MÓDULO 3 — Escrituração Fiscal básica: impostos, notas e cuidados práticos
Aula
7 —
Noções de tributos e regimes (sem virar aula de legislação)
Quando o assunto é
imposto, é comum surgir um misto de medo, confusão e até irritação. Muita gente
sente que os tributos são algo distante, complicado e impossível de entender
sem anos de estudo. Mas a verdade é que, para a rotina da escrituração fiscal e
contábil, não é preciso dominar a legislação inteira. O que realmente
faz diferença é compreender a lógica geral: porque os tributos existem, quando
eles surgem e como o enquadramento da empresa influencia tudo isso no dia a
dia.
Tributo, de forma simples, é um valor
pago ao Estado quando ocorre determinado fato previsto em lei. Na prática
empresarial, esses fatos quase sempre estão ligados a vender, comprar,
prestar serviço, contratar pessoas ou obter lucro. Ou seja, o imposto não
aparece “do nada”. Ele nasce de uma atividade real da empresa. Entender isso
ajuda a tirar o peso do mistério: se eu sei o que faço na empresa, consigo
entender por que determinado tributo existe.
No cotidiano, alguns tributos
aparecem com mais frequência do que outros. Empresas que prestam serviços
convivem muito com o ISS, que é um imposto municipal. Ele surge quando
um serviço é prestado e, em geral, está ligado à emissão da nota fiscal de
serviço. Já empresas que vendem mercadorias lidam mais com o ICMS,
um imposto estadual que incide sobre a circulação de produtos. Em muitos casos,
ele já vem “embutido” no preço, mas isso não significa que possa ser ignorado.
Mesmo quando o empresário não vê o imposto sendo pago separadamente, ele está
ali, influenciando custos e preços.
Além desses, existem tributos
federais que aparecem com bastante frequência, como PIS e COFINS, que
incidem sobre a receita, e IRPJ e CSLL, ligados ao resultado da empresa.
Para quem está começando, o mais importante não é decorar alíquotas ou regras
específicas, mas entender que cada tributo tem um motivo e um momento de
nascer. Alguns surgem com a venda, outros com o faturamento mensal, outros
com o lucro apurado em determinado período.
É aqui que entra um conceito fundamental: o regime tributário. O regime é, basicamente, o “jeito” pelo qual a empresa será tributada. Ele define quais impostos existem, como são calculados, como são pagos e quais obrigações precisam ser entregues. No Brasil, os regimes
mais comuns são o Simples Nacional, o Lucro
Presumido e o Lucro Real. Cada um deles traz vantagens e
responsabilidades diferentes, e entender isso evita erros graves na
escrituração.
O Simples Nacional costuma ser
o primeiro regime de muitas empresas. Ele foi criado para simplificar a vida de
micro e pequenas empresas, reunindo vários tributos em uma guia única. Isso não
significa ausência de impostos, mas sim uma forma mais prática de recolhê-los.
No Simples, a tributação é baseada principalmente no faturamento, e a alíquota
varia conforme a atividade e o volume de receita. Para quem está na rotina, o
cuidado principal é garantir que as notas fiscais estejam corretas,
porque elas são a base para o cálculo do imposto mensal.
Já o Lucro Presumido funciona
de outra forma. Nele, a legislação presume qual seria o lucro da empresa com
base em percentuais aplicados sobre a receita. A partir dessa presunção, são
calculados tributos como IRPJ e CSLL. Aqui, a escrituração contábil e fiscal
precisa estar ainda mais alinhada, porque, embora o lucro seja “presumido”, a
empresa continua precisando comprovar receitas, despesas, retenções e
pagamentos. É comum empresas nesse regime sentirem mais claramente o peso de
uma nota emitida errada ou de um documento mal classificado.
O Lucro Real, por sua vez, é o
regime mais complexo e o mais próximo da realidade econômica da empresa. Nele,
os tributos sobre o lucro são calculados com base no resultado contábil
ajustado. Isso significa que a qualidade da escrituração contábil é decisiva.
Um erro de classificação, uma despesa sem documento ou uma receita omitida pode
gerar distorções relevantes. Mesmo que o iniciante não vá trabalhar diretamente
com esse regime, é importante entender que ele existe e que, nele, a
contabilidade deixa de ser apenas apoio e passa a ser o centro da apuração.
Um erro bastante comum entre
iniciantes é achar que o regime tributário é um detalhe distante, resolvido
apenas pelo contador. Na prática, o regime impacta decisões simples do dia a
dia: como emitir nota, como registrar receita, como controlar faturamento,
quando se preocupar com limites e quando um crescimento pode mudar o
enquadramento da empresa. Quando a pessoa entende o regime, ela passa a
enxergar o imposto como parte do planejamento — e não apenas como um susto no
fim do mês.
Outro ponto importante é perceber que tributo não é sinônimo de pagamento imediato. Assim como vimos a
diferença entre
competência e caixa na contabilidade, na área fiscal também existem momentos
diferentes: o momento em que o imposto nasce (fato gerador) e o momento em que
ele é pago (vencimento). A venda pode acontecer hoje, o imposto pode ser
apurado no fechamento do mês e pago só no mês seguinte. Se a empresa não se
organiza, corre o risco de gastar o dinheiro que já “tem dono”, mesmo que ainda
esteja no caixa.
Por isso, entender tributos no nível básico é, acima de tudo, um exercício de organização mental. É saber responder perguntas simples: que tipo de empresa é essa? o que ela vende ou presta? qual regime ela está? quais impostos costumam aparecer? Com essas respostas, a escrituração fiscal deixa de ser um território nebuloso e passa a ser um processo lógico, conectado com a realidade da empresa.
No fim das contas, esta aula não tem o objetivo de transformar ninguém em especialista em legislação tributária. O objetivo é muito mais prático: ajudar você a não se perder, a identificar quando algo parece errado e a conversar melhor com o contador ou com a equipe fiscal. Quando os tributos deixam de ser um “monstro invisível” e passam a ser compreendidos como parte natural da atividade empresarial, a empresa ganha previsibilidade — e previsibilidade é um dos maiores sinais de maturidade na gestão.
Referências
bibliográficas
CREPALDI, Silvio
Aparecido. Planejamento Tributário. São Paulo: Atlas.
MARION, José
Carlos. Contabilidade Empresarial. São Paulo: Atlas.
PADOVEZE, Clóvis
Luís. Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas.
FABRETTI, Láudio
Camargo. Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas.
BRASIL. Código
Tributário Nacional – Lei nº 5.172/1966.
CONSELHO FEDERAL
DE CONTABILIDADE. Normas Brasileiras de Contabilidade – NBC TG Estrutura
Conceitual.
Aula 8 – O básico de
notas fiscais e CFOP: o suficiente para não errar feio
Para muita gente, nota fiscal
é aquele “documento que a gente emite porque tem que emitir”. Só que, na
prática, a nota é bem mais do que uma obrigação: ela é o registro oficial de
uma operação. É como se fosse a certidão de nascimento de uma venda ou de um
serviço prestado. Quando a nota está correta, ela protege a empresa, dá
transparência para o cliente e evita problemas na escrituração. Quando está
errada — ou quando não existe — ela vira uma porta aberta para confusão,
retrabalho, multas e até bloqueios em sistemas.
O primeiro passo para não se perder é entender que
existem tipos diferentes de nota, e cada uma serve para uma
situação. A NF-e (Nota Fiscal eletrônica) é usada principalmente para venda
de mercadorias e circulação de produtos. A NFC-e é parecida, mas
voltada para o varejo, normalmente na venda para consumidor final (muito
comum em lojas físicas). Já a NFS-e (Nota Fiscal de Serviços eletrônica)
é emitida para prestação de serviços e costuma ser controlada pela
prefeitura, porque o ISS é municipal. Por fim, existe o CT-e, ligado ao
transporte de cargas, mais comum em operações logísticas e empresas
transportadoras. Você não precisa decorar tudo de uma vez, mas precisa saber
perguntar: “O que eu fiz aqui foi venda de produto ou prestação de serviço?
Para quem? Em qual contexto?” Isso já ajuda a escolher o tipo certo.
Outro ponto que confunde iniciantes é
a ideia de que nota fiscal é só para “venda”. Na realidade, existem operações
que também exigem documentação fiscal mesmo sem haver uma venda direta. Por
exemplo, devoluções, trocas, remessas, bonificações,
amostras, transferências entre filiais, consertos, consignação.
Muitas dessas situações envolvem circulação de mercadoria e, por isso, precisam
estar documentadas de alguma forma. É aqui que muita empresa erra sem perceber:
o produto saiu ou
entrou, mas não existe documento explicando o motivo, e aí o estoque não bate,
a escrituração fica incoerente e o risco fiscal aumenta.
Nesse cenário aparece uma sigla que
dá calafrios em iniciantes: CFOP. A boa notícia é que, no nível básico,
você pode pensar no CFOP como uma frase curta que responde: “Qual é o motivo
desta operação?” Ele ajuda a classificar se a movimentação é venda, compra,
devolução, transferência, remessa, entre outras possibilidades. A palavra-chave
aqui é classificação. O CFOP é uma espécie de “etiqueta” que diz ao sistema e
ao fisco o que está acontecendo, e isso influencia a forma como impostos são
tratados e como a operação será interpretada numa fiscalização.
Um jeito bem didático de entender o CFOP sem cair em detalhes técnicos é pensar em três perguntas: (1) é entrada ou saída? (2) é dentro do estado ou fora do estado? (3) qual é a natureza da operação (venda, devolução, remessa etc.)? Com esse raciocínio, você já evita erros grandes. Porque a maioria dos problemas não vem de uma pequena diferença de código, e sim de situações como: tratar uma devolução como venda, tratar remessa como venda, ou tratar venda interestadual como se fosse interna. Esses
são os erros que geram inconsistência e chamam atenção.
E por que isso é tão importante? Porque nota fiscal não é só “um papel”: ela alimenta sistemas fiscais e contábeis, influencia o controle de estoque, afeta impostos, impacta obrigações acessórias e, muitas vezes, determina como o cliente vai enxergar a empresa. Uma nota com descrição genérica (“serviços prestados”, “venda de mercadoria”) pode até passar, mas não é o ideal. Uma nota com dados errados pode gerar recusa do cliente, dificuldade para comprovar despesas, problemas em auditorias e até bloqueio em pagamentos. Em empresas B2B (que vendem para outras empresas), isso fica ainda mais sensível, porque muitos clientes só pagam após conferência de nota.
Um erro comum é a empresa tratar nota
fiscal como algo “para fazer depois”. O problema é que o “depois” vira um
buraco. A operação aconteceu, o dinheiro entrou, o produto saiu — e a nota
ficou esquecida. Quando o fechamento do mês chega, ninguém consegue reconstruir
com precisão o que aconteceu. E, além disso, existem prazos de cancelamento e
regras específicas. Ou seja: não é só emitir, é emitir no tempo correto.
Por isso, uma prática simples ajuda muito: criar um gatilho interno do tipo “saiu
mercadoria ou prestou serviço = nota emitida”. Sem exceções “porque foi
correria”.
Outro erro frequente é o de cadastro
mal-feito. Mesmo que a empresa não tenha um ERP robusto, ela precisa ter
cuidado com itens básicos como: descrição do produto/serviço, unidade, valor,
dados do cliente/fornecedor e, quando aplicável, classificações fiscais como
NCM (no caso de mercadorias). Um cadastro ruim vira nota ruim. E nota ruim vira
uma sequência de problemas: estoque errado, imposto apurado errado, dificuldade
de conferência e retrabalho no financeiro.
Quando falamos em prevenção, o
segredo é não tentar resolver tudo na cabeça. O ideal é montar um procedimento
simples, repetível e fácil de ensinar para qualquer pessoa da equipe. Por
exemplo: antes de emitir a nota, conferir dados do cliente e o tipo de
operação; depois de emitir, salvar XML e PDF em pastas do mês; e no fim do dia
(ou da semana), comparar notas emitidas com relatório de vendas e recebimentos.
Essa rotina transforma um tema que parece enorme em uma sequência de pequenos
passos fáceis de controlar.
E tem um último ponto que vale ouro para iniciante: nem toda divergência é fraude, mas toda divergência precisa de explicação. Às vezes, a nota está
certa e o problema é só falta de
conciliação; às vezes, o pagamento entrou com desconto; às vezes, a operação
foi cancelada e não foi registrada corretamente. A nota fiscal é um “marco”
oficial. Se o banco, o estoque e as notas contam histórias diferentes, alguém
vai ficar confuso — e, em geral, a empresa é quem paga o preço dessa confusão.
No fim, a meta desta aula é bem objetiva: fazer você olhar para nota fiscal e enxergar lógica, não pânico. Saber identificar qual tipo de nota usar, entender que o CFOP é uma forma de classificar a operação e criar hábitos simples de conferência já coloca qualquer iniciante vários passos à frente. Não é sobre decorar tabelas. É sobre entender o básico e construir um processo que evita erros grandes — os que custam caro.
Referências
bibliográficas
FABRETTI, Láudio
Camargo. Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas.
CREPALDI, Silvio
Aparecido. Planejamento Tributário. São Paulo: Atlas.
PADOVEZE, Clóvis
Luís. Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas.
BRASIL. Código
Tributário Nacional – Lei nº 5.172/1966.
BRASIL. Ajuste
SINIEF 07/2005 (institui a NF-e e o DANFE).
CONSELHO FEDERAL
DE CONTABILIDADE. NBC TG – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro.
Brasília: CFC.
Aula 9 – Fechamento
mensal integrado (fiscal + contábil) em 10 passos: transformando correria em
rotina
Fechamento mensal é aquele momento em
que a empresa descobre se está organizada… ou se estava apenas “apagando
incêndio” com boa vontade. Muita gente associa fechamento a uma semana de
estresse, madrugada conferindo extrato, caça a nota fiscal perdida e aquela
frase que ninguém gosta de ouvir: “Não vai dar para fechar hoje, falta
documento.” Só que o fechamento não precisa ser traumático. Quando você
entende o objetivo e cria um ritual simples, ele vira um processo natural: uma
revisão do mês para garantir que a história da empresa está coerente — tanto
para a gestão quanto para o fisco.
A ideia do fechamento mensal
integrado é justamente unir dois mundos que, na prática, andam juntos o tempo
inteiro: o fiscal (notas, impostos, obrigações) e o contábil
(registros, resultado, patrimônio, conciliação). Não adianta o fiscal estar
lindo se o banco não bate e os lançamentos estão duplicados. E não adianta a
contabilidade parecer organizada se faltam notas ou existem operações sem
documento. Fechar bem o mês é fazer esses dois lados conversarem, sem briga e
sem improviso.
O primeiro passo é sempre
começar pelo que “define” as operações: as notas fiscais emitidas e recebidas. Nesse momento, a pergunta é bem simples: “Tudo o que foi vendido ou prestado serviço foi documentado? E tudo o que foi comprado tem documento?” Esse é o tipo de verificação que evita problemas grandes, como receitas sem nota, compras sem comprovação e divergências que vão estourar lá na frente. Uma dica prática é separar as notas por tipo: vendas, serviços, compras e devoluções. Só essa separação já deixa o trabalho mais leve.
Logo em seguida, vale olhar para um
tema que costuma causar confusão: cancelamentos, devoluções e ajustes. A
vida real tem trocas, reembolsos, notas canceladas, devolução de mercadoria por
defeito, desconto concedido depois, retrabalho. Se esses eventos não são
registrados corretamente, o mês fica com cara de “vendeu muito” ou “comprou
muito” sem ser verdade. O fechamento é o momento de garantir que essas exceções
foram tratadas com cuidado, porque são exatamente elas que geram
inconsistências em estoque, em impostos e na percepção do resultado.
Depois disso, entra um passo que
parece pequeno, mas é decisivo para evitar dor de cabeça: conferir cadastros
básicos. Se você trabalha com mercadoria, por exemplo, um cadastro malfeito
(descrição confusa, item duplicado, classificação errada) vira nota errada,
estoque errado e lançamento errado. Se você presta serviço, descrições
genéricas demais podem gerar questionamentos e retrabalho. Nessa etapa, a meta
não é “perfeição”, mas consistência: manter o que é essencial correto e
padronizado para o fechamento não virar um quebra-cabeça.
A partir daí, o foco costuma ir para
o coração financeiro do mês: extratos bancários e relatórios de recebimento
(cartão, PIX, boletos, marketplace). Aqui entra a conciliação de verdade. A
pergunta que guia essa etapa é: “Tudo o que entrou tem origem? Tudo o que saiu
tem justificativa e documento?” Conciliação não é só bater saldo; é identificar
taxas, estornos, pagamentos duplicados, entradas sem identificação e repasses
“quebrados” (aquelas situações em que várias vendas viram um repasse só).
Quanto mais cedo a empresa faz isso, menos pendência acumula.
Com as entradas e saídas mapeadas, chega a hora de organizar os documentos por competência, ou seja, decidir “a que mês isso pertence”. Esse ponto é vital para o resultado fazer sentido. Se você registrar despesa só quando paga e receita só quando recebe, o mês vira uma montanha-russa.
ou seja,
decidir “a que mês isso pertence”. Esse ponto é vital para o resultado fazer
sentido. Se você registrar despesa só quando paga e receita só quando recebe, o
mês vira uma montanha-russa. No fechamento, você olha com calma e pergunta:
“Essa conta de energia pertence a qual mês? Esse recebimento é de qual venda?
Essa compra foi feita quando?” Essa organização transforma o fechamento em algo
inteligente, e não apenas mecânico.
Na sequência, entra um item que
costuma dar susto quando é ignorado: impostos pagos e impostos em aberto.
O fechamento não é apenas olhar para o que já foi pago, mas também para o que
foi gerado e ainda vai vencer. Muitas empresas caem numa armadilha perigosa: o
dinheiro está no caixa, então elas gastam, esquecendo que existe imposto a
vencer. No fechamento, você cria clareza sobre isso: o que já foi recolhido, o
que ainda falta, quais guias precisam ser emitidas e quais prazos estão
chegando. Só isso já reduz muito risco de multa e juros.
Depois vem um passo que parece
burocrático, mas é, na verdade, o mais “honesto” do fechamento: listar
pendências. Pendência é tudo aquilo que não fecha: nota faltando, pagamento
sem documento, entrada sem identificação, divergência de valor, lançamento
duplicado, operação sem comprovação. Muitas empresas têm medo dessa lista, como
se pendência significasse fracasso. Mas a lista é o contrário: ela é um sinal
de maturidade. Uma empresa organizada não é a que nunca tem pendência — é a que
identifica rápido, registra e resolve.
Com as pendências mapeadas, o
fechamento evolui para algo que dá senso de controle: gerar relatórios e
enxergar o mês. Para iniciantes, dois relatórios já mudam o jogo: um resumo
de receitas e despesas (resultado do mês) e um demonstrativo simples de contas
a pagar e a receber. Esses relatórios são o “espelho” do mês. Eles mostram se a
empresa está conseguindo gerar lucro, onde está gastando mais, se está ficando
muito dependente de vendas a prazo e se os compromissos estão equilibrados.
Por fim, vem o passo que muita gente faz malfeito e depois se arrepende: checklist final e arquivamento. Fechou o mês? Então os documentos precisam estar guardados de forma acessível. Não é para “encher pasta”, é para garantir que, se amanhã surgir uma dúvida, uma auditoria, um pedido de banco, ou até um questionamento interno, você encontre tudo com rapidez. Arquivamento bom é aquele que permite responder “onde está?” em dois minutos. E isso só
acontece com padrão e constância.
Se você reparar, os “10 passos” do
fechamento integrado não são um ritual para complicar sua vida. Eles existem
para substituir o improviso por um método. E o método, com o tempo, vira
tranquilidade. Quando a empresa fecha bem o mês, ela ganha algo que não aparece
em planilha: confiança. Confiança para tomar decisões, para crescer,
para negociar com fornecedores, para buscar crédito, para organizar impostos e
para conversar com o contador de igual para igual. O fechamento bem-feito é
como varrer a casa e abrir as janelas: dá trabalho, mas deixa tudo mais leve.
No fim das contas, o fechamento mensal integrado é o momento de fazer a pergunta mais importante do curso inteiro: “A história que a empresa contou este mês está coerente?” Se notas, banco, lançamentos e documentos contam a mesma história, você está no caminho certo. Se cada parte conta uma versão diferente, o fechamento serve para ajustar, aprender e criar um próximo mês melhor. E é assim que a escrituração deixa de ser um peso e vira um instrumento real de organização e crescimento.
Referências
bibliográficas
IUDÍCIBUS, Sérgio
de. Contabilidade Introdutória. São Paulo: Atlas.
MARION, José
Carlos. Contabilidade Básica. São Paulo: Atlas.
CREPALDI, Silvio
Aparecido. Contabilidade Geral. São Paulo: Atlas.
PADOVEZE, Clóvis
Luís. Manual de Contabilidade Básica. São Paulo: Atlas.
FABRETTI, Láudio
Camargo. Contabilidade Tributária. São Paulo: Atlas.
BRASIL. Código
Tributário Nacional – Lei nº 5.172/1966.
CONSELHO FEDERAL
DE CONTABILIDADE. NBC TG – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro.
Brasília: CFC.
Estudo de caso envolvente
— Módulo 3
“A agência que
faturava bem…, mas sempre tinha medo do fim do mês”
A Criativa Sul
era uma agência de marketing digital com clientes fixos, contratos mensais e
uma equipe enxuta. O faturamento crescia de forma estável, e o trabalho não
faltava. Mesmo assim, toda vez que chegava ao fim do mês, a dona, Carla,
sentia um frio na barriga. Não era por falta de clientes — era por insegurança.
Ela nunca tinha certeza se os impostos estavam certos, se as notas
tinham sido emitidas corretamente e se o fechamento mensal realmente
refletia a realidade.
A empresa estava no Simples Nacional, e Carla acreditava que isso significava “pouca burocracia”. Até que começaram a aparecer pequenos sinais de alerta: notificações da prefeitura, divergências entre banco e notas, atrasos pontuais em impostos e pedidos
de alerta:
notificações da prefeitura, divergências entre banco e notas, atrasos pontuais
em impostos e pedidos de clientes para corrigir notas já emitidas.
Foi nesse cenário que entrou Fernanda, assistente administrativa, para ajudar a organizar a escrituração fiscal e o fechamento mensal — exatamente o foco do Módulo 3.
Cena 1 — “É tudo
serviço… então tanto faz a nota, né?”
Fernanda começou
revisando as notas fiscais de serviço (NFS-e) e percebeu que quase todas
tinham a mesma descrição: “Serviços prestados conforme contrato”. Não
havia detalhamento, período de referência nem distinção entre tipos de serviço.
Erro comum #1:
descrição genérica na nota fiscal
Consequências:
✅ Como evitar
Cena 2 — PIX
entrou…, mas a nota ficou para depois
No extrato
bancário, Fernanda encontrou vários PIX de clientes que não tinham nota
fiscal correspondente. Carla explicava: “O cliente pagou antes, depois eu
emito”.
Erro comum #2:
recebimento sem emissão imediata de nota
Consequências:
✅ Como evitar
Cena 3 — CFOP
errado (ou nem pensado)
Embora a empresa
fosse de serviços, havia algumas operações específicas: reembolso de despesas,
cobrança de taxa administrativa, ajustes contratuais. Em alguns casos, as notas
eram emitidas como se fossem todas iguais, sem refletir a natureza real da operação.
Erro comum #3: não
pensar na natureza da operação (classificação fiscal)
Consequências:
✅ Como evitar
Cena 4 — Imposto
pago “quando dá”
Fernanda analisou
os pagamentos e percebeu que alguns impostos do Simples tinham sido pagos em
atraso. Não por falta de dinheiro, mas por falta de previsibilidade.
Carla pagava quando lembrava ou quando sobrava tempo.
Erro comum #4: não
separar imposto como obrigação futura
Consequências:
✅ Como evitar
Cena 5 —
Fechamento sem método: cada mês uma história
No fechamento
mensal, Fernanda percebeu que não havia um roteiro fixo. Cada mês era resolvido
“do jeito que dava”. Às vezes o banco era conferido antes das notas, às vezes
depois; às vezes as pendências ficavam para o mês seguinte e nunca eram
resolvidas.
Erro comum #5:
fechamento mensal improvisado
Consequências:
✅ Como evitar
O ponto de virada
— quando o fechamento virou rotina
Depois de dois
meses aplicando ajustes simples, Fernanda apresentou um fechamento diferente
para Carla:
Carla respirou
aliviada e disse:
“Agora eu não tenho mais medo do fechamento. Eu sei o que vai acontecer.”
O que o Módulo 3
ensinou na prática
Aula 7 — Tributos
e regimes
Aula 8 — Notas
fiscais e CFOP
Aula 9 —
Fechamento mensal integrado
Checklist final
(ante erro) do Módulo 3
1. Emitir
nota com descrição clara e no tempo certo
2.
Não
receber sem documentar
3. Pensar
na natureza da operação antes de emitir
4. Controlar
impostos a pagar, não só os pagos
5. Usar
checklist fixo de fechamento mensal
6. Arquivar
documentos por mês e tipo
7. Conferir banco, notas e registros como uma única história
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