Técnicas e Procedimentos Hematológicos
Coleta de Amostras Sanguíneas
Tipos
de Amostras (Venosa e Capilar)
A coleta de amostras sanguíneas é um procedimento
fundamental nos laboratórios de hematologia e pode ser realizada de diferentes
formas, dependendo do tipo de exame a ser realizado e do estado do paciente. Os
dois tipos principais de amostras sanguíneas são:
Métodos
de Coleta e Cuidados na Obtenção de Amostras
A coleta de amostras sanguíneas requer a adoção de
métodos padronizados e rigorosos para garantir a qualidade da amostra e a
segurança tanto do paciente quanto do profissional. Abaixo estão os principais
métodos e cuidados a serem tomados na obtenção de amostras:
1.
Coleta Venosa:
o
Preparação: O profissional deve higienizar as mãos e utilizar
luvas descartáveis. O paciente deve estar confortavelmente posicionado, com o
braço estendido. O local da punção é geralmente a região antecubital, onde a
veia cubital está mais acessível.
o
Escolha da Veia: Deve-se escolher uma veia palpável e de fácil
acesso, evitando veias finas ou próximas a articulações. Um torniquete é
aplicado no braço para facilitar a visualização da veia, que deve ser limpa com
álcool 70%.
o
Punção: Com uma agulha apropriada conectada a um sistema
de coleta a vácuo ou seringa, a punção é feita diretamente na veia, e o sangue
é coletado em tubos específicos para cada exame.
o
Cuidados: Após a coleta, o torniquete é removido, e a agulha
é retirada suavemente. Aplica-se uma compressa no local da punção para evitar
hematomas.
2.
Coleta Capilar:
o
Preparação: As mãos ou o local da coleta (ponta do dedo ou
calcanhar) devem ser desinfetados com álcool 70%. A área deve estar bem seca
antes da punção para evitar diluição do sangue.
o
Punção: Utiliza-se uma lanceta esterilizada para perfurar
a pele superficialmente. O primeiro sangue é geralmente descartado, pois pode
conter fluidos intersticiais que afetam a qualidade da amostra.
o
Coleta: O sangue que se acumula é coletado em tubos
capilares, micro tubos ou diretamente em tiras reagentes, dependendo do exame.
o
Cuidados: Pressão leve é aplicada no local da punção para
estimular o fluxo de sangue. Após a coleta, o local é limpo e coberto com um
curativo.
Procedimentos
Pós-Coleta e Transporte Adequado das Amostras
Após a coleta, é fundamental seguir procedimentos
adequados para garantir a integridade das amostras e a precisão dos resultados
dos exames:
Seguindo esses procedimentos, a coleta de amostras sanguíneas se torna um processo seguro e eficaz, garantindo a obtenção de resultados precisos e confiáveis para
os, a coleta de amostras
sanguíneas se torna um processo seguro e eficaz, garantindo a obtenção de
resultados precisos e confiáveis para os diagnósticos laboratoriais.
Hemograma Completo
O
que é o Hemograma e Sua Importância
O hemograma completo é um dos exames
laboratoriais mais solicitados e amplamente utilizados na prática médica. Ele é
essencial para a avaliação da saúde geral de um paciente e no diagnóstico de
uma série de condições, desde infecções e anemias até doenças mais graves, como
leucemias e distúrbios de coagulação. O hemograma analisa os componentes do
sangue, fornecendo informações detalhadas sobre as células sanguíneas,
incluindo glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e
plaquetas.
Sua importância reside no fato de que o sangue é um
reflexo direto da atividade de vários sistemas do corpo. Qualquer alteração nos
parâmetros sanguíneos pode ser um indicativo de um problema de saúde, o que
torna o hemograma uma ferramenta valiosa para diagnósticos iniciais e para
monitorar a evolução de doenças ou a resposta a tratamentos.
Interpretação
dos Parâmetros do Hemograma: Contagem de Hemácias, Leucócitos e Plaquetas
Um hemograma completo fornece várias informações
quantitativas e qualitativas sobre as células sanguíneas. Os principais
parâmetros analisados são:
1.
Contagem de Hemácias (Eritrócitos):
o
As hemácias são
responsáveis pelo transporte de oxigênio dos pulmões para os tecidos e de
dióxido de carbono dos tecidos para os pulmões. No hemograma, são avaliadas a
quantidade e a qualidade das hemácias.
o
Valores normais: Entre 4,5 a 6,0 milhões/mm³ em homens e 4,0 a 5,5
milhões/mm³ em mulheres.
o
Alterações: Uma contagem baixa de hemácias pode indicar anemia,
que pode ter diferentes causas, como deficiência de ferro ou vitamina B12,
enquanto uma contagem alta pode estar associada a policitemia, uma
condição em que o corpo produz excesso de glóbulos vermelhos.
2.
Hemoglobina (Hb) e Hematócrito (Ht):
o
A hemoglobina
é a proteína das hemácias responsável por transportar oxigênio. Sua dosagem é
essencial para avaliar o transporte adequado de oxigênio no corpo.
o
O hematócrito
representa a proporção do volume de sangue ocupado pelas hemácias, indicando o
nível de concentração das células sanguíneas.
o
Valores normais de hemoglobina: 13 a 17 g/dL em homens e 12 a 15 g/dL em mulheres.
Já o hematócrito varia de 40% a 50% em homens e 36% a 45% em mulheres.
o Alterações: Baixos níveis
de hemoglobina e hematócrito também
indicam anemia, enquanto níveis altos podem sugerir desidratação
ou doenças pulmonares.
3.
Contagem de Leucócitos (Glóbulos
Brancos):
o
Os leucócitos
são as células de defesa do corpo, responsáveis por combater infecções e
agentes estranhos. O hemograma avalia o número total de leucócitos, bem como a
proporção de seus diferentes tipos (neutrófilos, linfócitos, monócitos,
eosinófilos e basófilos), o que é chamado de diferencial leucocitário.
o
Valores normais: 4.000 a 11.000/mm³.
o
Alterações: Um aumento no número de leucócitos (leucocitose)
pode indicar infecção bacteriana, inflamação ou leucemia, enquanto uma
redução (leucopenia) pode estar associada a infecções virais,
doenças autoimunes ou o uso de certos medicamentos, como quimioterápicos.
4.
Contagem de Plaquetas (Trombócitos):
o
As plaquetas são
responsáveis pela coagulação do sangue. Elas ajudam a formar coágulos para
interromper sangramentos após lesões.
o
Valores normais: 150.000 a 450.000/mm³.
o
Alterações: Uma contagem baixa de plaquetas (trombocitopenia)
pode aumentar o risco de sangramentos, sendo comum em distúrbios autoimunes,
infecções ou uso de certos medicamentos. Por outro lado, uma contagem elevada (trombocitose)
pode estar associada a inflamações ou doenças como a trombocitemia essencial,
o que aumenta o risco de coágulos.
Esses parâmetros, entre outros fornecidos pelo hemograma, ajudam os médicos a identificar condições específicas, monitorar tratamentos e fazer intervenções precoces quando necessário.
Preparação
e Manuseio de Amostras para Hemograma
A coleta de amostras para um hemograma é simples,
mas o manuseio adequado é crucial para garantir a precisão dos resultados.
Abaixo estão as principais etapas de preparação e manuseio de amostras:
1.
Coleta de Amostras:
o
O sangue para
hemograma é coletado através de punção venosa, geralmente do braço, em tubos
contendo o anticoagulante EDTA. Isso impede a coagulação do sangue e permite a
contagem precisa das células.
o
Durante a
coleta, deve-se evitar a hemólise (ruptura dos glóbulos vermelhos), o que pode
alterar os resultados. Para isso, a punção deve ser realizada corretamente, sem
aspirações bruscas ou prolongadas.
2.
Armazenamento e Transporte:
o
As amostras
devem ser armazenadas e transportadas em temperatura ambiente. Exposição
prolongada ao calor ou ao frio pode interferir nos resultados.
o Amostras processadas devem ser
analisadas em até 24 horas para garantir a precisão.
Quando há atrasos, alterações nas contagens celulares podem ocorrer,
principalmente nas plaquetas.
3.
Preparação para a Análise:
o
Antes de
realizar o hemograma, as amostras são homogeneizadas cuidadosamente para
garantir a distribuição uniforme das células. Isso é feito invertendo o tubo
gentilmente várias vezes.
o
O processamento
da amostra pode ser realizado em analisadores hematológicos automáticos, que
fornecem contagens precisas e interpretações básicas dos parâmetros. Em casos
especiais, pode ser necessário realizar esfregaços sanguíneos, onde uma
pequena quantidade de sangue é espalhada em uma lâmina, corada e analisada ao
microscópio para avaliação visual da morfologia das células sanguíneas.
A correta preparação e manipulação das amostras é
fundamental para garantir que os resultados do hemograma reflitam com precisão
o estado de saúde do paciente, permitindo diagnósticos e tratamentos eficazes.
Com esses cuidados, o hemograma completo se mantém como uma ferramenta poderosa e de rotina no diagnóstico médico, fornecendo uma visão detalhada sobre a saúde do sangue e do sistema hematológico.
Técnicas
de Coloração e Preparação de Lâminas
Procedimentos
para Preparação de Lâminas de Esfregaço Sanguíneo
A preparação de lâminas de esfregaço sanguíneo é uma
técnica essencial em laboratórios de hematologia. Ela permite a observação
direta de células sanguíneas sob o microscópio, possibilitando a identificação
de anormalidades morfológicas que não são detectadas por exames automatizados.
O esfregaço sanguíneo é amplamente utilizado no diagnóstico de doenças
hematológicas, como leucemias, anemias e infecções.
Os passos para a preparação de uma lâmina de
esfregaço sanguíneo são os seguintes:
1.
Coleta da Amostra: Uma pequena gota de sangue (geralmente venoso ou
capilar) é colocada na extremidade de uma lâmina de vidro limpa e seca.
2.
Esfregaço da Amostra: Utilizando uma segunda lâmina de vidro, a gota de
sangue é suavemente espalhada em um movimento rápido e uniforme, criando uma
fina camada de sangue. Esse processo deve ser realizado com cuidado para evitar
a formação de artefatos que possam prejudicar a análise.
3.
Secagem: A lâmina é deixada para secar ao ar, sem uso de
calor, para evitar a distorção das células sanguíneas.
4. Fixação (quando necessário): Para algumas técnicas de coloração, a lâmina precisa ser fixada para preservar as células e facilitar a
penetração do
corante. A fixação pode ser feita com metanol, que desidrata as células e as
fixa à lâmina, ou com calor, dependendo do protocolo.
Técnicas de Coloração
(Wright-Giemsa e Outras)
Após a preparação do esfregaço sanguíneo, a lâmina
deve ser corada para permitir a visualização das diferentes células sanguíneas
e suas estruturas internas. A coloração também facilita a identificação de
anomalias morfológicas, que são fundamentais para o diagnóstico de várias
doenças.
Entre as técnicas de coloração mais comuns estão:
1.
Coloração de Wright-Giemsa:
o
Esta é a técnica
mais amplamente utilizada em hematologia para a coloração de lâminas de
esfregaço sanguíneo.
o
Wright-Giemsa é um corante de Romanowsky, composto por uma
combinação de eosina (um corante ácido) e azul de metileno (um corante básico).
o
A eosina cora
componentes ácidos das células, como o citoplasma dos eosinófilos e os grânulos
das plaquetas, em tons de rosa ou laranja. O azul de metileno, por sua vez,
cora componentes básicos, como o núcleo das células, em tons de azul ou roxo.
o O procedimento geralmente envolve a aplicação do corante na lâmina, seguido por uma lavagem com água tamponada para remover o excesso de corante. O resultado é uma coloração contrastante que facilita a visualização dos detalhes celulares.
2.
Coloração de May-Grünwald-Giemsa:
o
Similar à
técnica de Wright-Giemsa, esta coloração utiliza duas etapas: primeiro o
May-Grünwald, seguido pelo Giemsa. O May-Grünwald fixa e colore as células com
a eosina e o azul de metileno, enquanto o Giemsa melhora a definição dos
detalhes intracelulares.
o
Esse método é
particularmente útil para a identificação de células anormais, como em casos de
leucemia ou malária.
3.
Coloração de Leishman:
o
Outro corante de
Romanowsky, utilizado frequentemente em regiões tropicais para a detecção de
parasitas, como o Plasmodium, responsável pela malária. A técnica é similar à
de Wright-Giemsa, mas a coloração é otimizada para visualizar tanto células
sanguíneas quanto parasitas.
4.
Coloração Supravital (azul de cresil
brilhante):
o
Utilizada para
visualizar reticulócitos (hemácias jovens), que não são visíveis em colorações
comuns. O corante supravital é aplicado diretamente no sangue sem a fixação
prévia da lâmina, permitindo a coloração de estruturas intracelulares
remanescentes nos reticulócitos.
Identificação
de Células Sanguíneas em Microscópio
Após a coloração, as lâminas de
esfregaço sanguíneo são analisadas ao microscópio. A coloração diferencial permite que os profissionais identifiquem as principais células sanguíneas e suas características morfológicas. Entre as células mais comumente observadas estão:
1.
Glóbulos Vermelhos (Hemácias):
o
No microscópio,
as hemácias aparecem como células discóides sem núcleo, com uma coloração rosa
pálida e um centro mais claro (devido à sua forma bicôncava). A morfologia das
hemácias pode ser analisada para identificar alterações, como a presença de
esferócitos (hemácias esféricas), drepanócitos (em forma de foice) ou
fragmentos de hemácias (esquizócitos), que indicam patologias específicas.
2.
Glóbulos Brancos (Leucócitos):
o
Os leucócitos
são facilmente identificáveis devido aos seus núcleos corados de roxo ou azul e
o citoplasma de tonalidade variável. Existem cinco tipos principais de
leucócitos:
§ Neutrófilos: Apresentam um núcleo segmentado em 2-5 lóbulos e
um citoplasma com grânulos finos corados levemente.
§ Linfócitos: Células menores, com núcleo grande e redondo que
ocupa a maior parte da célula.
§ Monócitos: Maior tipo de leucócito, com núcleo em formato de
feijão e citoplasma mais abundante.
§ Eosinófilos: Caracterizados por grânulos citoplasmáticos cor de
laranja-avermelhado e um núcleo bilobado.
§ Basófilos: Raros, com grânulos citoplasmáticos grandes e roxos que obscurecem o núcleo.
3.
Plaquetas:
o
Plaquetas são
fragmentos celulares pequenos, sem núcleo, que aparecem em grupos no esfregaço.
Elas têm uma coloração azulada ou púrpura e são essenciais para o processo de
coagulação.
A análise cuidadosa de todos esses elementos no esfregaço sanguíneo fornece informações valiosas sobre a saúde do paciente. A identificação precisa das células e suas anomalias ajuda no diagnóstico de várias condições, desde infecções e inflamações até doenças hematológicas, como leucemias e anemias. O uso de técnicas adequadas de coloração e observação é essencial para garantir a confiabilidade dos resultados.
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