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Conceitos de Podologia e Manicure

CONCEITOS DE PODOLOGIA E MANICURE

 

MÓDULO 3 — Técnicas básicas de manicure, pedicure e conceitos podológicos

Aula 7 — Técnicas básicas de manicure

 

A manicure é uma prática de cuidado e embelezamento das unhas das mãos, mas deve ser entendida como um procedimento que exige técnica, higiene e atenção aos limites da pele. Para o iniciante, o mais importante não é fazer tudo rápido, nem retirar o máximo de cutícula, mas aprender uma sequência segura, delicada e organizada. Uma unha bonita não deve ser resultado de dor, sangramento ou agressão.

O atendimento começa antes do alicate. O profissional deve observar as mãos, perguntar se há alergias, dor, feridas, sensibilidade, sangramento recente ou histórico de inflamações ao redor das unhas. Essa conversa inicial evita riscos e mostra respeito pelo cliente. Se houver vermelhidão intensa, pus, dor forte, ferida aberta ou suspeita de infecção, o procedimento deve ser adiado ou adaptado, com orientação para avaliação profissional.

A bancada precisa estar limpa, organizada e com materiais separados. Alicates, espátulas e tesouras devem estar esterilizados; lixas, palitos e algodões devem ser de uso individual ou descartável. A Anvisa orienta atenção à higiene em salões de beleza e destaca a importância da esterilização de materiais como alicates, tesouras, navalhas e lâminas. Também informa que a autoclave é mais eficiente que a estufa por utilizar vapor sob pressão.

A primeira etapa prática costuma ser a remoção do esmalte antigo. O ideal é usar removedor apropriado, algodão limpo e movimentos suaves, sem esfregar com força. Esse momento também serve para observar melhor a unha natural: cor, espessura, manchas, descolamentos, ondulações ou áreas doloridas. Se a unha estiver muito alterada, o profissional não deve tentar “disfarçar” o problema com esmalte escuro ou lixamento agressivo.

Depois vem o corte, quando necessário. Nem toda unha precisa ser cortada; às vezes, apenas o lixamento já é suficiente. O corte deve respeitar o comprimento desejado pelo cliente, mas também a segurança da lâmina ungueal. Cortar demais pode deixar a ponta dos dedos sensível e favorecer pequenas lesões. Em unhas frágeis, quebradiças ou muito curtas, é melhor evitar cortes profundos e apenas corrigir irregularidades.

O lixamento define o formato e melhora o acabamento. Os formatos mais comuns são quadrado, arredondado, oval e amendoado. Para iniciantes, o ideal é começar com formatos simples, respeitando o crescimento

natural da unha e o tamanho da lâmina. O movimento deve ser leve, sem “serrar” a unha com força. Lixar demais as laterais pode enfraquecer a estrutura e facilitar quebras.

A cutícula exige cuidado especial. Ela não é sujeira, mas uma proteção natural da região da unha. O CDC orienta não cortar cutículas, pois elas funcionam como barreiras contra infecções, além de recomendar que instrumentos compartilhados em salões sejam esterilizados antes do uso em outra pessoa. A Sociedade Brasileira de Dermatologia também explica que a cutícula forma uma espécie de selo protetor e não deve ser removida de maneira agressiva.

Na prática profissional, isso significa que o cuidado com a cutícula deve ser delicado. Pode-se aplicar produto amolecedor adequado, aguardar o tempo indicado, empurrar suavemente com espátula limpa e remover apenas peles soltas, sem aprofundar. Se houver dor, vermelhidão, sangramento ou pele muito fina, o correto é parar. A paroníquia, inflamação ao redor da unha, pode começar pela perda da cutícula, por trauma ou por irritação da região.

Após preparar a unha, é importante remover resíduos de creme, pó ou oleosidade da lâmina, pois isso ajuda na fixação do esmalte. A esmaltação deve ser feita em camadas finas, respeitando o tempo entre as aplicações. Uma base adequada protege a unha e melhora o acabamento. Em seguida, aplica-se o esmalte escolhido e, se necessário, uma cobertura final para brilho e proteção.

O acabamento deve ser limpo, mas sem machucar. O palito usado para limpar os cantos não deve ser pressionado com força contra a pele. A intenção é retirar o excesso de esmalte, não raspar a prega ungueal. Pequenas agressões repetidas nos cantos das unhas podem causar ardência, vermelhidão e desconforto depois do atendimento.

Também é importante usar cosméticos regularizados, dentro do prazo de validade e armazenados corretamente. A Anvisa mantém ações de cosmetovigilância para proteger a saúde dos consumidores de cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes, especialmente grupos mais vulneráveis, como crianças, gestantes e idosos. Por isso, produtos vencidos, sem rótulo, alterados ou de origem duvidosa não devem ser usados.

Durante a manicure, o profissional deve observar a reação do cliente. Ardência, coceira, vermelhidão, dor ou inchaço não devem ser ignorados. Se surgir desconforto, é necessário interromper, limpar a região e avaliar se o atendimento pode continuar. O cliente precisa se sentir seguro para dizer que algo está

incomodando, e o profissional precisa estar disposto a ajustar a técnica.

Um erro comum entre iniciantes é acreditar que uma boa manicure é aquela em que a cutícula fica “funda” e a unha extremamente polida. Na verdade, o bom resultado é aquele que une aparência agradável, pele íntegra e cliente confortável. Outro erro é reaproveitar lixas ou palitos para economizar material. Como esses itens entram em contato direto com pele, unha e resíduos, devem ser tratados como materiais de uso individual.

Imagine uma cliente que chega com as cutículas ressecadas e pede para retirar tudo. Ao observar, o profissional percebe pequenas fissuras e vermelhidão. A conduta segura não é insistir no alicate, mas hidratar, empurrar suavemente e remover apenas o que estiver solto. Ao final, a cliente pode receber orientação para hidratar as mãos em casa e evitar cutucar a região.

Em outro caso, uma cliente apresenta unhas muito fracas e descamando. Ela pede lixamento intenso para “nivelar”. O profissional deve evitar desgaste excessivo, pois isso pode deixar a lâmina ainda mais fina. O melhor é reduzir o comprimento com cuidado, lixar suavemente, usar base adequada e orientar uma pausa em procedimentos agressivos, se necessário.

Assim, a técnica básica de manicure deve seguir uma lógica simples: avaliar, higienizar, preparar, cortar apenas quando necessário, lixar com delicadeza, cuidar da cutícula sem agressão, esmaltar com camadas finas e finalizar sem machucar. A beleza aparece como consequência de um processo seguro.

A manicure iniciante precisa desenvolver mãos leves e olhar atento. O alicate, a lixa e o esmalte são ferramentas importantes, mas a principal ferramenta é o julgamento profissional. Saber quando fazer, quando reduzir a intervenção e quando encaminhar é o que transforma um atendimento comum em um cuidado responsável.

Referências bibliográficas

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. O que observar no salão de beleza. Brasília: Anvisa.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Serviços de embelezamento: perguntas e respostas. Brasília: Anvisa, 2021.

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Cosmetovigilância. Brasília: Anvisa.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Healthy Habits: Nail Hygiene. Atlanta: CDC, 2024.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Paroníquia. Rio de Janeiro: SBD.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Conheça suas unhas. Rio de Janeiro: SBD.


Aula 8 — Técnicas básicas de pedicure e cuidados com os pés

 

A pedicure é uma

pedicure é uma prática de cuidado, higiene e embelezamento dos pés, mas exige mais atenção do que muitas pessoas imaginam. Os pés sustentam o peso do corpo, ficam muitas horas dentro de calçados, sofrem atrito, pressão, calor e umidade. Por isso, antes de cortar, lixar ou esmaltar, o profissional precisa observar se há dor, feridas, fissuras, inchaço, vermelhidão, mau cheiro intenso, unhas muito grossas, alteração de cor ou sinais de inflamação.

O atendimento deve começar com uma conversa simples. Perguntar se o cliente sente dor, se tem diabetes, se possui alergias, se já teve unha encravada, micose, feridas ou dificuldade de cicatrização ajuda a definir se o procedimento pode ser feito com segurança. No caso de pessoas com diabetes, o cuidado precisa ser redobrado, pois o Ministério da Saúde destaca a importância da prevenção, da avaliação periódica dos pés e da identificação precoce de alterações.

A higienização dos pés é uma etapa essencial. Os pés devem ser limpos com cuidado e bem secos, principalmente entre os dedos. Essa região costuma acumular umidade, o que favorece maceração da pele, mau odor e desconfortos. Após a limpeza, o profissional deve observar calcanhares, planta dos pés, laterais, dedos, unhas e espaços interdigitais. O olhar atento evita que uma lesão seja confundida com simples ressecamento.

O corte das unhas dos pés deve ser feito com cautela. O ideal é evitar cortes muito curtos e cantos profundos, pois isso pode favorecer dor e encravamento. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde orienta, especialmente para pessoas com diabetes, que as unhas sejam lavadas e secas antes do corte, que se use instrumento apropriado e que o corte seja mais quadrado, com laterais levemente arredondadas, sem retirada de cutícula.

A unha encravada, ou onicocriptose, merece atenção especial. Ela ocorre quando a borda da unha comprime ou penetra a pele ao redor, provocando dor. Quando há vermelhidão, inchaço, secreção, sangramento ou dor intensa, o profissional iniciante não deve tentar “desencravar” com alicate ou espátula. O Manual MSD descreve a onicocriptose como curvamento ou compressão da borda da unha sobre o sulco ungueal, causando dor.

O lixamento das unhas deve apenas ajustar o formato e retirar pontas que possam prender na meia ou no calçado. Lixar demais as laterais enfraquece a unha e pode causar desconforto. Nos pés, o acabamento precisa priorizar segurança, não apenas estética. Unhas muito arredondadas nos cantos,

muito arredondadas nos cantos, muito curtas ou cortadas de forma irregular podem gerar problemas futuros.

A cutícula dos pés também não deve ser retirada de maneira agressiva. Ela tem função protetora, assim como nas mãos. O erro comum é pensar que o pé só fica “bem-feito” quando se remove muita pele ao redor das unhas. Na verdade, retirar demais pode causar pequenos ferimentos, ardência e inflamações. O correto é amolecer, empurrar suavemente e remover apenas peles soltas, sem aprofundar.

As calosidades exigem ainda mais cuidado. Calos costumam aparecer em áreas de pressão e atrito, como planta dos pés, laterais dos dedos e calcanhares. O iniciante pode orientar hidratação e observar o tipo de calçado usado pelo cliente, mas não deve cortar calos com lâmina, bisturi ou instrumentos improvisados. Em pessoas com diabetes, a orientação da Biblioteca Virtual em Saúde é ainda mais rigorosa: não cortar calos nem usar lixas sem orientação adequada.

O uso da lixa nos pés deve ser leve e cuidadoso. Em casos de ressecamento superficial, pode ajudar no acabamento, desde que não agrida a pele. Porém, fissuras profundas, rachaduras doloridas, sangramento, feridas ou pele muito fina são sinais de que o procedimento deve ser evitado naquela área. O excesso de lixamento pode piorar a sensibilidade e abrir portas para infecções.

A hidratação é uma das melhores formas de cuidado básico com os pés. Cremes adequados ajudam a melhorar o ressecamento e a sensação de conforto, principalmente em calcanhares e regiões mais ásperas. No entanto, não se deve deixar excesso de creme entre os dedos, porque a umidade acumulada favorece problemas na pele. O ideal é hidratar bem a planta e o dorso dos pés, mantendo os espaços entre os dedos secos.

Unhas amareladas, grossas, quebradiças, esbranquiçadas ou descoladas precisam ser observadas com cautela. Essas alterações podem sugerir micose de unha, mas o profissional iniciante não deve diagnosticar nem indicar medicamentos. O Manual MSD explica que a onicomicose é uma infecção fúngica da lâmina, do leito ungueal ou de ambos, geralmente associada a espessamento, coloração amarelada e acúmulo de resíduos sob a unha.

A pedicure segura também depende da biossegurança. Alicates, espátulas e tesouras devem estar esterilizados; lixas, palitos, algodões e separadores devem ser descartáveis ou de uso individual. A Anvisa orienta verificar a esterilização de materiais como alicates, tesouras, navalhas e lâminas, destacando que a autoclave é

pedicure segura também depende da biossegurança. Alicates, espátulas e tesouras devem estar esterilizados; lixas, palitos, algodões e separadores devem ser descartáveis ou de uso individual. A Anvisa orienta verificar a esterilização de materiais como alicates, tesouras, navalhas e lâminas, destacando que a autoclave é mais eficiente que a estufa por utilizar vapor sob pressão.

Durante a esmaltação, o profissional deve usar produtos em bom estado, dentro da validade e adequados ao uso. A aplicação deve ser feita em camadas finas, com cuidado para não pressionar o palito contra a pele. O acabamento deve limpar o excesso de esmalte, não machucar as laterais das unhas. Se houver ardência, dor ou sangramento, o procedimento deve ser interrompido.

Um erro comum na pedicure é tentar resolver todos os problemas no mesmo atendimento. Cliente com unha dolorida, calo profundo, fissura no calcanhar ou suspeita de micose não deve receber manipulação agressiva. O mais seguro é explicar a situação, limitar o procedimento ao que pode ser feito sem risco e orientar avaliação com podólogo habilitado, dermatologista ou serviço de saúde.

Imagine uma cliente que chega com os pés ressecados e pede para “lixar bastante até ficar lisinho”. Ao observar, o profissional percebe fissuras profundas no calcanhar. A conduta correta não é insistir na lixa, mas higienizar, hidratar suavemente, evitar agressão e orientar cuidado especializado se houver dor, sangramento ou piora.

Em outro exemplo, um cliente relata diabetes e apresenta calo dolorido na planta do pé. Ele pede para retirar “só um pouco”. Nesse caso, o profissional iniciante deve recusar a remoção agressiva, não usar lâminas e orientar avaliação especializada. A segurança vem antes do acabamento.

Assim, a técnica básica de pedicure deve seguir uma sequência simples: conversar, observar, higienizar, secar bem, cortar com cuidado, lixar suavemente, cuidar das cutículas sem agressão, hidratar corretamente e esmaltar apenas quando houver segurança. O bom resultado não é apenas um pé bonito, mas um atendimento confortável, limpo e responsável.

A pedicure iniciante precisa desenvolver delicadeza e julgamento profissional. Saber o que fazer é importante, mas saber o que evitar é indispensável. Um atendimento seguro respeita os limites da pele, das unhas e da saúde do cliente.

Referências bibliográficas

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. O que observar no salão de beleza. Brasília: Anvisa.

BRASIL. Ministério da

Saúde. Manual do Pé Diabético: estratégias para o cuidado com a doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Pé diabético. Brasília: Ministério da Saúde.

MANUAL MSD. Onicocriptose. Versão Profissional.

MANUAL MSD. Onicomicose. Versão Profissional.


Aula 9 — Noções de podologia preventiva e encaminhamento profissional

 

A podologia preventiva começa com uma atitude simples: olhar os pés antes de tocar neles. Em manicure e pedicure, é comum o cliente chegar pedindo corte, lixamento, esmaltação ou retirada de pele, mas nem sempre o que parece apenas estética pode ser tratado dessa forma. Os pés carregam o peso do corpo, sofrem pressão dos calçados, acumulam umidade e podem revelar sinais de alterações que precisam de atenção.

Para o iniciante, o objetivo não é diagnosticar doenças nem realizar procedimentos invasivos. A principal competência é reconhecer situações seguras, identificar sinais de alerta e saber encaminhar quando o caso ultrapassa o atendimento estético. A Anvisa orienta que serviços de embelezamento observem cuidados sanitários, higiene, organização e esterilização adequada de instrumentos, justamente porque essas práticas podem interferir na saúde das pessoas atendidas.

A prevenção começa na conversa. Antes de iniciar o atendimento, o profissional deve perguntar se o cliente sente dor, se tem diabetes, se já teve unha encravada, micose, alergias, feridas, sangramentos recentes, perda de sensibilidade ou dificuldade de cicatrização. Essas perguntas não devem ser feitas de forma fria ou constrangedora, mas como parte natural do cuidado. Uma ficha simples ajuda a registrar essas informações e torna o atendimento mais seguro.

Depois vem a observação. O profissional deve olhar unhas, dedos, planta dos pés, calcanhares, laterais e espaços entre os dedos. Pele íntegra, sem dor, sem feridas e sem inflamação geralmente permite um atendimento básico. Já vermelhidão intensa, inchaço, secreção, sangramento, fissuras profundas, bolhas, escurecimento, mau cheiro forte, dor ao toque ou unhas muito alteradas exigem cautela. Quando há dúvida, o caminho mais seguro é não manipular a região e orientar avaliação especializada.

A unha encravada é uma das situações mais comuns no atendimento aos pés. Ela ocorre quando a borda da unha comprime ou penetra a pele ao redor, causando dor. O Manual MSD descreve a onicocriptose como o curvamento ou a compressão da borda da unha sobre o sulco

ungueal, provocando dor local. Para o iniciante, isso significa que não se deve “cavar” profundamente o canto da unha, principalmente quando há vermelhidão, inchaço, secreção ou sangramento.

Nesse tipo de caso, o erro mais frequente é tentar resolver tudo com o alicate. O cliente costuma pedir: “corta bem fundo que melhora”. Mas o corte profundo pode aumentar a lesão e piorar a inflamação. A conduta preventiva é explicar que aquele sinal precisa de avaliação apropriada, evitar manipulação agressiva e encaminhar para podólogo habilitado, dermatologista ou serviço de saúde.

Outra alteração que exige cuidado é a suspeita de micose de unha, conhecida como onicomicose. Unhas amareladas, grossas, quebradiças, esbranquiçadas, opacas ou descoladas podem indicar alteração fúngica, embora o diagnóstico dependa de avaliação adequada. A Sociedade Brasileira de Dermatologia explica que a onicomicose é uma infecção causada por fungos que atingem as unhas e pode provocar mudança de cor, espessamento e fragilidade. O profissional iniciante não deve afirmar que é micose, indicar medicamento ou prometer cura.

Nesses casos, o atendimento deve ser conservador. É possível higienizar com cuidado e orientar o cliente, mas não se deve fazer lixamento agressivo para “afinar” a unha, nem cobrir a alteração apenas com esmalte escuro. Além de não resolver a causa, esse tipo de conduta pode mascarar o problema e atrasar a procura por atendimento adequado.

A cutícula também deve ser respeitada. Ela funciona como uma barreira de proteção entre a pele e a unha. O CDC recomenda não cortar cutículas, pois elas ajudam a prevenir infecções; também orienta limpar instrumentos antes do uso e esterilizar ferramentas compartilhadas em ambientes comerciais. A retirada excessiva pode abrir pequenas portas de entrada para microrganismos e favorecer inflamações.

A paroníquia é um exemplo importante. Ela é uma inflamação da pele ao redor da unha e pode ter relação com perda da cutícula, trauma ou manipulação inadequada. A Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve a paroníquia como processo inflamatório ao redor da unha, frequentemente iniciado pela perda da cutícula. Por isso, pele vermelha, dolorida, inchada ou com pus não deve ser manipulada como se fosse apenas “excesso de cutícula”.

O cuidado preventivo também envolve a pele dos pés. Calosidades, ressecamento e fissuras são frequentes, mas nem sempre devem ser tratados com lixas fortes ou lâminas. Calos surgem, muitas vezes, por pressão

cuidado preventivo também envolve a pele dos pés. Calosidades, ressecamento e fissuras são frequentes, mas nem sempre devem ser tratados com lixas fortes ou lâminas. Calos surgem, muitas vezes, por pressão e atrito. O profissional iniciante pode orientar hidratação, observar o tipo de calçado e realizar cuidado superficial quando a pele estiver íntegra. Porém, calos doloridos, rachaduras profundas, sangramento e feridas devem ser encaminhados.

A atenção precisa ser ainda maior quando o cliente tem diabetes. O Ministério da Saúde destaca a importância do cuidado preventivo, da avaliação periódica dos pés e das ações educativas para pessoas com diabetes. A Biblioteca Virtual em Saúde orienta cortar as unhas em linha reta, evitar cutucar com objetos cortantes, não usar receitas caseiras para remover calos e procurar a equipe de saúde diante de bolhas, cortes, arranhões ou feridas.

Assim, em clientes diabéticos, o profissional não deve usar lâminas, cortar calos, aprofundar cantos das unhas ou manipular feridas. Mesmo pequenos machucados podem trazer riscos quando há alteração de sensibilidade ou dificuldade de cicatrização. Se houver dor, bolha, rachadura, ferida, pele escurecida, secreção ou perda de sensibilidade, o encaminhamento deve ser imediato.

A prevenção também passa por orientações simples para o dia a dia. O cliente deve ser orientado a lavar e secar bem os pés, principalmente entre os dedos; evitar calçados apertados; trocar meias quando houver suor; não cortar cantos das unhas profundamente; não compartilhar instrumentos; hidratar áreas ressecadas sem deixar excesso de creme entre os dedos; e procurar atendimento quando notar dor, ferida, pus, alteração de cor ou piora rápida.

O encaminhamento profissional deve ser visto como parte do cuidado, não como falha do atendimento. Encaminhar não significa “perder o cliente”, mas protegê-lo. O profissional pode dizer: “Percebi uma alteração que precisa ser avaliada antes de qualquer procedimento mais profundo. Hoje, por segurança, não vou mexer nessa região”. Essa comunicação transmite respeito, segurança e ética.

Imagine um cliente que chega com o dedão dolorido, vermelho e inchado. Ele pede para cortar o canto da unha. O profissional iniciante deve reconhecer que há sinais de alerta e não tentar desencravar. A melhor conduta é orientar avaliação especializada, explicar o risco de piora e registrar a orientação dada.

Em outro exemplo, uma cliente apresenta calcanhar muito ressecado, com fissuras

outro exemplo, uma cliente apresenta calcanhar muito ressecado, com fissuras profundas e dor ao pisar. Ela pede para “lixar bastante até sumir”. O correto é evitar lixamento agressivo, hidratar suavemente a área íntegra, orientar cuidados em casa e recomendar avaliação se houver sangramento, dor persistente ou sinais de infecção.

Também pode ocorrer de uma pessoa chegar com unha grossa, amarelada e descolada. O pedido pode ser apenas esmaltar para esconder. O profissional, porém, deve entender que o problema não deve ser disfarçado. A conduta preventiva é não desgastar excessivamente, não prometer tratamento e orientar avaliação adequada.

Portanto, a podologia preventiva, para iniciantes, é uma prática baseada em observação, prudência e orientação. O profissional não precisa saber resolver todos os problemas, mas precisa saber reconhecer quando não deve intervir. Essa é uma das maiores demonstrações de competência.

Cuidar dos pés é mais do que deixá-los bonitos. É ajudar o cliente a perceber sinais que muitas vezes ele ignora. É trabalhar com higiene, delicadeza e responsabilidade. A beleza pode ser o resultado visível, mas a segurança deve ser sempre a base do atendimento.

Referências bibliográficas

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Serviços de embelezamento: perguntas e respostas. Brasília: Anvisa, 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual do Pé Diabético: estratégias para o cuidado com a doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Quais orientações o agente comunitário de saúde deve realizar sobre cuidados com pé diabético em visitas domiciliares? Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Healthy Habits: Nail Hygiene. Atlanta: CDC, 2024.

MANUAL MSD. Onicocriptose. Versão Profissional.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Onicomicose. Rio de Janeiro: SBD.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Paroníquia. Rio de Janeiro: SBD.


Estudo de caso — Módulo 3

“O pé bonito não pode vir antes do pé seguro”

 

Luana estava no terceiro módulo do curso de Conceitos de Podologia e Manicure para Iniciantes. Ela já sabia fazer uma boa esmaltação, organizava melhor a bancada e tinha aprendido que, nos cuidados com os pés, a observação vem antes da técnica. Mesmo assim, em um sábado movimentado, viveu três situações que mostraram como pequenos erros podem transformar um atendimento simples em risco.

A primeira cliente foi Carla, que queria

uma pedicure completa para uma festa. Ela chegou dizendo: “Quero o pé bem lisinho, pode lixar bastante”. Ao observar, Luana percebeu que os calcanhares estavam muito ressecados e com fissuras profundas. Algumas rachaduras estavam avermelhadas e doloridas. A cliente insistiu para que ela lixasse com força, porque achava feio usar sandália daquele jeito.

O erro comum, nesse caso, seria tentar resolver o problema pela aparência: lixar demais, afinar a pele e deixar o calcanhar “liso” a qualquer custo. Mas fissura profunda não deve ser tratada como simples ressecamento. A conduta correta é higienizar, secar bem, hidratar suavemente as áreas íntegras e evitar agressão sobre a rachadura dolorida. Quando há dor, sangramento, vermelhidão ou piora, o ideal é orientar avaliação profissional. A prevenção nos pés envolve inspeção, higiene regular, secagem cuidadosa e atenção especial a rachaduras ou ferimentos.

A segunda cliente foi Dona Marta, que informou ter diabetes. Ela pediu para cortar as unhas dos pés e retirar um calo dolorido na planta. Disse que sempre fazia assim em outro salão: “É só passar a lixa forte e tirar com cuidado”. Luana ficou em dúvida, porque queria ajudar, mas lembrou que clientes diabéticos precisam de atenção especial.

O erro comum seria tratar o pé diabético como uma pedicure comum. Em pessoas com diabetes, pequenos ferimentos podem evoluir mal, principalmente quando há alteração de sensibilidade, circulação ou cicatrização. O Ministério da Saúde destaca que o cuidado com os pés de pessoas com diabetes envolve ações preventivas, educativas e avaliação periódica. Já a Biblioteca Virtual em Saúde orienta evitar andar descalço, usar calçados confortáveis, hidratar a pele seca sem aplicar creme entre os dedos, cortar unhas em linha reta, não cutucar com objetos cortantes e procurar serviço de saúde diante de bolhas, cortes, arranhões ou feridas.

A conduta correta de Luana foi não remover o calo de forma agressiva, não usar lâmina, não aprofundar o corte das unhas e explicar a situação com respeito: “Como a senhora tem diabetes e esse calo está dolorido, o mais seguro é avaliar com um profissional de saúde ou podólogo habilitado antes de mexer”. Ela pôde fazer apenas uma higienização cuidadosa, hidratação leve em áreas íntegras e orientar cuidados em casa, sem manipular a região de risco.

O terceiro cliente foi Roberto, que chegou com a unha do dedão grossa, amarelada e parcialmente descolada. Ele pediu para Luana lixar bastante e passar

terceiro cliente foi Roberto, que chegou com a unha do dedão grossa, amarelada e parcialmente descolada. Ele pediu para Luana lixar bastante e passar esmalte escuro, porque queria “esconder” a aparência. Esse pedido é comum, mas exige cautela. Unhas espessas, quebradiças, amareladas ou descoladas podem sugerir onicomicose, uma infecção fúngica das unhas, embora o diagnóstico dependa de avaliação adequada. A Sociedade Brasileira de Dermatologia descreve a onicomicose como infecção causada por fungos que atingem as unhas e podem alterar cor, espessura e resistência.

O erro seria tentar “corrigir” a unha pelo desgaste excessivo ou cobrir a alteração com esmalte para disfarçar. Isso pode fragilizar ainda mais a lâmina, mascarar o problema e atrasar a procura por atendimento correto. Luana explicou que não poderia diagnosticar nem indicar medicamento, mas que aquela alteração merecia avaliação. Fez apenas uma orientação preventiva, sem prometer tratamento.

No fim do expediente, Luana percebeu que o módulo 3 ensinava algo maior do que técnica. A pedicure bem-feita não é a que remove mais pele, corta mais fundo ou deixa tudo visualmente perfeito. O bom atendimento é aquele que respeita os limites da pele, das unhas e da saúde do cliente. O CDC recomenda limpar instrumentos antes do uso, esterilizar ferramentas compartilhadas em ambientes comerciais e não cortar cutículas, pois elas funcionam como barreira de proteção contra infecções.

Erros comuns apresentados no caso

O primeiro erro foi querer deixar o pé “lisinho” a qualquer custo. Para evitar, o profissional deve diferenciar ressecamento superficial de fissura profunda. Pele rachada, dolorida ou sangrando não deve receber lixamento agressivo.

O segundo erro foi tratar cliente diabético como qualquer outro atendimento. Para evitar, é necessário perguntar sobre diabetes, dor, feridas, perda de sensibilidade e dificuldade de cicatrização. Em caso de calos doloridos, rachaduras, bolhas ou feridas, a conduta correta é encaminhar.

O terceiro erro foi tentar esconder uma unha alterada com esmalte. Para evitar, o profissional deve observar cor, espessura, descolamento, dor e odor. Alterações importantes precisam de avaliação adequada, não de disfarce estético.

O quarto erro foi acreditar que o cliente sempre sabe o que é melhor para o próprio procedimento. O cliente pode insistir, mas o profissional precisa estabelecer limites. Atendimento humanizado não é fazer tudo o que foi pedido; é explicar, acolher e

proteger.

O quinto erro seria reutilizar ou improvisar instrumentos durante procedimentos nos pés. Para evitar, alicates, espátulas e tesouras devem passar por processamento adequado. A Anvisa orienta que materiais metálicos que podem entrar em contato com sangue sejam submetidos a métodos de esterilização reconhecidos e destaca a autoclave como mais eficiente que a estufa para esses artigos.

Como evitar problemas na prática

Antes de iniciar a pedicure, observe os pés com calma. Verifique calcanhares, planta, unhas, dedos e espaços entre os dedos. Pergunte sobre dor, diabetes, alergias, micose, unha encravada, feridas e cicatrização. Se houver dúvida, não manipule a região alterada.

No corte das unhas dos pés, evite cantos profundos. Na hidratação, não deixe excesso de creme entre os dedos. Na remoção de pele, nunca use força sobre fissuras, feridas ou calos doloridos. Em clientes diabéticos, não use lâminas, não retire calos e não faça cortes agressivos.

A frase-chave para o profissional iniciante é: “Hoje não é seguro mexer nessa região”. Essa orientação, quando dita com respeito, mostra maturidade profissional. O objetivo não é assustar o cliente, mas ajudá-lo a entender que a saúde precisa vir antes da estética.

Conclusão do estudo de caso

O módulo 3 mostra que técnica de manicure e pedicure não se resume ao acabamento. Ela envolve avaliação, prevenção, higiene, delicadeza e encaminhamento responsável. Luana aprendeu que um pé bonito pode agradar no momento, mas um atendimento seguro constrói confiança por muito mais tempo.

O profissional iniciante deve lembrar: cuidar bem não é mexer demais. É saber quando cortar, quando lixar, quando hidratar, quando parar e quando encaminhar.

Referências bibliográficas

AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Serviços de embelezamento: perguntas e respostas. Brasília: Anvisa, 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Manual do Pé Diabético: estratégias para o cuidado com a doença crônica. Brasília: Ministério da Saúde, 2016.

BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Quais orientações o agente comunitário de saúde deve realizar sobre cuidados com pé diabético em visitas domiciliares? Brasília: Ministério da Saúde, 2021.

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Healthy Habits: Nail Hygiene. Atlanta: CDC, 2024.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Onicomicose. Rio de Janeiro: SBD.

 

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