todos os custos e despesas relacionados à venda. Ele não deve ser confundido com o preço ideal. O preço mínimo mostra até onde o empreendedor pode ir sem prejudicar o negócio. Já
o mínimo aceitável é aquele que cobre todos os custos e despesas
relacionados à venda. Ele não deve ser confundido com o preço ideal. O preço
mínimo mostra até onde o empreendedor pode ir sem prejudicar o negócio. Já o
preço ideal inclui a margem de lucro desejada e reflete melhor o valor da
entrega. Em negociações, promoções e campanhas, essa diferença é muito
importante.
Quando
o empreendedor conhece seu preço mínimo, ele passa a ter mais controle. Pode
decidir se vale a pena oferecer um desconto, criar um pacote promocional, fazer
uma condição especial para pagamento à vista ou recusar uma proposta que não
seja vantajosa. Essa clareza evita decisões tomadas apenas pela pressão do
momento.
Outro
cuidado necessário é entender que preço calculado e preço praticado nem sempre
são exatamente iguais. O preço calculado é aquele que resulta da análise dos
custos, despesas e margem. Já o preço praticado é o valor que o negócio
realmente cobra do cliente, considerando também mercado, concorrência,
posicionamento e estratégia comercial. O ideal é que o preço praticado nunca
fique abaixo do mínimo saudável.
Se
o preço calculado ficar muito acima do que o mercado aceita, o empreendedor
precisa investigar o motivo. Talvez seus custos estejam altos demais, talvez a
produção esteja pouco eficiente, talvez os fornecedores sejam caros ou talvez o
produto precise comunicar melhor seu valor. Em alguns casos, será necessário
ajustar o preço. Em outros, será preciso melhorar processos, rever compras ou
reposicionar a oferta.
Por
outro lado, se o preço de mercado for maior do que o preço calculado, isso pode
representar uma oportunidade. O empreendedor talvez consiga trabalhar com uma
margem melhor, desde que entregue qualidade e valor compatíveis. Muitos
iniciantes cobram menos do que poderiam porque têm insegurança ou medo de
perder clientes. O cálculo ajuda a evitar tanto o preço baixo demais quanto o
preço sem justificativa.
A
formação de preço também precisa considerar as taxas de pagamento. Quando o
cliente paga no cartão, por exemplo, pode haver taxa da operadora. Se o
empreendedor antecipa recebíveis, pode pagar ainda mais. Em vendas por
plataformas digitais, podem existir comissões e tarifas. Esses valores reduzem
o resultado da venda e precisam entrar no cálculo. Ignorá-los é um erro que
compromete a margem.
O parcelamento também exige atenção. Muitas vezes, o cliente enxerga apenas a facilidade de pagar em várias vezes, mas o empreendedor precisa entender o
custo dessa facilidade. Dependendo da forma de recebimento, o dinheiro pode
demorar a entrar ou sofrer descontos. Se essa condição for oferecida sem
planejamento, o negócio pode ter problemas de caixa, mesmo vendendo bem.
As
despesas com entrega também precisam ser analisadas. Frete grátis, por exemplo,
pode ser uma boa estratégia comercial, mas alguém precisa pagar por ele. Se o
custo da entrega não estiver embutido no preço ou compensado por um valor
mínimo de compra, a margem pode desaparecer. Isso vale para brindes, embalagens
especiais e bônus oferecidos ao cliente. Tudo que é entregue tem algum impacto
no resultado.
Outro
aspecto importante é o tempo de trabalho. Em serviços, principalmente, o tempo
é um dos principais componentes do preço. Um atendimento que dura três horas
não pode ser tratado como outro que dura trinta minutos, mesmo que o material
utilizado seja parecido. O tempo representa disponibilidade, dedicação,
conhecimento e oportunidade. Enquanto o profissional está em um serviço, não
pode atender outro cliente.
Mesmo
em produtos, o tempo também importa. Uma peça artesanal, um bolo decorado, uma
roupa sob medida ou um item personalizado exigem horas de preparo. Se o
empreendedor considera apenas os materiais, desvaloriza a própria mão de obra.
Por isso, ao calcular o preço, é necessário perguntar: quanto tempo eu gasto
para entregar isso? Esse tempo está sendo remunerado de forma justa?
Para
facilitar a organização, o empreendedor pode criar uma rotina simples de
cálculo. Primeiro, identifica o custo direto do produto ou serviço. Depois,
calcula ou estima a parcela das despesas. Em seguida, define a margem de lucro
desejada. Por fim, compara o preço encontrado com o mercado e avalia se o
cliente percebe valor suficiente naquela oferta. Esse processo não elimina
todos os desafios, mas reduz muito os riscos de cobrar de forma aleatória.
A
comparação com a concorrência deve entrar depois do cálculo interno, e não
antes. Quando o empreendedor começa copiando o concorrente, corre o risco de
assumir uma realidade que não é sua. O concorrente pode ter custos menores,
comprar em maior escala, pagar menos aluguel, ter estrutura própria ou aceitar
margens muito apertadas. Observar o mercado é importante, mas conhecer os
próprios números é indispensável.
Também é importante revisar os preços periodicamente. Custos e despesas não ficam parados. O fornecedor aumenta valores, o combustível sobe, a energia muda, a embalagem encarece, as taxas são
importante revisar os preços periodicamente. Custos e despesas não ficam
parados. O fornecedor aumenta valores, o combustível sobe, a energia muda, a
embalagem encarece, as taxas são reajustadas e o negócio passa por novas fases.
Um preço que era bom no início pode deixar de ser suficiente depois de algum
tempo. Revisar preços não é falta de planejamento; é parte do planejamento.
A
revisão também permite perceber quais produtos ou serviços são mais lucrativos.
Às vezes, um item vende muito, mas deixa pouca margem. Outro vende menos, mas
gera melhor resultado. Sem análise, o empreendedor pode concentrar esforços
justamente no que dá menos retorno. Com os números em mãos, consegue decidir
melhor o que divulgar, o que ajustar, o que manter e o que talvez precise sair
do catálogo.
A
formação de preço com despesas e margem de lucro ajuda o empreendedor a sair da
lógica do improviso. Em vez de cobrar com base no medo, na pressa ou no valor
que “parece justo”, ele passa a tomar decisões com mais consciência. Isso não
significa que o preço será perfeito desde o primeiro cálculo. O preço pode ser
ajustado com o tempo, conforme o negócio amadurece, mas precisa partir de uma
base organizada.
Essa
base também dá mais segurança na relação com o cliente. Quando o empreendedor
conhece seus números, consegue negociar melhor e explicar seu valor com mais
firmeza. Ele não precisa abrir seus custos para o cliente, mas precisa saber
internamente por que cobra determinado valor. Essa segurança evita descontos
impulsivos e ajuda a manter uma postura mais profissional.
Formar
preço, portanto, é uma combinação de cálculo e estratégia. O cálculo mostra o
que é necessário para cobrir custos, despesas e lucro. A estratégia mostra como
posicionar esse preço no mercado, como comunicar valor e como adaptar a oferta
ao público. Quando esses dois elementos caminham juntos, o negócio fica mais
preparado para vender de forma saudável.
Nesta
aula, a principal ideia é que o preço de venda precisa ser construído com
responsabilidade. Não basta somar o custo do produto e acrescentar um valor
qualquer. É necessário incluir despesas, planejar a margem de lucro, conhecer o
preço mínimo e avaliar se o preço praticado sustenta o negócio. Quando o
empreendedor aprende essa lógica, deixa de vender apenas para movimentar
dinheiro e passa a vender para gerar resultado.
Ao compreender esse processo, o iniciante começa a perceber que preço não é apenas número. É decisão de gestão. Um preço bem
calculado protege o negócio, valoriza
o trabalho, evita prejuízos escondidos e permite crescimento. Por isso,
calcular o preço com despesas e margem de lucro é um passo essencial para
transformar uma atividade informal ou instável em um empreendimento mais
organizado, profissional e sustentável.
Referências
Bibliográficas
BERNARDI,
Luiz Antonio. Manual de formação de preços: políticas, estratégias e
fundamentos. São Paulo: Atlas.
BRUNI,
Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de custos e formação de preços. São
Paulo: Atlas.
CREPALDI,
Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. São Paulo:
Atlas.
DORNELAS,
José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios.
São Paulo: Empreende.
MARTINS,
Eliseu. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas.
PADOVEZE,
Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação
contábil. São Paulo: Atlas.
SEBRAE.
Formação do preço de venda. Brasília: Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas.
SEBRAE. Como definir preço de venda de produtos e serviços. Brasília: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Aula 3 — Preço de
produtos, serviços e revenda
A
formação de preço não acontece da mesma maneira em todos os tipos de negócio.
Embora a lógica principal seja parecida — conhecer os custos, considerar as
despesas e definir uma margem de lucro — cada atividade possui características
próprias. O preço de um produto fabricado, o preço de um serviço prestado e o
preço de uma mercadoria revendida exigem olhares diferentes. Quando o
empreendedor entende essas diferenças, consegue calcular melhor, evitar
prejuízos e tomar decisões mais adequadas à sua realidade.
Muitas
pessoas iniciantes cometem o erro de usar o mesmo raciocínio para tudo. Pensam
que basta pegar o valor gasto, acrescentar uma porcentagem e pronto. Porém, um
produto feito artesanalmente não tem a mesma estrutura de uma mercadoria
comprada pronta para revenda. Da mesma forma, um serviço não pode ser calculado
apenas pelos materiais utilizados, porque envolve tempo, conhecimento,
deslocamento, experiência e responsabilidade. Cada tipo de venda exige atenção
a elementos específicos.
No caso dos produtos fabricados, o empreendedor precisa observar tudo o que participa da produção. Isso inclui matéria-prima, insumos, embalagens, etiquetas, perdas, energia, água, gás, mão de obra e tempo de preparo. Um produto fabricado passa por etapas até ficar pronto para o cliente. Por isso, o preço não
o empreendedor precisa observar tudo o que
participa da produção. Isso inclui matéria-prima, insumos, embalagens,
etiquetas, perdas, energia, água, gás, mão de obra e tempo de preparo. Um
produto fabricado passa por etapas até ficar pronto para o cliente. Por isso, o
preço não deve considerar apenas o material principal, mas todo o processo
necessário para transformar esse material em algo vendável.
Imagine
uma pessoa que produz sabonetes artesanais. Ela não deve calcular apenas a base
glicerinada e a essência. Também precisa considerar corantes, formas, álcool de
cereais, embalagem, etiqueta, energia, eventuais perdas durante o preparo e o
tempo dedicado à produção. Se ela vende em feiras ou pela internet, ainda pode
ter custos com transporte, taxa da plataforma, divulgação e meios de pagamento.
Cada um desses elementos reduz a margem se não estiver previsto no preço.
Em
produtos alimentícios, esse cuidado é ainda mais importante. Uma salgadeira que
produz coxinhas, empadas ou bolos precisa calcular ingredientes, gás, energia,
água, embalagens, descartáveis, perdas e o tempo de produção. Além disso, deve
considerar que alguns produtos têm rendimento diferente. Uma receita pode
render 20 unidades, outra pode render 35. Se o cálculo não for feito por
receita e por unidade, o preço pode ficar distorcido.
Outro
ponto importante nos produtos fabricados é o desperdício. Nem sempre toda
matéria-prima comprada se transforma em produto vendido. Pode haver perdas no
corte, no preparo, no armazenamento, no transporte ou em testes de qualidade.
Quem trabalha com produção precisa entender que perda também é custo. Se o
empreendedor ignora essas perdas, acaba pagando por elas com o próprio lucro.
O
tempo de trabalho também precisa ser valorizado na fabricação. Um produto
artesanal, personalizado ou feito sob encomenda costuma exigir mais dedicação
do que um produto produzido em grande escala. Criar, montar, finalizar, embalar
e atender o cliente são etapas que ocupam horas. Se o empreendedor considera
apenas os materiais, pode parecer que está lucrando, mas na prática está
deixando de remunerar seu próprio esforço.
Na formação de preço de produtos fabricados, uma boa prática é calcular primeiro o custo total de produção de um lote. Depois, divide-se esse valor pela quantidade de unidades produzidas. Assim, o empreendedor chega ao custo unitário. A partir daí, pode acrescentar a parcela das despesas e a margem de lucro desejada. Esse processo ajuda a evitar preços
de preço de produtos fabricados, uma boa prática é calcular primeiro o
custo total de produção de um lote. Depois, divide-se esse valor pela
quantidade de unidades produzidas. Assim, o empreendedor chega ao custo
unitário. A partir daí, pode acrescentar a parcela das despesas e a margem de
lucro desejada. Esse processo ajuda a evitar preços baseados apenas em
comparação com o concorrente.
Já
nos serviços, a lógica muda um pouco. O serviço muitas vezes não possui
um produto físico como resultado final. O cliente paga por uma solução, uma
experiência, uma orientação, um atendimento ou uma execução técnica. Por isso,
o preço do serviço deve considerar principalmente o tempo, o conhecimento, a
complexidade, a responsabilidade, o deslocamento, os materiais utilizados e a
estrutura necessária para realizar o trabalho.
Um
erro muito comum entre prestadores de serviços é cobrar apenas pelo material
utilizado. Uma manicure pode calcular esmalte, algodão e lixa, mas esquecer o
tempo de atendimento, a higienização dos instrumentos, a experiência
profissional, o aluguel do espaço, a energia e os horários disponíveis na
agenda. Um eletricista pode calcular apenas a peça trocada, mas deixar de
considerar o deslocamento, as ferramentas, o risco, o conhecimento técnico e o
tempo gasto no diagnóstico do problema.
O
serviço precisa remunerar a entrega como um todo. Quando o cliente contrata um
profissional, ele não paga apenas pelo momento visível da execução. Ele paga
também pela experiência acumulada, pela preparação, pelo atendimento, pela
segurança e pela capacidade de resolver um problema. Em muitos casos, aquilo
que parece simples para o cliente só é simples porque o profissional estudou,
praticou e desenvolveu habilidade ao longo do tempo.
O
tempo é um dos elementos centrais no preço de serviços. Se um serviço ocupa
três horas da agenda, ele precisa ser calculado de forma diferente de outro que
ocupa trinta minutos. Enquanto o profissional está dedicado a um atendimento,
ele não pode atender outra pessoa. Portanto, cada hora de trabalho precisa ter
um valor mínimo. Esse raciocínio ajuda o prestador a evitar uma agenda cheia,
mas financeiramente pouco produtiva.
Também é importante considerar o tempo invisível. Em muitos serviços, há atividades antes e depois do atendimento principal. Um designer conversa com o cliente, entende a necessidade, pesquisa referências, cria versões, faz ajustes e entrega arquivos. Um professor particular prepara aula, corrige
atividades
antes e depois do atendimento principal. Um designer conversa com o cliente,
entende a necessidade, pesquisa referências, cria versões, faz ajustes e
entrega arquivos. Um professor particular prepara aula, corrige atividades e
acompanha a evolução do aluno. Um profissional de beleza organiza materiais,
higieniza equipamentos e prepara o ambiente. Tudo isso faz parte do serviço,
mesmo que o cliente veja apenas uma parte.
Outro
fator relevante é a complexidade. Dois serviços podem ter duração parecida, mas
exigirem níveis diferentes de conhecimento, responsabilidade ou risco. Um
procedimento simples não deve necessariamente ter o mesmo preço de outro que
exige mais técnica, atenção e experiência. Quanto maior a complexidade, maior
tende a ser o valor agregado. O preço precisa refletir essa diferença.
Nos
serviços, a percepção de valor do cliente também tem grande influência. Muitas
vezes, o cliente não compra apenas a execução, mas a confiança no profissional.
Pontualidade, clareza na comunicação, cuidado no atendimento, organização,
garantia, personalização e qualidade do resultado aumentam o valor percebido.
Quando o profissional comunica bem esses diferenciais, o preço tende a ser mais
bem compreendido.
Na
revenda, o raciocínio é outro. O empreendedor compra uma mercadoria
pronta de um fornecedor e a revende ao cliente final. Nesse caso, o custo
inicial mais evidente é o valor pago pela mercadoria. Porém, assim como nos
outros modelos, esse não é o único valor que deve entrar no cálculo. Frete,
impostos, taxas, embalagens, armazenamento, comissões, trocas, perdas e
despesas operacionais também precisam ser considerados.
Uma
loja que compra uma peça de roupa por R$ 50,00 não deve calcular o preço apenas
com base nesse valor. Se pagou frete para receber a mercadoria, esse frete faz
parte do custo. Se vende por uma plataforma que cobra comissão, essa taxa reduz
o resultado. Se oferece embalagem personalizada, também há custo. Se algumas
peças ficam paradas no estoque ou precisam entrar em promoção, isso também
afeta a rentabilidade do negócio.
Na revenda, é comum o uso de margem sobre o custo de compra. No entanto, o empreendedor precisa ter cuidado para não aplicar uma porcentagem sem análise. Alguns produtos permitem margem maior, enquanto outros têm concorrência forte e margem menor. Produtos de giro rápido podem compensar margens mais baixas pelo volume de vendas. Produtos exclusivos, diferenciados ou com maior valor percebido podem
permitir margens mais elevadas.
O
giro de estoque é um ponto muito importante na revenda. Um produto parado
representa dinheiro imobilizado. Enquanto a mercadoria está no estoque, o
empreendedor não recupera o valor investido e pode perder oportunidades de
comprar novos itens. Além disso, alguns produtos podem sair de moda, vencer,
deteriorar ou perder valor com o tempo. Por isso, o preço de revenda também
precisa considerar a velocidade com que o produto tende a ser vendido.
Outro
cuidado é não confundir promoção com prejuízo. Em alguns momentos, o lojista
pode fazer descontos para girar estoque parado, atrair clientes ou liberar
espaço para novas mercadorias. Porém, o desconto precisa respeitar o preço
mínimo aceitável. Se o empreendedor não conhece seus custos totais, pode vender
abaixo do necessário e transformar uma promoção em perda financeira.
A
revenda também exige atenção às formas de pagamento. Vendas no cartão,
parcelamentos, antecipação de recebíveis e plataformas digitais podem gerar
taxas. Essas taxas precisam ser consideradas, principalmente quando a margem é
pequena. Um produto vendido com lucro aparente pode perder boa parte do
resultado quando entram as despesas de pagamento e venda.
Mesmo
dentro da revenda, nem todos os produtos devem ter a mesma margem. Uma loja
pode trabalhar com produtos de entrada, que atraem clientes pelo preço, e
produtos com maior margem, que aumentam o resultado. Também pode criar kits,
combos ou ofertas com valor agregado. O importante é que essas decisões sejam
planejadas, e não tomadas apenas por impulso.
Apesar
das diferenças entre produtos fabricados, serviços e revenda, existe um erro
comum a todos: copiar o preço da concorrência sem entender a própria realidade.
Observar o mercado é importante, mas copiar preços pode ser perigoso. Cada
negócio tem custos, despesas, fornecedores, estrutura, qualidade, público e
objetivos diferentes. O preço que funciona para um concorrente pode não
funcionar para outro.
Um
concorrente pode pagar aluguel menor, comprar em maior quantidade, ter equipe
familiar, produzir em escala, negociar melhor com fornecedores ou aceitar
margens muito pequenas. Outro pode cobrar mais porque tem uma marca mais
reconhecida, entrega diferenciada ou atende um público com maior poder de
compra. Sem conhecer esses detalhes, copiar o preço é como dirigir olhando
apenas para o carro ao lado, sem observar o próprio painel.
A análise da concorrência deve servir como referência, não como regra
da concorrência deve servir como referência, não como regra absoluta. O
empreendedor pode observar a faixa de preço praticada no mercado, os
diferenciais oferecidos, a forma de atendimento, as condições de pagamento e a
comunicação utilizada. Depois disso, deve comparar essas informações com seus
próprios custos e seu posicionamento. O preço final precisa fazer sentido para
o mercado, mas também precisa sustentar o negócio.
Outro
ponto importante é entender o valor percebido. Dois negócios podem vender
produtos parecidos, mas cobrar preços diferentes porque entregam experiências
diferentes. Uma camiseta básica vendida sem embalagem, sem marca forte e sem
atendimento diferenciado pode ter um preço. Uma camiseta com tecido melhor,
estampa autoral, embalagem cuidadosa, boa comunicação e entrega rápida pode ter
outro. O cliente não avalia apenas o objeto, mas o conjunto da experiência.
Nos
serviços, essa percepção é ainda mais evidente. Dois profissionais podem
oferecer o mesmo tipo de atendimento, mas um deles pode cobrar mais por ter
mais experiência, oferecer acompanhamento, atender com horário marcado, usar
materiais melhores ou transmitir mais confiança. O preço precisa conversar com
a entrega. Quando há coerência entre valor cobrado e valor percebido, o cliente
tende a compreender melhor o investimento.
Para
iniciantes, uma boa forma de evitar erros é separar claramente o tipo de
atividade antes de calcular o preço. O que está sendo vendido é um produto
fabricado? É um serviço? É uma mercadoria revendida? Essa pergunta muda o foco
do cálculo. No produto fabricado, o cuidado está no processo de produção. No
serviço, o foco está no tempo, conhecimento e complexidade. Na revenda, a
atenção está no custo de aquisição, no giro e nas condições comerciais.
Também
é possível que um mesmo negócio tenha mais de um tipo de formação de preço. Uma
confeitaria, por exemplo, pode fabricar bolos, prestar serviço de montagem de
mesa para eventos e revender alguns itens decorativos. Cada atividade precisa
de cálculo próprio. Tratar tudo da mesma forma pode esconder custos e reduzir a
margem.
O empreendedor deve entender que preço não é apenas resultado de conta, mas também de estratégia. Depois de calcular o mínimo necessário, ele precisa decidir como quer se posicionar. Quer ser conhecido pelo preço acessível? Pela qualidade? Pela personalização? Pela rapidez? Pela exclusividade? Cada caminho exige decisões diferentes. Um preço baixo exige controle rigoroso de
custos e
volume de vendas. Um preço mais alto exige diferenciação clara e comunicação de
valor.
A
formação de preço também precisa ser revisada com frequência. Um produto
fabricado pode ter aumento na matéria-prima. Um serviço pode exigir mais tempo
do que o previsto. Uma mercadoria de revenda pode ter reajuste do fornecedor ou
aumento no frete. Se o empreendedor não acompanha essas mudanças, pode
continuar vendendo com preços antigos e margens cada vez menores.
Essa
revisão não deve ser vista como algo negativo. Ela faz parte da gestão. Revisar
preços é cuidar do negócio. É verificar se aquilo que está sendo cobrado ainda
cobre custos, despesas e lucro. É também uma oportunidade para melhorar
processos, ajustar produtos, criar novas ofertas e abandonar aquilo que não
traz resultado.
Um
ponto que merece destaque é a importância do registro. Para saber se o preço
está correto, é preciso anotar custos, vendas, despesas, descontos e
resultados. Sem registro, o empreendedor depende da memória e da sensação. E
sensação nem sempre mostra a verdade. Às vezes, um produto parece lucrativo
porque vende muito, mas deixa pouca margem. Outro parece menos importante
porque vende menos, mas contribui melhor para o lucro.
Com
registros simples, o empreendedor consegue tomar decisões mais inteligentes.
Pode descobrir quais produtos merecem mais divulgação, quais serviços precisam
de reajuste, quais mercadorias estão paradas, quais fornecedores são mais
vantajosos e quais descontos prejudicam o resultado. A formação de preço deixa
de ser um chute e passa a ser uma prática de gestão.
É
importante lembrar que o preço também influencia a imagem do negócio. Um preço
muito baixo pode atrair clientes, mas também pode gerar desconfiança ou
desvalorizar a entrega. Um preço muito alto, sem justificativa percebida, pode
afastar consumidores. Por isso, o equilíbrio é fundamental. O preço precisa ser
coerente com a qualidade, com o público, com a proposta do negócio e com os
resultados financeiros esperados.
No
início, é natural que o empreendedor tenha insegurança. Cobrar corretamente
exige confiança. Muitos têm medo de perder clientes, parecer caros ou não
conseguir competir. Porém, cobrar sem considerar a realidade do negócio é ainda
mais perigoso. Um cliente que só compra quando o preço está abaixo do
sustentável pode não ser o cliente ideal para aquela atividade. O negócio
precisa de clientes, mas também precisa de saúde financeira.
Formar preços para produtos, serviços e
revenda é aprender a respeitar as diferenças
entre cada tipo de entrega. O produto fabricado carrega matéria-prima, processo
e tempo. O serviço carrega conhecimento, dedicação e responsabilidade. A
revenda carrega compra, estoque, giro e estratégia comercial. Em todos os
casos, o preço precisa ser calculado com consciência e praticado com
profissionalismo.
Nesta aula, a principal ideia é que não existe uma única forma automática de precificar tudo. Cada atividade exige um olhar próprio. Quando o empreendedor entende o que está vendendo e quais elementos compõem sua entrega, passa a formar preços mais justos, mais sustentáveis e mais coerentes. Isso fortalece o negócio, valoriza o trabalho e aumenta as chances de crescimento no longo prazo.
Referências
Bibliográficas
BERNARDI,
Luiz Antonio. Manual de formação de preços: políticas, estratégias e
fundamentos. São Paulo: Atlas.
BRUNI,
Adriano Leal; FAMÁ, Rubens. Gestão de custos e formação de preços. São
Paulo: Atlas.
CREPALDI,
Silvio Aparecido. Curso básico de contabilidade de custos. São Paulo:
Atlas.
DORNELAS,
José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando ideias em negócios.
São Paulo: Empreende.
MARTINS,
Eliseu. Contabilidade de custos. São Paulo: Atlas.
PADOVEZE,
Clóvis Luís. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação
contábil. São Paulo: Atlas.
SEBRAE.
Formação do preço de venda. Brasília: Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas.
SEBRAE.
Como definir preço de venda de produtos e serviços. Brasília: Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Estudo de Caso — A Loja
de Camisetas da Rafaela: quando vender bastante não significa precificar bem
Rafaela
sempre gostou de moda, estampas criativas e atendimento ao público. Depois de
fazer alguns cursos rápidos de personalização, decidiu abrir uma pequena loja
online de camisetas estampadas. No início, ela trabalhava em casa, comprava
camisetas lisas de um fornecedor, criava as artes, fazia as estampas, embalava
os pedidos e enviava pelos Correios ou por motoboy, dependendo da região.
Como
estava começando, Rafaela queria chamar atenção rapidamente. Pesquisou algumas
lojas parecidas na internet e percebeu que muitas vendiam camisetas
personalizadas entre R$ 49,90 e R$ 69,90. Sem fazer muitos cálculos, decidiu
cobrar R$ 45,00 por unidade. Pensou que, por ser mais barata, conseguiria
vender mais e conquistar clientes com facilidade.
A estratégia funcionou nos primeiros meses. As camisetas
começaram a circular nas
redes sociais, os clientes elogiavam as estampas e as encomendas aumentaram. Em
algumas semanas, Rafaela passou a vender mais de 100 camisetas por mês. Para
quem olhava de fora, o negócio parecia um sucesso. Ela tinha pedidos,
seguidores, elogios e movimento constante.
Mas
havia um problema: o dinheiro não sobrava.
Sempre
que terminava o mês, Rafaela percebia que precisava usar quase tudo o que
recebia para comprar novas camisetas lisas, repor material de estampa, pagar
embalagens, cobrir taxas da plataforma de venda, pagar anúncios e arcar com
fretes que, em muitos casos, ela oferecia como “cortesia” para agradar os
clientes. A loja vendia bem, mas o caixa vivia apertado.
Certo
dia, depois de receber um pedido grande de 40 camisetas para uma equipe de
corrida, Rafaela decidiu oferecer desconto para fechar a venda. O cliente pediu
cada camiseta por R$ 38,00. Ela aceitou, animada com o volume do pedido. Quando
terminou a produção, percebeu que trabalhou vários dias, gastou muito material,
teve algumas peças com erro de estampa e ainda precisou pagar parte do frete.
Ao fazer as contas, descobriu que quase não ganhou nada.
Foi
nesse momento que ela percebeu que precisava entender melhor a formação do
preço.
O
primeiro erro de Rafaela foi não levantar todos os custos do produto.
Ela considerava apenas o valor da camiseta lisa e do material principal da
estampa. Porém, esquecia outros itens importantes, como papel de proteção,
tinta, energia da prensa, desgaste dos equipamentos, embalagem, etiqueta, fita
adesiva, sacola, taxa da plataforma e possíveis perdas durante a produção.
Cada
camiseta parecia simples de calcular, mas havia vários pequenos custos
escondidos. Uma peça com erro de estampa, por exemplo, não podia ser vendida
pelo preço normal. Mesmo assim, o prejuízo daquele erro precisava ser absorvido
pelo negócio. Quando essas perdas não entram no cálculo, elas reduzem
diretamente o lucro.
Para
evitar esse erro, Rafaela passou a montar uma ficha simples de custo por
produto. Em cada modelo de camiseta, ela anotava o valor da peça lisa, os
materiais usados na estampa, a embalagem, a taxa média da venda, o custo
estimado de energia e uma pequena margem para perdas. Assim, deixou de
trabalhar com achismos e começou a conhecer o custo real de cada unidade.
O segundo erro foi não considerar corretamente as despesas do negócio. Rafaela acreditava que, por trabalhar em casa, quase não tinha despesas. Mas, ao observar melhor,
percebeu que usava internet para atender clientes, energia
elétrica para produzir, celular para responder mensagens, programas de edição,
anúncios pagos, plataforma de venda, transporte para comprar materiais e uma
parte do espaço da casa para armazenar estoque.
Essas
despesas não pertenciam a uma única camiseta, mas precisavam ser pagas com o
dinheiro das vendas. Quando ela não incluía uma parcela dessas despesas no
preço, o negócio parecia lucrativo em cada unidade, mas ficava fraco no
resultado mensal.
Para
evitar esse problema, Rafaela calculou quanto gastava por mês para manter a
loja funcionando. Depois, estimou uma média de vendas mensais. A partir disso,
passou a entender quanto cada camiseta precisava contribuir para pagar as
despesas gerais. Mesmo que o valor por unidade não fosse alto, ele precisava
existir dentro do cálculo.
O
terceiro erro foi não valorizar o próprio tempo de trabalho. Rafaela
fazia tudo sozinha: criava as artes, respondia clientes, fazia alterações nos
desenhos, produzia as camisetas, fotografava os produtos, postava nas redes
sociais, embalava e enviava os pedidos. Ainda assim, não colocava seu tempo no
preço. Ela pensava apenas nos materiais.
Com
o tempo, percebeu que algumas camisetas personalizadas exigiam muito mais
trabalho do que outras. Um pedido com arte pronta era rápido. Já um pedido com
criação exclusiva podia exigir conversa com o cliente, pesquisa de referências,
montagem da arte, aprovação, ajustes e só depois a produção. Mesmo assim, ela
cobrava quase o mesmo valor.
Para
evitar esse erro, Rafaela começou a separar os produtos em categorias.
Camisetas com estampas já prontas tinham um preço. Camisetas com personalização
simples tinham outro. Peças com criação exclusiva passaram a ter taxa adicional
de arte. Essa mudança ajudou a remunerar melhor o tempo envolvido em cada
entrega.
O
quarto erro foi copiar preços da concorrência sem conhecer a própria
realidade. Ao cobrar menos que outras lojas, Rafaela imaginava que estava
sendo competitiva. Porém, ela não sabia quais eram os custos dessas empresas.
Algumas compravam camisetas em grande quantidade e pagavam mais barato. Outras
tinham máquinas mais rápidas, equipe de produção ou contratos melhores com
fornecedores. Havia ainda lojas que cobravam frete separado, enquanto Rafaela
muitas vezes absorvia esse custo.
Ela percebeu que olhar a concorrência era importante, mas não suficiente. O preço do concorrente poderia servir como referência de mercado, não
como referência de mercado, não como regra
absoluta. O preço dela precisava partir primeiro da sua própria estrutura de
custos, despesas, tempo de trabalho e margem de lucro.
Para
evitar esse erro, Rafaela passou a fazer duas análises. Primeiro, calculava o
preço mínimo saudável com base nos próprios números. Depois, comparava esse
valor com a faixa praticada no mercado. Quando seu preço ficava muito acima,
ela investigava se havia custos excessivos ou se precisava comunicar melhor
seus diferenciais. Quando ficava abaixo, avaliava se poderia melhorar sua
margem sem perder competitividade.
O
quinto erro foi dar descontos sem conhecer o preço mínimo aceitável. No
pedido das 40 camisetas, Rafaela aceitou o valor proposto pelo cliente porque
ficou animada com o volume da venda. Mas ela não sabia exatamente até onde
poderia reduzir o preço sem prejudicar o negócio. O desconto foi decidido pela
emoção, não pelo cálculo.
Depois
dessa experiência, ela criou uma regra: nenhum desconto seria oferecido antes
de verificar o custo total do pedido. Também passou a definir limites
diferentes para compras pequenas e compras em quantidade. Em pedidos maiores,
ela até conseguia reduzir um pouco o valor unitário, porque havia economia de
tempo e produção em escala. Mas o desconto passou a respeitar a margem mínima
necessária.
O
sexto erro foi não diferenciar produto fabricado, serviço e revenda. A
loja de Rafaela tinha três tipos de venda. Ela fabricava camisetas estampadas,
revendia alguns acessórios prontos e também prestava serviço de criação de arte
personalizada. No começo, tratava tudo como se fosse a mesma coisa.
Com
o tempo, percebeu que cada atividade exigia um cálculo diferente. Nas camisetas
fabricadas, precisava considerar material, processo de produção, perdas e
tempo. Nos acessórios revendidos, o foco era o custo de compra, frete, estoque
e margem de revenda. Na criação de arte, o principal era o tempo, a
criatividade e a complexidade do serviço.
Para
evitar confusão, Rafaela passou a organizar cada tipo de venda separadamente.
Isso ajudou a entender quais produtos davam mais retorno, quais serviços
precisavam de reajuste e quais itens de revenda não compensavam manter no
catálogo.
Depois de corrigir esses pontos, Rafaela fez mudanças importantes. Recalculou seus preços, criou uma tabela mais clara, separou os modelos por nível de personalização, passou a cobrar frete de forma mais adequada e definiu regras para descontos em pedidos maiores. Também
melhorou a comunicação com os
clientes, explicando que o valor incluía não apenas a camiseta, mas também
criação, personalização, qualidade da estampa, embalagem cuidadosa e
atendimento individualizado.
No
início, ela teve receio de perder clientes. Alguns realmente acharam o novo
preço mais alto. Porém, muitos continuaram comprando porque gostavam do
atendimento, da criatividade e da qualidade das peças. Rafaela também percebeu
que, ao cobrar corretamente, podia trabalhar com mais calma, entregar melhor e
evitar aquela sensação constante de esforço sem retorno.
Com o tempo, a loja ficou mais organizada. Ela passou a acompanhar os custos mensalmente, revisar os preços quando os fornecedores aumentavam valores e analisar quais produtos tinham melhor margem. Em vez de vender qualquer coisa por qualquer preço, começou a tomar decisões com mais segurança.
Erros
comuns apresentados no caso
O
primeiro erro foi calcular o preço considerando apenas os materiais principais.
Para evitar isso, é necessário levantar todos os custos do produto ou serviço,
incluindo itens pequenos, perdas, embalagens, taxas e tempo de produção.
O
segundo erro foi ignorar as despesas gerais do negócio. Para evitar esse
problema, o empreendedor deve identificar quanto gasta mensalmente para manter
a atividade funcionando e distribuir uma parte dessas despesas no preço de
venda.
O
terceiro erro foi não considerar o tempo de trabalho. Para evitar essa falha, é
importante reconhecer que atendimento, produção, preparação, deslocamento,
criação, ajustes e organização também fazem parte da entrega.
O
quarto erro foi copiar preços da concorrência sem analisar os próprios números.
Para evitar isso, o empreendedor deve usar o mercado como referência, mas
formar seu preço com base na própria realidade.
O
quinto erro foi conceder descontos sem saber o limite mínimo aceitável. Para
evitar prejuízos, todo desconto deve respeitar os custos, as despesas e a
margem mínima necessária.
O
sexto erro foi tratar produto fabricado, serviço e revenda da mesma forma. Para
evitar distorções, cada tipo de venda deve ter um cálculo próprio, considerando
suas características específicas.
Como
evitar esses erros na prática
Para
evitar erros na formação do preço, o empreendedor deve começar registrando
todos os custos envolvidos na entrega. Nada deve ser considerado pequeno demais
para ser anotado, pois os pequenos valores se repetem e influenciam o resultado
final.
Depois, é preciso observar as despesas
do negócio. Mesmo negócios pequenos, feitos em
casa ou pela internet, possuem gastos de funcionamento. Internet, energia,
transporte, taxas, divulgação, sistemas e ferramentas precisam ser pagos com o
dinheiro das vendas.
Também
é fundamental definir uma margem de lucro. O lucro não deve ser tratado como
sobra, mas como parte planejada do preço. É ele que permite ao negócio crescer,
melhorar, formar reserva e remunerar o esforço do empreendedor.
Outro
cuidado importante é conhecer o preço mínimo aceitável. Esse valor mostra até
onde o empreendedor pode negociar sem prejudicar o negócio. Com essa
informação, descontos deixam de ser decisões impulsivas e passam a fazer parte
de uma estratégia.
Por
fim, o empreendedor deve revisar os preços periodicamente. Custos mudam,
despesas aumentam, fornecedores reajustam valores e o mercado se transforma. Um
preço que funcionava no início pode deixar de ser suficiente depois de algum
tempo.
O caso de Rafaela mostra que vender bem não significa, necessariamente, ganhar bem. A formação de preço exige atenção, organização e consciência. Quando o empreendedor conhece seus custos, entende suas despesas e valoriza sua margem de lucro, ele deixa de trabalhar no escuro e passa a construir um negócio mais saudável, profissional e sustentável.
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