CONCEITOS
DE PODOLOGIA E MANICURE
MÓDULO 3 — Técnicas básicas de manicure, pedicure e conceitos podológicos
Aula 7 — Técnicas básicas de manicure
A manicure é uma prática de cuidado e
embelezamento das unhas das mãos, mas deve ser entendida como um procedimento
que exige técnica, higiene e atenção aos limites da pele. Para o iniciante, o
mais importante não é fazer tudo rápido, nem retirar o máximo de cutícula, mas
aprender uma sequência segura, delicada e organizada. Uma unha bonita não deve
ser resultado de dor, sangramento ou agressão.
O atendimento começa antes do alicate. O
profissional deve observar as mãos, perguntar se há alergias, dor, feridas,
sensibilidade, sangramento recente ou histórico de inflamações ao redor das
unhas. Essa conversa inicial evita riscos e mostra respeito pelo cliente. Se
houver vermelhidão intensa, pus, dor forte, ferida aberta ou suspeita de
infecção, o procedimento deve ser adiado ou adaptado, com orientação para
avaliação profissional.
A bancada precisa estar limpa, organizada
e com materiais separados. Alicates, espátulas e tesouras devem estar
esterilizados; lixas, palitos e algodões devem ser de uso individual ou
descartável. A Anvisa orienta atenção à higiene em salões de beleza e destaca a
importância da esterilização de materiais como alicates, tesouras, navalhas e
lâminas. Também informa que a autoclave é mais eficiente que a estufa por
utilizar vapor sob pressão.
A primeira etapa prática costuma ser a
remoção do esmalte antigo. O ideal é usar removedor apropriado, algodão limpo e
movimentos suaves, sem esfregar com força. Esse momento também serve para
observar melhor a unha natural: cor, espessura, manchas, descolamentos,
ondulações ou áreas doloridas. Se a unha estiver muito alterada, o profissional
não deve tentar “disfarçar” o problema com esmalte escuro ou lixamento
agressivo.
Depois vem o corte, quando necessário. Nem
toda unha precisa ser cortada; às vezes, apenas o lixamento já é suficiente. O
corte deve respeitar o comprimento desejado pelo cliente, mas também a
segurança da lâmina ungueal. Cortar demais pode deixar a ponta dos dedos
sensível e favorecer pequenas lesões. Em unhas frágeis, quebradiças ou muito
curtas, é melhor evitar cortes profundos e apenas corrigir irregularidades.
O lixamento define o formato e melhora o acabamento. Os formatos mais comuns são quadrado, arredondado, oval e amendoado. Para iniciantes, o ideal é começar com formatos simples, respeitando o crescimento
natural da unha e o tamanho da lâmina. O movimento deve ser leve,
sem “serrar” a unha com força. Lixar demais as laterais pode enfraquecer a
estrutura e facilitar quebras.
A cutícula exige cuidado especial. Ela não
é sujeira, mas uma proteção natural da região da unha. O CDC orienta não cortar
cutículas, pois elas funcionam como barreiras contra infecções, além de
recomendar que instrumentos compartilhados em salões sejam esterilizados antes
do uso em outra pessoa. A Sociedade Brasileira de Dermatologia também explica
que a cutícula forma uma espécie de selo protetor e não deve ser removida de
maneira agressiva.
Na prática profissional, isso significa
que o cuidado com a cutícula deve ser delicado. Pode-se aplicar produto
amolecedor adequado, aguardar o tempo indicado, empurrar suavemente com
espátula limpa e remover apenas peles soltas, sem aprofundar. Se houver dor,
vermelhidão, sangramento ou pele muito fina, o correto é parar. A paroníquia,
inflamação ao redor da unha, pode começar pela perda da cutícula, por trauma ou
por irritação da região.
Após preparar a unha, é importante remover
resíduos de creme, pó ou oleosidade da lâmina, pois isso ajuda na fixação do
esmalte. A esmaltação deve ser feita em camadas finas, respeitando o tempo
entre as aplicações. Uma base adequada protege a unha e melhora o acabamento.
Em seguida, aplica-se o esmalte escolhido e, se necessário, uma cobertura final
para brilho e proteção.
O acabamento deve ser limpo, mas sem
machucar. O palito usado para limpar os cantos não deve ser pressionado com
força contra a pele. A intenção é retirar o excesso de esmalte, não raspar a
prega ungueal. Pequenas agressões repetidas nos cantos das unhas podem causar
ardência, vermelhidão e desconforto depois do atendimento.
Também é importante usar cosméticos
regularizados, dentro do prazo de validade e armazenados corretamente. A Anvisa
mantém ações de cosmetovigilância para proteger a saúde dos consumidores de
cosméticos, produtos de higiene pessoal e perfumes, especialmente grupos mais
vulneráveis, como crianças, gestantes e idosos. Por isso, produtos vencidos,
sem rótulo, alterados ou de origem duvidosa não devem ser usados.
Durante a manicure, o profissional deve observar a reação do cliente. Ardência, coceira, vermelhidão, dor ou inchaço não devem ser ignorados. Se surgir desconforto, é necessário interromper, limpar a região e avaliar se o atendimento pode continuar. O cliente precisa se sentir seguro para dizer que algo está
incomodando, e o profissional precisa
estar disposto a ajustar a técnica.
Um erro comum entre iniciantes é acreditar
que uma boa manicure é aquela em que a cutícula fica “funda” e a unha
extremamente polida. Na verdade, o bom resultado é aquele que une aparência
agradável, pele íntegra e cliente confortável. Outro erro é reaproveitar lixas
ou palitos para economizar material. Como esses itens entram em contato direto
com pele, unha e resíduos, devem ser tratados como materiais de uso individual.
Imagine uma cliente que chega com as
cutículas ressecadas e pede para retirar tudo. Ao observar, o profissional
percebe pequenas fissuras e vermelhidão. A conduta segura não é insistir no
alicate, mas hidratar, empurrar suavemente e remover apenas o que estiver
solto. Ao final, a cliente pode receber orientação para hidratar as mãos em
casa e evitar cutucar a região.
Em outro caso, uma cliente apresenta unhas
muito fracas e descamando. Ela pede lixamento intenso para “nivelar”. O
profissional deve evitar desgaste excessivo, pois isso pode deixar a lâmina
ainda mais fina. O melhor é reduzir o comprimento com cuidado, lixar
suavemente, usar base adequada e orientar uma pausa em procedimentos
agressivos, se necessário.
Assim, a técnica básica de manicure deve
seguir uma lógica simples: avaliar, higienizar, preparar, cortar apenas quando
necessário, lixar com delicadeza, cuidar da cutícula sem agressão, esmaltar com
camadas finas e finalizar sem machucar. A beleza aparece como consequência de
um processo seguro.
A manicure iniciante precisa desenvolver mãos leves e olhar atento. O alicate, a lixa e o esmalte são ferramentas importantes, mas a principal ferramenta é o julgamento profissional. Saber quando fazer, quando reduzir a intervenção e quando encaminhar é o que transforma um atendimento comum em um cuidado responsável.
Referências bibliográficas
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
O que observar no salão de beleza. Brasília: Anvisa.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
Serviços de embelezamento: perguntas e respostas. Brasília: Anvisa, 2021.
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
Cosmetovigilância. Brasília: Anvisa.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND
PREVENTION. Healthy Habits: Nail Hygiene. Atlanta: CDC, 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA.
Paroníquia. Rio de Janeiro: SBD.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA.
Conheça suas unhas. Rio de Janeiro: SBD.
Aula 8 — Técnicas básicas de pedicure e
cuidados com os pés
A pedicure é uma
pedicure é uma prática de cuidado,
higiene e embelezamento dos pés, mas exige mais atenção do que muitas pessoas
imaginam. Os pés sustentam o peso do corpo, ficam muitas horas dentro de
calçados, sofrem atrito, pressão, calor e umidade. Por isso, antes de cortar,
lixar ou esmaltar, o profissional precisa observar se há dor, feridas,
fissuras, inchaço, vermelhidão, mau cheiro intenso, unhas muito grossas,
alteração de cor ou sinais de inflamação.
O atendimento deve começar com uma
conversa simples. Perguntar se o cliente sente dor, se tem diabetes, se possui
alergias, se já teve unha encravada, micose, feridas ou dificuldade de
cicatrização ajuda a definir se o procedimento pode ser feito com segurança. No
caso de pessoas com diabetes, o cuidado precisa ser redobrado, pois o
Ministério da Saúde destaca a importância da prevenção, da avaliação periódica
dos pés e da identificação precoce de alterações.
A higienização dos pés é uma etapa
essencial. Os pés devem ser limpos com cuidado e bem secos, principalmente
entre os dedos. Essa região costuma acumular umidade, o que favorece maceração
da pele, mau odor e desconfortos. Após a limpeza, o profissional deve observar
calcanhares, planta dos pés, laterais, dedos, unhas e espaços interdigitais. O
olhar atento evita que uma lesão seja confundida com simples ressecamento.
O corte das unhas dos pés deve ser feito
com cautela. O ideal é evitar cortes muito curtos e cantos profundos, pois isso
pode favorecer dor e encravamento. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério
da Saúde orienta, especialmente para pessoas com diabetes, que as unhas sejam
lavadas e secas antes do corte, que se use instrumento apropriado e que o corte
seja mais quadrado, com laterais levemente arredondadas, sem retirada de
cutícula.
A unha encravada, ou onicocriptose, merece
atenção especial. Ela ocorre quando a borda da unha comprime ou penetra a pele
ao redor, provocando dor. Quando há vermelhidão, inchaço, secreção, sangramento
ou dor intensa, o profissional iniciante não deve tentar “desencravar” com
alicate ou espátula. O Manual MSD descreve a onicocriptose como curvamento ou
compressão da borda da unha sobre o sulco ungueal, causando dor.
O lixamento das unhas deve apenas ajustar o formato e retirar pontas que possam prender na meia ou no calçado. Lixar demais as laterais enfraquece a unha e pode causar desconforto. Nos pés, o acabamento precisa priorizar segurança, não apenas estética. Unhas muito arredondadas nos cantos,
muito
arredondadas nos cantos, muito curtas ou cortadas de forma irregular podem
gerar problemas futuros.
A cutícula dos pés também não deve ser
retirada de maneira agressiva. Ela tem função protetora, assim como nas mãos. O
erro comum é pensar que o pé só fica “bem-feito” quando se remove muita pele ao
redor das unhas. Na verdade, retirar demais pode causar pequenos ferimentos,
ardência e inflamações. O correto é amolecer, empurrar suavemente e remover
apenas peles soltas, sem aprofundar.
As calosidades exigem ainda mais cuidado.
Calos costumam aparecer em áreas de pressão e atrito, como planta dos pés,
laterais dos dedos e calcanhares. O iniciante pode orientar hidratação e
observar o tipo de calçado usado pelo cliente, mas não deve cortar calos com
lâmina, bisturi ou instrumentos improvisados. Em pessoas com diabetes, a
orientação da Biblioteca Virtual em Saúde é ainda mais rigorosa: não cortar
calos nem usar lixas sem orientação adequada.
O uso da lixa nos pés deve ser leve e
cuidadoso. Em casos de ressecamento superficial, pode ajudar no acabamento,
desde que não agrida a pele. Porém, fissuras profundas, rachaduras doloridas,
sangramento, feridas ou pele muito fina são sinais de que o procedimento deve
ser evitado naquela área. O excesso de lixamento pode piorar a sensibilidade e
abrir portas para infecções.
A hidratação é uma das melhores formas de
cuidado básico com os pés. Cremes adequados ajudam a melhorar o ressecamento e
a sensação de conforto, principalmente em calcanhares e regiões mais ásperas.
No entanto, não se deve deixar excesso de creme entre os dedos, porque a
umidade acumulada favorece problemas na pele. O ideal é hidratar bem a planta e
o dorso dos pés, mantendo os espaços entre os dedos secos.
Unhas amareladas, grossas, quebradiças,
esbranquiçadas ou descoladas precisam ser observadas com cautela. Essas
alterações podem sugerir micose de unha, mas o profissional iniciante não deve
diagnosticar nem indicar medicamentos. O Manual MSD explica que a onicomicose é
uma infecção fúngica da lâmina, do leito ungueal ou de ambos, geralmente
associada a espessamento, coloração amarelada e acúmulo de resíduos sob a unha.
A pedicure segura também depende da biossegurança. Alicates, espátulas e tesouras devem estar esterilizados; lixas, palitos, algodões e separadores devem ser descartáveis ou de uso individual. A Anvisa orienta verificar a esterilização de materiais como alicates, tesouras, navalhas e lâminas, destacando que a autoclave é
pedicure segura também depende da
biossegurança. Alicates, espátulas e tesouras devem estar esterilizados; lixas,
palitos, algodões e separadores devem ser descartáveis ou de uso individual. A
Anvisa orienta verificar a esterilização de materiais como alicates, tesouras,
navalhas e lâminas, destacando que a autoclave é mais eficiente que a estufa
por utilizar vapor sob pressão.
Durante a esmaltação, o profissional deve
usar produtos em bom estado, dentro da validade e adequados ao uso. A aplicação
deve ser feita em camadas finas, com cuidado para não pressionar o palito
contra a pele. O acabamento deve limpar o excesso de esmalte, não machucar as
laterais das unhas. Se houver ardência, dor ou sangramento, o procedimento deve
ser interrompido.
Um erro comum na pedicure é tentar
resolver todos os problemas no mesmo atendimento. Cliente com unha dolorida,
calo profundo, fissura no calcanhar ou suspeita de micose não deve receber
manipulação agressiva. O mais seguro é explicar a situação, limitar o
procedimento ao que pode ser feito sem risco e orientar avaliação com podólogo
habilitado, dermatologista ou serviço de saúde.
Imagine uma cliente que chega com os pés
ressecados e pede para “lixar bastante até ficar lisinho”. Ao observar, o
profissional percebe fissuras profundas no calcanhar. A conduta correta não é
insistir na lixa, mas higienizar, hidratar suavemente, evitar agressão e
orientar cuidado especializado se houver dor, sangramento ou piora.
Em outro exemplo, um cliente relata
diabetes e apresenta calo dolorido na planta do pé. Ele pede para retirar “só
um pouco”. Nesse caso, o profissional iniciante deve recusar a remoção
agressiva, não usar lâminas e orientar avaliação especializada. A segurança vem
antes do acabamento.
Assim, a técnica básica de pedicure deve
seguir uma sequência simples: conversar, observar, higienizar, secar bem,
cortar com cuidado, lixar suavemente, cuidar das cutículas sem agressão,
hidratar corretamente e esmaltar apenas quando houver segurança. O bom
resultado não é apenas um pé bonito, mas um atendimento confortável, limpo e
responsável.
A pedicure iniciante precisa desenvolver
delicadeza e julgamento profissional. Saber o que fazer é importante, mas saber
o que evitar é indispensável. Um atendimento seguro respeita os limites da
pele, das unhas e da saúde do cliente.
Referências bibliográficas
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
O que observar no salão de beleza. Brasília: Anvisa.
BRASIL. Ministério da
Saúde. Manual do Pé
Diabético: estratégias para o cuidado com a doença crônica. Brasília:
Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca
Virtual em Saúde. Pé diabético. Brasília: Ministério da Saúde.
MANUAL MSD. Onicocriptose. Versão
Profissional.
MANUAL MSD. Onicomicose. Versão
Profissional.
Aula 9 — Noções de podologia preventiva e
encaminhamento profissional
A podologia preventiva começa com uma
atitude simples: olhar os pés antes de tocar neles. Em manicure e pedicure, é
comum o cliente chegar pedindo corte, lixamento, esmaltação ou retirada de
pele, mas nem sempre o que parece apenas estética pode ser tratado dessa forma.
Os pés carregam o peso do corpo, sofrem pressão dos calçados, acumulam umidade
e podem revelar sinais de alterações que precisam de atenção.
Para o iniciante, o objetivo não é
diagnosticar doenças nem realizar procedimentos invasivos. A principal
competência é reconhecer situações seguras, identificar sinais de alerta e
saber encaminhar quando o caso ultrapassa o atendimento estético. A Anvisa
orienta que serviços de embelezamento observem cuidados sanitários, higiene,
organização e esterilização adequada de instrumentos, justamente porque essas
práticas podem interferir na saúde das pessoas atendidas.
A prevenção começa na conversa. Antes de
iniciar o atendimento, o profissional deve perguntar se o cliente sente dor, se
tem diabetes, se já teve unha encravada, micose, alergias, feridas,
sangramentos recentes, perda de sensibilidade ou dificuldade de cicatrização.
Essas perguntas não devem ser feitas de forma fria ou constrangedora, mas como
parte natural do cuidado. Uma ficha simples ajuda a registrar essas informações
e torna o atendimento mais seguro.
Depois vem a observação. O profissional
deve olhar unhas, dedos, planta dos pés, calcanhares, laterais e espaços entre
os dedos. Pele íntegra, sem dor, sem feridas e sem inflamação geralmente
permite um atendimento básico. Já vermelhidão intensa, inchaço, secreção,
sangramento, fissuras profundas, bolhas, escurecimento, mau cheiro forte, dor
ao toque ou unhas muito alteradas exigem cautela. Quando há dúvida, o caminho
mais seguro é não manipular a região e orientar avaliação especializada.
A unha encravada é uma das situações mais comuns no atendimento aos pés. Ela ocorre quando a borda da unha comprime ou penetra a pele ao redor, causando dor. O Manual MSD descreve a onicocriptose como o curvamento ou a compressão da borda da unha sobre o sulco
ungueal,
provocando dor local. Para o iniciante, isso significa que não se deve “cavar”
profundamente o canto da unha, principalmente quando há vermelhidão, inchaço,
secreção ou sangramento.
Nesse tipo de caso, o erro mais frequente
é tentar resolver tudo com o alicate. O cliente costuma pedir: “corta bem fundo
que melhora”. Mas o corte profundo pode aumentar a lesão e piorar a inflamação.
A conduta preventiva é explicar que aquele sinal precisa de avaliação
apropriada, evitar manipulação agressiva e encaminhar para podólogo habilitado,
dermatologista ou serviço de saúde.
Outra alteração que exige cuidado é a
suspeita de micose de unha, conhecida como onicomicose. Unhas amareladas,
grossas, quebradiças, esbranquiçadas, opacas ou descoladas podem indicar
alteração fúngica, embora o diagnóstico dependa de avaliação adequada. A
Sociedade Brasileira de Dermatologia explica que a onicomicose é uma infecção
causada por fungos que atingem as unhas e pode provocar mudança de cor,
espessamento e fragilidade. O profissional iniciante não deve afirmar que é
micose, indicar medicamento ou prometer cura.
Nesses casos, o atendimento deve ser
conservador. É possível higienizar com cuidado e orientar o cliente, mas não se
deve fazer lixamento agressivo para “afinar” a unha, nem cobrir a alteração
apenas com esmalte escuro. Além de não resolver a causa, esse tipo de conduta
pode mascarar o problema e atrasar a procura por atendimento adequado.
A cutícula também deve ser respeitada. Ela
funciona como uma barreira de proteção entre a pele e a unha. O CDC recomenda
não cortar cutículas, pois elas ajudam a prevenir infecções; também orienta
limpar instrumentos antes do uso e esterilizar ferramentas compartilhadas em
ambientes comerciais. A retirada excessiva pode abrir pequenas portas de
entrada para microrganismos e favorecer inflamações.
A paroníquia é um exemplo importante. Ela
é uma inflamação da pele ao redor da unha e pode ter relação com perda da
cutícula, trauma ou manipulação inadequada. A Sociedade Brasileira de
Dermatologia descreve a paroníquia como processo inflamatório ao redor da unha,
frequentemente iniciado pela perda da cutícula. Por isso, pele vermelha,
dolorida, inchada ou com pus não deve ser manipulada como se fosse apenas
“excesso de cutícula”.
O cuidado preventivo também envolve a pele dos pés. Calosidades, ressecamento e fissuras são frequentes, mas nem sempre devem ser tratados com lixas fortes ou lâminas. Calos surgem, muitas vezes, por pressão
cuidado preventivo também envolve a pele
dos pés. Calosidades, ressecamento e fissuras são frequentes, mas nem sempre
devem ser tratados com lixas fortes ou lâminas. Calos surgem, muitas vezes, por
pressão e atrito. O profissional iniciante pode orientar hidratação, observar o
tipo de calçado e realizar cuidado superficial quando a pele estiver íntegra.
Porém, calos doloridos, rachaduras profundas, sangramento e feridas devem ser
encaminhados.
A atenção precisa ser ainda maior quando o
cliente tem diabetes. O Ministério da Saúde destaca a importância do cuidado
preventivo, da avaliação periódica dos pés e das ações educativas para pessoas
com diabetes. A Biblioteca Virtual em Saúde orienta cortar as unhas em linha
reta, evitar cutucar com objetos cortantes, não usar receitas caseiras para
remover calos e procurar a equipe de saúde diante de bolhas, cortes, arranhões
ou feridas.
Assim, em clientes diabéticos, o
profissional não deve usar lâminas, cortar calos, aprofundar cantos das unhas
ou manipular feridas. Mesmo pequenos machucados podem trazer riscos quando há
alteração de sensibilidade ou dificuldade de cicatrização. Se houver dor,
bolha, rachadura, ferida, pele escurecida, secreção ou perda de sensibilidade,
o encaminhamento deve ser imediato.
A prevenção também passa por orientações
simples para o dia a dia. O cliente deve ser orientado a lavar e secar bem os
pés, principalmente entre os dedos; evitar calçados apertados; trocar meias
quando houver suor; não cortar cantos das unhas profundamente; não compartilhar
instrumentos; hidratar áreas ressecadas sem deixar excesso de creme entre os
dedos; e procurar atendimento quando notar dor, ferida, pus, alteração de cor
ou piora rápida.
O encaminhamento profissional deve ser
visto como parte do cuidado, não como falha do atendimento. Encaminhar não
significa “perder o cliente”, mas protegê-lo. O profissional pode dizer:
“Percebi uma alteração que precisa ser avaliada antes de qualquer procedimento
mais profundo. Hoje, por segurança, não vou mexer nessa região”. Essa
comunicação transmite respeito, segurança e ética.
Imagine um cliente que chega com o dedão
dolorido, vermelho e inchado. Ele pede para cortar o canto da unha. O
profissional iniciante deve reconhecer que há sinais de alerta e não tentar
desencravar. A melhor conduta é orientar avaliação especializada, explicar o
risco de piora e registrar a orientação dada.
Em outro exemplo, uma cliente apresenta calcanhar muito ressecado, com fissuras
outro exemplo, uma cliente apresenta
calcanhar muito ressecado, com fissuras profundas e dor ao pisar. Ela pede para
“lixar bastante até sumir”. O correto é evitar lixamento agressivo, hidratar
suavemente a área íntegra, orientar cuidados em casa e recomendar avaliação se
houver sangramento, dor persistente ou sinais de infecção.
Também pode ocorrer de uma pessoa chegar
com unha grossa, amarelada e descolada. O pedido pode ser apenas esmaltar para
esconder. O profissional, porém, deve entender que o problema não deve ser
disfarçado. A conduta preventiva é não desgastar excessivamente, não prometer
tratamento e orientar avaliação adequada.
Portanto, a podologia preventiva, para
iniciantes, é uma prática baseada em observação, prudência e orientação. O
profissional não precisa saber resolver todos os problemas, mas precisa saber
reconhecer quando não deve intervir. Essa é uma das maiores demonstrações de
competência.
Cuidar dos pés é mais do que deixá-los bonitos. É ajudar o cliente a perceber sinais que muitas vezes ele ignora. É trabalhar com higiene, delicadeza e responsabilidade. A beleza pode ser o resultado visível, mas a segurança deve ser sempre a base do atendimento.
Referências bibliográficas
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
Serviços de embelezamento: perguntas e respostas. Brasília: Anvisa, 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual do Pé
Diabético: estratégias para o cuidado com a doença crônica. Brasília:
Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca
Virtual em Saúde. Quais orientações o agente comunitário de saúde deve realizar
sobre cuidados com pé diabético em visitas domiciliares? Brasília: Ministério
da Saúde, 2021.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND
PREVENTION. Healthy Habits: Nail Hygiene. Atlanta: CDC, 2024.
MANUAL MSD. Onicocriptose. Versão
Profissional.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA.
Onicomicose. Rio de Janeiro: SBD.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA.
Paroníquia. Rio de Janeiro: SBD.
Estudo de caso — Módulo 3
“O pé bonito não pode vir antes do pé
seguro”
Luana estava no terceiro módulo do curso
de Conceitos de Podologia e Manicure para Iniciantes. Ela já sabia fazer uma
boa esmaltação, organizava melhor a bancada e tinha aprendido que, nos cuidados
com os pés, a observação vem antes da técnica. Mesmo assim, em um sábado
movimentado, viveu três situações que mostraram como pequenos erros podem
transformar um atendimento simples em risco.
A primeira cliente foi Carla, que queria
uma pedicure completa para uma festa. Ela chegou dizendo: “Quero o pé bem
lisinho, pode lixar bastante”. Ao observar, Luana percebeu que os calcanhares
estavam muito ressecados e com fissuras profundas. Algumas rachaduras estavam
avermelhadas e doloridas. A cliente insistiu para que ela lixasse com força,
porque achava feio usar sandália daquele jeito.
O erro comum, nesse caso, seria tentar
resolver o problema pela aparência: lixar demais, afinar a pele e deixar o
calcanhar “liso” a qualquer custo. Mas fissura profunda não deve ser tratada
como simples ressecamento. A conduta correta é higienizar, secar bem, hidratar
suavemente as áreas íntegras e evitar agressão sobre a rachadura dolorida.
Quando há dor, sangramento, vermelhidão ou piora, o ideal é orientar avaliação
profissional. A prevenção nos pés envolve inspeção, higiene regular, secagem
cuidadosa e atenção especial a rachaduras ou ferimentos.
A segunda cliente foi Dona Marta, que
informou ter diabetes. Ela pediu para cortar as unhas dos pés e retirar um calo
dolorido na planta. Disse que sempre fazia assim em outro salão: “É só passar a
lixa forte e tirar com cuidado”. Luana ficou em dúvida, porque queria ajudar,
mas lembrou que clientes diabéticos precisam de atenção especial.
O erro comum seria tratar o pé diabético
como uma pedicure comum. Em pessoas com diabetes, pequenos ferimentos podem
evoluir mal, principalmente quando há alteração de sensibilidade, circulação ou
cicatrização. O Ministério da Saúde destaca que o cuidado com os pés de pessoas
com diabetes envolve ações preventivas, educativas e avaliação periódica. Já a
Biblioteca Virtual em Saúde orienta evitar andar descalço, usar calçados
confortáveis, hidratar a pele seca sem aplicar creme entre os dedos, cortar unhas
em linha reta, não cutucar com objetos cortantes e procurar serviço de saúde
diante de bolhas, cortes, arranhões ou feridas.
A conduta correta de Luana foi não remover
o calo de forma agressiva, não usar lâmina, não aprofundar o corte das unhas e
explicar a situação com respeito: “Como a senhora tem diabetes e esse calo está
dolorido, o mais seguro é avaliar com um profissional de saúde ou podólogo
habilitado antes de mexer”. Ela pôde fazer apenas uma higienização cuidadosa,
hidratação leve em áreas íntegras e orientar cuidados em casa, sem manipular a
região de risco.
O terceiro cliente foi Roberto, que chegou com a unha do dedão grossa, amarelada e parcialmente descolada. Ele pediu para Luana lixar bastante e passar
terceiro cliente foi Roberto, que chegou
com a unha do dedão grossa, amarelada e parcialmente descolada. Ele pediu para
Luana lixar bastante e passar esmalte escuro, porque queria “esconder” a
aparência. Esse pedido é comum, mas exige cautela. Unhas espessas, quebradiças,
amareladas ou descoladas podem sugerir onicomicose, uma infecção fúngica das
unhas, embora o diagnóstico dependa de avaliação adequada. A Sociedade
Brasileira de Dermatologia descreve a onicomicose como infecção causada por
fungos que atingem as unhas e podem alterar cor, espessura e resistência.
O erro seria tentar “corrigir” a unha pelo
desgaste excessivo ou cobrir a alteração com esmalte para disfarçar. Isso pode
fragilizar ainda mais a lâmina, mascarar o problema e atrasar a procura por
atendimento correto. Luana explicou que não poderia diagnosticar nem indicar
medicamento, mas que aquela alteração merecia avaliação. Fez apenas uma
orientação preventiva, sem prometer tratamento.
No fim do expediente, Luana percebeu que o
módulo 3 ensinava algo maior do que técnica. A pedicure bem-feita não é a que
remove mais pele, corta mais fundo ou deixa tudo visualmente perfeito. O bom
atendimento é aquele que respeita os limites da pele, das unhas e da saúde do
cliente. O CDC recomenda limpar instrumentos antes do uso, esterilizar
ferramentas compartilhadas em ambientes comerciais e não cortar cutículas, pois
elas funcionam como barreira de proteção contra infecções.
Erros comuns apresentados no caso
O primeiro erro foi querer deixar o pé
“lisinho” a qualquer custo. Para evitar, o profissional deve diferenciar
ressecamento superficial de fissura profunda. Pele rachada, dolorida ou
sangrando não deve receber lixamento agressivo.
O segundo erro foi tratar cliente
diabético como qualquer outro atendimento. Para evitar, é necessário perguntar
sobre diabetes, dor, feridas, perda de sensibilidade e dificuldade de
cicatrização. Em caso de calos doloridos, rachaduras, bolhas ou feridas, a
conduta correta é encaminhar.
O terceiro erro foi tentar esconder uma
unha alterada com esmalte. Para evitar, o profissional deve observar cor,
espessura, descolamento, dor e odor. Alterações importantes precisam de
avaliação adequada, não de disfarce estético.
O quarto erro foi acreditar que o cliente sempre sabe o que é melhor para o próprio procedimento. O cliente pode insistir, mas o profissional precisa estabelecer limites. Atendimento humanizado não é fazer tudo o que foi pedido; é explicar, acolher e
proteger.
O quinto erro seria reutilizar ou
improvisar instrumentos durante procedimentos nos pés. Para evitar, alicates,
espátulas e tesouras devem passar por processamento adequado. A Anvisa orienta
que materiais metálicos que podem entrar em contato com sangue sejam submetidos
a métodos de esterilização reconhecidos e destaca a autoclave como mais
eficiente que a estufa para esses artigos.
Como evitar problemas na prática
Antes de iniciar a pedicure, observe os
pés com calma. Verifique calcanhares, planta, unhas, dedos e espaços entre os
dedos. Pergunte sobre dor, diabetes, alergias, micose, unha encravada, feridas
e cicatrização. Se houver dúvida, não manipule a região alterada.
No corte das unhas dos pés, evite cantos
profundos. Na hidratação, não deixe excesso de creme entre os dedos. Na remoção
de pele, nunca use força sobre fissuras, feridas ou calos doloridos. Em
clientes diabéticos, não use lâminas, não retire calos e não faça cortes
agressivos.
A frase-chave para o profissional
iniciante é: “Hoje não é seguro mexer nessa região”. Essa orientação, quando
dita com respeito, mostra maturidade profissional. O objetivo não é assustar o
cliente, mas ajudá-lo a entender que a saúde precisa vir antes da estética.
Conclusão do estudo de caso
O módulo 3 mostra que técnica de manicure
e pedicure não se resume ao acabamento. Ela envolve avaliação, prevenção,
higiene, delicadeza e encaminhamento responsável. Luana aprendeu que um pé
bonito pode agradar no momento, mas um atendimento seguro constrói confiança
por muito mais tempo.
O profissional iniciante deve lembrar:
cuidar bem não é mexer demais. É saber quando cortar, quando lixar, quando
hidratar, quando parar e quando encaminhar.
Referências bibliográficas
AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA.
Serviços de embelezamento: perguntas e respostas. Brasília: Anvisa, 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual do Pé
Diabético: estratégias para o cuidado com a doença crônica. Brasília:
Ministério da Saúde, 2016.
BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca
Virtual em Saúde. Quais orientações o agente comunitário de saúde deve realizar
sobre cuidados com pé diabético em visitas domiciliares? Brasília: Ministério
da Saúde, 2021.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND
PREVENTION. Healthy Habits: Nail Hygiene. Atlanta: CDC, 2024.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE DERMATOLOGIA. Onicomicose. Rio de Janeiro: SBD.
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